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                <elementText elementTextId="75580">
                  <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

GERENCIAMENTO DE ACERVO ATRAVÉS DA TECNOLOGIA RFID: A
EXPERIÊNCIA DA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA DA UFLA
Nivaldo Oliveira
Rosiane Maria Oliveira
Fernanda Vasconcelos Amaral
RESUMO
Este relato de experiência apresenta a implantação do sistema de RFID na Universidade
Federal de Lavras (UFLA). Com a crescente expansão dos cursos e do número de alunos da
UFLA, a Biblioteca Universitária percebeu a necessidade de modernizar e agilizar os serviços
oferecidos ao público da instituição. Para alcançar esse objetivo, foi elaborado um projeto de
segurança, identificação e gerenciamento do acervo da biblioteca, por meio da tecnologia de
identificação por radiofrequência, mais conhecida pela sigla RFID. A implantação desse
sistema foi estruturada em quatro fases e envolveu: a) levantamento de fornecedores de
tecnologia RFID; b) aquisição de etiquetas e equipamentos de radiofrequência; c)
magnetização do acervo e d) treinamento dos servidores e usuários da biblioteca. Com a
utilização da tecnologia RFID, houve melhoria na segurança e no monitoramento do acervo,
otimização do serviço de circulação de material por meio do autoempréstimo, mais autonomia
para o usuário e liberação de servidores para realizar outras atividades. Neste artigo, busca-se
compartilhar a experiência da Biblioteca Universitária da UFLA na implantação desse
sistema, além de apresentar os benefícios, os problemas e a avaliação da tecnologia RFID.
Palavras-chave: Radiofrequência; RFID; Autoempréstimo; Segurança e gestão do acervo.

ABSTRACT
This experience report shows the implementation of the RFID system at the Federal
University of Lavras (UFLA). Due the growing expansion of courses and number of students
from UFLA, the University Library realized the need to modernize and streamline the
services offered to the public. To achieve this goal, a security, identification and management
project for the library resources was developed, using the Radio Frequency Identification
technology, also known by the acronym RFID. The deployment of this system was structured
into 4 phases and involved: (a) survey of RFID technology suppliers; (b) acquisition of tags
and RFID equipment; c) magnetization of the library’s collection; and (d) training of the
library employees and users. Due the use of RFID technology, there has been an improvement
in the safety and management of the library’s collection, the loan service has been optimized
by the auto loan, the library’s users have become more independent and it has been possible
to allocate some employees to perform other tasks. In this article, we share the experience of
the University Library of UFLA in the deployment of this system and also present the
benefits, problems and evaluation of the RFID technology.
Keywords: Radio Frequency Identification; RFID; Self loan; Collections security and
management.

2773

�1 INTRODUÇÃO
A Biblioteca Universitária da Universidade Federal de Lavras (BU/UFLA) vem se
consolidando, ao longo dos anos, como referência imprescindível para as atividades de
ensino, pesquisa e extensão desenvolvidas no âmbito da UFLA. Além disso, por se tratar de
um organismo pertencente a uma instituição pública, a biblioteca presta serviços para
segmentos variados da população de Lavras e região, sobretudo àqueles vinculados ao sistema
educacional.
Atualmente, o acervo da BU/UFLA soma 288.911 exemplares, dos quais 77.948 são
livros nacionais e estrangeiros e, ainda, 25.027 dissertações e teses, 9.167 folhetos, 591
trabalhos de conclusão de curso, 68 normas técnicas, 181 CD-ROMs, 70 DVDs, 18 gravações
de vídeo e 175.671 periódicos nacionais e estrangeiros337, além de 186 materiais especiais
(computador portátil, material Braille e outros). Com uma coleção tão grande, a preocupação
com a vulnerabilidade do acervo é inerente.
Relatos de desaparecimento de materiais bibliográficos em bibliotecas são comuns,
inclusive casos referentes a furtos de acervos de difícil aquisição, que são de importância
significativa para as universidades e, até mesmo, para a cultura nacional. Por isso, é
importante a adequação da infraestrutura das bibliotecas universitárias, de forma a restringir
as ocorrências de roubos e de desvios de obras.
Além disso, devido ao Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das
Universidades Federais (Reuni), iniciado na UFLA em 2008, houve um aumento de mais de
100% do número de estudantes matriculados, com um salto aproximado de 5.500 para 12.000
alunos, entre graduandos e pós-graduandos338. Esse crescimento da comunidade acadêmica
acarretou uma sobrecarga de trabalho no setor de circulação de materiais, que passou a
demandar um sistema mais eficiente para o serviço de atendimento ao usuário.
Por isso, em setembro de 2012, o projeto “Sistema de Radiofrequência - RFID:
segurança, identificação e gerenciamento do acervo da Biblioteca da UFLA” foi elaborado a
partir da constatação da necessidade de garantir a proteção do acervo e também da
possibilidade de otimização dos serviços prestados pela BU/UFLA. O objetivo do projeto era
revitalizar a segurança e a gestão do acervo de forma rápida, periódica e precisa, visando à

