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                  <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

SETOR DE MEMÓRIA DA FACE/UFMG: questões práticas e implicações
epistemológicas
Carlos Alberto Avila Araujo
Leonardo Vasconcelos Renault
Fabiana Pereira Santos
Tiago Miquéias Viana
Mikael Vinicius de Souza Barbosa
RESUMO
Relata a experiência de reestruturação do Setor de Memória da Faculdade de Ciências
Econômicas da UFMG. Aborda o processo de descrição e tratamento dos documentos do
setor. O acervo da Memória é composto, essencialmente, por registros
acadêmicos/administrativos: diários de classe, atas de reuniões, coleções de alguns
professores e registros de eventos. Possui, ainda, alguns livros e peças museológicas. O
estudo e tratamento dos documentos se basearam nas regras de descrição do Código de
Catalogação Anglo-Americano - AACR2 para a Biblioteconomia, das propostas descritivas
do International Council of Museums - ICOM para a Museologia e dos padrões da Norma
Brasileira de Descrição Arquivística - NOBRADE no escopo da Arquivologia. O processo
envolveu uma equipe interdisciplinar composta de pessoas das áreas de Museologia,
Arquivologia, Biblioteconomia, Informática e Ciência da Informação. A ideia de interrelação
dessas áreas e desses profissionais se deu em função do cenário institucional da UFMG, onde
cursos de graduação de Biblioteconomia, Arquivologia e Museologia estão sediados em uma
Escola de Ciência da Informação. Conclui-se que no tratamento dos problemas relacionados
com memória evidencia-se a necessidade de atuação em parceria e cooperação, destas áreas
entre si e delas com demais campos científicos. Há, pois, uma ligação entre as propostas
contemporâneas da Arquivologia, da Biblioteconomia e da Museologia, com esse quadro
desenhado pelas tendências atuais de pesquisa em Ciência da Informação.
Palavras chave: Coleções Especiais, Memória Institucional, Biblioteconomia, Arquivologia,
Museologia
ABSTRACT
Reports the experience of restructuring of the memory Sector of the Faculty of economic
sciences, UFMG. Discusses the process of description and information treatment of the
sector's documents. The memory collection is composed mainly by academic/administrative
records: class diaries, minutes of meetings, collections of some teachers and event
registrations. It also has some books and museum records. The study and treatment of the
documents relied on rules of description of the Anglo-American cataloguing rules-AACR2
for library science, of the descriptive proposals of the International Council of Museums ICOM for museum studies and the Brazilian standard of archival description-NOBRADE in
scope of archival science. The process involved an interdisciplinary team composed of people

3724

�from the areas of Museum Studies, Archival Science, Library Science, Computer Science and
Information Science. The idea of interrelation of these areas with these professionals its
possible with the current relation of the institutional setting of the UFMG, where
undergraduate courses of Library Science, Archival Science and Museum Studies are
headquartered in a School of Information Science. It is concluded that in the treatment of
problems of the this project was evidenced the need for partnership and cooperation in these
areas with each other and with other scientific fields. There is therefore a link between
contemporary proposals of Archival Science, Library Science and Museum Studies, with this
framework designed by the current trends of research in Information Science.
Keywords: Special Collections, Institutional Memory, Library Science, Archival Science,
Museum Studies

