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                  <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

CONTRIBUIÇÃO À ORGANIZAÇÃO DOCUMENTÁRIA DE INSTRUMENTOS
MUSICAIS: ESTUDO NO ACERVO DO MUSEU INSTRUMENTAL DELGADO DE
CARVALHO DA ESCOLA DE MÚSICA DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE
JANEIRO.
Dolores Castorino Brandão
Maria José Veloso da Costa Santos

RESUMO
A insuficiência de normas internacionais de organização documentária para instrumentos
musicais e a escassez de estudos sobre o tema no Brasil, ensejaram a realização desse estudo,
realizado no acervo do Museu Instrumental Delgado de Carvalho da Escola de Música da
UFRJ. A pesquisa teve como objetivo contribuir para o estabelecimento de um modelo de
representação descritiva e temática de instrumentos musicais para fins de recuperação da
informação. Inicialmente foram estudadas as normas e padrões existentes nas áreas de
Biblioteconomia, Museologia e Organologia que possam ser utilizadas para a organização
desse tipo de acervo. Obteve-se como resultado uma proposta para a representação de
instrumentos musicais em bases de dados, utilizando-se os padrões biblioteconômicos
AACR2 e MARC 21 em consonância com normas já citadas anteriormente, proposta essa,
que foi implementada na base Minerva da UFRJ. Para a área de representação temática foram
realizados estudos em classificações de instrumentos musicais existentes abordadas e mais
consolidadas na Organologia. Foi desenvolvido também, um protótipo de vocabulário
controlado no campo em estudo. A pesquisa revelou a complexidade inerente à organização
documentária de instrumentos musicais e, consequentemente, a necessidade de estudos
interdisciplinares sobre o tema.
Palavras-chave: Representação descritiva. Instrumentos musicais.
instrumentosmusicais.Linguagemdocumentária.

Classificação

de

ABSTRACT
The insufficiency of international regulation of representation for this aim and shortage of
studies on the subject in Brazil, gave rise to the present study, held at the collection of the
Museu Instrumental Delgado de Carvalho da Escola de Música da UFRJ. The research aimed
to contribute to the establishment of a model of descriptive representation and thematic of the
musical instruments for the purpose of information retrieval. Firstly were studied the existing
regulations and patterns in the areas of Librarianship, Museology and Organology, which
could be used for the organization of this type of collection. Obtained as a result a proposal
for the representation of musical instruments in databases, using the Librarianship standards
AACR2 and MARC 21, in line with the regulations previously mentioned that was
implemented on the data basis Minerva of the UFRJ.For the area of thematic representation
studies studies were carried out on existing musical instruments classifications addressed and
more consolidated in Organology. It has also developed a prototype of controlled vocabulary

2416

�in the field under study. The research revealed the complexity inherent in documentary
organization of musical instruments and hence the need for interdisciplinary studies on the
topic.
Keywords: Descriptive representation.
classification.Documentary Language.

Musical

instruments.Musical

instrument

INTRODUÇÃO
Nos últimos anos, a organização e representação da informação e do conhecimento no
âmbito da Biblioteconomia e da Ciência da Informação tornaram-se um campo de estudo cada
vez mais discutido, impulsionando o desenvolvimento de modelos teóricos e instrumentais
que auxiliem nos procedimentos de organização, gerenciamento e recuperação de
documentos, bem como têm levado bibliotecários e demais profissionais da documentação a
analisare reavaliar normas e padrões vigentes.
Desse contexto, o entendimento da demanda das necessidades de informação de uma
comunidade usuária torna-se um aspecto essencial a ser considerado no processo de descrição
física e de conteúdo de um documento em um sistema de recuperação da informação, visando
a otimizar sua precisão.
Embora os estudos na área de representação descritiva da informação, tenham se
intensificado com a adoção de novos modelos conceituais, a representação de objetos
tridimensionais, especificamente de instrumentos musicais, continua incipiente, não cobrindo
os detalhes específicos de cada material. Assim, o tratamento técnico de um instrumento
musical é complexo, consequentemente, sua representação deve ser mais detalhada e exige
um número maior de informações específicas para que seja representado e recuperado de
forma precisa.
O presente estudo teve como motivação a busca de subsídios para a reorganização do
Museu Instrumental Delgado de Carvalho. Foram analisados, além dos padrões adotados pela
Biblioteconomia, três trabalhos especializados, na área de descrição de instrumentos musicais,
no âmbito da Organologia e da Museologia, a saber: Trindade 303 , do Museu da Música de
Lisboa; Myers303304, da Universidade de EdimburgoeCosta305do Sistema Estadual de Museus do
Paraná.

303TRINDADE, Maria Helena. Normas de inventário: instrumentos musicais. Lisboa: Instituto dos Museus e da
Conservação, 2011.
304MYERS, Arnold. Cataloguingstandards for instrumentcollections. CIMCIM Newsletter, London, n. 14, p.14­
28, 1989.
305COSTA, Evanise Páscoa (Org.). Princípios básicos da Museologia. Curitiba: Secretaria de Estado da Cultura,
2006.

