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                  <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

JUVENTUDE UNIVERSITÁRIA DA UFG: TRAJETÓRIAS SOCIOESPACIAIS E
PRÁTICAS DE LEITURA
Andrea Pereira Santos

RESUMO
Trata-se de uma pesquisa de doutorado, hora em andamento, em que são mostrados resultados
parciais da tese. A parte dos resultados que escolhemos para apresentar refere-se às práticas
de leitura e sua contribuição para construção da subjetividade, identidade e letramento
informacional dos jovens universitários da Universidade Federal de Goiás - UFG. O objetivo
geral é: estudar a influência das trajetórias socioespaciais nas práticas de leitura dos
estudantes universitários dos últimos períodos dos cursos de graduação na UFG dos campus
de Goiânia. Para isso, partimos da pesquisa qualitativa com aplicação de questionários,
entrevistas e redações feitas aos estudantes dos últimos períodos dos cursos de graduação da
UFG. Concluímos que a universidade é um território em que as práticas de leitura realizadas
nesse espaço contribuem para a formação das identidades e contribuem para o letramento
informacional dos estudantes.
Palavras-Chave: Práticas de leitura. Formação identitária. Letramento informacional.
Estudantes universitários
ABSTRACT
This is a doctoral research , time in progress. That research show the partial results of the
thesis . A part of the results we have chosen to present refers reading practices and their
contribution to the construction of subjectivity, identity and information literacy of university
students of the Federal University of Goiás - UFG. The objective is : to study the influence of
socio-spatial practices of trajectories reading of university students in the final periods of
undergraduate courses in the UFG Goiânia campus . For this, we start from qualitative
research with questionnaires, interviews and essays made to students in the final periods of
undergraduate of the UFG. We conclude that the university is a territory in which reading
practices performed in this space contribute to formation of identities and contribute to
information literacy of students .
Keywords : Reading practices . Identity formation . Information literacy . college students

1 INTRODUÇÃO
Trata-se de uma pesquisa de doutorado, hora em andamento, em que são mostrados
resultados parciais da tese. A parte dos resultados que escolhemos para apresentar refere-se as

2865

�práticas de leitura e sua contribuição para construção da subjetividade, identidade e
letramento informacional dos jovens universitários da Universidade Federal de Goiás - UFG.
Apresentamos na introdução o objetivo geral de toda tese de pesquisa para que o leitor tenha
dimensão do trabalho e possa acompanhar, posteriormente, a sua finalização.
O estudo se pauta na afirmação de que há uma vasta gama de informações flutuando
aos olhos da juventude. Na atualidade, faz-se necessário o estudo da leitura, principalmente
porque o senso comum “acusa” o jovem de não ler, enquanto se pode observar a presença
desses sujeitos nas livrarias, bibliotecas, sites de Internet, entre outros espaços que permitem
tal prática. A leitura é a ponte entre a informação e o conhecimento. Mas, ler não é somente o
que está escrito em formato de texto. Ler abarca o visual, os símbolos, formas e vídeos. Ler é
conseguir explorar, pelo menos parte, desse emaranhado de informações presentes na
atualidade.
Para realização da pesquisa “Juventude universitária da UFG: trajetórias
socioespacias e práticas de leitura” recorremos a Geografia por conta da necessidade de
discutir os novos territórios e o ciberespaço na formação de uma cultura letrada da juventude
contemporânea e como as trajetórias socioespaciais se inserem nessa formação. Considera-se
ser pertinente o estudo sobre práticas de leitura na área de geografia, pois esta se configura
como uma forma de análise diferenciada sobre o tema, já que este é comumente estudado nas
áreas de educação, letras e biblioteconomia. Por que estudar leitura na geografia? As práticas
de leitura são realizadas em um “lugar”, seja ele um ponto físico geométrico objetivo ou um
território/lugar subjetivo. E esse “lugar” pode ser favorecedor ou não de práticas ou novas
práticas de leitura.
Entendemos território como um espaço sociocultural onde é possível uma apropriação
subjetiva do indivíduo (HAESBAERT, 2004). Assim, os territórios da leitura da juventude
estão presentes em diversos espaços institucionais ou não: a escola, a universidade, a
biblioteca, os terminais de ônibus, as livrarias, sua casa e centros acadêmicos. Tendo por base
a ideia de “apropriação subjetiva” percebe-se que há uma relação entre a juventude e seus
territórios de práticas de leitura.
Da mesma forma compreende-se que no ciberespaço há uma relação entre juventude e
práticas de leitura. O ciberespaço é, segundo Levy (1999), um meio de comunicação onde
indivíduos e informações se interconectam. Como se trata de uma tecnologia difundida há
poucos anos no Brasil, tornando-se mais popular no final do século XX e início do século
XXI. A juventude contemporânea, principalmente jovens universitários, tiveram uma grande

