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                  <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

O BIBLIOTECÁRIO E A PRÁTICA DA NORMALIZAÇÃO DE TRABALHOS

Kélia Rachel Silva
Suenia Oliveira Mendes

RESUMO
O presente estudo aborda a normalização de trabalhos acadêmicos como instrumento de
construção de conhecimento. Teve como objetivo investigar a percepção de docentes e
discentes sobre a importância da normalização bibliográfica de trabalhos escolares
desenvolvidos pela Biblioteca do Colégio Universitário (COLUN) da Universidade Federal
do Maranhão (UFMA). A pesquisa foi descritiva com abordagem qualitativa, feita com 80
alunos e 15 professores do COLUN/UFMA. A investigação aconteceu entre os anos de 2013
e 2014. Constatou-se que docentes e discentes consideram importante a utilização das normas
técnicas da ABNT, mas apesar disso os alunos não demonstram interesse em aplicá-las nos
seus trabalhos, visto que essa não é uma exigência do corpo docente da escola. A
normalização bibliográfica objetiva muito mais do que a padronização da sua estrutura, ela
possibilita que o aluno apresente o resultado da sua pesquisa com clareza de ideias e o prepara
para refletir, pois escrever não é copiar, escrever é exercer a cidadania por meio do registro de
suas interlocuções com o conhecimento.
Palavras-Chave: Normalização; Trabalhos escolares; Prática biblitecária; Prática pedagógica
pratice; Biblioteca escolar.
ABSTRACT
This study addresses the standardization of academic papers as a tool for knowledge
construction. Aimed to investigate the perception of teachers and students about the
importance of the bibliographic standardization of schoolworks developed by the Library of
Colégio Universitário (COLUN) of the Universidade Federal do Maranhão (UFMA). The
research was descriptive qualitative approach developed with 80 students and 15 teachers of
COLUN/UFMA. The research took place between the years 2013 and 2014. Was found that
teachers and students consider important the use of technical standards of ABNT, but despite
that students do not show interest in applying them in their work, since this is not a exigency
of the teachers. The bibliographic standardization objective more than the standardization of
works structure. It enables the student to show the results of their research with clear ideas
and prepares to reflect, because writing is not copy, writing is practice citizenship through
registration of their interlocution with the knowledge.
Keywords: Standardization; Schoolworks; Librarian practice; Pedagogical practice; School
library

3088

�1 INTRODUÇÃO
A Biblioteca Escolar é um espaço de interação entre aluno, professor e bibliotecário. A
relação entre esses atores contribui para que a Biblioteca se torne um ambiente de estímulo e
apoio ao processo ensino-aprendizagem e proporcione a inserção de novas práticas
pedagógicas, como é o exemplo da normalização de trabalhos escolares.
Fragoso (2002, p. 125) diz que a Biblioteca Escolar “[...] tem a função educativa, ela
representa um reforço à ação do aluno e do professor.” O aluno desenvolve habilidades de
estudos independentes e autoeducação, dessa forma, motiva-se para a incessante busca pelo
conhecimento e desenvolve hábitos e atitudes de manuseio, consulta e utilização da
informação e da biblioteca. Assim, o educador e a instituição são complementados pelos
serviços e produtos oferecidos pela Unidade de Informação (FRAGOSO, 2002).
Como interlocutor do conhecimento, da organização e da disseminação dos saberes
disponibilizados no mundo informacional, o bibliotecário deve promover práticas que
auxiliem seus usuários na aprendizagem dos conhecimentos didáticos, científicos e lúdicos,
como também desenvolver estratégias que promovam a interlocução entre as práticas
pedagógicas e os atores desse processo: o bibliotecário, o professor e o aluno, de forma a
tornar a Biblioteca um espaço promotor de aprendizagem.
Assim, pergunta-se: Qual a importância da normalização dos trabalhos escolares para
o processo ensino-aprendizagem? A partir deste questionamento a pesquisa objetivou
investigar a percepção de docentes e discentes sobre a importância e uso da normalização de
trabalhos escolares desenvolvidos pela Biblioteca do Colégio Universitário (COLUN) da
Universidade Federal do Maranhão (UFMA), que é um setor de difusão de informação com a
finalidade de contribuir para o desenvolvimento do processo ensino-aprendizagem, além de
facilitar a pesquisa, a investigação científica e cultural dos usuários.
O tema se justifica pela atuação de uma das autoras na Biblioteca do COLUN. A
escolha desta Unidade de Informação é relevante pelo fato da mesma ser vinculada ao
Colégio de Aplicação da UFMA e ser também uma das 17 bibliotecas setoriais do Núcleo
Integrado de Bibliotecas (NIB), funcionando, portanto, como uma extensão das práticas
universitárias. Dessa forma, os bibliotecários que atuam nesta Unidade são de Bibliotecas
Universitárias podendo atuar em qualquer setor do NIB. Além disso, o tema - normalização
de trabalhos acadêmicos - e sua relação com a atuação do bibliotecário é intrínseco à sua
formação e atemporal às práticas acadêmicas.
Diante dos atores - bibliotecários, docentes e discentes - o estudo pretende mostrar,
também, a importância da padronização dos trabalhos escolares para melhoria do processo