337 Os dados estatísticos foram coletados em 10 de abril de 2014, por meio do sistema de gerenciamento de
bibliotecas, o Pergamum.
338 Os dados referentes à quantidade de cursos e alunos da UFLA foram extraídos do site da Diretoria de
Registro Acadêmico da UFLA (DRCA/UFLA). Disponível em: &lt;www.drca.ufla.br&gt;. Acesso em: 14 abr. 2014.

2774

�segurança do patrimônio público e aperfeiçoar o serviço de empréstimo e, consequentemente,
melhorar a qualidade do atendimento prestado.
Outros objetivos mais específicos também foram traçados, a saber:
^ dotar a biblioteca de infraestrutura antifurto inovadora, adequada e compatível
com o atual acervo;
^ aferir periodicamente o acervo, possibilitando a realização de inventário de forma
rápida e eficiente, ação não realizada nos últimos 10 anos, a qual permitirá
conhecer o estado real de perdas do acervo;
^ monitorar o acervo, facilitando a localização das obras deslocadas frequentemente
pelos usuários;
^ agilizar o processo de empréstimo das obras por meio de equipamentos adquiridos;
^ minimizar o número de exemplares desaparecidos no acervo.

2 REVISÃO DE LITERATURA
A revisão de literatura foi baseada na evolução tecnológica das bibliotecas,
considerando seu processo de automatização e na comparação entre a tecnologia RFID com o
código de barras no serviço de circulação de materiais em bibliotecas. A seguir, são descritos
esses dois casos.

2.1 Evolução tecnológica nas bibliotecas
Desde a década de 1960, as bibliotecas começaram a ser automatizadas e
informatizadas, utilizando, primeiramente, as fichas perfuradas e, posteriormente, o
computador. A introdução dessas novas tecnologias na rotina das bibliotecas agilizou e
aprimorou as atividades internas desenvolvidas pelos bibliotecários, refletindo no melhor
atendimento ao usuário.
Ao analisar a situação da automação nas bibliotecas universitárias,
identificou, entre outros aspectos, que o maior benefício com a implantação
do processo de informatização é a rapidez, agilidade e eficiência no
atendimento e prestação de serviços, isto é, a otimização das atividades não
só com relação aos usuários, como também no que diz respeito ao controle e
formação do acervo, levantamentos bibliográficos, catalogação,
empréstimos, comutação, reclamação de obras em atraso e processamento
técnico. (FIGUEIREDO, 1998).

2775

�O primeiro grande avanço na modernização das bibliotecas ocorreu com a substituição
das famigeradas fichas de papel com os dados do acervo pelos bancos de dados gerados nos
catálogos eletrônicos. Essa única invenção facilitou tanto a catalogação de materiais quanto a
recuperação da informação e o serviço de empréstimo.
A instauração do Online Public Access Catalog (OPACS) possibilitou também o
funcionamento de outros sistemas mais complexos, como o utilizado na tecnologia de
identificação por radiofrequência (RFID). Por meio do sistema RFID, os dados cadastrados
nos OPACS são registrados em etiquetas magnéticas colocadas em cada item do acervo. Essa
tecnologia, surgida durante a Segunda Guerra Mundial, já é largamente utilizada em
estabelecimentos comerciais e industriais para monitorar e rastrear produtos. Nas bibliotecas,
contudo, sua utilização ainda é recente. A literatura sugere que a primeira implantação do
sistema de RFID em um ambiente de biblioteca foi em 1998, na Singapore Public Library
(ENGEL, 2006).
Segundo Soares et al. (2012), o RFID é constituído pelos seguintes componentes:
- Etiquetas RFID: uma etiqueta ou tag RFID é um pequeno objeto que
contém chips de silício e antenas que lhe permite responder aos sinais de
rádio enviados por uma base transmissora. Estão disponíveis em diversos
formatos, tais como cartões, pastilhas, argolas e em materiais como plástico,
vidro, epóxi, etc. Os Tags tem duas categorias: Ativos e passivos. Os
primeiros são alimentados por uma bateria interna e permitem processos de
escrita e leitura. Os tags passivos são do tipo só leitura (read only), usados
para curtas distâncias. Nesses, as capacidades de armazenamento variam
entre 64 bits e 8 kilobits.
- Antenas detectoras: a antena ativa o Tag, através de um sinal de rádio, para
enviar/trocar informações (no processo de leitura ou escrita). As antenas são
fabricadas em diversos tamanhos e formatos, possuindo configurações e
características distintas, cada uma para um tipo de aplicação.
- Leitor/Gravador: quando a Tag passa pela área de cobertura da antena, o
campo magnético é detectado pelo leitor, que decodifica os dados
codificados na Tag, passando-os para um computador realizar o
processamento.

