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                  <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

PANORAMA DE AQUISIÇÃO DAS BASES DE DADOS VIRTUAIS DAS
UNIVERSIDADES FEDERAIS DO BRASIL
Suenia Oliveira Mendes
Maria Rosivalda da Silva Pereira
RESUMO
Aquisição de material informacional virtual no Brasil. O estudo objetivou identificar as bases
de dados virtuais compradas pelas Universidades Federais brasileiras e disponibilizadas pelas
Bibliotecas Universitárias pela Internet. A pesquisa foi descritiva quantitativa e os dados
foram coletados nos websites das Bibliotecas de 63 Universidades Federais no período entre
10 de fevereiro e 10 de março de 2014. Para análise dos dados, utilizou-se de estatísticas
descritivas. A pesquisa identificou que a maioria das Universidades (63,5%) compra base de
dados, 50,7% das bibliotecas universitárias assinam entre duas e quatro bases de dados,
69,2% oferecem acesso remoto, a região Sudeste é a que mais adquire base de dados e a
Coleção de normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) é a mais assinada.
Destaca-se a necessidade de discussões sobre a interação entre os serviços e produtos
oferecidos pelas bibliotecas em face dos recursos eletrônicos.
Palavras-chave: Bases de dados virtuais. Bibliotecas Universitárias. Aquisição de material
informacional virtual.

ABSTRACT
Acquisition of virtual informational material in Brazil. The study aimed to identify the virtual
databases purchased by the Brazilian Federal Universities and University Libraries provided
by the Internet . The research was descriptive and the data were collected from the websites of
libraries from 63 Universities in the period between February 10 and March 10, 2014. For
analysis, we used descriptive statistics. The research identified that most universities (63.5 %)
buy database, 50.7 % of the studied university libraries subscribed two to four databases,
69.2% offer remote access, the Southeast region is that more acquires database, a collection of
standards from the Brazilian Association of Technical Standards is the most signed and the
amount of sectoral variables, distance education courses, ranking the best Brazilian
universities and purchasing relationship between the bases was not significant. It’s important
for new discussion the interaction between the services and products offered into libraries.
Keywords: Virtual Databases. University Libraries. Acquisition of Virtual informational
material.

4411

�1 Introdução
As Universidades Federais, as Tecnologias de Informação e Comunicação (TIC) e a
disponibilização de materiais informacionais por meio das Bibliotecas Universitárias se
adequam às novas demandas de consumo informacional e às ofertas do mercado editorial. E
qual é o impacto das mudanças tecnológicas nas Universidades Federais na oferta de
materiais informacionais para sua comunidade acadêmica?
Mediante de tal questionamento, o trabalho objetiva identificar as bases de dados
virtuais compradas pelas Universidades Federais brasileiras e disponibilizadas pelas
Bibliotecas Universitárias pela Internet. Dessa forma, (re)orientando a oferta de materiais
informacionais virtuais disponibilizados pelas Bibliotecas a partir de um contexto de
adaptação tecnológica e Institucional relacionado aos parâmetros de tomadas de decisões
entre os entes públicos.
Não é objetivo deste trabalho, discorrer sobre diferenças de tecnologias (impressa e
digital) ou denominações (eletrônica ou virtual). Portanto, utiliza-se o termo Bases de Dados
Virtuais para aqueles materiais de coleções de informação científica disponibilizados aos
seus compradores - usuários Institucionais - por meio da Internet podendo fazer download,
imprimir ou somente realizar a leitura em tela.
O artigo está dividido em tópicos que evidenciam os métodos e técnicas utilizados no
fazer da pesquisa, na literatura sobre o tema, nos resultados e reflexões que permitem inferir e
verificar convergências e divergências dos achados da investigação possibilitando a discussão
do panorama encontrado.

2 Questões sobre e-books e bases de dados eletrônicas em bibliotecas
As bibliotecas universitárias têm sido celeiro dos acontecimentos que marcam a
comunicação científica, tanto como repositório de informações, como principal difusor de
informações científicas pertinentes aos objetivos institucionais de construção e disseminação
de conhecimentos.
As bases de dados, primeiramente em versões impressas (Chemical Abstracts,
Biological Abstracts, Medline etc.) ganharam versões em linha, que fortaleceram a
recuperação da informação, e possivelmente, o seu uso. No Brasil, certamente a maior
democratização de acesso a bases de dados eletrônicas deu-se com a inserção do Portal de
Periódicos da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) em
todas as universidades federais e posteriormente nos institutos de pesquisa e em outras
instituições que atendam aos pré-requisitos estabelecidos para acesso.

