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                  <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

O BIBLIOTECÁRIO INOVADOR

Valéria Martin Vails

RESUMO
Apresenta uma breve análise sobre a inovação em bibliotecas e discute oportunidades para
que o bibliotecário possa assumir uma nova postura pessoal e profissional frente às novas
demandas, discutindo inclusive caminhos para intensificar o potencial inovador do
bibliotecário. Realizou-se no âmbito teórico, com base em revisão de literatura realizada a
partir da consulta às principais fontes de informação da área de Ciência da Informação e
considerou também a experiência da autora como docente de graduação e pós-graduação em
temas diretamente ligados ao objeto deste trabalho. Como resultados parciais apresentou uma
coletânea de questões consideradas contemporâneas para ajudar o bibliotecário a repensar os
produtos e serviços de informação, podendo servir de impulso para a inovação na biblioteca e
concluiu que a inovação é perfeitamente aplicável à realidade das bibliotecas e merece
atenção por parte de seus gestores.
.Palavras-Chave: Inovação; Bibliotecário inovador.

ABSTRACT
Presents a brief analysis of innovation in libraries and discusses opportunities for librarians to
take on a new personal and professional attitude in the face of new demands, including
discussing ways to strengthen the innovative potential of the librarian. Was held in the
theoretical framework, based on the literature review from the query to the main sources of
the area of information science information and also considered the author's experience as a
teacher of undergraduate and graduate students on topics directly related to the object this
work. As partial results showed a collection of contemporary issues considered to help
librarians to rethink the information products and services, and can serve as impetus for
innovation in library and concluded that innovation is very applicable to the reality of libraries
and deserves attention from their managers.

Keywords: Innovation; Innovative librarian.

1 INTRODUÇÃO
O conceito de inovação normalmente está relacionado a ideias criativas, com alto
poder de transformação, sustentado por equipes altamente motivadas a olhar a realidade sob
novos prismas. Nesse sentido, inovar parece estar sempre ligado a fazer algo novo e

3107

�renovado... O que é perfeitamente aplicável a qualquer realidade, inclusive na prática
profissional do bibliotecário.
O presente trabalho pretende realizar uma breve análise sobre essa questão e discutir
oportunidades para que o bibliotecário possa assumir uma nova postura pessoal e profissional
frente às novas demandas, especialmente às relacionadas à inovação, discutindo inclusive
caminhos para intensificar o potencial inovador do bibliotecário.

2 REV ISÃ O DE LITER A TU R A
Analisando a literatura sobre o tema, descobrimos que a palavra “inovar” deriva do
latim in+novare, que significa “fazer novo”, renovar ou alterar (SAKAR, 2007, p. 29). Dessa
forma, a inovação pode compreender algo completamente novo ou algo remodelado, a partir
de algo já existente. Sob o enfoque administrativo, se relaciona a ter um conceito original, ou
muitas vezes, aplicar as ideias de outras pessoas em novidades ou de uma forma nova. Nesse
sentido, a inovação pode ser de vários tipos, desde o lançamento de novos produtos ou
serviços, melhoria de algo que já existe ou inovação organizacional, que otimiza a eficiência
da Organização. Embora seja algo certamente complexo, a inovação também pode ser
considerada uma habilidade de estabelecer relações, buscar oportunidades e tirar o máximo de
proveito destas (TIDD; BESSANT; PAVITT, 2008).
Inovação, portanto, envolve criatividade e ideias novas, mas, além disso, é necessário
que estas sejam implementadas e que tenham o seu impacto dimensionado. Um serviço
inovador na biblioteca, por exemplo, pode ser excelente, mas financeiramente inviável e
dependente de um só funcionário, o que torna essa inovação impraticável. Desta forma:
independente do tipo de inovação, se de pequena melhoria ou radical, se de
processo ou de produto, há uma sequência lógica, iniciada pelo surgimento
da ideia até sua implementação [...] Algumas ideias surgem e são
implementadas quase instantaneamente pelo próprio funcionário ou por seu
superior funcional imediato. Outras requerem anos de pesquisa,
monitoramento do ambiente, subcontratação de outras empresas e pesquisas
intensas com consumidores (TERRA, 2007, p. 23).
Os conceitos apresentados são interessantes para percebermos que, além da nova ideia
isoladamente, precisamos com certeza de um ambiente inovador, ou seja, processos, pessoas e
estruturas que apoiem a efetiva implantação da inovação e que garantam sua longevidade.
Também é primordial que o ambiente favoreça a colaboração e que de fato reconheça e
premie aqueles que têm ideias inovadoras e também aqueles que viabilizem a sua
implantação. Os colaboradores, certamente, devem estar preparados para a inovação,

