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                  <text>Eixo temático - Inovações
UNIVERSIDADE E PRODUÇÃO DO CONHECIMENTO: UMA PERSPECTIVA
INTERNACIONAL
UNIVERSITY AND KNOWLEDGE PRODUCTION: AN INTERNATIONAL PERSPECTIVE
Normaci Correia dos Santos Sena1
Weslayne Nunes de Sales2
Raymundo das Neves Machado3

Resumo: Este estudo tem por objetivo apresentar e analisar o ranking elaborado pelo CWTS desenvolvido pela
Universidade de Leiden (Holanda), a fim de compreender a relevância e o impacto na produção do conhecimento no
contexto universitário no âmbito internacional e nacional. O Centro de Estudos em Ciência e Tecnologia Leiden
Rankings, assim como outros rankings, refletem e valorizam a produção intelectual e a avaliação da qualidade das
instituições de ensino superior. A universidade, enquanto produtora do conhecimento e partícipe da construção de uma
sociedade, é uma instituição que fortalece o trabalho dos pesquisadores e, consequentemente, da divulgação das suas
produções. Trata-se de um trabalho descritivo com observação quantitativa e análise bibliográfica. O estudo evidenciou
que as universidades brasileiras têm evoluído constantemente no que diz respeito à produção científica, mas as
universidades dos países americanos continuam no topo dos rankings. Os desafios ainda são muitos, mas é necessário
que o acesso à educação superior no Brasil seja expandido, e, como consequência, acredita-se que ocorrerá aumento da
produção científica, novas descobertas, avanços e valorização da ciência.

Palavras-chave: Universidade. Produção do conhecimento. Ranking universitário
Abstract: Tradução do texto para o inglês.
Keywords: Tradução dos termos para o inglês.

1 INTRODUÇÃO
O hiato entre o Brasil e o mundo continua em ascensão no que toca à ciência e à tecnologia.
A universidade de hoje é uma instituição moderna e a ciência existe graças às pesquisas
desenvolvidas nas universidades e também aos investimentos públicos que fortificam os trabalhos
dos pesquisadores. Ao longo do tempo, a ciência foi estabelecida como o caminho privilegiado e
mais seguro de acesso à realidade. Nesse período, vários modelos de instituições acadêmicas foram
1

Doutoranda em Ciência da Informação (Ufba). Mestre em Ciência da Informação (Ufba). Graduada em
Biblioteconomia (Ufba). E-mail: normaci.correia@yahoo.com.br.
2
Doutoranda em Ciência da Informação (Ufba). Mestre em Políticas Públicas e Gestão da Educação Superior. Graduada
em Biblioteconomia (Uespi). Bibliotecária na Universidade Federal do Ceará. E-mail: weslaynesales2@gmail.com.
3
Doutor em Ciência da Informação (IBICT/UFRJ). Professor Associado do Departamento de Fundamentos e Processos
Informacional do Instituto de Ciência da Informação (Ufba). E-mail: raymacha@ufba.br.

