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                <elementText elementTextId="75535">
                  <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

EXTENSÃO EM BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS: O CASO DO PROJETO
LITERACIA NA UNIVERSIDADE FEDERAL DO CEARÁ

Raimundo Nonato Ribeiro dos Santos
Kleber Lima dos Santos
Ana Patricia Celedónio da Silva

RESUMO
Apresenta o Projeto de Extensão Literacia: competência informacional nas escolas,
desenvolvido no Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do Ceará, com foco na ação
de extensão Proposta de Normalização de Trabalhos Escolares. O Projeto Literacia objetiva
demonstrar como o desenvolvimento educacional está relacionado com a competência em
informação, ratificando a biblioteca como um ambiente fundamental de geração de
conhecimento e aprendizagem. Destaca a extensão universitária como um fator importante
para o desenvolvimento da sociedade e como linha de ação que as bibliotecas universitárias
podem se inserir para promover e estender seus serviços.
Palavras-chave: Competência em informação. Extensão universitária. Biblioteca escolar.

ABSTRACT
Presents the Extension Literacy Project: information literacy in schools, developed at the
Library System of the Universidade Federal do Ceará, with a focus on action Extension
Proposal for Standardization of School Works. The Literacy Project objective to demonstrate
how the educational development is linked to the information literacy, ratifying the library a
key environment knowledge generation and learning. Highlights the university extension as
an important factor to the development of society and as a line of action that university
libraries can insert to promote and extend their service.
Keywords: Information competence. University extension. School library.

1 INTRODUÇÃO
A biblioteca é um espaço peculiar de aprendizagem, como um lócus estratégico de
ações correlatas e complementares das ações desenvolvidas em sala de aula. Nesse sentido, a
experiência com a leitura e com o comportamento investigativo, tão importante para o avanço
educacional, podem ser ampliados no espaço de uma biblioteca escolar, desde que
minimamente estruturada para tal.

2721

�As bibliotecas, como agentes envolvidos nos processos de geração, gestão e
disseminação da informação necessitam promover habilidades de uso da informação, ou seja,
ensinar os alunos a: definir suas necessidades, acessar, selecionar, avaliar, organizar e usar
informações visando gerar seu próprio conhecimento. Milanesi ([20--]) apud Belluzzo (2005,
p. 33), afirma que:
uma prática de ensino, para incluir a leitura e a discussão, exige
transformações na escola, mudando a cena, alterando a sala de aula,
mudando o papel do professor de mero transferidor de conteúdo,
incrementando a biblioteca e incentivando todas as formas de acesso à
informação registrada e a produção de novas informações.
A educação hoje deve estar voltada para os processos de construção, gestão e
disseminação do conhecimento, com ênfase no aprendizado ao longo da vida, necessitando
dos indivíduos que desenvolvam a competência em informação. Pessoas competentes em
informação são capazes de compreenderem suas necessidades de informação, de pesquisar
corretamente, de serem aprendizes autônomos. É preciso aprender a aprender; aprender a ler
criticamente; aprender a manusear informações em diversos suportes, em virtude do excesso
de informações e da oferta constante das tecnologias presentes no nosso dia-a-dia.
Considerando-se que a competência em informação se caracteriza pela ênfase na
aprendizagem pela pesquisa orientada, verifica-se que, nesse sentido, a ação da escola
(direção, professores, biblioteca) é incipiente. Embora reconheça-se a importância da questão
e sua responsabilidade com relação a ela, observa-se que falta sistematizar ações coletivas e
permanentes para o desenvolvimento efetivo da competência em informação.
Nesse meio, a necessidade de um padrão de apresentação de trabalhos escolares
corresponde à compreensão de que a iniciação científica é contínua e gradual, e dessa
maneira, abrindo espaço para que se pense a pesquisa escolar de forma consciente, orientada e
inequivocamente formativa. Neste sentido, se deter em certos elementos mais simples nas
séries iniciais e elementos complementares e mais complexos nas séries mais avançadas
demonstra ser o mais adequado e o que condiz com a formação gradual do alunado.
Desenvolvido no Projeto de Extensão Literacia, do Sistema de Bibliotecas da
Universidade Federal do Ceará, este trabalho tem como objetivo geral a proposição de uma
padronização para trabalhos escolares, refletindo sobre temáticas importantes como
competência em informação, pesquisa escolar e normalização de trabalhos científicos.

