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                  <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

A IMPORTÂNCIA DA BIBLIOTECA PARA A EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA: EM
FOCO A EAD NA UFMG
Sinay Santos Silva de Araujo

RESUMO
Este trabalho aborda a importância da biblioteca para a educação a distância (EaD) e
apresenta dados sobre as necessidades informacionais dos alunos da EaD na Universidade
Federal de Minas Gerais (UFMG). Faz um breve histórico da EaD na UFMG. Mostra a
opinião dos alunos sobre o acesso às bibliotecas dos polos e a qualidade do acervo dessas
bibliotecas. Apresenta os discursos dos alunos sobre as dificuldades para realizar o curso, suas
rotinas de estudo e as fontes de informação usadas para estudo e pesquisa. Esses dados foram
sistematizados no estudo que investigou a formação da cultura informacional na modalidade
de educação a distância. Foi utilizado como referencial teórico a Teoria das Representações
Sociais e a técnica do DSC (Discurso do Sujeito Coletivo), desenvolvida por Lefevre e
Lefevre. As necessidades informacionais dos alunos da EaD estão relacionadas com vários
fatores e apenas a biblioteca física instalada no polo de apoio presencial, não atende
satisfatoriamente essas necessidades. Outras formas de acesso a informação precisam ser
pensadas, visando atender as demandas informacionais específicas desses alunos.
Palavras-Chave: Bibliotecas; Educação a distância; Necessidades informacionais; Fontes de
informação; Representações sociais.
ABSTRACT
This paper discusses the importance of the library to distance education (DE) and presents
data on the informational needs of distance education students at the Federal University of
Minas Gerais (UFMG). Makes a brief history of the DE in the UFMG. Shows the students'
opinions about access libraries of the poles and the quality of library collections libraries.
Presents the students' discourse on the difficulties for the course, their routines and study the
sources of information used for study and research. These data were systematized in the study
that investigated the formation of informational culture in the distance education modality. It
was used as a theoretical framework the Social Representation Theory and the technique of
CSD (Discourse of the Collective Subject) developed by Lefevre and Lefevre. The
informational needs of students in distance education are related to several factors and not just
the physical library installed on the pole -face support, not satisfactorily meet these needs.
Other forms of access to information need to be thought, to meet the specific informational
needs of these students.
Keywords: Libraries; Distance education; Informational needs; Sources of information;
Social representations.

4000

�1 Introdução
A educação a distância (EaD) surgiu no cenário internacional como uma proposta de
democratização do ensino. A ideia era que essa modalidade educacional permitisse que a
população dispersa geograficamente e/ou marginalizada dos sistemas convencionais de
educação tivessem acesso a educação (CORREA, 2007; LITWIN, 2001a). Pressupunha que
as distâncias geográficas entre os estudantes e as instituições de ensino poderiam ser
superadas com o uso de tecnologias educacionais. Ao longo desse percurso “a incredulidade,
a suspeita ou a simpatia” (LITWIN, 2001a, p. 9) acompanharam essa modalidade
educacional.
Na literatura da área, identificam-se várias concepções de educação a distância (REIS,
2002). A concepção que traz as características mais consensuais da EaD consideram-na como
uma educação planejada, na qual os conteúdos são sistematizados de forma a permitir a
aprendizagem independente e flexível (auto-estudo). Esses conteúdos são mediados pelas
tecnologias de informação e comunicação (TIC) que permitem também a interação (fluxo
informacional) entre professor-aluno, aluno-aluno e aluno-professor (ARAUJO, 2011).
No contexto atual, com a expansão da Internet, a educação a distância ganhou
destaque, tanto na área da educação, como na área econômica. A educação superior é o
segmento educacional que mais pode se beneficiar com soluções apresentadas pelas
tecnologias educacionais para modalidade a distância (VALENTE, 2003; DEMO, 2005). Isso
porque, pressupõe-se que nessa fase educacional, os estudantes possuem as habilidades e
competências informacionais para conduzir o seu próprio processo de aprendizagem. Assim, a
oferta de cursos superiores (graduação e pós-graduação) é vista como uma solução viável para
atender as demandas por formação profissional de jovens e adultos que querem se inserir no
mercado de trabalho capitalista (KIPNIS, 2009) ou que não tem como acessar o ensino
presencial.
Entretanto, um dos maiores desafios da educação superior se refere às habilidades
individuais e coletivas no uso da informação por parte dos estudantes. As instituições de
ensino superior enfrentam dificuldades, pois a capacidade de realização de pesquisa,
planejamento, gestão, avaliação e uso de fontes de informação por parte dos alunos é
deficiente. Há casos em que o aluno inicia o processo de letramento informacional, digital e
acadêmico quando entra na universidade (CAVALCANTE, 2006).
Seja como for, a EaD é uma alternativa de ensino/aprendizagem para atender,
principalmente, as demandas por educação superior decorrentes de fatores como: a defasagem
de escolarização e de analfabetismo da população, carga horária de trabalho dos estudantes