2417

�Apresenta como objetivo central contribuir para o estabelecimento de um modelo de
organização de acervos de instrumentos musicais, de acordo com normas e padrões
internacionais de organização da informação.
No que diz respeito à organização do conhecimento desses instrumentos, também,
devido à sua complexidade, a literatura analisada considera que os instrumentos musicais
podem ser classificados segundo diferentes finalidades e de acordo com os critérios de
categorização proposto por um determinado estudioso.
Esta problemática contribuiu para o surgimento de diversas classificações desde a
Antiguidade, como, por exemplo, o sistema Bayin na China ou o antigo sistema indiano que
influenciou a elaboração da sistemática proposta por Victor-Charles Mahillon no século XIX.
Apesar da diversidade de classificações, o sistema mais completo e de abrangência
internacional para instrumentos musicais, foi criado em 1914 porHornbostel-Sachs.

Este

sistema foi o adotado neste estudo.

USO DE PADRÕES NA ORGANIZAÇÃO DA INFORMAÇÃO
Atualmente o foco principal das pesquisas no âmbito da Ciência da Informação trata a
organização da informação como dois processos distintos embora intrinsecamente ligados: a
representação descritiva e a representação temática de documentos que têm a finalidade de
organizar, gerenciar e recuperar a informação.
Segundo Fujita e outros (2009, p. 21) o conceito compreende:
[...] as atividades e operações do tratamento da informação, envolvendo para
isso, o conhecimento teórico e metodológico disponível quanto ao
tratamento descritivo do suporte material da informação e ao tratamento
temático de conteúdo da informação.
Neste aspecto, a organizaçãoda informação é um processo sistematizado e, para tal,
necessita utilizar padrões e normas para possibilitar a recuperação efetiva da informação em
todos os níveis.
Santos (2007, p. 2),referindo-se aos padrões para representação descritiva, defende
que a utilização dos mesmos “Definem, homogeneizam os dados e servem como sustentáculo
para a recuperação da informação, de modo a atender aos usuários de forma eficiente e assim
contribuir para a produção do conhecimento.”
Mey(1995) destaca, ainda, que antes de qualquer coisa a representação documentária
deve ser ligada às necessidades informacionais do usuário, independente da norma utilizada.
Motivo pelo qual,

2418

�[...] o profissional da documentação deve estabelecer três características
fundamentais para a realização do seu trabalho: o conhecimento do
instrumento utilizado, a correta interpretação dos códigos e das normas
adotadas, e a adequação dos padrões catalográficos normativos à
compreensão de seu usuário (MEY, 1995, p. 7).
Com o advento do computador, a Library ofCongress (LC) dos Estados Unidos
elaborou

um

formato

de

entrada

de

registros

bibliográficos

denominado

“MachineReadableCataloging’ , em língua portuguesa Catalogação Legível por Máquina
(MARC), atualmente editado como MARC 21. O formato MARC 21 está de acordo com a
norma da InternationalStandadizationOrganization (ISO) número 2709 que, junto com o
protocolo de comunicação Z39.50, permite pesquisas e recuperação da informação em redes
de computadores (ROSSETO, 1997). Essas normas em uso conjunto com o Código de
Catalogação Anglo Americano, segunda edição (AACR2), são utilizadas para a catalogação
não apenas de livros, mas de todos os tipos de documentos, tais como: manuscritos, mapas,
partituras musicais, objetos tridimensionais etc.

REPRESENTAÇÃO DESCRITIVA NA BIBLIOTECONOMIA E NA MUSEOLOGIA
A catalogação constitui um dos principais processos de tratamento técnico, sendo
também conhecida como representação descritiva ou descrição bibliográfica. O termo
representação consiste em perceber, descrever e interpretar uma informação.

No

procedimento, as informações contidas no documento, autor, título, local, edição, data, entre
outros, são extraídas dos suportes de informação, tratadas, organizadas e representadas em um
catálogo, ou base de dados, canais de comunicação entre o acervo e o usuário.
A definição de catalogação é entendida por Santos e Ribeiro (2003, p.45) como:
[...] um conjunto convencional de informações determinadas, a partir do
exame de um documento onde são extraídas as informações descritas de
acordo com regras fixas para se identificar e descrever este documento. A
catalogação é conhecida também como Representação Descritiva, pois vai
fornecer uma descrição única e precisa deste documento, servindo também
para estabelecer as entradas de autor e prover informação bibliográfica
adequada para identificar uma obra.
Paul Otlet(1934), em seu Tratado de Documentaçãoampliou o conceito tradicional de
documentos. Na visão dele, “Documentos não são somente livros e manuscritos, mas também
arquivos, mapas, esquemas, ideogramas, diagramas, desenhos e reproduções dos mesmos,

2419

�fotografias de objetos reais, entre outros.” (OTLET, 1903, citado por WOLEDGE, 1983, p.
270-271).
Desta forma, percebe-se que além de bibliotecas, os arquivos e museus custodiam
acervos informacionais em seus variados suportes e são considerados unidades de informação.
Têm a função de serem disseminadores de informação e, portanto, são responsáveis também
pelo seu tratamento (OTLET, 1934,citado por YASSUDA, 2009, p.44).
O instrumento musical, no que diz respeito às suas características físicas, é
considerado um

artefato tridimensional.

