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                  <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

O FACEBOOK COMO CANAL DE COMUNICAÇÃO E INTERAÇÃO NAS
BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS: O CASO DA UFRGS
Adaiane Oliveira da Silva
Helen Beatriz Frota Rozados
Geraldo Ribas Machado
RESUMO
Tem como objetivo estudar a comunicação das bibliotecas universitárias da UFRGS com suas
comunidades usuárias por intermédio do Facebook, assim como as interações ocorridas nesta
rede social virtual, a partir dos conteúdos publicados por estas unidades de informação.
Apresenta uma pesquisa descritiva e exploratória, com um universo de oito bibliotecas que
aderiram ao uso do Facebook. Com relação ao procedimento técnico utilizado, emprega a
pesquisa de campo, com abordagem quanti-qualitativa. Os dados quantitativos são levantados
por meio de formulário, através de observações sistemáticas; os qualitativos por meio de
entrevistas estruturadas, aplicadas junto aos responsáveis pela manutenção do Facebook. Para
a análise dos dados quantitativos, utiliza a estatística; para os qualitativos, o método análise de
conteúdo. Quanto aos resultados, mostra que menos da metade das bibliotecas universitárias
da UFRGS possui Facebook, sendo que o perfil é a forma de presença mais incidente. Exibe
os tipos de informações divulgados pelas bibliotecas e as interações ocorridas nestes (curtir,
comentar e compartilhar), de modo que as informações não relacionadas à biblioteca, mas
suscetíveis a interessar os usuários são o tipo mais frequente. Averigua como foram criadas as
contas do Facebook pelas bibliotecas, assim como a forma que estas as mantêm. Conclui que
a maioria das bibliotecas da UFRGS que possui Facebook, apesar de não ter realizado um
planejamento para a implantação da conta, comunica informações que possam ser
interessantes e úteis à sua comunidade usuária e recebe um retorno por meio das interações,
embora, às vezes, pequeno.
Palavras-Chave: Biblioteca universitária. Rede social virtual. Facebook. Comunicação
virtual.
ABSTRACT
It has as purpose to study the communication of university libraries from UFRGS along with
their user communities through the Facebook, as well as the occurring interactions in this
virtual social network from the published contents by these information unities. It presents a
descriptive and exploratory research in amount of eight libraries that adhered the Facebook
using. Related to the utilized technical procedure, it uses the field survey with quantitative and
qualitative approach. The qualitative datas are collected through a form by systematic
observations. The quantitative ones are collected through structured interviews, applied
together with those responsible for the Facebook maintenance. It utilizes statistics to analyze
the quantitative data and the content analysis method to the qualitative data. The result shows
that less than half of the university libraries from UFRGS have Facebook, even the profile

3141

�being the most frequent form of presence. It displays the types of information reported by the
libraries and their occurred interactions (To like, to comment and to share), so that the
information not related to the library, susceptible to interest the users though, be the most
frequent type. It ascertains how the Facebook accounts were created by the libraries, as well
as they have been maintained by them. It concludes that the most of UFRGS libraries that has
Facebook, in spite of not doing a planning for the account implantation, communicates
information that can be interesting and useful to its user community and receives feedback
through interaction, though, sometimes, small.
Keywords: University library. Virtual social network. Facebook. Virtual communication.

1 INTRODUÇÃO
O desenvolvimento das tecnologias de informação e comunicação (TICs) tem
transformado as formas de comunicação entre as pessoas. Com relação à internet, a partir da
Web 2.0, surgiram novas maneiras de as pessoas se comunicarem e interagirem, fazendo uso
de recursos específicos. Dentre essas possibilidades, atualmente, os sites de redes sociais vêm
se destacando por sua grande aceitação e uso pelos usuários da Rede.
Devido à popularidade crescente destas ferramentas, as organizações vêm,
sucessivamente, marcando presença nelas, de modo a ter um relacionamento mais efetivo com
seus públicos. Nesse sentido, muitas bibliotecas encontram nos sites de redes sociais uma
nova forma de se aproximar e interagir com suas comunidades usuárias, como profere
Margaix Arnal (2008, p. 591, tradução nossa):
[...] as bibliotecas têm começado a marcar sua presença nestes sites, para
estarem onde os usuários estão, utilizar as mesmas plataformas e canais de
comunicação que eles e seguir sendo relevantes no contexto de sua
experiência do uso da internet.
Sabe-se que as bibliotecas também são importantes canais de comunicação. No
esquema de meio, mensagem e receptor, o uso da internet como meio, a preocupação com a
divulgação de um conteúdo que vá atingir seu público alvo, que é a mensagem, garantirá a
recepção da mesma, sua audiência, incentivando, assim, a interação. Neste sentido considera­
se que uma biblioteca é uma emissora de comunicação. E como emissora de comunicação, o
uso de redes sociais é fundamental.
Dentre os sites de redes sociais mais acessados no mundo, está o Facebook, criado em
2004 pelo estudante universitário Mark Zuckerberg e alguns colegas. Além disto, essa
ferramenta apresenta diversas funcionalidades que permitem comunicação e interação entre
seus usuários, elementos estes relevantes às bibliotecas universitárias. Estes aspectos
justificam a escolha do Facebook entre os sites de redes sociais para constituir o estudo,

