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                  <text>atualização
2021 do
Relatório de
tendências da
IFLA
20 tendências política, econômica, social, cultura e
tecnológica para moldar o futuro da nossa área e das
comunidades que servimos, assim como identificar
líderes bibliotecários emergentes

PERCEPÇÕES RETIRADAS DO

RELATÓRIO DE
TEDÊNCIAS

�A IFLA é a Voz Global das Bibliotecas e dos
Profissionais da Informação
A IFLA coloca as bibliotecas no cenário mundial ajudando seu desenvolvimento.
Nós somos a voz global e a instituição de maior confiança da biblioteconomia e
profissionais da informação, com uma rede ativa com mais de 1.500 membros - instituições
e profissionais líderes na área da biblioteconomia - em cerca de 150 países, e relações bem
estabelecidas com a Nações Unidas e outras organizações internacionais.
Junto com nossos membros, trabalhamos para definir a ordem profissional e desenvolver
padrões para prestação de serviços em bibliotecas, melhorar o acesso a informação e
recursos do patrimônio cultural e colocar esse trabalho no centro das políticas locais,
nacionais e globais.

Contribuidores do Relatório de Tendências Original:
Olivier Crepin-Leblond, Presidente da Internet
Corporation for Assigned Names and
Numbers (ICANN) At-large Advisory Committee
(ALAC)

Andreas Schleicher, Diretor de Educação,
Organisation for Economic Cooperation and
Development (OECD)
Suneet Singh Tuli, Fundador e CEO, DataWind Ltd

Anriette Esterhuysen, CEO, Association for
Progressive Communications (APC)

Fred Stielow, VP/Reitor de Bibliotecas, American
Public University System

Divina Frau-Meigs, Professora, Université du
Paris III: Sorbonne Nouvelle

Fred von Lohmann, Diretor Jurídico, Copyright,
Google Inc.*

Melissa Gregg, Pesquisadora Principal, Intel
Center for Social Computing

Louis Zacharilla, Co-fundador, Global Intelligent
Community Forum

John Houghton, Professor Bolsista, Centre for
Strategic Economic Studies, Victoria
University

*Comentando a título pessoal
As atualizações do Relatório de Tendências estão
disponíveis nas versões de 2016, 2017, 2018 e 2019

Deborah Jacobs, Diretora, Global Libraries, Bill &amp;
Melinda Gates Foundation
Mariéme Jamme, CEO, Spot One Global
Solutions
Janis Karklins, Assistant Diretora-Geral Adjunto
de Comunicação e Informação, UNESCO
Alejandro Pisanty, Professor, National
Autonomous University of Mexico
Lee Rainie, Diretor, Internet &amp; American Life
Project, Pew Research Center*

Para consultas de imprensa e mais informações,
por favor contatar: Stephen Wyber, Diretor de
Política e Advocacy da IFLA
(stephen.wyber@ifla.org)

Kate Russell, Apresentadora, BBC Click Online

2

�O QUE É O RELATÓRIO DE TENDÊNCIAS DA IFLA?

O Relatório de Tendências da IFLA é
o resultado do diálogo entre a
biblioteconomia e especialistas de
diversas áreas do conhecimento.

para reflexão, trazendo novas vozes
de dentro para fora da
biblioteconomia.
Essas atualizações podem ser
encontradas no site do Relatório de
Tendência – trends.ifla.org.

Por meio da troca de experiências e
perspectivas, foi proporcionado
uma nova oportunidade de explorar
e discutir tendências emergentes
que estão moldando o mundo em
que as bibliotecas estão inseridas.

Fundamentalmente, tudo isso
pretende ser um ponto de partida um catalisador - para discussões
tanto na biblioteconomia quanto
com parceiros externos. É um
suporte para pensar na melhor
forma de se preparar no que está
por vir, para que as bibliotecas não
apenas sobrevivem, mas
prosperem.

O primeiro Relatório identificou
cinco tendências de alto nível no
ambiente da informação global,
abrangendo o acesso a informação,
educação, privacidade,
envolvimento cívil e
transoformação tecnológica. Não
busca prever o futuro, mas sim
explorar forças que influenciem
nisso.

É onde você entra. Como as
bibliotecas atendem essas
tendências que tem influência
decisiva no quão importante é o
papel das nossas instituições no
novo cenário da informação. Isso
talvez seja a questão mais urgente
que a profissão enfrenta hoje.

Assim, o Relatório de Tendências
não é apenas uma publicação única
e estática, mas sim um conjunto
dinâmico e em evolução de recursos
online para bibliotecas e
profissionais da informação.

Encorajamos que use a Atualização
do Relatório de Tendências da IFLA
para organizar e facilitar workshops
criativos com a sua comunidade,
rede de contatos, colegas ou colegas
de trabalhos. Fique atento às
notícias da IFLA em www.ifla.org e
nos siga no Facebook e Twitter!

Ao lado do relatório original, há
uma gama de dados e informações
para as bibliotecas usarem,
compartilar e construir, incluindo
bibliográfias e revisão de literatura
dos relatórios existentes, periódicos
especializados e resumo de
discussões.
As atualizações subsequentes
abriram novos caminhos e questões
3

�Apresentação - Barbara Lison
Presidente da IFLA 2021-2023
Estou muito feliz em compartilhar com vocês a Atualização-2021 do Relatório de
Tendências da IFLA!
Esta edição gira em torno da minha Sessão de Presidente eleita no World Library
and Information Congress (WLIC) de 2021, que abarcou tanto o tema presidencial
da minha antecessora, Christine Mackenzie, quanto o meu próprio.
O tema de Christine - Vamos Trabalhar Juntos - moldou o Congresso como um todo,
ressaltando o quão importante é o compartilhamento de ideias e a colaboração
para se construir inovação e resiliência. O meu tema - Bibliotecas Construindo um
Futuro Sustentável - enfatiza a necessidade de olhar para o futuro, e o vínculo
estreito entre a sustentabilidade das nossas comunidades, do nosso meio-ambiente
e das nossas próprias bibliotecas.
Ao ler esta Atualização, você descobrirá mais sobre várias tendências potenciais que
podem vir a moldar este futuro, conforme sugerido por líderes emergentes de
bibliotecas ao redor do mundo - as pessoas que estarão na vanguarda do nosso
campo quando chegar esse momento.
Estas são reflexões esenciais. Elas nos ajudam a reiterar porque a nossa profissão,
as nossas instituições e os nossos serviços são relevantes. Elas nos ajudam a
reavaliar o que estamos fazendo agora. E nos ajudam a dar início a novas linhas de
discussão e colaboração. Muito me alegraria que vocês as levassem em conta para o
desenvolvimento do seu futuro profissional.
Ao longo da minha Presidência, desejo continuar estas discussões, trabalhar com os
colegas de profissão, onde quer que vocês estejam, em todas as fases da carreira,
para ajudar a construir este futuro mais sustentável para as nossas comunidades,
para as nossas bibliotecas, para a nossa Federação.
Gostaria de agradecer a todos aqueles que apresentaram ideias, assim como à
Rashidah Bolhassan, Heba Ismail, Andreas Mittrowann, Kay Raseroka, e, claro, ao
Secretário-Geral da IFLA, Gerald Leitner, e à equipe da IFLA por fazer da minha
Sessão de Presidente eleita no World Library and Information Congress (WLIC) de
2021 um grande sucesso.
Boa leitura!

4

�Introdução - Gerald Leitner
Secretário-Geral da IFLA
Bem-vindo à Atualização-2021 do
Relatório de Tendências da IFLA!

Temos a sorte, enquanto campo de
atuação, de contar com um corpo forte de
milhões de profissionais e outros
trabalhadores em bibliotecas e
informação comprometidos em
proporcionar um significativo acesso à
informação como um indutor de
desenvolvimento. O conjunto de suas
experiências, insights e energia nessa
atividade, são um recurso vital para
garantir que estamos prontos para
enfrentar este futuro.

Após um ano de pausa, temos o prazer de
compartilhar uma nova edição,
apresentando ideias e sugestões que
esperamos que venham a fomentar ideias
e reflexões de longo prazo no campo da
biblioteca, em todos os níveis.
Sem dúvida, a pandemia da COVID-19 foi
um choque, sendo que poucos previram
sua magnitude e impacto sobre as nossas
comunidades, instituições e a nossa
profissão. Contudo, também está claro
que estamos longe do fim, com cada dia
nos afastando ainda mais daquilo que
costumávamos considerar normal. Parece
improvável que, algum dia, iremos nos
livrar completamente da COVID, ou que
as coisas voltarão a ser como eram antes.

