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                <elementText elementTextId="76624">
                  <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

DA EPISTEMOLOGIA DE PRESERVAÇÃO À QUESTÃO EMERGENT DA
PRESERVAÇÃO DE ACERVOS DIGITAIS: UM OLHAR APLICADO ÀS
BIBLIOTECAS DE PÓS-GRADUAÇÃO DA FIOCRUZ
Manoel Silva Barata
Gustavo Silva Saldanha

RESUMO
O presente trabalho busca apresentar uma contribuição teórica ao domínio da preservação nos
estudos biblioteconômicos, principalmente no que tange às informações científicas
armazenadas em suportes digitais. Para tanto, percorre-se três linhas gerais: a) análise
filosófico-epistemológica: reflexão sobre a razão filosófica para “preservar” e o papel
“teórico” da preservação no contexto da Biblioteconomia; b) análise técnico- política:
reflexão sobre a construção de modelos de políticas de implantação e de práticas
preservacionistas; e c) análise empírica: reflexão comparada entre os elementos filosóficoepistemológicos e aqueles técnico - políticos no contexto das práticas preservacionistas da
Fiocruz. A partir da construção destes objetivos, prossegue-se pela revisão de literatura na
área e aplicação de entrevistas com alguns profissionais bibliotecários atuantes da Rede de
Bibliotecas da Fiocruz que nos permitiram obter algumas contribuições teóricas sobre a
prática da Preservação Digital do ponto de vista biblioteconômico.
Palavras-Chave: Preservação Digital; Biblioteconomia; Epistemologia; Ética Profissional.

ABSTRACT
This study aims to present a theoretical contribution to the field of preservation studies in
librarianship especially in regard to scientific information stored on digital media. To do so ,
we will cover three general routes : a) philosophical- epistemological analysis : reflection on
the philosophical reason to "preserve" and " theoretical " role of preservation in the context of
librarianship ; b ) technical and policy analysis : reflections on building models of policy
implementation and preservationists practices ; c ) empirical analysis : reflection compared
between the philosophical- epistemological and those technical elements - political practices
in the context of preservationists Fiocruz . From the construction of these goals, we proceed
by reviewing literature in the area of application and interviews with some active librarians
Library Network Fiocruz that allowed us to get some theoretical contributions on the practice
of Digital Preservation from the point of view of library
Keywords: Digital Preservation; librarianship; epistemology; professional ethics

4195

�1 Introdução
O presente trabalho apresenta os primeiros resultados da dissertação em andamento no
Curso de Mestrado Profissional em Biblioteconomia oferecido pela Universidade Federal do
Estado do Rio de Janeiro - UNIRIO. Este busca apresentar uma contribuição teórica ao
domínio da preservação nos estudos biblioteconômicos, principalmente no que tange às
informações científicas armazenadas em suportes digitais. Para tanto, percorre-se três linhas
gerais: a) análise filosófico-epistemológica: reflexão sobre a razão filosófica para “preservar”
e o papel “teórico” da preservação no contexto da Biblioteconomia; b) análise técnicopolítica: reflexão sobre a construção de modelos de políticas de implantação e de práticas
preservacionistas; e c) análise empírica: reflexão comparada entre os elementos filosóficoepistemológicos e aqueles técnico - políticos no contexto das práticas preservacionistas nas
bibliotecas da Fundação Oswaldo Cruz - Fiocruz. A partir da construção destes objetivos,
prossegue-se pela revisão de literatura na área e aplicação de entrevistas com alguns
profissionais bibliotecários atuantes da Rede de Bibliotecas da Fiocruz, possibilitando a
obtenção de algumas contribuições teóricas sobre a prática da preservação digital do ponto de
vista biblioteconômico.
Presente

