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                  <text>Eixo 1 - Tradição
BIBLIOTECÁRIO DE BU’S NO SÉCULO XXI: NECESSIDADES, DESAFIOS E
POSSIBILIDADES REALÇADOS PELA PANDEMIA
BU’S LIBRARIAN IN THE 21ST CENTURY: NEEDS, CHALLENGES AND POSSIBILITIES
STRESSED BY THE PANDEMICSTRESSED BY THE PANDEMIC
OLIVEIRA, Larissa Rosa de1
SILVA, Karla Rodrigues da22

Resumo: Apresenta um olhar sobre os principais desafios que afetam o bibliotecário universitário na atualidade, com
enfoque naqueles realçados pela COVID-19 nos últimos dois anos. Objetiva apontar os desafios inerentes à prática
bibliotecária ao longo do século XXI, em especial no que se referem a habilidades necessárias para o desenvolvimento
de suas atividades profissionais, a partir de percepções derivadas das percepções teórico-conceituais da literatura sobre
a questão. Tem como procedimentos metodológicos a realização de pesquisa descritiva-explicativa, com abordagem

qualitativa e natureza aplicada. Aponta como resultados um levantamento das habilidades necessárias para a
prática profissional, desde as chamadas habilidades técnicas – que são inerentes à própria profissão do
bibliotecário – quanto às chamadas habilidades socioemocionais, essenciais em um período de mudanças tão
bruscas como tem sido os anos de 2020 e 2021. Conclui que, apesar da relevância de habilidades técnicas e
gerenciais, se faz cada vez mais premente o desenvolvimento de habilidades emocionais, que permitam uma
atuação profissional mais pautada nas necessidades do usuário, compreendendo suas limitações e dificuldades.

Palavras-chave: Bibliotecário. Biblioteca universitária. Habilidades e competências. Pandemia de COVID-19.
Abstract: It presents a look at the main challenges that currently affect the university librarian, focusing on
those highlighted by COVID-19 in the last two years. It aims to point out the challenges inherent to library
practice throughout the 21st century, especially with regard to the skills needed for the development of their
professional activities, based on perceptions derived from the theoretical-conceptual perceptions of the
literature on the issue. Its methodological procedures are to carry out descriptive-explanatory research, with
a qualitative approach and applied nature. The results indicate a survey of the skills needed for professional
practice, from the so-called technical skills - which are inherent to the librarian's profession itself - to the
so-called socio-emotional skills, essential in a period of such sudden changes as the years 2020 and 2021. It
concludes that, despite the relevance of technical and managerial skills, the development of emotional skills
is increasingly urgent, allowing a professional performance more based on the user's needs, understanding
their limitations and difficulties.
Keywords: Librarian. University library. Skills and competences. COVID-19 pandemic.

1 INTRODUÇÃO
Segundo a Lei nº 9.674, de 25 de junho de 1998, o exercício da profissão de
bibliotecário é privativo ao bacharel em Biblioteconomia, com registro apropriado no órgão
de classe (BRASIL, 1998, online). Toda biblioteca deve ser regida por um bibliotecário, visto
que a atuação profissional demanda habilidades e competências específicas para o
desenvolvimento de suas atividades. E isso se faz cada vez mais acentuado com a revolução
tecnológica que vivenciamos nos últimos anos, já que o uso dos mais variados recursos
1

Mestranda em Ensino na Educação Básica pelo PPGEEB-Cepae/UFG. E-mail: Larissa.nef@gmail.com.
Mestranda em Ensino na Educação Básica pelo PPGEEB-Cepae/UFG. Bibliotecária na Biblioteca Central –
UFG. E-mail: rodrigues.krs@hotmail.com
2

