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                  <text>EIXO 1 Tradição
SEMANA DA CONSCIÊNCIA NEGRA NA BIBLIOTECA PROF. GERALDO FARIA
CAMPOS DA UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS
BLACK CONSCIOUSNESS WEEK AT THE PROF. GERALDO FARIA CAMPOS LIBRARY
OF THE FEDERAL UNIVERSITY OF GOIÁS
Basilio, Esdra1
Resumo: Neste artigo, nos propomos a apresentar ações educativas realizadas durante a Semana da Consciência Negra
que ocorreu entre os dias 19 a 23 de novembro do ano de 2019, na Biblioteca Seccional Prof. Geraldo Faria Campos
localizada no Centro de Ensino e Pesquisa Aplicada à Educação, da Universidade Federal de Goiás. O evento foi
realizado nas dependências da biblioteca com o objetivo de destacar obras de algumas escritoras negras e problematizar,
em rodas de conversa com as crianças, temas importantes para refletirmos sobre representatividade, diversidade
cultural, social, étnica e racial, a partir dos livros que compõem o acervo, em especial os livros de literatura infantil e
juvenil. Trata-se de um artigo de cunho descritivo por meio do qual buscamos evidenciar os resultados obtidos mediante
ações realizadas e ainda demostrar a relevância de tais ações para a promoção da biblioteca em relação às temáticas
antirracistas e inclusivas. Compreendemos que a biblioteca tem o papel fundamental de promover debates e estratégias
de combate ao racismo.
Palavras-chave: Escritoras Negras. Consciência Negra. Práticas antirracistas. Universidade Federal de Goiás.
Abstract: In this article, we propose to present educational actions carried out during the Black Awareness Week that
took place between the 19th to the 23rd of November, 2019, at the Professor Geraldo Faria Campos Library located at
the Center for Teaching and Applied Research to Education, at the Federal University of Goiás. The event was held on
the premises of the library with the aim of highlighting the works of some black writers and problematizing, in
conversation circles with children, themes which are important to reflect on representativeness, cultural, social, ethnic
and racial diversity, based on the books that make up the collection, especially books on children's and youth literature.
It is a descriptive article through which we seek to emphasize the results obtained through actions taken and also to
demonstrate the relevance of such actions for the promotion of the library in relation to anti-racist and inclusive themes.
We understand that the library has a fundamental role in promoting debates and strategies to combat racism.
Keywords: Black Writers. Black Consciousness. Anti-racist practices. Federal University of Goiás.

1

Doutoranda pelo Programa de Pós-Graduação em História na UFG. Bibliotecária no Sistema de Bibliotecas da UFG,
Biblioteca Seccional do CEPAE. basilioesdra@ufg.br.

�1- INTRODUÇÃO
A Biblioteca do Centro de Ensino e Pesquisa Aplicada à Educação (CEPAE) compõe o
Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal de Goiás, é intitulada Biblioteca Seccional CEPAE
Prof. Geraldo Faria Campos (BSCEPAE) 2 . Ela é uma entre as dez bibliotecas que fazem parte do
Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal de Goiás (SiBi/UFG) e a única de caráter escolar e,
nesse sentido, possui particularidades de Biblioteca Escolar. Seu público-alvo são os alunos da
educação básica do primeiro ano do ensino fundamental até o terceiro ano do ensino médio, bem
como professores, alunos da pós-graduação e servidores. Sob esse aspecto, a biblioteca também
recebe todos os alunos da universidade que podem solicitar empréstimo de livros constantes do
acervo e utilizar o espaço para estudo. Alguns serviços e produtos são oferecidos apenas para os
usuários que possuem vínculo com a instituição UFG. O acervo, composto por 31.719 exemplares,
é aberto para a comunidade em geral, porém, para este público, o material informacional deve ser
utilizado apenas dentro da biblioteca, isto é, não é possível realizar o empréstimo domiciliar.
O horário de funcionamento é das sete da manhã às cinco horas da tarde, de segunda a sextafeira e conta com uma equipe composta por uma bibliotecária, um bolsista (estudante) e três
técnicos administrativos. Semanalmente, a biblioteca recebe alunos da primeira fase do ensino
fundamental, do primeiro ao quinto ano, sendo dez turmas ao todo, e cada turma é composta em
média por trinta crianças. Vale ressaltar que todas as crianças vão à biblioteca pegar livros
emprestados, devendo, obrigatoriamente, levá-los para casa.
Neste artigo, explanaremos sobre algumas práticas educativas realizadas na biblioteca entre
os dias dezenove e vinte e três do mês de novembro de 2019, na semana em que se comemora a
Consciência Negra3

no Brasil, quando realizamos uma exposição de obras de intelectuais e

escritoras negras existentes na biblioteca. Colocamos os livros em destaque na estante expositora,
2

