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                  <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

ESTUDO DO PROCESSO DE BUSCA DE INFORMAÇÃO DE USUÁRIOS DA
BIBLIOTECA DO INSTITUTO DE FÍSICA DA UNIVERSIDADE FEDERAL
FLUMINENSE
Karen Guimarães Cardoso
RESUMO
Apresenta um estudo do processo de busca de informação de usuários em uma biblioteca
universitária. Este trabalho teve como objetivo conhecer o comportamento informacional dos
usuários da Biblioteca do Instituto de Física da Universidade Federal Fluminense, procurando
compreender como ocorre o processo de busca assim como a percepção do usuário em relação
a este processo. Analisa aspectos sobre os estudos de usuários. Descreve o modelo Kuhlthau
do processo de busca da informação. O método adotado foi a aplicação de um questionário e
os dados obtidos foram relacionados ao modelo de busca de informação de Carol Kuhlthau. A
pesquisa está centrada no usuário, tendo características do paradigma alternativo. O modelo
Kuhlthau diz que os sentimentos de incerteza e ansiedade são comuns no processo de busca,
principalmente na primeira etapa, o que foi confirmado através da análise dos resultados.
Também foi observado, de acordo com o modelo de Kuhlthau, que o início da tarefa é
geralmente confuso, mas na próxima etapa há o surgimento de um sentimento mais positivo,
de otimismo, embora haja alternância entre estes sentimentos. Conclui que através da
compreensão do comportamento informacional do usuário, pode-se promover um melhor uso
do sistema.
Palavras-Chave: Estudo de usuário; Biblioteca universitária; Processo de busca de
informação.
ABSTRACT
Presents a study of the information search process of the users in a university library. This
study aimed to understand the information behavior of the users of the Institute of Physics
Libray, of the Fluminense Federal University, trying to understand how the information
search process occurs, and user perception regarding this process. Examines aspects on user
studies. Describes the Kuhlthau model of the information search process. The method used
was a questionnaire, and the data obtained were related to the information search process
model of Carol Kuhlthau. The research focuses on the user, with features of the alternative
paradigm. The Kuhlthau model says that Uncertainty and anxiety are an integral part of the
process, particularly in the beginning stages, which was confirmed through the analysis of
results. It was also noted, according to the model of Kuhlthau, that the beginning of the task is
often confusing, but the next step there is the emergence of a more positive feeling and
optimism, although there is alternation between these feelings. Concludes that by
understanding user information behavior, it can promote a better use of the system.
Keywords: User study; University library; Information search process.

2683

�1 INTRODUÇÃO
Estudo de usuários é um importante tópico dentro da Ciência da Informação (CI) e a
literatura desta temática tem crescido bastante a nível mundial. Entender o comportamento do
usuário, como ele busca, se apropria, usa e transmite a informação é um ponto fundamental da
CI.
Este trabalho tem como objetivo conhecer o comportamento informacional dos
usuários da Biblioteca do Instituto de Física da Universidade Federal Fluminense, procurando
compreender como ocorre o processo de busca assim como a percepção do usuário em relação
a este processo. Optou-se por trabalhar apenas com usuários reais. E os objetivos específicos
eram tentar compreender as motivações dos usuários para irem na biblioteca, como
reconhecem suas necessidades de informação, como ocorre o processo de busca de
informação e quais os seus sentimentos em relação a este processo.

2 ASPECTOS SOBRE OS ESTUDOS DE USUÁRIO
A Ciência da Informação tem como um dos seus interesses o uso da informação pelas
pessoas. É um ponto básico da CI a compreensão do processo de busca e do uso de
informação. Desta forma, o estudo de usuários é um tópico de suma importância. Wilson
(1981) observa que este tópico, além da recuperação da informação, é o que recebe mais
atenção dos estudiosos da área. Segundo Gasque e Costa (2010), estes estudos se iniciam após
a década de 1940, devido a dois eventos importantes, a Conferência de Informação Científica
da Sociedade Real em 1948 no Reino Unido e a Conferência Internacional de Informação
Científica em 1958 nos Estados Unidos, chamando a atenção para a importância dos estudos
das necessidades dos usuários. Em 1966 Menzel faz uma revisão sobre as necessidades e uso
da informação em ciência e tecnologia, dando início a uma série de revisões, de vários autores
sobre o tema. No início, entre 1950 e 1960, os estudos analisavam basicamente usuários de
informação científica e tecnológica (assim como a base da própria Ciência da Informação).
Inicialmente enfatizava-se mais o uso do sistema do que o uso da informação propriamente.
Em 1976, com a criação do Centre for Research on User Studies na Inglaterra, o foco tende a
mudar para o usuário. Trazendo o foco para o usuário, engloba-se também os não-usuários,
pessoas que não utilizam fontes ou sistemas de informação formais, mas sim outras redes de
informação, conforme estudos apontados em Gasque e Costa (2010).
Ainda em Gasque e Costa (2010) os primeiros estudos eram centrados no sistema,
inseridos num paradigma tradicional, que tem como algumas características a objetividade,
onde a informação possui um valor constante, o mecanicismo focado no sistema, e a