3089

�ensino - aprendizagem, bem como incentivar a adoção das normas da Associação Brasileira
de Normas Técnicas (ABNT), referentes à Informação e Documentação, como padrão dos
trabalhos apresentados pelos alunos do Colégio Universitário da Universidade Federal do
Maranhão (UFMA).

2 REVISÃO DE LITERATURA
Nos cursos superiores, os trabalhos denominados acadêmicos ou didáticos são
considerados relatórios ou relatos de pesquisa, isto é, conforme Severino (2007), os trabalhos
didáticos devem resultar de estudos orientados pelos métodos de reflexão e pesquisa.
Os trabalhos acadêmicos são realizados como atividades de aprendizagem para
ampliar ou aprofundar conhecimentos e exercitar “[...] a forma científica de lidar com um
tema [...]”, como é apontado por Magro (1979).
É objeto deste estudo o trabalho escolar como uma atividade pedagógica que se
constitui uma ferramenta de construção do conhecimento, visto que sua elaboração prescinde
a pesquisa e a leitura que são grandes aliados do processo ensino-aprendizagem.
Nesse contexto e de acordo com Severino (2007, p. 25, grifo nosso)
A atividade de ensinar e aprender, ou seja, educar está intimamente
vinculada a esse processo de construção de conhecimento, pois ele é a
implementação de uma equação com a qual educar (ensinar e aprender)
significa conhecer; e conhecer por sua vez, significa construir o objeto; mas
construir o objeto significa pesquisar [...] Sendo o conhecimento construção
do objeto que se conhece, a atividade de pesquisa torna-se elemento
fundamental e imprescindível no processo ensino/aprendizagem.

Entretanto, o que se percebe é que desde o Ensino Fundamental o aluno considera a
pesquisa uma tarefa difícil e sem importância, fato que contribui para que grande parte desses
estudantes deixe de fazer seus trabalhos escolares ou limite-se a fazer cópias de capítulos de
livros ou de textos encontrados na internet. Assim, na maioria das vezes, essa atividade
pedagógica é desenvolvida de forma superficial, sem qualquer aprofundamento da leitura e
geralmente estendida até a vida acadêmica.
Reforçando a opinião da extensão do aluno copista da Educação Básica, Pinto (2009,
p. 01) comenta que “[...] vivemos o fenômeno do aluno-copista, que reproduz em suas
pesquisas e trabalhos acadêmicos aquilo que outros disseram, sem nenhum juízo de valor, de
crítica ou apreciação”.
A falta de conhecimento dos alunos sobre a ética da produção científica tem sido causa
da desmotivação e até mesmo da desistência de alguns alunos no decorrer da sua vida

