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                  <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

MEMORIAL DENIS BERNARDES PRESERVAÇÃO DA MEMÓRIA NA
UNIVERSIDADE FEDERAL DE PERNAMBUCO
Ana Cláudia Gouveia Araújo
Susimery Vila Nova
Maurício Rocha de Carvalho
Marcos Galindo
RESUMO
O Memorial Denis Bernardes (MDB) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) é uma
das ações estratégicas do Sistema Integrado de Bibliotecas (SIB), da Secretaria de Gestão da
Informação e Comunicação (SeGIC) e do Laboratório de Tecnologia da Informação (Líber)
em parceria com o Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo (IEB/USP).
O presente artigo tem como objetivo descrever as ações do MDB como organização que visa
cumprir a função social de resgate, preservação e disseminação da memória produzida na
universidade. A partir de pesquisa de natureza descritiva, o presente relato de experiência
apresenta como estão sendo aplicadas as técnicas da Arquivística, Biblioteconomia e Ciência
da Informação no MDB. Segue etapas de levantamento bibliográfico sobre os temas Memória
na Ciência da Informação, Arquivologia, Metadados descritivos, bem como observação das
técnicas e procedimentos já desenvolvidos no IEB para a implantação de um centro de
pesquisa. O acervo do Memorial foi formado por produções acadêmicas e documentos
administrativos da Instituição, o que resultou em onze fundos documentais em fase de
inventário, descrição e organização.
Palavras-Chave: Memorial Denis Bernardes; Memória; Universidade Federal de
Pernambuco; Preservação; Conservação.
ABSTRACT
The Memorial Denis Bernardes (MDB) of the Federal University of Pernambuco (UFPE) is
one of the strategic actions of the Integrated Library System (SIB), the Department of
Information Management and Communication (SeGIC) and Information Technology
Laboratory (Liber) in partnership with the Institute for Brazilian Studies, University of São
Paulo (IEB / USP). This article aims to describe the actions of the MDB as an organization
which seeks to meet the social function rescue, preservation and dissemination of memory
produced at the university. From descriptive research, this experience report shows how
techniques of Archival, Library and Information Science in MDB are being applied. Follow
steps a literature on memory in Information Science, Archival, descriptive metadata issues, as
well as observation techniques and procedures already developed in IEB for the
implementation of a research center. The Memorial collection was formed of academic
productions and administrative documents of the institution, which resulted in eleven
documentary funds in the inventory phase, description and organization.
Keywords: Denis Bernardes Memorial; Federal University of Pernambuco; Memory;
Preservation; Conservation.

2952

�1 INTRODUÇÃO
A Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)345, cuja Instituição nascera com a
Faculdade de Direito, em 1827, e obteve reconhecimento da Federação em 1946, reuniu no
decorrer dos seus 67 anos de existência, conjuntos de documentos indispensáveis à
reconstituição de sua própria história, bem como forte apoio à produção de pesquisa científica
por seus quadros de pesquisadores.
Chegamos ao início do século XXI sem que a UFPE dispusesse de um espaço que
permitisse, não só a construção, mas principalmente a preservação do conhecimento
científico, tecnológico e cultural e que promovesse o acesso e a ampla disseminação da
informação em seus diversos suportes em apoio ao ensino, à pesquisa e à extensão.
Neste sentido, o Sistema Integrado de Bibliotecas (SIB)346, atendendo a sua missão e
em parceria com a Secretaria de Gestão da Informação e Comunicação da UFPE (SeGIC)34748,3
propuseram a implementação do Memorial Denis Bernardes (MDB) na Biblioteca Central.
Busca-se, com este espaço, disponibilizar ao público acervos históricos e raros da
universidade, reunindo em um só lugar dotado de toda infraestrutura necessária a partir de
obras raras e coleções de intelectuais e pesquisadores, criando um espaço responsável pela
assimilação, higienização, tratamento e restauração de todos os acervos institucionais ou
pessoais de interesse, contribuindo assim para a guarda e acesso da história e da cultura de
nossa universidade, bem como do nosso Estado.
O MDB da UFPE está destinado ao restauro, conservação, preservação e disseminação
da informação científica de caráter histórico produzida na Instituição. Seu objetivo é viabilizar
o acesso aos conjuntos de documentos indispensáveis à reconstituição da memória
institucional e da cultura local, visando otimizar o emprego dos recursos tecnológicos
necessários para o acesso ao seu conteúdo informacional e à conservação e disponibilização
desses documentos. Destarte, o Laboratório de Tecnologia da Informação (Líber) do
Departamento de Ciência da Informação, a SeGIC e o SIB/UFPE formulou o projeto de
criação do Memorial em parceria com Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São
Paulo

(IEB/USP), centro multidisciplinar de pesquisa e documentação sobre a história e

culturas do Brasil, de reconhecimento internacional.

