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                  <text>VII CONGRESSO BííASILEIRO DE BIBLIOTECONOMIA E DOCUMENTAÇÃO
Belém, 29 de julho a 4 de agosto de 1973

CDD 010.981
ODU 002:5/6(81)

PocTomentação Científica e Tecnológica - Planejamento

Condição essencial para o estabelecimento de uma
rede nacional de informação científica e técnica

por
Edson Nery da Fonseca
Bibliotecário (CR 1 N? 004/67)
Professor Titular da Universidade de Brasília
Diretor da Faculdade de Estudos Sociais Aplicados

• )
B6G'ca.TECNOL.

cm

2

3

4

5

6

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*

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18

19

�RESUMO
Condlgão essencial para_o estabelecimento de uma rede nacional
de informação

científica _e técnica

por
Edson Nery da Fonseca

Os sistemas de catalogação cooperativa,

de catálogos coletivos

e de aquisição centralizada foram as primeiras tentativas feitas
no Brasil para o estabelecimento de uma rede nacional de bibliotecas.
Apesar dos clamores de mais de um bibliotecário em favor
colaboração entre bibliotecas,

tais tentativas fracassaram,

da
por

falta de espírito cooperativo da parte da maioria dos bibliotec_á
rios brasileiros,
A situação atual é verdadeiramente caótica,

caracterizando-se

pelo isolacionismo das bibliotecas e serviços de documentação g_o
vernamentais, principalmente os do«Poder Legislativo,

cujas câu^

ras reorganizaram recentemente, seus serviços auxiliares com sob_e
rano desprezo pelo ideal da centralização.
Sem a colaboração que integre essas bibliotecas e serviços
ma rede nacional,

rm

o sistema de informação científica e técnica

não poderá ser estabelecido,

o que impedirá o Brasil de partici-

par efetivamente do projeto Unisist.
Se as iniciativas governamentais fracassaram,

cabe às associa-.

ções profissionais de bibliotecários o papel de coordenar esforços visando a formação de 'uma rede nacional, mediante a colabora
ção espontânea de diretores e chefes de bibliotecas.
A importância da rede nacional de informação científica e técA
ca não exclui a de um sistema de bibliotecas públicas e escola res. Assegurar à população oportunidades para uma educação cont^
nuada é tarefa tão prioritária quanto a de prover informação
atualizada a cientistas e pesquisadores.

�SUMÁRIO

0 - JJTTBODUgaO

cm

folha 1

1 - AUGUKCIA DE COOPERAÇRO

1

1.1 - RETROSPECTO DE INICIATIVAS

1-4

1.1.1 - Catalogaçao Cooperativa

1-2

1.1.2 - Catálogos Coletivos

2-3

1.1.3 - Aquisição Centralizada

3-^

1,2 - RETROSPECTO DE CLAMORES NO DESERTO ,,,

4-9

2 - NECESSIDADE E IMPORTÂNCIA DA COOPERAQAO

9-13

2.1 - COOPERAÇÃO VOLUNTÁRIA

9-H

2.2 - PílRTIC.IPAÇAO DAS Bj^LIOTECAS PÚBLICAS

12-13

3 - CONCLUSÕES

13

REFEII. :iAS BIBLIOCRíÁFICAS

13-15

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is",

♦

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19

�0 - INTRODUÇaO

'Kao sendo esta a primeira vez em que o autor aborda o assunto
do presente trabalho,

sente-se ele na obrigação de referir-se

artigos de sua autoria,

a

o que faz não por vaidade, mas pelo prop^

sito de demonstrar a primeira premissa,
bliotecários brasileiros,

que é a seguinte:

os

bi-

salvo honrosas exceções, não têm demon^

trado sensibilidade para o trabalho em colaboração que integraria
nossas bibliotecas nirni verdadeiro sistema nacional de aquisição ,
de processos técnicos e de permuta de informações.