Segundo Ribeiro

(2006,

p.5) “Artefatos

tridimensionais são objetos fabricados ou modificados por uma ou mais pessoas, à mão ou
industrialmente.”Desta forma, ainda segundo a autora, torna-se necessário a adoção de
critérios e normas de gestão capazes de organizar e disponibilizar os dados necessários para
que o usuário recupere as informações inerentes a esse tipo de registro.
Nessa perspectiva, os instrumentos musicais oferecem grandes desafios para
osprofissionais da informação que cada vez mais se veem envolvidos com esse tipo de
documento, o qualdiferencia profundamente de outros tipos de registros documentais. O
instrumento é considerado um documento, objeto de estudo da Organologia, e pode fazer
parte do acervo de um museu, de um arquivo, de uma biblioteca ou, ainda, de uma unidade de
informação. Para tal, necessita de tratamento especializado para a observação dos elementos
necessários à identificação e descrição das informações a ele relacionadas para atender de
forma eficaz aos usuários.
Os instrumentos musicais na Biblioteconomia podem ser descritos pelas normas do
capítulo 10 do AACR (2004) que diz respeito aos objetos tridimensionais de um modo geral
(medalhas, esculturas, quadros, etc.) sem particularizar qualquer objeto.
Sendo assim, observa-se que é de suma importância a interação de diversos
profissionais de diferentes áreas do conhecimento como, Biblioteconomia, Museologia,
Etnomusicologia e Organologia, no processo de representação dos instrumentos musicais.
Eles necessitam dialogar na construção de um trabalho comum.

SISTEMAS DE CLASSIFICAÇÃO NA BIBLIOTECONOMIA E NA MUSICOLOGIA
Sistemas de classificação do conhecimento existem desde os tempos primitivos e estão
presentes em todas as áreas. Dessa forma, filósofos, cientistas e lexicógrafos utilizaram a
classificação para compreender e analisar o conhecimento humano.
Piedade (1977) divide as classificações de acordo com a sua finalidade, podendo ser:
classificações filosóficas, criadas pelos filósofos para definição e hierarquização do

2420

�conhecimento,

e a classificação bibliográfica, destinada à representação temática

sistematizada de documentos, visando à precisão na recuperação da informação.
Na Musicologia a classificação de instrumentos musicais integra a Organologia, que
se propõe a estudar o instrumento musical em seu aspecto histórico, sua natureza física e sua
classificação.
Kartomi (2001, p.11) enfatiza a influência da cultura na classificação de instrumentos
musicais quando afirma que “As preferências hierárquicas de uma determinada cultura,
exerce um forte domínio na forma de classificação de instrumentos musicais principalmente
nas culturas orientais.”
Os primeiros sistemas de classificação para instrumentos musicais foram elaborados
na China e na Índia. Por volta do século VIII a.C., os chineses elaboraram o sistema Bayin
que organizava os instrumentos musicais em oito categorias correspondendo aos oito
ventos(PINTO, 2001, p. 266-267).
O sistema indiano foi apresentado nos tratados técnicos da literatura sânscrita.
Elaborado no início da era Cristã, o Bharatiya-natya-shastra, ou o Ensino da arte dramática,
é uma obra que aborda o teatro, as artes correlatas e, em especial, a poesia e a música. Nesse
sistema, a classificação dos instrumentos é apresentada em quatro classes distintas,
determinadas pela maneira de vibração do componente do instrumento, a saber:1. tata (de tan,
esticar) vadhya, correspondendo a corda; 2. avanaddha (atado ou coberto) vadhya correspondendo a tambores de couro; 3. sushira (escavado ou furado) vadhya,correspondendo as flautas sopradas pelo músico; 4. ghanavadhya (de ban, percurtir um
material sólido, em especial metal) (PINTO, 2001, p. 267-268).
Estes critérios adotados no sistema serviram como inspiração para a elaboração de
classificações de instrumentos no Ocidente, dentre elas a idealizada por Victor-Charles
Mahillon (1841-1924), no final do século XIX, considerada a primeira adequada para uso em
todo

o mundo.