345 A história da Universidade Federal de Pernambuco inicia-se em 11 de agosto de 1946, data de fundação da
Universidade do Recife (UR), criada por meio do Decreto-Lei da Presidência da República n° 9.388, de 20 de
junho de 1946.
346 http://www.ufbe.br/sib/
347 httb://www.ufbe.br/segic/
348 http://www.ieb.usp.br/

2953

�O acervo do MDB, apesar de já estar acondicionado em estantes deslizantes
apropriadas para armazenar as tipologias documentais, necessita ambiente de restauro,
higienização; identificação, arranjo e tratamento da informação (arranjo/classificação,
catalogação, indexação); e digitalização para, assim, ser disponibilizado para o público no
repositório institucional (RI) que também está em fase de instalação pela SeGIC e SIB.
2 REVISÃO DE LITERATURA
Em 2006, para marcar a efeméride da fundação, a UFPE instituiu uma comissão de
notáveis pesquisadores reunida para resgatar sua memória institucional. Para abrigar o acervo
recolhido, a comissão gestora das comemorações deveria recuperar, através de depoimentos,
fotografias, livros, jornais e objetos significativos, a história da universidade desde o início de
sua fundação. O projeto da comissão previa criar uma unidade de custódia e pesquisa para
gerenciar o material recolhido e deixá-lo disponível para consulta da comunidade, porém,
infelizmente esta unidade não pode ser criada na ocasião das comemorações.
Um dos membros mais ativos desta comissão foi o professor Denis Bernardes que
dedicou sua vida acadêmica à UFPE onde iniciou a sua formação de historiador e foi
professor desde 1975. Foi editor da Revista Estudos Universitários da UFPE, cargo que
ocupou até seu falecimento em 1° de setembro de 2012. Denis lecionou e pesquisou nos
departamentos de Economia, posteriormente no Departamento de Serviço Social e, mais
recentemente, no Programa de Pós-Graduação em Ciência da Informação, em que dedicou
suas mais recentes pesquisas à relação entre memória, informação e sociedade.
O ex-professor era defensor da preservação da memória científica e cultural e realizou
pesquisas relevantes sobre o tema. Concordamos com ele quando afirma
A memória é ao mesmo tempo o último refúgio da vida humana, aquilo que
fica quando tudo já não mais existe e, ao mesmo tempo é algo extremamente
frágil, que pode se apagar inteiramente e não apenas pela passagem do
tempo. [...] O reconhecimento ao direito à memória inscreveu-se
recentemente entre os novos direitos humanos. A recente aprovação da
Comissão da Verdade é, de fato, o reconhecimento do direito à memória.
Para poder estabelecer a verdade é preciso saber o que se passou, como se
passou e quem foram os agentes do acontecido. Portanto, é preciso fazer
emergir ou reemergir uma memória. Seja aquela que ficou retida em algum
documento, seja a que existe naqueles que participaram no que se passou ou
que dele souberam de alguma maneira (BERNARDES, 2012, p.18).
O autor complementa que, nos últimos anos do século XX, a memória adquiriu maior
relevância, tornando-se tema em várias publicações do mundo e mais presente nos ambientes
sócio-acadêmico-culturais em função das novas possibilidades de sua preservação e
disseminação através do uso da informática (BERNARDES, 2012).

2954

�Halbwachs (2006, p. 101) diz que “o único meio de preservar as lembranças é fixá-las
por escrito em uma narrativa, pois os escritos permanecem, enquanto as palavras e os
pensamentos morrem”.

