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                  <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

ESTUDO DE NECESSIDADES DE INFORMAÇÃO SOB O PARADIGMA SOCIAL:
APONTAMENTOS TEÓRICOS E POSSIBILIDADES DE APLICAÇÃO

Luciane Meire Ribeiro
Luzia Sigoli Fernandes Costa

RESUMO
Uma diversidade de usuários formada por estudantes, profissionais e cidadãos, reais e
virtuais, que em grande parte compõem todos esses perfis na mesma pessoa, apresenta
necessidades de informação dinâmicas e complexas, colocando novos desafios às unidades de
informação. Acompanhando a complexidade da nova realidade, surgem modelos teóricos para
embasar os estudos de usuários, necessidades e comportamento de informação. O presente
estudo tem como objetivo fazer apontamentos teóricos à respeito da concepção de
necessidades de informação sob a ótica do paradigma social da Ciência da Informação, o qual
agrega uma nova perspectiva à respeito do surgimento dessas necessidades, e vislumbrar
possibilidades de aplicação de estudos de usuário e de necessidades de informação sob este
paradigma.
Palavras-Chave: Estudo de usuários; Necessidades de informação; Comportamento
informacional; Paradigma social;
ABSTRACT
A diversity of users formed by students, professionals and citizens, real and virtual, which
largely make up all these profiles in the same person, presents the dynamic and complex
needs information, posing new challenges to information units. Tracking the complexity of
the new reality, appear to support theoretical studies of users, information needs and behavior
models. This study aims to make theoretical respect to the design of information needs from
the perspective of the social paradigm of Information Science, which adds a new perspective
to the emergence of these needs regarding notebooks, and envision possibilities for
application of user studies and information requirements under this paradigm.
Keywords: User study; Information Needs; Information Behavior; Social Paradigm;
Keyword.
1 INTRODUÇÃO
Os usuários de informação têm impactado progressivamente as atividades exercidas
por unidades de informação, especialmente com o surgimento dos ambientes virtuais. A
adequação e melhoria dos serviços existentes, bem como o desenvolvimento de novos

2644

�serviços de informação, dependem em grande medida de estudos que comportem variáveis
relacionadas com as necessidades de informação destes usuários.
O comportamento do usuário em relação à informação é influenciado por uma série de
fatores, tanto de origem externa, como treinamento na utilização de fontes e sistemas de
informação, disponibilidade de acesso, grau de instrução do usuário, quanto de origem interna
como valores e crenças, predisposição para busca e a atuação profissional (CHOO, 2006;
DIAS; PIRES, 2004; NUNEZ-PAULA, 2004; WILSON, 2000).
Neste sentido, o processo de conhecer as necessidades de informação dos usuários
também perpassa pelo contexto em que elas se manifestam. Costa, Silva e Ramalho (2009)
comentam que este processo implica em conhecer fatos da vida cotidiana do usuário e o
verdadeiro significado que a informação tem para os indivíduos, além de envolver processos
cognitivos e valores pessoais.
Para Dias e Pires (2004), os conceitos que aludem às necessidades de informação de
usuários são um dos aspectos teóricos menos desenvolvidos na literatura sobre o assunto e
analisá-los pressupõe a busca de apoio nas abordagens que estão além dos paradigmas
tradicionais de estudos de usuários. Entram em evidência as abordagens desenvolvidas por
expertos do campo de estudos das abordagens ou paradigmas alternativos da Ciência da
informação, como Taylor (1982), Dervin (1983), Kuhlthau (1991), Wilson (2006), Hjorland
(2002) e Choo (2006).
Na tentativa de dar conta da complexidade dos aspectos que envolvem a informação,
surge o paradigma social ou sócio-contemporâneo, discutido na literatura internacional por
Frohmann (1992), Vakkari (1998), Hjorland e Albrechtsen (1995) e Hjorland (2002), com
destaque na literatura nacional para Morado-Nascimento e Marteleto (2004), Araújo (2008;
2009; 2010) e Rodrigues (2010), o qual vem somar-se aos outros dois paradigmas teóricos
existentes, adjacentes aos métodos de estudo de usuários. No contexto da ocorrência de
diferentes padrões, de acordo com Capurro (2003), três paradigmas podem ser reconhecidos
no campo da Ciência da Informação:
1°) Paradigma físico: também conhecido por paradigma tradicional, no qual os
estudos se concentram na concepção unívoca da informação objetiva e nos sistemas de
informação, voltados para práticas que geralmente excluem o sujeito cognoscente;
2°) Paradigma cognitivo: concentra a atuação do indivíduo nos processos de
cognitivos, contudo, ocorrendo de forma isolada;