no contexto

de fundamentação

do pensamento biblioteconômico-

informacional, o conceito de “preservação” responde por um conjunto de práticas que teceu
desde uma subterminologia a diferentes abordagens e tendências ao longo do processo de
produção e uso dos artefatos tratados como “registros do conhecimento”. O desenvolvimento,
no século passado, de tecnologias de “propagação” de dados, como televisão e rádio, em
paralelo com o desenvolvimento de tecnologias de “propagação” e “retenção”, como Internet
e telefonia móvel, colocou em pauta a aparente dicotomia entre “preservacionistas” e
“acessistas”, ou teóricos da preservação, de um lado, e teóricos do acesso, de outro.
Na epistemologia da Biblioteconomia e Ciência da Informação, este movimento
resulta, em alguns olhares, na relação conflituosa entre uma escola francesa, de fundo
humanista, e uma escola inglesa e estadunidense, de fundo tecnicista. Esta situação demarca,
desde já, a importância teórico-conceitual da “preservação” como ponto de inflexão do
pensamento biblioteconômico-informacional. Se observada a configuração atual de nosso
contexto sociotécnico, pautada pela web e seus potenciais de produção em rede e colaborativa,
a “questão da preservação” ganha em evidência e emergência. Em paralelo às técnicas e
abordagens teórico-práticas, pergunta-se, pois, como se dá o aprofundamento do estudo da
“preservação” no campo e seu potencial de correlação com a operacionalização de
determinadas abordagens.

4196

�Neste sentido, vê-se necessária, em certa medida, a preocupação com a visão
biblioteconômica - histórica sobre as atuais práticas de preservação digital, para que se torne
possível estabelecer novos conhecimentos e direcionamentos que venham a contribuir para as
soluções e os dilemas da “questão da preservação” no contexto digital. Da argumentação
epistemológica busca-se perceber o vínculo entre abordagem e as políticas institucionais que
ainda estão por serem construídas, tendo como eixo principal a preservação dos documentos
científicos em formato digital para as futuras gerações sobre a curadoria do profissional
bibliotecário, assim como a partir de teorias e leis da Biblioteconomia.

2 Contexto epistemológico: início de um “estado da arte” sobre a “preservação” no
pensamento biblioteconômico-informacional.
É fato que, historicamente, diversos autores como, Paul Otlet (1934), já manifestavam
sua preocupação com a preservação da informação para as futuras gerações - como é
observado, principalmente, em seu “Tratado de Documentação”, na seção dedicada à
conservação, alteração e destruição do livro e do documento. Assim como historiador, teórico
e bibliotecário Serrai (1975), se preocupava com a preservação das obras científicas, como
suporte da “memória coletiva das experiências existenciais, cientificas e culturais, seja do
indivíduo, seja da sociedade”. Com o passar do tempo os suportes informacionais evoluíram,
desde as tábuas de argila, papiros, papel, microfilme e mais recentemente aos suportes digitais
da informação.
A preservação aponta para domínios dos mais aplicados aos mais abstratos dentro da
Biblioteconomia e Ciência da Informação. Questões como memória e ética da informação,
por exemplo, representam dois solos discursivos que não podem estar desligados da discussão
sobre preservação

e indicam

arenas

de

debate

de relevância incontestável

na

contemporaneidade. Se reunidas com as noções de política, economia e sociedade; revela-se a
complexidade e a potência do significado do conceito de preservação e de sua aplicação. Isto
serve de alerta para a necessidade de um método filosófico que possa atentar para uma
epistemologia histórica do conceito, visando à ampla e profunda discussão sobre os gestos
atuais de compreensão dos motivos pelos quais se pode ou se deve preservar e em quais
condições.
Algumas questões de fundo que se apresentam ao “dilema da preservação” estão: o
que preservar? Para quem preservar? Como preservar? Onde preservar? Tais argumentações
apontam, simultaneamente, para respostas estritamente vinculadas ao terreno da aplicação.

