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                  <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

ANÁLISE DO FLUXO INTERNO DA INFORMAÇÃONO CENTRO DE CIÊNCIAS
HUMANAS DA UFMA

Maria Stela Martins Veloso

RESUMO
A universidade como instituição pública, tem como uma das responsabilidades sociais, a
transmissão de informações. No gerenciamento do fluxo internode um centro acadêmico,
analisou-sea satisfação, a percepção e o comportamento informacional dos usuários. Para
tanto, procedeu-se o desenvolvimento de umestudo de caso descritivo do tipo qualiquantitativo, que teve como instrumentos de coleta de dados: documentos oficiais,
questionário e entrevistas.Identificou-se que existem falhas na informação, sendo eminente a
fragmentação da informação. A informação mais buscada é a oferta de disciplinas. O fluxo da
informação interna tramitaem várias instâncias.Após o gerenciamento da informação, estassão
ofertadas aos usuários segundodemandas e necessidades. O fluxo informacional é vertical e
hierarquizado.A instituição carece de uma política formal no trato com a informação.
Palavras-chave: Gerenciamento da informação. Fluxo interno da informação. Usuário da
informação.
ABSTRACT
Research about internal flow management in academic center at public university identifies
satisfaction, perception and information behavior of users. Therefore, approach descriptive
case study of the quantitative and qualitative type, with the instruments for data collection
questionnaire and interviews. It's identified gaps in the information and failure most often
mentioned is the fragmentation of information. Information more supply it's about
disciplines. Research identifies that most common failure is information fragmentation.
Internal flow information in several instances where after the management is now offered to
users based on demands and needs. Flow information is vertical and hierarchical, and the
institution lacks a formal policy in dealing with information.
Keywords: Management information. Internal flow information. Userinformation.

1 INTRODUÇÃO
O tema gerenciamento da informação é bastante relevante no universo institucional
onde ainformação, enquanto conceito carrega uma diversidade de significados, estando
presente no cotidiano individual e no organizacional / institucional. Segundo Araújo (2001), o
conceito de informação está ligado às noções de comunicação, controle, dados, forma e

2087

�representação de conhecimentoAraújo (2001) considera que a atribuição de sentido, seja
como um processo de representação para a comunicação. Sendo assim, a informação
comporta um elemento de sentido, onde o objetivo do ato de informar é o envio e a apreensão
de sentido, logo, considera-se que se não ocorre atribuição de sentido (recepção) e processo
de representação (geração e transferência) do fenômeno informacional não se desenvolve.
A compreensão do valor da informação passa, necessariamente, pelo uso que se faz
dela e pelo entendimento que se tem do seu conceito. É desta forma, que Araújo (2001)
considera um processo aberto, no sentido em que ela não garante a transformação dos
conhecimentos (individuais ou sociais), apenas oferece ao sujeito do conhecimento a
possibilidade de operar a transformação ou não.
O objetivo geral desta pesquisa consistiu em analisar o gerenciamento da informação
no CCH/UFMA, considerando o fluxo interno da informação. Para tanto, o levantamento das
necessidades de informação e a utilização foi avaliado pelos alunos na parte quantitativa, e a
obtenção e distribuição foi contemplada na análise dos funcionários, em abordagem
qualitativa, conforme observado no modelo de Davenport e Prusak (1998) e Choo (2006).
Procurou-se identificar o nível de satisfação dos alunos de graduação do CCH/UFMA, frente
às suas necessidades de informações, considerando o fluxo da informação. Especificamente
visa-se saber como o fluxo informacional interno interfere na disponibilização da informação
externa ou divulgada.

3 FONTES E CANAIS DE COMPARTILHAMENTO DE INFORMAÇÕES
No gerenciamento do fluxo da informação existem diversos instrumentos que
favorecem o êxito da circulação da informação dentro de uma instituição. As fontes formais
de informação tipo publicações impressas (jornais, revistas e boletins), mural, intranet e
newsletters são alguns exemplos, bem como as fontes informais como, reuniões, palestras,
contatos telefônicos, dentre outras que aliadas a um bom planejamento, são verdadeiras
ferramentas que auxiliam na otimização do tempo, referente à divulgação de informações.
Davenport (2001, p. 52) considera as fontes de informação verbais ou informais,
extremamente importantes no processo de transmissão ou transferência da informação.
“Pessoas ainda são os melhores ‘meios’ para identificar, categorizar filtrar, interpretar e
integrar a informação. Não me refiro ao pessoal de tecnologias da informação, que lida com
computadores e redes mas, às pessoas que fornecem e interpretam as informações”.
No campo da Ciência da informação, Araújo (2001) afirma que vários estudos tem
sido desenvolvidos sobre os canais ou fontes de comunicação e informação formais e