3090

�acadêmica, pois mudar hábitos já arraigados é mais difícil que apreender um novo
conhecimento.
A prática da normalização iniciada desde o ensino fundamental e/ou ensino médio
contribuirá para que o aluno elabore seus trabalhos de forma inteligível e com ideias bem
estruturadas, o que certamente evitará que ao chegar à universidade este se depare com
situações conflituosas no momento da construção dos seus trabalhos acadêmicos ou mesmo
que recorra ao plágio.
Macedo (1989, p. 369), corrobora com esse pensamento quando escreveu que
A normalização não é um fim, mas um meio, uma postura de espírito que vai
sendo adquirida com o exercício da pesquisa e do trabalho documentado, e
isso poderá ser desenvolvido a partir de 6as. séries quando se pretende
desenvolver a criatividade através de trabalhos escritos, orais e muita leitura.
Se os professores de 1° grau e até de pré-escola estiverem alertados para as
questões de pesquisa e normalização, metodologia da pesquisa bibliográfica
e uso da biblioteca, muita coisa já poderá ser dirigida para a aquisição de
uma pré-postura científica do seu alunado, evitando a defasagem dos alunos
quando entram na universidade.

A escola enquanto espaço privilegiado de sistematização e transmissão de
conhecimento necessita incluir no seu Projeto Político Pedagógico a normalização de
trabalhos baseada nas normas da ABNT, para que essa se torne uma prática pedagógica de
uniformização dos procedimentos de elaboração dos trabalhos escolares. Assim, professores e
alunos deverão fazer uso da normalização na redação dos trabalhos das diferentes disciplinas
ministradas nas turmas do ensino fundamental, médio e técnico; pois de acordo com Rother
(2011), a normalização traz inúmeros benefícios por ser uma atividade que padroniza e
facilita a recuperação da informação, garantindo o uso e a disseminação dos conteúdos
pesquisados independentemente do nível formal de educação.

2 MATERIAIS E MÉTODOS
A pesquisa foi descritiva com abordagem qualitativa, na qual para coleta de dados
utilizou-se um questionário com perguntas abertas, pois segundo Trivinos (1990, p. 146) é um
dos principais meios para realizar a coleta de dados, visto que “[...] ao mesmo tempo em que
valoriza a presença do pesquisador, oferece todas as perspectivas possíveis para que o
pesquisado tenha liberdade e espontaneidade durante a pesquisa”. A investigação com os
alunos foi desenvolvida no segundo semestre de 2013, junto a 48 discentes do terceiro ano do
Ensino Médio e 32 do curso Técnico em Administração, totalizando 80 alunos do
COLUN/UFMA.

3091

�Ainda, no ano de 2013, foram ministrados minicursos sistemáticos com duração de 4h
e distribuído o manual: “Normalização de trabalhos escolares: orientações básicas”, elaborado
com base nas normas técnicas da ABNT com o objetivo de descrever os procedimentos
apropriados para a elaboração dos trabalhos escolares, como também servir como fonte de
consulta para alunos e professores.
Na segunda fase, em março de 2014, foram pesquisados 15 professores dos cursos
Técnicos em Administração, Enfermagem e Meio Ambiente do COLUN. Os docentes
participaram da pesquisa a fim de que fossem melhor analisadas as respostas dos alunos sobre
a não utilização das normas da ABNT nos trabalhos escolares.
Para manter o sigilo dos depoimentos dos entrevistados e preservar a identidade dos
mesmos, optou-se por representar os depoimentos como descrito abaixo:
a) professores: P1, P2, P3, P4, P5,P6, P7 .... e P15;
b) alunos: A1, A2, A3, A4, A5, A6, A7 .... e A80.
A medida do anonimato garante a exigência da ética quando se pesquisa seres
humanos.