2866

�identificação com essa tecnologia. A Internet é um espaço de leitura, isto é, espaço de
diversas “leituras” e de diversas mídias (texto, som e vídeo).
Essas relações descritas acima nos mostrarão os espaços de pertencimento do jovem
universitário e de suas práticas de leitura e contribuirão para que se possa entender o processo
de construção do jovem leitor na atualidade, bem como os tipos e modos de leituras praticadas
por ele. Isso porque é cobrado do jovem universitário uma gama maior de leituras e esses,
supomos, passam a praticar outras leituras independente do que é exigido na universidade.
Estudar a juventude e a leitura levando em consideração os territórios e o ciberespaço
é uma forma de rebater o velho discurso do senso comum atestado por Abreu (2001) de que o
jovem não lê ou não tem interesse pela leitura. Socialmente importante porque podemos trazer
a luz certos preconceitos com relação ao tipo de leitura praticada pela juventude atual,
especialmente a universitária. Dentro do campo de estudos da geografia, os resultados trarão
elementos para que se possa compreender como as relações socioespaciais podem contribuir
para inclusão ou exclusão do jovem leitor; para a manutenção das leituras e criação ou não de
novas possibilidades de ler.
O presente contexto vivido pela sociedade é carregado de informação por todos os
lados. Desde a revolução da imprensa por Gutenberg no século XV até o surgimento da
Internet a informação flui de forma cada vez mais rápida. Assim, a leitura está, se pensarmos
nas metrópoles e grandes cidades, por todos os lados, presente nos diversos territórios. No
entanto, por mais que a leitura esteja presente por todos os lados, questiona-se se o jovem lê.
Perguntas como as que se seguem, são frequentes nos debates sobre o assunto: lê o que? Lê o
suficiente? Faz as leituras canonizadas pela escola?
As recentes pesquisas realizadas como, por exemplo, “Retratos da leitura no Brasil”
realizada em 2011, mostram uma certa deficiência na relação jovem e leitura. Nesse sentido,
propõe-se uma série de políticas públicas na tentativa de corrigir essa deficiência de leitura da
juventude atual.
Mas, ao refletir sobre os estudos de preconceitos de leitura abordados por Abreu
(2001) em seus diversos estudos, veremos que muitas leituras são praticadas pela juventude.
Essas leituras acontecem em diversos territórios: nos terminais de ônibus, nos consultórios
médicos, na escola e também na Internet. Resta saber se há uma relação entre as práticas de
leitura e os diferentes territórios onde elas são praticadas.
Espera-se demonstrar que os estudantes concluintes dos cursos de graduação da UFG
vivenciam trajetórias socioespaciais que contribuem para as diferentes práticas de leitura,
pois convivem com uma diversidade de sujeitos e lugares que podem instigar a busca de

2867

�informações, interpretações e transformação destas em novos conhecimentos e (re)criação de
identidades.
Entender as trajetórias socioespaciais e as práticas de leitura para a geografia é um
avanço no sentido de demonstrar que as políticas e relações no território podem influenciar na
leitura e no modo de ler das pessoas pois, pressupomos, o espaço pode ser ou não ser
transformador e formador de leitores.
Nossa pergunta central se funda na seguinte questão: As trajetórias socioespaciais
influenciam nas práticas de leitura dos estudantes universitários dos cursos de graduação da
UFG dos campi de Goiânia? Para responder a essa problematização é preciso levantar outros
questionamentos suplementares, a saber: o jovem da atualidade pode consolidar-se como
leitor perante aos territórios de leitura que estão dentro do seu espaço de pertencimento? Que
tipos de leitura os jovens passam a praticar na universidade? Qual o conceito de leitura na
percepção da juventude universitária? Essas leituras são influenciadas pela universidade? Em
que espaços o estudante pratica leitura? O espaço interfere na forma de ler?
A hipótese pretendida para esse trabalho é: A universidade é um território onde os
estudantes experimentam transformações de habitus, entre os quais se exemplifica a forma de
ler conteúdos específicos de seus cursos e outros tipos de leituras. As trajetórias
socioespaciais influenciam nas práticas de leitura dos estudantes universitários dos últimos
períodos dos cursos de graduação na UFG do campus Goiânia, pois este espaço possibilita
uma diversidade de novas leituras permitindo a eles a capacidade de (re)criar suas
identidades. Dessa forma, os múltiplos territórios frequentados pelo jovem universitário
interferem no modo de leitura e nos diferentes tipos de leitura, sejam elas literárias,
universitárias, folhetos, ebooks, gibis etc.
Chamamos de territórios de leitura os terminais de ônibus; as bibliotecas escolares e
universitárias, os corredores da universidade, os centros acadêmicos e outros espaços que o
jovem universitário passa a frequentar. Além desses espaços destacamos também a Internet
como um dos principais territórios de leitura do jovem universitário. Dessa forma, afirma-se
que o jovem universitário é leitor de variados territórios. Salienta-se que a metrópole contribui
para a potencialização da leitura, pois ela é facilitadora do acesso por meio das possibilidades
de mobilidade e presença de uma infinidade de manifestações sociais e de culturas midiáticas
que são disponibilizadas, muitas vezes, de forma grátis.
Levantamos como hipótese conjunta, tendo por base os estudos de Abreu (2001), que
as leituras feitas, principalmente, fora do ambiente universitário não são consideradas leituras
do ponto de vista dos cânones universitários. Apesar dos variados territórios de leitura, para

2868

�uma elite letrada e que possui acesso a uma gama maior de leituras por meio das livrarias,
bibliotecas de escolas particulares e universitárias, essa leitura praticada fora (inclusive dos
livros) não é considerada leitura.
Dessa feita, nosso objetivo geral é: estudar a influência das trajetórias socioespaciais
nas práticas de leitura dos estudantes universitários dos últimos períodos dos cursos de
graduação na UFG dos campus de Goiânia. Especificamente buscamos: descrever as
trajetórias socioespaciais da juventude universitária antes e durante sua vida universitária;
identificar os territórios de leitura do jovem universitário e o processo de construção de
identidades a partir dessas práticas de leitura identificando assim comportamentos e modos de
pensar da juventude; verificar se as práticas de leitura realizadas sobre a influência do espaço
universitário contribuem para o letramento informacional dos estudantes; identificar espaços
de pertencimento do jovem universitário perante a leitura; analisar o ciberespaço como fonte
de leitura da juventude universitária; e conhecer que tipos de leitura são praticadas nesse
ambiente e se esse espaço pode influenciar em novas buscas de leitura; discutir a relação de
preconceito com os novos territórios de leitura na percepção dos jovens universitários sobre
as leituras praticadas fora dos espaços formais de leitura.