2088

�informais, e sobre as barreiras existentes no processo de disseminação da informação e,
consequentemente, na prática informacional. Os computadores podem ajudar a agregar
valores e transformar dados em informação, porém quase nunca ajudam na parte de contexto,
e os seres humanos geralmente precisam agir nas partes de categorização (DAVENPORT;
PRUSAK, 1998).
Da mesma forma, Figueiredo (1983, p. 46), também considera as fontes informais até
mais importantes do que os canais formais quando defende que os canais informais de
comunicação são considerados mais importantes do que os canais formais para satisfazerem
muitos tipos de necessidades de informação. Para Figueiredo (1983) e Zivianiet al. (2008), as
características das fontes formais e informais, podem influenciar na ocorrência e tipo de
necessidade, afetando a percepção das barreiras à informação e as maneiras pelas quais as
necessidades podem ser atendidas.Zivianiet al (2008, p. 1) enfatiza essa questão onde trata o
assunto sob o termo “práticas ou estratégias formais de compartilhamento de informações”
que são os meios disponíveis para que se estimule, se divulgue e compartilhe informações no
ambiente organizacional. Como fontes formais, destacamos: os periódicos científicos, paper,
livros, documentos, jornais internos, quadros de avisos, relatórios e correio eletrônico (que de
forma estruturada tramitam dentro da empresa). Como fontes informais temos:reuniões,
palestras, feiras, contatos pessoais, redes sociais, telefone, dentre outras, que não possuem
caráter oficial e podem ter origem interna ou externa.
O compartilhamento tanto formal como informal deve ser incentivado pela instituição.
Onde há práticas direcionadas a um ambiente favorável, as chances de o conhecimento ser
compartilhado de forma espontânea são muito maiores do que em casos onde há imposição da
gerência para que isso ocorra. No entanto, existem fatores que inibem a transferência de
conhecimento, entre eles a barreira cultural. À medida que esses fatores possam ser
eliminados, o compartilhamento do conhecimento fluirá de maneira mais consistente na
organização. Uma desvantagem do compartilhamento informal é que, como este não é
documentado, pode não atingir a todos (ZIVIANI et al., 2008).

4METODOLOGIA
A pesquisa consistiu em um estudo de caso descritivo com abordagem quantiqualitativa, noCentro Acadêmico de Ciências Humanas da Universidade Federal do
Maranhão. A coleta de dados ocorreu por meio de questionário estruturado aplicado a alunos;
e entrevistas semiestruturadas realizadas com funcionários; e a observação participante, uma
vez que a pesquisadora atua na organização. A análise de dados iniciou-se com a abordagem

2089

�quantitativa, a qual caracterizou o nível de satisfação dos alunos de graduação frente às suas
necessidades de informações. Os dados qualitativospermitiram identificar o fluxo da
informação interna que circula na instituição onde as informações internas após o
gerenciamento, passam a ser ofertadas aos usuários/alunos de acordo com as necessidades e
demandas.
A fase quantitativa objetivou obter dados estatísticos, referente à satisfação de usuários
sobre o gerenciamento do fluxo da informação. Nesta fase aplicaram-se questionários com
parte da amostra selecionada para estudo. A amostra real foi de 381 alunos, equivalente a 15%
do total do Centro. As variáveis utilizadas para representar o perfil dos alunos foram: quanto
ao curso, ano de conclusão, faixa etária, sexo, frequência e ocupação. A amostra selecionada
foi probabilística aleatória simples. Os questionários constituíram-se de dezenovequestões,
aplicados aos alunos de graduação sendo dividido em três partes. De acordo com a abordagem
descrita por Araújo (2001), identificou-se o perfil, o comportamento informacional e o nível
de satisfação com os serviços de informação.Procurou-se identificar nas perguntas do
questionário, os critérios de qualidade da informação descritos por Félix (2003) no intuito de
colher as demandas e necessidades dos entrevistados.
A fase qualitativa considerou o contexto onde a informação circula e a percepção das
pessoas que trabalham diariamente com a mesma, bem como os canais de distribuição da
informação. Nesta fase utilizou-se entrevista do tipo semiestruturada com parte da amostra
selecionada, através de um roteiro pré-definido de perguntas. O total de funcionários do
Centro é o seguinte: funcionários efetivos do quadro da instituição, 30; funcionários
terceirizados, 45, formando um total de 75. Foram entrevistados 15% dos funcionários, num
total de 75, sendo assim, entrevistaram-se 15 pessoas. Procurou-se identificar o acesso às
informações, de uso interno e externo. Tratou-se dos meios de divulgação e compartilhamento
e obstáculos que podem causar problemas a fluidez da informação. Utilizou-se a técnica de
observação e conversas informais com pessoas direta e indiretamente envolvidas com as
atividades de gerência da informação.