Para completar o sistema RFID, é necessário também um software, chamado
middleware, que gerencia a captura de dados e seu fluxo. Esse software é necessário porque
os sistemas RFID não trabalham de forma isolada; os dados captados precisam ser
processados e interpretados, gerando um fluxo informacional que possibilite a execução de
diversas operações e serviços para o usuário. Entre outras funções, o middleware é
responsável pelo envio de dados ao sistema informatizado de biblioteca, no caso da
BU/UFLA, o programa Pergamum.

2776

�Apesar de envolver uma tecnologia de ponta, o RFID é de funcionamento muito
simples. Primeiramente, etiquetas eletrônicas com um microchip são colocadas em cada
exemplar do acervo, possibilitando o rastreamento por ondas de rádio. Para acessar as
informações do microchip, as antenas detectam os sinais de rádio e os transmitem para os
leitores, que transformam esses sinais em dados digitais. Após essa conversão, o middleware
é capaz de ler e interpretar esses dados, fornecendo as informações necessárias para realizar
serviços como o autoempréstimo e a autodevolução.
O fluxograma com os equipamentos disponíveis na BU/UFLA, ilustrando o
funcionamento do sistema RFID adotado pela instituição, pode ser observado na Figura 1.

Figura 1 - Fluxograma do sistema RFID da BU/UFLA
Gravação dos
dados na etiqueta

Sistema
RFID da
BU/UFLA

Uma informação importante em relação às etiquetas é a impossibilidade de leitura
por meio de materiais metálicos, tais como ferro e alumínio. Nesse caso, é necessário utilizar
etiquetas especialmente elaboradas para esse tipo de material, sendo um produto de custo
mais elevado. Por isso, os CDs e os DVDs da BU/UFLA foram parcialmente etiquetados e
continuam com acervo fechado ao usuário.
Existem várias vantagens relatadas com relação à aplicação do sistema de RFID, tanto
em gestão de bibliotecas, como em outras áreas. Entre os benefícios, incluem: a automação, a
eliminação ou a redução de lesão por esforço repetitivo, maior satisfação do cliente, controle
de acervo e celeridade de rastreamento dos exemplares nas estantes, aumento de

2777

�armazenamento de dados e redução de roubos. Além de destacar as vantagens da aplicação
RFID, estudos têm identificado alguns desafios e limitações que as organizações enfrentam
quanto à implementação de RFID. Alguns desses desafios e limitações incluem: custo,
dificuldade de leitura das etiquetas em produtos que contenham metais e dificuldade de ler
etiquetas muito próximas ao corpo humano.
Além de visitas técnicas nas bibliotecas universitárias da Pontifícia Universidade
Católica do Rio Grande do Sul, da Universidade Estadual Paulista “Julio de Mesquita Filho”,
campus Rio Claro e tomando como base o projeto da Universidade Federal de Uberlândia,
alguns estudos envolvendo a implantação de tecnologia RFID em biblioteca, disponíveis na
literatura, também foram consultados, como o de Madhusudhan (2009), que analisou o uso e a
implementação da tecnologia RFID em duas bibliotecas do Indian Law Institute Library e do
National Social Science Documentation Centre Library, em Nova Délhi, utilizando um
questionário estruturado contendo 20 questões. Os resultados indicam que, após a
implementação de RFID em ambas as bibliotecas, o empréstimo e a devolução foram
reduzidos a menos de 20 segundos por item e o uso das bibliotecas também aumentou.
Segundo a autora, nem a própria equipe da biblioteca tinha calculado a economia de tempo
dos funcionários. O estudo apontou que o alto custo da manutenção é um dos desafios
importantes para serem analisados após a implementação da tecnologia RFID. O documento
apresenta as vantagens dessa tecnologia para bibliotecas e a recomenda para outras bibliotecas
para que os serviços sejam oferecidos com mais rapidez e qualidade para seus usuários.
Já o estudo de Dwivedi et al. (2013) expõe que a operação e a gestão de bibliotecas
exigem a realização de uma série de atividades demoradas, meticulosas e repetitivas. Assim, a
fim de aumentar a eficiência e eficácia, muitas bibliotecas estão evoluindo para a
automatização da maioria das suas rotinas. As bibliotecas estão implantando a tecnologia
RFID como um substituto para sistemas de código de barras para identificação de produtos e
rastreamento, e isso permite a automatização da maioria dos seus processos.