2 JUVENTUDES, TRAJETÓRIAS E LEITURA: EIXO TEÓRICO NORTEADOR
Elencamos para essa pesquisa quatro pressupostos teóricos: Existem diferentes
práticas de leitura, porém elas não são unas. Elas dependem da trajetória socioespacial dos
sujeitos e também da sua experiência de vida e pertencimento a determinado lugar; Os
múltiplos territórios contribuem para o estabelecimento de diferentes práticas de leitura
podendo facilitar ou dificultar o acesso. As práticas de leitura da juventude, realizadas na sua
trajetória universitária, contribuem para a construção de suas identidades. Essas práticas e
apropriação subjetiva dos significados dependem do ambiente socioespacial que ele convive;
A universidade é um território que potencializa diferentes práticas de leitura, pois os jovens
são instigados a buscar novas leituras para vencer os desafios teóricos propostos por essa
instituição
Para refletir sobre esses pressupostos é preciso recorrer a outros estudos. Outrossim,
são elencados alguns estudos e autores importantes para essa reflexão. Dessa maneira, um
tema como esse que tem como objeto de pesquisa a juventude, requer um aprofundamento
específico relacionado ao conceito e história da juventude e o entendimento dela nos dias
atuais. De início é preciso responder: como se constrói a juventude. Para essas respostas
buscaremos autores clássicos para o estudo dessa questão.

2869

�Carmo (2000) discute em seu livro “Culturas da rebeldia: a juventude em questão” o
comportamento e as modificações dos usos e costumes e modos de ser e pensar da juventude
dos anos 1950 aos anos 1990, principalmente tendo como relação a globalização e a sua
influência nas posturas juvenis.
Savage (2009) em seu livro “A criação da Juventude” trabalha com os conceitos
históricos da juventude da pré-história da adolescência até sua consolidação e explosão como
força de consumo. É interessante a leitura desse autor para que possamos compreender o
comportamento dos jovens dentro dessa perspectiva histórica.
Outros autores elencados na discussão sobre juventude são Catani (2008); Sposito e
Corrochano (2000) e Abramo (2008) que apresentam conceitos e história da juventude. Para
entender os contextos atuais da juventude relacionada ao seu comportamento, conceitos,
identidades e subjetividades, buscaremos aporte nas teses e dissertações defendidas
recentemente e também em artigos de periódicos científicos nacionais e internacionais a
serem levantados em bases de dados referenciais.
Nos trabalhos científicos atuais apontaremos a discussão sobre construção da
identidade juvenil. E para ajudar a compreender essa construção de identidades, utilizamos
outros autores que explorem essa temárica: Hall (2001), Giddens (2002), Bauman (2005;
2003) e Castells (2002) trarão uma contribuição para se discutir teoricamente a construção das
identidades. Há de se discutir as questões relacionadas à subjetividade e consumo e sua
interferência na construção das identidades. Para esse entendimento traremos as contribuições
de Rolnik (1997).
A discussão proposta nesse estudo diz respeito também às práticas de leituras da
juventude. Entretanto, para entender tais práticas nos reportamos aos conceitos e história da
leitura. Para isso é preciso buscar os conceitos em Martins (1994) no sentido de ter um
entendimento de leitura que vá além do senso comum que restringe a leitura ao livro e ao
jornal por exemplo.
Sobre a história da leitura, Manguel (1997) apresenta uma trajetória das práticas de
leitura da antiguidade aos dias de hoje. Ele faz abordagens entre a passagem da leitura em voz
alta para a leitura silenciosa e as implicações sociais de tal mudança. Se hoje temos uma
suposta problemática a despeito da formação de leitores jovens, “Uma história da leitura”
desse autor, ajudará a compreender o porque. Nessa mesma temática, teremos como aportes
Darton (1992) e Martins (2001).
Para discutir a formação da leitura no Brasil nossa leitura teórica será os estudos de
Lajolo e Zilberman (1996), Dumont (2000, 2002) e Abreu (1999, 2001 e 2007). Nas leituras

2870

�de Abreu, destaca-se além da construção histórica das práticas de leitura no Brasil, os
aspectos relacionados aos preconceitos de leitura construídos desde a época da colonização
até os dias atuais. Para fechar, outro autor abordado na pesquisa é Chartier (1999, 2001), pois
além de tratar da história cultural da leitura, aborda aspectos relacionados as práticas de
leitura atuais, considerando por exemplo a leitura na tela do computador e suas implicações
sociais.
Além de todo esse referencial teórico apresentado, buscamos estudos recentes como
teses, dissertações e artigos científicos para complementar o embasamento do estudo.

3 METODOLOGIA DE COLETA DE DADOS
Os sujeitos escolhidos para essa pesquisa são os estudantes universitários dos últimos
anos dos cursos de graduação da UFG dos campi de Goiânia. A escolha desse grupo partiu do
pressuposto de que a universidade não só forma profissionais que atuarão em diferentes
profissões como, também, forma pessoas mais críticas, pessoas mais autônomas na busca de
informações as quais passam a praticar outros tipos de leitura que podem (re)criar suas
identidades. A universidade é o território de novas práticas de leitura as quais transformam os
jovens estudantes em profissionais não só atentos ao fazer do trabalho, mas, também, refletir
sobre o suas práticas.
Para coleta de dados aplicamos questionários, entrevistas e redações. Os
questionários foram aplicados utilizando a plataforma de enquetes online Lime Survey
customizada pela equipe de informática da UFG. No questionário, além de um conjunto de
perguntas, o estudante era convidado a participar da redação ou entrevista. Feita a escolha, foi
marcado a entrevista ou enviado o roteiro para redação.
No questionário foram feitas perguntas mais objetivas e gerais sobre renda,
preferências de leitura, percepção espacial, frequência de uso a bibliotecas e moradia. Já nas
entrevistas e questionários procuramos aprofundar na história das práticas de leitura pessoais,
em suas trajetórias espaciais; no entendimento da relação entre as práticas de leitura e vida
universitária e se tais práticas influenciam na construção das identidades, subjetividades e
possíveis práticas de letramento informacional.

