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                  <text>Eixo 2 - Práticas
APLICAÇÕES DA GESTÃO DO CONHECIMENTO NA ATUAÇÃO PROTAGONISTA DO
BIBLIOTECÁRIO NA FORMAÇÃO UNIVERSITÁRIA
APPLICATIONS OF KNOWLEDGE MANAGEMENT IN THE PROTAGONIST PERFORMANCE
OF THE LIBRARIAN IN UNIVERSITY EDUCATION
Arielle Lopes de Almeida1
Ieda Pelógia Martins Damian2

Resumo: O bibliotecário possui potencial para contribuir com a efetivação da formação universitária ao
desenvolver atividades de gestão do conhecimento, de interferência e mediação no processo de construção de
conhecimento e na maneira de apropriação da informação. A vista disso, o objetivo deste trabalho é identificar corelacionamentos entre as ações de mediação da informação, desenvolvimento da competência em informação e
gestão do conhecimento para a formação universitária. Para tanto, foi adotado como procedimento metodológico a
revisão de literatura. Foi possível identificar que o bibliotecário atua na formação universitária, contribuindo com
o desenvolvimento da autonomia de pesquisa. Dentre as formas de atuação do bibliotecário se destaca a atividade
de interfacear a relação usuário/informação para a apropriação da informação por meio do desenvolvimento de
competências para contextualizar e avaliar a informação.
Palavras-chave: Formação universitária. Gestão do conhecimento. Mediação da informação. Competência em
informação.
Abstract: Librarians have the potential to contribute to the realization of university education by developing
knowledge management activities, interference and mediation in the process of knowledge construction and
information appropriation. In view of this, the objective of this work is to identify co-relationships among
information mediation actions, development of Information literacy and knowledge management for university
education. Therefore, the literature review was adopted as a methodological procedure. It was possible to identify
that the librarian works in university education, contributing to the development of research autonomy. Among
the forms of action of the librarian, the interface activity in relation to the user / information stands out for the
appropriation of information through the development of Information literacy to contextualize and evaluate
information.
Keywords: University education. Knowledge management. Information mediation. Information literacy.

1 INTRODUÇÃO

A universidade, cuja função social é promover a formação integral de seu corpo discente e,
consequentemente, incentivar o pensamento crítico, a criatividade, a autonomia, dentre outras
características, necessita estar em constante reflexão sobre a efetivação desta função.
Nesse contexto, observa-se o potencial do bibliotecário para contribuir com a efetivação da
1

Mestre em Ciência da Informação pela Universidade Estadual Paulista (UNESP). Bibliotecária na Pontifícia
Universidade Católica de Goiás (PUC Goiás). ari.lopes101@gmail.com.
2
Doutora em Administração de Organizações pela Universidade de São Paulo (USP). Docente na Universidade de São
Paulo (USP) e na Universidade Estadual Paulista (Unesp). iedapm@usp.br.

�formação integral dos discentes ao desenvolver atividades de gestão do conhecimento ao gerenciar
a informação e promover seu compartilhamento e uso, estabelecendo uma relação de interferência
na relação usuário e informação, presente nas ações de mediação, visando a apropriação da
informação de maneira consciente, buscando a democratização ao acesso da informação, a partir do
desenvolvimento de competência em informação.
Assim, este trabalho se justifica pela necessidade de o bibliotecário poder atuar de forma
protagonista e reflexiva na apropriação do conhecimento, podendo contribuir significativamente na
formação universitária. A vista disso, o objetivo foi identificar co-relacionamentos entre as ações de
mediação da informação, desenvolvimento da competência em informação e gestão do
conhecimento para a formação universitária.
Para tanto, este trabalho possui a natureza qualitativa, do tipo exploratório, precedida por
uma revisão da literatura sobre os conceitos de formação universitária, a gestão do conhecimento, a
mediação da informação e a competência em informação. Em seguida, a análise desta revisão de
literatura para contextualizar os conceitos desenvolvidos e estabelecer os relacionamentos e propor
uma reflexão.