O autor transcende conceitos de memória interna com uma

abordagem que salienta a preservação dessa memória em registros escritos, cujo sentido se
amplia para uma memória coletiva, social.
Em consonância com as afirmações dos autores supracitados, o MDB se propõe a
desenvolver técnicas de preservação, conservação e disseminação da memória científica
produzida pela UFPE e da memória de Pernambuco a fim de cumprir sua função social de
divulgar a memória registrada que é representação da memória coletiva, atuando como
estímulo à produção de novos conhecimentos.
Estudos como os de Pavezi (2010), Nunes (199-) e Galindo (2010) discutem a
premência em se preservar a memória coletiva, tendo em vista que os estados de conservação
de acervos documentais (textuais, imagéticos e audiovisuais) de instituições públicas e
privadas, tais como museus, bibliotecas e arquivos, essenciais para a memória sócio-cultural
do Estado de Pernambuco, não estejam preservados a contento. “A memória, onde cresce a
história, que por sua vez a alimenta, procura salvar o passado para servir o presente e o futuro.
Devemos trabalhar de forma que a memória coletiva sirva para libertação e não para a
servidão dos homens” (LE GOFF, 1994, p. 477).
Associada à ausência de preservação adequada, há pouca adoção de políticas e
critérios voltados à organização da informação e disseminação em ambiente digital dos
estoques informacionais. O paradigma de guarda ainda é presença marcante, em detrimento
de esforços no sentido da preservação e acesso, ou ainda, acesso e inovação, pois acessar o
conhecimento registrado pode trazer possibilidades de construção de novos conhecimentos e
beneficiar o crescimento econômico e social do Estado e do país. O paradigma custodial,
citado por Malheiro; Ribeiro (2011) ainda predomina nas bibliotecas, museus, arquivos, aqui
denominados instituições de memória349 públicas ou privadas.
Além desses locais, podemos considerar também como elementos representativos para
a memória coletiva acervos criados/desenvolvidos ao longo do tempo de funcionamento dos
serviços de uma instituição pública administrativa, como é o caso da Faculdade de Medicina e
Escola de Belas Artes da Universidade do Recife, que funcionaram antes da existência do
campus universitário.

349 Lugares reservados para custodiar a produção intelectual de um grupo, de uma nação, ou seja, um lugar para a
memória (MALHEIRO, 2006).

2955

�A documentação custodiada no MDB envolve vários fundos documentais com
tipologias variadas de documentos, cada um com sua peculiaridade. Alguns já se encontram
digitalizados, entretanto, ainda indisponíveis em ambiente digital. Para tratar a informação e
viabilizar o acesso a tais acervos no repositório institucional sabemos que é necessário seguir
parâmetros, regras, conceitos desenvolvidos na Ciência da Informação (CI), bem como outras
ciências interdisciplinares, principalmente a Ciência da Computação.
A Arquivística nos diz que devemos respeitar o Princípio da Proveniência, segundo o
qual deve ser mantida a individualidade dos arquivos que provêm de uma entidade e de
acervos pessoais que são doados ou ficam sob custódia em um local, não sendo misturados
aos de origens diversas. Ampliando este conceito para o documentos digitais, Malheiro et al.
(2009, p. 165-166) afirmam
A redescoberta do significado e do valor da proveniência surgiu, em grande
medida, devido a uma necessidade de preservar a identidade da informação
arquivística no mundo dos documentos eletrônicos. Estes novos documentos
que, numa primeira fase pareciam vir pôr em causa os tradicionais princípios
da Arquivística, acabaram por contribuir para a sua consolidação e para uma
fundamentação teórica mais consistente.
De acordo com o ciclo vital dos documentos, que são divididos em arquivos correntes,
intermediários e permanentes, os acervos administrativos constantes no MDB constituem
documentação permanente. Nos processos de organização da informação de materiais
bibliográficos, audiovisuais e arquivísticos, os metadados têm sido bastante utilizados para
descrição física para viabilizar melhor recuperação da informação em ambiente digital.

2.1 Metadados
Metadados são informações descritivas de um documento impresso ou digital, tais
como: autor, título, data, editora, local, etc. Entretanto, o mais importante a se destacar aqui é
a utilidade desta ferramenta e quais seus benefícios no ambiente digital.
A definição de metadados da International Federation of Library Associations (IFLA)
trazida por Breitman (2005) diz que “Metadados são dados sobre dados. O termo se refere a
qualquer informação utilizada para a identificação, descrição e localização de recursos.”
A origem do termo metadado, prefixo grego meta e origem latina datam/s,
por Jack E. Myers com a intenção inicialmente sem significado algum, de
utilização de um termo para designar sua empresa Metadata Information
Partners. Esta marca METADATA® foi registrada em 1986 na Oficina de
Patentes e Marcas dos Estados Unidos. Com o passar dos anos e com o
desenvolvimento da teoria de metadados, o seu uso convencional ficou
vinculado à descrição de recursos na internet (BORBA, 2009, p. 88).