4197

�Isto demonstra como uma “epistemologia da preservação” está intimamente posicionada em
um núcleo de tensão entre teoria e prática, entre reflexão e ação. O “dilema da preservação
digital”, neste sentido, abre-se como uma unidade de argumentação e de atuação central
dentro das reflexões filosóficas da Biblioteconomia e Ciência da Informação hoje. Deste
modo, entre um método filosófico e métodos indutivos, percebe-se a emergência do estudo.
Dentro deste contexto de profundas mudanças tecnológicas contemporâneas e do
crescente processo de migração do acervo bibliográfico científico do suporte impresso para o
digital, faz se necessário revisitar teorias da Biblioteconomia e Ciência da Informação em
autores como Solange Puntel Mostafa, Miguel Ángel Redón Rojas e Shyiali Ramamrita
Ranganathan, na busca por embasamento teórico que contribuam com a dinâmica da
informação, das bibliotecas e de seus suportes, assim, consequentemente, será possível a
identificação de possíveis contribuições à preservação da informação científica em meio
digital para as futuras gerações no ambiente das bibliotecas.
Mostafa (1985) pensa a Biblioteconomia como uma ciência que constitui a sua prática
social quando contribui com a prática educativa dentro de seu contexto social. Para tanto a
Biblioteconomia necessita de embasamento e de uma sustentação teórica dentro das Ciências
Sociais, pois a biblioteca é uma organização social que possui a missão de preservar e
disseminar a informação registrada em algum tipo de suporte para as futuras gerações, suporte
representado neste trabalho pelo conceito geral de Paul Otlet (1934), biblión que se entende
por todo registro da informação, seja texto, gráfico, plástico, ícone ou imagem sobre qualquer
material, do tablete de argila ao digital, incluindo, por exemplo: livros, documentos,
periódicos, documentos digitais, imagens, etc., de forma a garantir uma sociedade que
perpetue sua memória coletiva. Neste mesmo sentido
Butler aparece como iniciador de “uma nova abordagem da
Biblioteconomia” - onde ele deseja entender a Biblioteconomia numa visão
sistêmica, privilegiando as questões filosóficas dos propósitos e finalidades.
Ele afirma que a Biblioteconomia se posiciona na questão para ser discutida
em qualquer sistema das ciências sociais, porque a biblioteca é uma unidade
essencial na organização social, ela é um aparato social das transferências
dessa memória à consciência dos indivíduos, através dos livros, que são um
mecanismo social de preservação da memória racial. (BUTLER, 1933 apud
MOSTAFA, 1985, p.34)
Para Butler (1933 apud Mostafa, 1985) o livro é o suporte escolhido para representar o
registro físico da informação que pertencente ao conjunto da memória coletiva da sociedade,
necessita ser preservado para que as futuras gerações não percam o acumulado do
conhecimento das gerações passadas, da mesma forma que a biblioteca por toda sua história,

4198

�foi à organização social responsável por essa guarda e proteção, para que só posteriormente
fosse também encarregada de disseminar a informação.
Ranganathan (2009) apresenta como contribuições ao domínio da preservação em seus
enunciados da terceira lei - (Para cada livro seu leitor) e da quinta lei - (A biblioteca é um
organismo em crescimento), preocupações teóricas de sua época que ainda hoje estão
relacionadas com a preservação do conhecimento científico para as futuras gerações, quando
em sua terceira lei realiza reflexões sobre a organização do biblión e de seus respectivos
pontos de acesso no catálogo, subtende-se que uma coleção desorganizada não há como se
encontrar a informação que se procura, que dirá preservá-la. Já em sua quinta lei, o autor usa
uma metáfora sobre a biblioteca como sendo um “organismo biológico” que necessita se
desenvolver constantemente para não correr o risco de paralisar e perecer. Este risco ainda
presente nos dias atuais se repete há muitos anos, pois diante dos avanços tecnológicos e
sociais, a biblioteca necessita de constante atualização, pois como já era alertado por Serrai há
aproximados quarenta anos atrás,
Séculos de imobilidade fizeram da biblioteca um organismo estático, que
não consegue adequar-se rapidamente e interagir com os fenômenos
dinâmicos, que são causa e efeito da produção editorial e do movimento de
ideias. Estas por sua vez, são dinamizadas pelas mudanças da realidade
provocadas pelo desenvolvimento tecnológico, etc. Na assim chamada idade
moderna, que chega até nossos dias, a estrutura da biblioteca é obrigada a
modificar-se continuamente até que mude também seu significado e sua
natureza. (SERRAI, 1975, p.147).
Rendón Rojas (2005) nos ajuda a compreender como uma ciência biblioteconômica
fundamentada pode favorecer na resposta de questionamentos, como estes levantados
anteriormente, relacionando-as as atividades práticas do bibliotecário que sempre constituiu
um fator marcante na história das bibliotecas. Segundo o autor, diferentemente de outras
correntes filosóficas do estudo científico,
Se bem existe uma nova realidade, que nos obriga a readaptar e desenvolver
o conhecimento, que nos proporciona o elemento de inovação, também é
certo que não deve partir do nada, o qual salva a tradição. A questão não é
substituir um conhecimento por outros, mas sim aprofundar, complementar,
desenvolver uns conhecimentos que se têm. (RENDÓN ROJAS, 2005, p.21)
O conhecimento científico dentro de uma área de atuação como a Biblioteconomia,
deve acompanhar as mudanças de maneira responsável e atenta aos ensinamentos de autores
acadêmicos e nas boas práticas do passado, pois como nos apresenta Rendón Rojas, a melhor
maneira de fazer conhecimento é conhecendo e aproveitando as estruturas do passado como
base para adaptá-las as novas formas de pensar, atualizar e realizar. Por exemplo: aquele