Mahillon foi

curador do MuséedesInstruments de Musique do

ConservatoireRoyal de Bruxelles,na Bélgica e desenvolveu o sistema de classificação para a
coleção do referido Museu(MAHILLON, 1874).
O sistema de Mahilloné considerado o pioneiro no Ocidente por sistematizar os
instrumentos musicais de acordo com a forma como o som é produzido. Segundo
Kartomi(2001) o etnomusicólogoNazirAlliJairazbhoy observou que Mahillon provavelmente
estava familiarizado com o sistema, apresentado a ele por um rico rajá e eminente estudioso
de Musicologia Sourindro Mohun Tagore (1840-1914), que dedicou parte de sua vida para
propagar a música indiana. Ainda segundo Pinto (2001, p. 266) esse sistema foi construído

2421

�utilizando um diagrama em forma de árvore para exemplificar as ramificações dos
instrumentos musicais dentro de sua respectiva categoria, a exemplo dos sistemas de
classificação bibliográfica, Mahillon também considerou para a classificação a vibração do
material, responsável pela produção do som.
Essa concepção de classificação gerou as seguintes famílias para os instrumentos
musicais: autofones, membranofones, aerofones, cordofones.
O sistema de classificação de Mahillon foi modificado e ampliado, em 1914, por uma
dupla de musicólogos, o austríaco Erich Moritz Von Hornbostel (1877-1935), diretor do
Arquivo Fonográfico de Berlim, e o alemão Curt Sachs (1881-1959), diretor do Museu de
Instrumentos Musicais da mesma cidade(HORNBOSTEL; SACHS, 1914). Esta classificação,
considerada pelos estudiosos como a mais importante, édestaqueno presente estudo.

CLASSIFICAÇÃO DE HORNBOSTEL -SACHS (1914)
A proposta desse sistema foi fornecer uma classificação universal para instrumentos
provenientes de outras culturas, desta forma, Hornbostel e Sachs desenvolveram o sistema em
quatro classes principais: idiofones, membranofones, cordofones, aerofones.(HORNBOSTEL;
SACHS, 1914).
Com o advento dos instrumentos eletrônicos, Hans-Heinz Drager (DRÀGER, 1948,
citado porKARTOMI, 2001, p. 286) propôs a inclusão de uma quinta categoria, os
eletrofones. Pesquisa desenvolvida por Maria Helena Trindade (2011) junto ao Museu da
Música em Lisboa propõe, além dos eletrofones, a inclusão de mais duas categorias: a)
automatofones em que o som é produzido ou impulsionado por engenhos mecânicos; e b)
hidrofones onde o som é produzido por um sistema hidráulico.
Hornbostel e Sachs (1914) além de mudarem o nome da classe autofones para
idiofones, alteraram a forma da subdivisão de suas classes e introduziram um código decimal
baseado na CDD. O uso do sistema decimal anunciava o importante papel de símbolos não
verbais nos anos posteriores que possibilitaram que a classificação fosse amplamente utilizada
em museus em todo o mundo.
Kartomi (2001) destaca que "O segredo do sucesso na adoção generalizada do
esquema de Hornbostel e Sachs é que se trata realmente de um sistema internacional." A
utilização dos números no sistema para indicar as classes dos instrumentos constituiu-se um
meio eficaz para localizar e identificar os mesmos, fato que permite ao usuário identificar o
mesmo instrumento em diferentes culturas e idiomas.

2422

�No final do século XIX, a CDU utilizou a classificação de Hornbostel e Sachs para
desenvolver a classe referente a instrumentos musicais na classe 780.6, denominada de
instrumentos e acessórios musicais. Uma nota no início dessa classe chama a atenção para
esse fato que ocorreu em 1914 por Erich Von Hornboestel e Curt Sachs, aceito hoje
internacionalmente (CDU, 2007).

MATERIAL E MÉTODO
A presente pesquisa é de abordagem bibliográfica, exploratória e aplicada, e os
resultados apresentados são de natureza qualitativa.
É de natureza bibliográfica e exploratória porque a investigação visa a compreender as
características principais do instrumento musical, apoiando-se de forma prática na assessoria
de professores especialistas da Escola de Música da UFRJ para cada classe de instrumentos e,
concomitantemente, fundamentou-se na literatura sobre os assuntos que a embasaram. Assim,
o trabalho foi desenvolvido com os seguintes procedimentos metodológicos, distribuídos nas
seguintes etapas:
Etapa 1 - Inventário e diagnóstico do acervo.
Foi realizada uma pesquisa exploratória sobre as iniciativas de organização realizadas no
acervo do Museu Instrumental Delgado de Carvalho, desde 1890 até 2013, utilizando-se
fontes primárias existentes no acervo da Biblioteca Alberto Nepomuceno como: livros de
registros, inventários, relatórios, livros de ata do antigo Instituto Nacional de Música e
documentação histórica do arquivo pessoal do professor João Baptista Siqueira, diretor da
Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro, na época do segundo inventário,
e responsável pela transferência e acondicionamento do acervo no corredor principal da
Escola.
Etapa 2 - Elaboração da proposta de organização descritiva do acervo.
Foram utilizadas as normas já existentes para descrição de instrumentos musicais, já
mencionadas anteriormente, TRINDADE (2011), MYERS (1989) e COSTA (2006),
procurando-se confrontá-las com a norma e formato internacionais de representação descritiva
da informação, consagrados e em uso, nas bibliotecas brasileiras, tais como: Código de
Catalogação Anglo-Americano, segunda edição revista AACR (2004) e formato MARC 21
para a informatização do acervo na base de dados Minerva da UFRJ.
Etapa 3 - Elaboração da proposta de organização temática do acervo.