2684

�passividade do usuário, que apenas recebe a informação como um pacote. No paradigma
voltado ao sistema, o usuário deve utilizar o sistema de informação conforme ele foi
projetado. Ferreira (1995) aponta que o usuário é visto em uma posição passiva, tendo que se
adaptar ao sistema, inclusive os treinamentos de usuário podem ser identificados como um
reflexo desta visão.
Não se imaginava indagar, aos sistemas, questões imprescindíveis sobre a
identidade e propósitos principais de seus usuários. Como a informação era
considerada como algo existente fora das pessoas e passível de ser
transferida de uma para a outra, parecia ser possível que eficiência e sucesso
das operações de um sistema pudessem ser medidos em função do número
de fontes de informações recuperadas pelo sistema versus o que realmente
foi de interesse do usuário. (FERREIRA, 1995)

A partir do final da década de 1970 vários autores voltaram esforços para a construção
de modelos teóricos para a compreensão do comportamento informacional dos usuários, como
Dervin, Kuhlthau, Belkin, Wilson, Taylor e Ellis, inseridos num paradigma chamado
alternativo, centrado no usuário. De acordo com Araújo (2012), estes autores construíram
modelos distintos, mas partindo de um mesmo princípio, em que o usuário se reconhece em
um “estado anômalo de conhecimento” (expressão utilizado por Belkin) e então se direciona
para a busca por informação. Com a mudança de paradigma, os estudos abordam o
construtivismo, onde o conhecimento é construído através das relações e interações do sujeito
com o meio, e o comportamento informacional é entendido como variável conforme o
contexto social. O foco é a subjetividade do usuário, e não a objetividade da informação e dos
sistemas de informação.
Conforme as exposições em aula desta disciplina a qual se destina o presente trabalho,
no paradigma tradicional, centrado no sistema, a informação tem significado constante para
todos os usuários e corresponde totalmente à realidade, enquanto que no paradigma
alternativo, centrado no usuário, é o próprio usuário que atribui o valor à informação através
da sua interpretação e sua visão de mundo. Sobre o conceito de necessidade de informação, no
paradigma tradicional é algo que o indivíduo precisa ter para o seu trabalho ou realização
pessoal, e no paradigma alternativo vai além, como algo que induz a busca de informação
para atender necessidades físicas, cognitivas, sociais ou afetivas. Abordando o processo de
busca, o paradigma tradicional foca somente o momento de interação entre o usuário e o
sistema, e o paradigma alternativo abrange ainda os momentos anteriores e posteriores a essa
interação, as motivações e as conseqüências. Olhando para o usuário, o paradigma tradicional
o vê como passivo, meramente receptor da informação, enquanto que no paradigma