Por meio da Visão Global, da Loja de
Ideias e da Estratégia da IFLA, já se tem
recorrido a esse recurso para redesenhar
e reorientar o próprio trabalho da IFLA
para o futuro.
No entanto, uma Estratégia nunca pode
ser um ponto final. A Estratégia da IFLA,
apoiada pelas nossas novas estruturas de
governança, existe para permitir que a
área de biblioteca continue a mobilizar-se
para planejar e se preparar para o futuro,
da forma mais inclusiva, eficaz e
transparente possível. A nossa Visão - de
um campo bibliotecário forte e unido,
potencializando sociedades alfabetizadas,
informadas e participativas - é uma visão
de longo prazo, e é nisso que devemos
nos concentrar.

E isto não é tudo. A pandemia se
sobrepôs às mudanças em andamento e, em alguns casos, às crises - que já
estavam tendo um impacto sobre o
trabalho das bibliotecas. Por vezes, estas
mudanças chegaram a interagir com os
efeitos da COVID-19, aumentando,
diminuindo ou transformando-os.
Essencialmente, a pandemia - tal como
outras transformações no nosso mundo tem testado nossa capacidade de
adaptação às mudanças, e de mostrar
resiliência, imaginação e inovação. Esta
capacidade será fundamental para que a
nossa atividade possa continuar a
desempenhar um papel central na
garantia de um desenvolvimento
sustentável para o futuro.

O Relatório de Tendências original da
IFLA, de 2013, e as atualizações
subsequentes de 2016, 2017, 2018 e 2019,
todos visam a fornecer combustível para
esta reflexão.

5

�Na sequência de nossa edição de 2019,
que se baseou nos insights apresentados
pelos palestrantes da Sessão Presidencial
no World Library and Information
Congress daquele ano, esta edição
também oferece uma oportunidade para
aprofundar ainda mais algumas das
ideias veiculadas e compartilhadas no
WLIC deste ano.
A maior parte do relatório deste ano está
focada nas 20 Tendências provenientes
das contribuições recebidas dos líderes
emergentes no início de 2021.
Todas essas tendências representam
possíveis direções em que as nossas
sociedades e a nossa atividade poderiam
evoluir. Não há certeza de quais delas irão
adiante e as que seguirem irão interagir e
às vezes entrar em conflito com as outras,
a fim de moldar o futuro.
Seguindo as tendências, há seções mais
curtas que descrevem como a sessão da
Presidente eleita no WLIC foi conduzida, e
possíveis variações na condução, bem
como links para vídeos enviados por uma
seleção dos líderes emergentes que
propuseram tendências.
Gostaria, em especial, de agradecer
sinceramente a todos aqueles que
contribuíram com as ideias que ajudaram
a moldar este relatório, assim como aos
outros que enviaram ideias
anonimamente. As tendências aqui
sugeridas não devem ser atribuídas a
nenhum indivíduo.

6

�20 Tendências
Através de uma pesquisa realizada em
Junho e Julho de 2021, a IFLA pediu
aos líderes bibliotecários emergentes
que identificassem as tendências que
eles acreditavam que moldariam a
Biblioteconomia nos próximos dez
anos, e de que forma. Estas ideias
foram analisadas pela Direção-Geral
da IFLA, e foram identificadas vinte
tendências no total para estimular a
reflexão na Sessão da (então)
Presidente eleita no World Library and
Information Congress (WLIC) de 2021.

Além disso, com frequência, ocorre
sobreposição entre tendências e, em
alguns casos, conflito. Isso não
surpreende - muitos dos rumos
seguidos por nossas economias e
sociedades são o resultado de
diferentes probabilidades e
tendências que se unem, criando uma
série de resultados possíveis.
Em cada caso, é definido um cenário
de alto nível com base nas ideias
recebidas, seguido de novas
percepções [insights] obtidas a partir
das nossas contribuições, inclusive
quanto a possíveis respostas. As
tendências são muitas vezes abertas,
representando um direcionamento,
ao invés de um ponto de chegada
específico. É quando as tendências se
unem que cenários futuros específicos
podem ser determinados.

As tendências como estão aqui
expostas são, naturalmente, apenas
uma forma de classificação do rico e
diversificado conjunto de ideias
recebidas. Algumas são amplas,
abordando mudanças gerais na
política e na sociedade, enquanto
outras são mais especificas para as
próprias bibliotecas.

7

�1 TEMPOS DIFÍCEIS À FRENTE!

Uma recuperação lenta da COVID pressionará todos os tipos de gastos
públicos, obrigando as bibliotecas a intensificarem esforços na defesa de
seus interesses
Os colaboradores enfatizaram o risco
de que as necessidades a curto prazo
dos governos de obter recursos
(especialmente em países sem acesso
a empréstimos, tais como pequenos
estados insulares em
desenvolvimento) possam combinarse com a crença (errônea) de que,
graças à tecnologia, as bibliotecas são
menos necessárias do que antes.

oportunidades de avaliar o efeito do
nosso trabalho sobre as comunidades
que servimos. A defesa dessa causa
deve ser dirigida não apenas àqueles
que decidem, mas também a
comunidades mais amplas e
potenciais parceiros.
Além disso, tornar as bibliotecas uma
parte integrante das estratégias de
diferentes ministérios, agências e
organizações poderia ajudar a
assegurar um futuro melhor, e
também a garantir que as bibliotecas
estão mais aptas a compreender e
responder às necessidades. Para tal,
as bibliotecas podem precisar
trabalhar mais para alinhar-se (ou
demonstrar alinhamento ) com as
prioridades dos governos, instituições
patrocinadoras e outros.

Especificamente, eles demonstraram
preocupação de que a automação de
algumas tarefas de biblioteca possa
levar a uma impressão de que seja
necessário reduzir a equipe, tornando
o mercado de trabalho mais
competitivo. Ademais, também foi
destacado que a tecnologia tem seus
próprios custos, e não somente da
compra inicial, mas também da
contínua manutenção e atualização.
Especialmente num ambiente de
recursos limitados, isto poderia
também levar a uma maior pressão
sobre as despesas destinadas a outras
atividades.

Estes tipos de esforço seriam
necessários em todos os níveis - local,
regional, nacional e global - onde
quer que as decisões estivessem
sendo tomadas.

Quanto a como reagir, muitos
enfatizaram a necessidade de acelerar
o ritmo na defesa dos interesses das
bibliotecas, e de cumprir o objetivo de
tornar cada bibliotecário um defensor
dessa causa. Para fortalecer esta
defesa, precisamos demonstrar
melhor o nosso valor, aproveitando
8

�2 O VIRTUAL CHEGOU PARA FICAR!

As pessoas continuam a preferir o acessar remotamente os serviços de
biblioteca, colocando em questão o valor dos espaços e do acervo físico
Para muitos colaboradores, ficou claro
que a prestação de serviços para
usuários à distância continuaria a ser
a norma. A pandemia já havia forçado
uma reflexão sobre como prestar
serviços, mas passar de uma lógica de
prestação remota temporária para
uma permanente foi um passo à
frente.

Ao mesmo tempo, em um ponto que
repercutiu na Tendência 10, é
provável que todo o potencial do
virtual só esteja disponível onde tanto
as bibliotecas como os usuários
tenham o equipamento e as
habilidades necessárias. Além do
mais, a mudança para o virtual
também representa o risco de colocar
as bibliotecas em concorrência mais
direta com outros serviços online pela
atenção das pessoas. A fim de reter
uma "fatia do mercado", as
bibliotecas teriam de prestar mais
atenção às tendências tecnológicas,
compreender as suas implicações, e
reagir adequadamente.

Os colaboradores viram tanto pontos
potencialmente positivos quanto
negativos nisso. Pelo lado positivo,
alguns deles observaram que as
ferramentas digitais proporcionavam
novas possibilidades de prestar
serviços mais personalizados,
tornando realidade conceitos como a
aprendizagem centrada no estudante.
Havia também possibilidades
interessantes de prover acesso a uma
gama ampliada de conteúdos usando
uma gama ampliada de meios,
facilitando o atendimento a
necessidades variadas.

Caso contrário, como já salientado na
Tendência 1, havia o risco de os
tomadores de decisão enxergarem
uma justificativa mais fraca para a
prestação de apoio financeiro às
bibliotecas, especialmente para a
manutenção dos locais físicos das
bibliotecas. Ademais, a prestação de
serviços virtuais levanta questões
sobre como proteger os direitos
fundamentais, sobretudo a
privacidade, dado que as bibliotecas
dependem frequentemente de
prestadores terceirizados.