2423

�A organização temática do Museu foi baseada na classificação elaborada por Hornbostel e
Sachs: Systematik der Musikinstrumente, 1914, e para melhor entendimento, na tradução
resumida dessa classificação.

O MUSEU DE LEOPOLDO MIGUEZ: MUSEU INSTRUMENTAL DELGADO DE
CARVALHO
A Escola de Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), antigo
Conservatório de Nacional de Música, foi fundada em 1848, por um grupo de músicos
liderados por Francisco Manoel da Silva (1795-1865). A Instituição é conhecida por ser
detentora de um dos mais ricos acervos de música do Brasil incluindo aí também, segundo
especialistas, um precioso acervo de instrumentos musicais que começou a ser formado ainda
no período do Império no antigo Conservatório de Música.
O Decreto no143, de 1890, que extinguia o Conservatório e criava, nesse mesmo ato
oficial, o Instituto Nacional de Música, revela a existência de uma biblioteca e de
instrumentos musicais, que provavelmente seriam utilizados na administração das aulas, mas
não constituía ainda um acervo organizado, como já era o da Biblioteca Alberto Nepomuceno.
O artigo 14 do Decreto determina: “A biblioteca, o arquivo, os instrumentos, os móveis e
todos os utensílios pertencentes ao extinto Conservatório passarão a ser propriedade do
Instituto Nacional de Música.” (BRASIL, 1890).
A mais antiga referência da coleção de instrumentos musicais, denominada como
museu, foi registrada em uma publicação oficial intitulada “Notícia histórica dos serviços,
instituições e estabelecimentos pertencentes a esta repartição”, do Ministério da Justiça e
Negócios Interiores, ao qual, à época, o Instituto encontrava-se vinculado(BRASIL, 1898,
p

16).
Em 18 de janeiro de 1890, o compositor e maestro Leopoldo Miguez (1850-1902) é

nomeado diretor do recém-criado Instituto. Observa-se em sua administração o seu caráter
determinado e visionário. No mesmo mês que Miguez assume a direção do Instituto, ele passa
a ter maior controle sobre o seu acervo, tanto que passa a registrar, de próprio punho, as
doações de livros, partituras, instrumentos musicais etc., bem como o nome de seus doadores,
dentre os quais ele próprio.306
Leopoldo Miguez, ao criar um museu de instrumentos em 1896, formou uma coleção
valiosa de instrumentos musicais. Seu zelo na organização da coleção permitiu que os dados,
306 Instituto Nacional de Música. Biblioteca Alberto Nepomuceno. Livro de inventário das obras. 1890-1895.

2424

�antes desconhecidos, pudessem ser recuperados e auxiliaram, sobremaneira, na elaboração
desta pesquisa.

O MUSEU ATUAL
Em julho de 2008, na administração do professor André Cardoso, frente à Escola de
Música, o acervo do Museu Instrumental Delgado de Carvalho foi retirado das vitrines que
ocupavam o corredor e transportado para a biblioteca que ficou com a sua guarda. Nessa
ocasião, foi formada uma equipe de profissionais da Escola de Música composta pela
bibliotecária chefe e por professores indicados pela direção da instituição.
A medida tomada pelo diretor tinha como base o Regimento da Escola de Música de
1973, em vigor, que em seu artigo 278 determina que o museu é “Anexo à biblioteca e ficará sob a
fiscalização do bibliotecário, a quem incumbirá a guarda e conservação dos instrumentos
musicais antigos e objetos relativos à música e será supervisionado por um professor titular
indicado pela direção.” (UFRJ, 1973, p.103-104).
Foi realizado um inventário completo das obras e para este fim, foram realizadas
pesquisas em fontes primárias, como livros de registro e inventários anteriores, relatórios da
Instituição e documentação de arquivos pessoais, que revelaram e esclareceram parte da
história de formação da coleção e da criação do Museu, permitindo também a identificação
dos instrumentos extraviados, assim como a procedência e a identificação de muitos doadores.
Ao longo dos anos, os instrumentos e os objetos do acervo original foram se extraviando ou
se deteriorando, o que foi verificado no inventário realizado. Do acervo original de 1890, foi
constatada, pelo inventário de 2013, a permanência de apenas 35 instrumentos musicais e
quatro objetos.

O acervo atual é composto de 82 instrumentos musicais e 26 objetos

(batutas, quadros, fotografias e outros). 308
Sob a custódia da BAN, o acervo recebeu um tratamento técnico de acordo com
normas e padrões internacionais.

