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                  <text>Eixo 2: Práticas

GESTÃO DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS INCLUSIVAS LUDOVICENSES
MANAGEMENT OF INCLUSIVE LUDOVICIAN UNIVERSITY LIBRARIES
Isabel Diniz 1
Raimunda Ribeiro2
Isabela Nascimento3
Rafaella Barcelos4
Vanessa Rodrigues5
Resumo: Objetiva-se avaliar a gestão das bibliotecas universitárias inclusivas ludovicenses, com ênfase no planejamento
orçamentário, nas barreiras de comunicação interpessoal, virtual, nas tecnologias assistivas e na infraestrutura. Com base
no objetivo traçado, adotou-se como metodologia a pesquisa bibliográfica e descritiva com abordagem qualitativa, tendo
como técnica de estudo a análise de conteúdo com base em Bardin, a partir dos discursos emanados pelas gestoras dos
sistemas de bibliotecas universitárias ludovicenses. Tem-se como resultados, a partir das análises realizadas das
entrevistas, que as inquiridas destacam as parcerias realizadas com os núcleos de acessibilidades, e o núcleo acadêmico
discente e docente, para conhecer as necessidades informacionais dos usuários com deficiência para o desenvolvimento
dos seus percursos acadêmicos. Conclui-se que apesar da infraestrutura ainda não ser a mais adequada, assim como o
quantitativo de profissionais necessários ao atendimento dos estudantes com deficiência, é notório o empenho das
bibliotecárias gestoras em buscar parcerias para biblioteca, assim como a IES que já possui em seu planejamento
estratégico ações voltadas para a inclusão e acessibilidade no contexto das IES, cenários desta investigação.
Palavras-chave: Bibliotecas universitárias inclusivas. Gestão. Acessibilidade. Inclusão. Usuários com deficiência.
Abstract: The objective is to evaluate the management of inclusive university libraries in Ludovico, with an emphasis
on budget planning, interpersonal and virtual communication barriers, assistive technologies and infrastructure. Based on
the outlined objective, bibliographic and descriptive research with a qualitative approach was adopted as a methodology,
with the study technique being content analysis based on Bardin, from the speeches emanated by the managers of the
Ludovician university library systems. As a result, from the analysis of the interviews, the respondents highlight the
partnerships made with the accessibility centers, and the academic student and teacher core, to know the informational
needs of users with disabilities for the development of their paths. academics. It is concluded that although the
infrastructure is not yet the most adequate, as well as the number of professionals needed to serve students with
disabilities, the commitment of managing librarians to seek library partnerships is notorious, as well as the HEI that
already has in its strategic planning actions aimed at inclusion and accessibility in the context of HEIs, scenarios of this
investigation.
Keywords: Inclusive university libraries. Management. Accessibility. Inclusion. Disabled users.

1

Doutora em Multimédia em Educação, Universidade Federal do Maranhão, isabel.diniz@ufma.br
Doutora em Multimédia em Educação, Universidade Federal do Maranhão, raimunda.ribeiro@ufma.br
3
Graduanda do Curso de Biblioteconomia da Universidade Federal do Maranhão, isabela.silva@discente.ufma.br
4
Graduanda do Curso de de Biblioteconomia, Universidade Federal do Maranhão, rafaella.barcelos@discente.ufma.br
5
Graduanda do Curso de de Biblioteconomia, Universidade Federal do Maranhão, vanessa.janiele@discente.ufma.br
2