1 MEMÓRIAS REMOTAS

A construção de um setor de memória convoca diferentes saberes, diferentes campos
científicos. Realizar uma “gestão da memória” implica, necessariamente, a atuação em
parceria entre profissionais de áreas distintas. Ao mesmo tempo, as áreas envolvidas com esse
trabalho saem, também elas, afetadas por esse encontro, isto é, a temática da memória
também possibilita o incremento de conceitos, teorias e métodos das áreas de conhecimento
que se envolvem em sua gestão.
Falar das disciplinas envolvidas na questão da memória poderia evocar discussões
sobre a Comunicação, a História, a Administração, entre outras. No caso do Setor de Memória
da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal de Minas Gerais FACE/UFMG, ocorreu particularmente o envolvimento dos campos da Ciência da
Informação, da Arquivologia, da Biblioteconomia e da Museologia. Tal escolha não se deu de
maneira aleatória. Ela se relaciona com um cenário institucional da UFMG, onde cursos de
graduação em Arquivologia, em Biblioteconomia e em Museologia estão sediados em uma
mesma escola, a Escola de Ciência da Informação - ECI, o que implica uma mesma intenção
de aproximação colocada tanto no campo científico como no setor de memória.
O setor de Memória da Faculdade de Ciências Econômicas da UFMG se encontra
abrigado nas dependências da Biblioteca Professor Emílio Guimarães Moura. O acervo da
Memória Institucional da FACE foi idealizado no ano de 1991, durante as comemorações do
cinqüentenário da faculdade, vindo a ser criado por meio do “Projeto Memória FACE” no ano
de 2008 com a finalidade de preservar documentos que permitam reconstituir a história
institucional

da FACE.

Este

acervo

é

composto,

essencialmente,

por

registros

3725

�acadêmicos/administrativos: diários de classe, atas de reuniões, coleções de alguns
professores e registros de eventos. Possui ainda alguns livros e peças museológicas.
No ano de 2012 por meio do projeto de reestruturação do setor, formulou-se novas
frentes de trabalho. Inicialmente, captou-se recursos junto à FACE por intermédio da
Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas, Administrativas e Contábeis de Minas Gerais IPEAD no intuito de digitalizar algumas peças do acervo. Dessa forma institui-se parceria
entre o IPEAD e o Arquivo Público Mineiro - APM resultando na digitalização de parte
significativa do acervo.
Outra etapa muito importante foi o estudo dos campos para descrever os objetos do
acervo. Na perspectiva de um olhar mais amplo buscou-se mapear padrões descritivos das
áreas de Arquivologia, Biblioteconomia e Museologia para formar um único padrão descritivo
que desse conta da multiplicidade da equipe que formou o projeto, bem como das
características difusas do acervo. O estudo se baseou nas regras de descrição do Código de
Catalogação Anglo-Americano - AACR2 para a Biblioteconomia, das propostas descritivas
do International Council of Museums - ICOM para a Museologia e dos padrões da Norma
Brasileira de Descrição Arquivística - NOBRADE no escopo da Arquivologia.
Delineada a planilha principal partiu-se para a estruturação do banco de dados de
modo que a perspectiva de fundos (proposta pela Arquivologia) se somasse a outras formas de
topologia do acervo, como por exemplo, a estruturação por assunto, autoria e até mesmo a
perspectiva de um olhar espacial (característica da Museologia) através da navegabilidade no
site.
Paralelo a estas iniciativas foi proposto um grupo de estudos com característica
interdisciplinar que problematizou textos das três áreas envolvidas e de assuntos transversais
como, por exemplo, a questão da memória. Estas reflexões foram fundamentais para o
entendimento do que é o setor de memória no contexto da FACE e com isto delinou-se quais
seriam as ações cabíveis no escopo dos trabalhos desenvolvidos pela equipe, posto que:
A curiosidade pelos lugares onde a memória se cristaliza e se refugia está
ligada a este momento particular da nossa história. Momento de articulação
onde a consciência da ruptura com o passado se confunde com o sentimento
de uma memória esfacelada, mas onde o esfacelamento desperta ainda
memória suficiente para se colocar o problema de sua encarnação. O
sentimento de continuidade torna-se residual aos locais. Há locais de
memória porque não há mais meios de memória (NORA, 1993, p.7).