As obras foram registradas e inseridas na base de dados

Minerva da UFRJ30738309, que arrola o acervo das unidades de informação que compõem o
Sistema de Bibliotecas e Informações da UFRJ, e o acervo foi identificado na base Minerva
como Coleção Museu Instrumental Delgado de Carvalho (CMIDC).
307BRANDÃO, Dolores Castorino. Representação Documentária de Instrumentos Musicais: Contribuição para a
Organização do Museu Instrumental Delgado de Carvalho da Escola de Música daUniversidade Federal do Rio
de Janeiro (UFRJ), 2013.A relação completa do inventário de 2013 consta no trabalho.
308BRANDÃO, Dolores Castorino. Representação Documentária de Instrumentos Musicais: Contribuição para a
Organização do Museu Instrumental Delgado de Carvalho da Escola de Música daUniversidade Federal do Rio
de Janeiro (UFRJ), 2013.A relação completa do inventário de 2013 consta no trabalho.
309 Base de dados Minerva - arrola o acervo das unidades de informação que compões o SiBI/UFRJ - Disponível
em:
http://www..minerva.ufrj .br.

2425

�PROPOSTA DE ORGANIZAÇÃO DESCRITIVA E TEMÁTICA DO MUSEU
DELGADO DE CARVALHO
A proposta apresentada a seguir é uma contribuição à organização da informação e do
conhecimento, no âmbito de instrumentos musicais, e foi elaborada obedecendo a normas e
padrões internacionais adotados tanto pela Biblioteconomia, como pela Museologia e
Organologia.
Como já dito anteriormente, foram estudados modelos de representação de acervos de
instrumentos musicais na Europa, particularmente o trabalho desenvolvido pelo Museu da
Música de Lisboa e da Universidade de Edimburgo, na área de Organologia. No Brasil não foi
encontrado nenhum modelo de organização descritiva e temática de instrumentos musicais. A
partir daí, foi utilizado o trabalho de Evanise Páscoa Costa sobre tratamento de documentação
museológica, datado de 2006, que contribuiu com alguns elementos. Utilizaram-se, também, o
AACR2 referente a Artefatos Tridimensionais e Reália e o formato MARC 21 relacionado a
padrões internacionais utilizados pela base de dados Minerva da UFRJ. Como consequência
desses estudos, chegou-se a proposta de representação descritiva e temática dos instrumentos
musicais do Museu Instrumental Delgado de Carvalho que procurou atender a todos os
elementos sugeridos pelos trabalhos analisados, cujo resultado é demonstrado no quadro 1 a
seguir, que organiza as áreas de descrições sugeridas pelos trabalhos, mostra sua
correspondência e/ou equivalência com os padrões biblioteconômicos, MARC 21 e AACR2,
e instrui sobre o seu uso.

Quadro 1: Equivalência do estudo de descrição com o formato MARC 21
TRINDADE/
MYERS/COSTA
Elemento
Descrição
Não consta -

MARC 21/AACR2
de

PROPOSTA
Elemento de Descrição Campo
Fonte da Catalogação

N° do inventário/
Número
de
aquisição/Número de Classificação
registro
Não consta

Número
local

de

040
084

chamada 090

Registrar a unidade de informação responsável
pela catalogação.
Registrar neste campo a classificação
organológica de acordo com o sistema
Hornbostel-Sachs.
Registrar neste campo a sigla do
museu,classificação organológica e o número
de localização do instrumento no acervo.

2426

�Autoria/Criador

Indicação
responsabilidade

Denominação/Título/
Nome original

Título principal
Designação do material
Responsabilidade

245

Título variante

246

Publicação/Fabricação

260

Outras denominações

Local
de
origem/
Autoria/Criador/Data

de 100

Dimensões / Tamanho
Descrição física
total

300

Não consta

Informação de Série

440

Não consta

Nota geral

500

Marcas e inscrições

Nota geral

500

Estado de conservação

Nota geral

500

Falhas/Alterações

Nota geral

500

Registrar o nome pessoal do construtor do
instrumento ou o nome do fabricante,
acrescentando a data de nascimento e morte.
Usar o termo desconhecido para autoria que não
seja possível determinar ou atribuído no caso de
autoria atribuída por críticos, estudiosos ou
tradição oral.
Este campo deverá conter o nome do
instrumento, traduzido para oportuguês
conforme a lista adotada pela biblioteca, exceto
os instrumentos étnicos que devem ser
registrados na língua original. Registrar
também,a designação do material e a
responsabilidade.
Formas variantes do nome do instrumento,
inclusive as formas nos diversos idiomas.
Registrar o nome do construtor ou do fabricante
seguido do local de fabricação e da data
completa, dia, mês e ano. Caso não exista a
informação exata da data, registrar uma data
provável baseada em informações históricas,
características técnicas e/ ou estilísticas,
aproximando ano, década ou século.
Registrar as dimensões do instrumento usando o
máximo de precisão possível:
Altura , Largura, Espessura, Comprimento,
Outras Dimensões:
Largura do teclado, Tampo harmônico, Largura
do cepo, Ponte: largura, Espessura da ilharga
curta, Espessura da ilharga distal
Este campo deverá conter informação referente
a Coleção.
Registrar os dados de assessoria musicológica
referente ao instrumento descrito.
Transcrever, entre aspas, inscrições, gravações,
esculturas, imagens, elementos carimbos,
rótulos ou demais marcas presentes no
instrumento.
Registrar o estado de conservação do
instrumento obedecendo ao seguinte critério:
Ótimo - a peça encontra-se em excelente
estado de conservação;
Bom - a peça apresenta boa condição de
conservação ainda que tenha passado por
restauro;
Regular - a peça está em processo inicial de
deterioração;
Péssimo -a peça está em adiantado processo de
deterioração.
Registrar qualquer falha ou partes faltantes que
prejudicam a aparência ou podem afetar o
desempenho do instrumento. Registre neste
campo, o tipo de reparo ou modificação
realizada no instrumento.