3142

�adicionado ao fato de que, atualmente, é nítido seu expressivo número de usuários. Este fato é
comprovado pelo comScore (2013) ao afirmar que: “O Facebook ascendeu como um forte
líder da categoria, com quase 44 milhões de visitantes únicos em dezembro de 2012, 22% a
mais que no ano anterior.”.
Quanto à escolha pelas bibliotecas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul
(UFRGS), os autores já tinham vínculo com algumas contas do Facebook destas unidades de
informação, o que os levaram a querer estudá-las. Logo, o objetivo deste trabalho foi estudar a
comunicação das bibliotecas universitárias da UFRGS com suas comunidades usuárias por
intermédio do Facebook, assim como as interações ocorridas nesta rede social virtual, a partir
dos conteúdos publicados por estas unidades de informação.
Acredita-se que o Facebook pode ser uma ferramenta útil às bibliotecas universitárias,
se for empregado de maneira adequada, podendo proporcionar uma maior visibilidade à
biblioteca. Como a literatura sobre o assunto ainda é escassa, principalmente a brasileira, a
pesquisa desenvolvida pode contribuir com a mesma e incentivar outros estudos sobre o tema.

2 BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS NO CONTEXTO DA WEB
Cunha (2010, não paginado) relata que “As bibliotecas universitárias são organizações
complexas, com múltiplas funções e uma série de procedimentos, produtos e serviços que
foram desenvolvidos ao longo de décadas.”. Como as bibliotecas universitárias oferecem
suporte aos processos de ensino, pesquisa e extensão das universidades e faculdades, suas
instituições mantenedoras, elas precisam estar vinculadas à cultura destas, de maneira a
ampará-las em seus processos. Destacando esta relação entre as bibliotecas e as universidades,
Ferreira (1980, p. 7) aponta que
Assim como a universidade deve estar voltada para as necessidades
educacionais, culturais, científicas e tecnológicas do País, as bibliotecas
devem trabalhar visando a esses mesmos objetivos, condicionadas que são às
finalidades fundamentais da universidade. Por isso, as bibliotecas devem
participar ativamente do sistema educacional desenvolvido pela
universidade.
Ainda, é essencial que as bibliotecas universitárias acompanhem as mudanças que vêm
ocorrendo com o avanço das novas tecnologias de informação e comunicação, impulsionadas
pelo uso da internet. Neste sentido, Aguiar (2012, p. 31) expõe que
[...] o advento do computador que, aliado à criação da internet, trouxe
alterações na rotina de trabalho do bibliotecário, no acesso às informações
pelo usuário e no processo de comunicação e interação entre os
bibliotecários e seu público.

3143

�Portanto, a partir da implementação da Web 2.0 nas bibliotecas, os bibliotecários e
suas equipes precisam estar preparados para extrair as vantagens e os benefícios dos recursos
oferecidos por esta fase da web, com o intuito de suprir as necessidades informacionais dos
usuários, oferecendo a estes novas formas de acessar as informações, de se comunicar e de
interagir entre si e com os profissionais da biblioteca.
O’Really (2005) comenta que a Web 2.0 possui um centro gravitacional, e não
fronteiras rígidas, o que a define como
[...] um conjunto de princípios e práticas que interligam um verdadeiro
sistema solar de sites que demonstram alguns ou todos esses princípios e que
estão a distâncias variadas do centro. (O’REALLY, 2005, p. 2).
Silva (2010) complementa que neste ambiente o cenário é de participação, de maneira
que o usuário pode criar e organizar conteúdo, utilizando diversas mídias e interagindo com
outros usuários.
Assim, a Web 2.0 possibilita que as bibliotecas façam uso de suas ferramentas, de
maneira que estas unidades de informação possam interagir com as comunidades usuárias,
criar e compartilhar informações, tornando-as muito mais dinâmicas. Ou seja, as bibliotecas
podem empregar as tecnologias oferecidas por esta plataforma para se comunicarem,
aperfeiçoarem-se, desenvolvendo-se e se aproximando de seus usuários.
Arroyo Vázquez e Merlo Vega (2007) discorrem que a Web 2.0 abre novas
possibilidades de comunicação e de informação nas atividades das bibliotecas e na prestação
de serviços aos usuários. Este envolvimento da biblioteca com o ambiente da Web 2.0 levou,
em 2005, Michael Casey, no blog LibraryCrunch, cunhar o termo biblioteca 2.0, que passou a
ser adotado amplamente pela comunidade bibliotecária, ao se referir ao relacionamento das
atividades desenvolvidas pelas bibliotecas com o uso das ferramentas desta fase de evolução
da Web, bem como os serviços e produtos daí advindos e a possibilidade da aproximação,
interativa, com sua comunidade usuária .
Brito e Silva (2010) ressaltam algumas ferramentas que podem ser aplicadas nestas
unidades de informação: mensagens instantâneas, sites de compartilhamento, blogs,
bookmarking social e redes sociais. Neste último caso, segundo os autores, destacam-se o
Facebook e o MySpace.