�tecnológicos (computadores, smartphones, smart speakers, smartwatches, smart tvs,
lâmpadas inteligentes...) é cada vez mais comum em nossa sociedade.
Nessa rotina cada vez mais tecnológica, percebe-se que a educação e as bibliotecas
também acabam sendo afetadas por esses processos, fazendo com que os profissionais
necessitem cada vez mais do desenvolvimento de novas habilidades e competências para se
inserir e se capacitar a esse mercado.
As bibliotecas universitárias são afetadas pelas tecnologias de informação e pelo
desenvolvimento tecnológico. Entretanto, mesmo perante a realidade que possibilita o acesso
à documentos das bibliotecas através de um clique, por meio dos repositórios e bibliotecas
digitais, muitas bibliotecas ainda têm acervos constituídos em sua maioria por valiosos
materiais em formato impresso e não digitalizados: obras raras, coleções especiais, além de
seus acervos gerais; e estes muitas vezes, são essenciais para pesquisas científicas e históricas.
De forma geral, este trabalho objetiva apontar as principais dificuldades e desafios na
atuação do bibliotecário universitário na atualidade. Para isso, objetiva especificamente:
• elencar as habilidades e competências necessárias para a atuação bibliotecária em
BU’s;
• discutir sobre o papel da tecnologia e as implicações da COVID-19 na prática
profissional do bibliotecário;
• apontar os principais desafios e possibilidades em relação à atuação bibliotecária no
século XXI.
A partir das observações levantadas, pretende-se discutir sobre o impacto do panorama
social na prática bibliotecária no século XXI, em especial no que diz respeito às habilidades
profissionais e pessoais necessárias para o exercício da função nas BU’s, após a deflagração
da crise mundial de COVID-19.
2 MÉTODO
Trata-se de um estudo com abordagem qualitativa, visto que adota enfoque
interpretativista e compreende que “o mundo e a sociedade devem ser entendidos segundo a
perspectiva daqueles que o vivenciam” (GIL, 2021, p. 63), ao mostrar as competências e
habilidades inerentes à prática profissional do bibliotecário e as dificuldades realçadas pela
pandemia de COVID-19 na sua atuação frente às bibliotecas universitárias.
Possui natureza aplicada, pois busca ampliar o conhecimento científico (PERDIGÃO;
HERLINGER; WHITE, 2012), apresentando levantamento teórico sobre as principais

�habilidades e competências necessárias para a prática profissional bibliotecária no século
XXI.
Em relação à classificação, configura-se como pesquisa descritiva-explicativa, já que
vai “além da simples identificação de existência entre as variáveis, pretendendo determinar a
natureza dessa relação” (GIL, 2021, p. 27), ao apontar o impacto causado pelas dificuldades
sociais, tecnológicas e profissionais na atuação dos bibliotecários em BU’s durante a
pandemia de COVID-19 no Brasil.
3 RESULTADOS E DISCUSSÕES
Segundo o Dicionário Online de Português (2021), habilidade é a “capacidade” de se
executar uma ação, ao passo que competências são o conjunto dessas habilidades ou
conhecimentos. No que tange ao bibliotecário universitário, autores como Oliveira e Moraes
(2020) apontam dezessete (17) competências e habilidades necessárias para a atuação como
gestor de uma BU: a capacidade de gerir a unidade de informação; comunicação; liderança
e trabalho em equipe; atuação ética; responsabilidade; habilidades técnicas inerentes à
profissão; concentração; criatividade e inovação; solução de problemas de forma lógica;
planejamento; fluência em outros idiomas; organização; mediação de conflitos; ser capaz
de delegar; dinamicidade; proatividade e flexibilidade.
Percebe-se que as autoras citam características inerentes tanto às especificidades
técnicas da atuação profissional do bibliotecário, quanto a habilidades e competências
interpessoais. Todas essas características são essenciais na prática do bibliotecário universitário,
mas observamos que, com o avanço tecnológico, outras necessidades passaram a ser
observadas.
E com a deflagração da pandemia, e consequente passagem para o ensino remoto, mais
desafios surgiram e se fizeram presentes no cotidiano das BU’s, de modo que esses espaços – e
profissionais - precisaram encarar novos desafios para conseguir oferecer serviços e produtos
condizentes à realidade com o intuito de atender seus usuários. Para tanto, substancialmente fezse necessário o uso das tecnologias existentes que se atualizam e sofrem mudanças constantes a
fim de adaptar as metodologias e práticas existentes e adotar novas possibilidades.
Não obstante, os bibliotecários nelas atuantes precisaram desenvolver competências e
habilidades necessárias diante desse cenário, assim como profissionais de outras áreas.
Empresas voltadas para a seleção de candidatos, como a plataforma Vagas (2021), listam
algumas dessas competências necessárias, corroborando os estudos de Reis (2020) e Oliveira e

�Moraes (2020), como: adaptabilidade e flexibilidade; habilidades digitais; criatividade e
inovação; conhecimento em dados; pensamento crítico e autonomia e inteligência
emocional.
Segundo Reis (2020), o bibliotecário do futuro (e do presente) precisa desenvolver as
chamadas soft skills, consideradas por Goleman como “competências baseadas nas
competências socioemocionais” (GOLEMAN, 1995 apud REIS, 2020, on-line). Para a autora,
são cinco as soft skills essenciais para a atuação bibliotecária no século XXI: colaboração,
resiliência; liderança; empatia e comunicação eficaz.
Tanto Reis (2020) quanto Oliveira e Moraes (2020) listam habilidades socioemocionais
como essenciais, em especial em um período de mudanças tão bruscas como tem sido os anos
de 2020 e 2021. A pandemia de COVID-19 realçou dificuldades sociais, emocionais,
econômicas e de saúde pública. Impactou o ensino, ao fazer com que universidades, que antes
tinham ensino predominantemente presencial, se adaptassem às tecnologias para minimizar
perdas na relação de ensino-aprendizagem a partir da utilização do ensino remoto emergencial.
E isso é descrito por Reis (2020), quando afirma que é necessário que bibliotecários
compreendam a necessidade do equilíbrio entre o lado técnico da profissão e o lado humano.
Para a autora, o bibliotecário do século XXI, e porque não dizer, o profissional que se necessita
pós-crise, é aquele que tem a:
habilidade técnica (hard skill) de entender a tecnologia e capacidade humana (soft
skill) de mediar para outro ser humano. O bibliotecário é o profissional capaz de
traduzir a necessidade do usuário, de transformá-la e entregá-la através da mediação. É
isso que nos torna humanos em biblioteconomia. E isso que nos faz sobreviver (REIS,
2020, on-line).

