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                  <text>Eixo 2 - Práticas
POLÍTICA DE INDEXAÇÃO PARA BIBLIOTECAS MISTAS: UMA PROPOSTA DE
DISCUSSÃO E ELABORAÇÃO
INDEXING POLICY FOR MIXED LIBRARIES: A PROPOSAL FOR DISCUSSION AND
ELABORATION
Poliana Ribeiro Dourado1
Resumo: discute-se sobre a elaboração da política de indexação para bibliotecas mistas. Objetiva expor acerca da
organização da informação, com foco no tratamento temático da informação e, indexação de itens das bibliotecas
mistas, fundamentada na política de indexação. Essa explanação se justifica pelas peculiaridades que as bibliotecas
mistas apresentam, sendo então bibliotecas escolares-universitárias, portanto, necessitam de uma gestão diferenciada e
mais especificamente, tratamento informacional diferenciado. Funda-se também na escassez literária no âmbito da
ciência da informação que discuta sobre a organização da informação no interior de tais unidades, no presente caso, da
elaboração de diretrizes como a política de indexação voltada para bibliotecas mistas. Consiste em pesquisa exploratória
e bibliográfica, amparando-se em artigos de periódicos e livros que abordam sobre a temática em questão.
Resumidamente, nos resultados e discussões é exposta uma proposta de elaboração de política de indexação para
bibliotecas mistas, elencando alguns pontos a serem analisados no que diz respeito à indexação dos itens das bibliotecas
mistas. Depreende-se que a política de indexação é um documento crucial no que concerne à organização da informação
temática e, quanto à política de indexação para bibliotecas mistas, é necessário que esse documento esteja alinhado às
diferentes demandas informacionais advindas pelos variados perfis de usuários presentes nessas unidades. Observou
também a importância de se expandir a discussão sobre o referido tema, visto que foi verificado há uma ínfima
produção bibliográfica que aborde sobre a elaboração de política de indexação para bibliotecas mistas.
Palavras-chave: Organização da informação. Tratamento temático. Política de indexação. Biblioteca mista.
Abstract: we discuss the development of the indexing policy for mixed libraries. It aims to explain about the
organization of information, focusing on the thematic treatment of information and indexing of items from mixed
libraries, based on the indexing policy. This explanation is justified by the peculiarities that the mixed libraries present,
being then school-university libraries, therefore, they need a differentiated management and more specifically,
differentiated informational treatment. It is also based on the literary scarcity in the field of information science that
discusses the organization of information within such units, in the present case, the elaboration of guidelines such as the
indexing policy aimed at mixed libraries. It consists of exploratory and bibliographic research, based on articles from
journals and books that address the subject in question. Briefly, in the results and discussions is exposed a proposal for
the development of indexing policy for mixed libraries, listing some points to be analyzed regarding the indexing of
items from mixed libraries. It follows that the indexing policy is a crucial document as regards the organisation of
thematic information and as regards the indexing policy for mixed libraries, It is necessary that this document is aligned
to the different informational demands arising from the varied profiles of users present in these units. It also noted the
importance of expanding the discussion on this topic, since it was verified that there is a tiny bibliographic production
that addresses the elaboration of indexing policy for mixed libraries.
Keywords: Organization of information. Thematic treatment. Indexing policy. Mixed library

1

Graduada em Biblioteconomia pela Universidade Federal de Goiás. Mestranda no Programa de Pós-graduação Stricto
Sensu Ambiente e Sociedade pela Universidade Estadual de Goiás. Bibliotecária-documentalista no Instituto Federal
Goiano – Campus Morrinhos. Contato: poliana.dourado@ifgoiano.edu.br.