3 BIBLIOTECAS NAS REDES SOCIAIS
Entende-se por rede social a interação de um conjunto de pessoas ou organizações
ligadas entre si por objetivos comuns. Recuero (2009, p. 25) define: “Rede social é gente, é

3144

�interação, é troca social. É um grupo de pessoas, compreendido através de uma metáfora de
estrutura, a estrutura de rede.”. Com a Web 2.0, as redes sociais passaram a atuar, também, de
modo

virtual,

através

de

ferramentas

que

permitem

interação,

comunicação

e

compartilhamento de conteúdos, enfim, as características necessárias para a formação de uma
rede social. Dessa forma, os usos destas ferramentas no ambiente virtual levam à
denominação de redes sociais virtuais.
Aguiar (2012) afirma que estas ferramentas são conhecidas, ainda, como sites de redes
sociais, plataforma de redes sociais, softwares sociais, redes sociais na Web, ou Web 2.0 e
redes sociais da internet. Para Boyd e Ellison (2007), sites de redes sociais são serviços
baseados na web que permitem aos usuários: construir um perfil público ou semi-público
dentro de um sistema, interagir com quem eles compartilham uma conexão, além de poderem
visualizar e percorrer sua lista de conexões dentro do sistema.
Como já citado na introdução, dentre os sites de redes sociais o Facebook, atualmente,
é o preferido pelos usuários. Além disso, pesquisas indicam que o público jovem lidera a
audiência da internet, o que se pressupõe ser um forte indicativo de participação nas redes
sociais virtuais. Deste modo, “A audiência da internet no Brasil continua relativamente
jovem, com 18% dos usuários com idades entre 18-24 anos e 30% entre 25-34.”
(COMSCORE, 2013).
O Facebook, portanto, pode ser uma boa ferramenta às bibliotecas universitárias, já
que possui um maior número de acessos e usuários, levando em consideração que a maioria
destes é jovem, o que aumentam as chances de serem universitários.
Margaix Arnal (2008) recomenda a presença do Facebook nas bibliotecas
universitárias, tendo em vista que: possui um considerável número de membros; tem uma
cultura universitária que possibilita a biblioteca encontrar seu espaço mais facilmente; está
mais aberto a novos usuários; dispõe de uma grande quantidade de aplicativos disponíveis; há
muitas possibilidades de desenvolver outros aplicativos que se ajustem às necessidades das
bibliotecas.
Já Aguiar (2012) relata dificuldades e vantagens da biblioteca universitária estar
presente do Facebook. Com relação às dificuldades, destaca: atualização contínua do
conteúdo; gerenciamento do perfil e manifestação do público. Quanto às vantagens, cita:
maior interação entre a biblioteca e seu público; divulgação de produtos e serviços da
biblioteca; chat para atendimento on-line. Ainda para a autora:

3145

�O Facebook podería ser utilizado como um espaço de divulgação e troca de
informações, sugestões, críticas e comentários relacionados a produções
científicas acadêmicas, um canal que possibilitasse não somente a
comunicação entre os usuários e as bibliotecas, mas entre os próprios
usuários (pesquisadores, docentes e discentes). (AGUIAR, 2013, p. 72).
Dessa forma, o Facebook pode ser empregado como um canal de comunicação para
divulgar diversas informações da biblioteca, assim como outras que possam interessar sua
comunidade usuária. Além disso, este site de rede social permite diversas formas de interação,
destacando-se a possibilidade dos usuários poderem interagir com as postagens da biblioteca,
caso lhes sejam conveniente, a partir das opções curtir, comentar e compartilhar.
Percebe-se que essas formas de interação possibilitam à instituição, de uma maneira
ou de outra, saber se suas publicações atraem os usuários e o que os mesmos pensam sobre o
que foi publicado. Além do que, as informações postadas podem ser disseminadas pela
comunidade usuária, dando um maior alcance às mesmas. Assim, por meio dessas interações,
a instituição pode observar o que causa mais impacto em sua comunidade usuária, podendo
selecionar melhor as informações a serem publicadas, de modo a satisfazer seus usuários.
Apesar das evidências apontarem o Facebook como o site de rede social mais
apropriado às bibliotecas universitárias, antes de optar por ele devem-se ter alguns cuidados
para obter sucesso com a escolha.
É importante mencionar que para possuir uma boa comunicação e interação com a
comunidade usuária através de uma rede social virtual, é necessário escolher e manter, de
forma adequada, a que mais se adapta à realidade dos usuários da instituição. Para Margaix
Arnal (2008b, p. 52, tradução nossa): “A presença da biblioteca nos sites de redes sociais tem
que ser planejada e muito cuidada. É difícil conseguir contatos, uma vez que se consiga, tem
que cuidar.”.
Ainda, o autor expõe sobre os serviços 2.0 para as bibliotecas. Como rede social
virtual pertence a essa categoria, pode-se empregar, neste estudo, suas indicações. Segundo o
autor, para implantar esses serviços deve-se ter um porquê, uma justificativa, objetivos claros
e que se enquadre na estratégica de serviços da biblioteca e com suas formas de comunicação.
Farkas

o cn

(2007 apud MARGAIX ARNAL, 2008b) relata que um dos elementos-chave para a

implantação desses serviços com êxito é a cobertura das necessidades da comunidade usuária.

357 FARKAS, Meredith G. Social software in libraries: building collaboration, communication, and community
online. Medford, N.J.: Information Today, 2007. Apud MARGAIX ARNAL, 2008b.

3146

�Neste contexto, Margaix Arnal (2008) profere que é conveniente estabelecer uma
estratégica de seleção do site de rede social mais adequado à biblioteca, sendo que o critério
principal dessa escolha é as preferências dos usuários.
Após a escolha do site de rede social, é imprescindível planejar a maneira como será
feita sua manutenção para que o mesmo seja atrativo aos usuários. Margaix Arnal (2008b)
considera o conteúdo como elemento-chave desta ferramenta. Portanto, é essencial pensar no
conteúdo a ser postado, de forma que este tenha utilidade aos usuários, fazendo com que se
interessarem pelo site de rede social da instituição. Ainda, Yamaschita, Cassares e Valência
(2012) sinalizam que é preciso publicar conteúdo de forma regular, sendo que a periodicidade
deve ser definida pela instituição.
Uma boa escolha e manutenção do site de rede social tende a torná-lo útil às
bibliotecas universitárias, de maneira a facilitar a comunicação e a interação. Para Margaix
Arnal (2008), uma vez que a biblioteca tenha decidido trabalhar com o Facebook, é necessária
a escolha do tipo de presença mais adequada à mesma: página, perfil ou grupo. Dessa
maneira, as bibliotecas precisam optar por uma forma de apresentação de acordo com o que
pretendem alcançar, apesar de que a forma de presença mais indicada, para as organizações, é
a página (fanpage). Para que esta escolha seja a mais adequada à biblioteca, é necessário que
haja um conhecimento das principais características de cada uma.
Com relação às páginas, o Facebook (2013) expõe que estas são semelhantes às linhas
de tempo pessoais (perfis) e permitem que empresas, marcas, organizações e celebridades se
conectem e se comuniquem amplamente com pessoas que as curtem. Ainda, fornecem
informações para ajudar seus administradores a entender como as pessoas estão interagindo
com elas. As pessoas podem curtir uma página para visualizar atualizações desta em seus
Feeds de Notícias.
Margaix Arnal (2008) considera, a respeito das páginas: são pensadas para as
organizações, possuindo ferramentas mais adequadas para estas; os usuários podem registrar­
se livremente como fãs; existem inúmeros recursos de estatísticas que fornecem informações
sobre acessos e atividades dos usuários; não há como realizar publicações em murais alheios,
comentar as fotos ou status etc.; podem ter vários administradores; oferecem à organização
uma imagem mais respeitável e com maior visibilidade. Outra questão interessante, conforme
o Facebook (2013), é que “[...] não há limite quanto ao número de pessoas que podem curtir
uma página [...].” Isso difere do perfil.
O perfil é a linha do tempo e deve ser criado para pessoas. Para o Facebook (2013),
linha do tempo é a coleção de fotos, histórias e experiências que contam a história de uma