2.2 Comparativo entre a RFID e o código de barras
A implantação do RFID na BU/UFLA surgiu como um complemento ao sistema de
código de barras, já presente na instituição. Os códigos de barras foram inseridos no acervo
em 1997 (SANTOS, 2008) e facilitaram os serviços de empréstimo e devolução, ao
permitirem a identificação automática dos números do exemplar e do cartão do usuário pelos
leitores óticos, que enviam os dados ao sistema de gerenciamento da biblioteca.

2778

�Contudo, mais do que apenas identificar os exemplares e os usuários, o RFID permite
também a operacionalização de inúmeros outros serviços, que são realizados de forma muito
mais prática. No quadro abaixo, mostra-se um comparativo das principais diferenças entre
essas duas tecnologias, segundo Viera, Viera e Viera (2007):

Quadro 1: Comparação entre a tecnologia RFID e o código de barras
T ecn o lo g ia R F ID vs. C ód igo de B a rra s
R F ID

A leitura das etiquetas RFID pode ser feita
mesmo que se encontrem dentro de diversos
materiais (papel, madeira, plásticos, entre
outros).
Permite a leitura simultânea de diversas
etiquetas RFID (leitura simultânea de vários
itens).
Não necessita que as etiquetas estejam numa
posição específica em relação ao leitor RFID
(precisa simplesmente que esteja no campo de
ação da antena de detecção).
Transmissão de dados por rádiofrequência.
Permite inserir ou alterar os dados que foram
salvos na etiqueta (etiquetas RFID com
capcidade de leitura/escrita).
Etiquetas resistentes a diversos agentes
ambientais (atrito, poeira, luz, umidade e
temperatura).
As etiquetas RFID podem ter um bit de
segurança que permite identificar objetos que
estão sendo furtados.
Maior alcance de leitura das etiquetas.
Menor uso do tempo e de quantidade de
recursos humanos.
Permite a leitura das etiquetas RFID em
movimento.
Permite realizar inventário sem mover os
objetos de sua posição.
Permite rápida localização de materiais
extraviados.
Utilizável com equipamentos automatizados
de classificação

C ód igo de B a rra s

Para a leitura, as etiquetas com código de
barras devem estar expostas sem nenhum
obstáculo entre elas e o leitor.
Leitura sequencial das etiquetas. (item por
item)
Requer alinhamento das etiquetas ao campo
de visão do leitor de código de barras.

Não se aplica.
Não se aplica.

As etiquetas não podem ser lidas se molhadas,
rasuradas ou se tiverem depósito de poeira
sobre elas.
Requer a implementação de um sistema
antifurto.
Menor alcance de leitura das etiquetas.
Maior uso do tempo e de quantidade de
recursos humanos.
Não se aplica.
Não se aplica.
Não se aplica.
Não se aplica.

Fonte: Viera, Viera e Viera (2007).