2685

�alternativo o foco totalmente no usuário, observando seu comportamento ativo, sua conduta,
seu processo de busca pela informação, sua construção de significado. O contexto no
paradigma tradicional é analisado de forma em que os usuários com características similares
em situações similares têm atitudes similares em relação aos processos informacionais, e
sendo assim os estudos tem como objetivo a representatividade e têm caráter quantitativo. O
paradigma tradicional, por sua vez, analisa o contexto de forma em que cada usuário possui
características únicas e que são variáveis conforme a situação, e os processos informacionais
podem ser diferentes em cada momento, e dessa forma os estudos inseridos neste paradigma
atentam para o usuário em seu contexto e possuem caráter qualitativo.
Pode-se resumir que a abordagem tradicional (ou paradigma tradicional) procura no
geral medir o uso de um dado serviço de informação relacionando ao perfil do usuário,
gerando dados quantitativos e padronizados. E a abordagem alternativa (ou paradigma
alternativo) procura entender o comportamento do usuário diante de sua percepção da
necessidade de informação, como procede a busca e o uso da informação.
Kuhlthau (1991) analisa que o paradigma tradicional é baseado em padrões e certezas
do sistema, o que não corresponde aos problemas dos usuários, que se caracterizam pela
incerteza e confusão. Desta forma, considera haver uma lacuna entre as respostas do sistema e
os problemas de informação do usuário.
The bibliographic paradigm is base don certainty and order, whereas users ’
problems are characterized by uncertainty and confusion. There appears to
be a gap between the system’s traditional patterns o f information provision
and the user’s natural process o f information use. (KUHLTHAU, 1991)

O termo ‘comportamento informational’ é frequentemente usado atualmente na
denominação dos estudos de usuário. Entende-se que não é simplesmente uma mudança
terminológica, mas o reflexo da mudança na abordagem. O termo ‘comportamento
informacional’ é definido por Pettigrew, Fidel e Bruce (2001) como: “o estudo de como
pessoas precisam, buscam, fornecem e usam informação em diferentes contextos, incluindo o
local de trabalho e a vida cotidiana.” (tradução nossa). E para Wilson (2000) apud Pettigrew,
Fidel e Bruce (2001), comportamento informacional é “a totalidade do comportamento
humano em relação a fontes e canais de informação, incluindo a busca por informação ativa e
passiva, e uso da informação.” (tradução nossa).
Araújo (2012) analisa que desta forma, a informação não é tida como um documento
que pode ser acessado pelo usuário e tendo seu uso quantificado, mas enfoca-se a relação
entre a informação e o conhecimento ou ausência deste.

2686

�Informação passa a ser entendida como algo capaz de alterar os estados
cognitivos dos sujeitos, dando-se, a partir daí, especial atenção às maneiras
como os indivíduos percebem seus estados de lacuna cognitiva e as
estratégias utilizadas por eles para buscar e usar as informações de que
necessitam. Neste tipo de abordagem, as maneiras (ou ‘tipos’, como
colocaria Weber) dos usuários perceberem suas lacunas é considerada uma
variável mais importante para explicar seu comportamento informacional do
que as variáveis sócio-demográficas. (ARAUJO, 2012, p. 148)

Cada pessoa percebe suas necessidades de informação de uma maneira diferente,
influenciadas pelo modelo de mundo de cada um. A partir desta perspectiva, os estudos de
comportamento informacional pretendem analisar como ocorre esse processo de necessitar,
buscar, usar, transformar a informação. O foco é entender como cada indivíduo se comporta
perante sua necessidade de informação.
Dentro do paradigma focado no usuário, encontram-se três abordagens, a cognitiva, a
social e a multifacetada. Acompanhando a evolução dos estudos de usuários, observa-se que
predomina atualmente os estudos com foco no indivíduo, com abordagem multifacetada e o
emprego de múltiplos métodos. Conforme Cunha (1982) é importante conhecer os diversos
métodos de estudo de usuários, para escolher qual melhor se aplica o objeto do estudo.
Wang (1999) considera que seja muito difícil estabelecer limites reais entre os dois
paradigmas. Ao longo dos anos ambos os paradigmas desenvolveram importantes métodos e
técnicas, porém nenhum deles isolado parece fornecer uma compreensão completa sobre o
comportamento informacional do usuário. Dessa forma, muitos estudiosos pregam o uso dos
dois paradigmas. O pesquisador pode se basear mais profundamente em um paradigma, mas
também utilizar métodos do outro paradigma.

3 PROCESSO DE BUSCA DE INFORMAÇÃO: MODELO KUHLTHAU
Segundo Kuhlthau (1991), “uma busca por informação é um processo de construção
que envolve toda a experiência da pessoa, sentimentos, pensamentos e ações” (tradução
nossa). Carol Kuhlthau desenvolveu o seu modelo do processo de busca de informação
(Information Search Process - ISP) a partir de uma série de estudos sobre as experiências
comuns a usuários em processo de busca de informação. Conforme explica González Teruel
(2005), o modelo é baseado numa perspectiva construtivista da aprendizagem. O processo de
busca de informação é visto como um processo de construção, que passa pela incerteza até
chegar ao conhecimento. Ainda conforme González Teruel (2005), nos estudos de Kuhlthau
seria possível o estabelecimento de um padrão de comportamento dos usuários no processo de
busca de informação.