4001

�(CORREA, 2007), localização geografia distante dos centros de ensino. E essa alternativa
educacional, se desenvolvida por meio de políticas públicas, que visem melhorar o acesso e a
qualidade educacional de uma população, então ela tem um inegável valor (GODOY, 2009).
Em país com altos índices de defasagem na formação superior, como o Brasil, acredita-se que
a educação a distância seja uma forma de levar a formação superior a aqueles que não podem
acessá-la no ensino presencial.
Mas, para alcançar esse objetivo, não basta aumentar a oferta de vagas nos cursos
superiores e expandir o sistema educacional a distância. Conhecer as necessidades
informacionais dos estudantes é fundamental para avaliar os serviços de informação
oferecidos pelas instituições de ensino. No caso da EaD, faz-se necessário à realização de
estudos que procurem conhecer a realidade informacional dos alunos envolvidos nessa
modalidade educacional.
Nesse sentido, este trabalho aborda a importância da biblioteca para a educação a
distância (EaD) e apresenta dados sobre as necessidades informacionais dos alunos da EaD na
UFMG. Faz um breve histórico da EaD na UFMG. Mostra a opinião dos alunos sobre o
acesso às bibliotecas dos polos e a qualidade do acervo dessas bibliotecas. Apresenta os
discursos dos alunos sobre as dificuldades para realizar o curso, suas rotinas de estudo e as
fontes de informação usadas para estudo e pesquisa. Esses dados foram sistematizados no
estudo (pesquisa de mestrado) que investigou a formação da cultura informacional na
modalidade de educação a distância (ARAUJO, 2011).

2 Referencial Teórico
Na pesquisa foi utilizado como referencial teórico a Teoria das Representações Sociais
e a técnica do DSC (Discurso do Sujeito Coletivo). Também apresentou um breve histórico da
educação superior a distância no Brasil e na UFMG. E falou sobre a importância da biblioteca
para a educação a distância.

2.1 A Teoria das Representações Sociais e o Discurso do Sujeito Coletivo
As representações sociais são elementos simbólicos que os homens expressam
mediante o uso de palavras e de gestos para explicitar o que pensam. São constituídas por
“informações, imagens, crenças, valores, opiniões, elementos culturais, ideológicos etc.”
(JODELET, 2001, p. 38). É por meio das representações que formulamos opiniões sobre
determinado fato, objeto, pessoa etc. Essas representações baseiam nas expectativas que
desenvolvemos a respeito do objeto ou situação, ou seja, são “ancoradas no âmbito da

4002

�situação real e concreta dos indivíduos que as emitem” (FRANCO, 2004, 170). Podem ser
entendidas como uma forma de construir e representar a realidade social. Possuem relações
com a linguagem, a ideologia e o imaginário social e são socialmente construídas. Tem o
papel de orientar as condutas, os comportamentos e as práticas sociais e culturais dos
indivíduos (ALVES-MAZZOTTI, 1994, p. 60).
Jodelet (2001, p. 22) caracteriza as representações sociais como “uma forma de
conhecimento, socialmente elaborada e partilhada, com um objetivo prático, e que contribui
para a construção de uma realidade comum a um conjunto social”.
A Teoria de Representações Sociais (TRS) é usada para explicar os fenômenos
humanos a partir de uma perspectiva coletiva, mas sem perder de vista a individualidade de
cada sujeito. Representa tanto o conhecimento de senso comum (ou popular), como do
contexto sociocultural em que os indivíduos estão inseridos (FRANCO, 2004).
A proposta do Discurso do Sujeito Coletivo (DSC) foi desenvolvida por Fernando
Lefevre e Ana Maria Lefevre no final da década de 1990. A técnica é usada para realizar
“pesquisas de opinião, de representação social ou, mais genericamente, de atribuição social de
sentido” (LEFEVRE; LEFEVRE, 2005, p. 16) baseadas nos pressupostos da Teoria das
Representações Sociais. “É uma proposta de organização e tabulação de dados qualitativos de
natureza verbal, obtidos de depoimentos, artigos de jornais, matérias de revistas semanais,
cartas, papers, revistas especializadas etc.” (LEFEVRE; LEFEVRE, 2005, p. 16).
O DSC é considerado uma técnica de organização do material verbal. Consiste em
reunir, sob a forma de discursos únicos, redigidos na primeira pessoa do singular, conteúdos
de depoimentos com sentidos semelhantes.

2.2 Educação superior a distância no Brasil
A história da educação a distância no Brasil não é recente (ALVES, 2009). No Brasil,
a introdução da EaD na educação superior ganhou impulso na década de 1990. Segundo
Chaves Filho (2007, p. 85-86), alguns fatores que permearam o cenário nacional foram
propícios para o desenvolvimento da educação superior a distância no país. Estes fatores são:
a) desenvolvimento de novas metodologias educacionais, principalmente, relacionadas com as
tecnologias digitais; b) arcabouço legal na área da educação que propiciou abertura e
incentivo para a EaD no país; c) pressão por expansão e interiorização da oferta de vagas na
educação superior; d) ações de fomento, no âmbito das políticas públicas, voltadas
principalmente para a formação de professores da educação básica, desenvolvidas pelo

4003

�Ministério da Educação, esferas governamentais e pelos sistemas de ensino, que estão fazendo
uso da modalidade de educação a distância.
A legislação sobre educação a distância no Brasil passou por várias reformulações ao
longo da sua história. Com a nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB), de 1996, a
educação a distância passou a ser possível em todos os níveis. Com relação aos cursos
superiores, foi um avanço na legislação, a portaria458 do MEC que permite que as
universidades, centros universitários e faculdades ofereçam 20% dos conteúdos de cursos
presenciais reconhecidos, na modalidade a distância (ALVES, 2009).
No Brasil, o primeiro curso de graduação oferecido na modalidade EaD foi implantado
pela Universidade Federal do Mato Grosso (UFMT), em 1994. É o curso de licenciatura em
Educação Básica, que visava formar professores para atuar nas series iniciais do ensino
fundamental (ALVES, 2009; KIPNIS, 2009).