2956

�De acordo com Baracho, Cendon e Alvarenga (2010, p. 3)
Na ciência da informação, considera-se metadado o atributo utilizado para
caracterizar uma entidade. Por exemplo, a entidade livro possui atributos tais
como autor, título, número de páginas. Os atributos são inerentes à entidade
enquanto os metadados são escolhidos entre os atributos de acordo com a
necessidade do usuário de um sistema de recuperação da informação.
Nesta perspectiva, os metadados têm sido considerados como elementos essenciais
para a melhoria do processo de recuperação de informações na web. São utilizados para
descrição, descoberta, localização e avaliação de recursos na Rede, onde o conceito de recurso
está relacionado a um objeto da web, identificado por uma Uniform Resource Locator (URL).
Segundo Kenney; Rieger; Entlich (200?), existem três tipos de metadados na área de
preservação e digitalização de imagens: os metadados descritivos, que descrevem o conteúdo
dos recursos informacionais; os metadados estruturais, que fornecem insumos sobre a
estrutura de armazenamento das fontes de dados e os metadados administrativos, que
controlam o acesso a cada um dos recursos informacionais identificados.
Gilliland-Swetland (2000) apresenta os tipos de metadados quanto a sua função,
conforme podemos observar no quadro 1:
TIPO

D E FIN IÇ Ã O

E X E M PL O S

Metadados utilizados na gerência e na
administração de recursos de
A dm inistrativo informação

D escritivo

P reservação

T écnico

D e Uso

Aquisição de informação
Registro de direitos e reprodução
Documentação dos requisitos legais de acesso
Informação de localização
Critérios de seleção para a digitalização
Controle de versão
Metadados utilizados para descrever e Registros de catalogação
identificar recursos de informação
Auxílio para a procura de informação
Indexes especializados
Utilização de hiperlinks entre recursos
Anotações
Metadados relacionados ao
Documentação sobre a condição física dos
gerenciamento dos recursos de
recursos
Documentação sobre as ações tomadas de
informação
modo a preservar as versões físicas e digitais
dos recursos, e.g., atualização e migração
Metadados relacionados a
Documentação sobre hardware e software
funcionalidades do sistema e como seus Informação relativa à digitação, e.g., formatos,
metadados se comportam
compressão, rotinas de escalonamento Registro
do tempo de resposta do sistema Autenticação
de dados, e.g., senhas e criptografia
Metadados relacionados ao nível e ao Registro de exibição
tipo de utilização dos recursos
Registro do uso e dos usuários dos recursos
Reutilização do conteúdo e informação relativa
a multiversionamento

Quadro 1- Tipos de metadados quanto a sua função
Fonte: Gilliland-Swetland (2000).

2957

�Inicialmente, identificamos os metadados descritivos como os mais adequados para o
estudo proposto, tendo em vista estar relacionado à elaboração de proposta de representação
da informação para fins de recuperação. Entretanto, tal opção não exclui outros tipos, mais
precisamente, os metadados de preservação.
Um dos padrões de metadados mais conhecido é o Dublin Core (DC)350. Borba
(2009, p. 59) diz que “O Dublin Core é um padrão de metadados mantido pela Dublin Core
Metadata Initiative (DCMI) e suas especificações são autorizadas pelos padrões ISO 15836­
2003 e NISO Z39.85- 2001, que autorizam a descrição documental com qualidade.” Ele
apresenta os seguintes elementos de descrição, de acordo com o quadro 2:

um título dado ao recurso
uma entidade principal responsável pela elaboração do conteúdo do
recurso
assunto referente ao conteúdo do recurso
Assunto
uma descrição sobre o conteúdo do recurso
Descrição
Editor
a instituição responsável pela difusão do recurso
uma entidade responsável pela contribuição ao conteúdo do recurso
Contribuinte
data associada com um evento no ciclo de vida do recurso
Data
a natureza ou gênero do conteúdo do recurso
Tipo
manifestação física ou digital do recurso
Formato
identificação não ambígua do recurso dentro de um dado contexto
Identificação
uma referência para um outro recurso o qual o presente recurso é
Fonte
derivado
idioma do conteúdo intelectual do recurso
Idioma
uma referência a um outro recurso que se relaciona com o recurso
Relação
a extensão ou cobertura espaço-temporal do conteúdo do recurso
Cobertura
informações sobre os direitos do recurso e seu uso
Direitos
Quadro 2 - Elementos de descrição do Dublin Core
Fonte: Borba (2009).
Título
Criador