4 JUVENTUDE UNIVERSITÁRIA E PRÁTICAS DE LEITURA: CONSTRUÇÃO DE
IDENTIDADES E SUBJETIVIDADES
Em suas trajetórias socioespaciais os jovens universitários se deparam com uma
infinidade de signos, sujeitos, territórios e lugares os quais moldam suas identidades e

2871

�subjetividades. Durante essas trajetórias sujeitos, lugares e pessoas oferecem oportunidades de
leitura e discussão as quais interferem no modo de ser e pensar dos estudantes.
A universidade é um território de oportunidades. Em uma instancia maior, ela
proporciona aos estudantes uma infinidade de leituras as quais contribuem para uma nova
construção do “eu” e do modo de pensar e agir dos estudantes. Há no espaço da universidade
os lugares de encontro e confronto de ideias, pois além das leituras individuais os estudantes
estão em constante debate com professores e outros colegas.
Para Claval (1999) há relação entre território e identidade. Para ele a identidade
interfere na constituição do território. “A construção das representações que fazem certas
porções do espaço humanizado dos territórios é inseparável da construção das identidades”
(CLAVAL, 1999, p. 16). Essas identidades interferem na transformação e mudanças que
podem ocorrer no território. Nesse sentido, território e identidade estão relacionados tanto a
um viés político quanto de outras escalas menores onde são estabelecidas outras relações. No
caso da nossa pesquisa pensemos na universidade como essa escala menor.
Nas entrevistas feitas aos jovens estudantes universitários, o discurso apresentado por
eles demonstra uma transformação pessoal nas suas vidas a partir das práticas de leitura
realizadas por intermédio ou influência da universidade. Sendo assim, analisamos essas
transformações para a construção de um novo “eu” - uma nova identidade - a partir, também
dos processos de subjetivação. Para essa reflexão partiremos da análise do conceito de
identidade e subjetividade apresentado pelos principais autores dessa temática.
O que é identidade afinal de contas? Para Hall (2001, p. 38) "a identidade é realmente
algo formado, ao longo do tempo, através de processos inconscientes, e não algo nato,
existente na consciência no momento do nascimento". Seja identidade ou identidades, estas
são formadas, mesmo hoje, a partir da relação interativa com os outros e, agora, também, a
partir do acesso as mídias eletrônicas disponíveis. O acesso a estas, potencializa e tem um pa­
pel importante na formação das identidades.
Outro conceito de identidade para nossa análise dada por Castells (2002, p. 22) é:
“Entendo por identidade o processo de construção de significado com base em um atributo
cultural, ou ainda um conjunto de atributos culturais inter-relacionados, o(s) qual(ais)
prevalece(m) sobre outras fontes de significados”. Esses atributos estão presentes nas
interações e leitura feitas durante a universidade.
Como um processo formado ao longo do tempo, o conceito de identidade está ligado
às trajetórias dos estudantes na universidade a partir da sua interação com os outros e com as
leituras. E essas trajetórias, acontecimentos e interações ocorrem sempre num espaço

2872

�formando assim territórios ou seja, “nossas identidades (...) são sempre configuradas tanto
em relação ao nosso passado, à nossa memória e imaginação, isto é, à sua dimensão histórica,
quanto em relação ao nosso presente, ao entorno espacial que vivenciamos, isto é, à sua
dimensão geográfica” (ARAÚJO; HAESBAERTH, 2007, p. 33). O lugar, o território
possibilitam o repensar. Assim, a universidade enquanto território de trocas e interações
permitirá aos estudantes elaborar projetos os quais contribuem para suas reflexões. É o que
mostra a fala da estudante abaixo:
K., 26 anos : Durante meu segundo ano, concretizei junto a alguns colegas a fundação de
um projeto de extensão em sexualidade humana. Durante todo o curso este foi o maior
marco que diferenciou minhas leituras e vivências. Me considero menos preconceituosa
hoje e tento compreender mais o direito das outras pessoas. Continuo lendo textos sobre
educação, pois ao longo do curso, atuei junto ao Centro Acadêmico como representante
estudantil e na construção de um novo currículo para meu curso. Me sinto mais engajada
em atividades socioculturais hoje, quando comparada ao início da faculdade (grifo meu).

Ao se considerar menos preconceituosa a partir do projeto fundado junto aos outros
colegas, a estudante passou a refletir sobre os seus conceitos ou preconceitos relacionados a
sexualidade. Foi essa interação que permitiu a estudante a rever seu pensamento. “Kant
aponta que a identidade própria do indivíduo é construída por sua experiência, enquanto ser
pensante, no mundo” (ARAÚJO; HAESBAERTH, 2007, p. 22).
Nas leituras feitas em Guatarri e Rolnik (1996), compreendemos o conceito de
subjetividade ligado ao processo ou projeto reflexivo do ser. O pensamento e a reflexão estão
em constante mutação e dependem do arquivo pessoal e histórico de cada um. Quando lemos,
estudamos, nos comunicamos com os outros, nos relacionamos estamos envoltos a diversas
ideias que podem, constantemente, estarem moldando nossos modos e pensamentos. Assim
ocorre com os jovens estudantes universitários. A sua trajetória universitária é carregada de
relações com os outros e com a leitura e isso provoca o que entendemos por processos de
subjetivação.
T., 25 anos: Sinto sim que as leituras que faço depois da universidade mudaram meu
modo de pensar, acho que estamos o tempo todo nos reformulando, acrescentando coisas
a nossa identidade, mudando a nossa forma de pensar e até de agir.