2687

�O processo de busca de informação descrito por Kuhlthau é dividido nas seguintes
etapas: iniciação, seleção, exploração, formulação, coleta e apresentação. Durante todo o
processo as pessoas buscam informação em muitas fontes nas diversas etapas e experimentam
sentimentos de incerteza e otimismo em alguns momentos. A primeira etapa consiste no
reconhecimento de sua necessidade de informação, quando o usuário percebe a ausência de
uma informação para a resolução de um determinado problema. Nesta fase predomina o
sentimento de incerteza e insegurança. Na etapa seguinte, da seleção, começa a surgir um
sentimento de otimismo, quando o usuário começa a se preparar para a busca, e seleciona a
questão a ser investigada e a informação relevante para a sua questão. Na etapa da exploração,
onde o usuário começa a investigação da informação sobre a sua questão, são identificados
novamente sentimentos de incerteza e dúvida. Estes sentimentos vão se alternando, entre
sentimentos positivos e negativos até o final do processo, quando o sentimento de satisfação é
mais comum.
Em um dos estudos realizados por Carol Kuhlthau, os alunos participantes deviam
fazer registros sobre seus sentimentos, pensamentos e ações em relação a suas buscas na
biblioteca, assim como os seus procedimentos, fontes utilizadas e quais fontes foram úteis.
(Kuhlthau, 1991).

4 ESTUDO DO PROCESSO DE BUSCA DE INFORMAÇÃO DE USUÁRIOS DA
BIBLIOTECA DO INSTITUTO DE FÍSICA DA UNIVERSIDADE FEDERAL
FLUMINENSE
4.1 Metodologia
Analisando a história dos estudos de usuário, constata-se que inicialmente os estudos
eram focados no sistema, em um paradigma tradicional, e posteriormente em grande parte dos
estudos o foco passou para o usuário, em um paradigma alternativo. Conforme Wang (1999),
é válida a utilização dos dois paradigmas e que muitos estudos atualmente são realizados
numa abordagem multifacetada e com o emprego de múltiplos métodos.
O trabalho é de caráter exploratório e descritivo. Utiliza uma abordagem qualiquantitativa. O método adotado foi a aplicação de um questionário e os dados obtidos foram
relacionados ao modelo de busca de informação de Carol Kuhlthau. A pesquisa está centrada
no usuário, tendo características do paradigma alternativo.
Nesta pesquisa optou-se por trabalhar apenas com usuários reais. Antes de iniciar o
estudo foi solicitada à chefia da biblioteca a permissão para a sua realização. Em seguida foi

2688

�definida a estratégia de investigação. Foi realizada primeiramente a observação e descrição do
ambiente. A próxima etapa foi a elaboração do questionário. Este era composto por perguntas
abertas e fechadas, focando no processo de busca de informação do usuário e sobre os seus
sentimentos em relação a isto. Na maior parte das perguntas de múltipla escolha, havia a
possibilidade de marcar mais de uma opção. Atentou-se para que não fosse muito extenso. Foi
aplicado um pré-teste com 2 usuários. O questionário foi distribuído aleatoriamente, no mês
de novembro de 2012. Foi garantido o anonimato e a não obrigatoriedade em respondê-lo. 30
questionários foram respondidos.
A principal vantagem do questionário, que se coaduna com o objetivo desta pesquisa,
é a possibilidade do usuário responder às perguntas com mais liberdade,

sem

constrangimentos, pois não estaria sendo observado pelo pesquisador enquanto respondia, e
suas respostas não seriam identificadas. Dessa forma, acredita-se que as respostas possam ser
mais reais, com mais sinceridade e com menores distorções.
As respostas foram analisadas na tentativa de identificação de um padrão de
comportamento de busca de informação, ações e sentimentos relatados pelos usuários.