2.3 Universidade Aberta do Brasil
No momento, a Universidade Aberta do Brasil (UAB) é o programa de educação
superior a distância de maior destaque e alcance no país. Ele foi instituído pelo decreto
5.800/06 de 8 de julho de 2006, e tem como objetivo instrumentalizar as ações das
universidades públicas, na oferta de EaD.
Apesar do nome, a UAB “não é uma universidade propriamente dita, mas sim um
consórcio de instituições públicas de ensino superior. Além disso, também não é aberta, uma
vez que, não possui todos os princípios norteadores desse sistema” (ALVES, 2009, p. 11).
Segundo o discurso oficial
A Universidade Aberta do Brasil é um sistema integrado por universidades
públicas que oferece cursos de nível superior para camadas da população que
têm dificuldade de acesso à formação universitária, por meio do uso da
metodologia da educação a distância. O público em geral é atendido, mas os
professores que atuam na educação básica têm prioridade de formação,
seguidos dos dirigentes, gestores e trabalhadores em educação básica dos
estados, municípios e do Distrito Federal (PORTAL UAB459).

O Sistema UAB funciona como articulador entre as instituições públicas de ensino
superior (IPES) e os governos estaduais e municipais, com vistas a atender às demandas
locais por educação superior. Em 2014, a rede UAB é administrada pela Coordenação de
Aperfeiçoamento de Pessoal de Ensino Superior (Capes).
458 Portaria MEC N° 4.059/04 que trata da oferta de 20% da carga horária dos cursos superiores a distância.
459 Disponível em:
http://www.uab.capes.gov.br/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=6&amp;Itemid=18 Acesso em: 13
maio. 2014.

4004

�Então, por meio da UAB a educação a distância foi introduzida nas Instituições
Públicas de Ensino Superior (IPES) brasileiras. Para ofertar cursos na modalidade educação a
distância, o município deve montar um polo de apoio presencial, com laboratórios de
informática, biologia, química e física, além de biblioteca. Os recursos humanos concernentes
à equipe técnica, administrativa e docente de cada polo serão os seguintes: o coordenador do
polo, o técnico em informática, um bibliotecário, um auxiliar para a secretaria e os tutores
presenciais (ZUIN, 2006, p. 943). Essa infraestrutura conta com o apoio dos governos
municipais e estaduais. Já a elaboração e implementação dos cursos é de responsabilidade das
IPES de todo país, que desenvolvem material didático e pedagógico do curso e usam a
infraestrutura montada pelo município para a execução descentralizada de algumas das
funções didático-administrativas do curso (PORTAL UAB460).
Essa forma de funcionamento mostra que as bibliotecas universitárias federais não
fazem parte, diretamente, da educação a distância desenvolvidas nas IPES, principalmente na
rede UAB. Um motivo para essa falta de participação pode ser o fato da responsabilidade pela
criação e manutenção dos serviços de informação nos polos, dentro do sistema UAB, ser do
mantenedor do polo, geralmente do município.

2.4 Educação Superior a Distância na UFMG
A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) é uma instituição pública de ensino
superior, fundada em 1927. A história da educação a distância na UFMG começou a partir de
1996, pelo desenvolvimento de projetos específicos, como por exemplo, a instalação da
Cátedra da UNESCO de Formação Docente na Modalidade de Educação a Distância. E, o
desenvolvimento de projetos específicos como Programa de Informática na Escola (Proinfo I)
e o (Proinfo II) (OLIVEIRA; MORAES, 2009).
Em 2002, a UFMG participou do Projeto Veredas. Esse projeto foi implementado e
coordenado pela Secretaria de Estado da Educação de Minas Gerais (SEE-MG) e tinham
como objetivo oferecer o Curso Normal Superior do Projeto Veredas - Formação Superior de
Professores para professores em exercício nos anos iniciais do ensino fundamental e na
educação infantil de escolas públicas de Minas Gerais. Em 2007, foi formada a Rede Veredas
com objetivo de oferecer uma segunda oferta do curso, nos mesmos moldes da oferta anterior.
Nessa rede a UFMG atua como Coordenadora Geral.

460 Disponível em:
http://www.uab.capes.gov.br/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=6&amp;Itemid=18 Acesso em: 13
maio. 2014

4005

�Quadro 1 - Panorama sobre a educação a distância na UFMG
Ano
Ações/Realizações
1996

Instalação da Cátedra da UNESCO de Formação Docente na Modalidade de
Educação a Distância.

1996

Participação no Programa de Informática na Escola (Proinfo I) e o (Proinfo
II).

2002

Participação no Projeto Veredas que oferece o Curso Normal Superior do
Projeto Veredas - Formação Superior de Professores.

2003

Implantação do Centro de Apoio à Educação a Distância - CAED, vinculado
à Pró-Reitoria de Graduação.

2004

Credenciamento, para a oferta de programas e cursos de pós-graduação lato
sensu a distância.

2005

Recebe parecer (CNE/CES N°:200/2005) favorável a oferta de cursos
superiores a distância.

2005

Participa dos editais do Pró-licenciatura que permitiu a oferta de dois cursos Licenciatura em Ciências Biológicas e em Química a distância.

2006

Participa do primeiro edital da UAB para a oferta de vários cursos a
distância.

2007

Coordena a Rede Veredas, que oferece pela segunda vez o Curso Normal
Superior do Projeto Veredas - Formação Superior de Professores.

2007

Participa do segundo edital da UAB para a oferta do curso Licenciatura em
Matemática a distância, entre outros.

