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                  <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

SUBSTITUIÇÃO DE SOFTWARES EM BIBLIOTECAS: MORTE PROGRAMADA
OU SUICÍDIO COLETIVO

Sandra Lopes Coelho
Marcos Vinicius Andrade
RESUMO
Os sistemas de gerenciamento da informação são ferramenta essencial no suporte a serviços e
produtos eficazes para os usuários, gestão de acervos e administração de serviços e produtos
em bibliotecas. Os projetos ligados à introdução ou substituição destes sistemas devem, em
geral, fazer um estudo formal a fim de investigar a natureza e o potencial dos novos sistemas
disponíveis, bem como a elaboração de documentação específica para subsidiar o processo de
aquisição propriamente dito. Dentro desse contexto, este trabalho tem como objetivo
contribuir com a literatura da área e compartilhar a experiência do Grupo de Trabalho que
participou da primeira etapa do “Projeto de Modernização do Sistema Automação das
Bibliotecas da Universidade Federal Fluminense”.
Palavras-Chave: Biblioteca universitária; Automação de Bibliotecas; Software livre;
Software proprietário.

ABSTRACT
The information management systems are an essential tool in supporting effective products
and services to users, management and collections management services and products in
libraries. The projects related to the introduction or replacement systems must generally make
a formal study to investigate the nature and potential of the new systems available as well as
the development of specific documentation to support the procurement process itself. Within
this context, this paper aims to contribute to the literature of the area and share the experience
of the Working Group who participated in the first stage of the project "Modernization of the
Automation System of the Libraries of Universidade Federal Fluminense".
Keywords: University library; Library automation; Free software; Proprietary software.

1 INTRODUÇÃO
Criada pela Lei n° 3.848, de 18 de dezembro de 1960, a Universidade Federal
Fluminense (UFF) é uma instituição pública, mantida com recursos da sociedade e tem como
missão “promover a formação de um cidadão imbuído de valores éticos que, com
competência técnica, contribua para o desenvolvimento econômico auto-sustentado do
Brasil”. (UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE, 2007, p.15)

1602

�A sede da UFF encontra-se na cidade de Niterói - no Estado do Rio de Janeiro - onde
está a maioria dos campi da universidade e das unidades isoladas: Faculdade de Direito,
Faculdade de Economia, Faculdade de Veterinária, Faculdade de Farmácia, Campus do
Gragoatá, Instituto de Arte e Comunicação Social, Campus da Praia Vermelha, Campus do
Valonguinho e Escola de Enfermagem. Também estão em Niterói a Reitoria e o Hospital
Universitário Antônio Pedro, no qual se localizam a Faculdade de Medicina e o Instituto de
Saúde da Comunidade.
No interior do Estado, a UFF tem quatro polos universitários: Campos dos
Goytacazes, Nova Friburgo, Rio das Ostras e Volta Redonda.

Também há unidades em

Angra dos Reis, Macaé e Santo Antônio de Pádua.
Para atender aos 325 cursos de graduação e pós-graduação oferecidos atualmente nas
unidades isoladas e também nos Pólos do interior, a UFF tem 27 bibliotecas que são
coordenadas técnica e administrativamente pela Superintendência de Documentação (SDC) Sistema de Bibliotecas e Arquivo.
O processo de automação das bibliotecas da UFF foi consolidado no ano de 2001 com
a aquisição e implantação do software Biblioteca Argonauta®.
A informatização propiciou ao Sistema de Bibliotecas a implantação de um catálogo
único com acesso remoto ao acervo de todas as unidades via Internet, a formação de um
cadastro de usuários unificado, o controle global dos empréstimos realizados e a
sistematização do processamento técnico.
No entanto, as mudanças ocorridas no ambiente institucional - principalmente após a
adesão da Universidade ao Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das
Universidades Federais do Brasil (REUNI) e a desatualização tecnológica do software,
levaram a Coordenação de Bibliotecas (CBI) da SDC a sinalizar, em junho de 2011, para a
Superintendência de Tecnologia da Informação (STI) a necessidade de substituição do
Argonauta®.
Além de atender às necessidades de informação da comunidade acadêmica o novo
sistema deveria “ser compatível com o desenho e cultura organizacional, com o parque
computacional instalado, tamanho do acervo e o perfil dos usuários, respeitadas suas
características quantitativas e qualitativas” (CÔRTE, 2002)
Nesse sentido, considerando as dimensões do sistema de bibliotecas (27 unidades
dispersas geograficamente; 265 profissionais - entre bibliotecários e auxiliares - operando o
software; acervo total de 1.099.709 volumes, com taxa de crescimento média de 5% ao ano;
57.400 usuários em potencial; média anual de 290.929 transações de empréstimo e 235.758