�1 INTRODUÇÃO
As bibliotecas desenvolvem-se de forma planejada e sempre em crescimento focadas em
beneficiar seus usuários e gerindo a realização de atividades culturais e disseminação da informação,
abrangendo quantidades significativas de integração, colaborativas e de inclusão, por meio de um
gestor as medidas diagnósticas e planejadas de forma estratégica, para a organização de o todo
conhecimento, tornando-se assim um espaço acessível e inclusivo.
Com base nessa fundamentação, de que é importante analisar os profissionais que atuam nas
bibliotecas universitárias, é de grande relevância explorar também o planejamento que é proposto
para essas unidades de informação através do trabalho de seus gestores, para melhorar seus produtos
e serviços na tentativa de oferecê-los a seus usuários.
Assim, alguns aspectos que devem ser levados em consideração, são as funções realizadas
pelos profissionais dentro das bibliotecas universitárias, onde seus desafios vão além apenas de
desempenhar funções técnicas, como indexação, catalogação entre outras, à vista disso, dentro das
organizações no que se refere a gestão de Bibliotecas Universitárias, Maia e Santos (2015) destacam
os processos de avaliação, que são necessários e importantes dentro das bibliotecas , porque através
dos instrumentos de avaliação que geralmente são realizados pelo Ministério da Educação (MEC),
tais resultados demonstram algumas falhas que a estrutura organizacional apresenta, em sua
infraestrutura, em seu acervo e também no local em que a biblioteca está inserida.
Diante desse contexto, evidenciou-se a necessidade de avaliar a gestão das bibliotecas
universitárias inclusivas ludovicenses, com ênfase no planejamento orçamentário, nas barreiras de
comunicação interpessoal, virtual, nas tecnologias assistivas e na infraestrutura. Para tanto, o recorte
desta investigação integra os estudos desenvolvidos no âmbito do projeto de pesquisa em curso,
intitulado: “Comportamento infocomunicacional dos estudantes com deficiência no ensino superior
ludovicense: UFMA, UEMA, IFMA e UNICEUMA.”
Sendo assim, este artigo encontra-se estruturado, da seguinte forma: apresenta uma
introdução, que destaca o objetivo e justifica a relevância do estudo em tela, o referencial teórico que
contempla os principais conceitos e as teorias trabalhadas nas questões voltadas para a gestão de
bibliotecas inclusivas e o papel do bibliotecário gestor no enfrentamento das boas práticas inclusivas.
Contempla ainda a metodologia utilizada, os resultados apresentados e analisados, e as conclusões
tomando como parâmetros os objetivos traçados e os resultados apresentados.

�2 GESTÃO NAS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS
As bibliotecas sempre foram organismos vivos, abrangendo quantidades significativas de
informações em diversos formatos, e para organizar todo conhecimento que nelas habitam, o
bibliotecário é uma figura de extrema importância para gerenciá-las, tornando assim futuramente um
espaço acessível e inclusivo para todos.
Com base na fundamentação, de que é importante analisar os profissionais que atuam nas
bibliotecas universitárias, é de grande relevância explorar também o planejamento que é proposto
para essas unidades de informação através do trabalho de seus gestores, para melhorar seus produtos
e serviços na tentativa de oferecê-los a seus usuários.
Posto isto, a gestão nesses ambientes se torna algo imprescindível, como enfatiza Moraes e
Teles (2013) que devem existir as atividades de planejamento, organização para dirigir e desenvolver
inúmeras tarefas, sendo fundamental o gestor possuir uma equipe bem capacitada para desempenhar
e buscar cumprir as finalidades que foram elencadas sendo frutos de seus planejamentos
organizacionais.
Portanto, a biblioteca tende a fazer seu gerenciamento de acordo com algumas particularidades
existentes dentro de suas construções institucionais, de acordo com a sua missão, visão e objetivos,
esforçando-se assim para cumprimento de todos. De acordo com Moraes e Teles, (2013):
O gestor necessita de habilidades e competências para que sua atuação possa atender as
necessidades de usuários e não ferir interesses político-administrativos, ratificando a
afirmação em que os objetivos e metas a serem atingidos devem englobar não só aos inerentes
ao setor, mas a instituição a qual pertence como um todo. (MORAIS; TELES, 2013, p. 36.).

Assim, conhecer as necessidades que a unidade de’ informação apresenta, é um processo que
requer bastante dedicação para a construção de um ambiente favorável, para qualquer tipo de usuário
que venha a usufruir de seus serviços, destacando a questão acerca do conhecimento sobre a
instituição que está inserida e sob quais diretrizes foram construídos seus objetivos, como no caso das
instituições de possuem sistemas de bibliotecas, estas por sua vez, deve atentar-se às políticas das
instituições em que estão subordinadas.
Outra questão que deve ser destacada é a necessidade de conhecer também a formação e
atualização do seu acervo, para analisar se há materiais disponíveis para todos. Deste modo, para
adentrar nas questões de inclusão, o gestor deve compreender de que forma pode ajudar nas melhorias
para incluir materiais acessíveis na composição de seu acervo, então é válido a afirmação acima do
conhecimento de instrumentos de avaliação para atender seus usuários com deficiência.