2645

�3°) Paradigmas social: modelo que destaca contexto social como principal
responsável pelos processos envolvidos com informação, sem negar a existência dos
mecanismos individuais.
Os paradigmas, assim como as teorias e epistemologias, também podem ser objeto
dos estudos filosófico-históricos, sociológicos, bibliométricos, permitindo que sejam
encontrados marcos de influência histórica e formuladas vantagens e desvantagens básicas de
diferentes posturas apreendidas no decorrer da história da ciência (HJORLAND, 2002).
Rodrigues (2010) acrescenta que o estudo de paradigmas oferece parâmetros que contribuem
para entender as diferentes concepções de visão de mundo em momentos distintos.
O objetivo deste trabalho é identificar as características que definem as necessidades
de informação dentro do escopo teórico do paradigma social da Ciência da Informação e
vislumbrar possibilidades de aplicação de estudos de usuários e comportamento
informacional, que comportam os estudos de necessidades por unidades de informação.
Optou-se por um delineamento teórico metodológico fundamentado na pesquisa
bibliográfica por tratar-se de um estudo dirigido ao estado-da-arte relacionado à temática das
necessidades de informação, a fim de estabelecer relações entre as teorias elencadas. O
percurso da pesquisa bibliográfica foi desenvolvido no modelo de quatro fases sequenciais de
Salvador (1973) (elaboração da pesquisa, investigação das soluções, análise explicativa das
soluções e síntese integradora), que permite imprimir aos procedimentos metodológicos uma
dinâmica de aproximações sucessivas com a realidade, sem perder o foco do objetivo
pesquisado.

2 A INFLUÊNCIA INTERDISCIPLINAR DO CONCEITO DE INFORMAÇÃO NO
CAMPO DA CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO
Ao procurar tratar das concepções de necessidades de informação no contexto da
Ciência da Informação, esta pesquisa não poderia prescindir de retomar o conceito de
informação e de considerar as influências interdisciplinares que, consequentemente,
repercutem nos paradigmas emergentes deste campo, tecendo estreitas relações entre si.
Durante a Idade Média, o termo informação (de origem latina informatio) foi
comumente influenciado e usado no sentido epistemológico, ontológico e pedagógico,
enquanto que no período de transição da Idade Média para a Modernidade o conceito de
informação distancia-se da ideia de dar forma substancial à matéria, predominando a
dimensão de comunicar algo a alguém (CAPURRO; HJORLAND, 2007).

2646

�A despeito de muitas disciplinas fazerem uso do conceito de informação dentro do seu
próprio contexto, o caráter interdisciplinar da informação não poderia deixar de produzir
reflexos em disciplinas de outros campos, como nos estudos de usuários e necessidades de
informação. O Quadro 1 apresenta as principais concepções que permeiam o conceito de
informação no campo da Biblioteconomia e Ciência da Informação.

Quadro 1 - Áreas do conhecimento e suas influências na concepção de informação
Áreas
de Concepção da informação
influência
Ciências
■Concepção evolutiva, de que a informação é objetiva e que só pode adquirir
significado se tiver sido processada por um receptor;
naturais
■Quantitativa no que diz respeito a seleções possíveis em um repertório de
símbolos físicos;
Psicologia
■Tendência dominante de um tipo de funcionalismo, no qual os processos
cognitivos humanos são vistos como análogos ao processamento de
informação dos computadores;
Teorias
dos ■ Pragmática, relacionada às mudanças na realidade do receptor, capaz de
sistemas
e mudar a estrutura e o comportamento de sistemas. Dessa definição surgem
cibernética
outras semelhantes: a informação é uma construção do observador de uma
diferença mental que faz e/ou encontra uma diferença no mundo externo; é
um constructo do cérebro do indivíduo;
Fonte: Capurro e Hjorland (2007) e Araújo (2009);

A partir dessas áreas de influência, é possível identificar os principais conceitos e
características que emergem das concepções de informação no campo da CI, como a presença
de: a) características objetivas da informação (unívoca, dotada de atributos de qualidade,
como confiabilidade), a partir da qual facilitaria sua seleção, representação e organização; b)
características cognitivas, que abordam o processamento da informação no indivíduo,
revelando os mecanismos e estruturas envolvidos; c) aspectos que resultam do processamento
da informação: o uso ou alteração do estado de conhecimento anterior (estrutura mental do
indivíduo), gerando mudanças no seu comportamento e; d) fator semântico: característica
chave no reconhecimento da informação pelo usuário.
As ciências cognitivas também passaram a ocupar um papel central nos estudos do
campo da Ciência da Informação envolvendo a relação entre informação e sua aquisição, e
destacando o fator semântico da informação, conforme pode ser verificado nas concepções de
informação empregadas nos modelos de estudos de usuários e comportamento informacional
de Dervin (1992) e Choo (2006).
De acordo com Hjorland (2002), a presença de problemas de informação altamente
complexos geram tendências de socializar as necessidades de informação entre várias