3 Resultados

A adoção das normas da ABNT para informação e documentação gera segurança,
economia e facilidade de intercâmbio, portanto é considerada como a solução para a
padronização e para a garantia da ética da produção científica, visto que a utilização das
citações e referências dá qualidade e credibilidade aos trabalhos acadêmicos e escolares.
Barbosa, Ramos e Ciríaco (2010, p. 5) comentam que
Iniciar uma pesquisa científica, seja no ensino médio, seja na universidade,
levará o estudante ao amadurecimento de suas idéias e conceitos, estimulará
sua criticidade e promoverá uma maior responsabilidade do mesmo com
relação ao seu ambiente e com o mundo.

Após análise das respostas quanto à percepção de professores e alunos sobre a
importância da adoção das normas disponibilizadas no “Manual de Normalização de
Trabalhos Escolares”, chegou-se a alguns resultados que serão apresentados a seguir:
Por meio das entrevistas com os alunos e durante os minicursos pôde-se verificar que
os alunos reconhecem a importância da aplicação da normalização para a melhoria do
processo ensino-aprendizagem (Quadro 1), entretanto não demonstram interesse em aprender
a utilizá-la.

3092

�Os alunos foram unânimes ao citar como justificativa para o desinteresse pela
normalização, o fato dos professores não exigirem que os trabalhos sejam apresentados de
forma padronizada de acordo com as normas da ABNT.
O Quadro 1 compara as percepções de docentes e discentes sobre a importância da
normalização das atividades escritas desenvolvidas no COLUN da UFMA.

Quadro 1 - Percepção de professores e alunos sobre a importância da normalização dos
trabalhos escolares.
IMPORTÂNCIA DA NORMALIZAÇÃO DOS TrRABALHOS ESCOLARES
Professores
Alunos
P1: melhora a qualidade do trabalho
P4: facilita a leitura do trabalho
P5: o aluno desde cedo já deve aprender essas
normas
P7: muito importante para o aluno
P10: não em todas as disciplinas, porque algumas
têm conteúdos muito técnicos
P11: é importante, mas nem sempre é necessário
P 15: quando o aluno chegar no curso superior
terá noções de normalização

A3: é importante somente no curso superior
A 4: fica com uma apresentação melhor
A6: é importante porque o professor pode
avaliar melhor o trabalho
A 7: facilita a análise do trabalho
A11: não considero importante
A13: é importante em algumas disciplinas
A15: o professor valoriza quando o trabalho
está organizado

Fonte: Dados da pesquisa.

Diante dos resultados do Quadro 1, pode-se constatar que docentes e discentes
consideram importante a utilização das normas técnicas na apresentação de trabalhos, visto
que o uso de padrões possibilitam o domínio progressivo das práticas da normalização de
acordo com as normas estabelecidas pela ABNT, que é o órgão responsável pela
normalização técnica no país.
É importante esclarecer que o “Manual de Normalização de Trabalhos Escolares” foi
elaborado pela Bibliotecária do Colégio Universitário que o disponibiliza para docentes e
discentes a fim de que seja utilizado como apoio na elaboração dos trabalhos. Vale salientar
ainda que semestralmente a bibliotecária ministra oficinas de orientação de normalização de
trabalhos escolares.
Com o intuito de saber se o trabalho desenvolvido pela Bibliotecária estava sendo
valorizado por alunos e professores do COLUN, perguntou-se aos primeiros com que
frequência eles elaboravam seus trabalhos obedecendo as normas expostas no manual (Tabela
1) e aos segundos com que frequência eles exigiam que os trabalhos da sua disciplina fossem

3093

�elaborados de acordo com as normas apresentadas no “Manual de Normalização de Trabalhos
Escolares” (Tabela 2)

Tabela 1 - Respostas dos alunos quanto à frequência da elaboração dos trabalhos escolares
obedecendo às normas apresentadas no “Manual de Normalização de Trabalhos Escolares”.
RESPOSTAS
Sim
Não
Algumas vezes
Raramente
Total

N

%

11
22
9
38

13,75
27,50
11,25
47,50

80

100,0

Fontes: Dados da pesquisa.