3147

�pessoa. Conforme o site, as linhas do tempo pessoais são direcionadas ao uso por indivíduos,
os representando. Portanto, devem ser mantidas sob o nome de um indivíduo.
Garcia Giménez (2010) apresenta algumas características do perfil: é possível regular
o acesso aos conteúdos postados; permite chegar aos usuários potenciais de maneira direta e
pessoal; apresenta maior capacidade de gerar marca e perfil diferenciado, além de consciência
de grupo; possui uma limitação no número de amigos, somente 5.000; não é permitido delegar
a gestão.
Além disso, o perfil tem disponível um recurso de bate-papo, possibilitando a
conversação em tempo real. Para Margaix Arnal (2008), uma das principais vantagens de
aderir o perfil à biblioteca é a existência de muitos aplicativos disponíveis. Dessa forma, a
biblioteca tem opções de personalizar sua presença no Facebook, deixando-a mais atrativa
para seus usuários.
Além de perfis e páginas, outra forma de presença no Facebook é através dos Grupos.
Conforme Facebook (2013), eles oferecem um espaço fechado para a formação de pequenos
grupos de pessoas com o objetivo destas se comunicarem sobre interesses em comum. No
entender de Margaix Arnal (2008), muitas bibliotecas optam pela criação de grupos, sendo
que estes podem ser criados de modo gratuito por qualquer usuário e há como outros
indivíduos aderirem ao grupo por iniciativa própria ou por meio de convite de seus membros.
Entretanto, atualmente, é verificado que somente usuários portadores de conta de perfil
podem criar um grupo. Ainda, quanto à questão de adesão ao grupo por iniciativa própria, isso
só é possível se as configurações de privacidade do grupo permitir, já que se pode ocultar a
existência do grupo, de forma que somente os membros podem convidar outros usuários.
Como pode ser observado, a presença do Facebook nas bibliotecas universitárias exige
dedicação, de modo que seja atrativa e útil às suas comunidades usuárias. De nada adianta
estar presente no Facebook e não aproveitar os benefícios que esta rede social virtual pode
proporcionar.

4 MATERIAIS E MÉTODOS
Para se conduzir a investigação proposta, com abordagem quanti-qualitativa, utilizouse a pesquisa de campo como procedimento técnico, envolvendo o levantamento e a análise
bibliográfica e a construção de instrumentos de coleta de dados, com uso de técnicas
específicas para a análise e crítica dos dados obtidos. Em relação ao tipo de investigação, a
pesquisa definiu-se como descritiva e exploratória. Já o universo da pesquisa constituiu-se
pelas bibliotecas universitárias da UFRGS que utilizam a rede social virtual Facebook.

3148

�A fase da coleta de dados deu-se em dois momentos. O primeiro baseou-se em
observações sistemáticas nos Facebooks das bibliotecas, considerando, basicamente, dados
quantitativos, já que mensurou variáveis por meio do levantamento de frequências, tendo,
portanto, uma abordagem quantitativa. O segundo caracterizou-se pela coleta de dados com
abordagem qualitativa, uma vez que os mesmos foram coletados através de entrevistas
realizadas juntos aos responsáveis pela manutenção do Facebook de cada biblioteca analisada,
levantando suas opiniões e percepções. Para a realização da coleta de dados empregaram-se
dois instrumentos: um formulário especificamente criado para anotar as observações
sistemáticas feitas no Facebook de cada biblioteca estudada e um roteiro de entrevista
estruturada.
Quanto ao procedimento da coleta de dados, no mês de setembro de 2013,
verificaram-se as bibliotecas universitárias existentes na UFRGS. Feito isto, buscaram-se as
que possuem presença no Facebook, por meio da opção de pesquisa oferecida pela
ferramenta. Após, efetuaram-se observações que cobriram os meses de maio e junho de 2013
nos Facebooks das bibliotecas. Concomitantemente à coleta de dados das observações,
contatou-se, via telefone, com os responsáveis pela manutenção das contas dos Facebooks das
bibliotecas em estudo para marcar as entrevistas.
Concluída a coleta dos dados através das observações sistemáticas realizou-se a
análise dos mesmos, a partir de distribuições em gráficos no software Microsoft Office Excel,
de modo a visualizar melhor os resultados obtidos. No que diz respeito à análise dos dados
coletados nas entrevistas, empregou-se o método denominado análise de conteúdo.

5 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
Para a realização da pesquisa efetuou-se, em um primeiro momento, o levantamento
das bibliotecas universitárias da UFRGS que se conectam com suas comunidades usuárias por
meio do Facebook, o que é mostrado no Gráfico 1.
Gráfico 1- Bibliotecas universitárias da UFRGS que utilizam o Facebook

Fonte: dados da pesquisa (2013)

3149

�Percebe-se que a maioria das bibliotecas universitárias da UFRGS não aderiu ao uso
do Facebook: das trinta bibliotecas deste tipo, nove possuem uma conta e vinte e uma, não, o
que representa 30% e 70% do total, respectivamente. No entanto, apenas oito bibliotecas
constituíram o estudo, já que uma das contas foi criada quando a coleta de dados estava sendo
realizada, não contemplando, portanto, o período estipulado para a análise. Após o
levantamento das bibliotecas, efetuaram-se as observações sistemáticas e as entrevistas.