Doravante, será utilizada a sigla (BSCEPAE) para nos referirmos à biblioteca da escola.
O dia da consciência negra foi instituído pela lei 12.519 em 10 de novembro de 2011. Para Araújo (2020, p.1),
“Conquista arrancada pelo Movimento Negro para assinalar a persistência do racismo que estrutura e dá forma ao
Brasil, a data segue sendo uma construção renovada pelas forças vivas da negritude e homenageia nosso líder
quilombola, revolucionário, Zumbi dos Palmares”. ARAUJO, Vera Lúcia Santana. Racismo mata: o caso do Carrefour
e outros tantos Brasil adentro. Portal Geledés. Disponível em: &lt; https://www.geledes.org.br/racismo-mata-o-caso-docarrefour-e-outros-tantos-brasil-adentro/&gt;. Acesso em: 20 abr. 2021.
3

�que fica em frente à entrada da biblioteca, trabalhamos com todas as turmas durante essa semana,
dialogando sobre a importância de ler livros escritos por escritoras negras, estabelecemos uma roda
de conversa para discutir sobre o motivo de o acervo da biblioteca ser composto, em grande medida,
por livros escritos por homens em detrimento de livros escritos por mulheres e mulheres negras.
Outra reflexão levantada com as crianças foi problematizar o fato de existir poucos
personagens negros/as na literatura infantil e juvenil, sobretudo personagens de destaque como
protagonistas das histórias. Para Araújo (2018, p. 4), “a literatura endereçada ao público infantil e
juvenil estaria marcadamente, desde seus primórdios, comprometida com a perpetuação de relações
de dominação racial, tendo a população negra como coadjuvante da história desse gênero literário”.

Figura 1 - Cartaz de divulgação da exposição da exposição

Fonte: Cartaz elaborado por Vanessa Rocha/BSCEPAE/UFG (2019).

Tais perguntas suscitaram um profícuo debate em todas as turmas, e, além da discussão
realizada, foi apresentado um livro da escritora bell hooks 4 intitulado ‘Meu Crespo é de Rainha’,
(publicado originalmente em 1999). No Brasil, a publicação foi lançada em 2018 pela editora
Boitatá e trata-se de um livro ilustrado em forma de poema que apresenta diferentes possiblidades
de penteados para cabelos cacheados e crespos. A autora busca inspirar as meninas a perceberem a
diversidade de beleza existente e possível de cabelos diversos.
4

Escritora, ativista e professora universitária, nasceu nos Estados Unidos em 1952. bell hooks é uma grande expoente
no campo do feminismo negro, publicou mais de trinta livros que foram traduzidos em diversos países, suas obras
abordam os conceitos de raça, classe e gênero na educação.

�Compreendemos que é fundamental apresentar para as crianças, na biblioteca, escritoras
negras, no sentido de evidenciar a importância dessas mulheres na literatura e também demostrar
que existe, por parte do mercado editorial, uma resistência em publicar obras de mulheres negras e
elucidar que este acontecimento está diretamente ligado ao fato de elas serem mulheres. Para tanto,
acreditamos que uma forma de combater esse tipo de cerceamento é justamente por meio da leitura
de escritoras, sobretudo as intelectuais escritoras negras e, também, ao problematizar a
representatividade e a questão do racismo5
As escritoras negras, em particular, têm sido sub-representadas nas histórias e críticas
literárias. Os seus textos, na maioria das vezes são ignorados ou tidos como literatura de
“inferior qualidade”. Foram vários e eficientes os recursos utilizados pelos “donos” do
campo literário para, através do silenciamento, tornar inaudíveis as vozes de mulheres
negras que tentavam reescrever suas histórias e inseri-las na produção textual brasileira.
(SANTIAGO, 2012, p. 9, grifo da autora).