�1 INTRODUÇÃO
A indexação se configura como a seleção de termos que representam os assuntos principais
trabalhados em determinada obra. De acordo com o UNISIST (1981, p. 4) “a indexação é vista
como a ação de descrever e identificar um documento de acordo com seu assunto”. Essa descrição
deverá considerar termos adequados ao documento analisado, os quais permitirão ao usuário
identificar se um item é útil ou não para os seus questionamentos, no momento da pesquisa.
A elaboração de uma indexação eficiente demanda alguns atributos por parte do indexador,
como por exemplo: conhecimento do assunto, conhecimento das necessidades do usuário,
experiência, capacidade de compreensão da leitura (LANCASTER, 2004). Além disso, o
desenvolvimento da indexação deve ser orientado pela política de indexação, sendo este um
documento norteador à representação temática dos documentos a fim de padronizar a organização
da informação, evitando assim discrepâncias e imprecisões.
Na inexistência de uma política de indexação, é importante que a unidade de informação
trabalhe em prol de produzir o referido documento, levando em consideração o tipo de unidade, o
acervo e o público-alvo. À vista disso, as políticas se diferenciam conforme o tipo de unidade a qual
ela atenderá, ou seja, a política de indexação de uma biblioteca universitária se distinguirá da
política de uma biblioteca especializada, que se distinguirá da política de uma biblioteca escolar e,
assim sucessivamente. Mas quando estamos tratando de política de indexação para bibliotecas
mistas, isto é, bibliotecas escolares e universitárias, como deverá ser a concepção desse documento
e quais são os principais desafios enfrentados durante esse processo? Uma vez que a literatura a
qual se discute sobre o referido tema é praticamente escassa.
Dessa forma, pretende-se explanar por meio da revisão de literatura conceitos e dados
pertinentes no âmbito da organização a informação, representação temática, indexação e política de
indexação. De posse dessas bases conceituais, discute-se sobre elementos a serem analisados
durante o processo de elaboração da política de indexação para bibliotecas mistas, metodologia
utilizada, e, por fim, as considerações finais.

2. ORGANIZAÇÃO DA INFORMAÇÃO
A organização e o tratamento de informação surgiram da necessidade de facilitar o acesso e
recuperação dos conteúdos. Pesquisadores das áreas da Ciência da Informação e Documentação
desenvolveram instrumentos capazes de favorecer o adequado tratamento dos itens informacionais.

�Souza (2007) identifica quatro fatos marcantes que impulsionaram a criação de instrumentos de
classificação e desenvolvimento de métodos, além de técnicas de indexação visando a recuperação
de documentos. Essas fases são conhecidas como: caos documentário, explosão da informação,
avalanche do conhecimento e revolução tecnológica.
As mudanças tecnológicas que ocorreram durante a Segunda Grande Guerra ampliaram a
produção de informações. Por essa razão, houve a necessidade de se desenvolver métodos de
organização e recuperação da informação para atender a demanda que se manifestava. Organização
da informação pode ser caracterizada como um processo no qual envolve aplicações de métodos
que proporcionem posteriormente a recuperação do objeto informacional por parte do usuário.
Sendo assim, conforme Lima e Alvares (2012, p. 35), a organização e representação da informação
“é um processo de arranjo de acervos tradicionais e eletrônicos realizados por meio da descrição de
assunto de seus objetos informacionais”. Desse modo, a organização da informação envolve tanto a
representação descritiva, quanto a representação temática.
Com relação à evolução no campo da Ciência Informação, de acordo com Lancaster (2004),
os principais métodos de organização e recuperação de dados são as representações descritiva e
temática. A primeira diz respeito à individualização do item, enquanto que a segunda se refere à
indicação do conteúdo temático contido nos documentos.
Os principais métodos presentes na organização de informação, portanto, são a
representação descritiva e a representação temática. Dias e Naves (2007) os nomeiam como dois
grandes processos básicos no tratamento da informação, ou seja, a descrição física e a descrição
temática.
Para Dias e Naves (2007, p. 19), “o processo de descrição física compreende em primeiro
lugar, um exame do documento com o objetivo de identificar certos elementos nele constantes e que
vão servir para identificá-los”. Os elementos compreendem informações como responsabilidade
intelectual, local e data de publicação, características físicas como número de páginas, dimensão,
presença ou de ilustrações, entre outros.
As decisões a serem tomadas no processo de representação física “são geralmente tomadas
com base num código de catalogação, instrumento essencial a uma descrição física eficiente e
consistente, no caso de sistemas mais complexos”. (DIAS; NAVES, 2007, p. 19).
A representação descritiva ou descrição bibliográfica, como também é conhecida,
compreende uma das partes que integram a prática da catalogação, sendo elas a descrição
bibliográfica, pontos de acessos e dados de localização (MEY; SILVEIRA, 2009). De acordo com