4199

�bibliotecário que atuava somente descrevendo e classificando em fichas catalográficas
datilografadas; atualmente, também poderá fazê-lo em bases de dados bibliográficas
automatizadas, ou seja, hoje este profissional, dentre outras atribuições, terá facilidade em
alimentar, padronizar os repositórios de informações digitais, de forma a dar prosseguimento
em sua missão profissional de preservar e disseminar a informação.
Para além das questões técnicas e tecnológicas continuamente mutáveis, o contexto
biblioteconômico passa por diversas transformações, oriundas da própria evolução da
sociedade como um todo, pois como nos relembra Rendón Rojas,
o que importa neste momento é o fato de sabermos que o homem é um ser
social, que a biblioteca é uma instituição social, que o documento e o
conhecimento têm um caráter social e de que a Biblioteconomia pertence ao
campo das Ciências Sociais. (RENDÓN ROJAS, 2005, p.58).
Fazendo com que a Biblioteconomia fundamente sua objetividade em sua prática
social, através das atividades realizadas pelas bibliotecas com o objetivo geral de satisfazer as
necessidades informacionais de seus usuários. Pois, é “no mundo biblioteconômico onde se
está possibilitando que o sujeito encontre seus interlocutores e desta maneira se realize como
sujeito.” (RENDÓN ROJAS, 2005, p.72).
Neste contexto social em que a Biblioteconomia está inserida é onde reside o
compromisso ético do profissional bibliotecário com a sociedade e com sua própria forma de
atuar, pois como já no século XIX lembrava Benjamim Franklin Ramiz Galvão (Diretor da
Biblioteca Nacional, 1870 - 1882).
Nos nossos dias, em que a vastidão dos conhecimentos humanos se-dilata de
um modo assombroso, em que a atividade dos escriptores é cem vezes
maior, em que todas as classes sociaes vão com anxiedade procurar o pão do
espírito outr’ora reservado a um numero selecto e privilegiado de felizes,
quanto mais difficil é a tarefa do bibliotecário! Cumpre que tenha um saber
excepcional e sobretudo variado, sem presumpção nem altivez, um juízo
seguro e superior às sugestões de doctrina ou aos preconceitos de eschola; a
mais esmerada polidez e natural singeleza sem descair na condescência
banal e compromettedora; [...] amor indefesso ao trabalho, enthusiamo pela
profissão, espírito aberto a todas as conquistas, coração generoso e leal.
(GALVÃO, 1885 apud OLIVEIRA, 2011, p.150)
Além deste compromisso ético e do amor pela profissão, nota-se que à sociedade atual
coloca para o profissional bibliotecário mais alguns desafios: o desafio do aprendizado
contínuo, do trabalho cooperativo, do desenvolvimento e reformulação de padrões e
instrumentos racionais de trabalho, pois atualmente em Biblioteconomia, “o objeto tradicional
da disciplina: o livro e a biblioteca escapam, transformam e deslocam para outros fenômenos

4200

�(documentos, bases de dados, redes, centro de documentação, bibliotecas eletrônicas); que
muito se distanciam de serem semelhantes ao que se vinha gerenciando”. (RENDÓN ROJAS,
2005, p.150).

3 Materiais e Métodos

Primeiramente realizaram-se revisões na literatura biblioteconômica, com foco no
domínio da preservação, traçando reflexões sobre a forma como se pensava a preservação da
informação, esta que hoje migra rapidamente para o suporte digital, procurando identificar a
preocupação dos autores analisados, assim como comprovar a importância da utilização de
conceitos históricos epistemológicos como forma de garantir a preservação da informação
científica para as futuras gerações. Posteriormente levantaram-se dados preliminares através
de entrevistas com profissionais atuantes nas bibliotecas que compõem atualmente a Rede de
Bibliotecas da Fiocruz, com o objetivo de realizar uma reflexão comparada entre os elementos
filosófico-epistemológicos e aquelas técnicas - políticas no contexto das práticas de
preservação digital das bibliotecas da Fiocruz.
Nestas entrevistas foram levantados dados quantitativos e qualitativos da pesquisa
empreendida. Esta etapa possibilitou uma interpretação de ordem qualitativa, quando
confrontada com os dados levantados na pesquisa teórica, pois a entrevista é uma ferramenta
que permite um contato direto entre entrevistado e entrevistador,
A situação em que se desenvolve a entrevista é, em si mesma, uma situação
social em que entrevistador e entrevistado interagem, isto é, se influenciam
um ao outro, não apenas através das palavras que pronunciam, mas também
pela inflexão de voz, gestos, expressões fisionômicas, modo de olhar,
aparência e demais atrações pessoais e manifestação do comportamento.
(NOGUEIRA, 1968 apud CUNHA, 1982, p.9).
Desta forma as entrevistas foram realizadas com formulários previamente
estruturados, como espaços paralelos para garantir o direito a criticas e sugestões. Como por
exemplo: o modelo abaixo, baseado no “Meio Ideológico” proposto por Paul Otlet e o da
“Biblioteca é um organismo em crescimento” de Ranganathan:
Tabela 1 - Cooperação entre profissionais de preservação digital
In d ica d o res

