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                  <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

O LIVRO DIGITAL COMO FORMA DE DEMOCRATIZAÇÃO DO ACESSO AO
CONHECIMENTO E A CULTURA
Stella Moreira Dourado
Ana Ligia Silva Medeiros

RESUMO
O acesso à cultura e aos bens culturais é direito de todo cidadão, mas nem todos tem acesso.
As tecnologias informacionais e a internet geram várias possibilidades de ampliação do
acesso à cultura para os indivíduos, gerando uma nova cultura - a digital. Neste trabalho,
buscou-se analisar as contribuições das tecnologias informacionais e da internet para um
maior acesso à cultura, utilizando o livro digital, disponibilizado gratuitamente, como veículo
de democratização do acesso ao conhecimento. Para tanto, realizou-se uma pesquisa
bibliográfica e documental sobre cultura e as transformações promovidas pelas tecnologias
informacionais e da internet, ocasionando o surgimento da cultura digital e como essa nova
cultura favorece a democratização do acesso ao conhecimento para a sociedade. Foi realizado
também um levantamento de iniciativas de publicação de livros digitais gratuitos que
permitam uma maior democratização do acesso ao conhecimento e a cultura. Contatou-se que
com a cultura digital, os cidadãos podem participar de forma ampla e colaborativa nas redes
online, se expressando culturalmente e passando de expectadores para atores culturais.
Palavras-Chave: Cultura; Cultura digital; Tecnologias informacionais; Livro digital;
Democratização do acesso ao conhecimento.
ABSTRACT
Access to culture and cultural goods of every citizen is entitled, but not everyone has access.
The information technologies and the internet generate several options for expanding access
to culture for individuals, generating a new culture - the digital. In this study, we sought to
analyze the contributions of information technologies and the Internet to increase access to
culture, using a digital book available for free, as a means of democratizing access to
knowledge. To do so, we performed a bibliographic and documentary research on culture and
the transformations promoted by information technologies and the Internet, causing the
emergence of digital culture and how this new culture favors the democratization of access to
knowledge for society. A survey of initiatives to publish free digital books that allow for
greater democratization of access to knowledge and culture was also performed. It was noted
that with the digital culture, citizens can participate in a wide and collaborative networks in
the online form, expressing culturally and from viewers for cultural actors.
Keywords: Culture; Digital culture; Informational technologies; Digital book;
Democratization of access to knowledge.

4351

�1 INTRODUÇÃO
O acesso à cultura e aos bens culturais é direito de todo cidadão. O acesso à cultura é
importante para a formação de cidadania e para a criação de identidade dos indivíduos.
Contudo, esse acesso, na maioria das vezes é privilegio de camadas sociais com mais poder
aquisitivo. Indivíduos com baixo poder aquisitivo, dependiam de iniciativas culturais públicas
ou de baixo custo tais como bibliotecas, arquivos, museus, centros culturais, teatro e cinema.
O advento das tecnologias informacionais e da internet gerou várias possibilidades de
ampliação do acesso à cultura para os indivíduos, gerando uma nova cultura - a digital. Com
a cultura digital houve várias transformações na indústria cultural, o que permitiu um maior
acesso aos bens culturais, tais como música, cinema, televisão, bibliotecas, livros, entre
outros, por meio da disponibilização gratuita de arquivos digitais na internet.
Diante desse cenário, buscou-se analisar as contribuições das tecnologias
informacionais e da internet para um maior acesso à cultura, utilizando o livro digital,
disponibilizado gratuitamente, como veículo de democratização do acesso ao conhecimento.
Para alcançar o objetivo proposto, realizou-se uma pesquisa bibliográfica e
documental sobre cultura e as transformações promovidas pelas tecnologias informacionais e
da internet, ocasionando o surgimento da cultura digital e como essa nova cultura favorece a
democratização do acesso ao conhecimento para a sociedade. Em seguida foi realizado um
levantamento de iniciativas de publicação de livros digitais gratuitos que permitam uma maior
democratização do acesso ao conhecimento e a cultura.