�as autoras supracitadas, a representação descritiva é a parte da catalogação responsável pela
caracterização do recurso bibliográfico.
O objetivo da descrição bibliográfica é “extrair diretamente do recurso bibliográfico todas as
informações, de interesse para o usuário, que individualizam o recurso bibliográfico, tornando-o
único entre os demais” (MEY; SILVEIRA, 2009, p. 94). Ou seja, para cada item presente no acervo
da unidade de informação (UI), haverá apenas uma descrição. Como acentuam Mey e Silveira
(2009, p. 95) “a descrição bibliográfica se refere à manifestação [...]. Cada manifestação possui
apenas uma descrição e cada descrição se aplica a uma única manifestação”.
Nessa perspectiva “o tratamento descritivo cuida daqueles aspectos mais objetivos capazes
de bem identificar, extrinsecamente, um documento: autor, o título, a editora, e elementos
similares”. (DIAS; NAVES, 2007, p. 17).
É importante lembrar que a descrição bibliográfica precisa seguir a norma Internacional
Standard Bibliographic Description (ISBD). Conforme Mey e Silveira (2009), o padrão
internacional de descrição bibliográfica (ISBD) foi criado em 1969, a partir da Reunião
Internacional de Especialistas em Catalogação (RIEC), sendo as decisões da RIEC incorporadas a
todos os códigos de catalogação a partir dos anos 1970, inclusive o Código de Catalogação AngloAmericano (AACR).
A fim de padronizar a descrição bibliográfica, “a ISBD dividiu as informações denominadas
descritivas em oito áreas, que correspondem aos tipos de informação, e que abarcam os elementos
[...]” (MEY; SILVEIRA, 2009, p. 105). As oito áreas são:
Área 1: do título e da responsabilidade;
Área 2: da edição;
Área 3: dos detalhes específicos do material;
Área 4: dos dados de publicação;
Área 5: da descrição física;
Área 6: da série;
Área 7: das notas;
Área 8: do número internacional normalizado.
Em cada área descrita acima, se registram determinadas informações, as quais são
detalhadas a seguir:
Área de título e da responsabilidade para todos os tipos de materiais: onde se registram o (s)
título (s) do recurso bibliográfico, a designação geral do material e todos os responsáveis
por seu conteúdo intelectual [...]. Área de edição para todos os tipos de materiais: onde se

�registram o número e outras informações sobre a edição, ou versão do recurso eletrônico, e
os responsáveis por ela [...]. Área dos detalhes específicos do material: constitui-se de
informações específicas, é utilizada apenas para materiais cartográficos, música impressa,
publicações periódicas e recursos eletrônicos [...]. Área de publicação para todos os tipos
de materiais: onde se registram o local de publicação, o editor e a data de publicação, assim
como outras informações complementares [...]. Área de descrição física para todos os tipos
de materiais onde se registram a extensão do item e outras informações de caráter físico
[...]. Área de série para todos os tipos de materiais: onde se registram o título da série, seu
ISSN e o número do recurso da série, assim como outras informações complementares [...].
Área de notas para todos os tipos de materiais, onde se registram todas as informações de
interesse que não têm lugar específico nas demais áreas, inclusive as relações entre obras,
expressões, manifestações e itens. Área de número normalizado: onde se registram o ISBN
e todas as formas de aquisição; o ISMN, relativo à música impressa (partituras, partes e
outras); e o ISSN, para periódicos e séries considerados no todo [...]. (MEY; SILVEIRA,
2009, p. 109).

Após a síntese do que se trata a representação descritiva ou descrição bibliográfica, discorrese sobre a representação temática, a qual está presente na categoria pontos de acesso, que é uma das
partes que abrangem a prática da catalogação, citada acima. Podem-se definir pontos de acesso
como “um nome, termo, título ou expressão, pelo qual o usuário pode procurar e encontrar, ou
acessar, a representação bibliográfica de um recurso, ou o próprio recurso eletrônico de acesso
remoto” (MEY; SILVEIRA, 2009, p. 145). Isto é, será por esses meios que o usuário, ao acessar o
catálogo da UI, encontrará o item de que necessita.
A respeito dos pontos acessos, aprofunda-se nos de assuntos, que são os meios pelos quais o
usuário pode encontrar a representação bibliográfica de que precisa, amparando-se na sua
representação temática ou indexação.
A indexação de determinado recurso, presente em uma UI, demandará do bibliotecário
conhecimento prévio sobre as demandas dos usuários. Como salienta Lancaster (2004, p. 9), “a
mesma publicação será indexada de modo bastante diferente em diferentes centros de informação, e
deve ser indexado de modo diferente, se os grupos de usuários estiverem interessados no
documento por diferentes razões”. Isto é, o tipo de UI e os perfis de usuários serão os fatores que
estipularão o grau de indexação. Como ressaltam Mey e Silveira (2009, p. 162), “apenas
conhecendo seus usuários pode o catalogador determinar o nível ótimo de indexação”.
Dessa forma, a fim de explicitar melhor a dimensão temática da organização da informação,
com foco na organização da informação temática e política de indexação, discorre-se nas seções

�seguintes sobre os referidos temas em suas particularidades e, também, sobre o processo de
elaboração da política de indexação no contexto das bibliotecas mistas.