1603

�consultas ao acervo171) a “morte” do Biblioteca Argonauta® precisava ser programada a fim
de minimizar o impacto que a substituição pudesse causar, caso contrário seria um “suicídio
coletivo” para os principais órgãos da instituição que têm na informação, em suas mais
variadas formas e tipos de acesso, o foco das suas atividades: a SDC e a STI.
Os projetos ligados à introdução ou substituição desses sistemas devem, em geral,
fazer um estudo formal a fim de investigar a natureza e o potencial dos novos sistemas
disponíveis, bem como a elaboração de documentação específica para subsidiar o processo de
aquisição propriamente dito. (ROWLEY, 2002, p.132).
Merilees172173(apud KRZYANOWSKI, 1996, p.47) divide o processo de automação em
duas etapas:
■ Seleção do sistema: abrangendo estudo de viabilidade e justificativa de custos,
definição de requisitos, avaliação e seleção do sistema;
■ Implementação do sistema: planejamento da conversão, instalação, treinamento,
teste de aceitação e revisão da performance.
Dentro desse contexto, este trabalho tem como objetivo contribuir com a literatura da
área e compartilhar a experiência do Grupo de Trabalho

que participou da primeira etapa

do Projeto de Modernização do Sistema Automação das Bibliotecas da Universidade Federal
Fluminense.

2 SOFTWARES PARA AUTOMAÇÃO DE BIBLIOTECAS
Os sistemas de gerenciamento da informação são ferramenta essencial no suporte a
serviços e produtos eficazes para os usuários, gestão de acervos e administração de serviços e
produtos das bibliotecas. (ROWLEY, 2002)
Stair e Reinolds174 (apud ANDRADE e COELHO, 2008) afirmam que um software
consiste em “programas de computador” que controlam o funcionamento do hardware, ou
seja, são sequências de instruções interpretáveis pela máquina, juntamente com a
documentação do programa usado para explicar seu funcionamento ao usuário.
Existem dois tipos de software:

171 Fonte: UFF. Superintendência de Documentação. Relatório de Gestão 2013.
172 MERILEES, B. RFPs ando on-line library system selection.Canadian Library Journal, v.40, n.1, p.15-19,
feb. 1983.
173
A
documentação
produzida
pelo
Grupo
de
Trabalho
está
disponível
em:
http://www.ndc.uff.br/content/coordenacao-de-bibliotecas
174 STAIR, Ralph M.; REYNOLDS, George W. Princípios de sistemas de informação. 4.ed. Rio de Janeiro:
LTC, 2002.

1604

�■ Básico: é o sistema operacional que controla as operações básicas do
computador;
■ Aplicativo: conjunto de programas que fazem a interface com o operador e
com o usuário, executando funções, processos ou controles.
Lima

(apud DUTRA e OHIRA, 2004) agrupa os softwares em dois tipos básicos:

■ Sistemas de gerenciamento de bibliotecas: projetados para controlar as
atividades essenciais de uma biblioteca;
■ Sistemas gerenciadores de bancos de dados: softwares que suportam o
armazenamento de grandes quantidades de informação.
No âmbito da gestão e administração de bibliotecas, os softwares aplicativos são
utilizados para apoiar as funções associadas à aquisição, processamento técnico, empréstimo,
pesquisa, disseminação seletiva da informação, etc.
Outra forma de classificação considera as formas de distribuição dos softwares:
■ Software livre: código fonte está disponível para que o utilizador possa alterálo e adequá-lo às suas necessidades;
■ Software proprietário (ou não livre): cópia, redistribuição ou modificação do
código fonte é proibida pelo seu criador ou distribuidor.
A década de 1980 foi marcada pelo desenvolvimento de aplicativos para o
gerenciamento de bibliotecas, trazendo maior agilidade para as atividades de tratamento e
recuperação das informações
[...] posteriormente, surgiram os softwares prontos para serem utilizados.
Não era mais a biblioteca que ditava suas necessidades, mas as empresas
detentoras do produto que ofereciam sistemas nos quais vinham embutidas
soluções para a automação da biblioteca como um todo. (CAFÉ; SANTOS;
MACEDO, 2001, p. 70).

2.1 Softwares livres X softwares proprietários
2.2 Nos últimos anos, surgiram diversos softwares para uso em unidades de informação,
incentivando a livre concorrência e disponibilizando no mercado sistemas com qualidade
e suporte cada vez mais eficientes (SILVA, 2005).
Um software livre permite a utilização, cópia, estudo, modificação e redistribuição do
seu código fonte sem nenhuma restrição. Para Richard Stallman (fundador da “Free Software
Foundation”), um software livre deve respeitar quatro liberdades básicas: de uso do175
175LIMA, Gercina Ângela Borém. Softwares para automação de bibliotecas e centros de documentação na literatura brasileira
até 1998. Ciência da Informação, Brasília, v. 28, n. 3 p. 310-321, set./ dez. 1999.

1605

�software para qualquer fim e por qualquer pessoa;

de estudo e análise do código para

adaptação do software às necessidades dos seus usuários; de repasse de cópias para terceiros,
ajudando assim outras pessoas ou instituições; de aperfeiçoamento e modificação do software
para que toda a comunidade de usuários seja beneficiada.
No Brasil, o setor público tem realizado ações para incentivar o uso desses programas
e uma delas é o Portal do Software Púbico Brasileiro17617(SPB) que oferece um espaço (ou
comunidade) para cada software. Entre os softwares disponíveis no SPB está o Gnuteca.
Criado de acordo com critérios definidos e validados por um grupo de bibliotecários
da Univates

e desenvolvido pela Solis - Cooperativa de Soluções Livres, o Gnuteca é um

sistema para automação de todos os processos de uma biblioteca, independente do tamanho de
seu acervo ou da quantidade de usuários. Além do Gnuteca, existem, atualmente, no mercado
nacional outros softwares livres como Openbiblio e Biblivre.
Os softwares proprietários (ou não livres) são desenvolvidos como uma atividade de
negócio; têm o código fonte fechado e sua utilização está condicionada à aquisição de uma
licença de uso. Nesta categoria estão disponíveis no mercado nacional os softwares Aleph e
VTLS Virtua (desenvolvidos no exterior); Sophia, Pergamum e BNWeb (desenvolvidos no
Brasil).

2.2 O Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal Fluminense
As 27 bibliotecas da UFF são coordenadas técnica e administrativamente pela
Superintendência de Documentação (SDC) - Sistema de Bibliotecas e Arquivo, órgão
suplementar subordinado ao Gabinete do Reitor (GAR).
Criada em 1969 como Núcleo de Documentação, a SDC assumiu

o status de

Superintendência com a reestruturação da Universidade em 2011.
A SDC tem como missão apoiar os programas de ensino, pesquisa e extensão da
Universidade através do desenvolvimento de serviços e produtos que atendam às necessidades
de informação da comunidade.
Além das bibliotecas, fazem parte do organograma da SDC o Arquivo Central, o
Centro de Memória Fluminense, o Laboratório de Reprografia e o Laboratório de
Conservação e Restauração de Documentos.
Para a gestão das suas unidades, a SDC conta com a seguinte estrutura: Conselho
Deliberativo (CDL), Coordenação de Arquivos (CAR) e Coordenação de Bibliotecas (CBI).
176 http://www.softwarepublico.gov.br/
177 A Univates é uma instituição de ensino comunitária, sem fins lucrativos e com gestão democrática e participativa,
localizada na cidade de Lajeado, no Rio Grande do Sul.