�Em função disso, complementar as necessidades dos usuários é algo ainda bastante crítico,
como acentua Maia e Santos (2015), pois, elencam algumas categorias em seus trabalhos e destacam
a questão orçamentária para análise, e pontuam que as Instituições de Ensino Superior (IES) têm
grande déficit na aquisição de acervos e materiais informacionais. Como salienta Nicoletti (2010)
“Considerando que as bibliotecas são instituições sem fins lucrativos, geralmente com orçamento
destinado apenas à aquisição de material bibliográfico, o investimento em acessibilidade não se
apresenta como prioridade”. Assim, é visível que grande parte das instituições não possuem acervos
para todos seus usuários, o que por consequente acaba prejudicando também as minorias daqueles
que a frequentam.
Dentro da estrutura de uma biblioteca, a busca por melhorias devem ser constantes e colocadas
em prática assim que possível, no caso dos Sistema e Redes de Bibliotecas Universitárias, é
interessante como aponta Moraes e Teles (2013), que há sempre muitas intervenções tanto internas
quanto externas e que a figura de um colaborador para gerenciar melhorias para esses espaços
informacionais é indispensável, requerendo assim uma ação de liderança para suprir as necessidades
das instituições em que trabalham.
Em vista disso, o gestor deve assumir uma postura administrativa, na qual seus atributos
devem ser compatíveis para a realização de ações que sejam voltadas para a resolução de problemas,
tendo em vista principalmente as questões trabalhadas neste artigo em relação às insuficiências
encontradas nas indagações acerca da acessibilidade. O responsável por gerir a biblioteca deve
compreender como adequá-la a uma parte de seus usuários, que se tratam por exemplo de pessoas
com deficiência (PcD), na busca pela inclusão desses sujeitos enquanto estudantes de uma
determinada IES, para Alves et.al (2001, p.34):
A universidade é um espaço privilegiado para que ocorra o processo de
construção da acessibilidade, pois envolve a formação de distintas categorias
de profissionais, e, além disso, as condições de acessibilidade que adota
possuem um efeito multiplicador, pois funcionam como um modelo para
várias outras instituições de ensino superior.

Portanto, como apontado por Alves, é necessário o preenchimento de todos os profissionais
envolvidos na gestão da biblioteca, como descreve Ribeiro (2016, p.6) “todos os recursos humanos
envolvidos no processo precisam planejar e executar suas atividades com o objetivo de transformar

�as bibliotecas em que trabalham em locais acessíveis." Então essas tarefas devem ser vistas como
algo rotineiro dentro da organização, dessa forma, a inclusão começa a acontecer.
As bibliotecas universitárias são subordinadas às suas respectivas instituições de ensino
superior em evidência as universidades federais, que estão estruturadas por meio de uma organização
física e estrutural que partem de níveis básicos até superiores onde recebem apoio
financeiro, compartilham dos mesmos objetivos, padrões, valores culturais e dificuldades em realizar
os planejamentos propostos, assumem o compromisso compartilhado, formar indivíduos para a
sociedade com qualidade, eficiência e visão de mundo mais humano e colaborativo.
Pupo e Santos (2001, não paginado) ressaltam que:
A biblioteca universitária, enquanto agente mediador entre o conhecimento
gerado e o usuário, na utilização de reciclagem dessas informações, tem o
compromisso de democratizar seus espaços, facilitando o acesso de qualquer
usuário, sem segregação ou discriminação, pois o direito à informação é a
cidadania em exercício pleno.