2.1 REPRESENTAÇÃO TEMÁTICA
A dimensão temática da organização da informação pode ser caracterizada como
representação, descrição ou tratamento temático. Inclui processos que visam atribuir e representar o
documento conforme o assunto tratado.
Diferente da representação descritiva, a qual é mais objetiva, a representação temática possui
“uma forte carga subjetiva, pois [...] visa caracterizar o documento do ponto de vista do seu
assunto” (DIAS; NEVES, 2007, p. 17). Portanto, ainda que se baseando no mesmo método, a leitura
técnica do documento, a representação temática tem como objetivo: “identificar o assunto ou os
assuntos do documento”.
Segundo Lancaster (2004), a indicação e representação do conteúdo ocorrem por meio da
indexação de assuntos e redação de resumos. O resumidor redige uma descrição narrativa ou síntese
do documento e o indexador descreve seu conteúdo ao empregar um ou vários termos de indexação,
comumente relacionados a partir de algum de vocabulário controlado. Posto isso, objetiva-se
discutir na próxima seção acerca da política de indexação, como também sobre os elementos
cruciais relativos ao documento em questão.

2.2 POLÍTICA DE INDEXAÇÃO
A indexação se constitui como um dos processos da representação temática de um item.
Segundo as autoras Oliveira, L.R. de e Oliveira, L. P de (2018) a indexação, no que diz respeito à
representação de assunto em uma unidade de informação, é um dos papeis mais relevantes. Nesse
sentindo, para Robredo e Cunha (1986, p. 26) “a indexação é um processo pelo qual se identificam os
conceitos de que trata o documento, expressando-o na terminologia usada pelo autor ou com o apoio
de vocábulos ou termos de significação unívoca.”. Os termos utilizados na indexação precisam ser
exatos, ou seja, que não haja abertura para interpretações ambíguas e que façam parte da linguagem
utilizada pelos usuários da UI.
Em consonância com Cardoso Filho e Santos (2012, p. 186) “indexação é organizar a
informação, significa traduzir o que está no documento para uma linguagem acessível e
padronizada, facilitando a busca e recuperação pelo usuário que dela necessita”. Ou seja, todo o

�processo que envolve a atividade de indexação tem como finalidade a recuperação por parte do
usuário, por isso é crucial que a linguagem adotada seja equivalente à utilizada pelo usuário.
Vista na perspectiva da catalogação de assunto e também enquanto processo técnico próprio
da dimensão temática, a indexação tem sua importância marcada pelo vínculo com a recuperação da
informação. Sendo assim, “a eficiente indexação de assuntos precisa levar em conta o usuário final.
O mesmo documento pode ser indexado de maneiras diferentes, de acordo com o público ao qual se
destina”. (CARDOSO FILHO; SANTOS, 2012, p. 188).
Sobre processos que envolvem a indexação, a partir da visão de Lancaster (2004), o mesmo
aponta duas etapas principais da indexação de assuntos. Sendo elas:
a) Análise conceitual;
b) Tradução.
A primeira etapa “[...] implica decidir do que trata o documento, isto é, qual o seu assunto”
(LANCASTER, 2004, p. 9). O fato de a indexação ser bastante subjetiva, por se tratar se uma
atividade que normalmente é realizada por seres humanos, faz com que determinada obra possa ser
indexada de diferentes formas. Portanto, nessa primeira parte da indexação, é indispensável que o
indexador possua aptidões no que se refere à apreciação do real assunto abordado no item analisado,
tendo em vista sempre o interesse do usuário.
Já a “tradução, segunda etapa de indexação de assuntos, envolve a conversão da análise
conceitual de um documento num determinado conjunto de termos de indexação” (LANCASTER,
2004, p. 18). Sobre essa etapa, Lancaster (2004) apresenta uma distinção que é a indexação por
extração e a indexação por atribuição.
A indexação por extração (derivativa) é a escolha de termos que realmente estão presentes
no documento indexado, já a indexação por atribuição são termos escolhidos, os quais partem de
fontes exteriores ao documento indexado (LANCASTER, 2004). Ou seja, o bibliotecário vai utilizar
de seus conhecimentos subjetivos ou de outros documentos para indexar determinado item,
conforme suas características e assuntos abordados.
Dependendo da necessidade, o bibliotecário pode optar pelo uso dos dois tipos de indexação
(derivativa e atributiva), para representar certo tipo de documento. Lancaster (2004) nos chama a
atenção quando se decide fazer uma indexação por atribuição, que é fazer o uso de um vocabulário
controlado. “Um vocabulário controlado é essencialmente uma lista de termos autorizados. Em
geral, o indexador só pode atribuir a um documento termos que constem da lista pela instituição
para a qual trabalha” (LANCASTER, 2004, p. 19).