2722

�2 COMPETÊNCIA EM INFORMAÇÃO
A sociedade atual caracteriza-se pela multiplicidade de informações, pela aceleração
dos seus processos de produção e de disseminação, tornando-se necessário preparar cidadãos
capazes de selecionar, avaliar, interpretar e utilizar as fontes de informação habilmente,
conhecendo seus mais variados suportes e formatos. A busca pela formação de cidadãos
competentes no uso da informação deve ser iniciada na escola, fase introdutória dos
indivíduos ao ambiente da biblioteca escolar e às fontes de informação, sendo o período
propício para a realização da instrução da competência em informação. No contexto
educacional, a competência em informação é de suma importância para as funções
pedagógicas, apoiando no processo de aprendizagem, e desenvolvendo as capacidades dos
alunos.
De acordo com Belluzo (2005), entende-se que a competência em informação deve
ser compreendida como uma das áreas em que o processo de ensino e aprendizagem esteja
centrado. Segundo a American Library Association (1989), os requisitos básicos para o
indivíduo ser competente em informação são: saber buscar, avaliar, filtrar e usar a
informação, ou seja, aquelas pessoas que aprenderam a aprender.
Contudo antes de tornarem seus alunos competentes em informação, é necessário que
os professores dominem tal competência. Com a competência em informação, o professor
será capaz de reconhecer quando tem necessidades de informação, selecionar fontes de
informação, utilizar estratégias de busca, avaliar a qualidade e relevância das informações e
aplicá-las na resolução de problemas.

2.1 Competência em informação e normalização de trabalhos escolares
Baseado no exposto, em 2011 foi criado no Sistema de Bibliotecas da Universidade
Federal do Ceará (UFC) o Projeto de Extensão intitulado “Literacia: competência
informacional nas escolas”, que tem como objetivo geral promover a competência em
informação em escolas de Fortaleza. Para tal, seguirá os seguintes objetivos específicos:
a) discutir o conceito de pesquisa na escola, com professores e alunos;
b) apresentar exemplos de fontes de pesquisa;
c) orientar o acesso às informações contidas nas fontes de pesquisa;
d) mostrar as etapas para a elaboração de um trabalho de pesquisa;
e) conscientizar o aluno sobre a importância da leitura para a elaboração do trabalho
escolar;

2723

�f) oportunizar a realização de pesquisas para colocar em prática os conhecimentos
teóricos apresentados em sala de aula;
g) promover a biblioteca escolar; e
h) colaborar para a uniformização e a padronização da apresentação dos trabalhos
escolares através de um projeto de normalização.

O Projeto está em fase de implantação, desenvolvendo ações voltadas para a rede
pública de ensino de Fortaleza. Sua equipe é composta por 02 (dois) bibliotecários do Sistema
de Bibliotecas da UFC e 01 (uma) bolsista de Extensão, graduanda em Biblioteconomia.
O desenvolvimento de projetos de competência em informação na comunidade
escolar, por meio da biblioteca, possibilita que o aluno seja formado como usuário da
informação em passos gradativos para buscar, entender, organizar, interpretar, avaliar, utilizar
e comunicar a informação. Não significa que seja um processo de aquisição somente de
habilidades formais de busca em catálogos e ferramentas eletrônicas, mas também sirva de
mola propulsora para mudança de atitude a respeito da informação, do conhecimento, da
preparação escolar para a resolução de problemas e tomada de decisões. O que se espera é o
desenvolvimento do desejado espírito crítico e criativo do estudante no decorrer da vida toda
(MACEDO, 2005).
A educadora norte-americana Carol C. Kuhlthau desenvolveu a obra Como usar a
biblioteca na escola, que se fundamenta nos estágios cognitivos de Jean Piaget e consiste em
um programa de atividades progressivo, que aborda os diferentes recursos informacionais da
biblioteca escolar. Seu objetivo é capacitar crianças e jovens para acessar, avaliar e utilizar os
diversos recursos informacionais, em suportes impressos ou eletrônicos (KUHLTHAU,
2002). A obra foi adaptada por um grupo de pesquisadores da Escola de Ciência da
Informação da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).
Apresenta-se a seguir o modelo da educadora americana Carol Kuhlthau (2010, p. 17)
para o processo de pesquisa escolar, dividido em sete estágios:
1) início do trabalho;
2) seleção do assunto;
3) exploração de informações;
4) definição do foco;
5) coleta de informações;
6) preparação do trabalho escrito;
7) avaliação do processo