�sendo desenvolvidos e, com isso, foi estabelecida uma nova configuração na relação entre ciência,
sociedade e universidade. Gradativamente, a universidade incorporou o objetivo basilar de fazer
ciência, viabilizar seus resultados de pesquisa e, consequentemente, produzir conhecimentos úteis
capazes de transformar pessoas e atender às necessidades de um mundo laboral moldado pelas
mesmas ciência e tecnologia.
Sem dúvida, a ciência, entendida como um conhecimento com alto grau de certeza, permitiu
que esse elo acontecesse, considerando que a universidade vai além dos campos administrativos,
organização curricular e procedimentos acadêmicos, perpassa também o núcleo da comunidade
social. O estudo do conhecimento científico comumente o distingue dos conhecimentos filosóficos,
religiosos e empíricos. Atribui-se à ciência a característica de comprovável. Nesse sentido, a
universidade é o ambiente que oportuniza o conhecimento crítico e é responsável pela produção do
conhecimento (AZEVEDO; CATANI, 2013; BOSCO, 2017).
A instituição de ensino superior é a principal protagonista na função educativa pelo processo
de formação que realiza, além do fortalecimento do desenvolvimento socioeconômico e cultural de
um país. As transformações da sociedade bem como os avanços tecnológicos exigiram novas
formas de gestão e disseminação do conhecimento pelas instituições de ensino superior, o que
implica em maior responsabilidade social pelas universidades (SOBRAL, 2001). Com isso, toda
sociedade passa a ter acesso a essa produção; e essa ideia ganha força com o movimento da Ciência
Aberta – conjunto de atividades científicas praticadas de modo aberto, cooperativo e transparente,
fortalecendo, assim, a democracia, a ciência e a relação com a sociedade (ALBAGLI, 2015).
Para Azevedo e Catani (2013), a Universidade tem como essência a produção do
conhecimento. O processo de produção do conhecimento implica em aspectos intrínsecos, como o
processo cognitivo, e também no contexto da sua relação com a sociedade. Isso porque a circulação
de ideias e a educação necessariamente resultam em compartilhamento de cultura e de
conhecimento.
Diante do exposto, pretende-se apresentar e analisar o ranking elaborado pelo CWTS
desenvolvido pela Universidade de Leiden (Holanda), a fim de compreender a relevância e o
impacto na produção do conhecimento no contexto universitário no âmbito internacional e
nacional. Além disso, espera-se que seja possível contribuir com a reflexão a respeito do papel da
universidade no âmago da sociedade, enquanto produtora e disseminadora de todo saber oriundo do
exame sistemático e cuidadoso dos temas referentes ao ser humano e evidenciar alguns tópicos que

�constituem temas de debates e que devem compor o rol de discussões nas universidades brasileiras,
a exemplo do acesso aberto às produções científicas.
Nesse contexto, no âmbito das redes de políticas globais, os critérios e as metodologias dos
rankings universitários tendem a validar tendências globais acerca da “qualidade e da excelência na
educação superior” (LIMA; AZEVEDO; CATANI, 2008). Esses indicadores bibliométricos muitas
vezes são utilizados para comprovar os indicativos para a ação política governativa com base nos
padrões dos países centrais e dos organismos internacionais. Por isso, foram analisados indicadores
do ranking desenvolvido pela Universidade de Leiden (Holanda), a fim de compreender as
contradições e a relevância da produção do conhecimento no contexto universitário.

2 UNIVERSIDADE E CIÊNCIA

Chibeni (2008) apresenta a visão de que a ciência, tal como é vista hoje, teve origem a partir
da filosofia natural em meados do século 17. A ideia de ciência pode ser entendida em diferentes
conceitos e proporções. Aqui, restringe-se à ciência praticada nas universidades, e para melhor
contextualização, propõe-se narrar um pouco sobre a história dessas instituições.
Ao realizar uma pesquisa sobre como se deu o início das universidades, é comum que se
tenha como referência o período medieval e o ensino na Grécia antiga, sempre com forte influência
da religião. Perkin (2007) propõe um recorte cronológico que explica a história das universidades a
partir de cinco etapas. A saber:
 século 12 a 1530: a ascensão da universidade cosmopolita europeia e seu papel na

destruição da ordem mundial medieval na Reforma do século;
 1530-1789: nacionalização da universidade pelos estados-nação emergentes das

guerras religiosas e seu declínio durante o período conhecido como Iluminismo;
 1789-1939: o renascimento da universidade após a Revolução Francesa e seu papel

tardio mas crescente na sociedade industrial;
 1538-1960: a migração da universidade para o mundo não europeu e sua adaptação

às necessidades das sociedades em desenvolvimento e a reação anticolonial;


1945 – presente: a transição do ensino superior de elite para o de massa e o papel da
universidade e seus desdobramentos na sociedade pós-industrial.