2 FORMAÇÃO UNIVERSITÁRIA

O grande problema da universidade, segundo Santos (2011), tem sido o fato de passar por
aquilo que o não é ou não deve ser. Para esta pesquisa, entende-se universidade como uma
instituição social, que “[...] tem como objetivo os princípios de formação, criação, reflexão e crítica
da autonomia do saber e, portanto, de sua legitimidade” (ANASTASIOU, 2006, p. 150). Desse
modo, o ensino na universidade “[...] constitui um processo de busca, de construção científica e de
crítica ao conhecimento produzido, ou seja, ao seu papel na construção da sociedade” (PIMENTA;
ANASTASIOU, 2002, p. 164).
Chauí (2014) explica que a autonomia universitária é defendida pelo conceito de ser regida
por suas próprias normas desde que contribua com os interesses da sociedade, porém, as ideias de
autonomia colapsaram perante o fenômeno global da industrialização (SANTOS, 2008). Assim, há
um embate no interior da universidade, entre os que julgam a universidade como uma organização
com horizontes e destino no mercado, e os que julgam a universidade como uma instituição social
que busca o conhecimento, portanto, a reflexão, a crítica e a formação. Neste embate, pode-se
afirmar que existem dois paradigmas na educação atuando concomitantemente. Um se refere a

�proposta pedagógica em que prepondera a reprodução de conhecimento cientificamente acumulado,
fragmentado e reducionista, e o outro que concebe o conhecimento como processo de construção,
em que a dúvida e a incerteza são estímulos ao aprendiz (CUNHA, 2007, p. 169). O enfoque na
reprodução
[...] tem origem na inspiração positivista que influenciou o sistema científico e escolar
brasileiro e foi ratificado pelos interesses e práticas sociais, presentes em nossa história. Os
conteúdos são universalmente definidos e quase sempre não respeitam a diversidade de
interesses, particularidades e posições dos diferentes grupos sociais, reforçando a
hegemonia (CUNHA, 2007, p. 170).

A autora supracitada destaca ainda que, neste enfoque, é desconsiderado o conhecimento
prévio do discente. Por outro lado, o enfoque na construção de conhecimento evidencia que o
discente possui saberes prévios, sendo estes “[...] a matriz das novas experiências de aprendizagem.
Concebe o conhecimento em movimento e sempre inacabado” (CUNHA, 2007, p. 170). Torna-se
fundamental uma praxis educativa, ou seja, a relação dialética entre reflexão e ação (FREIRE,
1993). Assim, a construção do conhecimento possibilita que docentes e discentes interfiram direta e
indiretamente sobre a realidade social, a partir de necessidades nela identificadas, numa dinâmica
que reconhece a prática social como importante critério valorativo do que se produz, tanto em
relação aos conhecimentos, bens e serviços, quanto em relação às capacidades desenvolvidas nos
formandos (MARTINS, 2008).
É importante ressaltar que o ato de ensinar, contém, em si, duas dimensões: uma utilização
intencional e uma de resultado, ou seja, a intenção de ensinar e a efetivação da meta pretendida
(ANASTASIOU, 2003, p.13). No entanto, muitos “[...]docentes universitários ensinam geralmente
como foram ensinados” (CUNHA, 2004, p. 528-529). Assim, a atuação docente ainda lida com o
conhecimento, como sendo um produto que se repassa (SEVERINO, 2003), portanto, não reflete
sobre a efetivação do ensino. Porém, Buarque (2003) destaca que o conhecimento está em fluxo
contínuo, tem de ser constantemente atualizado e a universidade não é mais um estoque de
conhecimentos que o graduado adquiria para durar por toda a vida.
Para que esta atualização seja possível, Freire (1980) destaca que a conscientização é mais
que uma simples tomada de consciência, é um desenvolvimento crítico dessa consciência
relacionando-a com o mundo. A conscientização não pode existir fora das praxis, ou seja, sem ação
e reflexão, pois é um compromisso histórico dos sujeitos que devem assumir o fazer e refazer o
mundo. Para esta busca de conscientização, Anastasiou (2003) apresenta a importância dos
processos de profissionalização continuada que possibilitem aos docentes um novo olhar sobre os