Como se vê na fala da estudante acima, esses processos de subjetivação corroboram
para a formação ou construção das identidades. “Para que o sujeito forme sua identidade ou
trabalhe com a auto identidade, reflexivamente, ele passa pelo processo de subjetivação”
(SANTOS, 2009). Já outro estudante dirá o seguinte:

2873

�B., 22 anos: Mudou basicamente a forma de pensar assim.... que se tornou um pouco
mais crítica né. Agente começou a ser inferido nesse contexto das leituras, passou a ter
uma visão mais crítica eu creio que isso veio aumentar sim porque agente tem um
contato com muitas visões de mundo com muitos autores que pensam de uma certa forma
que acaba influenciando na leitura pessoal do leitor. Em relação ao ser assim, ao estilo
acho que isso não influenciou muito não eu não me vejo assim tão modificado assim em
relação a personalidade...

O estudante acima frisa que mudou seu modo de pensar e se tornou mais crítico,
porém tem dúvidas se sua personalidade sofreu influência. A nosso ver, esse pensamento mais
crítico modifica sim sua personalidade, pois entendemos que a personalidade é criada a partir
daquilo que pensamos como certo/errado ou bem/mal. Se passamos a refletir sobre as coisas
de um outro modo, nossa personalidade muda, ou seja, se sou mais crítico deixo de viver uma
personalidade mais passiva e passo a ser mais ativo e reflexivo na minha vida. Se antes a
pessoa ficava calada diante de um acontecimento por falta de conhecimento, a partir do
momento que ela se torna mais crítica ou com um arquivo maior de informações ela se sente
segura em emitir sua opinião. Essas afirmações são consoantes ao que Gasque (2012) aborda
sobre o pensamento reflexivo.
Outras falas as quais representam um pensamento mais reflexivo são apresentadas
abaixo:
M., 19 anos: Sinto, me transformaram mais intelectualmente, abrindo os horizontes da
área da ciência da informação. Com certeza, a universidade nos faz amadurecer, pelas
experiências que a academia te faz passar e pelas leituras. Hoje tenho mais
conhecimento e autonomia sim, mais independência para buscar o que preciso.
R., 26 anos: Depois de estudar teoria do valor e estudar a história do SUS, história,
legislação, mudou meu cunho político na verdade.... antes de entrar para a universidade
era mais de esquerda, e hoje sou de direita.
R., 47 anos: De certa forma sim. Através dessas leituras que faço, vou descobrindo algo
que as vezes o meu pensamento antes de ter contato com esse tipo de leitura, não tinha
aquele pensamento mais crítico. De uma certa forma muda um pouco né. Assim, o seu
modo de pensar ou, aliás, agrega àquilo que você já está pensando, pode dar um norte,
pelo que você já está formulando na sua cabeça

Essas reflexões e falas dos estudantes deixam clara a abertura ao novo. A partir das
leituras e encontros promovidos a partir da universidade eles mudam sua forma de ler e
interagir com o mundo. Para o estudante C., 24 anos, ele não lê um jornal da mesma forma
que ele lia antes de entrar para a universidade. Agora ele lê com outros olhos, com mais
criticidade.
Na universidade há confrontos. Em algumas falas é possível perceber que nem todas
as ideias são aceitas e as diferenças se mostram evidentes, bem como as identificações. “Com

2874

�relação a identidade e diferença ocorre um cruzamento ainda mais íntimo, pois não há como
‘identificar-se’ algo sem que sua ‘diferenciação’ (em relação ao ‘outro’) seja construída, a
ponto de ‘diferenciar-se’ e ‘identificar-se’ tornarem-se completamente indissociáveis”
(ARAÚJO; HAESBAERTH, 2007, p. 36).
E essas identidades construídas durante a universidade não são identidades acabadas.
Elas estão em constante transformação e reflexão. “ (...) a identidade, por mais essencializada
que pareça, justamente por seu caráter simbólico, é sempre múltipla e/ou está aberta a
múltiplas re-construções” (ARAÚJO; HAESBAERTH, 2007, p. 42).
Outrossim, Giddens (2002, p. 37) diz que "a reflexividade da modernidade se estende
ao núcleo do 'eu'. Posto de outra maneira, no contexto de uma ordem pós-tradicional, o “eu”
se torna um projeto reflexivo [grifo do autor]". Esse projeto reflexivo do 'eu', pelo que se
apreende, faz parte dos processos de identificação pronunciados por Hall (2001, p. 39), pois,
entende-se que a busca por identidade é um "processo em constante andamento".

5 A UNIVERSIDADE COMO TERRITÓRIO DE NOVAS PRÁTICAS DE LEITURA E
DO LETRAMENTO INFORMACIONAL
O que significa as variadas práticas de leitura dos jovens estudantes universitários?
Como vimos, os estudantes universitários adquirem em sua trajetória universitária
variadas práticas de leitura. Nas falas fica claro que as leituras praticadas levam a outras e eles
sempre querem saber mais e aprender mais com elas. Freire (1983) fala da importância da
ligação entre leitura e vivência de mundo. E a universidade é uma espécie de ampliação de
visão de mundo e contribui para a significação e vislumbração de novas práticas. Dada a
importância entre a leitura de mundo e do texto, Dumont (2002) dirá: “para que esse encontro
se efetive, não é necessário possuir somente competência técnica [a alfabetização] indispensável mas insuficiente. Torna-se ainda necessária a capacidade de saber integrar esses
dois universos” da leitura e o mundo do leitor.
A trajetória universitária se difere da trajetória escolar. Há maior acesso à fontes de
informação, pessoas, leituras diferenciadas daquelas praticadas durante o período escolar
como podemos perceber nas falas dos estudantes abaixo:
B., 22 anos: agente entra em contato com novos recursos de informação que no ensino
médio não tinha conhecimento os livros os artigos anais de eventos as apresentações
uma diversificação maior de formatos de suportes de informação que agente é
introduzido assim na época da universidade, agente assim, no ensino médio era meio
deficitário nessa questão de variedade.