1 - AUSÊNCIA DE COOPERAÇãO
1.1 - RETROSPECTO DE INICIATIVAS
Cabe à bibliotecária Lydia de Queiroz Sambaguy a

precedência

nas iniciativas do estabelecimento de sistemas tanto de catalogação cooperativa como de catálogos coletivos e de aquisição centr^a
lizada.
1.1.1 - Catalogação Cooperativa
Como Chefe da Biblioteca do Departamento Administrativo do
Serviço Publico,
1942,

a Sra. Lydia de Queiroz Sambaguy organizou

o Serviço de Intercâmbio de Catalogação (SIC),

cios tanto daquele Departamento como da Fundação

em

sob os ausp^

Getúlio Vargas

e do'Departamento de Imprensa Nacional.
Entre as dificiildades encontradas pelo SIC,

sua própria funda

dora citou "a incompreensão das bibliotecas e serviços de documen
tação"

(21, p.68)* Superadas as outras dificuldades que ela men -

cionou — falta de catalogadores e revisores devidamente treina dos e atraso na impressão das fichas — podemos verificar, trinta
anos depois,

que o SIC não foi bem sucedido tanto pelo seu progra

* Os números indicam os trabalhos referenciados no fim do tex
to

�2
no por demais ambicioso como por aquela incompreensão.
deveria nestringir-se aos livros impressos no Brasil.

0 programa
Por outro ^

do, faltou-lhe sem.pre a colaboração das maiores bibliotecas
País,

do

como a Nacional do Rio de Janeiro e a M\micipal de São Pau-

lo. Não deixa de ser curioso assinalar,

como

sinal dos tempos,

que a colaboração foi negada em nome de diferenças normativas,corro
se os programas de cooperação devessem estar a serviço das normaa
1.1.2 - Catálogos Coletivos
Iniciado na Fundação '‘etúlio Vargas,

em. 19^7í

o Gatá.logo Col^

tivo foi,cm 195^^j transferido para o então recem-criado Instituto
Brasileiro de Bibliografia e Bocomentação (I3BD)
sim).
vo,

Criou-se,

(22- p,6 _et pas-

em 1956, 'v-una Comissão Nacional do Ca'álogo Coleti

orgarizada pelo IE3D e integrada por representantes de oito

centros bibliográficos regionais; Universidades Federais do
de Janeiro (então ■ .inda chair'ada Universidade do Brasil),

Rio

Pernambu-

co (antiga Universidade do Recife), Bahia, l-Iinas Gerais,

Paraná e

Rio Grande do Sui, UnxVc:rc,i.dade de* São Paulo e Instituto Nacional
de Pesquisas da Am.azonia,
É lamentável que a Comissão Nacional do Cataloge Coletivo tenha sido extinta,

enquanto outras comissbes, muito menos im^portan

tes e mais dispendiosas — como a PZD/CIíA e a IBBD/CDU —
criadas e continuara a reunir-se,
e responder,

foram

emibora destas devamos perguntar

cemo Ascenso Ferreira no seu poema sobra o gaúcho ;

"Pra que? Pra nada'^,
Não: não a-imito que me falera.

a título cie compensação, na au-

tomação dos catálogos coletivos ou na publicação — que representa, realmsnte, un acontecimento — do Catálogo coletivo ^ publicaçães

periódicas de Ciência e Tecnologia(17). 0 que essa publi-

cação revela,

eid matéria de multiplicação de oo.leçoes e, portan -

to, de malversação de recursos,
sim,

é verdadairmiente clamoroso. As -

o Catálogo Coletivo deixa de prestar o principa,! serviço que

dele esperávamos;

isto é,

a aquâro.ção centralizada c/,; coordenada.

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17

lí

�3
Culpa, diga-se de passagem, men«s dele do que da falta de sensidi
lidade para a importância de um sistema nacional de aquisição cen
tralizada:

falta generalizada, malgrado alguns exemplos isolados.

1.1.3 - Aquisição Centralizada

Esse tipo de aquisição começou,

como se sabe, nos Estados Un^

dos e no ano de 1942,quando, por iniciativa da Library of Congress
e da Association of Research Lihraries,
mington (28),

elaborou-se o Plano

ainda hoje atuante e subdividido em vários

programas nacionais de aquisição,

como, por exemplo,

rican Cooperative Acquisitions Program (LACAP)

Faroutros

o Latim Ame-

.