Por meio das Universidades as bibliotecas universitárias podem desenvolver um trabalho de
sensibilização e formação de usuários, como provedoras de acesso informacional em diversos
suportes e espaços. São responsáveis também por desenvolver práticas e estratégias integrativas para
o melhoramento das suas comunidades universitárias. Desse modo, ao observamos as mudanças
trazidas pelo uso de novas tecnologias, também é necessário fazer delas aliadas para a diversidade de
cada aluno e suas características próprias, apresentando um olhar mais humano, moderno e holístico
para às bibliotecas universitárias conseguirem resolver o desafio de prestar atendimento dentro do
princípio de acessibilidade, oferecendo ambientes acessíveis, eliminando barreiras físicas, atitudinais
e informacionais, e facilitando o acesso à informação em suportes e meios a todos os discentes. Nesse
sentido, as modernizações devem acompanhar os planejamentos.
Numa perspectiva mais holística e trabalhando a colaboração, a acessibilidade não pode ser
vista como um planejamento externo ou um projeto distante a realidade que precisa ser implementa
somente por um cumprimento legal, uma obrigação, deve ser vista como um parâmetro de qualidade
para ambos os envolvidos que visa primordialmente a excelência e qualidade no seu papel social,
sensibilização para deveres e práticas mais inclusivas bem estruturadas, e valorizando os mais
diversos perfis de usuários. Vale ressaltar que as ações inclusivas não se concluem sozinhas muito

�menos são finitas, pois cada novo aluno com deficiência que chega à biblioteca apresenta uma
demanda específica que deve ser atendida. Assim, o desafio de garantir a cada um o direito de usufruir
do conhecimento se apresenta como um processo contínuo e em constante mudanças. De acordo com
Zainko (2010, p. 116),
É fundamental que a “nova” universidade tenha como compromisso fazer com que a
educação superior, tendo a pesquisa como seu princípio educativo, seja parte
integrante e ativa do desenvolvimento cultural, socioeconômico e ecologicamente
sustentável das pessoas, das comunidades e das nações.

Faceira (2004, p. 16) salienta que
Pensar o ProUni como política de inclusão social é ressaltar o significado dessa
categoria teórica (“inclusão social”) como sinônimo do resgate da cidadania, da
plenitude dos direitos sociais, da participação social e política dos indivíduos
(cidadãos) em todos os aspectos da sociedade. Isto é, a inclusão social é caracterizada
pelo exercício da cidadania plena ou emancipatória, pela participação social, política
e cultural, além do acesso aos direitos básicos. Nesse sentido, a efetivação de uma
política pública voltada à inclusão social no ensino superior implica a garantia do
acesso e permanência do aluno, a equidade de oportunidades e efetivação da
democratização do espaço escolar.

Assim, o slogan Universidade para Todos é incerto, visto que não privilegia a universalização
do acesso. As ações e os gastos públicos direcionam-se a grupos específicos e transferir a educação
para o setor privado configura a omissão do Estado. O Programa INCLUIR, lançado pelo Ministério
da Educação (MEC) no ano de 2005, sob a responsabilidade da Secretaria de Educação Especial
(SEESP) e da Secretaria de Educação Superior (SESu), convoca as instituições federais de ensino
superior (IFES) para trabalharem com propostas de criação, reestruturação e consolidação de núcleos
de acessibilidade na instituição, a fim de que a acessibilidade esteja implantada em todos os ambientes
das IFES.
Souza (2010) salienta que o INCLUIR é a única iniciativa governamental estruturada voltada
ao atendimento dos alunos com deficiência, financiando ações nas IFES. Seu principal objetivo é
fomentar a criação e a consolidação de núcleos de acessibilidades nas IFES que respondam pela
organização de ações institucionais para a integração de pessoas com deficiência à vida acadêmica,
eliminando barreiras comportamentais, pedagógicas, arquitetônicas e de comunicação. Falar em
sociedade e educação inclusiva envolve questões como igualdade de direitos, democracia e
responsabilidade estatal.
Nessa perspectiva, o Programa INCLUIR foi institucionalizado com o objetivo de implantar
os Núcleos de Acessibilidade, com vistas a promoção da multiplicação do número dos estudantes

