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                  <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

CASA DA LEITURA E CONTAÇÃO DE HISTÓRIAS: INCENTIVO AO ATO DE
LER NA ATUAÇÃO BIBLIOTECÁRIA PEDAGÓGICA E SOCIAL, O CASO DO
INSTITUTO FEDERAL DE EDUCAÇÃO, CIÊNCIA E TECNOLOGIA DO PIAUÍ
(IFPI) - CAMPUS FLORIANO.
Andreina Alves Ozório

RESUMO
Tendo em vista a amplitude da atuação bibliotecária, o trabalho em questão tem como
objetivo abordar o fazer do profissional bibliotecário numa perspectiva socioeducativa junto
ao incentivo à leitura. A Casa da Leitura, biblioteca situada no Campus do IFPI - Floriano
tem empreendido propostas que viabilizam o acesso ao ato de ler, por meio de contação de
histórias com vias temáticas, junto a crianças da comunidade local, assim como para filhos
dos servidores da instituição. Tais propostas caracterizam-se como mecanismos de
responsabilidade social para formação de leitores reais e potenciais, objetivando compreender
os aspectos referentes à leitura na construção cognitiva de um “indivíduo social” desde a mais
tenra idade. As implicações e/ou resultados desta atuação bibliotecária tem sido observados
ao longo do tempo, haja vista o caráter sinuoso e peculiar na formação de pequenos leitores.

Palavras-Chaves: Bibliotecário (a); Leitura; Mediação da Leitura; Formação de Leitores;
Contação de histórias.

ABSTRACT
Considering the range of the librarian's work, the following paper aims to approach the know­
how of the librarian professional in a socio-pedagogical perspective, along with the incentive
to reading. The Reading House, a library situated at the IFPI campus in Floriano have been
developing proposals that allow the access to reading, thought thematic storytelling, to
children in the local community, as well as the children of institution employees. Such
proposals are mechanisms of social responsability for the formation of real and potential
readers, aiming to acknowledge aspects concerning reading in the cognitive construction of a
"social individual" from early age. The implications and/or results of this librarian
intervention have been observed throughtout some time, taking in consideration the sinuous
and peculiar feature in the formation of young readers.

Keywords: Librarian; Reading; Reading Mediation; Reader Formation; Storytelling.

2326

�1 INTRODUÇÃO
A leitura sempre foi objeto de discussões. E não é de agora o surgimento das múltiplas
reflexões acerca das fragilidades que caracterizam este ato. Ler, na perspectiva atual, é
reconhecer suas atribuições de formar e informar ao cidadão. Neste sentido, o reconhecimento
dos sujeitos, assim como do contexto que envolve este processo, pode contribuir de forma
significativa para a consolidação de ações socioeducativas de uma instituição de ensino.
Sob este viés, é que apresentamos, como objeto deste trabalho, a Casa da Leitura do
Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Piauí (IFPI) - Campus Floriano, que
servirá de base para analisarmos os impactos da leitura no contexto socioeducativo de uma
instituição de ensino, cuja estrutura hierarquizada contempla, desde o ensino médio, passando
pelo técnico, até o superior.
A Casa da Leitura é uma extensão da Biblioteca do IFPI, e única entre todos os
Institutos Federais do Brasil. Foi projetada a partir de ações voluntárias, e idealizada para
representar um espaço adequado à leitura, de forma a afastar o estereótipo “engessado” da
biblioteca formal, percebida como espaço único para estudos, pesquisa e silêncio.
Com ambientação lúdica; acervo formado a partir das expectativas dos usuários e
vínculo de proximidade com a comunidade local, a Casa da Leitura instiga um olhar
científico, voltado para analisar os impactos das políticas educativas de leitura dentro e fora
do Instituto, assim como os impactos sociais.
Por este panorama que vislumbra a leitura, a interdisciplinaridade, as ações educativas
e as projeções sociais, é que surge a iniciativa de se investigar um espaço biblioteconômico,
que possibilite estudo aprofundado sobre as influências das ações que possibilitem a
espontaneidade ao ato da leitura e suas múltiplas facetas, assim como a atuação do
profissional bibliotecário no empreendedorismo destas ações.
Assim sendo, a questão que norteará esta proposta será: Quais as mudanças
socioeducativas compreendidas a partir do incentivo à leitura e a atuação bibliotecária,
identificadas com a implementação de contação de histórias na Casa da Leitura do IFPI Campus Floriano, e seus impactos no desenvolvimento cognitivo das crianças participantes?
Assim, os objetivos que regem a referida proposta são:
Objetivo Geral:
•