5 RESULTADOS
Na primeira fase da pesquisa, a quantitativa, identificaram-se os seguintes dados
quanto ao perfil dos respondentes: a maioria (40%) tem entre 18 e 22 anos; quanto ao sexo,
houve uma equivalência de gênero; a frequência semanal às atividades do centro da maioria
(73%) é de 5 vezes na semana; quanto á ocupação, a maioria (47%) não trabalha; quanto à
conclusão de curso, a maioria (94%) ainda permanece em atividade nos próximos três anos.

2090

�As variáveis apontaram que a amostra destas categorias foi bastante significativa para os
resultados da pesquisa.Apresentam-se em seguida os principais resultados em forma de
gráficos numerados em sequência. O quantitativo dos que responderam ao questionário
aparece representado em números na parte de baixo das colunas de cada percentual. Quanto
ao gerenciamento do fluxo interno da informação, que considerou demandas e necessidades,
mostra que a informação mais procurada no centro é a oferta de disciplinas, com 76% de
procura; seguida de informações relativas a eventos com 54%, conforme demonstra o Gráfico
1
76%

Cursos de
extensão

Estágios e bolsas

Eventos

Ofertas de
disciplinas

O Gráfico 2 demonstra as rincipais fontes de busca por informações disponibilizadas
aos usuários do Centro acadêmico. Observa-se que a principal fonte de busca por informações
é a Coordenação de curso, com 67% de procura; seguida dos Murais ou Quadros de avisos,
com um percentual considerável de 49%. As demais fontes de informação aparecem com
percentuais equiparados de interesse.
67%

Balcão de
atendimento

Outdoore
Cartazes

Panfletos e
Folders

Murais

Coordenação
de Curso

Quanto à clareza e objetiidade da informação divulgada, o Gráfico 3 demonstra que
63% concordam parcialmente com este atributo e 15% concordam totalmente.Sendo assim,
somando-se os percentuais de concordância, que é de 78%, a maioria considera as

2091

�informações recebidas e disponibilizadas relevantes para uso. Considera-se este resultado
bastante relevante, visto que é de extrema importância que a informação chegue até os
usuários de forma clara e objetiva para uso.

O Gráfico 4 representa a tualização da informação divulgada, onde, somando-se os
percentuais dos que afirmam, 68% consideram que as informações divulgadas estão
atualizadas; poucos sãos os que discordam da atualização da informação. Como foi visto no
gráfico anterior, o percentual de aprovação para este questionamento foi bastante
considerável.

Quanto a existência das alhas na informação, os entrevistados afirmaram, num total de
77% que existe algum tipo de falha na informação e a falta mais identificada foi a
fragmentação da informação com (73%); como demonstra o Gráfico 5. Observa-se que a
informação mesmo com as qualidades apontadas pela maioria dos respondentes,apresenta
falhas. Este resultado confirma o que está descrito no Gráfico 2 onde, os usuários procuram a

2092

�mediação dos funcionários na busca por informação, no momento que a mesma apresenta as
falhas citadas.

Quanto ao nível de satisfção quando encontram a informação, 59% declaram-se
parcialmente satisfeitos; observa-se que esse percentual dos insatisfeitos, deriva das falhas já
apontadas. No Gráfico 6, está representado o percentual dos que afirmam ser prejudicados
quando não encontram a informação que procuram que são 77%, somando-se os percentuais
dos que concordam de alguma forma.