3726

�Esta curiosidade motivou a vinda de uma equipe interdisciplinar424 que contou com
três bolsistas de Museologia (na maioria do tempo), um professor da ECI/UFMG como
orientador, uma arquivista (que se desligou do projeto recentemente), dois bibliotecários (foi
agregado mais um bibliotecário recentemente totalizando três) e um analista de sistemas. Para
o grupo de estudos agregou-se ainda mais dois estudantes de pós-graduação da ECIUFMG425.
Os trabalhos continuam em pleno desenvolvimento tendo à frente agora uma
bibliotecária em substituição à arquivista que se desligou da instituição. A perspectiva atual é
de materialização do lugar da memória da FACE para que, numa projeção futura, possa se
constituir cada vez mais em meio de (re)conhecimento e (re)construção de sua própria
história.

2

REFLEXOS NO CAMPO TEÓRICO

Como evidenciado nas discussões acima, a temática da memória envolve diferentes
aspectos: salvaguarda, disponibilização, identidade institucional, entre outros. Cada área
envolvida é “provocada” de maneira diferente pela interação destes aspectos, principalmente
com a criação de demandas novas, tais como uma maior complexidade na visualização e no
tratamento dos problemas e da necessidade de se ter modelos mais atentos, justamente, a essa
interrelação.
No campo da Arquivologia, tais reflexos se relacionam com diversas contribuições
teóricas, entre as quais destacam-se as contribuições de Tanodi (2009), que define o objeto de
estudo da Arquivologia não como sendo os arquivos ou os documentos mas sim a
“arquivalia”, isto é, a ação arquivística que se realiza sobre os diferentes produtos da ação
humana. Outra contribuição é a noção de “arquivo total” de Silva et al (1998), isto é, a ideia
de que a Arquivologia deve ser mais do que um conhecimento instrumental e técnico e de que
o arquivo é mais do que a mera soma de “fundo” mais “serviço”, é uma unidade integral

424 Para a consecução da proposta, foi formalizado um projeto, tendo à frente a arquivista Janda Tamara de Sousa
e o bibliotecário Leonardo Vasconcelos Renault, além da bibliotecária Fabiana Pereira dos Santos, do
profissional de computação Daniel Felippe Bernardino Corrêa (que estruturou o banco de dados), dos bolsistas
do curso de Museologia Bárbara Lempp, Thiago Miquéias e Mikael Barbosa e da bolsista do curso de
Biblioteconomia Gilmara Silva. Participou também a bibliotecária Letícia Alves Vieira como monitora dos
estagiários no ultimo trimestre de 2013.
425 O grupo foi coordenado pelo professor da ECI Carlos Alberto Ávila Araújo e participaram dele todos os
membros da equipe, além de um doutorando (José Alimateia Aquino Ramos) e uma mestranda (Gabrielle
Francinne de Souza Carvalho Tanus) do Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação da UFMG que
no momento desenvolviam pesquisas relacionadas à mesma temática.