2 CULTURA, UM DIREITO DO CIDADÃO
Cultura pode ser compreendida como “artefatos, bens, processos técnicos, ideias,
hábitos e valores herdados”, segundo o conceito clássico de Malinovski (1975). Porém, este é
um dos inúmeros conceitos conhecidos para definir cultura. No clássico trabalho de Kroeber e
Kluckhohn (1952) foram encontradas 164 definições, mostrando a complexidade do tema.
Para agravar a compreensão, este termo pode ser abordado sob diversos aspectos, como por
exemplo, o da biologia, da agricultura, da sociologia e da antropologia, entre outros.
A UNESCO elaborou a Declaração do México, durante a Conferência Mundial sobre
Políticas Culturais (MONDIACULT), em 1982, cuja interpretação vem apoiando diversas
políticas públicas em muitos países. A cultura é entendida como:

4352

�[...] todo o conjunto de traços distintivos espirituais, materiais, intelectuais e
emocionais que caracterizam uma sociedade ou grupo social. Ele inclui não
apenas as artes e as letras, mas também os modos de vida, os direitos
fundamentais do ser humano sendo, os sistemas de valores, tradições e
crenças. (UNESCO, 1982).

A marca constante em todas as definições é o homem. Sem o homem não há cultura,
pois este representa suas manifestações, que compreendem tanto os aspectos materiais quanto
os imateriais. Os aspectos materiais correspondem a qualquer tipo de utensílio produzido pela
sociedade, seja um copo, um livro, um tablet, entre outros, e, também, os bens edificados
como igrejas e praças. Nos bens imateriais, ou intangíveis, estão compreendidas as crenças, as
práticas e as habilidades de um povo, como o carnaval, o frevo, o queijo de Minas, as baianas
do acarajé, etc.
O acesso à cultura é considerado um direito do cidadão, sendo um tema que vem
despertando crescente interesse. Atualmente, muito se discute sobre a questão dos direitos
culturais, porém, esta questão não está ainda totalmente determinada devido à grande
quantidade de definições e abordagens. A UNESCO, segundo Machado (2011, p.106)
reconheceu a necessidade de elaborar inventário sobre os direitos culturais. Esta indefinição
da abrangência da área cultural acarreta “a falta de consenso a respeito de quais são os direitos
culturais dá lugar a diferentes maneiras de tipificá-los, nomeá-los e defini-los”. (Machado,
2011, p. 106).
A Constituição Federal de 1988, em seu artigo 215 considera a cultura um direito de
todos, o que poderia ser um grande avanço para a sociedade, porém as áreas englobadas no
conceito de cultura não estão relacionadas, o que dificulta seu entendimento, bem como a
aplicação deste direito. Machado (2011) alerta, ainda, que o termo cultura é abordado, ainda,
sob diferentes formas na Constituição, verificando que a questão cultural perpassa, segundo o
autor, sete dos nove títulos em que a Constituição se subdivide. Assim, “[...] é lícito concluir
que a cultura é um componente estrutural e estruturante”. (Machado, 2011, p.115).
Em 2010, o Governo Federal lançou o Plano Nacional da Cultura/ PNC elaborado pelo
Ministério da Cultura a partir de seminários e de consultas públicas, representando um grande
avanço na área. Nas metas do PNC (2013) a concepção de cultura é vista de forma ampliada
compreendendo três dimensões: a simbólica, a econômica e a cidadã. Como relação simbólica
pode-se considerar as linguagens artísticas (literatura, artes plásticas, dança etc) e também as
práticas culturais, com os saberes e fazeres, valores e identidade. Já a dimensão econômica
visa incluir a cultura como um fator importante no desenvolvimento econômico, por meio da
geração de empregos e estimulando uma economia criativa. A dimensão cidadã diz respeito

4353

�ao acesso das pessoas aos bens culturais, incluindo os equipamentos culturais, ou seja,
bibliotecas, arquivos, teatros, cinemas, museus e centros culturais, entre outros. Para alcançar
esta meta prevê-se cuidar tanto do fortalecimento da infraestrutura institucional quanto a
capacitação do pessoal envolvido.