2875

�K., 26 anos: Outra grande diferença em meus hábitos de leitura se refere a fontes de
informação, só muito recentemente tive acesso a internet em casa, a faculdade oferecia
computadores que serviram para a pesquisa de temas e realização de trabalhos, ofereceu
também livros e artigos acadêmicos que eu salvava em dispositivos para ler em casa,
mesmo livros literários que não possuía condições de adquirir.
A., 21 anos: Creio que a universidade tenha me tornado mais preparada para ler alguns
tipos de livro. Os científicos, por exemplos. Com certeza o meu curso me deu uma visão
bem mais ampla e me tornou mais capaz de procurar informações que antes eu nem
imaginava que me interessavam. Com isso, tive uma grande modificação na maneira de
pensar no meu próprio futuro, de planejar os meus próximos passos. Exatamente por
essa mudança, sinto um grande aumento na habilidade em buscar informações, e mais
ainda, de trabalhar essas mesmas informações, usando-as a meu favor.

Diante das falas apresentadas podemos pensar a universidade como lócus da
construção do letramento informacional dos estudantes. Para isso vamos analisar tal conceito
e como as falas demonstram essa construção.
Segundo a AASL (2000) letramento informacional ou Information Literacy são um
conjunto de habilidades individuais adquiridas pelo indivíduo que o torna competente para
reconhecer suas necessidades de informação, localizar, avaliar e usar efetivamente essa
informação adquirida. Esse uso efetivo se dá a partir do instante em que ele consegue
transformar essa em novo conhecimento ou resolver alguma questão pessoal.
O letramento informacional é necessário principalmente nesse atual contexto de
rápidas mudanças tecnológicas e de grande fluxo de informação (AASL, 2000). Com a
globalização houve um

crescimento

significativo

da quantidade

de informações,

principalmente com o advento da imprensa de Gutemberg. Mais ainda após a era da Internet,
onde o fluxo de informação é maior ainda promovendo o que conhecemos como explosão
informacional.
O termo letramento informacional (information literacy) nasce nos Estados Unidos e
tinha como preocupação: na década de 1950 de formar cidadãos hábeis para a sociedade da
informação, principalmente na biblioteca escolar (FIALHO, 2009; MELO e ARAÚJO, 2007).
Em meados de 1980, a abertura de mercado no final da guerra fria, exigia cada vez mais
informações que pudessem agregar valor aos produtos (MELO e ARAÚJO, 2007) e era
preciso pessoas com competências mais específicas e complexas e não simplesmente
qualificação (MIRANDA, 2004).
Com todas essas habilidades as pessoas teriam elementos suficientes para buscar,
localizar e avaliar as informações as quais poderiam contribuir para o desenvolvimento da
sociedade a partir da criação de uma consciência cultural e política.

2876

�Dentro dessa perspectiva, o indivíduo competente em informação é aquele que
(AASL, 2000): determina que tipo de informação é necessária; acessa a informação necessária
com efetividade e eficiência; avalia as informações e fontes criticamente; incorpora a
informação ao seu conhecimento de base; utiliza a informação para realizar propósitos
específicos e entende os aspectos econômicos, legais, sociais e éticos do uso da informação.
Sujeitos competentes no uso das informações são mais apitos a tomar decisões. Para Gasque,
2012, p. 18):
As decisões mais eficazes dependem da competência em buscar informações
de pontos de vista diferenciados, organizá-las e apreende-las, considerando a
experiência pessoal, para se chegar a uma conclusão, mesmo que provisória.
A esse processo sistematizado e metódico de organizar a informação
denominamos ‘pensamento reflexivo’.
As trajetórias dos estudantes demonstram uma capacidade de reflexão maior como já
observamos anteriormente. De certa forma eles melhoram sua capacidade de buscar, organizar
e usar efetivamente essa informação, porém não podemos concluir se realmente há elementos
suficientes para afirmar que eles são competentes no uso da informação, pois seria
necessário uma tese específica para analisar essa questão. Deixemos claro que esta pesquisa
aponta para esse direcionamento como proposta de aprofundamento em pesquisas futuras. No
entanto, podemos afirmar é que eles adquirem novas habilidades e essas fazem parte do
conjunto de habilidades daqueles sujeitos competentes no uso das informações como veremos
nas falas a seguir:
L., 32 anos: Na busca de informação eu posso dizer que sabia pouca coisa e hoje eu
aprendi muito.
K., 26 anos: Outra grande diferença em meus hábitos de leitura se refere a fontes de
informação, só muito recentemente tive acesso a internet em casa, a faculdade oferecia
computadores que serviram para a pesquisa de temas e realização de trabalhos, ofereceu
também livros e artigos acadêmicos que eu salvava em dispositivos para ler em casa,
mesmo livros literários que não possuía condições de adquirir.
B. , 22 anos: sou meio suspeito para falar porque o curso de biblioteconomia me capacita
para buscar informação. Mas independente do curso, a faculdade ela me incentivou a
pesquisar a procurar meus próprios recursos, independente de estar num curso que me
forma para isso eu acho que a faculdade me capacitou a procurar informação
C. , 24 anos: Eu sinto que consigo ler esses textos de forma mais aprofundada. Se eu leio
sobre uma crise econômica, se eu leio sobre uma greve de ônibus eu consigo interpretar
isso melhor com o aparo da universidade porque eu fui ler na essência isso, como são os
movimentos sociais, como o sistema capitalista surge, como é que são os conflitos
urbanos como eu estou aprendendo de forma detalhada aprofundada, digamos assim, no
nível de graduação. Eu acho que minha leitura para os textos que eu já lia, passou a ser
mais aprofundada. Isso que consigo ver de diferença

2877

�Enfim, um dos pontos importantes do conceito de letramento informacional se diz
respeito ao ganho cultural e social dos estudantes. Esse ganho foi comprovado pelas
entrevistas e contribui, como vimos, para o pensamento reflexivo e para o processo de
subj etivação desses jovens.