4.2 A Biblioteca do Instituto de Física da Universidade Federal Fluminense
A Biblioteca do Instituto de Física da Universidade Federal Fluminense (UFF) foi
criada em 1982 atendendo ao recém-criado Curso de Pós-Graduação em Física. A partir de
1985, com a integração à Superintendência de Documentação (órgão que coordena todo o
sistema de bibliotecas da UFF), passa a ser direcionada também ao curso de graduação em
Física.
Em 2006 a biblioteca é transferida de local, para um espaço com instalações maiores,
oferecendo um ambiente mais confortável e com acessibilidade física aos usuários.
A biblioteca está localizada no próprio prédio do Instituto de Física, garantindo fácil
acesso aos alunos do curso. Seu principal público são os alunos do curso de Física, de
graduação, mestrado e doutorado, e seus professores. Mas atende também alunos de outros
cursos, principalmente as carreiras da Engenharia, Ciência da Computação, Matemática,
Farmácia e Química, além de toda a comunidade universitária da UFF e ao público em geral
(alunos de Ensino Médio, pesquisadores externos, estudantes de outras universidades e outros
visitantes).
O acervo da biblioteca conta com cerca de 10 mil exemplares, entre livros, teses,
dissertações, monografias, periódicos, obras de referência, CD-ROMS. A área de

2689

�concentração do acervo é Física, mas a biblioteca possui também livros de áreas afins, como
Engenharia, Matemática, Computação, Química, e em menor número livros de leitura geral.
Entre os serviços oferecidos pela biblioteca estão a consulta ao acervo com acesso
livre às estantes, catálogo online, computadores para acesso à internet, rede wi-fi, salão de
leitura, empréstimo (somente para alunos, professores e funcionários da UFF), empréstimo
entre bibliotecas, treinamento de usuários, reprografia (somente para professores e alunos de
iniciação científica, especialização, mestrado e doutorado), Comutação bibliográfica
(COMUT). Além disso, há a realização de um evento mensal, no qual são realizadas palestras
com professores convidados e apresentação musical, aberto ao público em geral.
Sua estrutura administrativa atual é composta por quatro bibliotecários, um assistente
administrativo, um estagiário de Biblioteconomia e Documentação e três auxiliares de
biblioteca. Seu horário de funcionamento é de segunda a sexta-feira, de 8h às 21h. Sobre os
dados de circulação, em relatório estatístico anual do ano de 2011, foi contabilizada uma
média de 130 usuários por dia na utilização dos serviços da biblioteca.

5 ANÁLISE DOS RESULTADOS E COMPARAÇÃO COM O MODELO DE CAROL
KUHLTHAU
O questionário foi elaborado baseando-se nos apontamentos sobre o modelo Kuhlthau,
privilegiando a perspectiva do usuário sobre o seu processo de busca de informação.
Com as observações preliminares do ambiente, constata-se que o público mais
freqüente da biblioteca são os alunos de graduação. Em sua maioria, alunos do curso de
Física. Partiu-se do princípio de que, no geral, esses usuários vão à biblioteca com um
objetivo muito específico, que é estudar para a prova ou algum trabalho da faculdade. Isto foi
comprovado pela primeira pergunta do questionário, que indagava qual era a motivação da
visita à biblioteca, com três opções de resposta: necessidade de fazer um trabalho da
faculdade, necessidade de estudar para prova, ou outro motivo, que devia ser especificado.
Dos 30 questionários respondidos, 17 responderam que o motivo pelo qual foram à biblioteca
era a necessidade de estudar para prova. A pergunta seguinte era como se sentiam diante desta
tarefa. A maior parte dos alunos apresentou somente sentimentos negativos, como
preocupação, ansiedade e confusão. Foram indagados ainda sobre o porquê desse sentimento.
As respostas foram: “As provas em geral me fazem sentir assim”; “Esta disciplina tem alto
índice de reprovação”; “Devido à arduidade das provas.” Neste quesito pode ser aplicado o
modelo Kuhlthau que diz que os sentimentos de incerteza e ansiedade são comuns no