�Os critérios estabelecidos pelo bibliotecário, para a formulação da indexação, definirão
também o nível de exaustividade, o qual pode ser exaustivo ou seletivo, o nível de especificidade,
sendo alto ou baixo e também, as formas de recuperação da informação, podendo gerar revocação
ou precisão.
Quanto à exaustividade, (RUBI, 2009, p. 85) define como o
Número de termos atribuídos como descritores do assunto do documento, ou seja, em que
medida todos os assuntos discutidos no documento são reconhecidos durante a indexação e
traduzidos na linguagem documentária da biblioteca.

Dependendo da quantidade de termos atribuídos, a exaustividade pode ser exaustiva ou
seletiva. Mais termos empregados, mais exaustiva; menos termos empregados; mais seletiva. Dessa
forma, a indexação exaustiva “é indicada, por exemplo, em bibliotecas de público variado e de
diferentes perfis, que podem buscar a informação com termos diferentes” (RUBI, 2009, p. 85).
Em relação à especificidade, esta diz respeito “ao nível de abrangência que a biblioteca e a
linguagem documentária permitem especificar os conceitos identificados nos documentos”. (RUBI,
2009, p. 85). Para uma melhor compreensão, segue um exemplo: “um livro cujo assunto seja
especificamente sobre “tilápias”, será indexado sob o assunto “peixes””. (RUBI, 2009, p. 85). Ou
seja, o bibliotecário atribuiu um termo mais amplo para representar o livro. Essa especificidade é
baixa, o que gera a revocação.
Nas palavras de Rubi (2009, p. 85),
A capacidade de revocação diz respeito ao número de documentos recuperados e pode ser
mensurada por meio da relação entre os números de documentos relevantes sobre
determinado tema, recuperados pelo sistema de busca e o número total de documentos
sobre o tema, existentes no registro do sistema.

Todos esses elementos aqui descritos devem estar previstos na política de indexação da UI,
pois assim, haverá uniformidade na catalogação dos assuntos. A política é um manual cuja
finalidade é conduzir a indexação. Segundo Fujita (2012, p. 17):
A política de indexação não deve ser vista como uma lista de procedimentos a serem
seguidos, e sim um conjunto de decisões que esclareçam os interesses e objetivos de um
sistema de informação e, particularmente, do sistema de recuperação da informação. A
política decide não só sobre a consistência dos procedimentos de indexação em relação aos
efeitos que se necessita obter na recuperação, mas, principalmente, sobre a delimitação de
cobertura temática em níveis qualitativos e quantitativos tendo em vista os domínios de
assuntos e as demandas dos usuários.

Sobre as demandas dos usuários, no domínio das bibliotecas mistas, sobre as quais será
discutido no próximo tópico, há diferentes perfis de usuários, portanto, diferentes demandas
informacionais. Por conseguinte, como deverá ser elaborada a política de indexação de uma UI, a
qual possui perfis de usuários heterogêneos?