6 A JUVENTUDE DA UFG: TRAJETÓRIAS SOCIOESPACIAIS E PRÁTICAS DE
LEITURA
As trajetórias socioespaciais e a universidade influenciam nas práticas de leitura dos
estudantes universitários dos cursos de graduação da UFG. Como pontuados nesse artigo, a
partir dos resultados alcançados até aqui, essas trajetórias permeiam por diversos aspectos
ligados a sua convivência familiar e a seu ingresso na universidade. Nessa perspectiva,
mostraremos nesse tópico os pontos chaves da construção da reflexão dessa pesquisa.
O conceito de leitura ou do que é leitura na atualidade é abrangente uma vez que há
uma diversidade de mídias, textos, contextos e suportes disponíveis ao sujeito. Há de se
considerar que o mundo das letras é expressivo. A leitura (do texto) está presente por todas as
partes seja em gôndolas de supermercados, autoatendimentos e nos diversos suportes
midiáticos.
Nesse debate, há uma tentativa de hierarquizar o que é ou não é leitura do ponto de
vista da “qualidade” ou de profundidade do material lido ou a ser lido conforme interpretação
feita nos estudos de Abreu (1999; 2001) e Dumont (2002). Nessa hierarquização há tanto
críticas à literatura ou leitura de massa: romances simplórios, gibis, revistas, textos de internet
etc., ou acusação da não prática/gosto pela leitura por parte dos sujeitos.
Nessa perspectiva, argumentamos que, de fato, há de se considerar como válida todos
os tipos de leitura por mais simplórias que sejam. Não se trata de defender aqui uma leitura
relativista em prol de uma leitura ortodoxa, pois segundo Dumont (2000, p. 167) “acredita-se,
[..], que qualquer leitura possui um potencial a acrescentar, a informar, e nunca a apaziguar o
sujeito, a embrutecê-lo, a regredí-lo. Quanto mais ler, mais informações o sujeito possuirá
para discernir o que lhe apresentem no futuro”. Acreditamos que as práticas de leitura iniciam
do simplório e tendem a se tornar mais profundas com a continuidade das práticas. Por
suposto, o acesso e incentivo são necessários.
Os jovens estudantes universitários demonstram em suas falas a presença da leitura em
suas vidas, principalmente, durante sua trajetória universitária. Apesar disso, o conceito de
leitor para eles é incerto. Tais leituras são plurais, em muitos casos fragmentadas e/ou
superficiais, mas mesmo assim leituras.

2878

�Até chegar à universidade suas trajetórias são cercadas de desafios seja pelas questões
financeiras, mobilidade via transporte público ou moradia. Se antes da entrada à universidade
havia dificuldade de acesso, agora, há uma facilidade e uma competência maior por parte
deles na escolha das fontes e na transformação daquilo que se leu em conhecimento e
transformação e reconstrução do “eu” e da identidade/subjetividade. A universidade enquanto
território subjetivo e subjacente é responsável por tais transformações dos estudantes, agora
egressos e profissionais. É na universidade que as práticas de leitura e de busca por outras
leituras são potencializadas, tornando os estudantes mais próximos do letramento
informacional.
A universidade promove, também, a busca por novos estudos e conhecimento de
outros lugares e pessoas. Na universidade as diversas atividades científicas atraem públicos de
várias cidades, estados e/ou países permitindo uma troca recíproca de ideias e aprendizados.
Esses encontros instigam a produção de novas pesquisas e interação com outras culturas.
O engajamento e interesse pelo estudo e pela leitura está ligado, em muitos casos, na
relação dos estudantes com o seio familiar em que os pais, ou especificamente a mãe em
maior grau, são os principais incentivadores, seja lendo livros ou aconselhando. E esse
engajamento dos pais independe do seu grau de escolaridade ou renda.
Há um interesse por parte dos estudantes nos espaços tanto formais quanto informais
de leitura. Os espaços formais seja a biblioteca ou a universidade estão mais ligados a leitura
de formação. Já os espaços informais: a residência, praças entre outros, estão ligados a leitura
de lazer. Mas, as práticas de leitura de lazer ou de formação podem acontecer de maneira
inversa.
Seja uma leitura formal ou de lazer, o lar é o principal lugar das práticas. Lugar longe
de condenações ou observações. Onde pode-se praticar qualquer tipo de leitura ou acessar
outro suporte como a internet por exemplo. Lugar em que a leitura está longe dos
preconceitos.
Há falta de opção de lugares de leitura na metrópole. Porém, ela potencializa o acesso
por conta das livrarias e do acesso que se tem a redes de internet, onde pode-se efetuar
compra de livros ou ler em ambiente virtual. O ciberespaço é o suporte, a fonte e o “lugar”
para diversas práticas de leitura. Não só a leitura é presente na rede. Há uma interação
constante de pessoas que se conhecem, se conectam e trocam ideias e conhecem outras
culturas. O problema colocado pelos professores é que por ser um ambiente de altos fluxos de
informação, a leitura passa ser fragmentada e superficial.