3108

�predispostos a repensar a realidade e a evoluir suas atividades de acordo com as necessidades
dos clientes ou do ambiente organizacional.
Nesse contexto, considerando que a sociedade está em acelerada transformação, os
bibliotecários precisam com certeza estar antenados às transformações da comunidade a qual
atendem, identificando e gerenciando de maneira efetiva as novas necessidades e
expectativas. Não é incorreto afirmar que a inovação sempre esteve presente na biblioteca, já
que com a evolução dos suportes e das técnicas de tratamento e organização da informação e
do próprio usuário, a biblioteca (como qualquer outro sistema aberto), sofreu e continua
sofrendo impactos diretos e indiretos de vários elementos. Porém, de alguma forma, a
inovação nas bibliotecas foi impulsionada pelo uso das Tecnologias da Informação e
Comunicação (T IC s):

Com o uso das TICs as bibliotecas inovaram produtos e serviços, a noção de
valor agregado a informação ganha corpo, as bibliografias foram substituídas
por bases de dados, os levantamentos bibliográficos feitos através da cópia
xerográfica das fichas catalograficas são realizadas em pouco s minutos em
catálogos digitais, os boletins ou listas de novas a aquisições agora são
elaborados com ferramentas do software (sistema) de gerenciamento da
biblioteca e disponibilizados pelo próprio sistema, a consulta ao catálogo,
livros e periódicos eletrônicos podem ser feitos de qualquer lugar que tenha
acesso a internet, suprimindo assim a distância entre a informação e seu
usuário (RIBEIRO, 2012, p. 44).

A tecnologia certamente atua como um grande facilitador dos processos de inovação
na biblioteca e ganha cada vez mais importância, principalmente diante das mudanças sociais
que alteraram o estilo de vida da sociedade, cada vez mais antenada às questões tecnológicas.
Mas será que além da implantação de novos produtos e serviços utilizando as T I C s o
bibliotecário não pode ampliar a inovação em seu ambiente profissional, quebrando velhos
padrões e reinventando sua forma de atuação, inclusive para garantir seu bom posicionamento
profissional?
Com certeza a resposta a esse questionamento é sim, a inovação pode e deve ser uma
aliada às práticas gerenciais do bibliotecário, considerando a “inovação como um fator
estratégico para aprimorar os serviços já existentes, bem como para garantir sua
sustentabilidade” (GUILEM; TORINO; TAVARES, 2013, p.8). Reforçando essa afirmação:

3109

�Com o desenvolvimento tecnológico e as mudanças que ocorrem quase que
diariamente na sociedade os usuários buscam nas bibliotecas informação
fornecida de maneira mais rápida e atualizada, com isso os bibliotecários
tem que se adaptar a esta nova demanda, é preciso traçar um novo perfil
deste profissional da informação, alem de necessitar dos requisitos já
conhecidos como atenção, criatividade, paciência, conhecimento técnico
etc., ele deve desenvolver seu lado empreendedor (RIBEIRO, 2013, p. 1).
Cabe ao bibliotecário, portanto, buscar caminhos para ampliar a inovação na
biblioteca, o que certamente passa por um entendimento maior das oportunidades e desafios
relacionados a essa prática.

3 M A TER IA IS E M ÉTO D O S
A presente pesquisa realizou-se no âmbito teórico, com base em revisão de literatura
realizada a partir da consulta às principais fontes de informação da área de Ciência da
Informação, especialmente em comunicações de eventos. Além disso, considerou também a
experiência da autora como docente de graduação e pós-graduação em temas diretamente
ligados ao objeto deste trabalho.

4 RESULTADOS PA RCIA IS/FIN A IS
O bibliotecário deve estar em constante adaptação ao seu ambiente profissional, em
especial acompanhando as necessidades e expectativas dos usuários:
Neste contexto, infere-se que os profissionais que trabalham em Bibliotecas
e que tem como matéria-prima a informação, tenham a capacidade de lidar
de forma criativa com a disseminação do conhecimento. O bibliotecário,
além de ser um dinamizador, precisa ser um facilitador de informação
(GUILEM; TORINO; TAVARES, 2013, p. 9).

Apoiando a citada disseminação do conhecimento e com o objetivo de gerar ideias e
novos olhares em relação às práticas profissionais o Quadro 1 apresenta uma coletânea de
questões consideradas contemporâneas para ajudar o bibliotecário a repensar os produtos e
serviços de informação, podendo servir de impulso para a inovação na biblioteca:

3110

�Quadro 1 - Oportunidades de inovação na Biblioteca
A sp ecto

D e sc riçã o

C an ais d e co m u n ica çã o
m a is á g eis e efica zes

Considerando a comunicação em todos os seus aspectos: gestorEntidade
mantenedora,
gestor-colaboradores,
bibliotecausuários/comunidade, etc.
Já são realidade em diversas sistemas de bibliotecas os consórcios e
práticas colaborativas, como forma de otimizar os recursos
disponíveis.
A biblioteca acolhedora, com espaços disponíveis para seus diferentes
públicos e necessidades.
Cada vez mais a biblioteca atuará como um link entre as fontes de
informação e seus usuários.