�espaços e função da disciplina inter-relacionando, tanto o quadro teórico-prático global do curso,
como a influência que esta disciplina pode ter sobre o futuro profissional. Para tanto, faz-se
necessário esforços em conjunto, de ações docentes e discentes, para a articulação de
conhecimentos, de modo a superar a fragmentação fortemente existente no modelo curricular
tradicional.
As universidades, afim de evitar a perda da função social e se tornarem reprodutoras de
conhecimento, precisam pensar a indissociabilidade do ensino, pesquisa e extensão de modo interrelacionado, visando uma aprendizagem de dimensões técnicas relacionadas as condições históricosociais e com recursos afetivo-cognitivos imprescindíveis para que os educandos possam conhecer
com o devido rigor, cientificidade e criticidade de seu futuro exercício profissional (MARTINS,
2008). Promovendo, assim, uma formação humana, integral e emancipatória para construção de
conhecimento.
Para refletir sobre a construção de conhecimento, a gestão do conhecimento contribui
identificando elementos para melhor gerenciar esse processo.

3 GESTÃO DO CONHECIMENTO

No âmbito da Gestão do Conhecimento, o termo conhecimento apresenta-se de modo mais
genérico, abrangente e suscetível a distintas interpretações. Assim, para compreender sua definição.
Davenport e Prusak (1998, p.6) definem conhecimento como:
[...] uma mistura fluida de experiência condensada, valores, informação contextual e insight
experimentado, a qual proporciona uma estrutura para a avaliação e incorporação de novas
experiências e informações. Ele tem origem e é aplicado na mente dos conhecedores. Nas
organizações, ele costuma estar embutido não só em documentos ou repositórios, mas
também em rotinas, processos, práticas e normas organizacionais.

Assim, o conhecimento reside na mente dos indivíduos. Sua construção começa sempre com
os indivíduos que, por sua vez, têm algum insight ou intuição para realizar melhor suas tarefas
(CHOO, 2003).
Um conhecimento novo não pode ser criado sem uma interação intensiva, a partir da
internalização dos aprendizados e habilidades compartilhadas (NONAKA; TAKEUCHI, 1997).
Para tanto, a construção conhecimento exige do indivíduo algumas competências. Entre elas, saber
pensar; observar; questionar; aproveitar o conhecimento acumulado e construir outro. Com isso, a

�gestão do conhecimento promove a transformação do conhecimento não estruturado em um
conhecimento explícito, passível de compartilhamento, assimilação e uso (VALENTIM, 2003).
Nonaka e Takeuchi (1997), mesmo considerando a criação de conhecimento individual,
definem o processo de conversão do conhecimento, de forma ontológica, começando no nível
individual, seguindo para o nível organizacional, proporcionando a criação e o acúmulo de
conhecimento por meio de um processo dinâmico e contínuo, denominado pelos autores de “espiral
do conhecimento”, tendo como base cinco condições capacitadoras:
a) Intenção organizacional, que pode ser definida como a aspiração de uma organização às
suas metas. Tendo por essência o desenvolvimento da capacidade organizacional de
adquirir, criar, acumular e explorar o conhecimento.
b) Autonomia aos membros da organização, ampliando a chance de introduzir
oportunidades inesperadas e possibilitando a automotivação dos indivíduos para a
criação de novos conhecimentos.
c) Flutuação e caos criativo, que estimulam a interação entre a organização e o meio
ambiente externo, possibilitando a exploração da ambiguidade, da redundância e dos
ruídos dos sinais ambientais, aprimorando seu sistema de conhecimento.
d) Redundância, informações que transcendem as exigências operacionais imediatas dos
membros da organização.
e) Variedade de requisitos dos membros da organização, o que facilita que se enfrentem
muitas situações com o acesso rápido a mais ampla gama de informações (NONAKA;
TAKEUCHI, 1997).