No projeto de implantação do sistema RFID na BU/UFLA, as características mais
prezadas na tecnologia de radiofrequência em detrimento do código de barras foram: leitura
simultânea de várias etiquetas, fim da necessidade de posicionar o código de barra na posição
correta para realizar a leitura, etiqueta mais resistente que o código de barras (que necessita

2779

�ser substituído periodicamente), identificação dos exemplares pelo sistema antifurto,
possibilidade de realizar o autoempréstimo e autodevolução de livros e possibilidade de
realizar o inventário sem a necessidade de retirar os exemplares das estantes.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
De acordo com Gil (2010), a presente pesquisa classifica-se como sendo de caráter
exploratório e descritivo. É exploratório, por se tratar de uma pesquisa específica que avança
em um tema dentro de uma base única, ou seja, um estudo de caso. A primeira fase da
pesquisa foi um levantamento bibliográfico sobre o tema proposto, se completando com uma
análise documental. Também é uma pesquisa descritiva porque busca identificar e obter
informações sobre as características da experiência de implantação de tecnologia RFID para
gerenciamento do acervo da Biblioteca Universitária da UFLA.
A implantação do projeto “Sistema de Radiofrequência - RFID: segurança,
identificação e gerenciamento do acervo da Biblioteca da UFLA” foi elaborada como parte
integrante do Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) 2011-2015 da UFLA. Por meio
do PDI, os objetivos, as metas e as ações foram traçados para o período de 2011-2015,
visando melhorar a qualidade dos serviços prestados pela universidade, além de atender às
exigências da Lei n° 10.861, de 14/4/2004, que avalia as instituições de educação superior.
A implantação do projeto foi estruturada em quatro etapas:
35. levantamento de fornecedores disponíveis para atender as necessidades referentes
à tecnologia RFID;
36. aquisição de um sistema composto de etiquetas e equipamentos com dispositivos
de radiofrequência;
37. etiquetagem do acervo da biblioteca;
38. treinamento da equipe de servidores e usuários da biblioteca.

3.1 Fornecedores de tecnologia RFID e aquisição dos equipamentos
No fim de agosto de 2012, foi preparado um processo licitatório com informações de
vários fornecedores para a aquisição da seguinte lista de equipamentos:
-

sistema de detecção RFID com duas antenas, formando um corredor na saída da
biblioteca;

-

etiqueta RFID, 1 para cada livro, revista e demais materiais impressos;

-

etiqueta RFID, 1 para cada CD, DVD e demais mídias óticas;

2780

�-

acessórios RFID para estação de trabalho da Coordenadoria de Processos Técnicos
(CPT) e de Coordenadoria de Atendimento ao Usuário (CAU);

-

acessório para inventário;

-

equipamentos de autoempréstimo.

O processo licitatório tinha como critério o fornecimento dos equipamentos pelo
menor valor por grupo, porém, em pesquisa realizada no site do Instituto Nacional da
Propriedade Industrial (INPI), pode-se identificar que foi concedida carta patente alusiva ao
acessório para inventário a um dos fornecedores. Diante de tal diagnóstico, esse equipamento
foi retirado do processo de compra, naquele momento, a ser adquirido futuramente.

3.2 Magnetização do acervo
Primeiramente, foi necessário realizar uma triagem dos materiais a serem etiquetados,
para evitar o processamento de obras que seriam descartadas em pouco tempo. Estabeleceu-se
como prioridade as obras de maior circulação. Durante as férias acadêmicas dos alunos,
durante o mês de maio de 2013, foi montada uma força tarefa, que permitiu que os servidores
da biblioteca etiquetassem todo o acervo de livros, no total aproximado de 70 mil exemplares.
O acervo de CDs e DVDs foi parcialmente protegido, sendo etiquetados 100 itens
aproximadamente. Contudo, devido ao alto custo desse tipo de etiqueta, a Comissão Técnica
da BU/UFLA optou por manter esses materiais com acesso restrito.

3.3 Capacitação dos servidores e usuários da biblioteca
A capacitação para utilização da tecnologia RFID e do sistema de autoempréstimo foi
realizada pelo funcionário da empresa fornecedora da tecnologia, em maio de 2013, durante a
implantação do sistema. O técnico de informática da BU/UFLA acompanhou diretamente a
instalação de todos os equipamentos, para que pudesse monitorá-los posteriormente.
Inicialmente,

alguns

servidores que desenvolveram

suas atividades utilizando

os

equipamentos de tecnologia RFID, apresentaram certa resistência, porém, com o tempo, a
praticidade e a facilidade no manuseio dessas ferramentas, convenceram-se dos benefícios.
O uso do sistema teve uma influência positiva e significativa para a satisfação do
usuário. Assim, desenvolver um cenário favorável foi necessário na fase inicial a fim de
apresentar aos usuários o novo sistema. Dessa forma, houve a capacitação dos usuários logo
no início das aulas do primeiro semestre de 2013, com o auxílio dos servidores e de bolsistas
da Coordenadoria de Atendimento ao Usuário da BU/UFLA.