2879

�Dessa feita, podemos afirmar que existem diferentes práticas de leitura e diversas
formas de ler dos estudantes da UFG. Além disso, os múltiplos territórios contribuem para o
estabelecimento de diferentes práticas e são potencializadas pelo seu ingresso na
universidade. Por fim, essas as variadas práticas de leitura se dão pela possiblidade de acesso
e incentivo. Sendo assim, é preciso investir na construção de políticas públicas
possibilitadoras do acesso e incentivo a leitura e deixar para trás a velha máxima do não gosto
pela leitura.
5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS
Nos pressupostos teóricos chamamos a universidade de território de leituras. Os
conceitos de território dizem que um espaço se configura como território a partir do momento
em que há relações de poder, soberania ou controle. Haesbaert (2004, 2007, 2012) dirá que o
território é um espaço sociocultural onde há uma apropriação subjetiva do indivíduo. Vimos
que o espaço da universidade se torna território de leitura onde, a partir das relações
estabelecidas, surgem práticas de leitura diferentes das que os jovens estudantes tinham
anteriormente.
As entrevistas, os questionários e as redações feitas pelos estudantes demonstram que
suas práticas de leitura sofrem influências socioespaciais da universidade e também da capital
Goiânia. Ressalta-se que a diferença entre as práticas de leitura anteriores à universidade não
se trata apenas de conteúdos universitário ou não. Os estudantes universitários são instigados
à curiosidade, à necessidade de busca por informações e a construção de novos
conhecimentos o que não ocorre quando apenas são estudantes secundaristas.
Os resultados dos questionários e entrevistas até aqui mostram que os estudantes não
são presos somente às leituras universitárias ou aquelas leituras passadas pelos professores, ou
seja, eles estão sempre em busca de outras. Mas essas outras leituras, como percebemos nas
falas deles, são instigadas pelas relações socioespaciais estabelecidas na universidade. Seja
em conversa com outros estudantes, com os professores, com palestrantes, na biblioteca, na
livraria, na sala de aula etc.
As entrevistas mostram os estudantes bem amadurecidos e seguros com o aprendizado
tido durante a universidade. Todos afirmam que a universidade acrescentou muito nos seus
conhecimentos e/ou nos seus modos de pensar. Dizem serem mais críticos com relação às
leituras praticadas.
Podemos afirmar que as trajetórias socioespaciais dos estudantes universitários
influenciam nas suas práticas de leitura em todos os sentidos, tornando-os mais críticos, mais
curiosos e mais seguros consigo mesmo. Ao descrevermos as trajetórias socioespaciais da

2880

�juventude, antes e durante sua vida universitária, percebemos que estar na universidade é
sinônimo de vitória e ascensão social.

A maioria mostrou muitas dificuldades

socioeconômicas as quais dificultaram a sua permanência na universidade. No entanto, são
otimistas quanto a sua formação e ao futuro profissional. Uma das dificuldades elencadas em
relação à permanência na universidade foi a mobilidade via transporte público. Segundo eles,
a universidade é longe do local de moradia e isso dificulta, pois o transporte público não é
bom.
Ao identificar os territórios de leitura do jovem universitário e o processo de
construção de identidades a partir dessas práticas de leitura, percebemos que a universidade é
o território maior dessas práticas. Porém cada estudante constrói o seu “lugar” para a leitura.
É em casa que se sentem melhor para ler as leituras instigadas pelo espaço universitário. No
entanto, citam outros ambientes: o próprio campus universitário, a biblioteca, durante o trajeto
via transporte público e nas salas de aula. Essas leituras praticadas contribuem para a
formação, construção e reconstrução das suas identidades, pois os leva e os instiga a novas
reflexões e eleva o processo de subjetivação.
Ao verificar se as práticas de leitura realizadas sobre a influência do espaço
universitário contribuem para o letramento informacional dos estudantes, percebemos que o
processo de letramento informacional se aproxima do processo de construção, reconstrução e
reflexão das identidades. Uma vez que, as habilidades adquiridas pelo letramento
informacional contribuem para o processo reflexivo o qual está intimamente ligado aos
processos de subjetivação. Mesmo assim, não podemos afirmar se há uma formação por
completo do letramento informacional pois precisaríamos de um estudo mais aprofundado
para essa averiguação. Entretanto a presença de algumas habilidades próprias do letramento
informacional foram percebidas e demonstradas nos seus comportamentos.
Na Análise sobre ciberespaço como fonte de leitura da juventude universitária
identificamos que esse espaço faz parte dos lugares de pertencimento do jovem universitário
perante a leitura. Os estudantes fazem uso diário das redes sociais e pesquisas escolares,
porém muitos se sentem incomodados em alguns momentos por sentirem que a internet pode
atrapalhar em alguns momentos justamente pela profusão de informações constantes nela. No
entanto, são variadas as práticas de leitura nesse ambiente.
Os múltiplos territórios contribuem para o estabelecimento de diferentes práticas de
leitura podendo facilitar ou dificultar o acesso. Isso porque a leitura depende do acesso ao
texto independente do formato ou suporte. E se nesses múltiplos territórios o texto estiver
presente, pode sim potencializar suas práticas.

2881

�Por fim, a universidade é um território favorecedor de diferentes práticas de leitura,
pois os jovens são instigados a buscar novas leituras para vencer os desafios teóricos
propostos por essa instituição.

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Documentação&#13;
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              <text>Juventude universitária da UFG: trajetória socioespaciais e práticas de leitura</text>
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              <text>Santos, Andrea Pereira</text>
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          <name>Coverage</name>
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              <text>Belo Horizonte (Minas Gerais)</text>
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          <name>Publisher</name>
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              <text>UFMG</text>
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          <name>Date</name>
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              <text>2014</text>
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          <name>Language</name>
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              <text>pt</text>
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          <name>Type</name>
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          <name>Description</name>
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              <text>Trata-se de uma pesquisa de doutorado, hora em andamento, em que são mostrados resultados parciais da tese. A parte dos resultados que escolhemos para apresentar refere-se às práticas de leitura e sua contribuição para construção da subjetividade, identidade e letramento informacional dos jovens universitários da Universidade Federal de Goiás - UFG. O objetivo geral é: estudar a influência das trajetórias socioespaciais nas práticas de leitura dos estudantes universitários dos últimos períodos dos cursos de graduação na UFG dos campus de Goiânia. Para isso, partimos da pesquisa qualitativa com aplicação de questionários, entrevistas e redações feitas aos estudantes dos últimos períodos dos cursos de graduação da UFG. Concluímos que a universidade é um território em que as práticas de leitura realizadas nesse espaço contribuem para a formação das identidades e contribuem para o letramento informacional dos estudantes.</text>
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