36%

Concordo
totalmente

31%

Concordo
Não concordo
Discordo
parcialmente nem discordo parcialmente

Discordo
totalmente

O Gráfico 7 demonstra o nvel de satisfação com os funcionários que fornecem
informações aos usuários. Observa-se que, somando-se os percentuais, 63% afirmam que
estão satisfeitos com os funcionários que gerenciam e divulgam informações. No entanto,
existe um percentual ainda de 25% que não estão satisfeitos. O ideal seria um percentual mais
elevado quanto a essa afirmativa.

2093

�Na fase qualitativa, o prfil dos entrevistados foi o seguinte: entrevistaram-se
funcionários das coordenações de curso, do balcão de atendimento e do gabinete do Diretor
do Centro. A quantidade de funcionários em cada setor é a seguinte: coordenações de curso,
entre 3 e 4 funcionários, sendo 2 por cada turno de funcionamento.Tempo de atividade no
setor é entre 2 a 5 anos. Quanto ao nível de escolaridade, 3 pós-graduados, 5 de nível superior
completo, 5 de nível superior incompleto e 2 com ensino médio completo. Cargos que
ocupam: coordenadores de curso, secretário(a)s de coordenação efetivos e terceirizados
(menor parcela). Setor que trabalham: Coordenações de curso (8 pessoas), 4 no balcão de
atendimento e 3 no gabinete do Diretor do Centro. Perfazendo um total15 entrevistados com
carga de trabalho de 8h diárias. A seguir apresentam-se trechos das falas de alguns
entrevistados referentes às principais questões levantadas no trato com a informação. Os
entrevistados estão identificados da seguinte forma: E1, E2. E3, ou cita-se o cargo que o
mesmo ocupa.Quanto ao gerenciamento da informação, identificou-se o seguinte: a fonte
menos utilizada e com menor eficiência é balcão de atendimento; a fonte mais procurada é a
Coordenação de cursos, conforme afirmaram dois entrevistados:

Os alunos buscam mais informações mesmo é na Coordenação de Curso,
eles vem aqui direto. Mesmo a gente colocando a informação no mural, eles
sempre confirmam vindo aqui ou então telefonando. (Secretária de
Coordenação)
[...] Mesmo estando as informações nos meios que você citou agora, os
alunos ou as pessoas de fora, sempre procuram a informação na
Coordenação. A gente põe quase tudo nos Murais que estão aí fora mas, eles
vem sempre aqui ou então telefonam. (Funcionário terceirizado).

2094

�Os murais ou quadros de avisos também são bastante procurados, como foi
demonstrado no Gráfico 2. O tipo de informação mais procurada é a oferta de disciplinas,
conforme um dosentrevistados:
As informações que os alunos mais procuram são referentes às disciplinas
que irão ser ofertadas no período seguinte ou em período de férias.(E1)

O tempo considerado hábil da Informação chegar até o usuário, é o que o satisfaça de
forma imediata; mas, depende do tipo de informação procurada, conforme afirmam alguns
entrevistados:
O tempo que a informação fica disponível independe do tempo de resposta.
Muitas vezes a informação fica disponível um mês e não há resposta, às
vezes ela fica disponível apenas um dia e todos procuram. (E5)
As pessoas ainda tem a mania de procurar a informação para resolver
alguma problema urgente, tipo inscrição em alguma disciplina ou curso, na
última hora ou último dia. (E6).
Nós achamos que a informação deve ser repassada a quem precisa de forma
imediata, assim, no mesmo dia, seria o Ideal [...]. (E7).

Quanto à forma de divulgação da Informação, alguns afirmam ser parcialmente
divulgadas, ocorrendo retenção de algumas informações por um período de tempo, conforme
afirmam dois entrevistados:
A gente sempre procura priorizar as informações que consideramos mais de
interesse dos alunos, como oferta de disciplinas, estágios e bolsas, cursos,
etc. Se um aluno precisa se informar sobre determinada disciplina que irá
cursar no períodoseguinte, sabendo da informação que precisa, ele irá se
organizar de forma a não se inscrever em outra que não cursou e que
também precisa recuperar, de forma que está não coincida o horário com a
atual.(E1).
Principalmente relativas a eventos como congressos, encontros, etc. aqui no
Maranhão e fora do estado.(E2).