2781

�No Programa de Capacitação de Novos Usuários (PCNU) ofertado pela biblioteca,
cujo objetivo é o de contribuir para elevar a qualidade e o desempenho acadêmico por meio
do aproveitamento máximo dos serviços e recursos de informação, bem como o uso adequado
e responsável de suas dependências e do seu acervo, foram apresentadas capacitações nas
modalidades presencial ou virtual, orientando os alunos calouros em como utilizar o sistema
de autoempréstimo.
A divulgação do autoempréstimo foi realizada pelos meios de comunicação da UFLA
e da biblioteca, tais como sites, redes sociais, TV e cartazes.

4 RESULTADOS PARCIAIS
Após a implantação do sistema RFID, o serviço de empréstimo e devolução ficou
muito mais eficiente, diminuindo drasticamente as filas de espera e aumentando a satisfação
do público atendido. O empréstimo é realizado em poucos segundos pelo próprio usuário, que
necessita apenas posicionar o cartão de identificação da UFLA (carteirinha do estudante) no
terminal de autoempréstimo, digitar sua senha da biblioteca, posicionar o(s) livro(s) e,
automaticamente, o material é emprestado. Há a opção de solicitar a impressão do
comprovante de empréstimo, caso assim o usuário deseje.
Na devolução, o servidor responsável por esse serviço necessita apenas aproximar o
livro do pad, um acessório RFID da estação de trabalho responsável pela leitura de
radiofrequência. Outro facilitador é a possibilidade de “empilhar” quantos livros desejar
próximo ao pad, para que todos os livros sejam devolvidos simultaneamente, sem a
necessidade de anteriormente passar cada um dos códigos de barras.
Com esses benefícios, houve redução de atividades dos servidores lotados no Setor de
Circulação, sendo possível o remanejamento de pessoal para outros serviços em demanda. O
controle da portaria de saída também foi facilitado, pois o portal antifurto soa um alarme
quando um item não emprestado passa através do portal.
No início da implantação, alguns problemas foram detectados, tais como duplicação
de etiquetas coladas nos livros, resistência de alguns servidores em relação à segurança da
tecnologia e momentos em que o usuário não percebia que o livro foi emprestado pelo
terminal de autoempréstimo.

5 CONSIDERAÇÕES
A RFID é uma tecnologia que está em ascensão nas bibliotecas brasileiras, devido ao
aumento da produtividade nos processos realizados rotineiramente no setor de circulação e a

2782

�um possível aumento na segurança de materiais destinados ao empréstimo domiciliar. No
cenário internacional, há vários casos de sucesso nos Estados Unidos, na Índia, na Coreia do
Sul e em vários outros. No Brasil, há os exemplos da Unesp Rio Claro, da Pontifica
Universidade Católica do Rio Grande do Sul e da Universidade Federal de Uberlândia, cada
caso com sua especificidade.
A implementação do sistema RFID trouxe grandes ganhos para a BU/UFLA. Além de
melhorar significativamente a gestão do acervo e o serviço de empréstimo, que passou a ser
realizado de forma mais inteligente e ágil, contribuiu para a segurança do acervo. O novo
sistema foi rapidamente aceito, tanto pelos servidores quanto pelos usuários da biblioteca.
A autonomia proporcionada pela radiofrequência foi importante também na liberação
de servidores para outros serviços e, mesmo com a devolução ainda sendo realizada por um
servidor, esse processo foi facilitado pela praticidade do RFID que, diferente do código de
barras, possibilita a devolução de vários itens de uma única vez, diminuindo, dessa forma, o
desgaste gerado pela ação repetitiva dessas ações rotineiras no serviço de atendimento ao
usuário da biblioteca.
A RFID proporciona também um serviço que será implantado até junho de 2014 na
BU/UFLA: a devolução automática de itens do acervo. Por meio da autodevolução, o usuário
colocará o material bibliográfico em uma estação externa com uma esteira rolante, a etiqueta
do material será identificada e o item devolvido automaticamente. Um comprovante de
devolução será impresso para o usuário e o material será encaminhado para os “carrinhos” de
guarda de livros, onde os materiais bibliográficos serão separados de acordo com o número de
classificação. Por exemplo, a BU/UFLA adquiriu três carrinhos de guarda de livros: no
primeiro serão enviados os materiais bibliográficos com classificação 000 a 500; no segundo,
com classificação acima de 501 e, no terceiro, serão separados os materiais bibliográficos com
reserva ou alguma pendência na catalogação. Dessa forma, a reposição desses materiais
bibliográficos nas estantes será facilitada.
A principal desvantagem da tecnologia RFID é seu alto custo de implantação, pois é
necessário não somente comprar vários equipamentos, como também adaptar o espaço físico
para receber o sistema, além de providenciar consultoria e treinamento de pessoal. Contudo,
em médio prazo, é possível observar o retorno desse investimento por meio da redução de
ocorrências de roubos do acervo e do menor número de servidores empregados para realizar o
atendimento ao público nas rotinas de empréstimos e devoluções de materiais.