3 CULTURA DIGITAL
As técnicas utilizadas pelo homem sempre marcaram a forma de suas manifestações,
influenciando sua maneira de pensar e agir. O avanço das tecnologias da informação e a
internet permitem o estreitamento de barreiras geográficas e possibilitam a livre circulação de
uma infinita quantidade de informações, bem como o surgimento do suporte digital, para a
comunicação e elaboração de conhecimentos. A incorporação social e cultural dessas
tecnologias informacionais e da internet, pode ser considerada uma ruptura, tal como
aconteceu com a disseminação dos tipos móveis por Gutenberg, e pressupõe uma nova
cultura, a cultura digital.
Atingimos o ciberespaço, o espaço onde o homem interage utilizando-se da
interconexão mundial dos computadores. Temos não somente a
infraestrutura material da comunicação, como quantidade ilimitada de
informação que o homem realimenta ao gerar conhecimentos, ao
desenvolver tecnologia, ao navegar nele. (GARCIA, SOUSA, 2011, p. 81).

Na década de 1990, Bill Gates já dava indicativos do surgimento da cultura digital ao
afirmar que
[...] a revolução digital está apenas começando, e a estrada da informação
terá impacto significativo em todas as dimensões da vida humana. No modo
como nos relacionamos com os outros, com o espaço e com o tempo, no
mundo do trabalho e na economia. Essa diversidade de formas sociais
produzidas e modificadas, em que se utiliza a tecnologia de informação e
comunicação, denomina-se cultura digital, termo que ainda não se encontra
consolidado. (GATES, 1995)

Segundo Carvalho Júnior (2009, p. 09) “cultura digital é um termo emergente, vem
sendo apropriado por diferentes setores e incorpora perspectivas diversas sobre o impacto das
tecnologias digitais e da conexão em rede na sociedade”. Lévy afirma que as tecnologias
digitais surgem como a infraestrutura do ciberespaço, novo espaço de comunicação, de
sociabilidade, de organização, de transação e de novo mercado da informação e do
conhecimento, onde o desenvolvimento do digital é “sistematizante e universalizante não
apenas em si mesmo, mas também, em segundo plano, a serviço de outros fenômenos

4354

�tecnossociais que tendem à integração mundial: finanças, comércio, pesquisa científica,
mídias, transportes, produção industrial etc.” (LÉVY, 1999, p. 113)
Para Lévy, (1999) o digital é uma matéria pronta a suportar todas as metamorfoses,
todos os revestimentos, todas as deformações. Através da digitalização, todas as informações
podem ser codificadas: textos, imagens e sons, tornando-se objetos digitais.
Dodebei elaborou, em 2011, um quadro conceitual da cultura digital adaptado da
proposta de Hand (2008) onde traz uma evolução das tecnologias digitais, destacando as
diferenças entre a tecnologia moderna - desenvolvida até o início do século XX e a tecnologia
pós-moderna - baseada na manipulação da informação.

Quadro 1 - Conceitos de Cultura Digital
Tecnologias m odernas
M aterial
C ontínua
O bjetos
D eterm inada
Instru m en tal
A tual
C e n tra d a
Fixa
G overnam ental
Efeitos

Tecnologias pós-m odernas
Discursiva
Discreta
Espaços
Indeterminada
Cultural
Virtual
Descentrada
Móvel
Ingovernável
Performances

Fonte: Dodebei, 2011.