�com deficiência no ensino superior, garantindo assim a sua entrada, permanência e êxito no
desenvolvimento da sua vida acadêmica, contribuindo para a sua formação profissional com a
qualidade exigida para a atuação nos mais diversos espaços profissionais, garantindo assim o que está
previsto na legislação de acessibilidade vigente.
3 METODOLOGIA
Para o desenho desta investigação, de acordo com o objetivo delineado, optou-se pela pesquisa
bibliográfica, descritiva com abordagem qualitativa, tendo em vista que esta possibilita o estudo
pormenorizado do fenômeno em tela, ou seja, avaliar a gestão das bibliotecas universitárias
ludovicenses, com foco na acessibilidade e inclusão dos estudantes com deficiência. Destaca-se que
este estudo integra o projeto de pesquisa, intitulado: “Comportamento infocomunicacional dos
estudantes com deficiência no ensino superior ludovicense: UFMA, UEMA, IFMA e UNICEUMA.”
Sendo assim, os resultados apresentados e analisados neste artigo são preliminares, considerando que
a pesquisa se encontra em curso.
A população alvo deste estudo é composta por duas bibliotecárias gestoras, vinculadas a uma
universidade pública e a outra privada. Nesse sentido, foi elaborado um roteiro de entrevista, e a
mesma foi realizada no mês de julho de 2021 via google meet, devido ao momento pandêmico que
vivenciamos. Esse instrumento de recolha de informações foi construído e afinado tendo em conta os
objetivos previstos no referido projeto de pesquisa.
A análise dos dados recolhidos para este estudo, no que refere às questões aplicadas na
entrevista, envolve a análise de conteúdo com base em Bardin (2014). Assim, as informações colhidas
foram agrupadas para análise, em conformidade com as seguintes categorias:
a - Perfil das gestoras.
b - Planejamento/ Gestão orçamentária.
c - Barreiras de comunicação interpessoal.
d - Barreiras de comunicação.
e - Barreiras de comunicação virtual.
A realização deste procedimento, nos permitiu uma visão mais alargada do fenômeno em foco,
bem como a compreensão da multiplicidade das respostas geradas durante a realização das
entrevistas, atendendo aos detalhes das características que delas emergiram, de modo a obter uma
visão holística acerca da atuação das gestoras das bibliotecas, cenários desta investigação no contexto

�ludovicense, no que se refere às ferramentas de gestão utilizadas para a efetivação da inclusão e
acessibilidade nesses cenários.
Desse modo, na próxima seção apresentaremos os resultados das discussões e análises, com
base nos discursos emanados pelas gestoras entrevistadas já referidas. Essas análises tomaram como
parâmetros o objetivo e as categorias delineadas para o desenvolvimento deste estudo.
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
No que diz respeito ao perfil das gestoras das respectivas bibliotecas cenários desta investigação,
observa-se que: a entrevistada A possui graduação em Biblioteconomia, e mestrado profissional em
Biblioteconomia pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UNRIO) em andamento. A
entrevistada B possui graduação em Biblioteconomia, mestrado em meio ambiente em andamento
pela Universidade CEUMA (UNICEUMA).
De acordo com os discursos emanados pelas entrevistadas durante a realização das entrevistas,
percebeu-se que estas apresentam interesse e disponibilidade para pensar sobre aspectos inerentes a
acessibilidade e inclusão nas bibliotecas em que atuam. Possuem também empatia e preocupação
perante os usuários com deficiência ou algum tipo de limitação que os impeçam de ter acesso à
informação.
Na categoria Planejamento/Gestão orçamentária, a Respondente A evidenciou que a gestão
orçamentária está inserida no plano de desenvolvimento geral da IES, recentemente aprovado, que
contempla, dentre outros aspectos a adoção e implementação da acessibilidade em todos os setores
da universidade, em especial na biblioteca. No que tange, a Respondente B, esta informou que o plano
orçamentário da universidade prevê e avalia semestralmente os recursos de acessibilidade no âmbito
da biblioteca. (Figura 1).
Percebe-se que a gestão das bibliotecas prioriza a participação orçamentária direcionada para
aspectos de acessibilidade na unidade de informação. Assim, com base em literatura (PLETSCH;
LEITE, 2017; CIANTELLI; LEITE, 2016; MARTINS; LEITE; BROGLIA, 2015), pode-se verificar
que essa concepção de investir financeiramente na acessibilidade no contexto universitário, em
especial na biblioteca, é fruto das mudanças sofridas na IES em decorrência da implantação de alguns
programas desenvolvidos no país que tiveram forte impacto no processo de inclusão no ensino
superior brasileiro, como: Fundo de Financiamento ao Estudante do Ensino Superior (FIES),
Programa Universidade para todos (ProUni), Programa de Acessibilidade na Educação Superior

�(INCLUIR), Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais
(REUNI) e Programa Nacional de Assistência Estudantil (PENAES).
Figura 1: Planejamento/Gestão orçamentária

Entrevistado A

"A gestão orçamentária está inserida
no plano de desenvolvimento
institucional da IES, que contempla o
período entre 2019 até 2023,
englobando os aspectos de
acessibilidade em todos os setores da
universidade, em especial a biblioteca."