Nessa perspectiva, a criação do conhecimento não ocorre na simples troca de um
conhecimento por outro, mas pela modificação da visão anterior e agregação de novos
componentes, gerando a aprendizagem organizacional.
O termo ‘organização de aprendizagem’ foi preconizado, em 1990, por Peter Senge, para
caracterizar “[...] organizações inerentemente mais flexíveis, adaptáveis e mais capazes de
continuamente reinventarem-se” (SENGE, 2006, p.12), em um contexto no qual, cada vez mais, é
exigido das organizações novos padrões e adaptação a diferentes conjunturas.
O aprendizado é uma atividade social, ou seja, o aprendizado ocorre em grupos. “Grupos
que aprendem, comunidades de prática, possuem características especiais. Surgem por consenso

�[...]. Atraídas umas às outras por uma força que é tanto social quanto profissional” (STEWART,
1998, p.86).
Pode-se definir a aprendizagem organizacional como uma estratégia para desenvolver
atividades de aprendizagem dentro de uma organização, visando não apenas sua sobrevivência, mas
principalmente, a flexibilidade de criar e inovar. “A organização que aprende é a que dispõe de
habilidade para criar, adquirir e transferir conhecimentos, e é capaz de modificar seu
comportamento, de modo a refletir os novos conhecimentos e ideias” (GARVIN, 2001, p.54).
Nesta perspectiva, a gestão do conhecimento deve ser entendida como um processo
sistemático de busca, seleção, organização, caracterização e apresentação da informação de forma
que aumente a sua compreensão (SANTOS; LEITE; FIRARESE, 2007). Para isso, se constitui em
um conjunto de estratégias para criar, adquirir, compartilhar e utilizar ativos de conhecimento, de
modo a estabelecer fluxos que garantam a informação necessária no tempo e formato adequados, a
fim de auxiliar a geração de ideias, a solução de problemas e o processo decisório (VALENTIM,
2003). Para atingir seu objetivo, a gestão do conhecimento depende de ações de mediação e exige o
desenvolvimento de algumas competências para apropriação da informação. Por tanto, está
interligada ao campo de atuação do bibliotecário.

4 ATUAÇÃO DO BIBLIOTECÁRIO NA FORMAÇÃO DO USUÁRIO

O bibliotecário vem ganhando espaço na medida que se envolve cada vez mais em ações que
promovem uma interação com a sociedade, tornando protagonista na transformação desta,
principalmente, ao atuar na formação crítica dos usuários da informação para a construção de
conhecimento. Para tanto, destaca-se duas atuações deste bibliotecário: Mediação da informação e
Competência em informação.

4.1 MEDIAÇÃO DA INFORMAÇÃO

A mediação possui enfoques diferenciados, mas, na Ciência da Informação, ela precisa ser
arremetida como algo que está presente em todas as ações do ciclo informacional. Desde a geração
de conhecimento, com o aprendizado que só é possível pela mediação com as pessoas e com o
mundo, na seleção/aquisição, representação, armazenamento, recuperação, distribuição onde a
escolha e o tratamento possibilitam influenciam na mediação, no uso e na geração de novas