Percebe-se que há diferenças significativas entre as tecnologias modernas e pósmodernas. Dentre elas está o fato de que estas passam a ser descentralizadas e ingovernáveis,
de que são virtuais - cultura digital, e passam de instrumentais para culturais. Pode-se
entender que as tecnologias pós-modernas passam a exercer uma função cultural mais
acentuada que as tecnologias modernas.
O processo de digitalização, uma das principais características da cultura digital,
evoluiu gradativamente e ocasionou grandes mudanças nas indústrias culturais. Segundo Lèvy
(1999) penetrou primeiro na produção e gravação de músicas, mas os microprocessadores e as
memórias digitais tendiam a tornar-se a infraestrutura de produção de todo domínio de
comunicação e aos poucos foi englobando o cinema, a radiotelevisão, o jornalismo, a edição,
a música, as telecomunicações e a informática.

4355

�4

CULTURA

DIGITAL

E

DEMOCRATIZAÇÃO

DO

ACESSO

AO

CONHECIMENTO
O uso intensificado das tecnologias de informação nas últimas décadas vem
facilitando o acesso à cultura pelo cidadão. Este alcance possibilita o estímulo e a facilitação
do processo de inclusão não apenas digital, mas social. Segundo Gil:
A tecnologia sempre foi instrumento de inclusão social, mas agora isso
adquire novo contorno, não mais como incorporação ao mercado, mas como
incorporação à cidadania e ao mercado, garantindo acesso à informação e
barateando os custos dos meios de produção multimídia através de
ferramentas novas que ampliam o potencial criativo do cidadão. Somos
cidadãos e consumidores, emissores e receptores de saber e informação,
seres ao mesmo tempo autônomos e conectados em redes, que são a nova
forma de coletividade. (GIL, 2004).

Segundo Gil (2004) a tecnologia sempre andou de braços dados com a cultura, sendo
que “a revolução tecnológica é, em essência cultural”, pois muda o comportamento do
homem.
O uso pleno da Internet e do software livre cria fantásticas possibilidades de
democratizar os acessos à informação e ao conhecimento, maximizar os
potenciais dos bens e serviços culturais, amplificar os valores que formam o
nosso repertório comum e, portanto, a nossa cultura, e potencializar também
a produção cultural, criando inclusive novas formas de arte (GIL, 2004)

Atualmente, a informação tornou-se mais acessível para a sociedade. Os usuários não
precisam mais enfrentar problemas de acessibilidades ligados ao suporte impresso, físico, eles
“podem viajar diretamente em sua forma digital através de cabos de coxias de cobre, por
fibras óticas ou por via hertziana” (Lévy, 1999, p. 35). Segundo Carvalho Júnior (2009) “este
novo sistema operacional da cultura seria capaz de fomentar ao mesmo tempo criatividade,
produtividade e liberdade, satisfazendo igualmente às demandas tanto de indivíduos quanto de
coletividades”.
Carvalho Júnior fala sobre como as ferramentas digitais possibilitam a construção de
uma cultura participativa, conceito de Benkler (2007):
Com a chegada de ferramentas de colaboração ubíquas, instantâneas e
baratas, torna-se possível promover espaços de debate e construção coletiva
onde modelos de coordenação pública descentralizada podem criar soluções
inovadoras para as questões apresentadas pelo século XXI. Tal
implementação tecnológica no ambiente das redes digitais, aliada ao
conceito de ‘cultura participativa’ de Benkler, cria a possibilidade de se
aproximar perspectivas que antes pareciam excludentes, convidando à
conversa aberta [...] (CARVALHO JÚNIOR, 2009, p. 10)