3727

�aberta ao contexto dinâmico e histórico que o substancializa. Também a proposta de uma
Arquivologia pós-moderna por Cook (1997) deve ser considerada, na medida em que ela
representa a crítica à ideia de arquivo como algo pronto, acabado, e do arquivista como um
profissional neutro a lidar com a massa documental. Em sua discussão, Cook postula que o
arquivista é um mediador do processo de construção da memória coletiva por meio da ação
dos arquivos. Nesse sentido, o objeto da Arquivologia não seriam os arquivos ou os
documentos, mas sim os processos, as dinâmicas de criação dos documentos e as relações
entre os sujeitos envolvidos - os arquivos são, assim, profundamente carregados de influência
de quem os cria e da sociedade em que se inserem.
No campo da Biblioteconomia, merecem destaque os estudos que apresentam a ideia
de mediação como central para o campo (ALMEIDA JR, 2009), proporcionando uma
mudança de perspectiva do entendimento da ação bibliotecária: de uma noção difusora, de
transmissão de conhecimentos, para um entendimento dialógico, de construção conjunta de
conhecimentos entre distintos atores. Esse caráter mediador ganha relevância no contexto
digital, em que um novo cenário convoca à construção de novas intervenções por parte da
biblioteca (PÉREZ PULIDO; HERRERA MORILLAS, 2005). Nesta mesma linha está a
“Nova Biblioteconomia” (LANKES, 2011), que vê como missão central desta área a
promoção de condições para a criação de conhecimento por parte de diferentes comunidades;
e as reflexões que relacionam a biblioteca com o conceito de “esfera pública”, isto é, como
promotora da participação ativa dos cidadãos na sociedade da informação (VENTURA,
2002).
Já na Museologia, a definição do objeto de estudo da área promovida por Stránsky
(2008) como sendo não o museu, mas o “museal” (ou a musealização), isto é, uma
determinada dimensão da ação humana presente nos mais diversos contextos - inclusive, mas
não só, no museu - traz todo um redirecionamento para o campo. Fernández de Paz e Agudo
Torrico (1999) ressaltam que a discussão sobre a musealização traz uma problematização
sobre quais bens ou objetos serão musealizados, isto é, que serão destacados como de especial
significado dentro de um contexto cultural - e ainda, uma vez realizado esse processo, de que
forma eles serão interpretados na realidade museal. Nesta mesma linha está a proposta da
“Nova Museologia”, a partir das ideias de Georges-Henri Rivière e Hugues de Varine-Bohan,
que propuseram repensar o significado da própria instituição museu. Nessa visão, os museus
deveriam envolver as comunidades locais no processo de tratar e cuidar de seu patrimônio.
Propõe-se assim uma mudança no sentido do museu: de lugar de entrega de um
conhecimento a uma comunidade (transmissão), para lugar construído pela própria

3728

�comunidade - veículo de expressão de uma identidade (MAIRESSE; DESVALLÉS, 2005).
Numa perspectiva distinta, o impacto das tecnologias digitais tem suscitado novas reflexões,
como a área denominada Museum Informatics., que trata das interações sociotécnicas (entre as
pessoas, a informação e a tecnologia) nos espaços museais (MARTY; JONES, 2008).
No campo da Ciência da Informação, é possível identificar a aproximação com estas
ideias em, pelo menos, duas grandes perspectivas de estudo. A primeira é a ideia de inserção
dos fenômenos informacionais em contextos sociohistóricos específicos, envolvendo autores
distintos como García Gutiérrez (2008), Day (2001), Braman (2004) e que é muito bem
expressa pelo conceito de “regime de informação” de Frohmann (2008): para se entender
como algo se torna “informação”, é preciso analisar a inserção dos fenômenos informacionais
em contextos concretos os quais eles se realizam. Tal abordagem conduz necessariamente a
um modelo global de compreensão, incluindo as dimensões técnicas, tecnológicas,
econômicas, jurídicas, regulatórias, sociais, culturais, entre outras.
A segunda perspectiva se constrói a partir da ideia de “ação informacional”. A origem
dessa ideia remonta à proposta de criação de uma disciplina específica, a Epistemologia
Social, por Shera (1977), ainda nos anos 1960 - uma disciplina dedicada ao estudo de todos os
meios e processos por meio dos quais o conhecimento circula, integra-se e coordena-se no
contexto de uma determinada coletividade. Tal ideia foi levada adiante por Wersig (1993),
que propunha que a Ciência da Informação não deveria ser uma ciência dos documentos ou
dos procedimentos de tratamento técnico destes documentos, mas sim uma área voltada para a
reflexão sobre os processos de construção, circulação e apropriação destes documentos. A
especificidade desta perspectiva é apresentada por Capurro (2009) que, para definir
informação, remonta aos conceitos gregos de eidos (ideia) e morphé (forma), significando
“dar forma a algo”. Estudar informação é assim construir um olhar que se inscreve no âmbito
da ação humana sobre o mundo (“in-formar”) e a partir do mundo (se “in-formar”). Ou seja,
os seres humanos, em suas diferentes ações no mundo (produzir pesquisa científica, construir
sua identidade, monitorar o ambiente mercadológico, testemunhar direitos e deveres, etc),
produzem registros materiais, documentos - eles in-formam. É essa ação de produzir registros
materiais que é a informação, que é o objeto de estudo da CI. A CI não estuda a ação
administrativa, política, cultural, etc, em si mesmas, mas apenas naquilo que elas têm de
informacional. Ao mesmo tempo, os seres humanos, também em suas diferentes ações (podese citar as mesmas ou outras, como tomar decisões de investimentos, testemunhar
determinados direitos, comunicar-se com os outros, etc), utilizam documentos, registros
materiais - os seres humanos se in-formam. É também essa ação de utilizar, se apropriar dos