�informações. Assim, a mediação da informação necessita de profissional atuante na política de
acesso, uso e apropriação da informação.
De acordo com a abordagem de Freire (2005, apud GOMES, 2014), tem-se a mediação
como uma ação por meio da qual o homem pode se transformar em sujeito, já que na vivência do
processo de mediação se pode refletir acerca da situação vivida, sobre seus interlocutores, sobre o
mundo e sobre si mesmo, experiência que potencializa a formação da consciência que faz nascer o
homem comprometido e capaz de intervir na realidade, enfim, capaz de se transformar em um
protagonista e, simultaneamente, contribuir para a formação do protagonismo social.
Por tanto, “toda experiência humana é dependente das práticas de comunicação, como
também da transmissão cultural, que constituem o locus da mediação, envolvendo um processo de
compartilhamentos objetivo e intersubjetivo [...]” (GOMES, 2014, p. 48). Assim, neste artigo, a
mediação da informação é definida como:
Toda ação de interferência – realizada em um processo, por um profissional da informação
e na ambiência de equipamentos informacionais –, direta ou indireta; consciente ou
inconsciente; singular ou plural; individual ou coletiva; visando a apropriação de
informação que satisfaça, parcialmente e de maneira momentânea, uma necessidade
informacional, gerando conflitos e novas necessidades informacionais (ALMEIDA
JÚNIOR, 2016).

Destaca-se a ação de interferência que vai além da relação usuário/informação, “enfocando
práticas que tornem o trabalho do bibliotecário, agora entendido como mediador, subjetivo.
Trabalho esse que configure a unidade de informação como um espaço intersubjetivo no
compartilhamento de informação” (SANCHES; RIO, 2010, p. 108). Assim, “constatamos que na
mediação alguém está entre duas ou mais pessoas/coisas, facilita uma relação, serve de
intermediário, sugere algo, sem agir pela pessoa ou lhe impor alguma coisa” (BICHERI, 2008, p.
93).
Como foco deste trabalho, tem-se a mediação como um processo de interferência por um
bibliotecário:
O bibliotecário, entendido como mediador, é o profissional que se utiliza de ferramentas
existentes para manejar a informação de forma a interfacear a relação usuário/informação,
propiciando novos espaços formadores de subjetividades capazes de objetivar o mundo e as
relações que o envolve, de maneira a serem críticos e transformadores de suas realidades
(SANCHES; RIO, 2010, p. 118).

Assim, na mediação não há, nem pode haver, uma neutralidade, tanto por parte do usuário
como por parte do mediador da informação. O mediador da informação não pode ser visto como um
profissional passivo. O que deve ser analisado é “como o profissional bibliotecário reúne as

�condições necessárias para intermediar a relação entre usuário/informação atividades, ora
entendidas como neutras, sejam substituídas por ações de interferência” (SANCHES; RIO, 2010).
Assim, é fundamental que o mediador tenha clara a sua função. A mediação da informação
pressupõe técnicas, instrumentos, suportes, recursos, agentes e processos que deixam de representar
simples artifícios de transferência de conteúdos passando a se constituírem dispositivos geradores
de sentidos (PERROTTI; PIERUCCINI, 2007). Para tanto a necessidade de desenvolver algumas
competências.

4.2 COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO

Para o processo de construção do conhecimento e para a intervenção na realidade social, fazse importante incluir o estudo da Competência em informação. Beluzzo (2017) indica a
transversalidade da Competência em informação com o ensino e aprendizagem, a pesquisa, a
inovação, o desenvolvimento social e a construção do conhecimento para o exercício da cidadania.
A Competência em informação, no mundo educativo, engloba o conjunto de procedimentos,
conceitos e valores necessários à resolução de problemas que envolvem a procura, seleção,
organização, análise e comunicação da informação. É um componente fundamental para qualquer
cidadão em uma sociedade em que o conhecimento muda continuamente e a quantidade de
informação disponível nas múltiplas modalidades e suportes os superam. Ter a capacidade de se
informar plenamente e, ao mesmo tempo, fazer uso crítico e criativo da informação, permite
aprender ao longo da vida e lidar com as demandas que o trabalho e a vida sempre colocam
(GÓMEZ HERNÁNDEZ, 2000).
O uso crítico da informação torna-se a característica distintiva para se construir uma base de
conhecimento. Para tanto, torna-se necessário colocar as informações em um contexto mais amplo,
incluindo os aspectos históricos, temporais ou sociais (BRUCE, 2003). Essa condição é necessária
para a sua compreensão, já que a informação “[...] necessita de um contexto para ser compreendida”
(FREIRE; FREIRE, 2009, p. 92).
Destaca-se a importância de pensar a competência em informação como um processo
contínuo de aprendizado. Kuhlthau (1993 apud VICTORELLI, 2011) observa que a competência
em informação manifesta nas pessoas uma nova visão de mundo, baseada nas informações que já
possuem, e quando novos conhecimentos e habilidades são adquiridos, estes são agrupados à
estrutura cognitiva pré-existente, contribuindo para a construção do conhecimento.