4356

�Nesse sentido, surgem várias formas de expressão e de comportamentos culturais
viabilizados por meio da rede digital. Artistas, escritores, “blogueiros”, entre outros, utilizam
a rede de forma colaborativa, como espaços de discussão e exposição de ideias, representando
novas formas de expressão cultural.
A biblioteca, uma das instituições responsáveis pelo acesso aos bens culturais,
atravessa, hoje, um momento de adaptação à nova realidade. A utilização das tecnologias
informacionais e da internet possibilita a digitalização do acervo, o trabalho cooperativo entre
as instituições e, principalmente, a quebra das barreiras geográficas e temporais. Estas
instituições, nacionais e internacionais, atravessam um grande desafio decorrente de suas
inserções dentro da cultura digital. Neste sentido, há uma nova perspectiva da atuação social
das instituições de memória, possibilitando aos cidadãos um acesso mais facilitado aos
acervos, até então privilégio de poucos.
A International Federation of Library Associations and Institutions - IFLA, em
parceria com a Organização das Nações Unidas para a educação, a ciência e a cultura UNESCO, elaborou o Manifesto para Bibliotecas Digitais, publicado em 2011. Nele, ressaltase a importância das bibliotecas digitais como um fator de inclusão social, pois possibilita o
acesso ao cidadão ao patrimônio produzido pelo homem.
Atenuar a exclusão digital é um fator fundamental para alcançar os Objetivos
de Desenvolvimento do Milênio das Nações Unidas. O acesso a recursos de
informação e aos meios de comunicação apoia a saúde e a educação tanto
quanto a cultura e desenvolvimento econômico.
A divulgação de informações capacita os cidadãos a participar na
aprendizagem ao longo da vida e da educação. Informações sobre as
realizações do mundo permitem que todos participem de forma construtiva
no desenvolvimento de seu próprio ambiente social.
Igualdade de acesso ao patrimônio cultural e científico da humanidade é
direito de cada pessoa e ajuda a promover a aprendizagem e a compreensão
da riqueza e da diversidade do mundo, não só para a geração presente, mas
também para as gerações futuras. (IFLA, 2011, p.1).

Percebe-se que, com as tecnologias informacionais e a internet, os indivíduos podem
ter mais acesso à cultura e, além, disso estes podem fazer parte do desenvolvimento de novas
formas de expressão e produção cultural, por meio da participação colaborativa nas redes
digitais. Essas tecnologias e a internet criam possibilidades de democratização de acesso ao
conhecimento, pois permitem maior acesso à informação e aos bens culturais. Com o
estreitamento de fronteiras geográficas e a queda das paredes das bibliotecas, expandiram-se a
cultura e o saber.

4357

�5 O LIVRO DIGITAL COMO FORMA DE DEMOCRATIZAÇÃO DO ACESSO AO
CONHECIMENTO E A CULTURA
Historicamente, o livro ficou consolidado como fonte de registro e transmissão do
conhecimento e adquiriu grande representatividade enquanto elemento de preservação,
difusão e popularização da cultura. As atuais tecnologias incorporaram uma nova forma de
circular e sistematizar informações e o livro digital505 tem se destacado como surpreendente
meio de informação possibilitando democratizar o seu acesso a um nível ainda mais alto e de
uma maneira nunca antes pensada uma vez que, centenas de livros e documentos estão
podendo ser acessados com um simples “clique”. (BENÍCIO; SILVA, 2005, p. 12)
A grande variedade de livros digitais disponibilizados online, com acesso gratuito ou
restrito, na sociedade é reflexo do surgimento da cultura digital, onde o constante processo de
inovação tecnológica promovem mudanças comportamentais que alimentam e são
alimentadas pelos meios eletrônicos.
O movimento de acesso livre que propõe o compartilhamento de conhecimentos de
forma equânime é um dos fatores que possibilitam a disponibilização do livro digital como
forma de democratização de acesso ao conhecimento. Com o acesso livre aos livros digitais,
os indivíduos podem ter maior acesso à informação e, consequentemente à cultura, pois
podem acessar gratuitamente as obras por meio de leitura online ou download.
O Projeto Gutenberg, criado em 1971, foi à primeira iniciativa de disponibilizar livros
online gratuitamente. É um projeto internacional, mas possui uma versão em português. Tem
por missão “disponibilizar informação, livros e outros materiais ao público em geral em
formas que a vasta maioria dos computadores, programas e pessoas possam facilmente ler,
usar, citar e pesquisar” (PROJETO GUTENBERG, 2014). Com isso, o projeto disponibiliza
livros digitais que estão em domínio público para download gratuitamente.
Editoras internacionais cada vez mais vêm permitindo o acesso livre aos livros digitais,
participando assim, de um movimento que sublinha questões associadas à responsabilidade
social e à democratização da informação, no sentido de tornar a informação acessível de
forma gratuita para todos. Podemos destacar algumas iniciativas de consórcios de editoras
universitárias internacionais adotaram os livros digitais, permitindo assim uma maior
democratização do conhecimento: Public Knowledge Project (PKP) - Open Monograph