Entrevistado B

"Acerca do planejamento
orçamentário, a gestão da universidade
prevê e avalia semestralmente os
recursos e/ou a continuidade da
acessibilidade no contexto da
biblioteca."

"Para a obtenção de recursos
financeiros, a gestão da biblioteca
argumenta, ou seja, justifica junto com
a gestão da universidade a importância
de uma biblioteca acessível a todos, no
que diz respeito à legislação em relação
à pessoa com deficiência."

"Em nossa IES, existe o Núcleo de
Acessibilidade que trabalha
sincronizado para conseguir os recursos
de acessibilidade para as bibliotecas".

Fonte: Dados da pesquisa (2021).

Outro item bastante reflexivo, diz respeito a categoria Barreiras de comunicação interpessoal,
onde detectou-se que em ambas bibliotecas as respondentes A e B foram unanimes ao afirmarem que a
gestão da biblioteca não mantém um controle dos registros dos estudantes com deficiência que
frequentam a universidade e a unidade de informação. (Figura 2). Em continuidade, a Respondente B
enfocou que todo o acompanhamento ocorre semestralmente, porém feito pela equipe do NADD
(Núcleo formado por Pedagogos, Psicólogos e Intérpretes). Profissionais estes que têm contato mais
próximo e constante com os estudantes com deficiência. Além disso, evidenciou-se que todas as ações
desenvolvidas pela gestão da biblioteca, com vistas a contribuir para a entrada, permanência e conclusão

�dos percursos formativos dos estudantes com deficiência acontece com a contribuição e assessoria
direta do NADD (Figura 2).
Analisando esses dados, lembramos que Melo e Araújo (2018) que enfatizam em sua pesquisa
que após a implantação da CAENE, na UFRN, os indicadores passaram a apontar um crescimento
quanto ao número de estudantes com deficiência ingressantes na referida IES, especialmente, nos cursos
de graduação presenciais. Isto mostra a contribuição e o diferencial que os núcleos de acessibilidade
exercem nas universidades, porém afirmam que apesar dos avanços decorrentes da política educacional
inclusiva e do núcleo ainda estamos longe de uma participação efetiva desse público no Ensino
Superior. Portanto, cabe as bibliotecas investigadas buscarem parcerias com os núcleos de
acessibilidade de suas instituições, aproveitando as especialidades de cada profissional membro do
núcleo.
Figura 2: Barreiras de comunicação interpessoal

Entrevistado A
"Uma das barreira na comunicação
interpessoal nesta IES consiste na falta de
controle da mesma, em especial a biblioteca
sobre o registro do quantitativo de estudantes
com deficiência presennte no campus
universitário."

Entrevistado B
"Em relação às barreiras de comunicação interpessoal, a
gestão da biblioteca não mantém um controle dos
registros dos estudantes com deficiência que frequentam
a biblioteca.".
"O acompanhamento é realizado semestralmente pela equipe
do NADD (núcleo formado por pedagogos, psicólogos e
intérpretes). São eles que nos comunicam sobbre os estudantes
com deficiência, bem como tipos de deficiência que os mesmos
apresentam."
"As ações desenvolvidas pela gestão da biblioteca, com vistas a
contribuir para a entrada, permanência e conclusão dos
percursos formativos dos estudantes com deficiência (incluindo
nesse momento de pandemia e pós pandemia), conta com o
know how e apoio da IES que já está preparada para receber
esse público."
"A gestão da IES em parceria com a biblioteca sempre estão
preocupados em oferecer o melhor da acessibilidade, porque quando
se tem a procura de um aluno que já apresenta no ato de sua matrícula,
alguma deficiência já é acompanhado, mostrando qual é a estrutura
que a IES possui para ser ofertada a ele"

"Enumerando as ações que contribuem para permanência desses alunos,
seriam: identificação, a estrutura física preparada, os profissionais que
acompanham e a disponibilidade de intérprete."