3729

�registros de conhecimento que é a informação, e que é também objeto de estudo da CI. Além
disso, no movimento de produzir registros, os seres humanos constroem um repertório
coletivo, um acervo social de conhecimento - enfim, memória. E é acessando esse acervo ou
essa memória que os mesmos seres humanos também se informam.
Há, pois, uma ligação entre as propostas contemporâneas da Arquivologia, da
Biblioteconomia e da Museologia, com esse quadro desenhado pelas tendências atuais de
pesquisa em Ciência da Informação. Essa ligação pode ser interpretada, pois, como um
sinalizador da importância que pode ter, em termos de incremento teórico e conceitual, uma
maior aproximação e um diálogo mais efetivo entre essas áreas.
O tratamento dos problemas relacionados com memória evidencia a necessidade de
atuação em parceria e cooperação, destas áreas entre si e delas com demais campos
científicos. Ao mesmo tempo, como se pretendeu demonstrar, o cenário teórico
contemporâneo (resultante da evolução do conhecimento científico nestas áreas) é claramente
favorável a essa cooperação e à demanda por complexidade.
Portanto, a noção de “memória” atua como conceito articulador de diferentes saberes. A
criação e a condução de setores de memória mostra-se, assim, um espaço excelente para a
promoção de fertilização inter/transdisciplinar entre as áreas. Contribuiu para a articulação
das relações entre as dimensões administrativa e científica, para o cumprimento das três
“missões” da universidade (ensino, pesquisa e extensão) e, ainda, como espaço laboratorial
dos cursos de graduação, para o tensionamento de teorias e produção de novos
conhecimentos.

3

OPERAÇÃO MEMÓRIA (PROCEDIMENTOS)

A primeira etapa do projeto de memória da FACE foi coordenada pela arquivista
Janda Tâmara que juntamente com o apoio, para definir as pré-diretrizes documentais, do
professor Galba426 realizaram a estruturação do arranjo em sua fase inicial, definindo as
coleções de fundo bibliográfico e textual.
Após estruturado em hierarquias de tópicos e subtópicos, procedimento em que o
conteúdo documental foi analisado e organizado de acordo com os temas, natureza e suporte
dos acervos, passamos pela etapa de busca de possíveis locais para digitalização (tratamento

426 Professor Galba Di Mambro, Professor do Departamento de História da Universidade Federal de Juiz de Fora
e Diretor do Arquivo Histórico UFJF.