2427

�Localização

Nota geral

500

Referências
bibliográficas

Nota de citação

510

Descrição/
Representação/
Características/
Informação técnica

Nota de resumo

Origem/Historicidade/
Incorporação

Nota biográfica
histórica

Não consta
Não consta

Nota de publicações 581
sobre materiais descritos
585
Nota de Exposição

Não consta

Nota de Premiação

520

ou 561

586

650
Categoria/
Cultura de origem
Assunto - Termo tópico
850
Instituição /Proprietário Instituição depositária
Não consta
Localização e acesso 856
eletrônico à fotografia
do instrumento
ou
objeto.
Preenchido por:
Data:
_
Atualizado por:
Data:
Fonte: Brandão, Dolores Castorino, 2013.

Registrar neste campo a localização atual do
instrumento. Se está em exposição ou na
reserva técnica da Biblioteca.
Registrar as informações bibliográficas onde
são citadas ou referenciados o instrumento.
Registrar neste campo as características físicas,
sumarizando as peculiaridades próprias do
instrumento que podem ser utilizadas para
distingui-lo dos demais, como por exemplo,
elementos decorativos enúmero de série e
características técnicas do instrumento.
Registrar dados de procedência, nome dos
doadores e outras informações históricas sobre
o instrumento.
Registrar os inventários realizados na coleção.
Registrar neste campo uma nota específica
citando a exposições onde o instrumento
descrito foi mostrado.
Registrar neste campo informações de prêmios
associados ao instrumento descrito.
Atribuir o assunto baseado no vocabulário
controlado adotado pela instituição.
Registrar o nome da instituição depositária
Este campo deverá conter a informação
necessária para localização eletrônica do
instrumento musical.
Dados gerados automaticamente pelo sistema.
Constam no final da catalogação do
instrumento.

No quadro 1, verifica-se que o capítulo 10 do Código AACR2 e o formato MARC 21,
padrões utilizados pela Biblioteconomia, são viáveis para a descrição de instrumentos musicais de
acordo com as normas de inventário/catalogação estudados.
O resultado da aplicação dessa proposta é mostrado no exemplo de catalogação de
uma flauta de madeira na base Minerva da UFRJ.

Figura 1:
Exemplo de Representação na Base Minerva: Flauta de madeira
FMT VM
LDR 00000nr22 a 4500

2428

�003

UFRJ

005

20130418083055.0

008

120904q1840 frnnn || d

040

|a EM

084
090

|a 421.1. Classificação segundo Sistema Hornbostel-Sachs: Aerofone: Flautas sem
aeroduto.
|a MIDC/EM/UFRJ 421.1 I4 Prat. 19

100 1 |a Godfroy, Clair, |d 1774-1841.
245 10 |a Flauta transversa |h [Instrumento musical] / |c Clair Godfroy.
260

|a Paris : |b Clair Godfroy, |c c. 1840.

300

|a 1 flauta ; |c Descrição: Comprimento total 65 cm.

440 0 |a Coleção Museu Instrumental Delgado de Carvalho.
500

|a Assessoria musicológica: Eduardo Monteiro/Escola de Música da UFRJ.

500

|a Estado de conservação: Ótimo.

500

|a Inscrição gravada no porta lábio: “Callado. 20 de março de 1880. Seu discípulo João
Duarte".
|a Instrumento feito em madeira cocus. Mecanismo de prata. Chave de trinado de dó.

520 1 Tubo cônico. Porta lábio de prata incrustado na madeira que envolve externamente o
orifício da cabeça. Sistema Boehm com anéis.
|a "Clair Godfroy é considerado um dos principais inovadores na construção da flauta
no século XIX. Alguns de seus procedimentos construcionais permanecem em uso até
a presente data, tais como: chaves com braços, chave dupla de sol # e incrustação de
prata no bocal. Durante muitos anos a flauta pertencente ao acervo do museu, foi
561

erroneamente considerada como tendo sido de propriedade de Joaquim Callado. Este
mal entendido deve-se a inscrição gravada no porta lábio do instrumento. Na verdade
a inscrição é uma homenagem de um aluno a seu mestre por ocasião da morte deste.
Callado também preconizava o uso da flauta de cinco chaves, opondo-se ao uso do
Sistema Boehm. Fonte: Eduardo Monteiro, 2013.