�Para Perkin (2007), o avanço do ensino universitário surgiu num contexto em que a
sociedade se voltava aos centros urbanos. As demandas por um ensino universitário advinham de
uma elite treinada para servir à burocracia e ao alto clero, que ansiavam por profissões emergentes
como o direito e a medicina.
O título de primeira universidade ainda é uma disputa não resolvida, contudo Salermo foi
apontada por Perkin (2007) como a primeira escola a receber o título de universidade, ao menos no
que diz respeito à medicina; em seguida, Paris, que, no século 18, havia se transformado em uma
espécie de complexo universitário com privilégios, confirmado pelo Papa (1194) e pelo Rei da
França (1200). Em 1170, portanto, Paris já contava com uma guilda de mestres.
Sobre a universidade como instituição voltada à pesquisa, Perkin (2007) observa que seu
surgimento quase acidental iniciou na Escócia e na Alemanha. Em detrimento da conservação do
conhecimento tradicional, esses países inventaram, de forma independente, dispositivos para
economizar dinheiro. A partir dessa inovação não intencional e com suas ciências sociais pioneiras,
e a economia política de Adam Smith, a escola escocesa ganhou visibilidade na Europa e na
América como instituição de pesquisa.
A universidade estendeu-se para o mundo não europeu a partir dos conquistadores e colonos
na intenção de educar os governantes e elites mercantis, e depois como uma forma de impor aos
povos subjugados uma cultura europeia. O avanço da universidade em países não europeus causou
impactos e apresentou formas diferentes de avançar e se desenvolver, mas em todos esses países a
universidade tornou-se um instrumento do nacionalismo e do anticolonialismo, contrariando,
portanto, as intenções dos colonos. Na América Latina, por exemplo, o avanço das universidades se
dá principalmente a partir da Espanha e de Portugal. Enquanto a Espanha tinha adotado um modelo
mais protetor em relação aos povos latinos, Portugal propunha um ensino voltado à elite europeia e
aos grandes proprietários de terra.
Segundo Perkin (2007), no Brasil, a primeira Universidade foi fundada em 1920. Mas antes
disso, em 1916, em termos da institucionalização da ciência, houve a criação da Sociedade de
Ciência Brasileira, que posteriormente seria chamada de Academia Brasileira de Ciências. Outro
importante marco para a ciência brasileira foi o início da publicação dos Anais da
Academia Brasileira de Ciências em 1929. Essa é a revista científica mais antiga do país e
permanece com publicações trimestrais de seus fascículos (ACADEMIA BRASILEIRA DE
CIÊNCIAS, 2020).

�O ensino universitário avançou com a sociedade pós-industrial. A partir desse momento foi
possível observar a revolução nos sistemas de comunicação, além das formas de organização em
rede, valorizando a informação multi-interdisciplinar de livre circulação e acessibilidade. Essa nova
estrutura contrastante com a experiência humana de então trouxe desafios para a Universidade no
que tange à produção do conhecimento e abertura dos dados de pesquisas.
A expansão da ciência no Brasil não aconteceu de modo igualitário; hoje as universidades
das regiões do Sul e Sudeste do país aparecem com maior frequência e em melhores posições em
rankings que medem a produção científica (Quadros 1 e 2). Porém, o país avançou, tanto que hoje
conta com universidade públicas em todos os estados da nação. Com, por exemplo, a criação do
Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni), foi
possível ampliar o número de vagas nas instituições públicas de ensino superior e com o
estabelecimento de cotas e políticas afirmativas foi possível diminuir o fosso existente entre
diferentes classes, raças e gêneros, proporcionando um acesso menos desigual à educação superior
pública no Brasil (REESTRUTURAÇÃO E EXPANSÃO DAS UNIVERSIDADES FEDERAIS,
2010).
Cabe destacar que a ciência hoje é um aprimoramento do conhecimento empírico
desenvolvido por povos mais antigos. Portanto, a constituição da ciência é um processo lento e
gradativo de amadurecimento. Destaca-se ainda que o surgimento da ciência é muitas vezes
confundido com o surgimento das universidades, contudo estas promovem a institucionalização da
ciência, que já vinha sendo experimentada fora dos muros acadêmicos.
3 METODOLOGIA
O problema de pesquisa deste estudo tem por objetivo apresentar e analisar o ranking
elaborado pelo CWTS desenvolvido pela Universidade de Leiden (Holanda), a fim de compreender
a relevância e o impacto na produção do conhecimento no contexto universitário no âmbito
internacional e nacional. Para tanto, foram analisados os rankings publicados e disponibilizados
em sítios eletrônicos pela CTWS, nos anos de 2019 e 2020. Trata-se de trabalho descritivo com
observação quantitativa e pesquisa bibliográfica.
Cada universidade foi posicionada com base em quatro indicadores: impacto científico,
colaboração (interinstitucional, internacional e com a indústria) e artigos publicados na modalidade
de acesso aberto e diversidade de gênero (número de autorias masculinas e femininas). Essas
dimensões são avaliadas em cinco áreas do conhecimento: Ciências Biomédicas e da Saúde,