C o la b o ra çã o n as p rá tica s
p ro fissio n a is
E sp a ço s físico s a co lh ed o res
e a cessív eis
Im p u lsio n a r o a ce sso , não
n ece ssa ria m en te
a
fo rm a çã o de acervo
In clu sã o cu ltu ra l, social e
d igital

In ter a çã o
do
físico
(p resen cia l) ao v irtu a l
M o d er n iza ç ã o das p rá tica s
g eren cia is
P ro d u to s
e
serviços
cen tra d o s no u su á rio /
clien te
N o v o s p ro d u to s e serviços
d e in fo rm a çã o

Ampliar as funções da biblioteca, não se restringindo apenas a
disponibilização da informação, mas também como centro de inclusão
e de aprendizagem, tendo como pano de fundo a responsabilidade
social.
As mídias sociais estão cada vez mais ganhando espaço nas
bibliotecas e o planejamento das bibliotecas híbridas já é uma
realidade.
Alguns temas estão ganhando cada vez mais espaço, como
empreendedorismo, sustentabilidade e colaboração.
Qualificar os estudos de usuário e implantar mecanismos eficazes para
o gerenciamento das manifestações dos usuários.

Principalmente com o apoio das ferramentas tecnológicas alguns
produtos e serviços clássicos podem ser repensados como o serviço de
referência, os catálogos, os empréstimos, etc.
Fonte: Elaborado pela autora com base em DUDZIAK (2009), GUILEM; TORINO;
TAVARES (2013) e MAMMO (2010).

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
Diante desse cenário, é recomendável que os bibliotecários estruturem processos de
inovação e implantem ferramentas apropriadas à coleta de informações de seus usuários, para
garantir que suas manifestações sejam recebidas, analisadas e, sempre que possível, atendidas.
Para garantir a eficácia dos processos de gestão, a equipe deve ser qualificada e estar sempre
informada, para que seja possível a identificação do seu grau de satisfação, do seu
comprometimento, motivação e entusiasmo!
A inovação é perfeitamente aplicável à realidade das bibliotecas e merece atenção por
parte de seus gestores, para que os produtos e serviços oferecidos aos usuários dessas
bibliotecas de fato agreguem valor, contribuindo para o seu o avanço pessoal, social e
profissional.

3111

�6 REFERÊNCIAS
DUDZIAK,

E.

Portais de Bibliotecas Universitárias e os novos contextos de

aprendizagem . In: ENCONTRO DE BIBLIOTEC@RIOS DA UNEB-EBU, 3. Salvador,
2009.

Disponível

em:

&lt;http://pt.slideshare.net/elisabeth.dudziak/portais-de-bibliotecas-

universitarias-e-os-novos-contextos-de-aprendizagem-uneb-2009&gt;. Acesso em 14 maio 2014.
GUILHEM, C. B.; TORINO, L. P. e TAVARES, H. Um olhar sobre inovação em bibliotecas
universitárias:

desafios

e

possibilidades.

In:

CONGRESSO

BRASILEIRO

DE

BIBLIOTECONOMIA, DOCUMENTAÇÃO E CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, 25., 2013,
Florianópolis.

Anais...

Florianópolis,

2013.

Disponível

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&lt;

http://portal.febab.org.br/anais/article/view/1645 &gt;. Acesso em 14 maio 2014.
MAMMO, Y. Haramaya University Library and Information Services: Looking Back and
Look Forward. The International Information &amp; Library Review , v. 42, p. 14-26, 2010.
RIBEIRO, R. M. A tecnologia da informação e comunicação (TIC): fator condicionante da
inovação em bibliotecas universitárias. Revista Digital de Biblioteconomia &amp; Ciência da

Informação,

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9,

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&lt;http://www.sbu.unicamp.br/seer/ojs/index.php/rbci/article/view/557&gt;. Acesso em 14 maio
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RIBEIRO, R.M.R. Inovando o Serviço de Referência através das novas tecnologias de
Informação e Comunicação. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE BIBLIOTECONOMIA,
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SAKAR, S. Inovação: metamorfoses, empreendedorismo e resultados. In: TERRA, J.C.C.
(Org.). Inovação: quebrando paradgimas para vencer. São Paulo: Saraiva, 2007. p. 27-31.
TERRA, J.C.C. Processos de inovação. In: TERRA, J.C.C. (O rg). Inovação: quebrando

paradigmas para vencer. São Paulo: Saraiva, 2007. p. 23-25.
TIDD, J.; BESSANT, J., PAVITT, K. Gestão da inovação. 3.ed. Porto Alegre : Bookman,
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VALLS, V. A Gestão da Inovação na Biblioteca Acadêmica . Humus News Educação,
agosto de 2013. Disponível em: &lt; http://www.humus.com.br/news/inovacao22.htm&gt;.

3112

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