Há necessidade das informações estarem impressas ou visíveis, mesmo estando no
site institucional;a disponibilidade da Informação divulgada: depende do setor ou de quem
divulga; a maioria dos funcionários tem interesse em divulgar as informações que os alunos
necessitam.
Informações oficiais e extraoficiais precisam ser impressas, repassadas e,
principalmente lidas. O maior problema aqui é a falta de leitura e
interpretação... (grifo nosso). (E9).

2095

�Quando fala-se que as informações “precisam ser impressas”, observa-se que isto
também foi dito por outros entrevistados e também comentado por alguns alunos no momento
em que respondiam o questionário, que mesmo a informação estando “no site” algumas
pessoas querem “ver” a informação ali impressa ou documentada de um jeito mais formal,
isso demonstra uma cultura informacional que prima o documento físico, conforme disse uma
entrevistada, entende-se que seja para tirar dúvidas.
Hoje em dia as pessoas dão muita importância aos canais de fontes
eletrônicas, claro que eles vieram ampliar as opções de fontes de
informação. Não acho que esses canais sejam assim tão eficientes. Os
canais tradicionais são extremamente úteis, sempre queremos ver a cara
das pessoas para tirar alguma dúvida e o trabalho que fazem. (E10).

Identificou-se o compartilhamento de informações e entraves no gerenciamento do
fluxo informacional, as informações de uso interno.Primeiramente, foi perguntado sobre a
distribuição ou divulgação da informação referente às questões de rotina do trabalho interno
ou de trâmite dos processos.Nessa questão, as respostas foram meio confusas. Foi perguntado
se eram centralizadas, descentralizadas, de fácil acesso ou de difícil acesso. A metade acha
que são descentralizadas e de fácil acesso, a outra metade disse o contrário. Um entrevistado
falou o seguinte:
Com relação à Diretoria, procuramos sempre atender com precisão a quem
procura informação, quando não temos conhecimento, procuramos orientar
onde podem encontrar tais informações. (E1).

Observou-se que depende do setor e da chefia imediata. Sobre a posição dos gestores,
Zivianiet al (2008) fala que a intensificação do processo de produção de conhecimentos a
partir de informações, passa a exigir novos comportamentos principalmente dos ocupantes de
cargos em nível gerencial ou institucional. De uma forma geral, foi falado o seguinte: que
todas as informações são bem analisadas antes da divulgação, passando por várias instâncias;
que, no entanto, existem informações que são divulgadas sem precisar passar por alguma
instância; mas, que já ocorreu de alguma informação ser divulgada com dados incorretos,
devido não ter sido bem analisada antes. Que às vezes, existe demora na divulgação da
informação devido o atraso em passar por algumas instâncias; que algumas vezes é preciso
cobrar o retorno de algo, devido o setor que está com o processo demorar muito para devolver
o mesmo, que às vezes ocorre de apenas uma pessoa ter uma informação e não estar no
momento para atender a quem procura, isto ocorre quando um funcionário entra de férias e
quem fica no seu lugar “não sabe dar informações”.

2096

�Diante do exposto, se observou pelas respostas, que além de depender do setor, da
chefia imediata, depende também da boa vontade das pessoas em fornecer informações, ou
seja, da cultura organizacional. Não existe uma política institucional consolidada para tal
prática. No entanto foi possível observar o esforço de algumas pessoas no sentido de
compartilhar informações.
Um entrevistado falou algo interessante:
Às vezes isso depende do setor que você vai e da “sorte”. Se você tiver o
azar de perguntar para a pessoa “errada” aí você fica sem a informação. Por
isso que eu tenho sempre o hábito de perguntar para mais de uma pessoa no
mesmo setor. (E2).