5.1 OBSERVAÇÕES SISTEMÁTICAS
Inicialmente, verificou-se a forma como as bibliotecas se apresentam no Facebook. O
resultado é apontado no Gráfico 2.
Gráfico 2 - Formas de apresentação no Facebook das bibliotecas da UFRGS - maio-jun./2013

r--------------------------------------------------------------------- \
■ 5 ( 62 ,5 %)

■ S é rie l;
G ru p o ;0

V______________________________________________

)

Fonte: dados da pesquisa

De acordo com o grfico, das oito bibliotecas que possuem Facebook, cinco,
representando 62,5% do total têm um perfil como forma de apresentação. Quanto à página, o
tipo de presença indicado pelo Facebook para instituições, duas bibliotecas aderiram a ela
(25%). Ainda, uma das unidades de informação do estudo possui, além do perfil, uma página
(12,5%). Nenhuma optou pela formação de grupo para conectar-se aos seus usuários. Nota-se
que, apesar do Facebook recomendar o uso de página para instituições, a maioria das
bibliotecas optou pelo perfil. Para o Facebook (2013), o perfil representa um indivíduo e deve
ser mantido sob o nome do mesmo. Portanto, utilizar um perfil para uma instituição não está
de acordo com os termos do Facebook.
Conferiu-se também que tipo de informação as bibliotecas em estudo divulgam por
intermédio do Facebook, de forma a descobrir o que pretendem comunicar às suas
comunidades usuárias. O Gráfico 3 aponta esta investigação.

3150

�Gráfico 3 - Tipos de informações divulgados pelas bibliotecas que utilizam o Facebook maio- jun./2013

Fonte: dados da pesquisa (2013)

Por intermdio da análise do gráfico, durante os meses de maio e junho de 2013, as
bibliotecas divulgaram em suas páginas e perfis cento e três postagens referentes às
informações não relacionadas à biblioteca, mas suscetíveis a interessar os usuários,
representando 33,8% do total (trezentos e cinco) de conteúdos divulgados. Nesta categoria,
enquadra-se qualquer postagem feita pelas bibliotecas, cujo conteúdo não tenha relação com a
unidade de informação que o divulgou, mas que pode ser importante à comunidade usuária,
com exceção dos eventos realizados por outras instituições. Estes foram colocados em uma
categoria distinta com noventa e nove publicações (32,5%). Percebe-se que a maioria das
informações divulgadas nestas duas categorias está associada com as áreas de estudo
contempladas pelas bibliotecas, o que pode ser útil às suas comunidades usuárias.
Quanto aos serviços oferecidos pelas bibliotecas, constata-se que este tipo de
informação ficou em terceiro lugar, correspondendo a sessenta e duas publicações (20,3%).
Cabe ressaltar que a maior parte destas publicações diz respeito à divulgação de novas
aquisições das bibliotecas, assim como a de eventos organizados ou promovidos pelas
referidas unidades de informação.
Em último lugar das categorias de tipos de informação, com quarenta e uma postagens
(13,4%), está a de informações sobre a biblioteca. Nesta, enquadrou-se todas as informações
publicadas referentes às bibliotecas, com exceção dos seus serviços. Dentre as referidas
publicações, destaca-se a de horários de funcionamento, principalmente quando há alguma
alteração emergencial, como um horário diferente do normal.
No que se refere às interações, o Facebook oferece ferramentas que as possibilitam,
como as opções curtir, comentar e compartilhar atreladas às publicações realizadas nessa rede

3151

�social virtual. Dessa forma, de acordo com o Gráfico 4, levantaram-se as ocorrências destas
interações a partir dos conteúdos divulgados.

Gráfico 4 - Interações nas publicações das bibliotecas da UFRGS que utilizam o Facebook maio-jun./2013