2647

�influências teóricas e paradigmas. Neste contexto, o autor também considera que as
necessidades de informação dependem dos problemas (de informação) que se pretende
resolver, da natureza do conhecimento disponível e das qualificações do usuário.
Sob a perspectiva social da Ciência da Informação, Capurro e Hjorland (2007)
apontam para a tendência de re-humanizar o conceito de informação, ou seja, de colocá-lo em
um contexto social e cultural, como pode ser verificado dos paradigmas alternativos desta
área de conhecimento. A respeito da dimensão social da informação, Almeida (2008)
contextualiza:
Atualmente, muitas pessoas e organizações (Universidades, órgãos públicos,
ONGs e OCIPs) refletem sobre a importância estratégica da comunicação e
da informação - interna e externa às comunidades e projetos - para a
efetivação de ações coletivas. Refletem também no processo inverso, o de
valorização do chamado “conhecimento local”, o espaço de produção de
conhecimentos das comunidades, um conjunto de saberes e tradições
(culturais e “técnicas”) muitas vezes contraposto ao conhecimento oficial,
científico (ALMEIDA, 2008, p. 47).
A despeito da existência de uma perspectiva dicotômica entre as características que
definem o conceito de informação, proporcionada pelas diferentes áreas de influências, a
presença recorrente dessas características nas concepções de informação por diferentes
teóricos aponta, por outro lado, para a formação de um conceito que agregou novas dimensões
e que, ao longo do tempo, vai manifestar com maior ou menor predominância alguns desses
aspectos nos diferentes modelos de estudos de usuários da informação.
A presença de um conjunto de características que irão imprimir determinada definição
ao conceito de informação orienta as ações daqueles que articulam e empregam as teorias do
campo da Ciência da Informação, produzindo tendências de atuação profissional.

3 APONTAMENTOS À RESPEITO DO CONCEITO DE NECESSIDADES DE
INFORMAÇÃO DA PERSPECTIVA DO PARADIGMA SOCIAL
O surgimento de novas abordagens, como aquelas baseadas nas perspectivas sóciocognitivas e contemporâneas, atenta para diferentes possibilidades de abordar a informação e
o conjunto de teorias que a tem associada.
Centrado no domínio analítico, Hjorland (2002) propõe que as necessidades de
informação sejam compreendidas de uma perspectiva denominada sócio-cognitiva, partindo
do princípio de que as necessidades de informação são causadas por fatores sociais e culturais
dentro de comunidades discursivas (grupos sociais distintos, sincronizados em pensamento,

2648

�linguagem e conhecimento, que integram a sociedade moderna), determinadas e
transformadas de acordo com as influências teóricas ou paradigmas dominantes em um
contexto definido.
A abordagem alternativa sócio-cognitiva pressupõe a existência de teorias discursivas
dominantes nas comunidades de discurso que são grandemente responsáveis por determinar
as necessidades de informação.
Para ilustrar algumas diferenças entre os aspectos das abordagens de base cognitiva
tradicional e aqueles que caracterizam a abordagem sócio-cognitiva construída no contexto
das abordagens alternativas, Hjorland e Albrechtsen (1995) elaboraram um estudo
comparativo (Quadro 2) especificando as teorias emergentes da análise de domínio (domain
analysis).
Quadro 2 - Aspectos diferencias entre as abordagens cognitivas e de domínioespecífico
Critérios

Abordagens
Cognitivismo

Prioridade

Entender necessidades de
usuários isoladas; análises de
caráter intra-psicológicas;

Foco

No
usuário,
enquanto
indivíduo.
Observa,
no
máximo, o contexto disciplinar
como parte da estrutura
cognitiva do indivíduo;
Da psicologia cognitiva e
inteligência artificial;

Influências

Conceitos centrais Estruturas de conhecimento
envolvidos
individual; processamento de
informação individual;
Metodologia
Abordagem individual;
caracterizada por
Posição ontológica Idealismo subjetivo
implícita
Fonte: Hjor and e Albrechtsen (1995)