Além disso, vários colaboradores
apontaram que a mudança para o
virtual poderia também tornar as
bibliotecas capazes de realizar o seu
potencial como centros não só de
gestão de conhecimento, mas
também de geração de conhecimento,
com maior ênfase na produção e
comunicação de conteúdos e serviços
digitais.
9

�3 RETORNO AOS ESPAÇOS FÍSICOS

As pessoas redescobrem o valor dos espaços, que proporcionam
oportunidades para trocas e discussões significativas
Alguns colaboradores sentem que as
pessoas ficariam muito felizes de retornar
aos espaços físicos e encontrar com
outros de suas comunidades à medida
que as restrições forem levantadas. De
fato, diante da tendência geral por
moradias menores e mais
individualizadas e uma vida menos
comunitária, a importância dos locais
para contatos e atividades sociais poderia
aumentar. Com efeito, com muitos
governos optando por manter as
bibliotecas abertas mesmo quando outros
serviços permanecem fechados, este
poderia até ser o caso agora, embora este
tipo de uso das bibliotecas seja
necessariamente limitado pela
necessidade de proteger a saúde e o
bem-estar tanto dos funcionários como
dos usuários.

uma "caixa de areia" onde as pessoas
pudessem experimentar e interagir com
a tecnologia sem risco ou custo indevido,
na forma, por exemplo, de oficinas de
experimentos. Sem dúvida, uma vez que
as coleções se movimentam on-line,
poderia ser liberado espaço nas
bibliotecas para outras atividades de
grande impacto. Isto complementaria o
papel atual das bibliotecas no
desenvolvimento de coleções localmente
relevantes e no apoio à coesão social e a
uma identificação no nível local.
Havia, contudo, a percepção de que a
eficácia da utilização dos espaços físicos
não podia ser tida como garantida. Não
bastava ser simplesmente um local que
oferecesse WiFi liberado e contação de
histórias , embora estes fossem
claramente elementos importantes antes, precisávamos pensar no papel
sociológico dos bibliotecários, e de que
forma eles poderiam agir como
facilitadores e mediadores para gerar
resultados positivos em suas
comunidades. Da mesma forma, há uma
necessidade constante de se refletir
acerca de como manter os espaços físicos
atrativos, úteis e acessíveis a todos.

O lugar das bibliotecas nas comunidades
também apareceu em uma série de
contribuições, sugerindo a necessidade
de uma nova reflexão sobre como se
envolver com o ambiente local e outros
atores locais, incluindo as empresas. Ao
proporcionar espaços para o
envolvimento ativo nas informações,
discussões e tomadas de decisão, as
bibliotecas poderiam ajudar a dar suporte
ao desenvolvimento de soluções
adequadas a questões locais.

Finalmente, como um colaborador
observou, esta tendência pode ser algo
ainda para o futuro, com muitas pessoas
cautelosas ou simplesmente incapazes de
regressar aos espaços físicos das
bibliotecas, trazendo novas questões
sobre inclusão e alcance.

Diversos colaboradores ressaltaram que
os espaços físicos e a tecnologia não
eram mutuamente excludentes - pelo
contrário, os dois poderiam se
complementar de maneira eficaz. Por
exemplo, as bibliotecas poderiam prever

10

�4 A ASCENSÃO DAS HABILIDADES INTERPESSOAIS

Numa época de evolução acelerada das tecnologias, torna-se cada vez mais
importante que os bibliotecários sejam capazes de inovar e adaptar-se a
situações imprevisíveis
Em todos os setores econômicos, a
crescente valorização das habilidades
interpessoais [Soft Skills], bem como
da capacidade de aprender e se
requalificar, já é bem reconhecida, e
para a Biblioteconomia não é
diferente. À medida que os materiais
sob nossa guarda e aos quais damos
acesso, as ferramentas de que
dispomos e as necessidades e
expectativas das comunidades
evoluem, é importante ter as
habilidades que nos permitam evoluir
com eles.

Determinados colaboradores
ressaltaram também a relevância do
pensamento crítico dentro da
profissão em torno de tendências
mais gerais na sociedade, sobretudo
as impulsionadas pela adoção de
tecnologias digitais. Ter uma
perspectiva tão ampla pode tanto
ajudar a manter o foco, quanto a dar
sentido às mudanças que estamos
notando no cotidiano.
Do mesmo modo, é preciso estar
antenado com a cultura popular, bem
como com a forma como diferentes
gerações interagem com a
informação e aprendem. Era clara a
capacidade de compreender e
responder às necessidades dos
indivíduos, recorrendo à inteligência
emocional, a fim de apoiar o seu bemestar, e ajudá-los a desenvolver as
meta-literacias necessárias para
torná-los participantes ativos na
sociedade da informação.

Os tipos específicos de habilidades
'soft' destacadas pelos colaboradores
incluem resiliência, agilidade,
flexibilidade, construção de confiança
na comunidade, construção de
parcerias, resolução de problemas, e
uma capacidade de responder
positivamente ao inesperado. Alguns
salientaram em particular a
necessidade de inovação e
criatividade, com o surgimento de
novos papéis para pessoas com
formação em Artes.

Para este fim, as respostas
enfatizaram o valor de trabalhar em
colaboração próxima com os colegas,
incluindo além das fronteiras e tipos
de instituição, com o objetivo de
identificar tendências e soluções. Em
termos mais abrangentes, precisava
ser dada a merecida prioridade ao
desenvolvimento profissional
contínuo.
11

�5 A DIVERSIDADE É LEVADA A SÉRIO

Uma consciência crescente da existência e dos impactos da discriminação
leva a uma reforma radical das nossas coleções, serviços e práticas
Os colaboradores ressaltaram que os
acontecimentos recentes lançaram uma
nova luz sobre a necessidade de se
priorizar promoção de equidade,
diversidade e inclusão para torná-las
realidade. Esta questão diz respeito não
só a como as bibliotecas podem
contribuir para uma sociedade melhor,
mas também a como nós mesmos
trabalhamos.

construir conhecimento especializado em
torno do 'design thinking' (foco no
projeto) e da acessibilidade.
A tecnologia efetivamente oferece
possibilidades interessantes aqui. Novas
possibilidades já foram abertas para
pessoas com deficiência, mas,
potencialmente, há mais a alcançar em
termos de modulação da prestação de
serviços para maximizar o seu impacto
positivo. Da mesma forma, a tecnologia
também criou oportunidades para
assegurar a preservação de uma gama
muito mais diversificada e inclusiva de
patrimônio e o acesso a ela. Ao mesmo
tempo, a necessidade de respeitar os
direitos (sobretudo a privacidade) e evitar
a exclusão dos que não interagem, como
já mencionado, também entra em jogo.

Esta é uma questão ética, já que não pode
ser aceitável discriminar
injustificadamente grupos ou indivíduos
com relação aos níveis de serviço
oferecidos, mas também uma questão de
desempenho. Se o sucesso das bibliotecas
for mensurado de acordo com sua
capacidade de ajudar todos os membros
das comunidades a que servem a
satisfazer as suas necessidades de
informação e alcançar o seu potencial,
qualquer exclusão de indivíduos,
consciente ou não, é um fracasso.

A chave para responder aqui será olhar
para a diversidade na própria área de
Biblioteconomia. Em alguns países, ao
menos, existe uma consciência crescente
de como as escolhas feitas no passado
criaram padrões de discriminação que
agora precisam urgentemente ser
enfrentados. Ao fazê-lo, não só se
cumprirá uma responsabilidade
fundamental no terreno da nãodiscriminação, mas também ajudará a
construir a nossa capacidade de
satisfazer as necessidades de diversas
comunidades. Aprender a fazer isto de
maneira eficiente será provavelmente um
tema central nos meses e anos
vindouros.

Para ter sucesso, teremos de continuar
desenvolvendo ferramentas e
competências que nos permitam
identificar de maneira eficaz as diferentes
necessidades, bem como os impactos das
práticas e serviços disponíveis atualmente
nas bibliotecas. Também é importante
compreender como podemos avaliar a
diversidade das coleções, e solucionar as
lacunas encontradas. É provável
que os peritos em catalogação
desempenhem um papel importante
nesse âmbito. Precisamos, também,

12

�6 UM CÁLCULO AMBIENTAL

As mudanças climáticas trazem novas ameaças às bibliotecas e às
comunidades a que elas servem, forçando uma adaptação radical para evitar
catástrofe
As bibliotecas não serão poupadas dos
impactos das mudanças climáticas, seja
sob a forma de alterações ambientais
graduais, ou sob a forma de eventos
climáticos extremos que podem causar
tantos danos a vidas e coleções.

Além disso, o patrimônio que as
bibliotecas detêm pode contribuir para
isso, propiciando insights sobre formas
alternativas de se fazer as coisas que
podem muito bem se mostrar mais
respeitosas ao meio ambiente.