�Desenvolver a competência em informação, segundo Belluzzo, Kobayashi e Feres (2004,
p.95), “significa ter habilidades para encontrar, avaliar, interpretar, criar e aplicar a informação
disponível na geração de novos conhecimentos”. Ainda segundo as autoras supracitadas, a
competência em informação “inegavelmente, está ligada ao aprendizado e à capacidade de criar
significado a partir da informação, sendo uma condição indispensável que as pessoas saibam
‘aprender a aprender’ e realizem o ‘aprendizado ao longo da vida’” (BELLUZZO; KOBAYASHI;
FERES, 2004, p.87).
Na visão de Pontes Junior e Tálamo (2009, p.83), a competência em informação permite
uma “interação através da qual o usuário progride na competência e capacidade de julgar com
perícia a informação de que ele necessita, ao mesmo tempo, ele pratica suas habilidades, elevandoas de acordo com as competências adquiridas ao longo do processo”.

5 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS

Metodologicamente, este trabalho se apresenta do tipo exploratório, possui a natureza
qualitativa, precedida por uma revisão da literatura para investigação sobre os conceitos de
formação universitária, a gestão do conhecimento, a mediação da informação e a competência em
informação. Em seguida, é realizado uma análise desta revisão de literatura para contextualizar os
conceitos desenvolvidos e estabelecer os relacionamentos e propor uma reflexão.

6 ANÁLISE DOS RESULTADOS

6.1 INTENÇÃO

A intenção organizacional pode ser definida como a aspiração que uma organização tem
para atingir suas metas, tendo por essência o desenvolvimento da capacidade organizacional de
adquirir, criar, acumular e explorar o conhecimento. Assim, é importante que haja uma visão sobre
o tipo de conhecimento que deve ser desenvolvido (NONAKA; TAKEUCHI, 1997).
A universidade, partindo do pressuposto que possui uma função social, deveria ter como
intenção, a formação do discente para que este possa contribuir na transformação da sociedade.
Porém, a universidade precisa ter a intenção de ensinar e a efetivação da meta pretendida

�(ANASTASIOU, 2003, p.13). Caso contrário, pode direcionar para a reprodução de conhecimento
cientificamente acumulado
Assim, a atuação do profissional bibliotecário, por meio da mediação da informação,
promove a construção de conhecimento. Pois, compreende a mediação da informação com ações de
interferência para a apropriação de informação (ALMEIDA JÚNIOR, 2016). Consciente da não
neutralidade de sua ação e através de ferramentas existentes para manejar a informação de forma a
interfacear a relação usuário/informação, o bibliotecário propicia novos espaços de formação de
maneira a serem críticos e transformadores de suas realidades (SANCHES; RIO, 2010).