2690

�processo de busca, principalmente na primeira etapa: “Uncertainty and anxiety are an
integral part o f the process, particularly in the beginning stages” (KUHLTHAU, 1991).
Porém, ainda em relação aos sentimentos diante desta tarefa, alguns alunos relataram
somente sentimentos positivos, como tranqüilidade, confiança, e otimismo. Os motivos
relatados para este sentimento positivo foram a confiança em si mesmo e o tempo para
estudar e tirar dúvidas devido a antecedência à data da prova. Esta antecedência também foi
considerada por alguns alunos como fator diminuidor da ansiedade e como uma maneira de
evitar o acúmulo de matérias a estudar. Além disso, relataram a segurança que a biblioteca
transmite, por ser um espaço tranqüilo, com o material necessário para o estudo.
Chamou atenção o fato de que outros alunos manifestaram em suas respostas
sentimentos tanto negativos, quanto positivos em relação a esta tarefa. Ao mesmo em que ao
estarem estudando para a prova se sentem mais seguros e tranqüilos, ainda assim há a
preocupação e sensação de que ainda não houve preparo suficiente. Comparando ao modelo
de Kuhlthau, pode ser compreendido que o início da tarefa é geralmente confuso, mas na
próxima etapa há o surgimento de um sentimento mais positivo, de otimismo, embora haja
alternância entre estes sentimentos.
Ainda na primeira pergunta, alguns usuários marcaram mais de uma opção, sendo
estudar pra prova e fazer trabalho passado pelo professor. Outros usuários marcaram somente
a opção “outro motivo”. As especificações feitas foram a procura por um bom local para
estudo, a procura por um livro, estudo diário, e 1 usuário respondeu que sua visita à biblioteca
seria para o acesso à internet para verificar suas informações acadêmicas no sistema da
Universidade. Destes usuários, a maioria manifestou sentimentos positivos na pergunta
seguinte.
Em relação ao processo de busca de informação, mais especificamente, o questionário
continha a pergunta sobre quais meios foram utilizados antes da visita à biblioteca, onde era
possível marcar mais de uma opção. 10 alunos responderam que não haviam feito uma busca
anterior, ou seja, a biblioteca foi a primeira opção. 13 usuários optaram pela busca na internet,
13 optaram por procurar o professor, 9 disseram que procuraram os colegas de turma. Outras
respostas foram procurar outras pessoas e utilizar o acervo pessoal. Constata-se que é comum
a procura pelo professor nas etapas iniciais do processo. A transferência de informação entre
os colegas também é freqüente.
Também foi perguntando quais sentimentos esta busca anterior à visita à biblioteca
trouxe. Dos 20 alunos que realizaram uma busca anterior, 11 relataram sentimentos positivos,
como esclarecimento e satisfação. 5 relataram sentimentos negativos, como dúvidas e

2691

�insatisfação, e 4 relataram ambos sentimentos, positivos e negativos. Nesta etapa, o modelo
de Kuhlthau indica a existência de sentimentos de frustração e dúvidas.
Na próxima pergunta, indagou-se quais eram os objetivos específicos dos alunos ao
chegarem à biblioteca, ou seja, que ações pretendiam tomar. As respostas concentraram-se em
encontrar um livro determinado, fazer pesquisa na internet, pesquisar sobre um assunto
específico e utilizar o salão de leitura. Foi perguntado se o aluno solicitou auxílio a algum
profissional da biblioteca. A maior parte dos alunos não solicitou nenhum auxílio e
manifestaram sentimentos positivos relativos a esse processo de busca realizada na biblioteca.
Quando perguntados se sentiam aptos a procurar e localizar a informação de que precisam
sozinhos, não necessariamente na biblioteca, a grande maioria respondeu que sim, com 25
respostas afirmativas. Kuhlthau, em seus estudos com alunos universitários, observou uma
posição de domínio e propriedade por parte destes alunos sobre o seu processo e suas
estratégias de busca. De certa maneira, a partir destas respostas obtidas, pode-se perceber este
posicionamento por parte desses usuários.
Na próxima pergunta, foi indagado se o usuário considerava que a busca realizada na
biblioteca seria suficiente para atender suas necessidades de informação e se planejava outra
busca posterior. A maior parte dos usuários considerou suficiente a busca na biblioteca, mas
ainda planejavam outras ações, como tirar dúvidas com o professor, pesquisar na internet, ou
ainda, realizar mais buscas na biblioteca.
Procurou-se saber ainda o motivo da escolha desta biblioteca para a realização da
busca. As respostas se equilibraram entre a facilidade de acesso e o conforto oferecido pela
biblioteca e também a garantia de localizar a informação desejada. Alguns ainda responderam
que receberam indicação do professor ou dos colegas de turma. Neste ponto, conforme
Kuhlthau (1991), toda a experiência do indivíduo interfere na busca e uso da informação. O
ambiente, a troca com os colegas, os aspectos afetivos fazem parte do contexto do processo de
busca de informação.