Fonte: Dados da pesquisa.

No que se refere as barreiras de comunicação, a entrevistada A, sublinhou que o Núcleo de
acessibilidade da IES, acompanha todo o percurso do estudante com deficiência, desde a sua inscrição

�no processo seletivo. Já a entrevistada B, detalhou todo o processo de disponibilização dos serviços,
produtos e recursos informacionais acessíveis aos estudantes com deficiência, a exemplo do Call
Center, e dos acervos virtuais no padrão W3C, em especial as bases de dados. Enfatizou também que
no que tange em especial as barreiras de comunicação, são realizados estudos pelo NADD, para buscar
compreender os tipos de comportamentos infocomunicacionais apresentados pelos referidos estudantes
com deficiência.
Figura 3: Barreiras de comunicação

Entrevistado A
"O estudo sobre as possíveis barreiras de comunicação
vem sendo desenvolvida pela comissão de acessibilidade
desde quando o estudante se inscreve no processo seletivo
para entrar na universidade."

Entrevistado B
"A gestão da biblioteca dispõe de um meio
acessível para que os usuários com deficiência
possam emitir sugestões e críticas em relação aos
serviços da biblioteca e também de outros serviços
oferecidos pela instituição. "
"Dentre um dos meios acessíveis, a IES possui
serviço de Call Center, que recebe as reclamações e
sugestões, que são encaminhadas para os setores
responsáveis avaliar"
"Nesse momento pandêmico, os discentes que
necessitam do acesso à informação, são
acompanhados pelo NADD quando chegam à unidade
de informação. "

"O acervo virtual segue os padrões da W3C de acessibilidade,
incluindo as bases de dados que são adaptadas. Mas, caso o
estudante com deficiência visual ou com baixa visão ou
alguma limitação para acessar um texto impresso, este pode
fazer a solicitação do material necessário por email ou
mediante contato direto com o acompanhante disponibilizado
pelo NADD."
"Sobre as barreiras de comunicação, destaca-se que a IES, possui
estudos, realizados pelo NADD, que visa compreender os tipos de
comportamentos infocomunicacionais apresentados pelos
estudantes com deficiência no uso dos recursos informacionais
físicos ou digitais disponibilizados pela biblioteca.

Fonte: Dados da pesquisa.

�Na categoria Barreiras de comunicação virtual, ao interrogar as bibliotecárias gestoras sobre
quais os tipos de acervos acessíveis físicos e/ou digitais que a biblioteca disponibiliza para seus
usuários com deficiência. É de notar que o Respondente A evidenciou que a biblioteca sobre sua
responsabilidade disponibiliza material em braile; o NAPNE possui computador com programa de
voz que facilita a pesquisa; e o professor quando vai utilizar algum texto em sala de aula, com um
mês de antecedência envia para o NAPNE para que possa ser impresso em braile, e disponibilizado
para o estudante. No caso do Respondente B, este informou que a biblioteca sobre sua
responsabilidade disponibiliza para seus usuários com deficiência, um acervo contendo materiais em
braile e uma biblioteca virtual acessível (Figura 4).
Diante do exposto, ambas bibliotecas apesar de apresentarem alguns tipos de acervos
acessíveis físicos e/ou digitais ainda estão deixam muito a desejar. Urge mais investimento, talvez até
um maior conhecimento sobre os diversos tipos de acervos acessíveis que uma biblioteca pode ter, e
as parcerias que podem ser estabelecidas, com base, por exemplo no Tratado de Marraqueche que
visa disponibilizar materiais acessíveis para pessoas com deficiência visual, cega ou com alguma
mobilidade que a impossibilite de acessar o texto impresso.
Neste contexto, Stroparo (2014), Tabosa e Pereira (2013) e Diniz (2019) questionam se a
ausência de acervos acessíveis nas bibliotecas universitárias talvez não seja por falta de educação
continuada dos bibliotecários sobre acessibilidade e inclusão, sim por falta de uma estrutura
institucional adequada que possibilite a implementação de equipes interdisciplinares que contemplem
também profissionais qualificados nas áreas de estudos votadas para atender as demandas dos
estudantes com deficiência na bibliotecas, e em outros espaços acadêmicos.