2008

Início dos cursos de graduação vinculados aos programas ao Pró-licenciatura
e rede UAB

Fonte: (ARAUJO, 2011, p.97)

Existem também iniciativas de EaD nas unidades/órgãos acadêmicos da Instituição
voltadas para o ensino presencial. Atualmente, destaca-se o curso “Língua Inglesa
Instrumental I e II” ofertado pela Faculdade de Letras (FALE) no âmbito do Programa de
Reestruturação

e Expansão

das Universidades

Federais

(REUNI),

no qual

são

disponibilizadas vagas para alunos dos cursos presenciais (ZARATE, 2009, p. 26).
O Quadro 1 apresenta um panorama sobre algumas ações realizadas na UFMG
relacionadas com a educação a distância ao longo desse período.
A UFMG faz parte do sistema Universidade Aberta do Brasil (UAB) como umas das
Instituições de Ensino Superior (IES) que oferecem cursos superiores, na modalidade a

4006

�distância. A Instituição oferece cursos de graduação (licenciatura e bacharelado),
especialização e extensão.

2.5 Importância da biblioteca para a educação a distância
O acesso a informação complementar para estudo e pesquisa é um dos fatores que
interfere na qualidade de um curso a distância. Segundo Blattmann (2000), “compete às
bibliotecas proporcionarem acesso à informação aos usuários da instituição educacional” e é
responsabilidade da biblioteca oferecer aos estudantes da EaD os mesmos serviços oferecidos
para os estudantes do ensino presencial.
"As bibliotecas, como parte integrante das instituições acadêmicas, como
fornecedoras de informações e prestadoras de serviços, devem atender às
demandas informacionais da sua comunidade, apoiar as atividades
acadêmicas, garantir serviços eficientes e eficazes, bem como contribuir para
a qualidade dos cursos a distância oferecidos pelas instituições às quais
servem" (MATTOS FILHA; CIANCONI, 2010, p. 129).

As recomendações do Ministério da Educação (MEC) contidas nos Referenciais de
qualidade para a educação superior a distância (2007) especificam que na questão do espaço
físico é necessário "a existência de bibliotecas nos polos, com acervo mínimo para possibilitar
acesso aos estudantes a bibliografia, além do material didático utilizado no curso” (BRASIL,
2007, p. 19).
O referencial descreve a biblioteca do polo da seguinte forma:
“As bibliotecas dos polos devem possuir acervo atualizado, amplo e
compatível com as disciplinas dos cursos ofertados. Seguindo a concepção
de amplitude de meio de comunicação e informação da educação a distância,
o material oferecido na biblioteca deve ser disponibilizado em diferentes
mídias. É importante, também que a biblioteca esteja informatizada,
permitindo que sejam realizadas consultas on-line, solicitação virtual de
empréstimo de livros, entre outras atividades de pesquisa que facilitem o
acesso ao conhecimento. Além disso, a biblioteca deve dispor em seu espaço
interno de salas individuais e em grupo” (BRASIL, 2007, p. 26).

Na área tecnológica, argumenta que os profissionais devem atuar nos polos de apoio
presencial em atividades de suporte técnico para laboratórios e bibliotecas. Já nas
coordenações dos cursos e nos centro de educação a distância, tem a função de auxiliar o
planejamento do curso, apoiar professores conteudistas na produção de materiais didáticos em
diversas mídias, “bem como a responsabilidade pelo suporte e desenvolvimento dos sistemas
de informática e suporte técnico aos estudantes” (BRASIL, 2007, p. 19). Nesse quesito,
pressupõe que os bibliotecários das instituições devem desenvolver e implantar sistemas de
informação que atendam os estudantes da EaD.

4007

�Administrativamente, a biblioteca do polo deve dar suporte às atividades presenciais,
com distribuição e recebimento de material didático. Mas, “não exime a instituição de dispor
de centro de documentação e informação ou midiateca (que articulam bibliotecas, videotecas,
audiotecas, hemerotecas e infotecas etc.) para promover suporte a estudantes, tutores e
professores” (BRASIL, 2007, p. 24).
Nesse sentido, ressalta a fala de Mattos filha e Cianconi (2010, p. 136) que diz:
Os bibliotecários que atendem ao público de curso a distância, precisam dar
especial atenção à necessidade de interatividade entre os estudantes, visto
que esses alunos só darão importância à biblioteca e aos serviços oferecidos,
a partir do momento em que os profissionais da informação sejam mais
participativos nos ambientes virtuais atuando como facilitadores, não criando
bloqueios ou dificuldades para acessar as informações e os serviços das
bibliotecas (MATTOS FILHA, CIANCONI, 2010, p. 136).

Na prática, os serviços de informação não são oferecidos para os estudantes da EaD
como deveria. Pois, os bibliotecários que atendem ao público a distância, muitas vezes não
estão preparados para oferecer serviços on-line e os alunos da EaD também não possuem a
cultura informacional necessária para buscar por esses serviços.

3 Metodologia
A pesquisa tomou por referência os discursos dos sujeitos envolvidos nos cursos de
licenciatura em Ciências Biológicas, Matemática, Normal Superior/Pedagogia e Química, na
modalidade a distância da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). A pesquisa de
mestrado foi realizada em três fases.
Na primeira fase, realizou-se uma caracterização histórica e social dos polos de apoio
presencial em que os cursos se realizam. Em 2010, os cursos analisados eram oferecidos em
polos de apoio presencial localizados em doze cidades do interior de Minas Gerais: Araçuaí,
Buritis, Campos Gerais, Conceição do Mato Dentro, Conselheiro Lafaiete, Corinto, Formiga,
Frutal, Governador Valadares, Montes Claros, Teófilo Otoni e Uberaba.
Na segunda fase traçou-se o perfil dos alunos e suas representações sobre o curso e o
polo ao qual estão vinculados, a partir dos dados coletados por meio de questionário
eletrônico respondidos por 192 alunos dos quatro cursos. Nesse artigo apresenta-se os dados
sobre o acesso as bibliotecas dos polos e sobre a qualidade do acervo dessas bibliotecas.
Na terceira fase da pesquisa fez-se um aprofundamento e verticalização qualitativa dos
discursos. Nessa fase, participaram alunos, professores e tutores vinculados aos cursos de
licenciatura em Ciências Biológicas e Matemática, modalidade a distância da UFMG. A