�Ciências da Terra e da Vida, Matemática e Ciências da Computação, Ciências Físicas e Engenharia
e Ciências Sociais e Humanidades.
Para análise deste estudo, considerou-se o ranking de todas as áreas citadas acima e cada
indicador publicado nos dois últimos anos: 2019 e 2020. Em 2019, o CTWS avaliou essas áreas
dentro do período de 2014 a 2017; e em 2020, dentro do período de 2015 a 2018. Essas informações
são consolidadas e descritas na sessão 4.
4 A UNIVERSIDADE E A PRODUÇÃO CIENTÍFICA
Desde o princípio, a sociedade é alimentada constantemente por conhecimento em
decorrência da necessidade de compreensão do mundo, contudo, atualmente, o conhecimento é
considerado como instrumento econômico e muitas vezes é equivocadamente usado como sinônimo
de informação. Os conceitos de informação e conhecimento são amplamente discutidos em várias
áreas da ciência; na Ciência da Informação, por exemplo, informação é compreendida como um
processo pelo qual o ser humano realiza e reúne elementos psico-socioculturais (ARAÚJO, 1998;
BUCKLAND, 1991; SARACEVIC, 1999), ou seja, só é informação quando a mensagem é capaz de
transformar o estado de conhecimento do receptor. Dessa maneira, o conhecimento envolve a
subjetividade do ser humano, em outras palavras, enquanto a informação está relacionada à
semântica, o “[...] conhecimento está associado com pragmática, isto é, relaciona-se com alguma
coisa existente no ‘mundo real’ do qual se tem uma experiência direta.” (SETZER, 2015, p. 7, grifo
do autor).
Por esse ângulo, as universidades, enquanto representantes institucionais do conceito de
produção de ciência, evidenciam a sua função de produtora e difusora do conhecimento por meio do
processo de comunicação entre seus pares; e para esse processo, as instituições dependem
dos cientistas, que sintetizam e publicizam seus novos conhecimentos em um campo científico,
como afirma Thomas Kuhn (2006).
Os rankings universitários têm ganhado notoriedade nos cenários global, nacional e local e,
por isso, têm fortalecido as governanças universitária e a transnacional, no que diz respeito aos
âmbitos institucional e educacional, principalmente, nas relações desse fenômeno (rankings) com o
modelo de Universidade de Classe Mundial (UCM), que vem sendo difundido pelos organismos
internacionais (OIs) (THIENGO; BIANCHETTI; DE MARI, 2018). Frequentemente, os rankings
são utilizados como ferramentas estratégicas para as reformas educacionais dos Estados, bem como
para ditar as regras de conduta das universidades.

�Considerando que os rankings internacionais universitários apresentam rotulações, as quais,
em decorrência disso, passam a ser utilizadas como indicador de produtividade e como formas de
qualidade das produções científicas, este estudo procura analisar os indicadores do CWTS Leiden
Rankings, num contexto em que o rótulo de UCM representa um valor a qualidade e/ou validade de
uma instituição dentro do campo de análise da educação superior em âmbito mundial (THIENGO;
BIANCHETTI; DE MARI, 2018).
Os rankings avaliam a produção científica das universidades do mundo; no caso deste
estudo, os rankings analisados foram realizados pelo Centro de Estudos em Ciência e Tecnologia
(CWTS). O CWTS Leiden Ranking é baseado em dados bibliográficos do banco de dados Web of
Science da Clarivate Analytics, Filadélfia (EUA). Ele, além de oferecer importantes insights sobre o
desempenho científico de grandes universidades em todo o mundo, em comparação com outros
rankings universitários, oferece indicadores bibliométricos mais robustos e apresenta uma variedade
de métricas, o que possibilita explorar o desempenho das universidades de diferentes ângulos.
Os rankings da CWTS foram publicados em diferentes anos, em 20194 e em 20205. Neste
ranking, além da classificação geral, foram analisados os indicadores das instituições no período de
2014 a 2017 (publicado em 2019) e de 2015 a 2018 (publicado em 2020) em quatro dimensões:
impacto científico, colaboração (interinstitucional, internacional e com a indústria) e também
artigos publicados na modalidade de acesso aberto e diversidade de gênero (número de autorias
masculinas e femininas). Essas dimensões são avaliadas em cinco áreas do conhecimento:
Ciências Biomédicas e da Saúde, Ciências da Terra e da Vida, Matemática e Ciências da
Computação, Ciências Físicas e Engenharia e Ciências Sociais e Humanidades.
Com base nesses indicadores, no ano de 2019, foram classificadas 963 universidades,
considerando a pesquisa acadêmica produzida e a produção científica publicada na Web of Science,
no período de 2014 a 2017.
Na classificação geral de todas as áreas, no topo desse ranking, no que tange ao quesito
impacto científico, encontra-se a Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, com total de
33.168 produções científicas, seguido da Shanghai Jiao Tong University, China, 22.367; University
of Toronto, Canadá, 22.154; Zhejiang University, China, 22.100; Tsinghua University, China,
18.404; University Michigan, Estados Unidos, 18.203; Johns Hopkins University, Estados Unidos,
16.902; e em 8º lugar está a Universidade de São Paulo, com 16.846.