O ideal seria que nas instituições, principalmente as que trabalham intensamente com
informações, não tivessem essas pessoas ditas “erradas” no trato com a informação. Foi
possível identificar que predomina uma cultura informacional de forma vertical ou
hierarquizada, onde os gestores ou gerentes que estão no topo controlam o fluxo de
informações e delimitam permissões, criando dessa forma, barreiras que impedem o bom
fluxo das informações. Entende-se que as informações existem, precisam apenas ser mais bem
divulgadas.
Sobre o compartilhamento de informações e ideias entre as pessoas e os setores, tanto
formal como informalmente, antes ou durante a divulgação da informação. As respostas
foram bem distintas, alguns afirmam que existe esse compartilhamento, uns dizem que só
algumas vezes e outros dizem que não existe. De uma forma geral, ficou um meio termo nas
respostas. Entende-se que o compartilhamento só ocorre quando a informação é de interesse
mais geral e também da boa vontade de alguns.
Já que existem outras pessoas que trabalham em um mesmo setor, além do
chefe e das secretárias, que as informações ou documentos seriam
compartilhadas entre todos que trabalham no mesmo setor. (Secretária de
Coordenação).

Davenport e Prusak (1998) falam que compartilhamento é um ato voluntário de
colocar o conhecimento à disposição dos outros. Eles afirmam que o compartilhar não deve
ser confundido com relatar, que é a troca involuntária de informações e conhecimentos de
maneira rotineira e estruturada, embora alguns chefes ou gestores achem que essa troca de
ideias seja perda de tempo.
Sobre isso, Zivianiet al (2008) fala que uma das desvantagens do compartilhamento
informal é que nem sempre atinge todas as pessoas que dele necessitam e que não se pode

2097

�depender somente de conversas casuais e de encontros locais quando necessitarem obter e
transmitir conhecimento.
Sobre a frequência do setor em trabalhos que impliquem na divulgação de
informações. Aqui as respostas ficaram entre diariamente e mensalmente. Somente uma
pessoa falou que raramente o setor divulga informações. Sendo assim, verificou-se que a
divulgação de informações é considerada boa.
Praticamente toda semana estamos divulgando qualquer tipo de informação
que seja de interesse dos alunos. (Coordenador de Curso).

Sobre os tipos de documentos utilizados na rotina de trabalho diário, os documentos
citados foram: Memorando, Ofício, Ata, Declaração, Histórico Escolar, Resolução, Parecer,
Ordem de Serviço, Processos, Editais e Portaria. Os documentos citados são comuns a
maioria dos setores ou coordenações de curso.
Foi perguntado sobre quais informações geradas em outros departamentos ou setores
que o funcionário gostaria de obter e não está obtendo, as mais citadas foram:Ofertas de
Disciplinas, e sobre Eventos Acadêmicos.
Algumas coisas, deveríamos saber como dados relativos a professores tipo:
titulação, projetos de pesquisa e extensão que estão sendo desenvolvidos.
(Assistente Administrativo).

Sobre o nível de confidencialidade das informações de trabalho interno. A maioria
respondeu que não tem dificuldade em acessar os documentos que precisam, somente uma
pessoa falou o seguinte:
No setor em que trabalho alguns documentos ficam trancados, tipo
confidenciais, assim, como tem mais de uma pessoa trabalhando aqui, acho
que deveria ser mais acessível, ou então esses documentos que estão
guardados só interessam a chefia. (Secretária de Coordenação).

Indagou-se se nos últimos dois anos, participaram de cursos de aperfeiçoamento ou
treinamentos na área em que atuam. A maioria respondeu que não participou, então, foi
perguntado por que não fizeram os cursos, visto que semestralmente são ofertados cursos
desse tipo pela Pró-reitora de Recursos Humanos (PRH). Alguns disseram que não são
liberados do setor pela chefia imediata para fazer os cursos que geralmente são de dois, três
meses ou mais.
A maioria do que é ofertado pela PRH eu não fiz, todos me interessam, não
fiz por falta de tempo mesmo, porque estudo pela manhã e tarde estou aqui
trabalhando na Coordenação e como tem poucos funcionários, é difícil a
gente conseguir liberação para fazer os cursos, que sempre são pela manhã
ou tarde. (E7).