Desse modo, podemos concluir que, apesar de todas as mudanças tecnológicas
vivenciadas ao longo da crise decorrente da COVID-19, fica claro que a principal habilidade a
ser desenvolvida pelo bibliotecário do século XXI é a empatia. A capacidade de se importar. A
capacidade de sermos, efetivamente, humanos.
4 CONCLUSÕES
É fundamental que o bibliotecário atuante nas bibliotecas universitárias (BU’s) se
adapte às mudanças sofridas pelo seu ambiente profissional, as BU’s. A pandemia da COVID19 veio realçar a necessidade de o profissional bibliotecário estar sempre se atualizando,
desenvolvendo habilidades e competências necessárias à boa execução de seu trabalho.
E, apesar de todas as habilidades técnicas que se espere de um profissional de
Biblioteconomia, que englobem o tratamento temático e descritivo da informação, sua

�recuperação e acesso, é necessário que o bibliotecário desenvolva, também, suas habilidades
gerenciais e humanas.
É necessário que esse profissional seja capaz de gerir sua biblioteca ou unidade de
informação, que desenvolva habilidades de liderança, de flexibilidade, de crítica e autocrítica,
mas principalmente, que desenvolva as habilidades que o configurem como ser social. Que se
importe com o outro e que tenha, em seu âmbito profissional, a capacidade de entender as
necessidades de seu usuário e, a partir delas, solucionar o problema informacional desse
indivíduo, se lembrando necessidades específicas daquele que busca atender. De forma
resumida, é mediar a ponte entre informação e usuário. É ser justo com as demandas que lhe
são atribuídas. É ser empático. É ser, literalmente, humano.
REFERÊNCIAS
6 COMPETÊNCIAS pós-coronavírus que todo bom colaborador deve ter. Vagas for
business. 2021. Nome do site, ano. Disponível em: https://forbusiness.vagas.com.br/blog/6competencias-pos-coronavirus/. Acesso em: 17 out. 2021.
BRASIL. Lei nº 9.674, de 25 de junho de 1998. Dispõe sobre o exercício da profissão de
Bibliotecário e determina outras providências. Brasília, 1998. Disponível em:
http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9674.htm. Acesso em: 18 ago. 2021.
COMPETÊNCIA. In.: Dicio, Dicionário Online de Português. Porto: 7Graus, 2021.
Disponível em: https://www.dicio.com.br/habilidade/. Acesso em: 16 set. 2021
GIL, Antonio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. São Paulo: Atlas, 2021.
GOLEMAN, Daniel. Inteligência emocional: a teoria revolucionária que define o que é ser
inteligente. Rio de Janeiro: Objetiva, 1996.
HABILIDADE. In.: Dicio, Dicionário Online de Português. Porto: 7Graus, 2021.
Disponível em: https://www.dicio.com.br/competencia/. Acesso em: 16 set. 2021
OLIVEIRA, Larissa Rosa de; MORAIS, Marizângela Gomes de. Percepções conceituais
sobre a atuação do bibliotecário na gestão de bibliotecas universitárias. In: CORDEIRO,
Douglas Farias; CASSIANO, Kátia Kelvis; SANTOS, Andréa Pereira dos; SILVA, Núbia
Rosa da. Mídias, informação e ciência de dados: pesquisas, tendências e interfaces.
Goiânia: Cegraf UFG, 2020. p.262-274.
PERDIGÃO, Dulce Mantella; HERLINGER, Maximiliano.; WHITE, Oriana Monarca.
Teoria e prática da pesquisa aplicada. Rio de Janeiro, RJ, Brasil: Elsevier, 2012.
REIS, Andreza. Soft skills: porque devemos desenvolver humanidades em Biblioteconomia.
In: Doce Biblioteca, Rio de Janeiro, jun. 2020. Disponível em:
https://docebiblioteca.com.br/soft-skills-como-desenvolver-na-bibliotecomia/. Acesso em: 14
set. 2021.

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