4412

�Naturalmente, a evolução da ciência, do conhecimento e de seus registros em diversos
suportes apresenta novos desafios às bibliotecas universitárias brasileiras: lidar com os
diversos suportes, mas principalmente, com as questões gerenciais que envolvem esse
material, como a decisão sobre o que comprar, como comprar e, principalmente, como
disponibilizar aos usuários esses recursos informacionais, de forma a otimizar o recurso
investido.
McGarry (1999), teórico que escreveu sobre a interação entre a tecnologia das
comunicações e as facetas do contexto informacional, menciona que
A convergência da tecnologia, da informática com as comunicações afeta a
criação, gestão e uso da informação de modo inédito desde a introdução da
imprensa. [...] O recurso das redes está se tornando um meio de publicação
formal; isto é verdade principalmente na área das pesquisas acadêmicas e
industriais. A convergência de tamanha diversidade de usuários terá um
unificador sobre o estado de díspar da indústria e das profissões da
informação. (MCGARRY, 1999, p. 122, 124).
A pluralidade de formatos para registrar o conhecimento humano traz às bibliotecas
novos desafios relacionados à compra e ao acesso da informação. A questão contratual tem
sido ponto de discussão no Brasil e no exterior. Silva (2013) enfatiza a popularização dos e­
books e da aquisição e disponibilidade desses materiais em bibliotecas, dadas as suas
especificidades. O autor destaca que a aquisição de e-books deve ser feita com bastante
atenção, uma vez que entre as suas desvantagens, apresentam-se questões como o alto custo,
as restrições de editores (direitos autorais) e a exclusão digital, que em alguns casos, podem
superar as grandes vantagens trazidas pela ausência de barreiras de tempo e espaço.
As bases de dados são uma realidade nas bibliotecas universitárias brasileiras, seja
pela iniciativa já consolidada pelo Portal de Periódicos da Capes, seja pela iniciativa própria
de seguir o mercado editorial. No entanto, estudos relacionando um diagnóstico sobre esse
cenário nas bibliotecas universitárias brasileiras ainda são incipientes, talvez pelo pouco
tempo em que o mercado editorial brasileiro vem se diversificando e consolidando com um
catálogo mais diversificado em formato e com produtos virtuais.
Sousa e Vanz (2013) ao fazerem o levantamento de uso de e-books assinados por uma
biblioteca universitária brasileira, na área de Ciências da Saúde, tentaram identificar as
aplicações quanto ao uso, as dificuldades apontadas pelos usuários e as sugestões para a
melhoria do serviço. Encontrou que o idioma (Inglês), predominante na base de dados de e­
books analisada, foi apontado como um dos entraves para o uso da informação eletrônica
disponibilizada pela biblioteca, e ainda, que preferem utilizar livros impressos como principal