505 O livro digital pode ser entendido como aquele que possui características iguais a da obra impressa, por meio
da conversão integral de livros impressos para o formato digital através da digitalização. Para mais informações
ver: DOURADO, Stella Moreira. Identificando a inovação editorial na cadeia produtiva do livro
universitário brasileiro. 110 f. 2012. Dissertação (Mestrado) - Instituto de Ciência da Informação,
Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2012.

4358

�Press (http://pkp.sfu.ca/omp); Open Access Publishing in European Networks - OAPEN
(http://www.oapen.org/); Open Book Publishers (http://www.openbookpublishers.com/);
University Press Content Consortium - UPCC (http://muse.jhu.edu/about/UPCC.html).
No Brasil, uma grande iniciativa de disponibilização de livros digitais gratuitos, foi o
Portal Domínio Público criado pelo Ministério da Educação em 2004. O portal tem por
objetivo promover o acesso gratuito a obras que estão em domínio público ou que tenha a sua
divulgação já autorizada, e dessa forma pretende contribuir para o desenvolvimento da
educação e da cultura.
Em 2012 foi lançado no Brasil, pela Scientific Electronic Library Online - SciELO, o
SciELO Livros, como o primeiro consórcio brasileiro de livros digitais. A Rede SciELO
Livros tem por objetivo ampliar a visibilidade, acessibilidade, uso e impacto das pesquisas
científicas produzidas nas universidades. Pretende se tornar uma referência na publicação de
livros científicos online, dando uma maior visibilidade à produção acadêmica e científica do
Brasil em âmbito internacional.
O Portal do Livro Aberto do Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e
Tecnologia - IBICT que tem por objetivo reunir, divulgar e preservar as publicações oficiais
em ciência, tecnologia e inovação. Disponibilizada para download gratuito obras relacionadas
aos temas de Ciência da Informação e Ciência, Tecnologia e Inovação.
Além das iniciativas de disponibilização de livros digitais gratuitos citadas, existem
muitas outras que permitem que os indivíduos tenham maior acesso à informação e à cultura.
Foram levantadas algumas iniciativas de disponibilização de livros digitais gratuitos,
encontrados por meio da pesquisa bibliográfica e por pesquisa do portal do Google,
disponibilizadas no quadro abaixo.
QUADRO 2 - PLATAFORMAS DE LIVROS DIGITAIS GRATUITOS
Plataforma
Portal
Público

Domínio

Tipo de obras disponibilizadas

Endereço eletrônico

Obras em domínio público. Livros digitais,
imagens, sons e vídeos disponíveis para

&lt;http://www.dominiopublico.gov.br/&gt;

download

Projeto Gutenberg

Obras em domínio público. Livros digitais
disponíveis para download

&lt;http://www.gutenberg.org/wiki/PT_P
rincipal&gt;

Portal
Livros

SciELO

Livros digitais científicos disponíveis para
download e para venda em formato pdf e epub

&lt;http://books.scielo.org&gt;

Cultura Acadêmica UNESP

Livros digitais científicos disponíveis para
download, mediante cadastro

&lt;http://www.culturaacademica.com.br/
&gt;

Projeto
Livro
Eletrônico CNPq

Obras científicas, tecnológicas e de inovação
disponíveis para download

&lt;http://www.cnpq.br/cnpq/livro_eletro
nico/index.htm&gt;

4359

�Portal de Periódicos
da Capes - Livros
Portal
do
Livro
Aberto - IBICT

Livros digitais científicos assinados pelo
Portal de Periódicos da Capes. Podem ser
acessados professores, pesquisadores, alunos e
funcionários vinculados às instituições que
assinam o Portal.
Livros digitais científicos disponíveis para
download

&lt;http://www.periodicos.capes.gov.br/&gt;

&lt; http://livroaberto.ibict.br/&gt;

eLivros-grátis

Livros digitais disponíveis para download.