A Tabela 1 demonstra que apesar da oferta da oficina e da distribuição do Manual
somente 13,75% dos alunos tem o hábito de elaborar seus trabalhos obedecendo às normas do
“Manual de Normalização de Trabalhos Escolares”. Esse fator é preocupante à medida que
pode provocar a desmotivação do profissional da informação para o desenvolvimento de uma
atividade de suma importância para o processo ensino-aprendizagem, pois, como visto, a
maioria (86,25%) não faz seus trabalhos conforme o manual ou faz somente algumas vezes.
A Tabela 2 demonstra a quantificação das respostas dos professores quanto à
exigência dos trabalhos conforme as normas da ABNT simplificadas no Manual.

Tabela 2 - Mostra da quantificação das respostas dos professores quanto à frequência da
exigência da normalização dos trabalhos conforme o “Manual de Normalização de Trabalhos
Escolares”.
RESPOSTAS
Sim
Não
Algumas vezes
Raramente
Total

N
5
3
3
4
15

%
33,3
20,0
20,0
26,7
100,0

Fontes: Dados da pesquisa.

A Tabela 2 mostra que 33,3% dos professores consideram importante a normalização.
E que a maioria (66,6%= respostas “NÃO”, “ALGUMAS VEZES” e “RARAMENTE”) não

3094

�exige de seus alunos os trabalhos normalizados. Verifica-se que a resposta dos docentes
reforça a dos alunos que alegam que a falta de prática deve-se ao fato dos professores não
exigirem a utilização das normas nas pesquisas escritas.
Diante desse contexto, e para melhor análise, serão descritas a seguir mostras das
respostas de docentes e discentes quanto à utilização das normas contidas no “Manual de
Normalização de Trabalhos Escolares”. Para tanto, as referidas respostas encontram-se
categorizadas de acordo com a resposta fornecida pelos entrevistados: SIM, ALGUMAS
VEZES, RARAMENTE e NÃO. As perguntas feitas aos professores e alunos foram:
a) “Professor, você solicita que os trabalhos da sua disciplina sejam elaborados
conforme as orientações básicas do “Manual de Normalização de Trabalhos
Escolares? Por quê?”. Abaixo estão expostas as respostas,
- ( x ) SIM
—Sim, apesar das contestações eles são cobrados para entregar os
trabalhos dentro das normas do manual ” (P 1).
—Sim, apesar de ser chamado de chato estou sempre solicitando os
trabalhos normatizados ” (P6).
—Sim, mas só cobro algumas coisa que considero principal, como
introdução, conclusão e as referências, mas não exijo aquelas
minuciosidades ” (P9).
“Sim, entretanto priorizo os tópicos principais com introdução,
conclusão e as bibliografias.” (P13).
—Sim, sempre solicito que eles sigam as regras pq isso além de tudo
facilita a minha avaliação.” (P15).
- ( x ) ALGUMAS VEZES
—
Algumas vezes, cobro somente alguns itens.”(P 10).
—
Algumas vezes, dependendo do tipo de trabalho que eu solicito ”
(P11).
—
Algumas vezes, pq em alguns casos o tipo de trabalho solicitado não
precisa ser normalizado.” (P14).
- ( x ) RARAMENTE
—
Raramente, porque como a minha disciplina é técnica acho que o
trabalho não necessita está normalizado ” (P2).