Análise de Domínio (domain
analysis)
Entender necessidades de usuários de
uma perspectiva social e as funções do
sistema de informação na profissão
(negócios) ou disciplinas;
Sobre o domínio de conhecimento ou
sobre o estudo comparativo de
diferentes domínios de conhecimento.
Observa o indivíduo no contexto da
disciplina;
Da sociologia do conhecimento e
teoria
do
conhecimento,
especificamente no conhecimento a
respeito das estruturas de informação
nos diferentes domínios;
Comunicação científica e profissional,
documentos (incluindo bibliografias),
disciplinas, assuntos, estruturas de
informação, paradigmas, etc.;
Abordagem coletiva;
Realismo

Segundo Palmer (1999), é necessário aproveitar, dos modelos já conhecidos e suas
complexidades, o que já foi apreendido sobre os usuários e as dimensões de uso em relação
aos domínios relevantes. Este poderia ser o ponto de partida para construir modelos que dêem

2649

�conta de explicar os fluxos de informação, as estratégias e necessidades, assim como os
atores, os limites, as interações e os vocabulários que acompanham os processos de uso de
informação e criação do conhecimento.
As comunidades discursivas ainda podem ser identificadas pela presença de: a) metas
comuns (grupo de objetivos); b) formas de intercomunicação entre os integrantes (encontros,
conversas, correspondência); c) troca de informação por meio de mecanismos para obter
informação com propósitos definidos como, por exemplo, para melhorar o desempenho e
aumento da capacidade produtiva; d) estilos próprios, identificados pela forma, posição de
elementos e mensagens; e) terminologia especializada (vocabulário específico) e; f) alto nível
de especialização (um mínimo de membros com um nível adequado de conhecimento
relevante e expertise discursiva) (MORADO-NASCIMENTO; MARTELETO, 2004).
Para explicar como a informação poderia satisfazer as necessidades de informação do
ponto de vista sócio-cognitivo, Hjorland (2002) acrescenta a este último o conceito de
relevância: as necessidades de informação podem ser satisfeitas quando encontradas as
informações consideradas relevantes para determinada comunidade discursiva.
O conceito de relevância também está presente nas teorias de base cognitiva
tradicional que tratam das necessidades de informação, ainda que de forma subentendida.
Contudo, encontra-se marcadamente circunscrito ao contexto individual como comenta Choo
(2006) ao explicar à respeito da interferência de fatores pessoais e mudanças de atitudes do
usuário durante o processo de busca de informação:
Assim, os usuários fazem previsões ou desenvolvem expectativas sobre que
fontes serão usadas ou não, sobre a seqüência em que elas serão usadas, e se
as informações obtidas serão relevantes ou irrelevantes. A relevância não é
absoluta nem constante; pelo contrário, varia consideravelmente de um
indivíduo para outro (CHOO, 2006, p. 92).
Taylor (1982) reconhece que a informação relevante é determinada de maneiras
complexas pela estrutura do ambiente e formada por um conjunto de variáveis que afetam o
fluxo das mensagens de informação. Em uma dada comunidade discursiva, comumente
existirão visões mais ou menos conflitantes do que é necessário ou relevante.
Diante dessas explanações é possível compreender o deslocamento do foco dos
estudos de necessidades, que na abordagem cognitiva tradicional coloca em evidência o
domínio individual, para os fatores do contexto social e cultural dos usuários dentro da
perspectiva sócio-cognitiva.

2650

�4

CONTEXTUALIZAÇÃO

DO

PARADIGMA

SOCIAL

EM ESTUDOS

DE

USUÁRIOS E BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS
O que ainda permanece pouco discutido são as alternativas metodológicas - tanto do
ponto de vista teórico quanto da aplicação em unidades de informação - adequadas para
revelar as necessidades de informação de uma comunidade de usuários tomando como ponto
de partida ou via de acesso o contexto social, histórico e cultura da qual faz parte. No entanto,
algumas propostas começam a surgir, possibilitando identificar estruturas metodológicas que
subsidiem o desenvolvimento de novas pesquisas.
Em uma primeira reflexão, tais procedimentos metodológicos parecem encontrar-se
nas teorias das ciências sociais. Especificamente, Hjorland (2002), aponta as teorias
epistemológicas como as mais indicadas para fornecer as bases de um modelo geral à Ciência
da Informação (CI), dentro das quais os estudos de necessidades, uso e usuários estariam
contemplados, ainda que indiretamente.
Presser e Fukahori (2012), analisaram a aplicação da abordagem social do ponto de
vista da análise de domínio. Os autores identificaram o surgimento de necessidades de
informação do coordenador do programa de pós-graduação em Ciência da Informação da
Universidade Federal de Pernambuco partindo do meio social, especificamente do ambiente
de trabalho que corresponde ao contexto da gestão acadêmica, no domínio das tarefas de sua
responsabilidade, corroborando com a importância da influência deste componente no
surgimento de tais necessidades, além dos processos cognitivos do indivíduo.
Araújo (2012) explora algumas possibilidades de estudos no paradigma social ao
analisar pesquisas de usuários e comportamento informacional de quatro dissertações,
aplicadas no contexto social de profissionais do sexo, leitores de histórias em quadrinhos de
súper herois, bailarinos e presidiários. No entanto, o autor destaca uma proposta denominada
interacionista, a qual traz a compreensão de que o indivíduo (usuário) não é apenas
determinado pelo contexto social do qual faz parte, mas também é significativamente
responsável por construí-lo, transformá-lo, colocando em evidência uma relação de "ação
recíproca".
Além de identificar estruturas metodológicos de uma pesquisa de usuários no
paradigma social (o objeto de análise e as estratégias de coleta e análise de dados),
contribuições da pesquisa de Araújo (2012) também permitem compreender como as
necessidades de informação, percebidas e não percebidas, perpassam por construções
discursivas muito particulares de uma comunidade de usuários, podendo diferir de hipóteses
convencionalmente estabelecidas.