4008

�amostra de alunos foi composta por acessibilidade, formada por quinze alunos que tinham
participado da segunda etapa e se dispuseram a participar, respondendo ao questionário aberto
eletrônico.
Nesse artigo, apresenta os discursos dos alunos sobre as dificuldades para realizar o
curso, suas rotinas de estudos e sobre as fontes de informação usadas para estudo e pesquisa.
Os participantes foram identificados da seguinte forma: alunos: A1, A2, ...., A15. No processo
de construção dos discursos, usamos o software QualiQuantSoft, desenvolvido pela SPI Sales &amp; Paschoal Informática, baseado no método do DSC.

4 Apresentação e análise dos dados
Os dados e discursos coletivos produzidos e apresentados não tem intenção de serem
conclusivos em relação ao fenômeno estudado, mas acredita-se que são um suporte
fundamental na compreensão das necessidades informacionais dos alunos da educação a
distância na UFMG e também em outras instituições.
4.1 As bibliotecas dos polos de apoio presencial
Conforme já mencionado, no questionário da segunda fase da pesquisa os alunos
avaliaram alguns itens sobre a infraestrutura do polo. Nesse trabalho apresenta os dados sobre
o acesso às bibliotecas dos polos analisados e sobre a qualidade do acervo dessas bibliotecas.
Tabela 1 - Acesso as bibliotecas dos polos
Polos

Notas*
1

2

3

4

5

Araçuaí
Buritis
Conceição do Mato Dentro
Conselheiro Lafaiete
Formiga
Frutal
Governador Valadares
Montes Claros
Teófilo Otoni
Uberaba

4

3

7

8

13

2

3

14

5
1

1

1
13

4
4

2
4
3

5
2

4

3
1
1

4
3

9

18

6

4

4

2

3
1

5
2

15
3

4

1

Freq. de notas

27

20

36

60

49

% do total da frequência

14

10,5

19

31

25,5

Total
de
participantes

35
1
7
28
26
6
49
18
10
12
192

Fonte: Elaborado pela autora com base nos dados da pesquisa realizada em 2010.
*Notas de 1 a 5, sendo que o 1 significava “pouco satisfatório” e o 5 “muito satisfatório”.

4009

�De modo geral, as avaliações sobre o acesso as bibliotecas dos polos analisados foram
positivas (Tabela 1). A maioria dos votos ficaram concentrados nas notas 4 (31%) e 5
(25,5%). Entretanto, chama atenção o polo de Formiga, em que metade dos participantes do
polo (13 alunos) deram nota 1 para o acesso a biblioteca do polo.
As notas para a qualidade do acervo das bibliotecas dos polos ficaram concentradas
nas notas 3 (26%) e 4 (30%), significando que o acervo é bom, mas ainda precisa melhorar
(Tabela 2). Entretanto, nesse quesito, o polo de Formiga novamente se destacou
negativamente, sendo que 15 participantes do total de 26 deram nota 1 para a qualidade do
acervo da biblioteca.

Tabela 1 - Qualidade do acervo das bibliotecas dos polos
Notas*
Polos

Araçuaí
Buritis
Conceição do Mato Dentro
Conselheiro Lafaiete
Formiga
Frutal
Governador Valadares
Montes Claros
Teófilo Otoni
Uberaba

1
1

2
4
1

3
10

4

3

2
6
4

1

15

5
5
2
3

Total
de
participantes

35
1
7
28
26
6
49
18
10
12

8
10
4
3
15
1
1
4
4
6
13
6
20
3
1
6
1
7
1
2
1
3
3
3
1
4
4
29
30
50
58
25
192
Total das notas
13
100
% do total da frequência
15
16
26
30
Fonte: Elaborado pela autora com base nos dados da pesquisa realizado em 2010
*Notas de 1 a 5, sendo que o 1 significava “pouco satisfatório” e o 5 “muito satisfatório” .
Nesse sentido, pode-se inferir que o acesso e o acervo das bibliotecas dos polos pesquisados é
bom, mas o polo de Formiga apresenta sérios problemas com relação a biblioteca.

4.2 As dificuldades dos alunos para realização do curso
As dificuldades para realizar o curso apontadas pelos alunos foram agrupadas em oito
categorias. O Quadro 2 apresenta essas categorias e os DSC construídos com base nas ideias
centrais semelhantes e/ou complementares emitidas pelos alunos. Algumas são bem
específicas e foram expressadas apenas em uma resposta.