Quanto aos edifícios das bibliotecas,
novas diretrizes arquitetônicas
provavelmente terão um papel
importante, permitindo que as
bibliotecas resistam melhor às ameaças
e ao mesmo tempo promovendo a
eficiência energética. A gestão
abrangente dos riscos será importante,
a fim de evitar perdas irreparáveis.

Políticas para enfrentar a mudança
climática podem muito bem levar a
uma necessidade de requalificação,
ligada à descarbonização, ao
crescimento das indústrias verdes e a
um possível retorno ao nível local, com
uma maior participação da produção e
do consumo ocorrendo nas
proximidades. Em ambos os casos, é
provável que os trabalhadores
precisem ter acesso a programas que
possam ajudá-los a desenvolver novas
capacidades ou, mais em meta nível,
garantir que eles
tenham as habilidades (como a
alfabetização) que lhes permitam
aprender - veja a Tendência 14 para
mais informações.

No entanto, os colaboradores também
viram um papel importante para as
bibliotecas, ajudando a promover a
mudança de comportamento e uma
maior capacitação climática, em linha
com um compromisso mais amplo de
envolvimento em questões sociais. Para
além de uma maior sensibilização, e do
exemplo que pode ser dado através de
edifícios de bibliotecas verdes, há um
papel particularmente potencial, na
divulgação dos conhecimentos
necessários para a mitigação ou
adaptação, por exemplo nas
comunidades rurais e agrícolas. Nessas
áreas, a adoção de novas práticas pode
ajudar a reduzir as emissões e ajudar as
pessoas a lidar com seu ambiente em
constante mudança.

Naturalmente, para administrar isso,
tanto o financiamento quanto outras
formas de apoio serão necessários, a
fim de garantir que as mudanças físicas
nos espaços das bibliotecas possam ser
realizadas, e o pessoal esteja pronto e
confiante para desempenhar seu papel.

13

�7 UMA POPULAÇÃO MÓVEL

Com pessoas cada vez mais nômades, o conceito de biblioteca 'local' torna-se
menos relevante, e a necessidade de fornecer serviços conjuntos
transnacionais aumenta
Os colaboradores observaram que
uma consequência-chave da mudança
climática ainda não mencionada na
Tendência 6 é a probabilidade de que
mais pessoas precisem se mudar do
local onde vivem atualmente. Muitas
áreas se tornarão inabitáveis devido à
elevação do nível do mar ou ao
aumento da temperatura, enquanto
as mudanças econômicas
provavelmente obrigarão as pessoas a
procurar trabalho – e, portanto,
moradia – em outros lugares.

usuários mais globalizados que não
necessariamente têm residência
permanente. Em particular, em
situações onde a afiliação à biblioteca
depende da residência, pode haver a
necessidade de se estudar como ser
mais flexível na permissão de acesso
aos recursos e serviços da biblioteca.
Essa situação pode também exigir a
prestação de serviços não apenas
remotamente, mas também
transnacionais, levantando questões
técnicas e potencialmente de direitos
autorais. Ao mesmo tempo, também
levanta a possibilidade de as
bibliotecas crescerem em importância
como espaços de trabalho
compartilhados na comunidade, para
pessoas sem um local de trabalho
definido.

Isto se combinará com fatores
existentes que impulsionam a
mobilidade, tais como conflito,
perseguição e pobreza, que também
obrigam as pessoas a fugir de suas
casas.
Paralelamente a isto, a experiência do
trabalho remoto durante a pandemia
também levantou a possibilidade de
um mundo onde as pessoas estão
muito menos ligadas a um só lugar, e
podem, ao invés disso, compartilhar e
aplicar seus conhecimentos em
qualquer lugar. É claro que isso pode
ser mais uma possibilidade para os
ricos do que para outros, que podem
ter menos opções.
Em termos de impactos sobre as
bibliotecas, isso pode criar uma
necessidade de poder atender a
14

�8 O USUÁRIO IMPACIENTE
Os usuários de bibliotecas, em particular das gerações mais jovens, esperam
as mais modernas tecnologias e serviços, e correm o risco de se afastar das
bibliotecas se não as encontrarem lá
Os colaboradores sugeriram que as
bibliotecas precisam estar atentas e
responder às mudanças de
necessidades e expectativas dos
usuários, e em particular ao risco de
que os usuários mais jovens não
tolerem processos lentos ou confusos.
Alguns argumentaram que pode até
haver uma queda no interesse pelos
serviços tradicionais, bem como a falta
de vontade de dedicar tempo para
visitar um edifício físico de biblioteca
(como já destacado na Tendência 2).

é um modelo utilizado pelas principais
plataformas da Internet (assim como
pelas bibliotecas-sombra, tal como
Sci-Hub), o que pode ser visto como
uma razão para seu sucesso. Tal
plataforma poderia até mesmo ajudar
as pessoas a identificar a biblioteca
mais próxima a elas, se elas
precisarem usar recursos físicos.
Além disso, várias contribuições
destacaram o potencial da
personalização dos serviços como
resposta, fazendo uso da tecnologia
para oferecer uma experiência mais
adequada às expectativas e
necessidades individuais. Alguns
argumentaram que a inteligência
artificial poderia ajudar nesse aspecto,
fornecendo respostas mais bem
direcionadas às solicitações, embora
também houvesse preocupações
quanto aos riscos de preconceito,
limitação da liberdade de acesso à
informação, e quanto à privacidade.

Uma consequência potencial disso é
que se as pessoas não encontrarem as
informações de qualidade de que
precisam, elas se voltarão
rapidamente para outras fontes
menos confiáveis. Isso seria um
problema não só para as bibliotecas,
mas também para a sociedade como
um todo (ver Tendência 18).
Uma das medidas propostas é
trabalhar para desenvolver
plataformas mais simples e unificadas
que evitem que os usuários precisem
entrar várias vezes no sistema. Esse já

Também com base na tecnologia, os
colaboradores notaram o potencial
dos "bots" para responder a
perguntas, bem como para fornecer
um serviço 24 horas por dia, 7 dias
por semana, à distância. Da mesma
forma, as mídias e redes sociais
também poderiam fornecer um meio
mais eficaz de alcançar os usuários
onde eles estão.
15

�9 O RETORNO AO ANALÓGICO

Uma nova geração, traumatizada pelo estresse da constante conectividade
às mídias sociais, redescobre os recursos físicos – incluindo os livros – como
uma saída
Muitas contribuições recebidas
destacaram que, especialmente com a
experiência da pandemia, as pessoas
estavam ficando cada vez mais
conscientes das limitações das
ferramentas digitais. Não devemos ver
a tecnologia como uma solução para
tudo, ou um fim em si mesma, mas
sim como uma ferramenta entre
outras.

poderiam ser particularmente
poderosas como lugares para a
prática de mindfulness (atenção
plena) e promoção do equilíbrio
mental, ou mesmo como 'espaços
seguros' longe das mídias sociais.
Como já destacado anteriormente,
também se previa que muitos
apreciariam a oportunidade de estar
juntos pessoalmente de novo. À
medida que as sociedades se abrem
novamente e as pessoas passam de
uma vida online globalizada, porém
individualizada, para uma vida física
coletiva local, as bibliotecas podem
ser fundamentais tanto como espaço,
quanto como centros de promoção do
bem-estar e do espírito comunitário.

De fato, havia a sensação de que às
vezes a tecnologia era vendida em
excesso, e de que é hora de o pêndulo
voltar para formas mais analógicas de
fazer as coisas. Isto poderia incluir
uma reavaliação (e uma nova
apreciação) dos papéis e atividades
tradicionais.
Em particular, os colaboradores
estavam preocupados que as pessoas
precisassem de ajuda para lidar com o
ritmo acelerado da vida moderna,
bem como com o risco de interações
digitalmente mais superficiais.
Arriscavam-se também a sofrer com a
estreiteza de uma experiência online
dominada por um pequeno número
de plataformas projetadas para
agarrar e reter a atenção.

Paralelamente, os colaboradores
sublinharam que as coleções físicas
continuam sendo importantes, bem
como o valor que elas têm tanto por
seu conteúdo quanto por seu
formato. A leitura de um livro físico
permanece, para muitos, uma
experiência muito diferente da leitura
em uma tela, e mais rica.