Refletir sobre os impactos da leitura no contexto do IFPI - Campus Floriano, tendo
como espaço a Casa da Leitura e as ações do Bibliotecário como agente de
intervenção socioeducativa sob o viés da contação de histórias;

2327

�Por este objetivo geral, podemos inferir os objetivos específicos:
Discutir o papel do Bibliotecário como agente mediador da leitura;
•

Estabelecer um paralelo entre formação de leitores e contação de histórias;

•

Investigar as relações entre cognição e acesso à leitura;

•

Analisar a leitura sob a perspectiva socioeducativa.

Os objetivos, elencados aqui, corroboram também para a ratificação do fazer bibliotecário
sob a perspectiva da mediação interventiva da informação, colaborando para a gestão da
qualidade dos serviços bibliotecários oferecidos, no que tange ao incentivo ao ato de ler.

2 REVISÃO DE LITERATURA
O ato de ler vem sendo continuamente debatido por vários pesquisadores, cada um a
sua maneira, apresenta a evolução dos conceitos, assim como novas formas para a prática da
leitura.
A leitura, dentro dos parâmetros atuais, vai muito além da decodificação de signos
linguísticos. Ela seria “a ponte para o processo educacional eficiente, proporcionando a
formação integral do indivíduo” (MARTINS, 2008, p.25). Baseada nesta prerrogativa, o ato
de ler ajuda o indivíduo a atuar como agente transformador do meio em que vive.
Neste intento, o embasamento teórico desta pesquisa baseia-se na perspectiva de
leitura mencionada por Soares (1988, p. 18), onde o ato de ler ultrapassa a capacidade de
decodificação, proporcionando ao indivíduo uma interação entre: “seu universo, seu lugar na
estrutura social, suas relações com o mundo e com os outros” . Neste sentido percebe-se a
necessidade de uma postura bibliotecária mais construtivista frente aos desafios da leitura, de
maneira que esta atitude proporcione ações pautadas na formação crítica do leitor. Sobre isto,
Campello (2009) defende a noção de construtivismo presente no conceito de letramento
informacional, principalmente quando o foco é a aprendizagem de habilidades durante o
período de escolarização. Neste sentido letramento informacional, seria, na visão da autora
acima citada, a capacidade de entender suas necessidades de informação e de localizar,
selecionar e interpretar informações, utilizando-a de forma crítica e responsável. É óbvio, que
este letramento só será incorporado ao indivíduo, à medida que ele adquirir certa maturação
no ato de ler.
Sobre o ato de ler Paulo Freire (2001, p. 261) menciona que:

2328

�Ler é uma operação inteligente, difícil, exigente, mas gratificante. Ninguém
lê ou estuda autenticamente se não assume, diante do texto ou do objeto da
curiosidade a forma crítica de ser ou de estar sendo sujeito da curiosidade,
sujeito da leitura, sujeito do processo de conhecer em que se acha. Ler é
procurar buscar criar a compreensão do lido; daí, entre outros pontos
fundamentais, a importância do ensino correto da leitura e da escrita. É que
ensinar a ler é engajar-se numa experiência criativa em torno da
compreensão. Da compreensão e da comunicação.
Ler, neste sentido, sugere ações que incentivem a curiosidade. Todo indivíduo cria em
si expectativas de mundo, que o induzem a reflexões e perguntas. Estas perguntas devem ser
respondidas baseadas em um comportamento que facilite a comunicação. Assim sendo, as
propostas para instigar o indivíduo à leitura, devem está baseadas não na mecanicidade, mas
na possibilidade de aproximar o indivíduo de sua própria realidade. Estimulando-o a ser
sujeito ativo de seu contexto.
Com esta visão, podemos compreender a relevância de um estudo que possa
transformar as concepções e os comportamentos frente ao ato de ler. Transformar neste
sentido significa, não apenas interferir nos aspectos cognitivos de quem ler, mas instigar o
indivíduo a ler o mundo em seus vários aspectos. Sobre a leitura, Cagneti e Zotz (1986)
sugere que o ato de ler desenvolve a reflexão e o espírito crítico, é fonte inesgotável de
assuntos para melhor compreender a si e ao mundo, propicia o crescimento interior, leva-nos
a viver as mais diferentes emoções, possibilitando a formação de parâmetros individuais para
medir e codificar nossos próprios sentimentos.
Com este panorama podemos entender que as ações pautadas para melhorar e
incentivar o hábito de ler, especificamente no IFPI, por intermédio da Casa da Leitura, devem
ser articuladas de diferentes formas, e para isso Silva (1995), defende uma dinamização da
leitura, através das seguintes diretrizes: combate a leitura mecânica; embasamento
metodológico para incentivo a leitura; condições para a promoção da leitura; estudo e
pesquisa na biblioteca e superação de dificuldades pessoais para ler. Estas ações podem
interferir positivamente para que leitores em potencial possam desenvolver suas habilidades
socioeducativas frente à leitura.
Neste cenário de intervenção para implementar e/ou aprimorar o hábito da leitura, o
profissional bibliotecário surge como um dos responsáveis pelo processo de formação do
leitor, assim como agente de transformação social que possibilita o intercâmbio entre a
criança e o livro. Viabilizando com isso, a competência informacional junto aos usuários de
bibliotecas. A este respeito Dudziak (2007, p. 95) menciona que:

2329

�a competência informacional surge como elemento chave ao
desenvolvimento sustentável e, mais especificamente, à sustentabilidade
social. O lócus das atividades de information literacy tende a se alterar do
foco tecnológico funcionalista para o reconhecimento de uma preocupação
que engloba o indivíduo como um todo (abordagem holística), incluindo os
aspectos políticos, sociais e ambientais.
A atuação do Bibliotecário como agente pedagógico também é defendida pela autora
supracitada ao declarar que “o bibliotecário pode atuar tanto como mediador pedagógico
como agente educacional de transformação no âmbito da biblioteca, das instituições
educacionais ou quaisquer espaços de informação e aprendizado” (DUDZIAK, 2007, p. 95).
Pensar na leitura sob o viés pedagógico possibilita enriquecer o “fazer bibliotecário” a
partir de uma visão interdisciplinar da sua atuação. Contar histórias, neste contexto imerso nas
tecnologias, implica uma postura de quase que inversa ao curso, tido como normal, da
sociedade, onde as ferramentas multimídias são os principais e mais “inovadores” recursos
para dispor da informação. No entanto o deleite de contar e ouvir histórias perpassa a
singeleza da oralidade, chegando a provocar o estímulo à imaginação, o acesso às diferentes
culturas e o convívio com o outro. O que dar ao profissional bibliotecário outra forma de
desenvolver sua profissão, dispondo sempre do insumo mais significativo em nossos dias - a
informação, mas sob uma perspectiva cheia de significados para o mundo infantil.
David Ausubel, que foi um importante especialista em Psicologia Educacional,
defendia que o conhecimento prévio do indivíduo seria a chave para a aprendizagem
significativa. Pensando assim, podemos inferir que o processo de mediação informativa, tão
defendida pelos estudiosos da Ciência da Informação, é muito mais complexa do que se
imagina, pois mediar querer refletir sobre todo o contexto a qual os sujeitos estão envolvidos.
E em se tratando do universo infantil, esta mediação deve está totalmente munida de
significados, haja vista que, dispor informações pressupõe-se em intencionalidade de
aprendizado, e esta é outra vertente do “fazer bibliotecário” que permeia ações pedagógicas
junto à medição informativa.