2724

�O modelo de Kuhlthau serviu como base para o desenvolvimento do Projeto Literacia.
A proposta de normalização de trabalhos escolares é o foco do sexto estágio: preparação do
trabalho escrito. Nela está embutida a ideia de possibilitar aos alunos o desenvolvimento
gradual da linguagem científica e do rigor dos métodos científicos. Neste sentido, têm-se
como outros objetivos o desenvolvimento de capacidade de reflexão, uma melhor análise de
textos escritos e imagéticos e a estruturação coerente e apresentação confiável da informação
recolhida, em um processo prévio de busca de informação.
É importante ter atenção aos anos da educação básica, pois assim pode-se orientar a
qualidade da formação do aluno em adquirir conhecimentos e meios de aprendizagem que ele
levará a etapa do ensino superior, no mercado de trabalho e no meio social. A disseminação
da normalização e da escrita científica entre os alunos da educação básica reforça a ponte
entre ensino fundamental e médio com o ensino universitário, produzindo justamente a
continuidade formativa que tornará mais consistente a formação científica do aluno.
O padrão de trabalho escolar deve partir, logicamente, de um padrão já existente e
válido. Neste caso, a proposta de normalização de trabalhos escolares a ser construída baseiase nas normas de “Documentação e Informação” elaboradas pela Associação Brasileira de
Normas Técnicas (ABNT). Destacamos a NBR 14724 - Trabalhos acadêmicos, NBR 6023 Referências, NBR 6027 - Sumário, NBR 10520 - Citações.
O objetivo geral da Proposta de Normalização de Trabalhos Acadêmicos é refletir
sobre e implementar a construção de um modelo de apresentação de trabalhos escolares para
alunos do ensino fundamental da Escola Centro dos Retalhistas. Daí, surgem os seguintes
objetivos específicos: a) Fomentar nos alunos do ensino fundamental o desenvolvimento
gradual da linguagem científica e do rigor dos métodos científicos; b) Refletir sobre a
conciliação entre orientação pedagógica e orientação metodológica na prática do ensino; c)
Desenvolver habilidades e competências nos alunos, principalmente as relacionadas ao
protagonismo e a reelaboração própria de conteúdos, a partir do ensino pela pesquisa.

3 PESQUISA ESCOLAR
A pesquisa pode ser definida como um processo presente em vários costumes
rotineiros, tendo como atividade a busca, indagação, investigação da realidade e que sustenta
tomada de decisões e geração de novos conhecimentos, auxiliando na compreensão e na
reconstrução própria pelo aluno.

2725

�Tomada num sentido amplo, pesquisa é toda atividade voltada para a
solução de problemas; como atividade de busca, indagação, investigação,
inquirição da realidade, é a atividade que vai nos permitir, no âmbito da
ciência, elaborar um conhecimento, ou um conjunto de conhecimentos,
que nos auxilie na compreensão desta realidade e nos oriente em nossas
ações (PÁDUA, 1996, p. 29).
Porém, na educação básica, a pesquisa deve ser compreendida para além de seus
aspectos estritamente utilitários, se tornando um poderoso princípio formativo e didático. De
modo que, o aprender a aprender está embutido na perspectiva investigativa proposta pela
mobilização de conhecimentos, habilidades e atitudes inerentes à pesquisa. (DEMO, 2007).
Matos e Castanha [s.d.] dão ênfase a ligação entre o ensino e a pesquisa; o professor
deve estar atento às individualidades e contexto social em que estão inseridos os alunos para
desse modo adequar metodologias de trabalho, motivando o interesse, a curiosidade assim
como a criatividade e a investigação, evitando simples reproduções de ideias ou a prática do
“copiar e colar”.
A internet é uma grande fonte de aquisição de conhecimentos, porém é necessário que
haja um direcionamento nessa atividade de pesquisa onde o aluno não aproveite respostas
prontas e sim analise e consiga argumentar suas próprias conclusões. Em um relato de
experiência de Guedes e Farias (2007) é observado na questão do uso de tecnologias da
informação em bibliotecas escolares que a maioria se utiliza de fontes eletrônicas para a
pesquisa, mas uma porcentagem menor oferece um treinamento de ensino para o
aprimoramento dessas buscas.
Neste sentido, baseados no modelo construtivista, entendemos que os alunos, desde o
início de sua escolarização, devem desenvolver habilidades de localizar, selecionar e usar
informações que os capacitem para aprender a aprender, de forma autônoma, não só durante
sua formação escolar, mas ao longo da vida, cerne compartilhado também pela competência
em informação.