&lt;http://www.elivros-gratis.net/&gt;

DOAB

Livros digitais científicos estrangeitos
disponíveis para download. Reúne 1928 obras
acadêmicas, revisadas pelos pares, de 62
editoras internacionais.

http ://www. doabooks.org/doab

EbookCult

Livros digitais disponíveis para download.

&lt;https://www.ebookcult.com.br/eBook
s_Gratuitos&gt;

Virtual Books

Livros digitais nacionais
disponíveis para download.

&lt;http://www.virtualbooks.com.br/v2/c
apa/&gt;

Universia Brasil

Livros digitais disponíveis para download

&lt;http://livros.universia.com.br/&gt;

eBooks Brasil

Livros digitais nacionais
disponíveis para download.

&lt;http://www.ebooksbrasil.org/index2.
html&gt;

Livros LabCom

Português
eBooks

Free-

e

e

estrangeiros

estrangeiros

Livros digitais científicos publicados pelo
Laboratório de Comunicação On Line do
Departamento de Comunicação e Artes da
Universidade da Beira Interior (Portugal),
disponíveis para download
Livros digitais nacionais e estrangeiros
disponíveis para download.

&lt;http://www.livroslabcom.ubi.pt/&gt;

&lt;http://portugues.free-ebooks.net/&gt;

Coleção Aplauso Imprensa Oficial

Livros digitais disponíveis para download.

http ://aplauso.imprensaoficial.com.br/l
ista-livros.php

Biblioteca
Digital
Fernando Pessoa

Livros digitais do Fernando
disponíveis para download.

&lt;http://casafernandopessoa.cmlisboa.pt/bdigital/index/title/index.htm
&gt;

Brasiliana - UFRJ

Livros digitais disponíveis para download.

&lt;http://www.brasiliana.com.br/&gt;

Biblioteca Virtual de
Literatura

Livros digitais disponíveis para leitura online

&lt;http://www.biblio.com.br/&gt;

Editorial Molvick

Livros digitais disponíveis para download e
para leitura online

&lt;http://www.molwick.com/pt/livros/&gt;

Estudantes

Livros digitais disponíveis para download

&lt;http://www.estudantes.com.br/bib_vi
rt.asp&gt;

Bartleby

Livros digitais estrangeiros disponíveis para
leitura online, incluindo a coleção "The
Harvard Classics”

&lt;http://www.bartleby.com/&gt;

Open Library

Livros digitais estrangeiros disponíveis para
leitura online e para download

&lt;https://openlibrary.org/&gt;

Bookshelf
Portal da Biblioteca
Digital de Obras
Raras e Especiais da
USP

Pessoa

Livros digitais estrangeiros disponíveis para
download

Coleção de obras raras disponíveis para
download

&lt;http://www.ncbi.nlm. nih.gov/books&gt;

&lt;http://www.obrasraras.usp.br/&gt;

Fonte: Elaboração própria.

4360

�Algumas

editoras

universitárias

brasileiras

também

estão

disponibilizando

gratuitamente livros digitais506. Além da editora da Unesp (Cultura Acadêmica) já foi
mencionada no quadro acima, as editoras da Edufba e da EdiPUCRS também merecem
destaque. A Edufba permite o livre acesso a todas obras do seu catálogo publicadas após o
ano de 2008 e disponibilizadas no Repositório Institucional da UFBA. A EdiPUCRS
disponibiliza cerca de 100 livros digitais, grande parte do seu acervo, gratuitamente em seu
website.
Os resultados encontrados, no que se refere à disponibilização gratuita de livros
digitais, demonstram que as tecnologias informacionais aliadas à internet permitem um maior
acesso à cultura aos cidadãos. Estas são apenas algumas iniciativas de disponibilização de
livros digitais gratuitos. Acredita-se que a tendência é de que cada vez mais surjam mais
iniciativas que permitam uma democratização do conhecimento e do acesso à cultura.