Fonte: dados da pesquisa

Das postagens realzadas pelas bibliotecas surtiram mil trezentas e cinquenta e seis
interações dentre as opções curtir, comentar e compartilhar. Destas, a que teve maior
ocorrência foi a curtir, com novecentas e doze curtidas, o que representa 67,3% do total.
Após, encontra-se a opção compartilhar com trezentos e oitenta e nove compartilhamentos, ou
seja, 28,7% das interações, menos da metade das curtidas. Por último, está a comentar, com
4% da totalidade, contabilizando cinquenta e cinco comentários.
Pela perspectiva do Facebook (2013) curtir algo que alguém publica é uma maneira
fácil de dizer a esse indivíduo que a postagem foi apreciada. Portanto, a partir disso, pode-se
afirmar que os usuários, dentre as opções de interações, mais apreciaram as informações
publicadas do que as disseminaram entre os seus contatos, o que limitou a visibilidade que
estas poderiam ter, já que segundo Penteado e Avanzi (2013, p. 11), o compartilhamento “[...]
seria uma forma explícita de passar adiante uma informação de uma outra fonte, aumentando
sua visibilidade.”. Quanto à opção comentar, a interação menos realizada nas publicações das
bibliotecas, Corrêa (2013) relata que esta consente aos usuários executar comentários sobre
algum post que os interessem, tendo a possibilidade de receber um feedback de volta.
A partir da percepção de Corrêa e acrescentando que nem todos os comentários
necessitam de feedback, pois, inúmeras vezes, não mencionam qualquer dúvida, elogio ou
crítica, é imprescindível analisá-los com mais precisão. Dos cinquenta e cinco comentários,
vinte e seis, equivalentes a 47,3% do total realizam-se pelos usuários e não incitavam um

3152

�retorno das bibliotecas. Já as bibliotecas efetuaram quinze comentários (27,3%) com o intuito
de responder os quatorzes feitos pelos usuários que necessitavam de respostas (25,4%),
demonstrando comprometimento com sua conta no Facebook.

5.2 ENTREVISTAS
Quanto às entrevistas realizadas junto aos responsáveis pela manutenção do Facebook,
são apontadas as perguntas com suas respectivas análises. É importante ressaltar que a
comunicação e a interação no Facebook podem ser aprimoradas se a implementação da conta
for feita de forma planejada e se houver uma manutenção adequada desta rede social virtual.
A primeira questão desejou levantar as razões que levaram as bibliotecas a querer estar
presentes no Facebook e se as mesmas tiveram algum objetivo quanto a isto. No que concerne
às razões, a partir das respostas recebidas, percebe-se que a maior parte das bibliotecas quis
estar presente no Facebook para se aproximar de seus usuários, por entender que os mesmos
encontram-se nesta rede social virtual. Nessa perspectiva, enquadram-se, também, as que
mencionaram melhorar a comunicação com seus usuários (duas) e a que desejava ampliar o
contato com estes, pois, para isso, é necessário estar onde a comunidade usuária se encontra.
Não há como melhorar a comunicação em uma rede social virtual se o público almejado não
estiver conectado a esta. Ainda, dois respondentes indicaram como razão para a utilização do
Facebook a complementação de informações dos sites oficiais de suas bibliotecas.
Referente aos objetivos, quatro respondentes mencionaram que o objetivo de terem
criado uma conta no Facebook, praticamente, foi o de servir como um canal de comunicação
para a divulgação dos vários tipos de informações, como notícias, serviços, cursos etc. Além
disso, três pretendiam estar onde os usuários estão, sendo que um respondente, apesar disso,
não soube dizer se teve um objetivo muito definido na criação da conta. De todos os
entrevistados, duas respostas foram relativas à falta de planejamento para a criação da
presença no Facebook. Entretanto, um deles relatou que, atualmente, a biblioteca possui
objetivos claros.
Em outra questão procurou-se descobrir quais os motivos de escolha quanto à criação
da conta do Facebook como página/perfil. Pelas respostas obtidas, a maioria das bibliotecas
criou sua conta no Facebook não pelos recursos que esta oferece e, sim, ou por
desconhecimento das funcionalidades de cada tipo de conta para perceber a diferença entre
elas e adotar a mais adequada às suas necessidades, ou criou por falta de planejamento, não
refletindo no que poderia explorar.

