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                  <text>Práticas

DESENHANDO UM PROJETO DE EDUCAÇÃO PATRIMONIAL EM UMA BIBLIOTECA
UNIVERSITÁRIA

DESIGNING A HERITAGE EDUCATION PROJECT IN A UNIVERSITY LIBRARY
Rejane Maria Rosa Ribeiro1

Resumo: Apresenta a proposta da Biblioteca Central Julieta Carteado da Universidade Estadual de Feira de Santana de
criação de um Programa de Educação Patrimonial para Bibliotecas visando criar espaços de dialogo com a sociedade e
assim tornar publico e conhecido o patrimônio cultural da cidade a qual a biblioteca esta inserida. Para criar esses
espaços de dialogo a BCJC vai utilizar as ações culturais por ela desenvolvidas, permitindo que seus usuários conheçam
os bens culturais apresentados nessas ações e assim se apropriem de sua herança cultural. O Programa aspira ser um
referencial para que as bibliotecas transformem seus programas ou atividades de ação cultural em um programa de
educação patrimonial que evidencie e preserve o patrimônio cultural nacional ou local.
Palavras-chave: educação patrimonial. ação cultural. biblioteca universitaria.
Abstract: It presents the proposal of the Central Library Julieta Carteado of the State University of Feira de Santana to
create a Heritage Education Program for Libraries aiming to create spaces for dialogue with society and thus make
public and known the cultural heritage of the city in which the library is inserted . To create these spaces for dialogue,
BCJC will use the cultural actions developed by it, allowing its users to know the cultural goods presented in these
actions and thus appropriating their cultural heritage. The Program aspires to be a reference for libraries to transform
their cultural action programs or activities into a heritage education program that highlights and preserves national or
local cultural heritage.
Keywords: heritage education. cultural action. university library.

1 INTRODUÇÃO
De acordo com Palhares (2014, p.52) “Um dos lugares-comuns mais naturalizado é de que a
educação não se restringe à escola e que flui, de forma mais significativa, de experiências e
inserções na vida quotidiana, com maior ou menor grau de formalização.” O autor defende ainda
que “A educação não é só um ato intrinsecamente cultural, mas é também um processo de imersão

1

Bacharel em Biblioteconomia e Documentação. Especialização em Instituições do Ensino Superior. Especialização em
Metodologia do Ensino Superior e Especialização em Gestão da Inovação Tecnológica. Mestranda em Desenho,
Cultura e Interatividade. Bibliotecária do SISBI-UEFS. rribeiro@uefs.br.

�nas dimensões expressivas da cultura e de construção de afinidades/disposições culturais múltiplas.”
(PALHARES, 2014, p. 57). Tomando como base as afirmações de Palhares podemos dizer que
além da escola que oferece uma educação formal, outros ambientes contribuem com a educação, a
exemplo das bibliotecas que disponibiliza aos seus usuários uma educação informal ou não formal.
E o que vem a ser a educação não formal? Para Garcia (2013, p. 474) “A definição de
educação não formal não está dada, ela está sendo criada, produzida e recriada.” A autora
argumenta que a educação não formal esta aberta a contribuições de varias áreas, para ela:
A educação não formal não é estática, é um campo aberto, que está em construção. É
composta de uma grande diversidade sendo um aspecto muito interessante para o campo
educacional, permitindo, além de contribuições de diversas áreas, a composição de
diferentes bagagens culturais. Por essas características, a educação não formal permite uma
certa irreverência ao lidar com aspectos do contexto educacional e com as relações que são
inerentes a esse contexto, favorecendo e possibilitando a criação. (GARCIA, 2013, p. 477)

Conforme o exposto, podemos concluir que as bibliotecas universitárias desenvolvem
atividades de educação formal e não formal através de ações culturais, cursos, treinamentos entre
outras. Dentre essas atividades, as ações culturais através das exposições artísticas, bazares,
apresentação de dança, peças teatrais, oficinas de desenho e pinturas etc., permitem que seus
usuários conheçam os bens culturais principalmente aqueles da região ao qual a biblioteca esta
inserida.
Assim a Biblioteca Central Julieta Carteado (BCJC) da Universidade Estadual de Feira de
Santana (UEFS) propõe um Desenho de Educação Patrimonial visando evidenciar a Biblioteca
Universitária como espaço de Educação Patrimonial. Como desenho segundo Isoda (2013, p.25)
[...] “é uma linguagem, uma técnica, mas é também, uma maneira de pensar, de ver, de entender,
de projetar, de idear, de executar, divagar, dialogar...” e que desenho é um processo cognitivo,
para ele (2013, p.45) “Cognição é o ato ou efeito de conhecer” e “Em suma, é a sapiência. Por
meio de processos cognitivos vemos e entendemos o mundo”. Desse modo para o autor:
O desenho nos permite perceber, atribuir e desvendar esses significados. E não só isso, mas
ajuda também a evidenciar e comunicar esses significados apreendidos. Usamos o desenho
tanto para entender quanto para transmitir o que entendemos. Seja pensando, seja rabiscando,
seja observando o mundo, seja vendo o desenho de todas as coisas que nos cercam. (p. 43)

Portanto o desenho de Educação Patrimonial proposto pela BCJC visa trabalhar o
patrimônio cultural da cidade de Feira de Santana, Bahia através das ações culturais desenvolvidas
pela biblioteca.