Os campos supracitados já foram utilizados no Memorial Denis Bernardes para
descrever os acervos de discos de vinil do Núcleo de TV e Rádio Universitária, o acervo de
recortes de jornais do fundo documental Marcos Freire, fundo documental Escola de Belas
Artes, Ruy Antunes e João Alfredo.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
A partir de pesquisa de naturezas descritiva, o presente relato de experiência apresenta
como estão sendo aplicadas as técnicas da Arquivística, Biblioteconomia e Ciência da
Informação no MDB e seguiu as etapas de levantamento bibliográfico sobre os temas
350 http://www.dublincore.org/

2958

�Memória na Ciência da Informação, Arquivologia, Metadados descritivos, bem como
observação das técnicas e procedimentos já desenvolvidos no IEB para a implantação de um
centro de pesquisa.
O acervo do MDB, inicialmente, foi constituído por documentos referentes à presença
do Conselheiro João Alfredo em Pernambuco, que no início dos anos setenta do século XX,
por iniciativa do historiador Flávio Guerra e do Reitor Joaquim Amazonas, a Biblioteca
Central da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) recebeu, por doação, toda
documentação privada do Conselheiro João Alfredo de Oliveira. Posteriormente, outros
fundos documentais foram resgatados de locais totalmente inapropriados para a preservação e
conservação da documentação analógica.
A ação inicial de resgate de acervos se deu/dá com a visita da coordenação científica
do MDB aos locais e identificação da importância dos acervos, bem como contatos com
familiares interessados a doar ou manter sob custódia material bibliográfico e audiovisual de
ente da família que teve algum vínculo com a UFPE em vida.
Posteriormente, um termo de doação ou custódia é assinado entre as partes e os
objetos informacionais são encaixotados e transferidos ao Memorial, onde são guardados nas
estantes deslizantes. A partir daí é que se começa a identificação e organização física, o que se
sabe que não é o mais apropriado, pois deveria ser realizada uma higienização anteriormente à
guarda.
Após serem identificados, alguns materiais seguem para o Liber para serem
digitalizados e armazenados em um servidor (storage). A digitalização segue parâmetros
definidos pela Declaração da UNESCO/UBC Vancouver.

4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
A criação do Memorial Denis Bernardes se deu, oficialmente, com a reabertura da
Biblioteca Central em junho de 2013, ano em que a predominância das atividades do setor foi
resgate e guarda de objetos informacionais que se referem à memória institucional e de
Pernambuco. Atualmente, o Memorial é composto por 11 (onze) fundos documentais. Estes
estão sendo inventariados, no corrente ano, a serem definidos: quantitativo, conteúdo e
características físicas de cada conjunto documental. Os fundos documentais são descritos a
seguir.
4.1 Fundo documental João Alfredo
O conselheiro João Alfredo Correia de Oliveira (1835 -1919) realizou, em Olinda, seus
estudos de Direito. Foi Deputado Provincial, Deputado Geral, Senador do Império,

2959

�Conselheiro de Estado, Presidente das Províncias do Pará e de São Paulo e Presidente do
Conselho de Ministros, havendo contribuído com ações em todas as áreas para o
desenvolvimento do Brasil. Seus documentos privados constituem, assim, testemunho de um
período crucial da história do país, quando o modelo monárquico se ‘desmantelava’ dando
lugar à ordem republicana. Estimado em aproximadamente 9.337 documentos, a maioria
constitui-se das correspondências, porém, o acervo também compreende 588 documentos de
outras tipologias, entre eles encontram-se jornais, papéis referentes ao Banco do Brasil,
ofícios, fotografias, estudos, projetos de lei, mapas, plantas entre outros.