�Figura 4: Barreiras de comunicação virtual

Entrevistado B

Entrevistado A
“No caso de um dos campus tem um aluno cego total,
mas nesse caso, aqui o aluno ler o braille e tem o NAPNE
que tem um computador específico para ele, então
geralmente para ver algum artigo, abaixo dozvox e ele
consegue escutar, tem programação, no caso todo
material para estudo dele, os professores tem que mandar
com um mês com antecedência para o NAPNE.”

"Dentre os recursos informacionais disponibilizados pela
biblioteca para seus usuários com deficiência cabe
destaque para os recursos de mídia localizado no serviços
de referência; o sistema pergamum; a disponibilidade de
auxiliares preparados para conduz o estudante na sua
pesquisa, dentre outros."
"Acerca das tecnologias assistivas que são disponibilizadas
para os estudantes com deficiência, a entidade possui sala
com tecnologias assistivas dentro da biblioteca, dispondo de
materiais como: fones de ouvidos; máquinas; máquinas;
computadores adaptados com sintetizadores de voz;
impressora em braile; escâner de vozes; linha de braille; lupa
eletrônica; teclado colmeia; tablets com aplicativos de
acessibilidade; mesa de jogos; dominó; alfabeto em braille."

"Quanto aos tipos de acervos acessíveis físicos e/ou digitais
que a nossa biblioteca disponibiliza para seus usuários com
deficiência, oferecemos: um acervo contendo materiais em
braille e uma uma biblioteca virtual acessível"

Fonte: Dados da pesquisa.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Com base no objetivo traçado, para o desenvolvimento deste estudo que visa avaliar a gestão
das bibliotecas universitárias inclusivas ludovicenses, com ênfase no planejamento orçamentário, nas
barreiras de comunicação interpessoal, virtual, nas tecnologias assistivas e na infraestrutura, nossas
análises puderam identificar um avanço na concepção gestora empregadas nas bibliotecas, lócus desta
investigação, mostrando o envolvimento das bibliotecárias gestoras, bem como das IES para enfrentar
os desafios e desbravar caminhos que garantam a plena participação dos estudantes com deficiência
no acesso à informação.
Outra questão evidenciada é a necessidade do envolvimento maior de toda a comunidade
acadêmica e profissional com a causa da acessibilidade e inclusão, principalmente voltadas para
garantir uma infraestrutura básica, que contemple a ampliação dos recursos humanos, matérias
acessíveis, e recursos tecnológicos.
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em: http://hdl.handle.net/20.500.11959/brapci/16156.Aceso em: 10 out. 2021.

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              <text>Objetiva-se avaliar a gestão das bibliotecas universitárias inclusivas ludovicenses, com ênfase no planejamento orçamentário, nas barreiras de comunicação interpessoal, virtual, nas tecnologias assistivas e na infraestrutura. Com base no objetivo traçado, adotou-se como metodologia a pesquisa bibliográfica e descritiva com abordagem qualitativa, tendo como técnica de estudo a análise de conteúdo com base em Bardin, a partir dos discursos emanados pelas gestoras dos sistemas de bibliotecas universitárias ludovicenses. Tem-se como resultados, a partir das análises realizadas das entrevistas, que as inquiridas destacam as parcerias realizadas com os núcleos de acessibilidades, e o núcleo acadêmico discente e docente, para conhecer as necessidades informacionais dos usuários com deficiência para o desenvolvimento dos seus percursos acadêmicos. Conclui-se que apesar da infraestrutura ainda não ser a mais adequada, assim como o quantitativo de profissionais necessários ao atendimento dos estudantes com deficiência, é notório o empenho das bibliotecárias gestoras em buscar parcerias para biblioteca, assim como a IES que já possui em seu planejamento estratégico ações voltadas para a inclusão e acessibilidade no contexto das IES, cenários desta investigação.</text>
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