2098

�As chefias nem sempre tem interesse que a gente faça os cursos ou
treinamentos, que duram às vezes mais de dois meses, quando ficamos
sabendo, já até passou os prazos de inscrição. Existem alguns treinamentos
que somos obrigados a fazer, tipo, quando muda o sistema. (E6)
Nem sempre podemos liberar todos os funcionários para fazer determinado
curso ou treinamento, o problema é que aqui na UFMA existem poucos
funcionários nos setores e aí fica complicado liberar este ou aquele, mas, o
interessante seria que todos fizessem algum curso de interesse às suas
atividades. (Coordenador de Curso).
Diante das respostas acima, observou-se que a maioria dos funcionários participou de
poucos cursos de aperfeiçoamento na área em que atuam nos últimos dois anos, sendo que
gostariam de participar, mas, não participa devido falta de tempo ou de liberação da chefia
imediata. No entanto, alguns disseram que não tem interesse algum em participar de curso de
atualização ou treinamento. Observou-se que esta afirmação partiu de pessoas que estão já em
via de aposentadoria, no entanto, são pessoas ainda jovens.
Foi perguntado aos funcionários se eles costumam ler os Murais existentes nos
corredores: (aqui, foi escolhido apenas um dos canais ou fontes de divulgação de
informações). Uns responderam que raramente leem, outros que só leem quando vão afixar
algum aviso ou estão procurando alguma notícia. Um entrevistado falou o seguinte:
A gente observa que as pessoas dizem que leem, mas, na verdade poucas são
as que realmente leem com atenção os avisos, já aconteceu de o aviso estar
na porta da sala, mas mesmo assim a pessoa entra para perguntar [...]
(Funcionário terceirizado).
A resposta dos funcionários é diferente das respostas dos alunos que, segundo a
maioria, leem com frequência os quadros de avisos ou murais existentes em cada corredor.
Indagou-se se a atividade atual está de acordo com o cargo ocupado e quais
informações são necessárias para a realização do seu trabalho.A metade respondeu que sim e
a outra metade respondeu que não. Observa-se então desvio de função em alguns setores. Pelo
que foi dito, um dos fatores seria as poucas vagas disponíveis em concurso público para os
cargos de técnico-administrativo e também foi citado por algumas pessoas, a má distribuição
nos setores, dos funcionários existentes.
Existem setores que há má distribuição de funcionários, aqui temos poucas
pessoas, mas na Coordenação X tem muito mais gente trabalhando e também
alguns setores conseguem mais bolsistas de apoio do que aqui. (Funcionário
terceirizado).

2099

�Constatou-se que a maioria sabe sobre suas atividades e que tipo de informações
precisa no dia a dia, embora nem sempre tenham a disposição tais informações. Foi possível
constatar que a maioria sabe quais são suas atividades e de que informações precisam para
executar suas atividades, mas algumas não sabem se o trabalho que estão executando
encontra-se alinhado aos objetivos institucionais e se a forma como executam tais atividades
está em conformidade com normas e padrões específicos, o que torna o trabalho mais
eficiente. Essa falta de feedback tem causado dúvidas e em alguns casos, desmotivação para o
trabalho.
Sobre a relação com os companheiros de trabalho (incluindo a chefia imediata). A
maioria afirmou que a relação é ótima ou boa, apenas uma pessoa falou que seria péssima. Em
relação aos docentes, já não consideram assim tão boa, conforme falaram dois entrevistados.
A relação entre os funcionários é boa, mas, quanto aos professores não se
pode dizer o mesmo, pois eles se acham os chefes de todo mundo aqui. Uns
dizem: “meus funcionários”, como se fossemos empregados deles. Eu vejo
que os professores se acham mais importantes do que os servidores. (E5)
Eu vejo que os professores sempre tem mais prioridades aqui do que os
servidores, pois eles sempre conseguem as coisas com mais facilidades.
(E6).

Pelo que foi falado e observado, nota-se um distanciamento na relação entre servidores
e docentes comum à maioria das coordenações do centro.
Sobre os obstáculos e dificuldades experimentados na busca de informações, tanto de
trato acadêmico como de uma forma geral, pelos funcionários e pelas pessoas de fora da
UFMA. Segundo as respostas e opiniões dos entrevistados, a maioria acha que o fluxo se dá
de forma hierarquizada, que, segundo Barreto (1998) os funcionários encontram-se em um
nível abaixo da chefia para obter as informações e estes por sua vez dependem dos gestores.
Sobre isso, Starec (2006, p. 62) fala o seguinte: “Todos deveriam depender de todos para a
obtenção da informação, pois o fluxo da informação deve ser encarado não de forma
hierarquizada, mas como um processo de mão dupla que tem começo, meio mas não pode ter
fim”. Um entrevistado falou:

A maior dificuldade, na minha opinião é a ausência de funcionários, muitas
vezes ligamos para um setor e o funcionário que atende, não tem a
informação e o funcionário que tem a informaçãonunca está... (E4).