4
5

https://www.leidenranking.com/ranking/2019/list
https://www.leidenranking.com/ranking/2020/list

�Ainda nesse quesito, no Brasil, além da Universidade de São Paulo (USP), outras
universidades também foram bem avaliadas; na 138ª posição está a Universidade Estadual Paulista
Júlio de Mesquita Filho (Unesp), com 6.325 publicações; na 183ª posição, a Universidade Esta dual
de Campinas (Unicamp), com 5.562; e na 192ª posição, a Universidade Federal do Rio Grande do
Sul (UFRGS), com 5.372, e outras que ficaram mais distantes, conforme mostra o Quadro 1.
Quadro 1 - Ranking da produção científica das universidades públicas brasileiras
no quesito impacto científico, no período de 2014 a 2017
Posição
8ª
138ª
183ª
192ª
229ª
281ª
420ª
480ª
532ª
578ª
634ª
652ª
679ª
691ª
692ª
707ª
751ª
812ª
841ª
860ª
880ª
927ª
933ª

Universidade
Universidade de São Paulo
Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita
Universidade de Estadual de Campinas
Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Universidade Federal do Rio de Janeiro
Universidade Federal de Minas Gerais
Universidade Federal de São Paulo
Universidade Federal de Santa Catarina
Universidade Federal do Paraná
Universidade Federal de Pernambuco
Universidade Federal de São Carlos
Universidade de Brasília
Universidade Federal de Santa Maria
Universidade Federal de Viçosa
Universidade Federal do Ceará
Universidade Federal de Fluminense
Universidade Federal do Rio Grande do Norte
Universidade do Estado de Maringá
Universidade do Estado do Rio de Janeiro
Universidade Federal de Goiás
Universidade Federal da Bahia
Universidade Federal da Paraíba
Universidade Federal de Uberlândia

Sigla
USP
Unesp
Unicamp
UFRGS
UFRJ
UFMG
Unifesp
UFSC
UFPR
UFPE
UFSCar
UnB
UFSM
UFV
UFC
UFF
UFRN
UEM
UERJ
UFG
Ufba
UFPB
UFU

Nº de publicações
16.846
6.325
5.562
5.372
4.781
4.121
2.992
2.597
2.269
2.057
1.839
1.761
1.666
1.636
1.629
1.576
1.439
1.288
1.228
1.192
1.156
1.068
1.053

Fonte: CWTS.