Em ambos os casos, experiências
analógicas e físicas poderiam fornecer
um antídoto. Desenvolvendo alguns
dos temas já abordados na Tendência
3, foi sugerido que as bibliotecas
16

�10 A ESCALA É IMPORTANTE

O custo da prestação de serviços completos e modernos significa que só é
possível às instituições maiores fazê-lo, deixando as menores para trás
Várias tendências destacadas até o
momento se referiram ao potencial da
tecnologia, sobretudo para responder
às crescentes expectativas dos
usuários. No entanto, a possibilidade
de concretizar isso não está
necessariamente distribuída por igual
no campo da Biblioteconomia, com
instituições menores, em particular,
correndo o risco de serem incapazes
de responder.

sublinhou que essa divisão havia se
tornado mais aparente durante a
pandemia, com bibliotecas melhor
equipadas sendo capazes de mudar
para serviços remotos, enquanto as
menos ricas foram efetivamente
forçadas a hibernar. O risco era de
que aquelas bibliotecas que já estão
em dificuldades pudessem enfrentar
uma queda na sua utilização e,
portanto, dúvidas crescentes sobre
sua viabilidade.

Em particular, dado o rápido ritmo das
mudanças tecnológicas, os
equipamentos e serviços existentes
ficam rapidamente desatualizados e
precisam ser substituídos. Além disso,
há custos contínuos associados a
taxas de licenciamento e atualizações.
Finalmente, a fim de utilizar as
ferramentas disponíveis de forma
eficaz, há também a necessidade de
treinamento contínuo e apoio para o
pessoal da biblioteca. Tudo isso
implica uma necessidade de
investimento.

As respostas dos colaboradores a
essa proposta incluíram um novo
impulso para o trabalho em rede,
permitindo que instituições menores
se beneficiem de novas tecnologias a
um custo marginal muito baixo. Isso
certamente poderia ajudar a dar uma
solução para questões de acesso a
serviços e conteúdo, mas não elimina
a necessidade de equipamentos e boa
conectividade. O advento do "aberto"
(ver Tendência 19) também poderia
ajudar de alguma forma, embora,
mais uma vez, não pudesse resolver
todos os problemas.

Portanto, as contribuições destacaram
a preocupação de que corremos o
risco de ver duas classes de
bibliotecas – aquelas que são capazes
de se manter atuais (geralmente as
maiores, com melhores recursos),
com o pessoal recebendo o apoio
necessário para trabalhar com novas
ferramentas, e aquelas que ficam para
trás. Na verdade, um colaborador

Também ligado à ideia de trabalhar
em rede, um colaborador sugeriu que
uma melhor coleta e avaliação de
dados também poderia ajudar
sistemas de bibliotecas mais amplos a
identificar melhor as ramificações em
dificuldade, e para onde a ajuda
poderia ser direcionada.
17

�11 PREDOMINÂNCIA DOS DADOS
Novos usos e aplicações de dados mudam dramaticamente nossa vida
econômica e social, tornando cada vez mais essencial que as pessoas sejam
alfabetizadas a fim de lidar com os dados
O crescente papel da inteligência artificial
(IA) e outras aplicações de dados em
nossa vida cotidiana figuram em muitas
das contribuições recebidas. Em
particular, os dados estão no centro do
impulso em direção a serviços mais
individualizados, que visam a analisar o
comportamento passado (tanto de
qualquer usuário, quanto dos usuários
em geral) a fim de fazer previsões para o
futuro e, particularmente, o que melhor
responderá às necessidades ou interesses
de alguém. Naturalmente, ferramentas
similares já servem para direcionar a
publicidade e até mesmo moldar o que
vemos na Internet ou em outros serviços
quando os ativamos.

respeitar a privacidade, quanto para estar
consciente do risco de preconceitos ou
replicação de desigualdades ou formas
de discriminação existentes.
Com os dados desempenhando um papel
tão importante na forma como
vivenciamos o mundo e os diferentes
serviços, os colaboradores sublinharam,
portanto, a importância de entender os
dados e, em particular, onde a IA está
sendo aplicada, e o que isso pode
significar. Isso é, sem dúvida, uma
importante nova dimensão da
alfabetização em informação, tanto no
contexto da efetiva capacidade de
pesquisa, quanto na vida em geral. Para
as bibliotecas, há um potencial papel a
ser desempenhado na conscientização de
como utilizar os dados de forma ética, a
fim de apoiar pesquisa eficaz e novos
conhecimentos científicos.

Um colaborador sublinhou que o foco no
indivíduo em tais modelos orientados por
dados também pode levar a potenciais
perturbações na forma como pensamos e
trabalhamos como humanos dentro de
um contexto social, dado que somos
definidos mais por nossas próprias
características (como codificadas para uso
em algoritmos) do que pelas conexões
entre nós.

Além disso, leis recentes de proteção de
dados deram novos direitos aos
indivíduos para tomar decisões sobre
como seus dados são utilizados
(governança de dados individuais). No
entanto, a eficácia de tais medidas
depende das pessoas explorarem ou não
as possibilidades agora abertas a elas.
Aqui, como em outros lugares, há uma
necessidade urgente de garantir que não
sejam apenas os privilegiados ou aqueles
com educação mais formal que possam
entender e usar essas opções. Essa
poderia ser outra oportunidade para as
bibliotecas.

Outras contribuições argumentaram que
uma melhor utilização dos dados também
pode fortalecer os esforços para analisar
e avaliar o impacto dos serviços de
biblioteca. Em vez disso, há possibilidades
de se verificar o que realmente está
acontecendo, não apenas o que é
assumido por profissionais, ou relatado
por indivíduos. Ao mesmo tempo, tal
utilização é necessária tanto para

18

�12 PESQUISA TRANSFORMADA

A inteligência artificial revoluciona a forma como encontramos informações,
tornando possível fornecer resultados cada vez mais precisos para os
usuários
Como já destacado na Tendência 11, a
inteligência artificial (IA), alimentada
pela aprendizagem automática, está
remodelando a forma como
experimentamos o mundo online. Em
particular, tem tido aplicações
significativas no mundo da pesquisa –
uma área onde as bibliotecas, é claro,
têm longa experiência.

advertiram contra a superestimação
do potencial da IA para melhorar a
busca. Como já destacado, a coleta e
aplicação dos dados necessários para
treinar a IA levanta questões sobre
privacidade que devem ser abordadas
a fim de garantir que os serviços
resultantes sejam legítimos.
Em um nível mais fundamental, os
resultados apoiados pela IA são
apenas tão bons quanto o projeto de
programas de aprendizagem
automática e alimentação de
informação – há muitas
oportunidades para imprecisões se
infiltrarem e distorcerem os
resultados. Subestimar estes riscos
poderia facilmente levar, na melhor
das hipóteses, à ocorrência de erros,
na pior, à perpetuação ou mesmo ao
aprofundamento de desigualdades e
de injustiça.

Os colaboradores notaram o potencial
para usar a IA em bibliotecas no
sentido de fornecer inteligência mais
profunda e insights sobre tendências
que, por sua vez, poderiam ajudar a
garantir respostas mais adequadas às
necessidades de informação. Desta
forma, os usuários da biblioteca
poderiam se beneficiar mais
plenamente do potencial da web
semântica. Tais ferramentas eram
cada vez mais valiosas, dado o volume
de informação agora disponível.
Essencialmente, as ferramentas de IA
oferecem novas oportunidades para
se manter informado e atualizado,
apesar do rápido ritmo de criação de
informação. De fato, eles podem ser
essenciais para garantir a capacidade
de descoberta de conteúdo – a
simples publicação de material na
Internet não é garantia de que ele
será lido.

Finalmente, fazendo eco do ponto
levantado na Tendência 10, há o risco
contínuo de que o potencial para usar
a IA efetivamente também possa
depender do nível de recursos de
cada biblioteca, e do investimento
feito na qualificação de seu pessoal.
Tal qualificação é particularmente
importante para que novas
ferramentas de pesquisa possam ser
utilizadas com plena consciência de
suas limitações.

No entanto, os colaboradores
19

�13 CORRIDA AOS EXTREMOS
O debate político se torna mais polarizado, tornando mais difícil encontrar
consenso tanto na política quanto na sociedade, prejudicando os
argumentos a favor de instituições compartilhadas
Os colaboradores destacaram uma
tendência social e política mais ampla que
corria o risco de ter um impacto
significativo sobre as bibliotecas e suas
missões: a aparente polarização crescente
da sociedade. Em particular, eles
observaram uma tendência entre alguns,
pelo menos, de se tornarem mais
desdenhosos das opiniões das pessoas
com as quais discordam, em vez de
procurar se envolver e compreender
outras posições, e chegar a um consenso.
Paralelamente, temos visto a diminuição
da confiança em profissões que antes se
beneficiavam de níveis relativamente
altos de respeito, incluindo jornalistas,
pesquisadores e até mesmo médicos.