4 EXTENSÃO UNIVERSITÁRIA
As atividades extensionistas dentro da Universidade são de suma importância para o
desenvolvimento político, social e cultural, aprimorando competências profissionais e
contribuindo para o progresso social. Segundo Garrafa (1989, p. 109) “extensão é conceituada
como um processo educativo cultural e cientifico que articula o ensino e a pesquisa de forma
indissociável e viabiliza a relação transformadora entre universidade e sociedade”.

2726

�Sob uma ótica político-metodológica, o meio social é o objeto da extensão e o
principal beneficiado, exercendo assim uma ferramenta articuladora do ensino e da pesquisa,
considerados os três pilares da Universidade pública brasileira. Estes não podem ser tratados
de modo isolado, mas sim de forma integrada e em consonância com os anseios e
necessidades da sociedade.
Não obstante, esta relação dá-se de forma recíproca, haja vista a Universidade
também beneficiar-se neste processo, pois a extensão possibilita a interação entre o “pensar” e
o “fazer” universitário, conforme indica Serrano (2001). Dessa forma é possível a
Universidade atingir funções de cunho: acadêmico (que se fundamenta nas bases teóricometodológicas), social (em que busca promover a organização social e a construção da
cidadania) e articulador (do saber e do fazer e da universidade com a sociedade).
Nogueira (2000, p. 63 apud OLIVEIRA, 2004, p. 2) ressalta que a Universidade deve
“induzir” programas e projetos que visem enfrentar os problemas específicos produzidos pela
situação da exclusão. Partindo disto, compreende-se que a Universidade, especialmente a
pública, tem a responsabilidade de aliar educação e cultura, e contribuir para o fortalecimento
da cidadania.
De acordo com Tavares (1997), a extensão universitária aparece para uma pequena
fração da comunidade acadêmica como a possibilidade de dar suporte a um novo paradigma
de produção de conhecimento no âmbito da Universidade, tendo uma relação próxima com a
sociedade em um processo de troca e complementaridade, constituindo um objeto catalisador
das bases sociais.
Nesta perspectiva, nota-se que as bibliotecas universitárias, têm privilegiado em suas
práticas informacionais o compromisso com a comunidade acadêmica. As evidências desta
escolha são perceptíveis pelos produtos e serviços orientados para docentes, discentes,
funcionários e pesquisadores, como se as bibliotecas universitárias não fossem sensíveis à
comunidade do seu entorno. Faz-se necessário situar as bibliotecas universitárias como um
espaço de cidadania, construído por meio de experiências de extensão planejadas para e com
os grupos e sujeitos sem vínculos formais com a Academia, mas que moram no entorno e por
vezes possuem acesso precário à informação, sobretudo em função das condições
socioeconômicas que marcam a vida cotidiana de parte significativa da população brasileira.
Começa-se a notar na literatura da área, as possibilidades de engajamento dos
profissionais da informação que atuam nessas organizações em atividades de promoção da
leitura, palestras e oficinas para a comunidade externa aos campi. (VICENTINI et al., 2007;
COSTA et al. 2008). Ferreira (2012, p. 86) destaca:

2727

�[...] os projetos de extensão também viabilizam formas de ação mais
direcionadas às necessidades sociais de informação dos segmentos populares
da sociedade. São empreendimentos desse tipo que permitem situar os(as)
bibliotecários(as) como agentes de intervenção numa realidade nacional
ainda tão desigual em termos de oportunidades de acesso às TIC, de
educação de qualidade, de ampliação do conhecimento e de condições
mínimas para uma vida mais cidadã para homens, mulheres e crianças.
Neste sentido, o projeto do qual trata este trabalho busca estimular a sociedade (na
parcela representada por seus participantes) para a importância da competência em
informação como meio de inclusão informacional e esta última como instrumento de
conscientização, mobilização e transformação social.