3 ABORDAGEM METODOLÓGICA
Projetos de intervenção para implementar o hábito de ler, já ocorrem na Casa da
Leitura do IFPI - Campus Floriano por meio de duas vertentes:
•

A primeira vertente contempla as crianças de escolas públicas da cidade: neste caso, a
escola agenda horário mencionando o objetivo da visita, em contrapartida a
Bibliotecária sugere a programação a ser realizada;

2330

�•

A segunda vertente contempla projetos específicos, e de caráter contínuo: neste caso a
Casa da Leitura oferece dois projetos: Família e Leitura (voltado aos filhos dos
servidores do campus com idade entre quatro (04) e 10 (dez) anos) e Projeto da
Semana Nacional do Livro e da Biblioteca (no mês de outubro).

A metodologia que permeia estes projetos é feita a partir dos parâmetros da PesquisaAção, que segundo Moreira e Caleffe (2006), é uma intervenção em pequena escala, onde a
avaliação dos efeitos interventivos é feita de muito perto. Os autores também mencionam
algumas características próprias da pesquisa-ação:
•

Situacional: diagnóstico do problema em um contexto específico para tentar resolvêlo;

•

Colaborativa: os pesquisadores trabalham em equipe;

•

Participativa: os participantes tomam

parte diretamente ou indiretamente na

implementação da pesquisa;
•

Auto avaliativa: modificação serão continuamente avaliadas, pois o principal objetivo
é melhorar a prática.
As ações desenvolvidas nos projetos contemplam atividades como:

•

Contação de histórias: cada história contada baseia-se em um livro contido no acervo.
De acordo com o público a história pode ser adaptada ao programa escolhido. Estes
programas contemplam temas pré-estabelecidos em checklist. Eles são: “A biblioteca
e

eu”

(Bibliotecária);

“Relacionamento

e

Comportamento”

(Bibliotecária

e

Pedagogos); “Piquenique Literário” (Bibliotecária, Médica e Nutricionista); “Vou à
dentista e não tenho medo” (Bibliotecária e Dentista) e “A História dos Sentimentos”
(Bibliotecária e Psicóloga).
•

M úsica: utilizada como parâmetro completar junto às histórias. É disponibilizada sob a
parceria entre a Casa da Leitura, professores de música do campus e alunos.

•

Fantoches: são instrumentos interativos, que dão vida às histórias contadas;

•

Jogos e brinquedos: são utilizados como mecanismos de quebra-gelo e/ou feedback
entre o contador de histórias e as crianças.
Os projetos são reavaliados a cada execução, seguindo pressuposto estabelecido por

Severino (2007), quando esclarece que a constatação de regularidades em vários casos

2331

�particulares, assim como a observação de reiteradas incidências e sua regularidade, são
extremamente importantes para refletir sobre as ações implementadas em cada projeto.

4 RESULTADOS PARCIAIS
A leitura, compreendida como prática social, é uma atividade que pode ser executada
em vários espaços e sob várias perspectivas. Os projetos executados no espaço da Casa da
Leitura têm gerados resultados previstos e até resultados que não se previam. Muitos estão
delineados no quadro abaixo.

Quadro 1 - Resultados parciais dos projetos da Casa da Leitura (IFPI - Campus
Floriano)
PROJETOS
“A biblioteca e eu”

“Família e Leitura”

CARACTERIZAÇÃO E AÇÃO
Projeto
desenvolvido
continuamente a partir do agendo
prévio das escolas. As ações são:
• Contação: “História do Livro e
da Biblioteca”
• Visita à biblioteca e a Casa da
Leitura;
• Ludicidade envolvendo atos
prejudiciais
dentro
da
biblioteca - “Os vírus que
atacam
os
usuários
de
biblioteca”;
• Contação de histórias diversas.

RESULTADOS PARCIAIS
As crianças começam a compreender
o real sentido e função de uma
biblioteca, assim como portar-se
dentro dela, respeitando assim o outro.
Elas também vislumbram a gênese da
Biblioteca, e a trajetória história dos
suportes informacionais.