2651

�Os exemplos de pesquisa de estudo de usuários e de necessidades de informação
mencionados indicam que a aplicação de metodologias calcadas nas teorias com base no
paradigma social não estão limitadas a um tipo ou comunidade específica de usuários.
Considerando este aspecto, as bibliotecas universitárias também deveriam elaborar estudos
orientados nas abordagens alternativas, na tentativa de conhecer melhor as necessidades de
informação que são relevantes para os seus usuários, além de incorporar produtos e serviços
baseados em experiências que geraram resultados positivos em unidades de informação
similares e que tradicionalmente procuram atender às demandas de pesquisa e ensino da sua
comunidade de usuários.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Uma importante contribuição dos estudos desenvolvidos dentro da perspectiva social
está em compreender que a relevância varia também de uma comunidade para outra, o que
torna legítimas diferentes perspectivas à respeito das necessidades de informação. Portanto, é
necessário que a unidade de informação reflita antes reproduzir produtos e serviços tipificados
em seu portfólio, com vistas a atender às necessidades de informação próprias de cada
comunidade de usuários.
Ainda há muito espaço para ser preenchido por contribuições teóricas à respeito das
abordagens alternativas, principalmente do ponto de vista do desenvolvimento e aplicação de
métodos apropriados de estudo de usuários, necessidades e comportamento informacional,
que de fato conduzam ou contemplem a dimensão individual e coletiva dos usuários para o
desenvolvimento de serviços e recursos informacionais.
Contudo, não passa despercebida a dificuldade de se realizar estudos de usuários e de
necessidades de informação do ponto de vista da abordagem social. As dimensões sociais,
culturais e históricas, as quais devem estar presentes ou de alguma forma contempladas nesses
estudos, são complexas principalmente na dinâmica da interação.
Outro aspecto que deve ser levado em consideração quando do desenvolvimento de
tais estudos é que, do ponto de vista da formação bibliotecária, nem sempre o profissional da
informação está preparado para trabalhar tais conceitos. Todos esses aspectos indicam que, do
ponto de vista prático, o desenvolvimento de estudos de usuários e de necessidades, dentro da
perspectiva das abordagens alternativas sociais, ainda é um desafio para as bibliotecas.
Reafirma-se nesta pesquisa a postura de que as unidades de informação devem incluir,
nos seus estudos de usuários e de necessidades de informação, uma estrutura metodológica
teoricamente fundamentada e transparente, para que façam escolhas coerentes e as sinalize

2652

�para o usuário, garantindo que essas escolhas estejam de fato contribuindo para a prioridade e
orientação paradigmática escolhida.

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VAKKARI, P. Growth of theories on information seeking: an analysis of growth of a
theoretical research program on the relation between task complexity and information
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        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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              <text>Uma diversidade de usuários formada por estudantes, profissionais e cidadãos, reais e virtuais, que em grande parte compõem todos esses perfis na mesma pessoa, apresenta necessidades de informação dinâmicas e complexas, colocando novos desafios às unidades de informação. Acompanhando a complexidade da nova realidade, surgem modelos teóricos para embasar os estudos de usuários, necessidades e comportamento de informação. O presente estudo tem como objetivo fazer apontamentos teóricos à respeito da concepção de necessidades de informação sob a ótica do paradigma social da Ciência da Informação, o qual agrega uma nova perspectiva à respeito do surgimento dessas necessidades, e vislumbrarpossibilidades de aplicação de estudos de usuário e  de necessidades de informação sob este paradigma.</text>
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