A distribuição ou divulgação da informação ocorre no momento em que ela passa por
algumas instâncias, aos usuários de uma forma geral, que pode ser um indivíduo ou um setor

2100

�da universidade. A universidade, como um todo, possui um grande número de informações,
mas, de acordo com o resultado da pesquisa, poucas pessoas sabem onde encontrar ou como
conseguir, a informação que precisam, o que reflete a cultura organizacional. O
comportamento está relacionado aos atos individuais e a cultura abrange os grupos. Esse
comportamento organizacional é a maneira como as pessoas lidam com a informação, e inclui
a busca, o uso, a alteração, a troca, o acúmulo, e também o ato de ignorar os informes. O
fluxo da informação interna estabelece relações entre os setores, chefias e colaboradores.

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Esta pesquisa contemplou uma investigação das práticas de gerenciamento da
informação no fluxo interno de um centro acadêmico de uma Universidade Federal. Os
resultados apontam aspectos da cultura organizacional e sinalizam as intensidades dos canais
de comunicação, bem como a intensidade e confiabilidade dos mesmos. Percebeu-se que
algumas informações geradas não são transmitidas de forma eficaz, gerando impacto na vida
das pessoas que precisam da informação, tanto alunos como funcionários. O fluxo de
informações registrou grande importância para o bom andamento do trabalho nos diversos
setores, tanto na forma vertical, da chefia para os empregados como na forma horizontal, entre
funcionários do mesmo nível de subordinação. Quanto mais informados estiverem os
funcionários mais eles estarão envolvidos com a missão da instituição.
Para que haja um fluxo de informações satisfatório em todos os sentidos é preciso a
colaboração de todos os atores envolvidos e uma interdependência mútua. Todos dependem
de todos para a obtenção da informação e para a tomada de decisão na Universidade. Isto só
será viável se for modificada a própria cultura local. A cultura organizacional precisa
respaldar o fluxo informacional, e esta é um dos paradigmas organizacionais mais difíceis de
transpor. Recomenda-se a implantação de um processo básico de gestão da informação que
atenda a esses aspectos irá possibilitar caminho para um efetivo conhecimento organizacional.
O

desenvolvimento

de

competências

específicas

relacionadas

ao

trabalho

informacional pode fazer parte de um esforço para proporcionar ao usuário os recursos
necessários para lidar com a informação que lhe faz falta e para resolver problemas
informacionais. Uma boa organização do fluxo de informação ajuda a construir uma forte e
produtiva cultura institucional de compartilhar e de discutir a informação disponível e
otimizar a efetividade do processo de busca, utilização e comunicação da informação. O
objetivo maior de melhoria no fluxo de informação é contar com a informação correta, no
tempo certo para a pessoa certa e por um custo justo. Sendo assim, a instituição deve

2101

�incentivar os funcionários para o reforço de uma cultura própria de informação. Para tanto,
precisa criar ocasiões que facilitam o intercâmbio da socialização das necessidades de
informação e seus métodos de busca e uso. As pessoas precisam sentir-se confiantes e,
principalmente, motivadas para discutirem, trocarem experiências e entenderem que o
compartilhamento e a socialização também fazem parte do trabalho de cada um e de que a
troca de informações e conhecimentos agrega valor não só pessoal, mas, sobretudo à
organização.

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                <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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              <text>Veloso, Maria Stela Martins</text>
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              <text>A universidade como instituição pública, tem como uma das responsabilidades sociais, a transmissão de informações. No gerenciamento do fluxo interno de um centro acadêmico, analisou-se a satisfação, a percepção e o comportamento informacional dos usuários. Para tanto, procedeu-se o desenvolvimento de um estudo de caso descritivo do tipo qualiquantitativo, que teve como instrumentos de coleta de dados: documentos oficiais, questionário e entrevistas.Identificou-se que existem falhas na informação, sendo eminente a fragmentação da informação. A informação mais buscada é a oferta de disciplinas. O fluxo da informação interna tramita em várias instâncias. Após o gerenciamento da informação, estas são ofertadas aos usuários segundo demandas e necessidades. O fluxo informacional é vertical e hierarquizado. A instituição carece de uma política formal no trato com a informação.</text>
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