6.2 AUTONOMIA
Ao proporcionar autonomia aos membros da organização, amplia-se a chance de introduzir
oportunidades inesperadas e possibilita a automotivação dos indivíduos para a criação de novos
conhecimentos (NONAKA; TAKEUCHI, 1997).
Na universidade, a autonomia precisa ser garantida ao docente, mas visando a contribuição
com os interesses da sociedade. Porém, as ideias de autonomia colapsaram perante o fenômeno
global da industrialização (SANTOS, 2008). Assim, que há um embate no interior da universidade,
entre os que julgam a universidade como uma organização com horizontes e destino no mercado, e
os que julgam a universidade como uma instituição social que busca o conhecimento, portanto, a
reflexão, a crítica e a formação (CHAUÍ, 2014).
Visando contribuir com a autonomia, o bibliotecário atua no desenvolvimento de
competência em informação. Pois, a formação continuada, tanto de docentes quanto de discentes,
depende do processo de conscientização é mais que uma simples tomada de consciência, é um
desenvolvimento da autonomia para a construção de conhecimento de forma crítica.
Ao desenvolver a competência em informação, adquire-se uma nova visão de mundo,
baseado nas informações que já possuem, novos conhecimentos e habilidades são agrupados à
estrutura cognitiva pré-existente, contribuindo para a construção de novos conhecimentos
(KUHLTHAU, 1993 apud VICTORELLI, 2011). Assim, a competência em informação ligada a
uma condição indispensável de ‘aprender a aprender’ e ‘aprendizado ao longo da vida’ pode
contribuir com o desenvolvimento do pesquisador autônomo, capaz de refletir e agir na sociedade e
transformação do conhecimento.

�6.3 FLUTUAÇÃO E CAOS CRIATIVO

A flutuação e o caos criativo estimulam a interação entre a organização e o ambiente
externo, possibilitando a exploração da ambiguidade, da redundância e dos ruídos dos sinais
ambientais, aprimorando seu sistema de conhecimento (NONAKA; TAKEUCHI, 1997).
Para a construção de conhecimento, na universidade, é de extrema importância esta
interação, pois propicia estudos sobre o impacto deste conhecimento na sociedade. Assim, o
princípio de indissociabilidade do ensino pesquisa e extensão garante uma aproximação mais
orgânica da universidade com a sociedade, o questionamento da realidade, a realidade históricosocial que os sustenta e na qual seus fundamentos devem ser desvelados (MARTINS, 2008).
A competência em informação, atua também, para esta interação uma vez a
indissociabilidade visa a contextualização e o uso crítico da informação, necessitando coloca-la em
um contexto mais amplo, incluindo os aspectos históricos, temporais ou sociais (BRUCE, 2003).
Esta contextualização é ampliada quando se desenvolve a competência em informação, pois, esta
engloba o conjunto de procedimentos, conceitos e valores necessários à resolução de problemas que
envolvem a procura, seleção, organização e avaliação da informação.

6.4 REDUNDÂNCIA

A redundância se refere ao fato de transcender as exigências operacionais imediatas dos
membros da organização, ou seja, refere-se à superposição de informações sobre atividades da
instituição. Para que haja redundância é necessário que haja compartilhamento de conhecimento,
mesmo considerando que este não seja útil para o outro neste momento. Assim, se acelera o
compartilhamento de conhecimento e o processo de criação de novo conhecimento (NONAKA;
TAKEUCHI, 1997).
Para essa condição, a universidade deve atuar visando à formação continuada dos docentes.
Culturalmente “[...]docentes universitários ensinam geralmente como foram ensinados” (CUNHA,
2004, p. 528-529), mas a formação continuada possibilita aos docentes um novo olhar sobre os
espaços e função da disciplina. Assim, introduz ao pensar pedagógico, a reflexão sistemática da
ação já em exercício. A formação continuada formaliza uma cultura de compartilhamento, torna-se
um canal de comunicação, e é um mecanismo de captação e sistematização o conhecimento.
O bibliotecário, ao identificar necessidades de informação e seu público, pode utilizar deste

�espaço para promover sua atuação. Pois, a mediação da informação pressupõe técnicas,
instrumentos, suportes, recursos, agentes e processos para se constituírem dispositivos geradores de
sentidos (PERROTTI; PIERUCCINI, 2007) e a competência em informação está ligada ao
aprendizado (BELLUZZO; KOBAYASHI; FERES, 2004).