P erg u n ta

Cooperação entre profissionais Caso exista, como avalia a
envolvidos com a preservação cooperação
entre
os
digital
profissionais envolvidos com a
preservação digital?
Fonte: adaptação de (OTLET, 1934).

R esp o sta s

- Pequeno
- Moderado
- Grande
- Justificativa

4201

�Tabela 2 - Racionalização nas atividades de preservação digital
In d ica d o res

P erg u n ta

Racionalização das atividades Caso exista, Como avalia a
atuais de preservação na racionalização,
ou
biblioteca analisada.
inteligibilidade das atividades
propostas atualmente para a
preservação
digital
na
biblioteca?
Fonte: adaptação de (OTLET, 1934).

R esp o sta s

- Pequeno
- Moderado
- Grande
- Justificativa

Tabela 3 - Padronização nas atividades de preservação digital
In d ica d o res

P erg u n ta

Padronização das atividades de Caso exista, Como avalia a
preservação na equipe de padronização das atividades de
preservação da biblioteca preservação digital?
analisada.
Fonte: adaptação de (OTLET, 1934).

R esp o sta s

- Pequeno
- Moderado
- Grande
- Justificativa

Tabela 4 - Crescimento do acervo digital
In d ica d o res

P erg u n ta

Crescimento
dentro
biblioteca do acervo
periódicos eletrônicos.

da Caso possua, como avalia o
de atual crescimento do acervo de
periódicos eletrônicos em
proporção ao mesmo acervo em
papel?
Crescimento
dentro
da Caso possua, como avalia o
biblioteca do acervo de livros atual crescimento do acervo de
eletrônicos.
livros eletrônicos em proporção
ao mesmo acervo em papel?
Fonte: adaptação de (RANGAN ATHAN, 2009).

R esp o sta s

- Pequeno
- Moderado
- Grande
- Justificativa
- Pequeno
- Moderado
- Grande
- Justificativa

Tabela 5 - Crescimento da demanda pelo acervo digital - Usuários/Instituição
In d ica d o res

P erg u n ta

R esp o sta s

Crescimento da demanda dos Caso possua, como avalia o atual
usuários por acervo em formato crescimento da demanda dos
usuários por publicações em
digital.
formato digital?
Crescimento
da
demanda Caso possua, como avalia o atual
Institucional por acervo em crescimento
da
demanda
Institucional por publicações em
formato digital.
formato digital de uma maneira
global?
Fonte: adaptação de (RANGAN ATHAN, 2009).

- Pequeno
- Moderado
- Grande
- Justificativa
- Pequeno
- Moderado
- Grande
- Justificativa

Tabela 6 - Crescimento da equipe capacitada em preservação digital
In d ica d o res

P erg u n ta

Crescimento
dentro
da Caso ocorrido, Como avalia o
biblioteca
da
equipe crescimento dos profissionais
capacitada em preservação capacitados dentro da biblioteca
para a preservação digital?
digital.
Fonte: adaptação de (RANGANATHAN, 2009).