Também houve, no Brasil, uma tentativa de estabelecimento de^
se tão necessário sistema. Ele procura,
que exista,

como se sabe,

fazer

com

em pelo menos uma biblioteca do país, pelos menos

um

exemplar de cada obra relevante publicada em qualquer parte do
mundo. Tal ideal só pode ser alcançado através de programas naci^
nais de aquisição de livros e de assinatura de revistas publica dos no estrangeiro.
Desde sua fundação,

em 1947^ procurou o Catálogo Coletivo in-

teressar as bibliotecas b.asileiras no estabelecimento de um sistema de aquisição centralizada, distribuindo 1.500 questionários,
"dos quais,

apenas 453 foram devolvidos devidamente preenchidos"

(14, p.VI e 15, p.

18).

Os números são eloquentes: menos de 50^

de questionários devolvidos! Talvez por isso,

excluiu-se da seg\m

da edição do guia das Bibliotecas especializadas brasileiras o in
teressante projeto para aquisição planificada que figurou nas ed^
ções anteriores

(l6).

Uma análise desse guia mostra como as bibliotecas brasilei ras ainda vivem isoladas,

apesar de adesões puramente teóricas

ao projeto do IBBD. Até I969, por exemplo, vê-se que existiara,numa pequena cidade como Brasília, quatro bibliotecas especializadas

�4

em Direito e três (incluidas as precedentes) era Administração Pública. Duas dessas bibliotecas estão instaladas no mesmo conjunto
de edifícios

( o Palácio do Congresso Nacional) e quatro situam-SB

numa praça que se chama "dos Três Poderes"

(l6,

p.65-70). Mais

adiante veremos como a situação atual é ainda pior.

1.2 - RETROSPECTO DE CLAMORES NO DESERTO

Não faltou às iniciativas da bibliotecária Lydia de Queiroz
Sambaguy o respaldo por assim dizer catequitico ou doutrinário de
vozes autorizadas como a do bibliógrafo Rubens Borba de Moraes ,
que já em 1943 escrevia :

"Uma biblioteca a mais não

resolve

o

problema de ura centro cultural. Do que necessitamos é de um siste
ma de bibliotecas, trabalhando em conjunto, umas suprindo as
ficiências das outras,

cooperando. Estradas de ferro construidas

a esmo nada adiantam para os transportes de um país.
é uma rede ferroviária.

de-

Pois o que precisamos,

0 que é útil

no nosso caso,

é

de uma rede bibliotecs.ria "(l8, p.6).
Discípulo desse grande bibliógrafo e bibliófilo brasileiro
procurei seguir-lhe a lição, unindo minha humilde voz à sua,

,
em

verdadeira campanha de aliciamento dos bibliotecários brasileiros
para o trabalho em cooperação. Repito o que já escrevi no início:
esta série de citações dos meus próprios artigos objetiva,
sivaraente,

exclu-

a demonstração de uma premissa.

Em 1957í

analisando o opúsculo do Sr. L.Brummel sobre catálo-

gos coletivos,
de Janeiro :

escreví em recensão publicada por um jornal do Rio

"Tal como os homens,

as bibliotecas se especializam,

mas essa especialização exige cooperação. Também elas parecem grá.
tar,

diante da especialização inevitável:

Interdependência ou Mó£

te 1 Não há instrumento de coordenação entre bibliotecas mais ef^
ciente do que o catálogo coletivo "
Mudando-me para Brasília,

(5).

em I960,

iniciei, no ano seguinte ,

�5

uma série de artigos contra a estúpida e criminosa duplicação

de

bibliotecas no Congresso Nacional. No primeiro artigo, publicado
pelo Diário de Notícias do Rio de Janeiro ,

escreví;

o Congresso segue o mal exemplo do Poder Executivo,

"Neste ponto,
que

mantém

na antiga Capital Federal e numa só área urbana — a Esplanada do
Castelo — bibliotecas onde vamos encontrar as mesmas obras de r^
ferência ou de texto e os mesmos periódicos;

que chega ao extremo

de manter num só edifício — o do Ministério da Fazenda —
bibliotecas quase semelhantes
DASP. Até o ano passado,

:

aliás,

duas

a do mencionado Ministério e a do
(1960),

a situação era mais gro -

tesca, porque a biblioteca do Tribunal de Contas da União —

que

também lá funcionava — ainda não havia sido transferida para Bra
sília. Tudo isso evidencia o atraso em que ainda vivemos no setor
de bibliotecas.