Com relação aos quesitos colaboração e acesso aberto, as universidades americanas
continuam em evidência, seguidas das chinesas; já entre as do Brasil, a melhor ranqueada foi a
USP, que ocupa a 12ª posição, seguida da Unesp, 166ª; a UFBA ficou na 811ª posição.
Em relação ao item diversidade de gênero, a USP ocupa a 3ª posição, e a Universidade de
Havard e a de Toronto ocuparam a 1ª e a 2ª, respectivamente. Nesse item, a UFBA ocupa a 682ª
posição.
Em 2020, o CWTS apresentou um novo ranking, avaliado no período de 2015 a 2018. Para
esse período, a instituição classificou 1.175 universidades em todo o mundo. A Universidade de
Harvard continua liderando, já as universidades brasileiras obtiveram uma mudança significativa,
outras universidades foram ranqueadas conforme o Quadro 2. O levantamento realizado pelo Centro

�de Estudos da Universidade de Leiden, que tem como base de dados a plataforma Web of Science
aponta a Universidade de São Paulo como a universidade brasileira com maior destaque no ranking,
ocupando a posição n.º 7, no quesito impacto científico. Destaca-se ainda que, dentre as
universidades brasileiras, as nove primeiras posições do ranking são ocupadas predominantemente
por instituições localizadas no Sul e Sudeste do país. A região Nordeste só encontra representação a
partir da 10ª posição, com a Universidade Federal de Pernambuco.
Entre as instituições do nordeste brasileiro, recebem destaque a Universidade Federal de
Pernambuco (UFPE), na posição 581ª, considerando os dados globais; e, como dito anteriormente, é
a primeira do nordeste brasileiro. A Universidade Federal do Ceará (UFC) ocupa a 684ª posição
global, a segunda do nordeste brasileiro. A Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN),
por sua vez, ocupa a 733ª posição global, terceira do nordeste brasileiro.
Quadro 2 - Ranking da produção científica das universidades públicas
brasileiras no quesito impacto científico (2015-2018)
Posição
Universidade
7ª
Universidade de São Paulo
137ª
Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita
178ª
Universidade de Estadual de Campinas
195ª
Universidade Federal do Rio Grande do Sul
231ª
Universidade Federal do Rio de Janeiro
274ª
Universidade Federal de Minas Gerais
444ª
Universidade Federal de São Paulo
459ª
Universidade Federal de Santa Catarina
524ª
Universidade Federal do Paraná
581ª
Universidade Federal de Pernambuco
619ª
Universidade Federal de São Carlos
625ª
Universidade de Brasília
651ª
Universidade Federal de Santa Maria
675ª
Universidade Federal de Viçosa
684ª
Universidade Federal do Ceará
685ª
Universidade Federal de Fluminense
733ª
Universidade Federal do Rio Grande do Norte
795ª
Universidade do Estado de Maringá
828ª
Universidade Federal de Goiás
853ª
Universidade Federal da Bahia
858ª
Universidade do Estado do Rio de Janeiro
934ª
Universidade Federal da Paraíba
936ª
Universidade Federal de Uberlândia
958ª
Universidade Federal de Pelotas
972ª
Universidade Federal do Pará
981ª
Universidade Estadual de Londrina
1021ª
Universidade Federal de Lavras
1065ª
Universidade Federal de Mato Grosso
1069ª
Universidade Federal do Espírito Santo
1143ª
Universidade Federal de Juiz de Fora
Fonte: Baseado no ranking da CWTS.

Sigla
USP
Unesp
Unicamp
UFRGS
UFRJ
UFMG
Unifesp
UFSC
UFPR
UFPE
UFSCar
UnB
UFSM
UFV
UFC
UFF
UFRN
UEM
UFG
Ufba
UERJ
UFPB
UFU
UFPEL
Ufpa
UEL
Ufla
UFMT
Ufes
UFJF

Nº de publicações
17855
6754
5931
5699
5032
4460
3009
2927
2458
2178
2012
1992
1880
1771
1743
1740
1606
1461
1363
1304
1298
1153
1153
1116
1070
1058
985
917
912
830

�No ano de 2020, nos quesitos colaboração e acesso aberto, as universidades americanas
continuam em evidência, seguidas das chinesas; já entre as do Brasil, a mais bem ranqueada é a
USP, ocupando a 13ª posição, seguida da Unesp, 165ª, a UFBA, na 794ª posição.
No item diversidade de gênero, a USP continua na 3ª posição, e a Universidade de Havard,
e a de Toronto na 1ª e na 2ª posição, respectivamente. Nesse item, a Ufba apresenta uma pequena
melhora, ocupando a 668ª posição.
O monitoramento da atividade científica bem como a avaliação por indicadores de
desempenho, caso deste estudo, são importantes por três motivos:
a) para assegurar que a ciência participasse efetivamente na consecução dos objetivos
econômicos e sociais dos diferentes países; b) porque a disponibilidade de recursos para
esta atividade é limitada e obviamente compete com os demais setores de investimento
público; c) porque o procedimento de deixar a decisão de alocar os recursos para ciência
exclusivamente com os próprios participantes dessa atividade deixava muito a desejar.
(VELHO, 1985 apud LETA, 2011, p. 65).