2783

�Outro problema detectado é a possibilidade de falhas de desempenho do sistema de
autoempréstimo. Quedas de energia ou da rede de internet podem paralisar o sistema, que não
reinicia automaticamente.
Apesar dos desafios enfrentados na implantação do sistema RFID, a experiência pode
ser considerada positiva, muito produtiva e com resultados expressivos, demonstrando que as
novas tecnologias da informação possibilitam que melhores serviços sejam oferecidos pelas
bibliotecas. Os objetivos da biblioteca devem ser atingidos por métodos mais lógicos, sendo
as tarefas rotineiras (e que dispensam o trabalho intelectual) executadas pelos equipamentos,
poupando custo e tempo. Por isso, a responsabilidade do bibliotecário torna-se maior perante
o usuário, pois surgem novos métodos e ferramentas para multiplicar a eficiência de seus
serviços.
A rapidez dessa mudança deve ser assimilada pelo profissional que necessita
reaprender a utilizar seu espaço de trabalho e descobrir todas as novas potencialidades da
área. Para poder explorar essas novas potencialidades, o bibliotecário deverá estar “atento” ao
mundo e se atualizar constantemente sobre as novas tecnologias que estão surgindo para
facilitar o trabalho do profissional da informação.
É importante destacar também que o surgimento das novas tecnologias da informação
trouxe também muita insegurança para a classe bibliotecária, que temia ser substituída por
essas novas ferramentas. Hoje está claro que as tecnologias de nada servem sem um
profissional capacitado para operá-las. As tarefas podem ser informatizadas ou mecanizadas,
mas o trabalho intelectual e especializado do bibliotecário ainda continuará indispensável. As
novas tecnologias servem apenas retirar a carga de trabalho excessiva dos bibliotecários,
assistentes e auxiliares, que passam a dispor de mais tempo para realizar tarefas mais
complexas e menos rotineiras.

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affecting system use and user satisfaction. International Journal of Information
Management, Guildford, v. 33, n. 2, p. 367-377, abr. 2013. Disponível em: &lt;http://ac.elscdn.com/S0268401212001302/1-s2.0-S0268401212001302-main.pdf?_tid=7e990d02-c4c011e3-b297-00000aacb361&amp;acdnat=1397581858_d5c45f855dddee83c15fc07aeeffa962&gt;.
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2784

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              <text>Este relato de experiência apresenta a implantação do sistema de RFID na Universidade Federal de Lavras (UFLA). Com a crescente expansão dos cursos e do número de alunos da UFLA, a Biblioteca Universitária percebeu a necessidade de modernizar e agilizar os serviços oferecidos ao público da instituição. Para alcançar esse objetivo, foi elaborado um projeto de segurança, identificação e gerenciamento do acervo da biblioteca, por meio da tecnologia de identificação por radiofrequência, mais conhecida pela sigla RFID. A implantação desse sistema foi estruturada em quatro fases e envolveu: a) levantamento de fornecedores de tecnologia RFID, b) aquisição de etiquetas e equipamentos de radiofrequência, c) magnetização do acervo e d) treinamento dos servidores e usuários da biblioteca. Com a utilização da tecnologia RFID, houve melhoria na segurança e no monitoramento do acervo, otimização do serviço de circulação de material por meio do autoempréstimo, mais autonomia para o usuário e liberação de servidores para realizar outras atividades. Neste artigo, busca-se compartilhar a experiência da Biblioteca Universitária da UFLA na implantação desse sistema, além de apresentar os benefícios, os problemas e a avaliação da tecnologia RFID.</text>
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