581

|a Inventário de 2008: Relação das obras do Museu Instrumental Delgado de Carvalho/
Organização de Dolores Castorino Brandão.

650 04 |a Flauta transversa [Instrumento musical].

2429

�650 04 |a Aerofones - |x Instrumento musical
850

|a Universidade Federal do Rio de Janeiro. Escola de Música.

856 42 |u http://objdig.ufrj.br/26/Instrumento Musical/780623.jpeg |z imagem
CAT |a DBRANDAO26 |b 20 |c 20130418 |l UFR01 |h 0830
SYS

000780623
Fonte: Base Minerva, UFRJ, 2013.

A partir da classificação do acervo do Museu Instrumental Delgado de Carvalho foi
possível identificar o número de instrumentos musicais e sua classe correspondente.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Apesar das dificuldades encontradas, considera-se que o objetivo de propor um
modelo de organização da informação para o acervo do Museu Instrumental Delgado de
Carvalho de acordo com normas e padrões internacionais e em consonância com a descrição
de instrumentos musicais propostas por Trindade (2011) e Myers (1989) foi atingido.
A pesquisa revelou a complexidade inerente ao tratamento técnico de instrumentos
musicais e, consequentemente, a necessidade de estudos interdisciplinares sobre o tema.
Constatou-se que o trabalho realizado por Leopoldo Miguez (1890-1895)foi crucial
para a elaboração do catálogo publicado em 1095, como também forneceu informações
importantes para a realização desta pesquisa. Além disso, a classificação criada por
Hornbostel e Sachs (1914) foi de fundamental importância e pioneirismo, ainda a divisão
desenvolvida pelos autores possibilita uma melhor ordenação e classificação dentro da
Organologia.
Observa-se que Hornbostel e Sachsutilizaram números para representar as classes,
eliminando assim as barreiras linguísticas, uma vez que esses símbolos não verbais são
linguagens internacionais. Por outro lado, verifica-se que os autores adotaram padrão
biblioteconômico, a Classificação Decimal de Dewey, e que a Classificação Decimal
Universal(2007)por sua vez, utilizou um padrão organológico ao adotar a classificação de
Hornbostel e Sachs.
Observou-se também que a utilização de normas e padrões internacionais para a
organização desse acervo garante uma representação adequada do documento, de modo a
atender aos usuários de forma eficiente. Destaca-se que a partir de sua informatização na base
Minerva é possível disseminar o acervo em nível internacional.

2430

�Durante o processo de identificação, catalogação, classificação e indexação dos
instrumentos musicais percebeu-se a importância do diálogo interdisciplinar entre, por
exemplo, bibliotecários e musicólogos na busca de uma representação qualificada. O tema
abordado deve ser amplamente discutido entre os profissionais envolvidos que, sem sombra
de dúvidas, complementarão com suas expertises questões importantes sobre a representação
de instrumentos musicais.
Finalmente, espera-se que o modelo possa contribuir com a organização de acervos em
outras unidades de informação, com características semelhantes, e que seja objeto de estudo
de pesquisas futuras.

REFERÊNCIAS
BRANDÃO, Dolores Castorino. Representação documentária de instrumentos musicais:
contribuição para a organização do Museu Instrumental Delgado de Carvalho da Escola de
Música da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).2013. Trabalho de Conclusão de
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2433

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              <text>Brandão, Dolores Castorino, Santos, Maria José Veloso da Costa</text>
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              <text>A insuficiência de normas internacionais de organização documentária para instrumentos musicais e a escassez de estudos sobre o tema no Brasil, ensejaram a realização desse estudo, realizado no acervo do Museu Instrumental Delgado de Carvalho da Escola de Música da UFRJ. A pesquisa teve como objetivo contribuir para o estabelecimento de um modelo de representação descritiva e temática de instrumentos musicais para fins de recuperação da informação. Inicialmente foram estudadas as normas e padrões existentes nas áreas de Biblioteconomia, Museologia e Organologia que possam ser utilizadas para a organização desse tipo de acervo. Obteve-se como resultado uma proposta para a representação de instrumentos musicais em bases de dados, utilizando-se os padrões biblioteconômicos AACR2 e MARC 21 em consonância com normas já citadas anteriormente, proposta essa, que foi implementada na base Minerva da UFRJ. Para a área de representação temática foram realizados estudos em classificações de instrumentos musicais existentes abordadas e mais consolidadas na Organologia. Foi desenvolvido também, um protótipo de vocabulário controlado no campo em estudo. A pesquisa revelou a complexidade inerente à organização documentária de instrumentos musicais e, consequentemente, a necessidade de estudos interdisciplinares sobre o tema. </text>
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