5 MATERIAIS E MÉTODOS
Cientificamente, este estudo baseia-se na metodologia participativa da pesquisa-ação
onde a equipe do Projeto Literacia e a comunidade escolar trabalham juntos, compartilhando
saberes com o propósito de disseminar entre os alunos o espírito científico e a competência
em informação.
A pesquisa-ação é concebida por Thiollent (2011, p. 8) como um “conjunto de
procedimentos para interligar conhecimento e ação”, visando extrair da ação novos
conhecimentos que irão transformar a situação-problema. A pesquisa-ação pressupõe “uma
forma de ação planejada de caráter social, educacional, técnico ou outro” (THIOLLENT,
2011, p. 14). Além disso, a pesquisa-ação permite entrelaçar objetivos de ação e objetivos de
conhecimento que remetem a quadros de referência teóricos, com base nos quais “são
estruturados os conceitos, as linhas de interpretação e as informações colhidas durante a
investigação” (THIOLLENT, 2011, p. 8).
Assim, a pesquisa-ação é orientada em função da resolução de problemas ou de
objetivos de transformação. Como vantagem, a pesquisa-ação oferece aos pesquisadores e ao
grupo de participantes os meios de se tornarem capazes de responder com maior eficiência
aos problemas da situação em que vivem, em particular sob a forma de diretrizes da ação
transformadora. O método da pesquisa-ação consiste essencialmente em elucidar problemas
sociais e técnicos, cientificamente relevantes, reunindo os pesquisadores, os membros da
situação-problema e outros atores e parceiros interessados na transformação da realidade,
formulando respostas sociais, educacionais, técnicas e/ou políticas adequadas.
Dessa forma, a Proposta de Normalização de Trabalhos Escolares resultará de uma
ação da equipe do Projeto Literacia visando qualificar estudantes do ensino básico na

2728

�comunicação e escrita científicas, competências informacionais essenciais para a construção
da aprendizagem.
A Proposta de Normalização de Trabalhos Escolares do Projeto Literacia tem como
lócus de execução a Escola de Ensino Fundamental Centro dos Retalhistas da rede pública.
Será apresentada junto à diretoria e corpo docente, para discussão da viabilidade da proposta
levando em conta sua contextualização quanto à realidade da Escola Centro dos Retalhistas.
Depois de um consenso entre os proponentes do Projeto Literacia e a escola e da formalização
de padrão para apresentação de trabalhos escolares, a aplicação da proposta será efetivada, à
medida do necessário, pelos professores em todas as atividades escolares.
Discutido sobre o modelo de padrão adequado, deve-se criar um documento
consensual, formalizado pela diretoria da escola, no qual todos os professores devem estar
cientes de seu cumprimento. Além da proposta de normalização de trabalhos escolares existe
um acompanhamento da rotina e atividades da escola, uma aproximação com os professores
para se colocar em prática tarefas de pesquisa que siga os moldes expostos na proposta.
Contudo, vale ressaltar que alguns empecilhos podem ser identificados nessa trajetória
como a uma estrutura pedagógica rígida, posicionamentos didáticos retrógrados, alunado
resistente e etc. Por isso, essa é uma perspectiva que deve ser abraçada por todos
indistintamente. A escola deve refletir em todo seu espaço a pesquisa. Desde ações mais
simples, como um concurso de poesia até mais elaboradas como a exposição de resultados de
uma pesquisa para a comunidade num evento como uma feira de ciências, de modo que tudo
deve está entrelaçado e planejado. Daí a importância crucial do planejamento pedagógico que
endossa a perspectiva da pesquisa. Abrir tanto quanto possível espaços para a pesquisa nas
atividades didáticas ou sempre manter a perspectiva de elaboração própria em todas as
atividades.
Ações paralelas fortes são e serão necessárias: leitura em pesquisa, conhecimento e
disseminação de experiências didáticas que enfoquem a pesquisa, concursos de poesias,
jornais escolares, recitais, teatro, projetos com fanzines, vídeos e etc., mas dentre todas as
ações ressalta-se que um projeto de leitura atuante, contextualizado e criativo deve existir, sob
pena fatal de engessar e desvirtuar a educação pela pesquisa. Esta, como sabemos, não é bem
realizada sem interpretação de informações e consequentemente da própria realidade, que é,
sem sombra de dúvidas, um terreno onde vicejam as mais provocantes perguntas que
embasam uma pesquisa relevante.

2729

�6 RESULTADOS
A proposta de apresentação de trabalhos escolares está embasada em elementos
constituintes de todo trabalho de pesquisa científico em forma de monografia, a saber:
33.

Elementos obrigatórios: Capa, Folha de Rosto,

Sumário, Introdução,

Desenvolvimento, Conclusão, Referências.
34.

Elementos opcionais: Apêndices e Anexos.

As normas utilizadas nesta proposta são:
-

NBR 14724/2011 - Trabalhos Acadêmicos - Apresentação;

-

NBR 6023/2002 - Referências - Elaboração;

-

NBR 6027/2003 - Sumário - Apresentação; e

-

NBR 10520/2002 - Citações - Apresentação. Estrutura do trabalho escolar.