R esp o sta s

- Pequeno
- Moderado
- Grande
- Justificativa

4202

�4 Resultados Parciais

Antes da análise preliminar sobre os dados levantados a título de pré-teste faz se
necessário esclarecer que os dados levantados nas entrevistas são preliminares e representam
aproximadamente 25% do universo total de entrevistados na fase de levantamento de dados
definitiva.
Dentre as diversas análises quantitativas possíveis, destacam-se quatro como seguem
nos gráficos abaixo, complementados por alguns tópicos qualitativos relacionados com as
respectivas questões quantitativas:

4.1

Crescimento do acervo de periódicos e livros eletrônicos em comparação com o acervo

em papel.
a) Análise quantitativa:
Gráfico 1: Crescimento Acervo - Eletrônico X Papel

No gráfico acima, observa-se que ocrescimento de acervo de periódicos em formato
eletrônico é maior do que o em formato em papel, além disso, é maior que o crescimento de e­
books, este último que por sua vez representa um pequeno crescimento na realidade da
instituição analisada.

b) Alguns tópicos qualitativos relacionados, denotados a partir de análise sobre os dados
levantados e tabulados:
43. Há uma grande preocupação institucional com a preservação digital;

4203

�44. Hoje os bibliotecários se preocupam, por não se ter garantias quanto à propriedade
definitiva nas maiorias dos contratos com as editoras de periódicos eletrônicos;

45. Os e-books são mais fáceis de serem adquiridos de forma perpétua junto à maioria das
editoras, mesmo assim o crescimento deste suporte informacional é considerado
pequeno na Instituição.
4.2

Avaliação sobre a demanda por publicações eletrônicas pelos usuários, instituição e a

correlação com a quantidade de profissionais capacitados em preservação digital.
^ Análise quantitativa:
Gráfico 2: Demanda por publicações eletrônicas - Usuários e Instituição X Profissionais
capacitados em preservação digital

No gráfico acima, observa-se que equanto a demanda dos usuários por publicações
eletrônicas é considerada moderada, já a demanda da instituição de maneira global é
considerada grande para a maioria dos entrevistados. Agora com relação ao número de
profissionais capacitados para atender a estas respectivas demandas, foram consideradas
pequenas pela maioria absoluta dos entrevistados neste pré-teste.
^ Alguns tópicos qualitativos relacionados, denotados a partir de análise sobre os dados
levantados e tabulados.
^ O crescimento da demanda por publicações eletrônicas é considerado moderado,
quando se pensa nos periódicos eletrônicos especificamente, pois o E-book ainda
apresenta um crescimento pequeno;

4204

�x O usuário quando vai à instituição informativa (biblioteca) ele está interessado em
satisfazer suas necessidades de informação, independentemente dos suportes em que
estas estejam;
^

O crescimento da demanda institucional por publicações eletrônicas, principalmente o
periódico, é uma tendência social e econômica que já vem ocorrendo há algum tempo;

^ A falta de capacitação em preservação digital faz com que os profissionais envolvidos
com estas atividades fiquem preocupados, pois o “Como fazer? De que forma?” em
grande parte, ainda está em desenvolvimento.
4.3

Avaliação sobre a cooperação profissional, padronização e racionalização das atividades

no universo dos processos de preservação digital cujo compromisso ético e social decai de
alguma forma sobre as bibliotecas.

a) Análise quantitativa:
Gráfico 3: Cooperação profissional X Padronização de atividades X Racionalização de
atividades - (em preservação digital)

No gráfico acima, observa-se co relação à cooperação dos profissionais envolvidos
com a preservação digital é considerada grande pela maioria dos entrevistados. No entanto
outros critérios importantes para serem pensados no momento de uma preservação digital

4205

�eficaz foram considerados pequenos, como a padronização e a racionalização das atividades
em preservação digital.

b) Alguns tópicos qualitativos relacionados, denotados a partir de análise sobre os dados
levantados e tabulados:

Cooperação existe dentro das unidades, em programas institucionais, através de reuniões
entre grupos de interesse ao tema, mais ainda precisamos pensar a preservação digital
de maneira mais ampla;
Tanto a padronização, quanto a racionalização das atividades em preservação digital são
pensadas, mais em grande parte, ainda estão em desenvolvimento, por isso são
consideradas como sendo pequenas para o nível de exigência e qualidade que se
almeja alcançar.
Esta preocupação com a preservação digital se dá no âmbito das assinaturas de periódicos
eletrônicas, dos e-books que são nato-digitais e também com relação aos processos
institucionais de digitalização de diversas tipologias de acervos.
O ARCA - Repositório Institucional da Fiocruz é lembrado diversas vezes como sendo
uma metodologia, ou ferramenta que colabora com a padronização e com a
racionalização das atividades de preservação dos objetos digitais oriundos da
Instituição.