6.5 VARIEDADE DE REQUISITOS

A variedade de requisitos facilita que os membros da organização enfrentem muitas
situações com o acesso rápido a mais ampla gama de informações (NONAKA; TAKEUCHI, 1997).
Na universidade, o conhecimento, principalmente, na proposta pedagógica de reprodução do
conhecimento, promove um conhecimento fragmentado. Para evitar superar essa fragmentação,
fortemente existente no modelo curricular tradicional, faz-se necessário esforços em conjunto, de
ações docentes e discentes, para a articulação de conhecimentos e propor ações inter ou
transdisciplinares.
Como a gestão do conhecimento se constitui em um conjunto de estratégias para criar,
adquirir, compartilhar e utilizar ativos de conhecimento, de modo a estabelecer fluxos que garantam
a informação necessária (VALENTIM, 2003) e uma atividade que precisa ser promovida pelo
bibliotecário no contexto universitário a fim de promover superação da fragmentação do
conhecimento. Um exemplo, são o desenvolvimento de repositórios institucionais que podem captar
e divulgar as pesquisas produzidas no ambiente acadêmico. Mas, para tanto, necessita de uma
gestão deste conhecimento, para que seja apropriado pela instituição.

7 CONSIDERAÇÕES FINAIS

Para uma formação universitária que compreende o desenvolvimento da visão crítica e
autônoma do discente faz-se necessário uma reflexão sobre a ação da universidade, especialmente
sua função social, a intenção e a efetivação do ensino e a autonomia para esta atuação.
Considerando os aspectos da formação universitária, o bibliotecário tem potencial em atuar
nesta formação, por meio de ações de gestão do conhecimento, mediação da informação e
desenvolvimento da competência em informação. Para tanto, o bibliotecário precisa identificar
necessidades de informação da comunidade envolvida e interfacear a relação usuário/informação
para contribuir com a apropriação da informação por meio do desenvolvimento de competências de

�contextualizar e avaliar a informação, portanto, contribuir com o desenvolvimento da autonomia de
pesquisa.
Se faz necessário ressaltar a importância da própria formação do bibliotecário. Pois, para
contribuir de forma protagonista para a formação universitária dos discentes, este profissional
precisa, também, de uma formação crítica, reflexiva, criativa e conscientização do processo de
construção de conhecimento, por meio da reflexão e ação na sociedade.
Este trabalho limitou-se a identificação de relacionamentos já estabelecidos na atuação do
bibliotecário para a formação universitária. Nesse cenário, mas propõe, para estudos futuros, uma
reflexão sobre a efetivação desta atuação protagonista do bibliotecário na formação universitária.

REFERÊNCIAS

ALMEIDA JÚNIOR, Oswaldo Francisco de. Informação e conhecimento: E os dados? In: PRADO,
J. do. Ideias emergentes em Biblioteconomia. São Paulo: FEBAB, 2016. 116 p.
ANASTASIOU, Léa das Graças Camargos. Processos de ensinagem na universidade. Joinville,
SC: UNIVILLE, 2003. 144p.
ANASTASIOU, Léa das Graças Camargos. Docência na educação superior. In: RISTOFF, Dilvo;
SEVEGNANI, Palmira (Org.). Docência na educação superior. Brasília: Inep, 2006. p. 147-171.
BELLUZZO, Regina Celia Baptista. O estado da arte da competência em informação (CoInfo) no
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              <text>O bibliotecário possui potencial para contribuir com a efetivação da formação universitária ao desenvolver atividades de gestão do conhecimento, de interferência e mediação no processo de construção de conhecimento e na maneira de apropriação da informação. A vista disso, o objetivo deste trabalho é identificar co-relacionamentos entre as ações de mediação da informação, desenvolvimento da competência em informação e gestão do conhecimento para a formação universitária. Para tanto, foi adotado como procedimento metodológico a revisão de literatura. Foi possível identificar que o bibliotecário atua na formação universitária, contribuindo com o desenvolvimento da autonomia de pesquisa. Dentre as formas de atuação do bibliotecário se destaca a atividade de interfacear a relação usuário/informação para a apropriação da informação por meio do desenvolvimento de competências para contextualizar e avaliar a informação.</text>
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