4.2 Fundo documental Padre Daniel Lima
Sacerdote secular católico, poeta e ex-professor de Filosofia da UFPE, o acervo
pessoal do Pe. Daniel dos Santos Lima (1916 - 2012) é de base filosófica e literária e se
compõe, em sua maioria, de textos datilografados; destes, 13 cadernos compõem-se de
conjuntos de poemas e 14 de escritos filosóficos. Além dos datilografados, existem em sua
coleção manuscritos avulsos acondicionados em pastas e agendas. A publicação de apenas um
conjunto destes seus trabalhos, a obra “Poemas” (pela Companhia Editora de Pernambuco),
organizada às escondidas pela professora Luzilá Gonçalves e publicada quase sem a sua
aprovação, ganhou o prêmio Alphonsus de Guimaraens da Fundação Biblioteca Nacional
2011 - Categoria: Poesia, divulgando o seu nome nacionalmente e colocando-o no hall dos
grandes escritores brasileiros do momento.

4.3 Fundo documental Methodio Maranhão
Methodio Romano Albuquerque Maranhão (1864 - 1951), jurista, político, professor
catedrático, historiador. Ingressou em 1916 na Faculdade de Direito do Recife obtendo o grau
de Bacharel. Teve uma ativa vida intelectual participando de diversos movimentos culturais
da cidade do Recife. Dedicou-se também à pesquisa histórica, atividade que desenvolvia no
Instituto Arqueológico, Histórico e Geográfico de Pernambuco, onde ingressou como sócio
em 1907, chegando a ocupar, em 1942, o cargo de presidente. Exerceu mandato de Prefeito
Municipal de Goiana no período de 1907 a 1910 (UNIVERSIDADE..., 2011). O acervo é
composto por parte da biblioteca pessoal do ex-professor com aproximadamente 10 mil
títulos.
4.4 Fundo documental Ruy Antunes
Ex-professor da Faculdade de Direito do Recife, Ruy da Costa Antunes foi eleito
deputado estadual pelo Partido Comunista, porém teve seu mandato cassado em 1948, pouco

2960

�depois de o partido ter sido declarado ilegal. Depois desse breve período atuando na política,
o professor passou a advogar na área penal e a dar aulas na Faculdade de Direito,
aproximando-se ainda mais dos livros. Sua biblioteca pessoal foi transferida para o Memorial
em 2013 e é composta por cerca de 10 mil títulos.

4.5 Fundo documental Joaquim Cardozo
Joaquim Maria Moreira Cardozo (Recife, 26 agosto 1897 - Olinda, 04 novembro
1978), apesar de ser bastante conhecido como engenheiro, foi também poeta, contista,
desenhista e editor de revistas especializadas em arte e arquitetura. Iniciou estudos em
Engenharia em 1915 e, na década de 1940, é convidado por Oscar Niemeyer para fazer os
cálculos estruturais do conjunto Pampulha. Cardozo publicou 11 livros, destacando-se a obra
Poemas, que tem prefácio de Carlos Drummond de Andrade. Até o momento, foram
identificados aproximadamente 200 títulos de sua biblioteca pessoal no Memorial Denis
Bernardes.

4.6 Fundo documental Marcos Freire
Nasceu em Recife em 5 de setembro de 1931 e, influenciado pelo pai, ingressou na
Faculdade de Direito do Recife no ano de 1950, onde participou ativamente da política
estudantil. No decurso de quase meio século, o ex-senador Marcos de Barros Freire, atuou no
meio político nacional, militando contra os detratores da democracia e estimulando uma
geração de políticos que findaram por promover a abertura e a consequente redemocratização
do país. Exerceu carreira acadêmica na Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade,
lecionando também na Escola de Administração, Faculdade de Direito do Recife. O acervo
custodiado no MDB é composto por recortes de jornais (acervo de clipping) reunidos por
Marcos Freire no período de 1952 a 1985. São 204 livros com recortes colados, ordenados
cronologicamente, das quais não constam as de número 169 e 179.

4.7 Assessoria de Comunicação da UFPE (ASCOM)
A Assessoria de Comunicação Social da Universidade Federal de Pernambuco
(ASCOM), em parceria com o NTI (Núcleo de Tecnologia da Informação), é responsável pela
coordenação da política de comunicação da UFPE isto é, a mediação nos contatos entre a
comunidade

acadêmica

e

a

imprensa.