3153

�É valido mencionar que duas bibliotecas criaram suas contas (perfil e página) em
função de recursos peculiares a cada uma destas: bate-papo e informações da página
(mencionadas muitas vezes como estatísticas). O bate-papo, conhecido também como chat, é
um recurso específico do perfil, sendo muito utilizado pelas bibliotecas para atendimento
virtual aos alunos. Há autores que veem como benefício a utilização deste recurso nas
bibliotecas universitárias. Neste sentido, Aguiar (2012) considera vantajoso o uso do chat
para atendimento on-line, enquanto Dickson e Holley (2010) sugerem a utilização dessa
funcionalidade do Facebook. Com relação às estatísticas, estas são recursos oferecidos pelas
páginas, que, de acordo com Margaix Arnal (2008, p. 594, tradução nossa), “[...] fornecem
informações sobre acessos e atividades dos usuários.”.
Também foi questionada a frequência média da ocorrência de novas atualizações no
Facebook. A maior parte dos respondentes relatou que as atualizações acontecem quando há
uma demanda, algo importante para ser publicado, ou seja, não tem uma periodicidade para
postagens. Entretanto, dois destes expuseram que, diariamente, procuram notícias para serem
divulgadas e outro, apesar de publicar quando há demanda, deu uma periodicidade
aproximada.
Como já exposto, para Yamaschita, Cassares e Valência (2012), em um site de rede
social deve-se publicar conteúdo de forma regular, sendo que a periodicidade deve ser
determinada pela instituição. Já Dickson e Holley (2010) afirmam que, em uma pesquisa
realizada com estudantes, foi apontado que estes não desejam perder tempo com mensagens
frequentes e irrelevantes publicadas nos sites de redes sociais da biblioteca.
Neste sentido, apesar da periodicidade de atualização ser importante, não é adequado
publicar informações somente para ter mais atualizações, é necessário que os conteúdos sejam
relevantes à comunidade usuária. Por outro lado, a ocorrência de escassez de novas
informações no Facebook pode reduzir o interesse dos usuários pela ferramenta. Desse modo,
evidencia-se a necessidade de um controle entre o excesso e a carência de informações. A
partir dessas constatações, nota-se que a maioria das bibliotecas em estudo, apesar não ter
uma periodicidade definida, deixou evidente que as postagens acontecem quando há
informações que possam interessar seus usuários, o que está correto, no ponto de vista de não
saturá-los com conteúdos desnecessários.

6 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
Como as redes sociais virtuais estão cada vez mais presentes na rotina dos indivíduos,
principalmente na dos jovens, como formas de comunicação e interação, é viável que as

3154

�bibliotecas universitárias modernizem-se, de modo a fazer uso delas para se aproximar de
seus usuários. Dentre estas ferramentas, atualmente, encontra-se o Facebook, a rede social
virtual, segundo estatísticas, mais utilizada pelos indivíduos e que está em ascensão, o que
pode indicar benefícios às bibliotecas universitárias, caso a empreguem de forma adequada.
Portanto, as bibliotecas podem utilizar o Facebook como um canal de comunicação e
interação com seus usuários, divulgando as mais variadas informações a estes. Além disso,
com base nessas divulgações, os usuários têm a opção de interagir com o que é postado,
permitindo à biblioteca saber se o que divulga desperta o interesse da sua comunidade
usuária.
Verificou-se que a maioria das bibliotecas da UFRGS que possuem Facebook, apesar
de não ter realizado um planejamento para a implantação da conta, comunicam informações
que possam ser interessantes e úteis às suas comunidades e recebem um retorno por meio das
interações, embora, às vezes, pequeno. Percebe-se, entretanto, que estas instituições podem
aprimorar sua presença no Facebook, atraindo de modo mais efetivo suas comunidades
usuárias. Não basta somente ter uma conta no Facebook, é necessário todo um cuidado para
conquistar novos usuários e manter os já existentes de forma satisfatória.
Por fim, por meio de cuidados específicos, o Facebook pode ser integrado à biblioteca
universitária como um canal eficiente de comunicação e interação, permitindo que esta amplie
e estreite relações com sua comunidade usuária e adquira maior visibilidade.

REFERÊNCIAS
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3157

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              <text>Tem como objetivo estudar a comunicação das bibliotecas universitárias da UFRGS com suas comunidades usuárias por intermédio do Facebook, assim como as interações ocorridas nesta rede social virtual, a partir dos conteúdos publicados por estas unidades de informação. Apresenta uma pesquisa descritiva e exploratória, com um universo de oito bibliotecas que aderiram ao uso do Facebook. Com relação ao procedimento técnico utilizado, emprega a pesquisa de campo, com abordagem quanti-qualitativa. Os dados quantitativos são levantados por meio de formulário, através de observações sistemáticas, os qualitativos por meio de entrevistas estruturadas, aplicadas junto aos responsáveis pela manutenção do Facebook. Para a análise dos dados quantitativos, utiliza a estatística, para os qualitativos, o método análise de conteúdo. Quanto aos resultados, mostra que menos da metade das bibliotecas universitárias da UFRGS possui Facebook, sendo que o perfil é a forma de presença mais incidente. Exibe os tipos de informações divulgados pelas bibliotecas e as interações ocorridas nestes (curtir, comentar e compartilhar), de modo que as informações não relacionadas à biblioteca, mas suscetíveis a interessar os usuários são o tipo mais frequente. Averigua como foram criadas as contas do Facebook pelas bibliotecas, assim como a forma que estas as mantêm. Conclui que a maioria das bibliotecas da UFRGS que possui Facebook, apesar de não ter realizado um planejamento para a implantação da conta, comunica informações que possam ser interessantes e úteis à sua comunidade usuária e recebe um retorno por meio das interações, embora, às vezes, pequeno.</text>
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