5 Considerações Parciais
Como resultado preliminar deste trabalho em desenvolvimento já é possível
compreender e retirar algumas contribuições para os processos de preservação digital do
ponto de vista biblioteconômico, principalmente aqueles éticos epistemológicos preocupados
com a preservação da informação para as futuras gerações.
Primeiramente relacionadas às questões teóricas levantadas por Ranganathan em
análise reflexiva com dados do levantamento empírico, observa-se que há um crescimento
relevante do acervo de periódicos eletrônicos e ainda pequeno dos e-books, devido
principalmente à tendência do mercado editorial, porque ao usuário o que importa, quando
este procura por uma instituição informativa é satisfazer sua necessidade de informação,
independentemente do suporte em que esta informação esteja registrada. Neste contexto a
responsabilidade social e ética pela preservação da informação científica para as futuras
gerações perpassa pelas atividades profissionais do bibliotecário, que de modo nenhum pode

4206

�se eximir de procurar contribuir de alguma forma neste sentido, seja através da busca
incessante por soluções junto aos editores de periódicos científicos, seja estabelecendo rotinas
de backups em computadores existentes dentro de sua instituição informativa, seja
alimentando repositórios institucionais, etc.
Com relação às questões teóricas levantadas por Paul Otlet em análise reflexiva com
dados do levantamento empírico, constata-se que a cooperação entre os profissionais
envolvidos com a preservação digital se faz necessária, mas que sozinha não garante uma
preservação eficaz. A questão da padronização das atividades em preservação deve estar
alinhada as metas e missão institucional, assim como a racionalização das atividades devem
fazer parte das reflexões no âmbito das reuniões e fóruns colaborativos, pois a padronização
das atividades em preservação faz com que a instituição fale o mesmo idioma
preservacionista. Com relação à racionalização das atividades devem ser pensados tanto no
âmbito estratégico, quanto replicado aos níveis operacionais da instituição em forma de
políticas, guias, manuais, tutoriais, etc.
Em síntese, nesta análise preliminar, percebe-se que o trabalho tem muito a crescer
com o aumento do número de pesquisas e com o detalhamento das análises técnico-políticas e
filosófico-epistemológicas a serem refinadas nas próximas etapas deste trabalho.

6 Referências

ARELLANO, Miguel Ángel Márdero. Critérios para a preservação digital da informação
científica. 2008. 354 f (Doutorado em Ciência da Informação) - Departamento de Ciência da
Informação

e

Documentação,

UNB,

Brasília,

2008.

Disponível

em

&lt;http://bdtd.bce.unb.br/tedesimplificado/tde_busca/arquivo.php?codArquivo=4547 &gt;. Acesso
em: 31 de mai. 2014.
AUSTRÁLIA. Biblioteca Nacional. Diretrices para la preservación del patrimônio digital.
s.l: Organización de las Naciones Unidas para la Educación, la Ciencia y la Cultura, 2003.
Disponível em &lt; http://unesdoc.unesco.org/images/0013/001300/130071s.pdf&gt;. Acesso em:
31 de mai. 2014.
CUNHA, Murilo Bastos da. Metodologia para estudo de usuários de informação científica e
tecnológica. Revista de Biblioteconomia de Brasília, Brasília, v.10, n.2, p. 5-19, Jul.-Dez.
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Acesso

em: 31 de mai. 2014.

4207

�DARNTON, Robert. A questão dos livros: passado, presente e futuro. São Paulo:
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              <text>O presente trabalho busca apresentar uma contribuição teórica ao domínio da preservação nos estudos biblioteconômicos, principalmente no que tange às informações científicas armazenadas em suportes digitais. Para tanto, percorre-se três linhas gerais: a) análise filosófico-epistemológica: reflexão sobre a razão filosófica para "preservar" e o papel "teórico" da preservação no contexto da Biblioteconomia, b) análise técnico- política: reflexão sobre a construção de modelos de políticas de implantação e de práticas preservacionistas, e c) análise empírica: reflexão comparada entre os elementos filosóficoe-pistemológicos e aqueles técnico – políticos no contexto das práticas preservacionistas da Fiocruz. A partir da construção destes objetivos, prossegue-se pela revisão de literatura na área e aplicação de entrevistas com alguns profissionais bibliotecários atuantes da Rede de Bibliotecas da Fiocruz que nos permitiram obter algumas contribuições teóricas sobre a prática da Preservação Digital do ponto de vista biblioteconômico.</text>
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