Dessa maneira, as obras literárias das escritoras selecionadas para a exposição, destinadas ao
público infantil e juvenil, têm em comum a perspectiva de escreverem a literatura, seja poesia ou
prosa, a partir da própria experiência, portanto, assumindo nuances políticas. Afinal, por meio da
imaginação é possível denunciar injustiças e opressões, evocando memórias e sonhos. Nesse
sentido, ressaltamos a relevância desse tipo de trabalho ser realizado na biblioteca, instituição
social, que deve promover ações relevantes para combater as desigualdades sociais provocadas pela
discriminação e preconceito racial.
2- REVISÃO DE LITERATURA: DIÁLOGOS ENTRE BIBLIOTECA, LEITURA E
COMPETÊNCIAS INFORMACIONAIS
Compreendemos que ter um/a Bibliotecário/a habilitado/a, consciente do papel social que a
biblioteca deve desempenhar e ainda ter competência informacional é fundamental para o êxito de
5

Segundo Almeida (2018, p. 37), “Em uma sociedade em que o racismo está presente na vida cotidiana, as instituições
que não tratarem de maneira ativa e como um problema a desigualdade racial irão facilmente reproduzir as práticas
racistas tidas como “normais” em toda a sociedade. É o que geralmente acontece nos governos, empresas e escolas em
que não há espaços ou mecanismos institucionais para tratar de conflitos raciais e de gênero”. ALMEIDA, Silvio Luiz
de. O que é racismo estrutural? Belo Horizonte: Letramento, 2018.

�uma biblioteca. Para Valério e Campos (2009, p. 4), “o papel social que uma biblioteca possui
contribui para o debate e discussões diversas, corroborando na construção de uma sociedade
melhor”. De acordo com as diretrizes criadas pela Federação Internacional de Associações de
Bibliotecários e Instituições (IFLA) em relação à competência que o/a bibliotecário/a deve possuir
para atuar em uma biblioteca escolar, destacamos o seguinte trecho:
O bibliotecário deve criar um ambiente de entretenimento e aprendizagem que seja atrativo,
acolhedor e acessível para todos, livre de qualquer medo ou preconceito. Todos aqueles que
trabalham na biblioteca da escola devem ter bom relacionamento com crianças, jovens e
adultos. (IFLA, 2005, p. 12).

Ezequiel Theodoro da Silva (1992, p. 36) afirma que
a maioria das escolas não possui bibliotecas, e aquelas que possuem são geralmente mal
utilizadas (inexiste renovação de acervo, não há bibliotecárias formadas em escolas oficiais,
os locais são inapropriados.

Concordamos com Silva (1992) ao afirmar que a ausência de bibliotecas escolas
devidamente equipadas, isto é, com local adequado, profissional habilitada em biblioteconomia e
acervo atualizado é uma realidade no Brasil. Porém, a biblioteca BSCEPAE, excepcionalmente,
atende aos pré-requisitos de uma biblioteca escolar de qualidade, em contraste com a maioria das
bibliotecas escolares do Brasil, principalmente em se tratando da rede municipal e pública de
ensino. Nesse sentido, podemos afirmar que a biblioteca BSCEPAE cumpre a função de biblioteca
escolar, na medida em que fomenta ações de promoção a leitura e de práticas que geram
aprendizados para a cidadania. Sobre a leitura, Silva afirma:
Compreender a mensagem, compreender-se na mensagem, compreender-se pela
mensagem, eis aí os três propósitos fundamentais da leitura, que em muito ultrapassam
quaisquer aspectos utilitaristas, ou meramente, “livrescos”, da

comunicação leitor-texto.

Ler é em última instância, não só uma ponte para a tomada de consciência, mas também um
modo de existir no qual o indivíduo compreende e interpreta a expressão registrada pela
escrita e passa a compreender-se no mundo. (SILVA,1992, p. 45, grifo do autor).

�Nessa perspectiva, nosso acervo é aberto, e as crianças podem passear pelas estantes,
escolher os livros de forma espontânea. Além de disponibilizar a oferta de livros, que sempre estão
dispostos na mesa em frente ao local do empréstimo, também motivamos as crianças a escolherem o
livro a ser lido nas estantes. Sobre a leitura, Ferreira destaca:
A leitura, como produção de sentidos, permite emergir a biblioteca vivida, a memória de
leituras anteriores e de dados culturais. Dessa forma, não há jamais sentido constituído
imposto pelo livro em leitura, é preciso construí-lo. Da mesma forma que a biblioteca
trabalha o texto oferecido, o texto lido trabalha em compensação a própria biblioteca.
(FERREIRA, 2009, p. 75).