�3. BIBLIOTECAS MISTAS
Recentes no contexto da Ciência da Informação, as bibliotecas mistas surgem como
respostas às demandas de adaptação e visão de negócio das instituições de ensino. (LANGEM;
MUSSARELI; CARLOS (2020). Nesse sentido, “a biblioteca mista é uma união da biblioteca
escolar e da universitária, tendo como público os alunos de educação infantil, ensinos fundamental,
médio e superior, docentes e funcionários da instituição”. (MATTOS; PINHEIRO, 2006, p. 4). Isto
é, são as bibliotecas intituladas bibliotecas escolares-universitárias.
Enquanto que o papel da biblioteca escolar é facilitar o processo de ensino e aprendizagem,
servindo como apoio ao trabalho do professor e de coordenação educacional para o
desenvolvimento curricular (ROCA, 2012) e, o papel da biblioteca universitária “explicita seus
objetivos em consonância com as realizações inerentes à Universidade e de suas unidades de
ensino/pesquisa/extensão” (MACEDO; DIAS, 1992, p. 42), a biblioteca mista e/ou biblioteca
escolar-universitária compreende todos os objetivos previstos na bibliotecas escolar e universitária.
Portanto, a biblioteca mista precisa ser gerida de maneira diferente quando comparada aos
outros tipos de unidades de informação. Mattos e Pinheiro (2006, p. 175) elencam algumas
particularidades que devem ser consideradas no que diz respeito às bibliotecas mistas:
Com relação à sua estrutura física, o que se percebe é que normalmente a biblioteca atende
ao público escolar e ao universitário em um mesmo ambiente físico, o que torna necessário
o planejamento de espaços separados para cada perfil. [...]. Quanto ao acervo, deve-se
atender às necessidades informacionais baseando-se, principalmente, nas propostas
pedagógicas de cada nível de ensino: de acordo com os planos de ensinos, a biblioteca deve
ser composta de um acervo rico em obras de referência, material didático e literatura
infanto-juvenil, além de material paradidático, mapas e multi-meios para atender ao ensino
fundamental. [...]. Já na formação do acervo de nível superior deve-se atentar,
principalmente, ao material sugerido como bibliografia básica nos planos de ensino de cada
curso, levando-se em conta a quantidade necessária para satisfazer à demanda de alunos.
[...]. O pessoal da biblioteca deve estar habilitado para atender desde crianças até adultos, e
ter treinamentos para agir de forma rápida e com qualidade. [...]. (MATTOS; PINHEIRO,
2006, p. 175).

Além desses fatores citados anteriormente, os quais deverão ser considerados no que
concerne às bibliotecas mistas, é crucial que o tratamento técnico do acervo também se adeque aos
diversos perfis de usuários atendidos pela UI. No âmbito do tratamento temático, ele deverá ser
guiado pela política de indexação, que deverá ser elaborada conforme as diferentes demandas
esperadas pelos usuários das bibliotecas mistas. Logo, discutiremos sobre a concepção desse
documento no contexto das bibliotecas mistas.

�4. PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
A pesquisa se sustenta na utilização de métodos científicos que, conceituados por Lakatos e
Marconi (2003), formam o conjunto de atividades sistemáticas e racionais, as quais com mais
segurança e economia, permitem alcançar o objetivo. Nesse sentido, o estudo se delimita no âmbito
da pesquisa bibliográfica e exploratória.
A pesquisa bibliográfica “procura explicar o problema a partir de referências teóricas
publicadas em artigos, livros, dissertações e teses”. (CERVO; BERVIAN; DA SILVA, 2007, p. 61).
Portanto, a pesquisa bibliográfica se mostra como essencial no que concerne à fundamentação
teórica no âmbito dos estudos já realizados e em andamento sobre o desenvolvimento política de
indexação para bibliotecas mistas.
A priori, para a pesquisa bibliográfica, foram utilizados livros e, também artigos científicos
publicados em diversos periódicos na área da Ciência da Informação, sem que houvesse recorte
temporal e delimitação de termos na estratégia de busca. A pesquisa bibliográfica foi crucial no que
diz respeito à explanação de conceitos, os quais são pertinentes para melhor compreensão do tema
em questão.
Relativa à pesquisa exploratória, que é definida por Cervo, Bervian e Da Silva (2007, p. 63)
como “o passo inicial no processo de pesquisa pela experiência e um auxílio que traz a formulação
de hipóteses significativas para posteriores pesquisas”, é também aplicada no presente estudo, uma
vez que, há apresentação de pontos a serem analisados no processo de elaboração de uma política
de indexação para bibliotecas mistas, fundamentados em experiência.
Para os referidos autores, a pesquisa exploratória é recomendada quando há pouco
conhecimento sobre o problema a ser estudado. (CERVO; BERVIAN; DA SILVA, 2007). À vista
disso, faz sentindo enquadrar a temática aqui trabalhada no contexto da pesquisa exploratória,
também, pois há poucos estudos abordando sobre a produção de política de indexação para
bibliotecas mistas.