3730

�digital) dos documentos em Belo Horizonte. Foi firmada uma parceria entre o IPEAD e
APM, a qual digitalizou parte do acervo.
Antes do processo de digitalização fomos orientados a manter as características físicas
dos documentos originais, (como rabiscos e comentários nas páginas, rasgos e alguns reparos,
pois o acervo seria tratado no APM) os códigos atribuídos deveriam ser registrados e
anexados juntos aos objetos, para evitar possíveis confusões entre os documentos físicos,
digitais e facilitar o manuseio entre eles. Após esse processo, os documentos foram
identificados com códigos escrito a lápis de grafita macia. Findo este processo, iniciou-se a
preparação do acervo para digitalização no APM.
O procedimento de trabalho adotado pelo APM consiste na utilização de dois tipos de
formatos no processo de digitalização de documentos textuais: o formato TIFF (para fins de
preservação) e o formato JPEG (para fins de recuperação e acesso). Os equipamentos para a
digitalização e todo o maquinário envolvido em cada etapa do processo, trabalhavam ligados
em rede, sendo uma máquina com grande capacidade de armazenamento e processamento de
dados, a matriz responsável por reunir e salvar todo o conteúdo produzido. Todo o acervo
digitalizado, por uma medida de segurança, foi gravado em uma fita com a capacidade de 40
GB e arquivado em um local específico, com identificação do conteúdo tratado e separado
pelo nome da instituição em que o serviço foi prestado.
Nesse contato com a instituição APM não se pode deixar de relatar uma valiosa
experiência que, apesar de não estar presente no planejamento inicial, foi de grande
importância para o projeto. Trata-se do aprendizado sobre processos básicos de restauração,
limpeza e encadernação dos documentos que foram levados, o que possibilitou o
entendimento de algumas técnicas, conhecimento de ferramentas e materiais utilizados para a
limpeza e reparo.
Após o processo de digitalização e entrega dos materiais, retornou-se o trabalho de
representação dos objetos tendo como referência a planilha Arquivo, Biblioteca e Museu ABM a qual gerou um banco de dados para ser alimentado tendo os seguintes campos como
referência:

3731

�Quadro 1 - Campos de descrição ABM
ABM
Código identificador
Nome da Coleção
Título principal
Título da unidade de descrição
Autor
Edição (número)
Data
Editor (editora e local)
Tipo de publicação
Procedência

Condições de reprodução
Idioma
Características físicas
Localização dos originais
Material e técnica
Descrição do objeto
Assunto
Arranjo

BRFACE
Solenidades
Encontro de administração
Memória FACE
Araújo, Elizabete Ribeiro de; Cunha, Denise
Ribeiro
19
Maio de 1987
FACE- Belo Horizonte
Boletim Informativo
Reprodução Comemorativa do 35° aniversario
do curso de administração da faculdade de
ciências econômicas e 60° da Universidade
Federal de Minas Gerais
Acesso ao Formato Digital- Ao OriginalFotocópia- (...)
Português
Memória FACE
Gênero textual em papel
Vocabulário não controlado
Organizado por fundos

Fonte: Elaborado pelos próprios autores

Por fim procedeu-se à uma organização final com o objetivo de continuidade do
processo de descrição dos objetos que ainda se encontra em curso.

4 AUSÊNCIAS (DIFICULDADES DE RETENÇÃO DA MEMÓRIA)

Acredita-se que é válido falar sobre alguns problemas que atravessamos no decorrer
desse caminho. O primeiro deles foi a dificuldade de entendimento do papel do outro no
projeto. Por estar lidando com objetos de diferentes formatos ainda não sabíamos qual o
melhor tratamento para cada um deles, nem qual melhor instrumento que deveria ser
utilizado. Estávamos no momento em que havia profissionais da área arquivística e
biblioteconômica, porém ainda não havia ocorrido a discussão sobre os limites e
possibilidades de cada profissional no processo. Após levantamento dos objetos da Memória
FACE, pesquisado e pensado sobre as possibilidades foi decidido que a organização inicial se
daria de forma arquivística. Assim, foi desenvolvido o sistema de organização dos objetos
através de fundos.