Continuamos a planejá-las,

las funcionar em bases particula.ristas"
Propús ainda, no mesmo artigo,

a organizar e a fazê-

(6).

duas soluções para a escanda-

losa duplicação que ainda hoj'e persiste

;

(a) criação de uma

Bi-

blioteca do Congresso e extinção automática das Bibliotecas
Câmara dos Deputados e do Senado Federal,
ços seriam incorporadas àquela;

da

cuj‘as coleções e servi-

ou (b) criação de um Serviço

de

Bibliotecas do Congresso com o obj‘etivo de centralizar a aquisi ção,

a classificação,

a catalogação e outros processos e ativida-

des suscetíveis de centralização;

com a segunda solução, as cole-

ções continua,riam separadas, mas coordenadas com uma eventual divisão de assuntos ou de gêneros de publicações (6).
Ainda em I96I e no mesmo j'omal do Rio de Janeiro — cuj'o suplemento Letras e Artes

fora colocado à minha disposição

pelo

saudoso Álvaro Lins — outro artigo no qual reclamava um sistema
de bibliotecas popula:res para Brasília :

"E se falo em sistema —

escreví então — é j‘ustamente para deixar claro que,

assim

como

•uma andorinha só não faz verão', uma biblioteca não resolverá

o

�6

problema de Brasília.

Precisamos de um serviço central que coorde

ne as atividades de várias bibliotecas sucursais,

fixas e volan -

tes. Fixas e volantes porque é preciso não esquecer as a.bandonadas
cidades satélites e para estas a melhor solução talvez seja a

das

bibliotecas ambulantes "(7).
Q;uando,

em 19^2,

o Conselho de Ministros do carnavalesco par-

lamentarismo com que se iniciou o malfadado governo do Sr.
Go^llartJ

João

constituiu comJ.ssão para estudar o planejamento de uma

Biblioteca Nacional em Brasília, procurei demonstrar como era absurda a idéia e ridículos os argumentos com que foi defendida."0
professor Roger Bastide — escreví nesse artigo — tem,

agora

,

mais um exemplo para a sua caracterização do Brasil como ’país de
contrastes'.

Porque só mesmo num país assim caracterizado

admissível a criação da segunda Biblioteca Nacional,
solvidos os’ problemas da primeira;

seria

antes de

re^

ou a organização de siintuosa

biblioteca onde não existe ainda uma infraestrutura de pequenas e
prestimosas bibliotecas. Destas é que Brasília precisa: bibliotecas circulantes, nas chamadas Unidades de Vizinhança, nas cidades
satélites,

nos hospitais, na estação rodoviária. E não de uma Bi-

blioteca Nacional para enfeitar o centro cívico"

(8).

No mesmo ano de 1962, tendo o Conselho de Ministros enviado
ao Congresso Nacional os projetos de criação já não apenas da Biblioteca Nacional de Brasília, mas também a de um Serviço Nacional de Bibliotecas, voltei a ocupar-me do assunto, provando

que

os serviços atribuidos aos órgãos projetados já eram realizados
pelo Instituto Brasileiro de Bibliografia e Documentação e pelo
Instituto Nacional do Livro (9)«
Trata-se — diga-se de passagem — de \ima versão tipicamente
brasileira da famosa Léi de Parkinson.

Estabelecida pelo profes -

sor inglês C.Nortchote Parkinson e divulgada pela
em 1955

(20),

esta Lei explica,

primeira

sob a forma do mais britânico

vez

�7

sense of hiimour,

como o número de funcionários cresce,

infinitum,

por uma suposta divisão do trabalho que, na realidade, não passa
de duplicação*

0 que Parkinson observou em termos individuais

no

serviço público inglês é observável em nosso Pais ao nível institucional,

isto I,

pela criação de repartições destinadas a desem

penhar serviços que outras já executam,

ou que deixaram de execu-

tar sem que deixassem de existir.
Os projetos de criação da Biblioteca Nacional de Brasília

e

do Serviço Nacional de Bibliotecas foram arquivados pelo Congresso Nacional porque não tiveram tramitação regimental.
mente,

Posterior -

o Serviço Nacional de Bibliotecas foi inconstitucionalraente

criado por um decreto e,

anos depois — já no período pós-revolu-

cionário — extinguíu-se da mesma forma,
to, este,

aliás,

0 vedetismo,

isto é, por outro decre-

louvável.
entretanto — que é o maior inimigo do trabalho

em cooperação — continuou inspirando outras tentativas lamentá -veis,

como a da criação em Brasília de uma biblioteca batizada

com este nome espaventoso e redundante

; Biblioteca Nacional para

Assuntos Educacionais e Científicos. Esta chegou a ser
por um decreto-lei (4), mas,

criada

felizmente, nunca foi instalada.