4413

�fonte de informação para as atividades acadêmicas, seguidos da internet, dos canais informais
de comunicação científica (professores e colegas), e ainda, que preferem utilizar os artigos
científicos eletrônicos a livros no mesmo formato.
Um dos pontos destacados na pesquisa de Sousa e Vanz (2013) é a disponibilidade de
ferramentas que possibilitam o uso de livros eletrônicos, como leitores de e-books e
computadores portáteis. Dentre aqueles que dispõem desses equipamentos, o uso dos e-books
é maior que entre aqueles que não os possuem. Esse dado chama a atenção para a
disponibilidade, além da informação eletrônica, dos recursos que possam torná-la disponível.
No entanto, destacam Souza e Vanz (2013), que ao comparar o acesso de um material
disponível em formato eletrônico, e o acesso ao mesmo em formato impresso disponível na
biblioteca, ficou o eletrônico com maior quantidade. Aqui, cabe a ressalva de que o material
eletrônico pode, em tese, ser utilizado simultaneamente por mais de um usuário, ao passo que
o impresso, não; assim, um material bibliográfico com poucos exemplares, e disponível
também em formato eletrônico, tratando-se de um item básico de alguma disciplina,
inevitavelmente, o eletrônico irá superar o uso do impresso, uma vez que este tem limitações
de quantidade simultânea de acesso.
Em um levantamento realizado na Universidade do Kansas, por Waters et al. (2014)
sobre as preferências de uso entre livros impressos e e-books, há o apontamento, que naquela
realidade, os livros impressos são mais populares que os formatos eletrônicos disponíveis,
sendo que apenas 33% dos respondentes apontam ter uma leitura mais frequente desse tipo de
material e mesmo assim, ainda preferem o material impresso (das 19 áreas pesquisadas,
apenas em três houve a preferência por e-books).
Das razões sobre o uso de material eletrônico, na pesquisa de Waters et al. (2014), foi
apontado que o relevante para a área não está disponível nesse formato, que os usuários têm
dificuldade de encontrá-los e ainda, que não têm consciência se o material está disponível no
formato eletrônico. Outro apontamento de destaque se refere às limitações de cópia, de
impressão (mesmo no formato eletrônico, a impressão é um fator importante) e as
dificuldades de leitura em tela.
Observa-se que ainda são poucos os estudos aplicados no Brasil sobre essa questão.
Ainda não se tem levantamentos expressivos que forneçam um panorama sobre a assinatura
de bases de dados nas bibliotecas universitárias, principalmente de e-books, as questões que
as levam a assinar, tais como a ampliação de unidades informacionais descentralizadas,
aumento de cursos de Educação à Distância (EAD), uma realidade nas universidades federais,

4414

�e ainda os resultados do uso desse material nas bibliotecas que já têm assinaturas extra-Portal
de Periódicos da Capes.

3 Metodologia
Para atingir o propósito deste estudo foi utilizada, como parâmetro, a pesquisa
descritiva quantitativa nas informações contidas nos websites das Bibliotecas das 63
universidades federais brasileiras investigadas sobre a existência ou não de assinaturas de
bases de dados virtuais diferentes daquelas fornecidas por meio do Portal Periódicos Capes.
Os dados foram coletados no período entre 10 de fevereiro e 10 de março de 2014.
Informa-se que uma das Bibliotecas Universitárias consultada não possui página na Internet.
Esta informação foi reafirmada pela ouvidoria da Instituição.
Para a análise dos dados, utilizou-se estatística descritiva para caracterizar o cenário
em que se encontram as bibliotecas e sobre a assinatura das bases, calculou-se o Coeficiente
de Pearson a fim de encontrar relação entre essas assinaturas com: a existência de bibliotecas
setoriais, e com o acesso remoto a esses recursos informacionais.

4 Resultados
Encontrou-se que 63,5% das Universidades pesquisadas, além do Portal de Periódicos da
Capes, assinam bases de dados virtuais e disponibilizam-nas por meio dos websites das suas
bibliotecas conforme demonstrado no bibliotecas por aquisição de bases .

Gráfico 2 — Frequência de bibliotecas p or aquisição de bases de dados,
2014.

Fonte: Dados da pesquisa.