Dessa maneira, realizamos atividades pedagógicas na biblioteca BSCEPAE com o propósito
de torná-la um ambiente dinâmico e inclusivo, onde as crianças podem ter uma vivência e
percepção do que é uma biblioteca democrática com diversidade cultural. Para tanto, promovemos
atividades distintas diariamente, entre elas: contação de história, empréstimo de livros, leitura livre,
exposição de livros literários, encontro com escritoras/res regionais, realizamos a exposição de
livros artesanais confeccionados pelos/as alunos/as, temos ainda o projeto Encontro Literário, que
consiste em um encontro mensal voltado para os/as alunos/as do ensino médio durante o qual
realizamos uma roda de conversa com o objetivo de dialogar sobre indicações de leitura e discutir
sobre alguma obra que tenha destaque para um dos participantes, sendo ainda realizada a projeção
de curta metragens com filmes educativos para as turmas do ensino fundamental. Todas as
atividades e os projetos desenvolvidos na biblioteca são direcionados para a circulação e
apropriação da leitura, com o objetivo principal de formar leitoras/es e escritoras/es competentes.
Para Girotto e Souza (2009, p. 38), “Certamente, desde muito cedo, a criança precisa
constituir para si mesma um universo imaginário que se tornará uma chave cultural para a sua
própria interpretação do mundo”. Nessa perspectiva, frisamos que a biblioteca escolar deve ser um
ambiente interativo, deve ser um organismo vivo e ainda um espaço cultural que aguce a
curiosidade das crianças.

�3- METODOLOGIA UTILIZADAS
Para atingir os objetivos propostos, mediante as ações realizadas durante a Semana da
Consciência Negra, foram executadas algumas etapas para a realização das ações, assim definidas:
evidenciar os livros de intelectuais e escritoras que compõem o nosso acervo; realizar uma pesquisa
no acervo para descobrir os livros existentes, sendo eleitas dez escritoras. Após ter sido feita a
pesquisa no catálogo, foram recolhidos os livros do acervo, e o passo seguinte foi realizar uma
pesquisa na internet para descobrir a bibliografia e a trajetória de cada escritora selecionada.
As escritoras elegidas para participar da exposição foram: Carolina Maria de Jesus 6,
Chimamanda Ngozi7, Heloisa Pires Lima8, Carmen Lúcia Campos9, bell hooks,
Elisa Lucinda10, Esmeralda Ribeiro11, Geni Guimarães

12

, Renata Felinto13 e Ana Flávia

Magalhães14. Fizemos cartazes contendo a mini bibliografia de cada escritora e, além da exposição
das obras das escritoras, também escolhemos exibir um curta metragem onde a contadora de
histórias Samara Rosa15 narra o livro Meu Crespo é de Rainha, da escritora bell hooks. Após a
exibição do curta, decidimos realizar um debate com as crianças sobre a temática do livro, que é a
questão da representatividade e da diversidade e beleza dos cabelos crespos e cacheados.

6

Escritora, compositora e poetisa, nasceu em Minas Gerais em 1914 e morreu aos 62 anos em São Paulo. É considerada
uma das primeiras e mais importantes escritoras negras do Brasil.
7
Escritora, ativista e palestrante, nasceu em Enugu, na Nigéria, em 1977. Por meio de seus livros, a autora enfatiza as
desigualdades sociais ocasionadas pelo racismo, além de abordar as temáticas do colonialismo e política no continente
Africano.
8
Escritora, antropóloga e ativista, nasceu em Porto Alegre em 1955, autora de livros infantis e juvenis. Em seus livros
voltados para a educação antirracista, a autora ressalta o empoderamento das meninas negras.
9
Escritora e editora, nasceu em São Paulo e é autora de quinze obras de ficção para crianças e jovens. Suas obras
abordam o problema do preconceito racial, os personagens protagonistas nas histórias sempre são negros/as.
10
Escritora, jornalista, cantora e atriz, nasceu no Espírito Santo em 1958. O foco de suas obras literárias destinadas ao
público infantil e juvenil é mostrar a possiblidade de belezas e de poesia na diversidade.
11
Escritora e jornalista, nasceu em São Paulo em 1958, atua na construção e visibilidade de uma literatura negra,
sobretudo com a participação das mulheres, evidenciando a memória das tradições afro-brasileiras.
12
Escritora, poetiza e professora, nasceu em São Paulo em 1947, seus livros abordam questões sociais, ligadas à
afirmação da afrodescendência e o combate ao racismo.
13
Escritora, educadora e artista visual, nasceu em São Paulo em 1978, em suas obras a autora evidencia a arte e o
protagonismos de pessoas negras.
14
Escritora, professora, ativista, nasceu em Planaltina, Distrito Federal em 1979, em suas obras, apresenta
pensadoras/os negras/os, com o objetivo de destacar a importância os intelectuais negros/as, apagados da história
oficial.
15
Disponível em: &lt;https://www.youtube.com/watch?v=DO_FN-mEn84&gt;. Acesso em: 10 fev. 2020.