Nomeado Ministro da Educação e Cultura,

em fins de 19^9^

o

Senado.r Jarbas Gonçalves Passarinho publicou no Jornal do Brasil
um pitoresco anúncio, no qual solicitava a qualquer pessoa conhecedora de erros em sua nova área de ação que os indicasse

em

carta pessoal a ele dirigida. No dia seguinte ao da publicação
desse anúncio,
sugeria,

entreguei no Gabinete do Ministro \ama carta em que

em lugar da construção da decretada Biblioteca Nacional,

a implantação do sistema de bibliotecas especialmente

projetado

para Brasília pelo bibliotecário Hipólito Escolar Sobrino,

espe -

cialista enviado pela Unesco por solicitação do Governo Brasileiro.

�8

Sensibilizado por essa sugestãOj

criou o Ministro Jarbas Pass_a

rinho xama comissão destinada a estudar o referido projeto, pelo
qual o Governo do Distrito Federal não demonstrou nenhum interesse. Desfeita a primeira comissão que pouco se reuniu e nada apresentou de positivo,

criou-se outra, por iniciativa do Instituto

Nacional do Livro e sob a presidência de sua diretora.
Enquanto não se resolve este problema tão simples —

criação

de um sistema de bibliotecas na capital da República — os

três

Poderes vão inaugurando novas bibliotecas independentes ou transferindo as antigas do Rio de Janeiro para Brasília,
plano diretor. Em Janeiro de 1971^
nha, perguntando:

sem nenhum

decidí continuar minha

campa-

*'Como se permite o despautério de quatro bibli^

tecas numa só praça,

quando uma delas,

eletronicamente equipada ,

atenderia às necessidades dos três Poderes ?"(11),
Os apelos à cooperação não foram ouvidos e os problemas criti
cados só fizeram multiplicar-se, pois o advento da mecanização e,
'mais recentemente,

da automação,

ção se tornasse mais onerosa,

fez com que a falta de coordena.-

considerando-se o, custo dos equipa-

mentos e o salário de seus operadores.

0 que presentemente se ob-

serva é uma desenfreada competição de serviços governamentais
dependentes:

in

competição que ocorre tanto na área do Poder Executi.

vo como nas do Legislativo e do Judiciário.
Do Congresso Nacional vem o exemplo mais clamoroso, porque
suas duas câmaras estão instaladas no mesmo palácio.

Entretanto ,

os serviços administrativos da Câmara dos Deputados e do Senado
Federal foram recentemente reorganizados com soberano desprezo pe
la centralização. Já manifestei-me contra essa escandalosa malver
sação de recursos públicos
2 0, de 1971,

(12),

comprovada pelas Resoluções

da Camara dos Deputados (2) e N9 58^ d® 1972,

n9

do Sen_a

do Federal (24).
Com tantos exemplos de iniciativas frustradas e de clamores

�9

no deserto,

considero demonstrada a premissa de que os biblioteca,

rios brasileiros são,

de modo geral,

insensíveis ao trabalho

em

cooperação.

2 - NECESSIDADE E IMPORTÂNCIA DA COOPERAÇãO

A segunda premissa do presente trabalho é a de que,

sem coope

ração — uma cooperação menos legalmente coercitiva^ do que espont^ea — não teremos jamais uma rede nacional de informação cientí
fica e técnica.
Considerando o limite de 15 folhas estabelecido pelo regulamen
to deste Congresso (5, p.5)j veJo-me uma vez mais obrigado,

para

poupar espaço,

qual

a reportar-me a trabalho de minha autoria no

já procurei demonstrar como é verdadeira esta premissa. Trata- se
I»
do artigo sobre "O Catálogo Coletivo como Distrur.bnto de C'•ordena,
ção entre Bibliotecas", publicado pela Revista do Serviço Público
(13)-