Cobriu

jornalisticamente

e

documentou

fotograficamente toda a vida acadêmica institucional. Este fundo documental é composto por

2961

�cerca de 15 mil fotografias, que já se encontram digitalizadas pelo Laboratório de Tecnologia
do Conhecimento (LIBER).

4.8 Núcleo de Rádio e TV Universitária (NRTVU/UFPE)
Com a missão de Promover a comunicação pública de maneira democrática e
participativa, estimulando a formação crítica e a construção do conhecimento, o Núcleo de
Televisão e Rádios Universitárias (NRTVU), nasceu de um processo realizado pelos próprios
profissionais da televisão e das rádios com apoio da Universidade Federal de Pernambuco.
Em 2013, foram resgatados cerca de 11 mil discos de vinil da Rádio Universitária e
aproximadamente 200 fitas U-Matic com programações da TV Universitária. Com a
obsolescência das mídias, a partir da modernização do equipamento do sistema de rádios da
UFPE com a introdução da banda larga e a reestruturação dos estúdios para tecnologias
digitais, tais suportes estavam guardados em péssimas condições de armazenamento, mas
atualmente se encontram em estantes deslizantes apropriadas no MDB, apesar de não estar
ainda em situações ideais de conservação e preservação. Além disso, as mídias carecem de
identificação e tratamento informacional.

4.9 Escola de Medicina
O Acervo da Antiga Escola de Medicina guardado MDB reúne os registros das
atividades acadêmicas realizadas antes da formação da UFPE, principalmente a atuação
política e pedagógica do médico Otávio de Freitas, profissional que ratificou a Ata inaugural
da escola após 1909. Constituído por parte dos documentos administrativos produzidos ao
longo dos anos de sua existência, o acervo apresenta várias tipologias documentais como:
atas, relatórios, ofícios, pareceres, documentos de diplomados, dentre outros, que ainda estão
sendo identificados no inventário.

4.10 Escola de Belas Artes
Em 1932, foi idealizada uma Escola de Belas Artes, para o Recife, seguindo os
parâmetros da Escola Nacional de Belas Artes. Para que se mantivesse a continuidade no
processo de oficialização foi criado um grupo que se chamou de “Comitê Pró-Escola de Belas
Artes de Pernambuco”. Ainda no mesmo ano, foi alugada a casa conhecida como “Solar dos
Amorim” na Rua Benfica, 150, bairro da Madalena. A Escola de Belas Artes do Recife
começou a funcionar, no dia 15 de julho daquele mesmo ano, a partir de boa vontade e
doações, incluindo o empréstimo dos bustos de gesso da “Loja Maçônica Conciliação”. Os

2962

�documentos se referem às transformações ocorridas na escola até a transferência dos cursos
para o campus universitário na década de 1970.

4.11 Produção Intelectual da Universidade (PIU)
O acervo PIU é composto por publicações escritas por servidores ou ex-servidores da
UFPE ou pós-graduados (Mestrado e Doutorado) que são editadas pela Editora Universitária.
Além disso, este fundo documental também é constituído pelas teses e dissertações da UFPE.
Estão inseridos no Sistema Pergamum, tratados sob os Sistemas de Classificação Decimal de
Dewey (CDD). Os títulos que ainda estão classificados com a Classificação Decimal
Universal (CDU) serão alterados para CDD.
Diante do exposto, podemos exemplificar (Quadro 3) como está organizado o acervo
até o momento, baseado nas normas de classificação e catalogação da Biblioteconomia e nas
normas de padrão de descrição para arquivos, a Norma Internacional de Registro de
Autoridade Arquivística para Entidades Coletivas, Pessoas e Famílias (ISAAR(CPF)) e
International Standard Archival Description (general) - Norma Geral Internacional de
Descrição Arquivística (ISAD(G)).