Projeto desenvolvido mensalmente
com filhos dos servidores do IFPI Campus Floriano. Cada encontro
aborda tema específico ao universo
infantil. Este projeto conta com a
colaboração
da
Psicóloga,
Nutricionista, Médica, Pedagogos e
Assistente Social e professores de
música do Campus, além de alunos
voluntários. As ações são:
• Contação
de
histórias
envolvendo
os
seguintes
temas: “Relacionamento e
Comportamento”;
“Piquenique Literário”; “Vou
à dentista e não tenho medo” e
a
“A
História
dos
Sentimentos”

Durante este projeto as crianças são
desafiadas a frequentarem a Casa da
Leitura, e lerem em casa, junto com os
pais, os livros que inspiraram cada
encontro. Com isso elas adquirem o
hábito
da
leitura
com
acompanhamento dos pais, além de
entrarem em contato direto com as
histórias que habitam o imaginário de
cada uma. Estas histórias envolvem
temáticas
que
vão
desde
relacionamento com os pais e
familiares; educação alimentar e
bucal, além de temas que envolvem
aspectos psicológicos. As crianças
visitam a Casa da Leitura e são
recebidas pela Bibliotecária que, de
pronto, sugere os livros referentes às
temáticas propostas, à faixa etária da
criança, assim como temas diversos.

2332

�Este projeto é anual. E ocorre no
mês de outubro. Envolve crianças
de escolas públicas de Floriano.
Conta com a colaboração da
Psicóloga, Nutricionista, Médica,
“Semana
Nacional Pedagogos e Assistente Social e
do
Livro
e
da professores de música do Campus,
além de alunos voluntários. As
Biblioteca”
ações são:
• Contação
de
histórias
envolvendo
temáticas
da
literatura infantil;
• Músicas;
• Vídeos alusivos à leitura;
• Teatro;
• Jogos e brincadeiras com
temas envolvendo a literatura
infantil.

Durante a implementação deste
projeto algumas crianças têm seu
primeiro contato com uma biblioteca.
Muitas nunca haviam estado em um
ambiente bibliotecário antes. Elas
aprendem o valor do livro, e junto a
isso algumas histórias são contadas
enfatizando valores pessoais e
coletivos. Algumas crianças não
sabem ler, por isso algumas histórias
são contados com livros sem palavras
para que elas mesmas possam contar a
história baseada naquilo que elas
conseguem apreender das figuras.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Lidar com as prerrogativas de incentivo à leitura, nos dias atuais, implica numa
postura cada vez mais próxima da realidade social. Quando o foco trata-se do público infantil,
o bibliotecário evidencia-se como articulador pedagógico que media o processo de aquisição
de conhecimento sob um viés lúdico, que por si só, favorece o estímulo à imaginação,
desenvolve as potencialidades cognitivas, e o mais significativo, a criança inicia seu processo
de conhecimento de mundo. Olhando assim, podemos perceber a relevância da contação de
história para o incentivo ao ato de ler. E quando isto é percebido conferimos ao profissional
bibliotecário a postura que dar a ele o que temos chamado ao longo deste trabalho de “atuação
pedagógica e social” . Isto significa que quando o bibliotecário percorre o caminho mais
longo, de oferecer informação e ao mesmo tempo, participar efetivamente do processo de
aquisição de conhecimento, este fato dar ao profissional uma percepção mais exata de sua
responsabilidade social frente a realidade que o circunda.
A contação de histórias é uma ferramenta bastante antiga para o repasse de
informações e conhecimento, e que se

bem realizada, pode tornar-se

mediadora e

catalisadora para formação de leitores. A este respeito Ramos (2011, p. 23) considera que
formar leitores caracteriza-se como processo de

conduzir as pessoas, arranjando e organizando situações para que sejam
capazes de ver, conhecer, compreender, aprender o que foi articulado por
outrem, por vezes pelo leitor em situações anteriores. Esses comportamentos
incluem a participação de diferentes dados sensoriais (visão, tato audição,
etc.)