As próprias bibliotecas correm o risco de
serem arrastadas para estes debates,
tanto em disputas muito diretas sobre os
livros que podem manter em suas
coleções (um desafio muito real já em
alguns países), quanto indiretamente na
medida em que os serviços públicos
como um todo são postos em questão.
Existe, sem dúvida, uma particular
ameaça às instituições focadas em
promover a reflexão, ampliar os
horizontes e defender os direitos de
todos, nada do que parece ser uma
grande prioridade para os populistas.
Entretanto, os colaboradores também
viram um resultado potencial mais
positivo, com bibliotecas reafirmando a
importância da leitura ampla, e tomando
uma posição verdadeiramente
independente e informada. As bibliotecas
poderiam atuar como faróis – espaços
democráticos de conhecimento
promovendo participação, colaboração e
transparência. Como a Tendência 18
aponta, a importância da alfabetização
em informação poderia finalmente ser
devidamente reconhecida.

Tudo isso teve o efeito de colocar em
questão a base de conhecimento sobre a
qual a discussão política e cívica pode ter
lugar, tornando a busca de soluções
muito mais difícil. Este declínio na
confiança também prejudicou a eficácia
das políticas baseadas na mudança e na
formação de comportamentos, sobretudo
a resposta à pandemia. Sem o desejo ou a
capacidade de chegar a um acordo, há o
risco de enfraquecer-se o sentido de uma
comunidade e sociedade compartilhadas
sobre as quais muitas instituições são
construídas.

Tal posição implicaria investimento de
esforços e, potencialmente, também
riscos, mas também poderia contribuir
para salvaguardar o lugar das bibliotecas
na sociedade no futuro.

Com o passar do tempo, corremos o risco
de ver forças mais populistas aparecerem,
baseadas mais na força de suas opiniões
e na simplicidade de seus argumentos do
que em qualquer base de evidência ou
respeito aos direitos humanos.

20

�14 APRENDIZES AO LONGO DA VIDA
Não existe mais trabalho para toda a vida, o que significa que cada vez mais
pessoas precisam se requalificar ao longo da vida. Em resposta, as
bibliotecas intensificam as atividades de aprendizagem
Os colaboradores sublinharam que já
estamos em um período de rápidas
mudanças econômicas e tecnológicas,
que parece improvável que desacelere
nos próximos tempos à luz da
necessidade de adotar formas mais
sustentáveis de vida e trabalho.

é que todos tenham as habilidades da
alfabetização básica necessárias para
se utilizarem de materiais de
aprendizagem, bem como habilidades
digitais fundamentais.
Além disso, fazendo eco das
observações feitas na Tendência 4
sobre a própria área de
Biblioteconomia, as pessoas
precisariam de 'soft skills', incluindo
resiliência, capacidade de se envolver
com novas ideias e de viver digna e
harmoniosamente com os outros.
Sem dúvida, a alfabetização em
sustentabilidade também faria parte
do conjunto de habilidades
necessárias.

Como já destacado na Tendência 6,
um impacto disso provavelmente será
uma grande mudança nos tipos de
trabalho disponíveis para as pessoas.
A descarbonização levará ao fim de
algumas indústrias e à transformação
de outras. O maior uso da tecnologia
substituirá algumas atividades, mas
poderá permitir o surgimento de
novas, ou pelo menos deixar mais
espaço e tempo para elas. O mesmo
acontecerá com as mudanças
demográficas. Uma relocalização de
atividades econômicas poderia levar
ao declínio de centros econômicos
maiores, mas também a
possibilidades mais diversificadas de
trabalho dentro das comunidades.

Várias contribuições viram esta
tendência como uma oportunidade,
criando possibilidades para as
bibliotecas reafirmarem seu papel
como centros de aprendizado, tanto
dentro das comunidades quanto em
instituições como escolas,
universidades e outras organizações.
Em paralelo, os próprios bibliotecários
viriam a ser vistos cada vez mais
como educadores. Para que isso seja
possível, seria necessário acessar e
fazer uso efetivo de plataformas e
recursos, bem como garantir que os
profissionais de Biblioteconomia e da
informação recebam treinamento e
apoio adequados.

Um fio condutor de todo esse
processo será a necessidade de as
pessoas se qualificarem e
requalificarem ao longo da vida para
assumir – ou criar – as novas funções
disponíveis. Os colaboradores
sublinharam que uma condição prévia
para a aprendizagem ao longo da vida

21

�15 UMA COLEÇÃO ÚNICA E GLOBAL
Com a digitalização de recursos e possibilidades de trabalho
transinstitucional, não é mais tão relevante falar de coleções locais, mas sim
de acesso a recursos universais
Várias contribuições destacaram a
tendência a uma crescente
globalização das coleções. Ainda que o
empréstimo entre bibliotecas e outras
formas de compartilhamento de
recursos tenha sempre significado
que nenhuma coleção era
necessariamente hermeticamente
selada, existem agora novas
possibilidades que permitem que
pesquisadores e outros trabalhem
com uma seleção muito mais ampla
de materiais, integrantes do acervo de
diferentes bibliotecas.

Trabalhar de tal forma também
oferece novas possibilidades de se
obter insights que podem ajudar
a resolver questões-chave,
principalmente a mudança climática, e
apoiar os esforços de previsão
destinados a aumentar nosso preparo
para o futuro, reunindo consórcios
mais amplos de informação. Eles
também poderiam ajudar a aumentar
o uso – e assim a percepção da
relevância – de materiais únicos
mantidos em coleções menores.
Alguns sugeriram que essa
globalização poderia até ser o gatilho
para um novo dinamismo, uma
reorientação das bibliotecas para o
uso de dados e informações em larga
escala, a fim de desenvolver novas
ideias.

Os colaboradores pintaram um
quadro de um sistema digitalizado,
com bibliotecas e suas coleções
totalmente conectadas entre si
através das fronteiras, nos
aproximando de uma realidade onde
os usuários de bibliotecas realmente
podem acessar a memória e os
conhecimentos que nossas
instituições detêm em nível global.
Com usuários familiarizados com uma
Internet que (aparentemente) opera
independentemente de fronteiras,
isso também ajudaria a evitar o risco
de as bibliotecas parecerem isoladas
ou presas no passado. Poderia
também ajudar a acompanhar a
tendência de aumento dos usuários
independentes, menos ligados a
qualquer área (Tendência 7).

Alcançar isso exigirá esforço, como já
o atestam os envolvidos em dados
abertos vinculados. Obviamente, isso
exigirá colaboração para permitir a
integração de sistemas diferentes, ou
a aceitação e aplicação de normas
comuns. Como destacado na
Tendência 8, quaisquer interfaces e
plataformas resultantes também
precisarão ser bem projetadas e
simples, a fim de fazer justiça ao
trabalho realizado para unificar as
coleções.

22

�16 A PRIVATIZAÇÃO DO CONHECIMENTO
O uso de ferramentas tecnológicas, bem como as lentas reformas nos
direitos autorais, significam que é possível aos atores privados restringir e
controlar as informações, até em nível detalhado, obrigando a permissões e
pagamentos
Os colaboradores destacaram suas
preocupações com os esforços para
colocar novas barreiras em torno da
informação. A tecnologia certamente
permite isso, como o fazem os termos dos
contratos que bibliotecas e usuários
precisam assinar para acessar materiais
digitais (em contraste com a maior
liberdade quando uma obra física é
comprada diretamente). Esta situação é
facilitada pelas leis de direitos autorais
que não procuram proteger os direitos
dos usuários em relação ao conteúdo
digital.

desigualdades sociais e econômicas,
quanto para apoiar os esforços de
pesquisa mais inclusivos possíveis para
enfrentar os desafios (ambientais) que
enfrentamos.
Um colaborador destacou preocupações
particulares em torno da 'blockchain'
(protocolo da confiança), e o impacto que
isso poderia ter na circulação do
conhecimento quando isso pode ser cada
vez mais estritamente controlado e
monetizado. Parece improvável que os
'microcontratos' associados a obras
protegidas por direitos autorais por meio
da 'blockchain' sejam capazes de avaliar
os usos permitidos sob exceções e
limitações aos direitos autorais, e assim
bloqueá-los ou monetizá-los
por 'default'.

Além dos bloqueios imediatos sobre o
que as bibliotecas podem adquirir, as
contribuições também destacaram a falta
de certeza que uma falha na atualização
das leis de direitos autorais pode causar,
por exemplo, em relação a usos mais
recentes que, no entanto, estão de acordo
com as missões tradicionais das
bibliotecas, tais como mineração de texto
e dados. Limitar as possibilidades de
análise ou outros usos poderia acabar por
conduzir a uma nova divisão entre
aqueles com e sem recursos para
'comprar segurança', pagando por
licenças adicionais.