4415

�Teve-se que 36,5% das bbliotecas pesquisadas não assinam nenhuma base de dados. Destacase que 19% delas assinam uma base de dados e apenas 12,7% das bibliotecas assinam seis ou
mais bases. A maioria, das bibliotecas (50,7%), assina entre duas e quatro bases.
Verificou-se, então, que grande quantidade das bibliotecas pesquisadas busca ter mais
recursos informacionais além daqueles já disponibilizados de forma homogênea a todas as
unidades federais. Essa informação desperta interesse por destacar que bibliotecas têm
necessidades próprias, nem sempre atendidas pelas ofertas realizadas através de portais de
acesso coletivo, exemplo do Portal de Periódicos da Capes, que contribuem para aumentar a
oferta de informações especializadas entre os integrantes das universidades federais e outras
instituições de ensino e pesquisa, mas que não é suficiente para atender a demandas
intrínsecas dessas instituições.
Convém destacar, que assim como o material informacional já costumeiro de
bibliotecas, como impressos, os materiais virtuais requerem estudos adequados que visem a
otimização dos recursos empregados. Quando se trata de material bibliográfico, uma das
questões que se torna visível é a limitação de espaço físico, algo não competente para os
virtuais. No entanto, questões sobre como a biblioteca irá tornar esse material disponível aos
seus usuários devem ser pertinentes no momento da escolha da base de dados, bem como do
tipo de contrato que está sendo realizado.
Outra questão que se pode levantar sobre as bases de dados virtuais refere-se ao acesso
e à disponibilidade aos usuários. Assinar uma base de dados, em instituições públicas, implica
em investimentos de recursos públicos, de que se exige um retorno, sendo refletido como
fonte de qualidade das ferramentas de informação postas à disposição da comunidade
pesquisadora. Desta forma, ter uma infraestrutura adequada para se utilizar essas ferramentas
é indispensável para o seu uso, como por exemplo, possibilitar o acesso remoto, o empréstimo
de equipamentos para uso, espaços específicos nas bibliotecas com a finalidade de acesso a
bases de dados, dentre outras ferramentas que possam facilitar o uso do material eletrônico.
Quando se fez a análise “se haveria alguma relação entre ter bibliotecas setoriais e a
assinatura de bases de dados eletrônicas”, utilizou-se o Coeficiente de Correlação Pearson e
encontrou-se uma relação positiva entre a assinatura de bases de dados e a existência de
bibliotecas setoriais, bem como entre a “assinatura e a disponibilidade de acesso remoto”
desse material, embora em uma correlação menos significativa que a anterior.
Esse resultado já era esperado, uma vez que documentos eletrônicos disponíveis em
rede podem ser acessados simultaneamente, quebrando a barreira de espaço/tempo, o que

4416

�otimiza os acervos de instituições que têm várias setoriais, principalmente, quando estão
geograficamente distantes.
A segunda questão, relacionando a assinatura e o acesso remoto também era esperado,
visto que os recursos eletrônicos online sugerem, em sua estrutura, a possibilidade do acesso
remoto. Embora, conforme demonstrado no das bibliotecas.

Fonte: Dados da , ainda haja um grande percentual de bibliotecas que, ainda, não oferecem
esse serviço.

Gráfico 3 —Acesso remoto das bibliotecas.

Fonte: Dados da pesquisa.

Observou-se, que 69,2% as bibliotecas que assinam bases de dados oferecem acesso
remoto aos seus usuários, para o recurso informacional adquirido. Dessas bibliotecas, foi
identificado a disponibilidade de rede remota por meio do proxy, da virtual private network
(VPN), e de senhas dos sistemas acadêmicos. As demais 30,8% oferecem o acesso restrito aos
ambientes físicos das instituições. A disponibilidade e identificação do material eletrônico foi
apontado no estudo de Waters et al. (2014) como fatores dificultadores do uso de material
eletrônico na Universidade do Kansas, aliados à facilidade de uso das plataformas e à
dificuldade de descoberta do material eletrônico.

4417

�Ao se pesquisar qual a base de dados mais assinada entre as bibliotecas das
universidades federais brasileiras, teve-se que a coleção das normas da ABNT é a mais
frequente, conforme os mais assinadas pelas bibliotecas d.

Gráfico 4 —Bases de dados mais assinadas pelas bibliotecas de universidade
federais brasileiras.

Fonte: Dados da pesquisa.

A Coleção da ABNT está pesente em 31,75% das bibliotecas analisadas. Das
bibliotecas que assinam essa base de dados, em média, adquirem pelo menos mais uma base
de dados.
Dentre estas, destaca-se também, que o Portal da Pesquisa é a presença mais frequente,
seguida pela Springer e pela Ebrary. Observa-se, assim, que não se encontra um padrão de
assinaturas por áreas do conhecimento ou de idiomas, na assinatura de bases de dados virtuais
para as bibliotecas, em complemento ao Portal de Periódicos da Capes. Apenas três delas
assinam somente a ABNT.

4418

�Ao realizar a análise por Região geográfica, tem-se que a distribuição das aquisições de
materiais eletrônicos segue algo semelhante ao acesso do Portal de Periódicos da Capes,
conforme demonstrado no compradas por Região e equiparação .

Gráfico 5 —Base de dados compradas por Região e equiparação ao acesso ao
Portal de Periódicos da Capes.

Fonte: Dados da pesquisa e Capes (2001, 2002, 2003 2004, 2005, 2006, 2007, 2008, 2009,
2010, 2011, 2012).