Com a análise bibliométrica e de seus indicadores, é possível entender e descrever o cenário
da produção do conhecimento no mundo, assim como os temas, autores e coautores. Os quadros 1 e
2 sinalizam para um aumento significativo de produções científicas e de universidades brasileiras
que estão se destacando em decorrência da evolução na produção científica. Obviamente, em
comparação com os outros países de colocação melhor, é preciso considerar fatores econômico,
social, cultural e, principalmente, político para o avanço da ciência de cada um.
Sabe-se que a elaboração desses rankings colocam as instituições em um nível de
competição de tal maneira que aquelas que ocupam a melhor posição são consideradas as melhores
instituições, mas é preciso considerar a relatividade desses dados e analisar os números com
cautela; afinal, o desenvolvimento da ciência e, consequentemente, a veiculação da produção
científica são primordiais para o progresso do país. O ranking é importante não só para verificação
da produção científica, mas como instrumento de exercício de poder para fazer a atribuição de
publicações e citações a cada instituição acadêmica, considerando-se como norma dominante o
ensino superior global. Além disso, funciona como importante informação para tomada de decisão;
seus indicadores se baseiam no desempenho da pesquisa, nos resultados de inovação e no impacto
social, medidos pela visibilidade obtida pela produção científica e seu consequente impacto no
investimento econômico para as instituições.
Outro ponto que merece destaque é o fato de que a distribuição orçamentária para as
universidades públicas só conseguiu alcançar patamares menos desiguais em meados de 1994 com a

�publicação da Portaria Ministerial n.º 1.285/MEC, que estabeleceu um marco regulamentador para a
distribuição dos recursos entre as Instituições Federais de Ensino Superior (IFES). Embora esse
decreto diminua o abismo no que diz respeito à distribuição dos recursos entre uma instituição e
outra, é válido destacar que ele cobre as IFES, mas não as universidades estaduais, e que ele surge
como uma medida de diminuição de subjetividade na distribuição dos recursos, porém não garante
a igualdade entre as instituições.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS

A compreensão do papel da Universidade diante da produção e gestão do conhecimento tem
evoluído constantemente na sociedade. Consequentemente, essa instituição enfrenta novos desafios
na produção e na organização do conhecimento. Se antes o conhecimento científico era
independente do conhecimento técnico/industrial, hoje o conhecimento científico é fundamental
para a evolução do conhecimento técnico, o que, de certa forma, é demandado das necessidades da
população.
A crescente produção do conhecimento possibilitou que as universidades, especialmente as
públicas, liderassem em número de publicações. Contudo, mensurar a produção científica é uma
atividade complexa, custosa e que envolve múltiplos fatores. Como dito anteriormente, os rankings
que buscam essa mensuração nem sempre cobrem a totalidade da produção, logo não se pode falar
de índices absolutos de medição de escala da produção, embora os existentes possam revelar uma
parte dessa produção.
Destaca-se que não é possível estudar a produção do conhecimento de forma isolada, pois
ela está atrelada a fatores sociais, econômicos, mercantilista e histórico; afinal, o estudo da
produção do conhecimento científico é também um estudo da sociedade e de seu desenvolvimento.
A pesquisa bibliográfica realizada neste estudo traz algumas reflexões sobre o papel da
universidade, da sociedade do conhecimento, da evolução e valorização da ciência e também da
produção científica no mundo e no Brasil. Além disso, leva a refletir sobre o papel da biblioteca
nesse contexto.
Desse modo, nessa perspectiva, as possibilidades de participação da biblioteca poderiam
envolver não só a divulgação da produção científica institucional, que já é uma atividade
tradicional da biblioteca, mas também a elaboração de rankings de suas próprias instituições com a
intenção de promover maior visibilidade para publicações que não são contempladas nos rankings