2333

�Partindo deste pressuposto podemos compreender a realidade da natureza humana
instituída à leitura, quando nos conscientizamos que o ser humano faz suas leituras a todo
tempo, e estas leituras são feitas na mesma perspectiva de suas vivências, assim como da
forma com a qual enxergam o mundo. Neste sentido, quando as crianças são inseridas no
universo da leitura por meio da contação de histórias, especificamente nos projetos da Casa da
Leitura, elas começam a se enxergar como sujeitos de suas histórias quando iniciam o
processo de interferência na história contada a partir de seus próprios contextos. E neste
momento que o “contador de histórias” vê que aquela criança começou seu processo de
formação como leitora.
Outro aspecto importante, percebido no desenrolar de cada projeto e de cada tema
abordado, é a construção da afetividade entre todos os sujeitos envolvidos. Isto implica
entender que as crianças aproximam-se uma das outras, assim como constroem laços ainda
mais significativos com seus pais, que constituem-se sujeitos ativos no processo de formação
de leitor junto aos seus filhos.
Este mesclar de projetos produzem uma miscelânea de resultados ricos quando os
percebemos em sua totalidade, qual seja: formar pequeninos e futuros leitores, que desde a
mais tenra infância veem nos livros ferramentas que aguçam seus imaginários.
A Casa da Leitura tem sido um laboratório de grande importância junto às
bibliotecárias ali inseridas. Pois viabiliza experiências mais profundas para suas atuações
formais, ou seja, àquelas adquiridas na academia. Isto significa dizer que, ao profissional
bibliotecário, são atribuídos tantos desafios, quanto este for capaz e sensível de enxergar ao
longo de sua trajetória profissional. Contar histórias neste sentido, ultrapassa a linha simples
de relatar um fato, mas permeia as múltiplas possibilidades de informar e habilitar o indivíduo
a contar e recontar todas aquelas histórias a partir de suas próprias visões de mundo, de
vivências e de experiências. E isto é indiscutivelmente um desafio para os profissionais da
informação, em especial aos bibliotecários.

REFERÊNCIAS
CAGNETI, Sueli de Souza; ZOTZ, Werner. Livro que te quero livre . Rio de Janeiro:
Editorial Nórdica, 1986.
CAMPELLO,

Bernadete

Santos.

Letramento informacional:

função

educativa

do

bibliotecário na escola. Belo Horizonte: Autêntica, 2009.

2334

�DUDZIAK, Elizabeth Adriana. O bibliotecário como agente de transformação em uma
sociedade complexa: integração entre ciência, tecnologia, desenvolvimento e inclusão social.

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FREIRE, Paulo. Carta de Paulo Freire aos professores. Estudos Avançados [online]. 2001,
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Leitura :

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2335

�</text>
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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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    <name>Event</name>
    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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      <name>Dublin Core</name>
      <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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          <name>Title</name>
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              <text>Casa da Leitura e Contação de Histórias: incentivo ao ato de ler na atuação bibliotecária pedagógica e social, o caso do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Piauí (IFPI)- Campus Floriano</text>
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          <name>Coverage</name>
          <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
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              <text>Belo Horizonte (Minas Gerais)</text>
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              <text>Tendo em vista a amplitude da atuação bibliotecária, o trabalho em questão tem como objetivo abordar o fazer do profissional bibliotecário numa perspectiva socioeducativa junto ao incentivo à leitura. A Casa da Leitura, biblioteca situada no Campus do IFPI – Floriano tem empreendido propostas que viabilizam o acesso ao ato de ler, por meio de contação de histórias com vias temáticas, junto a crianças da comunidade local, assim como para filhos dos servidores da instituição. Tais propostas caracterizam-se como mecanismos de responsabilidade social para formação de leitores reais e potenciais, objetivando compreender os aspectos referentes à leitura na construção cognitiva de um ―indivíduo social‖ desde a mais tenra idade. As implicações e/ou resultados desta atuação bibliotecária tem sido observados ao longo do tempo, haja vista o caráter sinuoso e peculiar na formação de pequenos leitores.</text>
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