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Considera-se que este estudo seja somente um estudo preliminar, e que outros estudos
de usuário no campo empírico delimitado são pertinentes e necessários. Os estudos de usuário
devem ser freqüentes num sistema de informação. Através da compreensão do
comportamento informacional do usuário, pode-se promover um melhor uso do sistema.
Kuhlthau (1991) declara que o sentimento de incerteza vivenciado pelos usuários no
início do processo de busca de informação deve ser antecipado pelo sistema e pelos

2692

�mediadores (bibliotecários), com o objetivo de aperfeiçoamento do sistema. Espera-se que a
análise dos resultados deste estudo, possivelmente em complementaridade com estudos
futuros, possa prover melhorias e aprimoramentos do sistema em foco, para que as
necessidades do usuário sejam atendidas em níveis maiores quanto possíveis.

REFERÊNCIAS
ARAUJO, Carlos Alberto Ávila. Paradigma social nos estudos de usuários da informação:
abordagem interacionista. Informação e Sociedade, João Pessoa, v. 22, n. 1, p. 145-159,
2012.
BIBLIOTECA

DO

INSTITUTO

DE

FÍSICA.

Site.

Disponível

em:

&lt;

http://www.if.uff.br/pt/biblioteca &gt;. Acesso em 17 nov. 2012.
CUNHA, Murilo Bastos da. Metodologias para estudo dos usuários de informação científica e
tecnológica. Revista de Biblioteconomia, Brasília, v. 10, n. 2, p. 5-19, 1982.
FERREIRA, Sueli Mara Soares Pinto. Novos paradigmas e novos usuários de informação.
Ciência da Informação, Brasília, v. 25, n. 2, 1995.
GASQUE, Kelley Cristine Gonçalves Dias; COSTA, Sely Maria de Souza. Evolução teóricometodológica dos estudos de comportamento informacional de usuários. Ciência da
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KUHLTHAU, Carol. Inside the search process: information seeking from the user’s
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PETTIGREW, Karen E.; FIDEL, Raya; BRUCE, Harry. Conceptual frameworks in
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WANG, Peiling. Methodologies and methods for user behavioral research. Annual Review of
Information Science and Technology, v. 34, 1999.
WILSON, T. D. On user studies and information needs. Journal of Documentation, v. 37, n.
1, p. 3-15, 1981.
Trabalho apresentado à disciplina Tópicos Especiais em Informação, Cultura e Sociedade I:
Teorias e metodologias do estudo de usuários, ministrada pelos professores Aurora González
Teruel e pelo professor Eduardo Ismael Murguia ao curso de Mestrado em Ciência da
Informação da Universidade Federal Fluminense.

2693

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                <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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      <name>Dublin Core</name>
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              <text>Apresenta um estudo do processo de busca de informação de usuários em uma biblioteca universitária. Este trabalho teve como objetivo conhecer o comportamento informacional dos usuários da Biblioteca do Instituto de Física da Universidade Federal Fluminense, procurando compreender como ocorre o processo de busca assim como a percepção do usuário em relação a este processo. Analisa aspectos sobre os estudos de usuários. Descreve o modelo Kuhlthau do processo de busca da informação. O método adotado foi a aplicação de um questionário e os dados obtidos foram relacionados ao modelo de busca de informação de Carol Kuhlthau. A pesquisa está centrada no usuário, tendo características do paradigma alternativo. O modelo Kuhlthau diz que os sentimentos de incerteza e ansiedade são comuns no processo de busca, principalmente na primeira etapa, o que foi confirmado através da análise dos resultados. Também foi observado, de acordo com o modelo de Kuhlthau, que o início da tarefa é geralmente confuso, mas na próxima etapa há o surgimento de um sentimento mais positivo, de otimismo, embora haja alternância entre estes sentimentos. Conclui que através da compreensão do comportamento informacional do usuário, pode-se promover um melhor uso do sistema.
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