�mais tradicionais. O profissional bibliotecário, nesse sentido, com conhecimento da literatura
cinzenta produzida na instituição à qual está vinculado, poderá desenvolver métodos de mensuração
e escalonamento das produções e, juntamente com a divulgação dos trabalhos e das medições,
trabalhar também com a conscientização do público sobre a necessidade de considerar que a
produção científica vai além dos tradicionais artigos de periódicos.
Pondera-se ainda que as bibliotecas detêm potencial para averiguar as produções científicas
realizadas em suas instituições, mesmo as de literatura cinzenta. Isso poderia ser feito mediante a
constituição de uma rede colaborativa entre os pesquisadores institucionais que informariam a
biblioteca sobre suas produções e, após verificação das questões relacionadas aos direitos morais e
patrimoniais do autor, as produções poderiam ser divulgadas nos repositórios institucionais,
favorecendo assim o acesso da comunidade aos textos e, como consequência, fomentando o acesso
aberto. Empiricamente, observa-se que essa já é uma prática em algumas instituições, mas ainda
falta ser expandida para todo território nacional.
Sabe-se que os rankings valorizam a produção intelectual; na verdade, busca utilizar
excelência seguindo padrões internacionais, muitas vezes, com altas burocracias e restrições. Nesse
sentido, este estudo almeja, contudo, maior valorização das instituições de ensino não apenas no
aspecto econômico, mas político nesse processo. Ademais, considera-se necessário que o país
repense o processo de conhecimento que envolve novas instituições e que as insira massivamente na
competição com o mundo entre as melhores universidades públicas, produtoras e disseminadoras de
conhecimento, o que, de certa forma, já vem sendo praticado. Mas isso não quer dizer que os
rankings não possam ser questionados; a criticidade no meio acadêmico é fundamental para o
progresso científico e deve ser usada constantemente. É preciso compreender como funciona, para
que serve, buscar a qualidade, e não apenas os valores agregados. Todavia, é consenso que os
rankings são mecanismos de avaliação da qualidade das instituições de ensino superior. E com
certeza, com alguns ajustes educacionais, investimentos e valorização da ciência, por parte do
estado, essa competitividade é possível.
Outro ponto relevante, é que o reconhecimento explícito do papel das universidades como
defensoras da democracia, assim como geradoras de conhecimento, acompanha os desafios que a
própria instituição tem de enfrentar nos novos moldes de se fazer ciência. Essas novas
transformações exigem que o conhecimento científico seja compartilhado, transparente e aberto
para que a sociedade participe mais ativamente e dialogue com a Universidade, refletindo, assim, de
maneira positiva no país. É preciso, portanto, acompanhar e se inserir nos movimentos de

�acessibilidade e transparência das produções científicas, por exemplo, no quarto paradigma das
universidades, que é a Ciência Aberta.
Os desafios ainda são muitos. Por isso, é necessário que o acesso à educação superior no
Brasil seja expandido; como consequência dessa expansão, acredita-se que ocorrerá aumento da
produção científica, novas descobertas, inventos e avanços.
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              <text>Este estudo tem por objetivo apresentar e analisar o ranking elaborado pelo CWTS desenvolvido pela Universidade de Leiden (Holanda), a fim de compreender a relevância e o impacto na produção do conhecimento no contexto universitário no âmbito internacional e nacional. O Centro de Estudos em Ciência e Tecnologia Leiden Rankings, assim como outros rankings, refletem e valorizam a produção intelectual e a avaliação da qualidade das instituições de ensino superior. A universidade, enquanto produtora do conhecimento e partícipe da construção de uma sociedade, é uma instituição que fortalece o trabalho dos pesquisadores e, consequentemente, da divulgação das suas produções. Trata-se de um trabalho descritivo com observação quantitativa e análise bibliográfica. O estudo evidenciou que as universidades brasileiras têm evoluído constantemente no que diz respeito à produção científica, mas as universidades dos países americanos continuam no topo dos rankings. Os desafios ainda são muitos, mas é necessário que o acesso à educação superior no Brasil seja expandido, e, como consequência, acredita-se que ocorrerá aumento da produção científica, novas descobertas, avanços e valorização da ciência.</text>
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