Quadro 2 - Dificuldades dos alunos para a realização do curso

4010

�Categorias

DSC
ALUNOS - A Didática é muito tumultuada. Falta de apoio em algumas
disciplinas, ás vezes o cronograma é publicado na véspera do encontro.
Falta de um material de apoio para pesquisas em casa. Falta de mais
A - Didática e organização
exemplares disponíveis para o estudo. O retorno às perguntas ainda é
do curso
lento. Além disso temos pouco tempo para a realização de muitas
"tarefas" e a satisfação no curso, às vezes, deixam a desejar. (A ll, A8,
A13, A2, A1, A6)
ALUNOS - Falta de condições de deslocar de minha casa até o polo.
B - Distância geográfica Isso causa a impossibilidade de procurar a tutoria para um possível
auxílio para fazer os trabalhos e também acesso às literaturas
do polo
disponíveis no polo. (A6, A7, A15)________________________________
ALUNOS - Estudar sozinha. Minha única dificuldade é não ter aulas.
C - Adaptar a modalidade Não está dando para construir o conhecimento sozinha o tempo todo.
Acostumar e lidar com o modelo de estudo que pra mim é novo, causa
educação a distância
dificuldade de aprendizagem. (A3, A10, A15, A5)
ALUNOS - Penso que as maiores dificuldades estão sendo conciliar,
D - Conciliar estudo e vida casa, família, meus filhos, com a escola. Conciliar estudos e trabalho.
A correria de casa e trabalho. Não tenho tempo para estudar mais. (A4,
pessoal
A15, A7, A12)_________________________________________________
ALUNOS - Falta de recursos financeiros. Um emprego satisfatório na
E - Falta de recursos
área. Também o que eu ganho não dá para pagar a internet. (A5, A6,
financeiros
A14)_________________________________________________________
F - Relacionamento com
ALUNOS - Relacionamento com os colegas e com os tutores
os colegas e com os
presenciais (A9)
tutores presenciais_______
G - Limitação no uso dos
recursos tecnológicos

ALUNOS - Minha maior dificuldade é minha limitação nos recursos
tecnológicos. Nãopequei o “bum ” das tecnologias. (A14)

H - Acesso precário a
recurso de computador e ALUNOS - Péssima rede de internet, muito lenta. (A15)
internet_______________________________________________________________________________
Fonte: (ARAÚJO, 2011, p.161)

A didática e organização do curso foi considerada pelos alunos como muito
tumultuada. Eles apontaram que suas dificuldades no curso estão relacionadas com: a falta de
apoio em algumas disciplinas; a falta de um material de apoio para pesquisas em casa; a
falta de mais exemplares disponíveis para o estudo; a lentidão das respostas, o pouco tempo
para a realização de muitas "tarefas" e a insatisfação no curso.
A distância geográfica do polo também contribui para que os alunos tenham
dificuldades no curso, pois lhes faltam condições de deslocar de suas casa até o polo e isso
causa a impossibilidade de procurar a tutoria para um possível auxílio para fazer os
trabalhos e também acesso às literaturas disponíveis na biblioteca do polo.
Mas, adaptar-se a modalidade educação a distância também é um problema
para os alunos. Eles sentem dificuldades para acostumar e lidar com o modelo de estudo a
distância e reconhecem isso. No DSC afirmam que suas maiores dificuldades é não ter aulas.

4011

�Por outro lado, com a mesma representatividade da dificuldade para se adaptar a
modalidade a distância, os alunos apontam que a maior dificuldade é conciliar estudo e vida
pessoal. Ou seja, eles acham que suas maiores dificuldades estão sendo conciliar, casa,
família, meus filhos, com a escola.
A falta de recursos financeiros também foi apontada como uma dificuldade para
a realização do curso, pois alegam que não encontram um emprego satisfatório na área e o
que ganham não dá para pagar a internet, por exemplo.
Os motivos específicos apontadas apenas por uma resposta são: relacionamento
com os colegas e com os tutores presenciais; limitação no uso dos recursos tecnológicos e
acesso precário a recurso de computador e internet.
A maioria das dificuldades dos alunos estão inter-relacionadas e dependem de
situações e/ou fatores externos: o curso, a distância do polo, a família, o trabalho, as
condições financeiras, os tutores e os colegas e os recursos tecnológicos. Apenas a dificuldade
de lidar com a modalidade educação a distância e a limitação no uso dos recursos
tecnológicos podem ser consideradas dificuldades pessoais, ou seja, que dependem da
superação do próprio aluno e, teoricamente, da falta de letramento informacional acadêmico.

4.3 Rotinas de estudo dos alunos
Na questão sobre as rotinas de estudo optou-se por não construir um DSC, pois
apesar dos depoimentos serem semelhantes, cada discurso carrega as características
específicas da realidade de cada sujeito. Assim o Quadro 3 apresenta as rotinas de estudo de
cada aluno entrevistado.
Cada rotina de estudo está relacionada com a vida pessoal do sujeito. Cada aluno
procura se adaptar a sua realidade. Estudam depois do trabalho e/ou depois que o filho dorme.
Estudam no horário do almoço, domingos e feriados e/ou quando tem um tempo livre.
Estudam pela manhã e/ou a tarde. Procuram o local e o horário que lhes permitem concentrar
melhor, mesmo que seja o “porão” das suas casas. Alguns não são muito metódicos,
acompanham as disciplinas como podem, mas todos esperam conseguir terminar o curso.
Aqui chamamos novamente atenção para o modelo de biblioteca implantado nos
polos. As rotinas de estudo mostram que os alunos estudam em muitos espaços e lugares
diferentes. Entretanto, a biblioteca do polo não foi citada por nenhum aluno. Considerando
que esses alunos precisam de fontes de informação (obras de referências, por exemplo) no
momento em que estão estudando, então, supõe-se que os serviços de informação para esses
alunos devem levar em consideração a dificuldade que o aluno tem de acessar a biblioteca do

4012

�polo. Outras formas de acesso a esse tipo de informação precisam ser pensadas, visando
atender as necessidades informacionais específicas desses alunos.
Quadro 3 ■- Rotinas de estudo dos alunos
Alunos
Rotina de estudo

A1

Olha, geralmente estudo das 5:00 da manhã até as 9:00 e também, quando tem muito
trabalho ou prova costumo estudar das 20:00 as 22:30. Não consigo estudar com barulho e
aqui em casa é muito complicado, mas pego meus materiais e vou estudar no "porão" da
minha casa, apesar que lá embaixo não é um lugar apropriado para estudar, consigo
captar muito mais informações, quando estou sozinha acompanhada apenas dos meus
livros.