Fundo
documental/Sigla
João Alfredo (JA)

Série

Subsérie(s)

Digitalizados

Correspondência

Sim

Daniel Lima (DL)

Manuscritos

Recebida
Enviada
Poesia
Soneto
Agendas pessoais
Livro/Folheto

Methodio
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Sim
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Não
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Não
Sim
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Não
Não
Não

A identificar

Livro/Folheto
Não
Teses/Dissertações
Quadro 3 - Fundos documentais, Séries e Subséries do Memorial Denis Bernardes

Fonte: O autor

2963

�A partir do inventário, pretende-se identificar quantidades e estado de conservação das
tipologias documentais, a fim de que as informações coletadas também sirvam para
elaboração do planejamento de ações a serem realizadas em cada fundo documental. No
entanto, o tratamento informacional já se encontra parcialmente realizado, através de
descrição baseada no padrão de metadados Dublin Core para posterior inserção no repositório
institucional (RI) da UFPE. A descrição está sendo realizada por preenchimento de planilha
no Excel com informações como: identificador, autor, título, edição, contribuidor, local,
editor, data, extensão, resumo, relação, fonte, descrição, detentor de direitos, proveniência,
formato, formato original, idioma, disponibilidade, sequência, data_inclusão, data_chegada.
Destarte, os tópicos apontados de 4.1 a 4.9 descrevem quantidades e tipologias
parciais, visto que a identificação dos objetos informacionais definitiva só será possível após
o término do inventário, previsto para final de 2014. Ao final deste, saberemos com precisão a
quantidade de documentos bibliográficos e multimídia que se encontram custodiados no
Memorial Denis Bernardes.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
No Brasil, a preservação da memória científica ainda é incipiente, bem como a falta de
vontade política e sensibilização nas instituições para que problemas essenciais sejam
solucionados. Urge a sensibilização da comunidade científica em relação à guarda do
patrimônio intelectual e ao estabelecimento de políticas de preservação. No entanto o desafio
atual está em se fazer entender o porquê de preservar, o porquê da criação dos documentos e a
sua importância para pesquisas futuras. São poucas as instituições que asseguram ter
competência para garantir o acesso em longo prazo do conteúdo dos seus repositórios. Esta
circunstância infere-se pela ausência de políticas institucionais de preservação digital, bem
como pelo pouco incentivo do tema no ambiente organizacional, fatores preocupantes que
devem ser solucionados urgentemente.
Neste

contexto,

ao apresentarmos

o Memorial

Denis

Bernardes,

estamos

proporcionando subsídios à instituição em demonstrar seu compromisso com as questões aqui
abordadas, que visa proporcionar o tratamento do acervo salvaguardado na UFPE. Esta
universidade é ciente de seu papel social como instituição pública que poderá passar a
recolher conjuntos documentais de pessoas e instituições que representem a cultura local.
Além disso, poderá se tornar um polo de desenvolvimento científico nas áreas da Ciência da
Informação, desenvolvendo atividades a partir do seu próprio acervo, de modo a colaborar na

2964

�capacitação de profissionais da área, tanto de instituições irmãs, bem como contribuir na
formação de novos profissionais.
É fato que, para atingir uma situação ideal de conservação, preservação (física e
digital), organização e acondicionamento, o Memorial carece de mais equipamentos, materiais
e infra-estrutura adequados. Neste sentido, há o projeto de criação de ambiente de restauro e
higienização de acervos, como também a disponibilização destes em meio digital no
repositório institucional a ser lançado. O MDB continua, portanto, a receber objetos
informacionais que constituirão novos fundos documentais.

6 REFERÊNCIAS
BARACHO, Renata Abrantes; CENDON, Beatriz Valadares; ALVARENGA, Lídia.
Metadados textuais e visuais para recuperação de informação em imagens. In: ENCONTRO
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2966

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              <text>O Memorial Denis Bernardes (MDB) da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) é uma das ações estratégicas do Sistema Integrado de Bibliotecas (SIB), da Secretaria de Gestão da Informação e Comunicação (SeGIC) e do Laboratório de Tecnologia da Informação (Líber) em parceria com o Instituto de Estudos Brasileiros da Universidade de São Paulo (IEB/USP). O presente artigo tem como objetivo descrever as ações do MDB como organização que visa cumprir a função social de resgate, preservação e disseminação da memória produzida na universidade. A partir de pesquisa de natureza descritiva, o presente relato de experiência apresenta como estão sendo aplicadas as técnicas da Arquivística, Biblioteconomia e Ciência da Informação no MDB. Segue etapas de levantamento bibliográfico sobre os temas Memória na Ciência da Informação, Arquivologia, Metadados descritivos, bem como observação das técnicas e procedimentos já desenvolvidos no IEB para a implantação de um centro de pesquisa. O acervo do Memorial foi formado por produções acadêmicas e documentos administrativos da Instituição, o que resultou em onze fundos documentais em fase de inventário, descrição e organização. </text>
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