As bibliotecas são membros de longa
data do movimento que pressiona por
um maior franqueamento como antídoto
para a privatização do conhecimento. Há
uma crescente consciência do papel que
as publicações das bibliotecas, em
particular, podem desempenhar na
construção dos 'knowledge commons'
(conhecimentos comuns). Isso
proporcionou oportunidades para
explorar novos modelos, focados no
acesso, em lugar da maximização do
lucro com o propósito de beneficiar os
acionistas ou de prover subsídio cruzado
a outras atividades.

Isso gerou ameaças significativas à
capacidade das bibliotecas de garantir
que cada usuário tenha a chance de se
beneficiar do acesso aos materiais
publicados. Isso, por sua vez, tem impacto
na sustentabilidade, em termos do poder
das bibliotecas, tanto para reduzir as

23

�17 QUALIFICAÇÕES SÃO IMPORTANTES

À medida que aumenta a complexidade do ambiente de informação,
aumenta também a necessidade de os funcionários de biblioteca se
beneficiarem de um alto nível de educação.
Essas incluem habilidades digitais
mais elevadas, permitindo o pleno
uso de ferramentas digitais para
fornecer serviços centrados no
usuário, habilidades STEAM (acrônimo
inglês para ciência, tecnologia,
engenharia, artes e matemática),
codificação e programação,
alfabetização em sustentabilidade e
ambiental, e a capacidade de avaliar
as necessidades da comunidade e do
usuário e responder em
conformidade. Os bibliotecários
também precisavam ser treinados
para lidar com novos tipos de
material, incluindo conteúdos de
acesso franqueado e bibliotecas
digitais, e para aprender a ser
defensores eficazes.

Como já destacado na Tendência 4, o
conjunto de habilidades exigidas pelos
bibliotecários para realizar seu
potencial e o de suas instituições está
em permanente evolução. Para uma
série de colaboradores, isto precisava
ir lado a lado com um foco mais forte
na qualificação e profissionalização no
setor, sobretudo quando se trata de
garantir que todas as bibliotecas
sejam dotadas de pelo menos um
bibliotecário qualificado. De fato,
como uma pessoa sublinhou,
habilidades e treinamento foi muitas
vezes o que fez a diferença entre uma
biblioteca ser um depósito de livros, e
ser um centro dinâmico de pesquisa,
educação e cívico.
Com relação ao que as qualificações
poderiam cobrir, além das 'soft skills'
já mencionadas na Tendência 4,
algumas contribuições propuseram
uma série de áreas que têm o
potencial de se tornar mais
importantes no futuro como parte da
base de conhecimento de qualquer
bibliotecário. Algumas delas já são
mencionadas em outras tendências
destacadas neste relatório, e
poderiam ajudar a garantir que os
novos bibliotecários que ingressem na
profissão estejam mais preparados
para o mundo que enfrentam, bem
como capazes de se adaptar a futuras
mudanças.

Assegurar um maior reconhecimento
do trabalho dos bibliotecários, e
salários adequados, poderia ajudar a
atrair e reter pessoas talentosas,
aumentando ainda mais a capacidade
de essa atividade profissional cumprir
suas missões. Oportunidades
contínuas de aprendizagem e
certificação de habilidades, assim
como a criação e manutenção de
trilhas de liderança abertas também
ajudariam a manter as pessoas
dentro da atividade.

24

�18 RECONHECIMENTO DA COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO

Governos e outros reconhecem plenamente a importância da competência
em informação como uma resposta a longo prazo ao aumento da
desinformação.
A Tendência 13 observou o potencial
de uma corrida aos extremos no
discurso político e cívico, e o impacto
que isso poderia ter sobre a coesão
social e as instituições que dependem
disso. Conforme exposto, isso
representa um desafio direto, a curto
prazo, aos governos que estão
tentando, com base em evidências
científicas, encorajar as pessoas a agir
de forma responsável em relação aos
outros cidadãos e ao meio ambiente.

Além disso, desenvolver a
alfabetização em informação também
pode ser um estímulo competitivo,
garantindo que as pessoas sejam
mais capazes de navegar no mundo
digital em geral e sejam mais eficazes
e produtivas em seu trabalho. De fato,
diante da abundância de informações
disponíveis hoje, ela poderia até se
tornar uma parte fundamental da
educação desde muito cedo,
paralelamente aos esforços para
ampliar os horizontes das pessoas
mais jovens e a sua abertura ao
mundo. Isso pode significar um lugar
para bibliotecas – nas escolas, nas
universidades, públicas e assim por
diante.

Os colaboradores sugeriram que os
significativos efeitos negativos da
desinformação e das conspirações
disseminadas através das redes
sociais durante a pandemia
provavelmente levarão a uma nova
consciência da necessidade de agir, e
construir as próprias defesas das
pessoas contra mentiras e histórias
fabricadas. Mais pessoas do que
nunca – tanto nos governos como em
geral – estão cientes de que a
alfabetização em informação é uma
habilidade vital, e que não pode ser
negligenciada.

Alguns colaboradores argumentaram
que, potencialmente, as bibliotecas
poderiam ter um papel nas
discussões sobre políticas mais
amplas de alfabetização em
informação, aproveitando tanto suas
competências quanto sua reputação
como lugares para buscar
informações de qualidade. Nisso, elas
poderiam até mesmo trabalhar com
empresas de mídia social para
oferecer treinamento e apoio no
combate à desinformação deliberada.

Em particular, dadas as desvantagens
de medidas mais contundentes (como
a tentativa de proibir ou bloquear
completamente os sites), a
alfabetização em informação pode vir
a ser vista como a única forma
sustentável de combater a
desinformação online.
25

�19 “ESTAR DISPONÍVEL” DESAFIA AS BIBLIOTECAS EM
SEREM “PONTOS DE VENDA EXCLUSIVO” (UNIQUE
SELLING POINT – USP)*
Com uma parcela crescente das informações científicas disponível
livremente, as bibliotecas são forçadas a adaptar o seu papel para não
perder relevância
O movimento Acesso Aberto (Open Access –
OA) teve sucesso significativo ao desafiar o
pressuposto de que a publicação e
disseminação da pesquisa só pode ocorrer
através de um modelo econômico que
considera que os usuários (ou bibliotecas em
seu nome) são obrigados a pagar às editoras
pelo acesso. Ultrapassando os desafios
criados pelas leis de direitos autorais
restritivas, as publicações de acesso aberto
estão imediata ou rapidamente disponíveis
para uso por qualquer pessoa com acesso à
Internet.

capacidade de descoberta, garantindo a
preservação e provendo a capacitação e o
apoio necessários à navegação ao redor do
vasto número de recursos disponíveis. Os
bibliotecários também poderiam
desempenhar um papel fundamental na
gestão dos repositórios de dados de
pesquisa, o que seria essencial para a
realização do potencial da ciência aberta.
Finalmente, como alguns colaboradores
observaram, a batalha está longe de ser
ganha no que toca ao acesso aberto. Além
das questões continuadas sobre como
garantir a sustentabilidade financeira e a
escalabilidade dos modelos abertos e ao
mesmo tempo maximizar sua inclusividade,
ainda há muitos pesquisadores e autores que
ainda duvidam dos méritos dos modelos
abertos. Isto pode ser devido a uma
percepção de que pode haver dinheiro a ser
ganho (raramente o caso), ou a uma
sensação de que estar disponível
gratuitamente desvaloriza o trabalho deles.
As bibliotecas podem precisar direcionar
parte de sua defesa em torno dos méritos do
máximo acesso à informação aos próprios
autores, para mostrar-lhes o quão poderoso
isto pode ser como uma força para o bem.

Nos últimos anos, a OA tem sido
acompanhada por outros movimentos
abertos - ciência aberta e bolsa de estudos
aberta mais ampla, recursos educacionais
abertos e GLAM (acrônimo em inglês para
Galerias, Bibliotecas, Arquivos e Museus)
abertos - todos com o objetivo de reduzir as
barreiras de acesso, de uso e de engajamento
na educação, ciência e vida cultural.
Alguns colaboradores se preocuparam, no
entanto, que o surgimento do "open"
(movimento aberto) pudesse levar a uma
sensação de não haver mais necessidade de
que as instituições desempenhassem o papel
tradicional das bibliotecas, de proporcionar
uma oportunidade para que as pessoas
tivessem acesso a obras que de outra forma
seriam inacessíveis. Sem a necessidade de as
bibliotecas gastarem dinheiro em assinaturas,
pode haver o risco de que aqueles que tomam
as decisões de financiamento possam optar
por cortar orçamentos.