£.1 - COOPERAÇSO VOLUIWAEIA
Sabemos que,

sem coordenação, não é possível organizar-se

xim

sistema de bibliotecas e sem essa Infraestrutura Jamris existirá
em nosso País \ima rede nacional de informação científica e técnica. Já em 1965 o bibliotecário Harry C.Campbell o dizia.., na conferência de especialistas convocada pela Unesco para o estabelec^
mento de vun programa a longo prazo objetivando a utilização de s^
télites artificiais na comunicação.
perfeitamente ao caso brasileiro,

Com palavras que se aplicam

assim se exprimiu o Sr.

Harry

C. Campbell:
;.ç«=--"Naqueles países onde os serviços de documentação oficiais
partic\ilares ainda estão separados,

e

será preciso integrar as suas

�10

atividades de modo a permitir o uso dos canais de comunicação mun
dial por uns e outros. A maioria dos planos atuais para o estabelecimento de sistemas de documentação regional ou nacional cobre
apenas “uma parte dos serviços de bibliotecas de cada país. As

bi

bliotecas Universitárias muitas vezes estão separadas das bibliotecas industriais — e umas e outras estão isoladas das bibliotecas escolares _e públicas. Esta separação,
tiva,

de natureza administra-

ocasiona duplicação e desperdício que é preciso evitar,

n\im

sistema de utilização de satélites. Na verdade, poder-se-ia criar
um conjunto completamente novo de bibliotecas especializadas ; no
entanto será melhor utilizar,
tes"

(25,

se possível,

os serviços já existen

p.150).

A importância da cooperação voltou a ser ainda mais enfatizada no documento Unisist

(26) e na primeira conferência promovida

pela Unesco para o estabelecimento de um sistema m\indial de infor
mação científica. No discurso de abertura dessa conferência,

res-

saltou o diretor-geral da Unesco a importância das medidas a

s_e

rem tomadas pelos governos para "o estabelecimento de redes de bl.
bliotecas e de serviços de documentação e de informação"

(27,

p.

24).
Considerando a falta de cooperação entre as bibliotecas bras_i
leiras,

como resolver o problema da participação do Brasil no pr_o

jetado sistema mundial de informação científica ? Perseguido

por

esta interrogação, tenho feito o que está a meu alcance para

uma

conscientização do indispensável espírito cooperativo,

sem o qual

não será possível estabelecer vim sistema nacional de bibliotecas,
conditio sine qua non daquela participação.
Em face da nenhuma repercussão dos meus pobres artigos,

soli-

citei para o assunto o interesse de a.lto funcionário do Governo
que me distingue com sua atenção,
posta:

dele recebendo a seguinte res -

"Sua idéia de estabelecer-se

*uma política nacional

que

obrigue as bibliotecas e os serviços de documentação a trabalha-

�11

rem cooperativamente’

poderá,

talvez,

concretizar-se em decorrên-

cia do que possa apresentar ao Governo,

objetivamente, para

esse

efeito "(19).
Nada apresentei porque não sou daqueles que têm sempre um pr_o
Jeto no bolso ou na bolsa para organização ou reforma, pro
sua,

de serviços públicos. De;'

' ^ndo o vedetismo,

domo

acredito

cada

vez mais no trabalho em grupo, na mesma medida em que já comecei
a ficar cético en relação às soluções oficiais. Trata-se,

aliás ,

menos de ■um sentimento pessoal do que uima convicção dos próprios
responsáveis pelo docximento U.iisist,

quando escreveram:

"o melhor

é que as autoridades nacionais permaneçam fora do projeto"
p.87j

(26 ,

item ^). Nvn dos documentos básicos da primeira conferência

da Unesco sobre o projeto, o Dr. Harrison Erovm,
cional de Ciências dos Estados Unidos,

da Academia Na -

definiu como objetivo prin

cipal do programa Unisist a implantação de "-uma rede flexível baseada na cooperação voluntária de serviços de informação existentes e dos que vierem a ser criados"

(1, P&lt;-39j

grifo nosso).

Nas palavras grifadas é que talvez se encontre o segredo.