A2

Quase todo o tempo livre estou lendo, assistindo algo a respeito que estudo. Estudo no
intervalo de almoço, a noite (já estudei até 2hs da manhã), domingos feriados, todos os
dias estudo um pouco.

A3

Estudo de 13:00 às 17:00 em casa (2afeira à 6feira), 19:00 às 21:00 no polo (3afeira à
6feira), sábado 8:00 às 17:00 (polo), domingo descanso.

A4
A5
A6

A7
A8
A9
A10
A11
A12

Estudo sempre que posso, no polo ou em casa, sempre que tenho um tempo, além daquele
que estipulei para estudar, eu estudo.
Em uma mesa com cadeira após o trabalho. 2 horas de estudo diário. Estudo na maior
parte a disciplina que pra mim é mais difícil.
Estudo bastante, estou sempre acompanhando, mas preciso também organizar outras
coisas, mas passo horas no computador fazendo pesquisas, respondendo fóruns, fazendo
enquetes entre colegas.
Antes de ir para trabalho, só faço alguma atividade se fo r urgente. Geralmente estudo
todos os dias á noite entre ás 19:00 h e as 02:00 h. Estudo pelo menos 5 horas todos os
dias, este é o meu mínimo.
Estudo a noite, depois que chego do trabalho e meu filho dorme.
No primeiro semestre tinha uma rotina de estudo de 12 horas por dia, no segundo semestre
passei a estudar 8 horas por dia, hoje tento manter uma rotina de 5 a 6 horas diárias.
Em casa, arrumo casa, estudo, olho a internet na minha sala, faço almoço e vou estudando.
Tudo isso entre as 09 e 11:30 da manhã.
Sempre estudo na parte da tarde, pois é o horário que estou mais sozinha e posso me
concentrar melhor.
Nossa, sobre isso ai é difícil falar porque eu sempre estudo nas horas vagas, porque eu
trabalho de manhã, tarde e até umas 8 e meia da noite. Então geralmente, chego, descanso
um pouco e estudo mais a noite porque é o horário que tenho mais tempo.

A13

Estudo em casa; às vezes em grupo, mas a grande parte do tempo sozinha. Costumo
estudar mais a noite pois trabalho de dia.

A14

Não é muito metódica, depende da internet, da minha amiga que me deixa usar o
computador dela. É difícil, mas espero prosseguir. Não desistir porque cheguei até aqui,
até onde não achava que conseguiria. Quando não trabalho á noite dedico umas 3h por
semana ou até mais se eu pudesse. Acompanho as disciplinas como posso. As vezes estresso
com tanta coisa.

A15

Eu tenho 2 horas de almoço que normalmente os utilizo para pesquisar tudo que aborda o
assunto que estiver estudando. Vou salvando e adicionando aos favoritos. Quando dá
tempo vou lendo também para selecionar os melhores textos. Reinicio normalmente às
18:00, quando vou lendo e anotando as dúvidas sobre os assuntos importantes. Ainda não
consigo adaptar bem o meu horário as disciplinas do curso. As vezes dou prioridade a uma
e acabo esquecendo outra.
Fonte: (ARAÚJO, 2011, p.163-164)

4013

�4.4 Fontes de informação para estudo e pesquisa
As principais fontes de informação usadas pelos alunos para pesquisar e tirar
dúvidas estão expostas no Quadro 4. Nessa questão optou-se por mostrar todas as respostas
apresentadas pelos alunos. Pois, as fontes usadas, apesar de semelhantes, têm suas
especificidades.
Quadro 4 - Fontes de informação usadas pelos alunos para estudo e pesquisa
Alunos F ontes
A1
Livros que tenho em casa e internet
A2

Internet (principalmente), livros e revistas

A3

Moodle, internet, livros, tutoria presencial

A4

A internet, os livros do polo e da biblioteca particular ou pública, professores. Sempre que
vejo um professor, quero alguma informação com ele.

A5

Internet somente no polo e livros da biblioteca do polo

A6
A7

A8

A9
A10
A11

Utilizo sites da USP, Portal São Francisco, ICB UFMG, livros da biblioteca que são
oferecidos para os alunos mesmo com tantas burocracias e etc...
Infelizmente não tenho uma biblioteca a disposição, pois eu moro a 70 km do polo, me
restando a internet, grupos de estudos on-line, que faço com alguns colegas, e meus tutores
presenciais, também on-line, que estão sempre dispostos a ajudar.
Internet e livros da biblioteca da faculdade
Livros, livros, livros... Busco livros na biblioteca e principalmente com amigos que me
emprestaram muitos livros. Às vezes, busco informações na internet e alguns amigos me
mandam livros pela internet também, mas tenho certa dificuldade em entender as coisas
que leio no computador, prefiro os livros no papel.
Livros na biblioteca onde trabalho, internet, revista e troca de informações com colegas.
Livros e internet, pois o moodle dificulta mais. Acho que fa zer perguntas pessoalmente é
bem melhor que por computador, você se expressa muito melhor pessoalmente.

A12

Procuro profissionais da minha cidade, como professores que estudei o ensino médio.