�2 MÉTODO

A Biblioteca Central da UEFS foi criada em 31 de maio de 1976 e desde sua criação
desenvolve atividades de ação cultural, segundo Coelho (1999, p.33) “[...] define-se a ação cultural
como o processo de criação ou organização das condições necessárias para que as pessoas e grupos
inventem seus próprios fins no universo da cultura.” Como publico a Biblioteca Central reunia toda
comunidade universitária e as ações culturais eram destinadas a esse publico ate a segunda metade
da década de 1980 onde contando com a divulgação pelos meios de comunicação os eventos
ganharam a atenção do publico externo a UEFS.
Em 45 anos disponibilizando entre seus serviços atividades culturais com o intuito de
cumprir com seu papel de promover e difundir a cultura, a BCJC nunca criou um programa formal
de Educação Patrimonial. Um programa desse porte visa situar o sujeito no mundo através de sua
cultura, da valorização do seu espaço, da sua cidade, resgatando a memória e assim conferindo ao
publico envolvido o sentimento de pertencimento do espaço em que habita.
A metodologia adotada para realização do trabalho é o estudo descritivo qualitativo.
Inicialmente foi realizada uma revisão de literatura para compreensão acerca do tema pesquisado,
depois foi realizado um levantamento das atividades culturais que a BCJC desenvolveu no período
de 2010 a 2020, para avaliar quais dessas atividades podem ser utilizadas no programa, também foi
realizada uma pesquisa bibliográfica sobre os bens culturais (materiais e imateriais) da cidade de
Feira de Santana e esta sendo construído um questionário para ser aplicado com o staff da BCJC
com questões abertas relativas a patrimônio cultural.

3 RESULTADOS E DISCUSSÕES

O desenho da Educação Patrimonial para bibliotecas universitárias esta em construção,
contudo espera-se que sirva como referencial para que as bibliotecas transformem seus programas
ou atividades de ação cultural em um programa de educação patrimonial que evidencie e preserve o
patrimônio cultural nacional ou local. De acordo com Grunberg (2007, p.4) patrimônio cultural
São todas as manifestações e expressões que a sociedade e os homens criam e que, ao longo
dos anos, vão se acumulando com as das gerações anteriores. Cada geração as recebe, usufrui
delas e as modifica de acordo com sua própria historia e necessidades. Cada geração dá a sua
contribuição, preservando ou esquecendo essa herança.

�A autora afirma também que
Patrimônio Cultural não são somente aqueles bens que se herdam dos nossos antepassados.
São também os que se produzem no presente como expressão de cada geração, nosso
“Patrimônio Vivo”: artesanatos, utilização de plantas como alimentos e remédios, formas de
trabalhar, plantar, cultivar e colher, pescar, construir moradias, meios de transporte, culinária,
folguedos, expressões artísticas e religiosas, jogos etc. (GRUNBERG, 2007, p.4)

Um programa de educação patrimonial vai contribuir para que as tradições culturais não
sejam esquecidas e que as novas gerações sintam orgulho de sua historia e cultura.

4 CONCLUSÕES

O Programa de educação patrimonial proposta para Biblioteca Central Julieta, visa criar
espaços de dialogo com a sociedade e assim tornar publico e conhecido o patrimônio cultural da
cidade de Feira de Santana, patrimônio este, desconhecido ou esquecido, devido supostamente, pelo
que, segundo Pesavento (1995, p.284-5), [...] “se poderia chamar uma "pasteurização" ou
uniformidade do urbano no pior dos sentidos: a destruição da memória, a substituição do "velho"
pelo novo, a uniformização das construções e a generalização do caráter de impessoalidade ao
contexto urbano.”
Para criar esses espaços de dialogo a BCJC vai utilizar as ações culturais por ela
desenvolvidas, permitindo que seus usuários conheçam os bens culturais apresentados nessas ações
e assim se apropriem de sua herança cultural.
REFERÊNCIAS
COELHO, Teixeira. Dicionário crítico de política cultural: cultura e imaginário. 2. ed. São Paulo:
Iluminuras, 1999.
GARCIA, Valéria Aroeira. Educação não formal: Autonomia e campo conceitual. In: PALHARES,
José Augusto; AFONSO, Almerindo Janela (Orgs.). O não-formal e o informacional em educação:
centralidades e periferias. Braga: CIEd, 2013. 3v. Disponível em:
http://www.spce.org.pt/PDF/AtasICICSE_IIIESE_Vol-I.pdf. Acesso em 16 nov. 2020.
GRUNBERG, Evelina. Manual de atividades práticas de educação patrimonial. Brasília, DF:
IPHAN, 2007. Disponível em:
http://portal.iphan.gov.br/uploads/publicacao/EduPat_ManualAtividadesPraticas_m.pdf. Acesso
em: 02 jul. 2021.

�ISODA, Gil Tokio de Tani e. Sobre desenho: estudo teórico-visual. 2013. Dissertação (Mestrado
em Design e Arquitetura) - Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, Universidade de São Paulo, São
Paulo, 2013. Disponível em: https://teses.usp.br/teses/disponiveis/16/16134/tde-12082013100125/publico/sobredesenho_giltokio.pdf. Acesso em: 04 jun. 2021.
PALHARES, J. A. Centralidades e periferias nos quotidianos escolares e não escolares de jovens
distinguidos na escola pública. Investigar em Educação, vol., n.1, 2014. Disponível em:
http://pages.ie.uminho.pt/inved/index.php/ie/article/view/5. Acesso em 09 jun. 2021.
PESAVENTO, Sandra jataby. Muito alem do espaço: por uma história cultural do urbano. Estudos
Históricos. Rio de Janeiro, v. 8, n. 16, p. 279-290, 1995. Disponível em:
https://drive.google.com/drive/folders/1mVvOZ8rYQd-qBkz2jYVxNQtJYC-fIOkF. Acesso em 14
jun. 2021.

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