3732

�No projeto que envolveu sujeitos de diferentes áreas do conhecimento sempre houve a
preocupação de congregar os saberes dessas diferentes áreas. Muito se aprendeu e foi
desenvolvido nesta experiência. A partir das reuniões e das trocas de e-mails, sempre
tomando como ponto de partida os documentos existentes na Memória FACE e as formas de
representação destes documentos/objetos nas áreas de arquivologia, biblioteconomia e
museologia foram construídos os campos para representação dos itens.
Outra dificuldade que passamos foi de cunho administrativo, porém de vital
importância para o desenvolvimento do projeto, que foi a contratação dos bolsistas. O valor
das bolsas que nos foram cedidas era baixo e pouco atrativo, assim a carga horária era
pequena e os bolsistas ficavam muito pouco tempo se dedicando ao projeto,
conseqüentemente tivemos que aumentar o prazo para término do mesmo. Dois bolsistas
saíram do projeto, o que demandou esforço para seleção, contratação e treinamento de novas
pessoas.
Como já foi citada anteriormente a digitalização dos documentos foi realizada através
de um convenio com uma entidade governamental, assim tivemos que nos adequar a seus
prazos e formas de trabalho. Os arquivos digitais quando devolvidos eram verificados e
renomeados um a um. Em algumas ocasiões houve desencontros, nem sempre conseguíamos
alinhar os esforços e entrar num entendimento. Esta experiência foi de grande valia para nós,
pois vivenciamos uma forma de trabalho diferente da que estávamos inseridos.
Com o fim da digitalização, a tabela para inserção de dados criada e banco de dados
construído iniciou-se o trabalho de descrição dos objetos, porém por um problema técnico
perdemos os dados e o processo de descrição teve que recomeçar novamente.
O projeto da Memória FACE apresentou muitos desafios para a equipe, pois nos
deparamos com objetos de formatos variados e inovamos ao tratá-los de uma forma que
agregasse saberes de três áreas: arquivologia, biblioteconomia e museologia. A idéia de
congregar profissionais de diversas áreas trouxe muitas discussões válidas e enriquecedoras.
O legado que o projeto deixa é o respeito e o reconhecimento do saber e da singularidade do
outro. Ainda temos muito que caminhar, pois a Memória da FACE continua em construção e
esta memória deve ser conhecida.

5 MEMORABILIA (MEMÓRIAS DIGNAS DE NOTA)

Em geral o que podemos pontuar é uma experiência rica em sua diversidade de olhares
e fazeres reunidos sob a égide do projeto para o Setor de Memória da FACE/UFMG.

3733

�Evidentemente o estranhamento que o outro provoca nos provocou também alguns percalços
e aprendizados mútuos. Este processo que ainda continua em curso e do qual pretendemos
edificar como algo a ser lembrado.
Nos resta continuar a edificar a memória, ainda que trabalhando com os fragmentos e
as exceções, mas com a certeza de um trabalho que não se esgota aqui e que tampouco
vislumbra a noção de totalidade. O que se propõe é um começo, uma possibilidade para a
construção de um projeto de memória, dentro das limitações do setor, para a Faculdade de
Ciências Econômicas da UFMG.

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processing &amp; management. v. 29, n. 02, p. 229-239, mar. 1993.

3735

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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              <text>Relata a experiência de reestruturação do Setor de Memória da Faculdade de Ciências Econômicas da UFMG. Aborda o processo de descrição e tratamento dos documentos do setor. O acervo da Memória é composto, essencialmente, por registros acadêmicos/administrativos: diários de classe, atas de reuniões, coleções de alguns professores e registros de eventos. Possui, ainda, alguns livros e peças museológicas. O estudo e tratamento dos documentos se basearam nas regras de descrição do Código de Catalogação Anglo-Americano - AACR2 para a Biblioteconomia, das propostas descritivas do International Council of Museums - ICOM para a Museologia e dos padrões da Norma Brasileira de Descrição Arquivística - NOBRADE no escopo da Arquivologia. O processo envolveu uma equipe interdisciplinar composta de pessoas das áreas de Museologia, Arquivologia, Biblioteconomia, Informática e Ciência da Informação. A ideia de interrelação dessas áreas e desses profissionais se deu em função do cenário institucional da UFMG, onde cursos de graduação de Biblioteconomia, Arquivologia e Museologia estão sediados em uma Escola de Ciência da Informação. Conclui-se que no tratamento dos problemas relacionados com memória evidencia-se a necessidade de atuação em parceria e cooperação, destas áreas entre si e delas com demais campos científicos. Há, pois, uma ligação entre as propostas contemporâneas da Arquivologia, da Biblioteconomia e da Museologia, com esse quadro desenhado pelas tendências atuais de pesquisa em Ciência da Informação.</text>
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