3095

�“Raramente, porque a maioria deles diz que já perdeu o manual, ou
que não encontrou etc...” (P5).
“Raramente, pq nem sempre o tempo de preparação permite a
normalização ” (P12).
“Raramente, porque na matemática acho que como é mais cálculo é
difícil normalizar um trabalho ” (P 7).
- ( x ) NÃO
“Não. Acho importante, mas eles reclamam muito e acabam não
entregando de acordo com o manual. ” (P3).
“Não, porque antes do manual eu já havia explicado o básico das
normas, tipo sumário, introdução e conclusão, então na verdade não
utilizo as orientações do manual .” (P4).
b)

“Com que frequência você elabora seus trabalhos escolares de acordo com

as orientações básicas do “Manual de Normalização de Trabalhos Escolares? Por
quê?”,
- ( x ) SIM
“Porque acredito que quando o trabalho está normalizado o
professor dá mais credibilidade ao conteúdo.” (A7). “Porque sempre
ganho uma nota melhor quando o trabalho está bem
organizado”(A15).
- ( x ) ALGUMAS VEZES
“Porque são poucos os professores que exigem a utilização das
normas” (A25).
“Porque os professores não pedem, acho que se eles pedissem todos
os alunos usariam as normas.” (A 17).
- ( x ) RARAMENTE
“Porque só faço normalizado quando o professor pede e é muito raro
isso acontecer.” (A13).
“Porque dá muito trabalho e além do mais os professores não exigem
que os trabalhos sejam padronizados.” (A31).
- (x ) NÃO
“Porque dá mais trabalho pra fazer e mesmo assim os professores
não fazem essa exigência.” (A3).
“Vários professores passam trabalho ao mesmo tempo e isso dificulta
que possamos nos dedicar para elaborar um trabalho dentro das
normas.” (A 12).

3096

�Comparando as informações contidas no Quadro 1, nas Tabelas 1 e 2 e nas respostas
transcritas dos docentes e discentes, percebe-se que existe uma contradição em suas falas,
pois ambos consideram importante a padronização técnica dos trabalhos como instrumento de
apoio didático - pedagógico, entretanto nenhum desses atores faz dessa atividade um
cotidiano na vida escolar.
Os professores não exigem que os trabalhos sejam elaborados com base nas normas do
“Manual de Normalização de Trabalhos Escolares” e os alunos por sua vez não se sentem na
obrigação de utilizar as referidas normas. Isto nos leva a interpretação de que o desinteresse
dos alunos dá-se em decorrência da falta de conscientização e cobrança dos professores.
A incongruência entre as respostas torna-se clara quando analisamos a fala de P4 que
afirma considerar importante a normalização, entretanto nos trabalhos da sua disciplina a
exigência restringe-se somente ao que ele chama de “básico das normas”: sumário, introdução
e conclusão. Isso na verdade demonstra a pouca importância que o professor atribui à
normalização (citação e referências) determinada pela ABNT. Esse fato é confirmado na fala
do aluno A17 que diz que não elabora seus trabalhos dentro das normas porque os professores
não exigem e afirma que se eles exigissem todos os alunos usariam as normas.
Diante desse contexto, é notório que tanto os docentes quanto os discentes do Colégio
Universitário da UFMA ainda não têm consciência da real importância da normalização como
uma atividade pedagógica que, se utilizada corretamente, vai garantir a padronização dos
trabalhos escolares proporcionando-lhes qualidade e credibilidade.
Apesar de toda a resistência para a utilização do Manual de Normalização, a
Biblioteca do COLUN continua com seu trabalho de conscientização e orientação seja por
meio da oferta de oficinas e/ou de minicursos ou por meio do manual, a fim de que docentes e
discentes tornem-se adeptos ao uso das normas e que estes consigam não só reconhecer a
importância, mas sim o uso das normas para a melhoria do processo ensino - aprendizagem.