A13

Livros, revistas, jornais, internet, documentários

A14

Ainda gosto muito dos livros, se pudesse compraria livros científicos. Assino Revista
M undo Jovem, Nova Escola, Super interessante, porque ajudam a dar uma visão diferente.
Pesquiso no Google, mas gostaria de ter acesso à biblioteca da UFMG

A15

Uso os sites da internet principalmente, livros didáticos, os fascículos quando disponíveis
para nós impresso ou na plataforma, nos livros da biblioteca, revistas e jornais on-line.
Fonte: (ARAÚJO, 2011, p.166)

As principais fontes de informação usadas pelos alunos são: a internet (13
citações) e os livros (12 citações) conforme mostra o Gráfico 1. Os periódicos foram citados
cinco vezes e os professores da região duas vezes. Outros recursos como colegas,

4014

�documentários, grupo de estudo on-line, a tutoria presencial e o moodle apareceram apenas
uma vez.
Gráfico 1: Fontes de informação usadas pelos alunos
Fontes de informação usadas pelos alunos para
pesquisar e tirar dúvidas

Colegas

□ Documentários

□ Grupo de estudo online

Internet

□ Livros

□ Moodle

Periódicos

□ Professor da região

□ Tutoria

Fonte: (ARAÚJO, 2011, p.167)

Pelos depoimentos, paece que apenas cinco alunos (A4, A5, A6, A9, A14) citaram
os livros da biblioteca do polo, como fontes de informação que eles usam para tirar dúvidas e
pesquisar. Nesse sentido, vale ressaltar o que diz o A5 “livros da biblioteca que são
oferecidos para os alunos mesmo com tantas burocracias”. Ou seja, parece que existem
dificuldades para os alunos acessarem os livros da biblioteca do polo.
O participante A14 diz o seguinte: “Ainda gosto muito dos livros, se pudesse
compraria livros científicos. [...]. Pesquiso no Google, mas gostaria de ter acesso à
biblioteca da UFMG”. Relembrando a recomendação do Referencial de qualidade para
educação superior a distância (BRASIL, 2007, p. 19) sobre “sistema de empréstimo de livros
e periódicos ligado à sede da IES” pode-se inferir que essa recomendação tem fundamento,
pois esse também é o desejo de alguns alunos. Em 2010, esse esse serviço ainda não era
oferecido pelo Sistema de Bibliotecas da UFMG para os alunos da EaD.

5 Considerações finais
Nos DSCs referente as fontes de informação, os alunos queixam-se da falta de
fontes para consulta e estudo em casa, uma vez que a maioria não tem condições de frequentar
a biblioteca do polo para consultar as obras de referência. Com relação as necessidades
informacionais, os alunos desejam que os cursos ofereçam mais recursos audiovisuais para
auxiliar o processo de aprendizagem.

4015

�Nesse sentido, fica evidente que apenas a biblioteca física instalada no polo de
apoio presencial, conforme recomendação dos Referenciais de qualidade para educação
superior a distância (BRASIL, 2007) não atende satisfatoriamente as necessidades
informacionais dos alunos. A utilização de recursos digitais de informação, como os portais
de periódicos, as bibliotecas digitais, enciclopédias e dicionários eletrônicos poderia ser uma
saída para amenizar os problemas de acesso à informação dos alunos.
Mas, não basta criar sistemas digitais de informação, uma vez que os alunos têm
dificuldades de lidar com as tecnologias de informação. Nesse caso, um programa de
letramento informacional para orientar o uso eficiente e eficaz da informação digital seria
necessário, pois pelos DSCs percebeu-se que os estudantes tentam buscar informação na
internet, principalmente no Google, mas não sabem explorar recursos como portais de
periódicos e as bibliotecas digitais.

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4018

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                <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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                <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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    <name>Event</name>
    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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      <name>Dublin Core</name>
      <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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          <name>Title</name>
          <description>A name given to the resource</description>
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              <text>A importância da biblioteca para a educação a distância: em foco a Ead na UFMG</text>
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          <name>Creator</name>
          <description>An entity primarily responsible for making the resource</description>
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              <text>Araujo, Sinay Santos Silva de</text>
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          <name>Coverage</name>
          <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
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              <text>Belo Horizonte (Minas Gerais)</text>
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          <name>Publisher</name>
          <description>An entity responsible for making the resource available</description>
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              <text>UFMG</text>
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          <name>Date</name>
          <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
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              <text>2014</text>
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          <name>Language</name>
          <description>A language of the resource</description>
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          <name>Type</name>
          <description>The nature or genre of the resource</description>
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              <text>Evento</text>
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          <name>Description</name>
          <description>An account of the resource</description>
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              <text>Este trabalho aborda a importância da biblioteca para a educação a distância (EaD) e apresenta dados sobre as necessidades informacionais dos alunos da EaD na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Faz um breve histórico da EaD na UFMG. Mostra a opinião dos alunos sobre o acesso às bibliotecas dos polos e a qualidade do acervo dessas bibliotecas. Apresenta os discursos dos alunos sobre as dificuldades para realizar o curso, suas rotinas de estudo e as fontes de informação usadas para estudo e pesquisa. Esses dados foram sistematizados no estudo que investigou a formação da cultura informacional na modalidade de educação a distância. Foi utilizado como referencial teórico a Teoria das Representações Sociais e a técnica do DSC (Discurso do Sujeito Coletivo), desenvolvida por Lefevre e Lefevre. As necessidades informacionais dos alunos da EaD estão relacionadas com vários fatores e apenas a biblioteca física instalada no polo de apoio presencial, não atende satisfatoriamente essas necessidades. Outras formas de acesso a informação precisam ser pensadas, visando atender as demandas informacionais específicas desses alunos.</text>
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