Nota (*) Um ponto de venda exclusivo USP
por sua sigla em inglês, também chamado de
proposta de venda exclusiva. Trata-se de uma
declaração de marketing que diferencia um
produto ou marca de seus concorrentes. Um
“USP” pode apresentar o menor custo, a mais
alta qualidade, a maior experiência, o
primeiro em sua classe de produtos ou outra
característica que diferencia a oferta da
concorrência. Um ponto de venda exclusivo
pode ser pensado como "o que você tem que
os concorrentes não têm".

Em resposta, foi observado que, em um nível
fundamental, um maior acesso à informação
deveria ser reconhecido como uma coisa boa
em si. Paralelamente, outros destacaram estar
no escopo das próprias bibliotecas o
desenvolvimento de novas funções, a fim de
agregar valor, sobretudo através do apoio à

26

�20 DESIGUALDADES SE APROFUNDAM
Com a tecnologia criando novas possibilidades para os que têm acesso a ela,
a distância entre estes e os que não têm acesso cresce, ameaçando confinar
grandes parcelas da população à pobreza, a menos que ações sejam
empreendidas
Um tema que surgiu em muitas das
outras tendências destacadas neste
relatório é o risco de que, quando novas
possibilidades não são abertas a todos,
no fim, elas possam acabar ampliando
divisões e desigualdades.

Uma resposta sugerida para isso foi a
necessidade de continuar insistindo que
as próprias bibliotecas sejam de livre
acesso, dado o risco de que a cobrança
possa acabar excluindo algumas das
pessoas que mais precisam de
bibliotecas. Outros sugerem que
qualquer estrutura de preços precisa
garantir que não se crie uma barreira, ou
estigma, para os usuários.

Os colaboradores indicaram que durante
a pandemia, aqueles sem acesso à
Internet e sem habilidades para usá-la
enfrentaram muito mais transtornos em
sua educação, e em sua vida profissional
e social, do que aqueles que
simplesmente foram capazes de levar
suas vidas online. O mesmo vale com o
acesso à alfabetização e às habilidades
digitais, que podem ser uma porta de
acesso não só a empregos e outras
oportunidades, mas também
simplesmente à possibilidade de
aprender mais.

No entanto, também podem existir
desigualdades entre as bibliotecas, como
destacado na Tendência 10. É possível
que bibliotecas menores ou aquelas que
operam com orçamentos menores (por
exemplo, aquelas em áreas mais pobres
onde há menos receita tributária
disponível para apoiá-las) simplesmente
não sejam capazes de oferecer a gama
completa de serviços que poderiam
ajudar os usuários a fazer o melhor uso
da informação para melhorar suas vidas.

Isso é particularmente importante, visto
que muitas vezes são aqueles que já
enfrentam a exclusão - pessoas em
situação de pobreza ou com deficiência,
assim como mulheres e refugiados - que
têm menos probabilidade de se conectar.

As sugestões dos colaboradores em
resposta incluíram um foco mais forte em
garantir que houvesse pelo menos um
nível básico de serviço entre as
bibliotecas, a fim de garantir que os
usuários das bibliotecas, onde quer que
estejam, possam se beneficiar das
possibilidades essenciais de acesso e uso
das informações.

O aprofundamento das desigualdades
pode representar um desafio à coesão
social, e até mesmo ao contrato social
sobre o qual as sociedades e serviços
como as bibliotecas são construídos.
Quando elas se traduzem em acesso
reduzido à saúde, educação e outras
formas de participação, também
representam um ataque aos direitos
fundamentais.

27

�Trabalhando com as
Tendências
Nosso metódo

A sessão da Presidente eleita no
World Library and Information
Congress (WLIC) de 2021 se baseou
nessas tendências identificadas para
realizar um exercício de previsão com
os participantes ao vivo. O objetivo da
sessão era incentivar a reflexão sobre
as tendências que provavelmente
seriam mais significativas para o
futuro das bibliotecas, aproveitando
as ideias coletivas dos participantes.

1) Após uma introdução, o conjunto
de 20 tendências é apresentado ao
público. Pode ser útil compartilhar
antecipadamente as tendências para
que o público possa se familiarizar
com elas;
2) O painel de especialistas oferece
suas próprias ideias sobre as
tendências, destacando aquelas que
eles acham que são particularmente
importantes;

A sessão se baseou livremente no
modelo 'Delphi' de identificação de
tendências de forma colaborativa,
dentro dos limites impostos pelo
tempo (uma hora) e pelo formato
digital da sessão. Ela se baseou em
um software de votação online para
realizar esse processo ao vivo.

3) O público vota, selecionando 10 entre as 20 tendências - que eles
consideram mais significativas para o
futuro da área de Biblioteconomia;
4) As 10 tendências que receberam o
maior número de votos no total são
reveladas;

Com o apoio de quatro especialistas
escolhidos pela então Presidente
eleita, Barbara Lison, pela influência
que tiveram sobre o seu próprio
pensamento ao longo do tempo, a
sessão utilizou a estrutura abaixo, que
naturalmente pode ser replicada
dentro de associações ou outros
grupos de bibliotecas, seja
integralmente ou de forma adaptada.

5) O painel de especialistas apresenta
seus comentários sobre os resultados,
bem como sua avaliação sobre as
tendências mais importantes dentre
as remanescentes;
6) O público vota novamente,
selecionando 5 - entre as 10
tendências remanescentes - que
consideram mais significativas para o
futuro da área de Biblioteconomia;

A sessão foi realizada seguindo os
passos à direita:
28

�7) As 5 tendências que receberam o
maior número de votos no total são
reveladas;

As 10 tendências-destaque
foram: 1 (Tempos difíceis à
frente!), 2 (O virtual chegou
para ficar!), 3 (O retorno aos
espaços físicos), 5 (A
diversidade é levada a sério), 6
(Um cálculo ambiental), 8 (O
usuário impaciente), 11
(Predominância dos dados), 14
(Aprendizes ao longo da vida),
18 (Reconhecimento da
alfabetização em informação),
e 20 (Desigualdades se
aprofundam).

8) painel de especialistas apresenta
seus comentários.

Com mais tempo, ou um formato
diferente, qualquer pessoa
interessada em realizar um exercício
semelhante poderia explorar algumas
das seguintes opções:
Incentivar as discussões em grupo
em cada etapa, permitindo que
todos os participantes
identifiquem as tendências que
consideram mais importantes,
explicando por que acham isso.
Isso pode ser pessoalmente
(quando possível) ou utilizando
"breakout rooms" (salas
simultâneas) em uma plataforma
digital. Os participantes devem
tentar convencer uns aos outros
de seus argumentos, indicando
evidências dos seus pontos de
vista.

As 5 tendências-destaque
finalistas foram: 2 (O virtual
chegou para ficar!), 5 (A
diversidade é levada a sério), 6
(Um cálculo ambiental), 14
(Aprendizes ao longo da vida),
e 20 (Desigualdades se
aprofundam).
Inclua uma fase extra no final,
onde especialistas e participantes
explorem como as diferentes
tendências escolhidas interagem
umas com as outras – é provável
que elas se complementem ou se
anulem entre si?

Inclua numa fase em que os
especialistas e/ou grupos
discutam as diferenças entre seus
resultados e os da sessão da
Presidente eleita no WLIC:

Inclua uma fase extra onde você
tente definir 'futuros' - uma
imagem de como poderia ser a
atividade de Biblioteconomia
quando diferentes combinações
de tendências se concretizarem.
Também o encorajamos a explorar
outras formas de trabalhar com as
Tendências para incentivar a reflexão
sobre o futuro!
29

�Saiba mais sobre
Tendências
Além da sessão da Presidente eleita no WLIC, houve também três sessões em que
alguns dos líderes emergentes apresentaram suas ideias para o futuro em maior
profundidade.
Organizadas por região (Ásia-Oceania, África e Ásia, e as Américas), cada uma delas
contou com 7 a 9 palestrantes.
Você pode assistir aos vídeos no canal da IFLA no Youtube através dos seguintes
links:
África e Europa: https://youtu.be/4tWHGR6zcKc
Asia-Oceania: https://youtu.be/s2iHbua_oCk
Americas: https://youtu.be/uKQS2zreQG0

30

�IFLA Headquarters
P.O. Box 95312
2509CH The Hague
Netherlands
TEL + 31-70-3140884
E-MAIL ifla@ifla.org
www.ifla.org

Tradução:
Secretaria de Gestão de
Informação e Documentação
Senado Federal
Praça dos Três Poderes
Bloco 14
Brasília-DF
CEP 70165-900

Apoio:
Federação Brasileira de Associações
de Bibliotecários, Cientistas da
Informação e Instituições - FEBAB
Rua Avanhandava, 40, cj. 110
Bela Vista
São Paulo - SP
CEP 01306-000

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