Se

a inexistência de -uma rede bibliotecária no Brasil decorre da f^
ta, de espírito cooperativo da parte da maioria dos bibliotecário^
não será com decretos nem através de órgãos governamentais que e_s
se espírito ce desenvolverá. Em anos passados cheguel a pensar
nessa solução, propondo,

om artigo de Jornal,

a criação de "um mi-

nistério extraordinário para a coordenação dos órgãos de documentação (10).

Confesso o meu erro,

sugerindo aos participantes

VII Congresso Brasileiro de Biblioteconomia e Documentação

do
que

essa tão necessária ride bibliotecária seja promovida através

de

cooperação vol^untária dos diretores ou chefes de bibliotecas.

E

que a indispensável coordenação dos planos de aquisição centraliz_a
da,

catalogação cooperativa e permi;ta de informações seja entre -

gue às associações profissionais.

cm

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gentilmente por:

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2.2 - VÃK2^.C1PAÇÃ0 DAS BIBLIOTECAS PUBLICAS
A ênfase dada recentcmsnte aos problemas de comunicação da in
formação científica e técnica — principalmente ao emprego de eq\^
pamenoC" cle'crcniccs — tem feito com que muitos bibliotecários
se es!:n';2ça:'i ca que as biblictecas públicas ou populares são

tão

importar;tea q^Tanto as especializadas e os serviços de documenta ção.

Proporcionar aos adultos oportunidades para uma educação con

tinuada é tarefa tão útil quanto a de prover informação atualizada acs pesiprlsadores.
Criar serv ices
de informação científica e técnica e relegar
»
ao abandone -s bibê. j otecas populares é cometer erro semelhante ao
do desanvoleim^nt j&gt;c -qre estimulou ■' :o. industrialização ã outran■-cuntura,
Considero o rema central deste Congresso — "aprovado em sessão do 7?: Co.ngvesso,

em E*lo Horizonte"

(5íP-3)— como um exemplo

gritante desse erre.

Estudar o papel das bibliotecas apenas " em

função õo Ei-stcuíia Hacional de Informação Científica e Tecnológi ca" é um caso típico do cue^

eir linguagem marxista,

considera-se

corno aliõ:,ação.
Certo, não sãc apenas os serviços de docTimentação e as biblio
tecas especializadas que contribuem para a formação desse Sistema
Ainda receutemente.,

os participantes de um seminário interameri -

cano rranido em Washington,D,C.

aconselharam os governos a " dar

pripridaie ò promoção dos órgãos que constituem a infraestrutura
da informação, ilesoe as bibliotecas escolares _e rurais aos
compler~s sç-r/lços de informação"

mais

(25, p.2-5, grifo nosso).

Mas não é admissível, por outro lado,

que as bibliotecas

não

especielizadas sejam estudadas apenas em função da contribuição
que pedem dar

cm

a sisbemasede informação científica e técnica.

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principal compromisso dessas bibliotecas é com a educação permane^
te do povoj

sobretudo em países como o Brasil.

3 - CONCLUSÕES

Das premissas demonstradas no presente trabalKo podemos tirar,
silogisticamente ,as seguintes conclusões:
3.1 - Se as instituições governamentais fracassaram na tentativa
de estabelecimento de sistemas que,

devidamente integrados,

conti^

buiriam para a indispensável infraestrutura da rede nacional de
informação científica e técnica,

devem as associações profissio -

nais assumir a liderança de iniciativas neste sentido.

3.2 - Uma rede nacional de informação científica e técnica não ex
clui um sistema também nacional de bibliotecas populares e escola
res,

sendo ambos igualmente prioritários.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

1 -BROWN,

C. Harrison.

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1971.Dispõe sobre a organizaçao administrativa~3a Camara
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beputados _e determina outras providências. BrasTTia, Departa mento de Imprensa Nacional,1972. 137 p.
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Belém, 1973. Regulamento (edição preliminar). Belém, 1973. 8 P.
4 -Decreto-Lei n. 1.048, de 2I-IO-I969. Cria a Biblioteca Nacional
para Assuntos Educacionais e Científicos. Coleção das Leis
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Diário de Notícias (Rio de Janeiro) 23 jul. I961, supl. Letra.s
e Artes, p.l

�14

7

•-

Brasília precisa de bibliotecas. Diário de Notícias (Rio
de Janeiro) 10 dez. 1961, supl. Letras e Artes, p.l.