O trabalho seguirá a seguinte estrutura:
Capa: É a proteção do trabalho, contém elementos de identificação;
Folha de rosto: Exibe todos os dados essenciais de identificação do trabalho como o
título, nome do aluno e do professor, disciplina e data;
Sumário: Enumera as partes do trabalho na ordem em que são apresentadas;
Introdução: explica-se rapidamente do que se trata o trabalho e o que se pretende;
Desenvolvimento: é o miolo e a parte mais importante do trabalho. É recomendado
que se desenvolva um texto claro e objetivo, explicando o assunto abordado, dando exemplos,
citando trechos de livros (sempre entre aspas e com citação bibliográfica), levantando
hipóteses etc.;
Conclusão: expõe o ponto de vista adquirido sobre o assunto, fazendo uma síntese ou
sugerindo ideias, encerrando o trabalho com uma conclusão final;
Referências: Conjunto padronizado de descrição das obras que foram utilizadas para
se fazer o trabalho;
Apêndices: documentos elaborados pelo autor que complementam o trabalho como
gráficos ou tabelas;
Anexos: documentos não elaborados pelo autor que servem para de fundamentação,
comprovação ou ilustração.
O formato atenderá as seguintes especificidades:
^ Papel branco ou reciclado, formato A4.

2730

�x Fonte da letra: tamanho 12 para todo o texto.
^ Usar cor da fonte preta em todo o trabalho.
^ O trabalho deverá ser digitado no anverso, atendendo as margens de: Esquerda e
Superior: 3 cm; Direita e Inferior: 2 cm.

A proposta deve ser de uso comum entre todas as séries do ensino fundamental,
cabendo ao professor, cobrar, a rigor, a aplicação dos parâmetros para a apresentação de
trabalhos escolares.
Pressupõe-se a realização de treinamentos sobre normalização com os professores,
caso seja detectado a necessidade. Procuramos atender as questões frequentes, como por
exemplo, o que deve ser exposto na introdução, no desenvolvimento e na conclusão ou
questões pontuais como a diferenciação de anexos e apêndices, por exemplo, assim como
fornecer dicas para uma boa elaboração e estruturação dos trabalhos.
Ao mesmo tempo pretendemos divulgar as ações do projeto em uma página na
internet, ocasionando uma maior visualização, comunicação e dinamicidade com o públicoalvo e outros que compartilhem interesse pela referida temática. A proposta de padrão de
trabalhos escolares da Escola Centro dos Retalhistas será publicada online no Blog do Projeto
Literacia para download, assim os alunos terão acesso livre a este material para seu uso
correto, conjuntamente com as inserções explicativas e didáticas empreendidas pelos
professores durante suas aulas além de outros recursos de auxílio à pesquisa, reforçando
assim, a proposta didática da orientação metodológica do alunado.

8 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Acredita-se que a padronização de apresentação de trabalhos escolares acarretará uma
qualidade imprescindível aos trabalhos escolares do alunado, tornando-os mais cientes da
estrutura lógica de desenvolvimento de uma ideia e da defesa de um ponto vista, o que
coincide com uma educação que preza a autonomia e a construção própria do aluno.
A integração com o ambiente escolar é essencial para o cumprimento eficiente da
proposta, deve-se mostrar para os professores e diretoria os benefícios que serão produzidos e
abrir espaço para ações paralelas que contribuam para despertar o interesse dos alunos e
alimentar a exposição de ideias e produções próprias.
A participação de bibliotecários neste processo é determinante, assim como o uso da
biblioteca. No âmbito pedagógico é necessário que a biblioteca esteja integrada ao currículo
do alunado, sob pena da descaracterização de uma proposta mais autônoma de aprendizagem.

2731

�Espera-se que a implementação do padrão de apresentação de trabalhos escolares na
Escola Centro dos Retalhistas contribua para que professores e alunos se integrem em uma
perspectiva investigativa que ponha em evidência a criticidade e a criatividade do processo
educacional, ou seja, o aprender a aprender.

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        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                <text>Biblioteconomia&#13;
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    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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              <text>Apresenta o Projeto de Extensão Literacia: competência informacional nas escolas, desenvolvido no Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do Ceará, com foco na ação de extensão Proposta de Normalização de Trabalhos Escolares. O Projeto Literacia objetiva demonstrar como o desenvolvimento educacional está relacionado com a competência em informação, ratificando a biblioteca como um ambiente fundamental de geração de conhecimento e aprendizagem. Destaca a extensão universitária como um fator importante para o desenvolvimento da sociedade e como linha de ação que as bibliotecas universitárias podem se inserir para promover e estender seus serviços.</text>
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