6 CONCLUSÃO
A cultura é uma forma de expressão do homem, seja por meio de criação de artefatos e
de bens, seja por desenvolvimento de técnicas, ideias e hábitos permeados de valores
herdados de geração para geração. Com o advento das tecnologias informacionais e da
internet, o homem passa a se expressar culturalmente em ambiente digital fazendo emergir
assim, a cultura digital.
O acesso à cultura é direito de todo o cidadão e, com os resultados da pesquisa, ficou
evidenciado que as tecnologias da informação e a internet permitem uma ampliação do acesso
à cultura para a sociedade. Percebeu-se a disponibilização de bens culturais em meio digital
de forma gratuita, tais como música, cinema, televisão, bibliotecas e livros, aumentam as
possibilidades de democratização do acesso ao conhecimento e à cultura.
O livro, enquanto bem cultural, é consolidado na sociedade como fonte de registro e
transmissão de conhecimento. É um veículo de preservação e de difusão da cultura e ao ser
disponibilizado no formato digital gratuitamente na internet, potencializa ainda mais sua
função de difusor cultural, possibilitando uma maior democratização do acesso ao
conhecimento e da cultura.
Pelo fato da cultura digital ser uma cultura relativamente nova e levando-se em
consideração as desigualdades socioeconômicas do país, acredita-se que seja necessária a

506 Para mais informações ver: DOURADO, Stella Moreira. Identificando a inovação editorial na cadeia
produtiva do livro universitário brasileiro. 110 f. 2012. Dissertação (Mestrado) - Instituto de Ciência da
Informação, Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2012.

4361

�realização de projetos de inclusão social e digital, onde os indivíduos possam ter acesso às
tecnologias informacionais e à internet. Assim, essas pessoas poderão exercer seu direito à
cultura tendo a acesso às iniciativas de democratização do conhecimento levantadas nesta
pesquisa, assim como outras que ainda estão por surgir. Poderão ainda participar de forma
ampla e colaborativa nas redes online, se expressando culturalmente e passando de
expectadores para atores culturais.

REFERÊNCIAS:
BENÍCIO, C. D.; SILVA, A. K. A. Do livro impresso ao e-book: o paradigma do suporte na
biblitoeca eletrônica. Biblionline, v. 1, n. 2, 2005, v. 1, n. 2, 2005. Disponível em:
&lt;http://periodicos.ufpb.br/ojs2/index.php/biblio/article/viewFile/580/418&gt;. Acesso em: 06
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BENKLER, Y. The Wealth of Networks: How Social Production Transforms Ma-rkets and
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              <text>O acesso à cultura e aos bens culturais é direito de todo cidadão, mas nem todos tem acesso. As tecnologias informacionais e a internet geram várias possibilidades de ampliação do acesso à cultura para os indivíduos, gerando uma nova cultura – a digital. Neste trabalho, buscou-se analisar as contribuições das tecnologias informacionais e da internet para um maior acesso à cultura, utilizando o livro digital, disponibilizado gratuitamente, como veículo de democratização do acesso ao conhecimento. Para tanto, realizou-se uma pesquisa bibliográfica e documental sobre cultura e as transformações promovidas pelas tecnologias informacionais e da internet, ocasionando o surgimento da cultura digital e como essa nova cultura favorece a democratização do acesso ao conhecimento para a sociedade. Foi realizado também um levantamento de iniciativas de publicação de livros digitais gratuitos que permitam uma maior democratização do acesso ao conhecimento e a cultura. Contatou-se que com a cultura digital, os cidadãos podem participar de forma ampla e colaborativa nas redes online, se expressando culturalmente e passando de expectadores para atores culturais.</text>
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