8

-

9

- _
Cora o Congresso Nacional.
ro7 8 agô. 1962, 1. cad, p. 2.

Com o novo Ministro da Educação.
de Janeiro) T:
196''..t 1^ cad-, p.2.

Correio da Manhã

(Rio

Correio da Manhã (Rio de Jane_i

10 - Coordenação dos organismos de documentação. Correio Braziliense (Brasília) 6 abr. I968, Cad.Cultural, p. "S"!
11 -

Quatro bibliotecas na Praça dos Três Poderes. Correio
Braziliense (Brasília) 15 jan. 1971, Cad. Cultural, p.l.
Ao
apelo que lancei neste artigo Juntou-se, com grande honra para mim, a voz da Jornalista Yvonne Jean, em sua tribuna diá ria no mesmo Jornal. Vide Jean, Nvorine. Esquint, de Brasília.
Correio Braziliense (Brasília) 20 Jan. 1971, cad. 2, p. 2.

12 -

Dois computadores no Congresso Nacional ? Diário de Pernambuco (Recife) 2 mar, 1972, 1. cad., p, 4. Correio Brazillense (Brasília) 17 mar, 1972, Cad.Cultural, p.2.

15 -

0 Catálogo Coletivo como instrumento de coordenação en tre bibliotecas. Revista do Serviço Publico (Brasília) 107
(1) : 81-95, Jan./abr. 1972„

14 - INSTITUTO BRASILEIRO DE BIBLIOGRAEIA E D0CUI4ENTAÇA0. Bibliotecas especializadas brasileiras; gula para intercâmbio bibliográfico. Eaiçao preliminar, itio de JaíieiròT 190I. 174 f. mims-o
grafadas.
15 -

16 -

17 -

d

Cv—-w^ &gt;j j a

• 5/
, 2,

"Irao T^rf^ar”'.is
b•

ed. Rio de Janeiro,

planif Icada. Rio

-

I969. 605 p.

Catálogo coletivo de publicações periódicas de ciência
e tecnologia. Rio de Janeiro, 1970-71, 2 v.

18 - MORAES, Rubens Borba de. 0 problema das bibliotecas brasilei ras. Rio de Janeiro, Casa do Estudante do Brasil, 1943. 84 p.
(Série Itamaratí, v. 5)
19 - NEY, João Luiz.

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23 - SEMINÁRIO 11'ITERAMERICANO SOBRE A INTEGRAÇAO DOS SERVIÇOS DE INFORMAÇÃO DE ARQUIVOS, BIBLIOTECAS E CETÍTROS DE DOCUMENTAÇÃO NA
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cm

Digitalizado
gentilmente por:

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Documentação&#13;
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              <text>Os sistemas de catalogação cooperativa, de catálogos coletivos e de aquisição centralizada foram as primeiras tentativas feitas no Brasil para o estabelecimento de uma rede nacional de bibliotecas. Apesar dos clamores de mais de um bibliotecário em favor da colaboração entre bibliotecas, tais tentativas fracassaram, por falta de espírito cooperativo da parte da maioria dos bibliotecários brasileiros. A situação atual é verdadeiramente caótica, caracterizando-se pelo isolacionismo das bibliotecas e serviços de documentação governamentais, principalmente os do Poder Legislativo, cujas câmaras reorganizaram recentemente seus serviços auxiliares com soberano desprezo pelo ideal da centralização. Sem a colaboração que integre essas bibliotecas e serviços numa rede nacional, o sistema de informação científica e técnica não poderá ser estabelecido, o que impedirá o Brasil de participar efetivamente do projeto Unisist. Se as iniciativas governamentais fracassaram, cabe às associações Profissionais de bibliotecários o papel de coordenar esforços visando a formação de uma rede nacional, mediante a colaboração espontânea de diretores e chefes de bibliotecas. A importância da rede nacional de informação científica e técnica não exclui a de um sistema de bibliotecas públicas e escolares. Assegurar à população oportunidades para uma educação continuada é tarefa tão prioritária quanto a de prover informação atualizada a cientistas e pesquisadores.</text>
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