4 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A normalização dos trabalhos escolares objetiva muito mais do que a padronização da
sua estrutura. Ela possibilita que o aluno apresente o resultado da sua pesquisa com clareza de
ideias, fator que facilita o entendimento do texto e, consequentemente, uma melhor análise do
conteúdo apresentado.
Diante disso, considera-se que a adoção das normas bibliográficas disponibilizadas no
“Manual de Normalização de Trabalhos Escolares” é um importante instrumento didático pedagógico na medida em que possibilita uma melhor fundamentação das ideias e

3097

�organização do pensamento dos alunos no momento da elaboração dos trabalhos das mais
diversas disciplinas.
A normalização objetiva também levar o aluno a conhecer e desenvolver as etapas
necessárias para realizar sua pesquisa, possibilitando a utilização de elementos básicos que
permitirão a identificação, a consulta e a recuperação da informação. Facilita, ainda, o
processo de comunicação “da mensagem” que estará disposta de forma correta, estruturada e
inteligível no documento escolar produzido pelo aluno, possibilitando a sua inserção no
ambiente informacional de forma segura, evitando o plágio.
Os resultados obtidos sugerem que seja desenvolvido junto ao corpo docente um
trabalho de incentivo no que diz respeito à adoção das normas apresentadas no manual
“Normalização de trabalhos escolares: orientações básicas”. Sugere-se ainda que a Biblioteca
do COLUN estenda aos alunos do Ensino Fundamental o minicurso com as orientações
necessárias para a aplicação das normas, de forma que paulatinamente a apresentação de
trabalhos normalizados faça parte do cotidiano da escola.
Considera-se de suma importância o desenvolvimento de um trabalho em conjunto
entre professores, bibliotecários (orientadores) e alunos (orientando), com o intuito de que a
produção textual desses discentes seja pautada na pesquisa, leitura, interpretação, reflexão e
escrita. Entretanto ressalta-s a necessidade de uma maior contribuição do professor no sentido
de:
a) orientar, familiarizar e incentivar o aluno para o uso das normas;
b) tornar a padronização dos trabalhos uma atividade comum;
c) cobrar a aplicação das normas de forma que estas façam parte do cotidiano da
vida escolar dos alunos do COLUN da UFMA.
Conclui-se que a intersecção professor - bibliotecário deve ser simples, objetiva e
clara para que todos os envolvidos estejam conscientes de suas responsabilidades e possam
direcionar o aluno a ampliar e garantir a segurança dos caminhos para a construção do
conhecimento.

6 REFERÊNCIAS
BARBOSA, Elvina Maria de Sousa; RAMOS, Joelson; CIRÍACO, Maria do Socorro S.
Despertando para a produção intelectual: a importância da pesquisa científica. In: Encontro
Regional de Biblioteconomia e Documentação, 13., Teresina: 2010. Anais... Teresina:
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3098

�FRAGOSO, G. M. Biblioteca na escola. Revista ACB: Biblioteconomia em Santa Catarina,
Santa

Catarina,

v.

7,

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1,

p.

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http://revista.acbsc.org.br/racb/artide/view/380/460&gt;. Acesso em: 12 abr. 2014.
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3099

�</text>
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                <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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      <name>Dublin Core</name>
      <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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              <text>O presente estudo aborda a normalização de trabalhos acadêmicos como instrumento de construção de conhecimento. Teve como objetivo investigar a percepção de docentes e discentes sobre a importância da normalização bibliográfica de trabalhos escolares desenvolvidos pela Biblioteca do Colégio Universitário (COLUN) da Universidade Federal do Maranhão (UFMA). A pesquisa foi descritiva com abordagem qualitativa, feita com 80 alunos e 15 professores do COLUN/UFMA. A investigação aconteceu entre os anos de 2013 e 2014. Constatou-se que docentes e discentes consideram importante a utilização das normas técnicas da ABNT, mas apesar disso os alunos não demonstram interesse em aplicá-las nos seus trabalhos, visto que essa não é uma exigência do corpo docente da escola. A normalização bibliográfica objetiva muito mais do que a padronização da sua estrutura, ela possibilita que o aluno apresente o resultado da sua pesquisa com clareza de ideias e o prepara para refletir, pois escrever não é copiar, escrever é exercer a cidadania por meio do registro de suas interlocuções com o conhecimento. </text>
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