A região Sudeste é a que apresenta o maior número de bibliotecas com assinaturas de
bases de dados. Ao fazer a comparação com as estatísticas de acesso ao portal de Periódicos
da Capes, observa-se que, também, essa região é a que apresenta o maior número de acessos a
esse Portal. Para as demais regiões, segue a mesma ordem entre a proporção de acesso ao
Portal de Periódicos da Capes e a assinatura de outras bases de dados eletrônicas.
Infere-se que a regra de equiparação é a habilidade já existente pelos usuários das
Universidades Federais sobre o acesso aos conteúdos virtuais disponibilizados pelo Portal de
Periódicos da Capes.
Deve-se pensar que as demandas atuais tenderão a mudar, pois a geração virtual (Hi
Tech) ainda está chegando nas Universidades brasileiras visto a Internet ter chegado no Brasil
no final da década de 90. Isto é, as pessoas que nasceram a partir do ano de 2000 ainda estão

4419

�chegando nas Instituições de Ensino Superior com suas demandas de uso específicas, desta
forma, as gerações atuais estão se adequando ao que o mercado oferece.
A globalização do consumo fez com que o Brasil se adaptasse e começasse a oferecer
livros virtuais comerciais em português para as Instituições de Ensino Superior no final da
primeira década do século XXI. Exemplo são os e-books das Editoras Zahar, Atheneu e Paper
vendidas no Brasil pela DotLib, o portal Minha Biblioteca e Biblioteca 3.0 entre outros.
Salgado (2009) analisou o impacto das novas tecnologias na indústria editorial brasileira e
verificou a existência de segmentos diferenciados entre os leitores relacionados ao perfil
demográfico, hábitos de leitura e de compra de livros, experiência com novas tecnologias,
preferências e propensão de migração para uma nova plataforma.
O que se pode afirmar, até o exato momento, é que o uso dos materiais virtuais
oferecidos pelas Universidades está se adequando as ofertas do mercado que começam a
atender aos projetos políticos de curso no idioma em português e a demanda dos
pesquisadores.
Em suma, a Figura 1 demonstra que das Universidades Federais investigadas, 63,5%
compram materiais virtuais, e a sua distribuição nas cinco regiões brasileiras. O Sudeste
possui o maior quantitativo de IES que compram bases de dados virtuais.

Figura 1 - Panorama das Bases de dados compradas pelas Universidades Federais do Brasil.

Fonte: Dados da Pesquisa.

A Figura 1 mostra que a isponibilização do acesso remoto e as bibliotecas setoriais

4420

�mostraram relação com a compra de base de dados e as IES por meio das bases oferecem
vários materiais (livros, jornais, revistas, normas entre outros).
O acesso remoto está ligado diretamente ao conceito de acessibilidade que envolve
aspectos de espaço físico, social, digital, isto é, a possibilidade e condição de alcance para
utilização do que se oferece por todos os cidadãos (TORRES; MAZZONI; ALVES, 2002).
Isso significa romper a barreira do espaço e do tempo transformando-os de singular para
plural (espaços e tempos) é disponibilizar, no caso das bases virtuais, a informação de que se
precisa no momento da necessidade de quem precisa.
Sobre a diversidade de materiais disponíveis, em especial, aos livros, Thompson
(2005) fala que o livro tem se adequado aos interesses manufatureiros e que existe um
aumento paralelo de acervos e catálogos virtuais comercializados para as IES em comparação
aos impressos. Exemplo desta situação é a adequação dos materiais informacionais e das
Instituições Federais de Educação brasileiras aos padrões mercadológicos e de demanda do
consumidor (pesquisadores).
A adequação justifica-se pela regulamentação, de 2012, adotada pelo Ministério da
Educação por meio do instrumento de avaliação de cursos de graduação presencial e a
distância do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira
(BRASIL, 2012) que diz os padrões a serem adotados pelas IES brasileiras nos cursos
ofertados. O instrumento ampliou as possibilidades de materiais informacionais (impressos,
virtuais entre outros) que alicerçam a comunidade acadêmica na construção do
conhecimento.
Assim, fica cada vez mais próxima a ideia de convivência pacífica entre o impresso e
o virtual, em uma realidade mais centrada no usuário e no atendimento de suas necessidades
informacionais, como sempre foi o objetivo da biblioteca universitária.