�FIGURA 2- Estante expositora de livros

Fonte: Esdra Basílio/BSCEPAE/UFG (2019)

Com a programação fechada e o público-alvo escolhido, solicitamos a assessoria de
comunicação da Universidade Federal de Goiás para divulgar, em seus meios de comunicação, a
exposição que estávamos realizando. O público escolhido foram todas as turmas da primeira fase do
ensino fundamental, que vão até a biblioteca semanalmente, sempre na companhia do/a professor/a
de português. Nesse sentido, nós conversamos com os docentes sobre as ações que seriam
realizadas durante toda a semana com todas as turmas. A recepção das ações propostas por parte
dos/as professore/as foi excelente, ao relatarem ter gostado bastante da iniciativa da biblioteca no
sentido de discutir a representatividade das mulheres escritoras durante a Semana da Consciência
Negra.
4- CONSIDERAÇÕES FINAIS
A invisibilidade de escritoras negras é construída historicamente. Reconhecemos que houve,
nos últimos anos, uma certa evidência por parte das editoras de publicar obras de algumas escritoras

�negras, como, por exemplo, as escritoras Conceição Evaristo 16 e Djamila Ribeiro17. Entretanto, essa
pequena abertura do mercado editorial é nsipiente, sendo necessária a realização de ações
educativas nas escolas, nas universidades e nos meios de comunicação para que a hegemonia de
escritores homens brancos seguidos das escritoras brancas seja modificada em relação ao mercado
editorial e, por conseguinte, reflita nos acervos das bibliotecas para que a democratização da leitura
seja efetivamente implementada com a representatividade de escritoras negras. Em relação ao papel
dos/as bibliotecários/as frente às competências informacionais necessárias para atuar em uma
biblioteca, Valério e Campos afirmam:
os (as) bibliotecários (as) competentes em informação étnico-racial cooperam para a
desconstrução do racismo, do preconceito e de práticas de discriminação em geral com o
intuito de incluir os grupos historicamente discriminados na sociedade da informação. Em
consideração a amplitude profissional, a prática da competência informacional leva o (a)
bibliotecário (a) a executar seu papel social que, no contexto das bibliotecas,
independentemente

de

sua

tipologia

(analógica

ou

digital),

contribui

para

o

desenvolvimento de uma sociedade mais justa e igualitária, promovendo o acesso e o uso
de mecanismos contrários ao retrocesso: o livro, a leitura e a literatura. (VALÉRIO;
CAMPOS, 2009, p. 322).

Esperamos que este artigo permita uma reflexão e que seja uma inspiração para todas as
bibliotecárias e bibliotecários atuantes em bibliotecas sejam escolares, universitárias, ou públicas,
como incentivo para a promoção de ações, estratégias e práticas exitosas no sentido de contribuir
para o fomento de práticas antirracistas, nos pautando sempre no princípio de busca pela igualdade
e por ambientes saudáveis na escola e na da biblioteca. Dessa forma, contribuímos, ainda, para que
se eleve a autoestima das meninas e dos meninos negros/as que participaram das atividades por
meio do diálogo e da reflexão sobre a representatividade, a discriminação racial e a diversidade
cultural. Para tanto, faço minhas as palavras de Silva (2019, p. 203) quando afirma: “Nada melhor

16

Escritora e Doutora em Literatura Comparada pela Universidade Federal Fluminense, nascida em Belo Horizonte,
MG, autora de diversos livros de poesia, contos, romances que já foram traduzidos em outros países. Ganhou o Prêmio
Jabuti, na categoria ‘‘Contos e Crônicas’’, com o livro ‘Olhos D’agua’, no ano de 2015.
17
Escritora e Mestre em Filosofia Política pela Universidade Federal de São Paulo, nascida em Santos, SP, e autora de
vários livros onde discute o racismo e o feminismo, tem obras traduzidas em vários países. E ganhou no ano de 2020, o
Prêmio Jabuti, na categoria ‘‘Ciências Humanas’’, com seu livro ‘Pequeno manual antirracista’.