5. RESULTADOS E DISCUSSÕES
Trata-se de uma proposta de discussão acerca da elaboração da política de indexação para
bibliotecas mistas. Essa proposição foi elaborada com base nas experiências profissionais da autora,
a qual atua como bibliotecária em uma biblioteca mista, além de ser presidente da Comissão de
Desenvolvimento e Tratamento Técnico e, que atualmente, conduz o desenvolvimento da Política
de Indexação do Sistema Integrado de Bibliotecas do IF Goiano. Além disso, foram realizadas

�consultas em demais propostas de produção de política de indexação para bibliotecas mistas, em
que se destacou o trabalho intitulado “Proposta de implantação de uma Política de Indexação no
IFCE Campus Crato”, publicado na Folha de Rosto – Revista de Biblioteconomia e Ciência da
Informação. O referido trabalho foi também utilizado como base pelo fato de se assemelhar à
seguinte proposta de discussão.
Posto isso, durante o processo de elaboração da política de indexação para bibliotecas
mistas, o primeiro fator a ser considerado é o estudo de usuários, pois ele será capaz de avaliar a
competência informacional de cada indivíduo e aferir a necessidade informacional de cada um. Em
consonância com Figueiredo (1994, p.7):
Os estudos de usuários são investigações que se fazem para saber o que os indivíduos
precisam em matéria de informação, ou então, para saber se as necessidades de informação
por parte dos usuários de uma biblioteca ou de um centro de informação estão sendo
satisfeitas de maneira adequada. Através destes estudos verifica-se por que, como, e para
quais fins os indivíduos usam a informação e quais os fatores que afetam o tal uso.

Portanto, torna-se imprescindível o estudo de usuário durante a concepção da política, pois
assim, os perfis de usuários e suas demandas estarão traçados, favorecendo uma organização da
informação temática alinhada às exigências informacionais dos usuários da biblioteca.
Sobre os elementos que devem constar na política de indexação, é importante que sejam
elaborados conforme a diversidade de usuários presentes numa biblioteca mista. De acordo com
Fujita et al (2016, p. 44),
Os elementos da política de indexação determinam os objetivos da indexação e determinam
a recuperação da informação. Os elementos que direcionam a política de indexação são:
cobertura temática, seleção e tipos de documentos, público alvo, indexador, concordância,
exaustividade, especificidade, correção, consistência e sistema de busca e recuperação por
assuntos.

A seguir, uma proposta de algumas questões a serem avaliadas em determinados elementos
contemplados pela política de indexação, no contexto das bibliotecas mistas.
Cobertura temática: importante que o bibliotecário indexador de uma unidade de informação
mista tenha conhecimento de quais áreas do conhecimento o acervo da biblioteca abarca.
Considerando, por exemplo, a presença de títulos voltados para os usuários do ensino superior e,
títulos voltados aos usuários do ensino fundamental/médio.
Público-alvo: é crucial que a política defina bem o seu público-alvo. Em relação às bibliotecas
mistas, é importante caracterizar bem os diferentes grupos de usuário da UI, ou seja, os grupos de
usuários do ensino fundamental, médio e superior.

�Exaustividade: segundo Fujita et al (2016, p. 48), “refere-se ao número de conceitos representados
pelos termos atribuídos a um documento pelo indexador [...]”. Portanto, relativo à indexação dos
itens das bibliotecas mistas, recomenda-se utilizar menos termos no acervo voltado para os alunos
da graduação e pós-graduação e, mais termos para o acervo voltado para os alunos do ensino
fundamental e médio.
Especificidade: provável que seja interessante adotar o nível de especificidade de acordo com
acervo voltado para os diferentes grupos de usuários, por exemplo:
Acervo voltado para usuários da graduação e pós-graduação: especificidade média e/ou alta
Acervo voltado para usuário de ensino médio e fundamental: especificidade baixa.
Concernente ao sistema de busca e recuperação por assunto, é crucial a avaliação da
recuperação de assuntos, para “comparar os índices de precisão e exaustividade na recuperação da
informação com amostra de livros indexados”. Importante avaliar os itens informacionais de acordo
com as diretrizes estabelecidas para os diferentes grupos de usuários.
Os autores Nunes et al (2017) apresentam em sua proposta de implantação de política de
indexação no Instituto Federal do Ceará – Campus Crato os seguintes padrões a serem adotados
durante o processo de indexação, de acordo com os diferentes grupos de usuários atendimentos pela
aludida unidade:
Quadro 1) Padrões a serem adotados para a nova política de indexação do IFCE
Padrões relacionados
ao:

Capacidade de
revocação e precisão
Nível de
especificidade
(Número de termos
recomendado)
Nível de exaustividade
(Número de termos
recomendado)
Formação do
indexador

Acervo dos cursos de
graduação (Zootecnia
e Sistemas de
Informação)
Resultados mais
precisos (menor
número de resultados)
Atribuição de 3 termos

Acervo dos cursos
técnicos
(agropecuária e
informática)
Resultados mais
precisos (menor
número de resultados)
Atribuição de 1 termo

Atribuição de 2 termos

Atribuição de 4 termos

Atribuição de 5 termos

Conhecimentos
específicos das áreas
de Zootecnia e Sistema
de Informação

Conhecimentos dos
jargões técnicos em
agropecuária e
informática

Conhecimentos gerais

Fonte: Elaborado com base em Nunes et al (2017).

Acervo do Ensino
Médio

Alta revocação (maior
números de resultados)
Atribuição de 1 termo

�Fundamentando-se nos padrões estabelecidos pelas unidades de informação do IFCE, é
possível também elaborar e ampliar a discussão a respeito das políticas de indexação para
bibliotecas mistas, para que estas sejam capazes de otimizar e tornar consistente o seu tratamento
temático, para que assim, todos usuários sejam atendidos conforme as suas diferentes demandas e
letramento informacional.

6. CONSIDERAÇÕES FINAIS
Como documento norteado na tomada de decisão, a política de indexação é crucial no que
diz respeito ao tratamento temático dos itens das unidades de informação. Cada política deve se
adequar ao tipo de unidade e público-alvo que ela atenderá. Se tratando de política de indexação
para bibliotecas mistas, é importante se atentar às peculiaridades dessas unidades, já que elas
atendem demandas advindas de diferentes perfis de usuários e, que também, possuem um acervo
diverso, com a presença, por exemplo, de títulos infanto-juvenis e ao mesmo tempo, títulos
especializados.
Desse modo, o processo de elaboração da política de indexação para bibliotecas mistas
acaba se tornando mais complexo. Além das características particulares que as bibliotecas mistas
possuem e, que foram citadas ao longo desse trabalho, há a escassa produção literária sobre o
desenvolvimento de política de indexação para bibliotecas mistas e, que poderia ser utilizada como
base para a produção desses documentos por parte dos bibliotecários e gestores dessas unidades.
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UNESP: da elaboração à proposta. In: Política de indexação para bibliotecas: elaboração,
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                <text>Tema: Biblioteca universitária: tradição, práticas e inovações</text>
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                <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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              <text>Dourado, Poliana Ribeiro </text>
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          <description>The nature or genre of the resource</description>
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              <text>Discute-se sobre a elaboração da política de indexação para bibliotecas mistas. Objetiva expor acerca da organização da informação, com foco no tratamento temático da informação e, indexação de itens das bibliotecas mistas,  fundamentada na política de indexação. Essa explanação se justifica pelas peculiaridades que as bibliotecas mistas apresentam, sendo então bibliotecas escolares-universitárias, portanto, necessitam de uma gestão diferenciada e mais especificamente, tratamento informacional diferenciado. Funda-se também na escassez literária no âmbito da ciência da informação que discuta sobre a organização da informação no interior de tais unidades, no presente caso, da elaboração de diretrizes como a política de indexação voltada para bibliotecas mistas. Consiste em pesquisa exploratória e bibliográfica, amparando-se em artigos de periódicos e livros que abordam sobre a temática em questão. Resumidamente, nos resultados e discussões é exposta uma proposta de elaboração de política de indexação para bibliotecas mistas, elencando alguns pontos a serem analisados no que diz respeito à indexação dos itens das bibliotecas mistas. Depreende-se que a política de indexação é um documento crucial no que concerne à organização da informação temática e, quanto à política de indexação para bibliotecas mistas, é necessário que esse documento esteja alinhado às diferentes demandas informacionais advindas pelos variados perfis de usuários presentes nessas unidades. Observou também a importância de se expandir a discussão sobre o referido tema, visto que foi verificado há uma ínfima produção bibliográfica que aborde sobre a elaboração de política de indexação para bibliotecas mistas.</text>
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