5 Considerações Finais

A pesquisa com o objetivo de identificar as bases de dados virtuais compradas pelas
Universidades Federais brasileiras e disponibilizadas pelas Bibliotecas Universitárias por
meio da Internet teve como destaque que a maioria das Universidades pesquisadas (63,5%)
compram bases de dados, 50,7% das bibliotecas estudadas assinam entre duas e quatro bases,
69,2% oferecem acesso remoto, a região Sudeste é a que mais adquire base de dados e a
Coleção de normas da ABNT é a mais assinada.

4421

�Os achados mostram o panorama brasileiro de compra de bases de dados e várias
reflexões surgem, como é o caso do serviço de comutação bibliográfica que está sendo
afetado visto que, em via de regra, o contratado restringe o fornecimento de cópia por contrato
ou por plataforma de disponibilização do material, assim, os materiais, que poderiam ser
atendidos por comutação bibliográfica, se perdem. Permeiam, também, as questões como o
empréstimo entre bibliotecas, que tanto auxiliam pesquisadores no atendimento de suas
necessidades de informação.
Outra inquietação foi identificar que algumas bases foram compradas por praticamente
todas as Instituições - caso da coleção de normas da ABNT -, dessa forma, o questionamento
é: como otimizar o gasto público diante de interesses comuns? Talvez, a resposta já se tenha,
como é o exemplo dos consórcios entre entes federados, ou mesmo, o Portal de Periódicos da
Capes com vínculo ao Ministério da Educação e sua estratégia de aquisição pautada em
consórcio o que se deve fazer é um maior diálogo entre as Instituições parceiras, pois o Portal
poderia solicitar a mensuração de uso das bases adquiridas por compra a fim de verificar a
viabilidade para aquisição ao seu acervo.
Ressalta-se que, ainda, não se tem registros de avaliação qualitativa dos materiais
virtuais assinados pelas bibliotecas universitárias, principalmente, nos cursos de graduação,
que por seu grande número nas universidades se tornam prioridades na aquisição dos recursos
informacionais.
Poucos estudos brasileiros relacionam o uso desses materiais assinados pelas
bibliotecas, o que se identifica como uma lacuna de pesquisa que pode direcionar as
aquisições em outras instituições, e servir como argumento para a manutenção de assinatura
ou ampliação de compra, nas unidades que já dispõem desses recursos.
Outra lacuna percebida foi a ausência de estudos passíveis de identificar se o material
eletrônico já disponibilizado se encontra em concorrência ou complemento às coleções já
existentes, servindo de apoio à ampliação dos catálogos de bibliotecas como acréscimo de
exemplares aos já existentes.
Para futuras pesquisas complementares, sugere-se estudos de usabilidade e de
marketing do material eletrônico já disponível nas bibliotecas, e o espaço por ele ocupado na
vida acadêmica das Universidades.

4422

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TORRES, E. F.; MAZZONI, A. A.; ALVES, J. B. M. A acessibilidade à informação no
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http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S0100-19652002000300009&gt;.
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Winter

Acesso

em:

2014.
30

Disponível
mar.

2014.

em:

&lt;

DOI:

10.5062/F48G8HN5.

4424

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    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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              <text>Aquisição de material informacional virtual no Brasil. O estudo objetivou identificar as bases de dados virtuais compradas pelas Universidades Federais brasileiras e disponibilizadas pelas Bibliotecas Universitárias pela Internet. A pesquisa foi descritiva quantitativa e os dados foram coletados nos websites das Bibliotecas de 63 Universidades Federais no período entre 10 de fevereiro e 10 de março de 2014. Para análise dos dados, utilizou-se de estatísticas descritivas. A pesquisa identificou que a maioria das Universidades (63,5%) compra base de dados, 50,7% das bibliotecas universitárias assinam entre duas e quatro bases de dados, 69,2% oferecem acesso remoto, a região Sudeste é a que mais adquire base de dados e a Coleção de normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) é a mais assinada. Destaca-se a necessidade de discussões sobre a interação entre os serviços e produtos oferecidos pelas bibliotecas em face dos recursos eletrônicos.</text>
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