�que um bibliotecário ou uma bibliotecária para transformar a realidade em que vivemos e promover
o acesso à cidadania e dignidade de todos os seres humanos”.

�5- REFERÊNCIAS
ARAUJO, Debora Cristina de. As relações étnico-raciais na Literatura Infantil e Juvenil.
Educar em Revista, Curitiba, Brasil, v. 34, n. 69, p. 61-76, maio/jun. 2018.
FEDERAÇÃO Nacional de Associações de Bibliotecários e Instituições. Diretrizes da
IFLA/UNESCO para biblioteca escolar. Tradução de Neusa Dias Macedo, Helena Gomes de
Oliveira. São Paulo: IFLA, 2005. Disponível em:
&lt;http://archive.ifla.org/VII/s11/pubs/SchoolLibraryGuidelines-pt_BR.pdf &gt;. Acesso em: 06 mar.
2020.
SILVA, Ezequiel Theodoro da. O ato de ler: fundamentos psicológicos para uma nova pedagogia
da leitura. 6. ed. São Paulo:Cortez,1992.
FERREIRA, Eliane. A leitura dialógica como elemento de articulação no interior de uma biblioteca
vivida. In: SOUZA, Renata Junqueira(org.). Biblioteca escolar e práticas educativas: o mediador
em formação. São Paulo: Mercado de Letras, 2009. p. 69-96.
GIROTTO, Cyntia; SOUZA, Renata de. A hora do conto na biblioteca escolar: o diálogo entre a
leitura literária e outras linguagens. In: SOUZA, Renata Junqueira(org.). Biblioteca escolar e
práticas educativas: o mediador em formação. São Paulo: Mercado de Letras, 2009. p. 19-47.
SANTIAGO, Ana Rita. Vozes literárias de escritoras negras. Cruz das Almas, BA. Editora
UFRB, 2012.
Silva, Franciéle Carneiro Garcês da. Representações sociais acerca das culturas africana e afrobrasileira na educação em Biblioteconomia no Brasil. 2019. Dissertação (Mestrado em Ciência
da Informação) – Universidade Federal do Rio de Janeiro, Escola de Comunicação, Instituto
Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia, Programa de Pós-Graduação em Ciência da
Informação, Rio de Janeiro, 2019. p. 521. Disponível em: &lt;
https://ridi.ibict.br/bitstream/123456789/1047/1/GARCES_Franciele_Versao
%20%20%20Final_novembro_2019.pdf&gt;. Acesso em: 21 out. 2020.
VALÉRIO, Erinaldo Dias; CAMPOS, Arthur Ferreira. Competência informacional para uma
formação bibliotecária antirracista. Revista ACB, [S.l.], v. 24, n. 2, p. 321-332, ago. 2019. ISSN
1414-0594. Disponível em: &lt; &lt;https://revista.acbsc.org.br/racb/article/view/1612&gt;. Acesso em: 20
set. 2020.

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    <name>Event</name>
    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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      <name>Dublin Core</name>
      <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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              <text>Semana da consciência negra na Biblioteca Prof. Geraldo Faria Campos da Universidade Federal de Goiás.</text>
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          <name>Coverage</name>
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              <text>Neste artigo, nos propomos a apresentar ações educativas realizadas durante a Semana da Consciência Negra que ocorreu entre os dias 19 a 23 de novembro do ano de 2019, na Biblioteca Seccional Prof. Geraldo Faria Campos localizada no Centro de Ensino e Pesquisa Aplicada à Educação, da Universidade Federal de Goiás. O evento foi realizado nas dependências da biblioteca com o objetivo de destacar obras de algumas escritoras negras e problematizar, em rodas de conversa com as crianças, temas importantes para refletirmos sobre representatividade, diversidade cultural, social, étnica e racial, a partir dos livros que compõem o acervo, em especial os livros de literatura infantil e juvenil. Trata-se de um artigo de cunho descritivo por meio do qual buscamos evidenciar os resultados obtidos mediante ações realizadas e ainda demostrar a relevância de tais ações para a promoção da biblioteca em relação às temáticas antirracistas e inclusivas. Compreendemos que a biblioteca tem o papel fundamental de promover debates e estratégias
de combate ao racismo.</text>
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