1606

�A CBI é responsável pela gestão das ações que visem à organização e disseminação da
informação no âmbito das bibliotecas da Universidade. Entre essas ações está a coordenação
das atividades de informatização desenvolvidas nas unidades do sistema.
2.2.2 A Automação no Sistema de Bibliotecas da UFF
Na década de 1990 a informatização do acervo era vista como uma grande necessidade
e, com esse objetivo, buscou-se a capacitação dos bibliotecários na operação do aplicativo
Micro-Isis, software desenvolvido pela UNESCO para formação e controle de bases
bibliográficas, e que era disponibilizado gratuitamente para qualquer biblioteca.
Em 1996, foi criado um Grupo de Trabalho para dar início ao “Projeto de
Informatização do Sistema NDC: equipamentos de informática para formação de redes
locais”. Os principais resultados deste projeto foram: formação de redes locais nas três
grandes bibliotecas do Sistema (Medicina, Engenharia e Central do Gragoatá) e implantação
de suas bases de dados através da Rede Bibliodata da Fundação Getúlio Vargas; criação da
base ACERVO em Micro-Isis, nas demais unidades; adoção do Sistema de Empréstimos da
BIREME, em caráter experimental, na Biblioteca de Pós-Graduação em Geoquímica e a
instalação da Rede NDC.
Em 1999, a base ACERVO encontrava-se instalada em 19 (dezenove) bibliotecas e
apresentava um índice de 67% de absorção do acervo bibliográfico.
O processo de automação das bibliotecas foi consolidado no ano de 2001, com a
criação do Status - sistema de informações gerenciais desenvolvido com o objetivo de coletar
e disponibilizar informações necessárias à administração das diversas unidades do sistema - e
a aquisição e implantação do software Biblioteca Argonauta®.
Em 2003, a conexão da Rede NDC com a Rede UFF, favoreceu a implantação do
Biblioteca Argonauta®nas unidades do interior.
Para Rowley “a vida dos sistemas informatizados é relativamente breve. Mudanças
tanto no ambiente quanto na tecnologia contribuem para a deterioração e a substituição dos
sistemas informatizados.” (2002, p.131)
Considerando a teoria do ciclo de vida dos sistemas informatizados proposto por
Rowley e a situação do software Biblioteca Argonauta®, na época com várias dificuldades
operacionais (entre elas atualização de versões nas estações cliente manualmente; ineficácia
na manutenção pelo fornecedor do software; falta de feedback do fornecedor em relação às
necessidades das bibliotecas; interfaces distintas para entrada de dados, catálogo eletrônico e
sistema de empréstimo) a CBI concluiu que o software estava em fase de deterioração.

1607

�Além disso, mudanças ocorridas no ambiente apontavam para a necessidade de
substituição do software, entre elas o aumento da demanda dos serviços prestados pelas
bibliotecas, principalmente em função da adesão da Universidade ao Programa de Apoio a
Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais do Brasil, o REUNI; a
necessidade de melhorias na prestação de serviços adequados às novas exigências do usuário
final: presencial ou virtual; a integração do sistema utilizado pelas bibliotecas a outros
sistemas institucionais como a Biblioteca Digital de Teses e Dissertações (BDTD); o
Repositório Institucional (RiUFF) e o Sistema de Identificação Única da UFF (IdUFF).

2.2.3 O Projeto de Modernização do Sistema Automação das Bibliotecas
Café, Santos e Macedo (2001, p.71) alertam que “é preciso tomar cuidado com
decisões baseadas em ideologias, modismos e expectativas pessoais ou ainda em argumentos
feitos de acordo com situações específicas, sem observar a biblioteca como um todo”.
Além de atender às necessidades de informação, um software de automação de
bibliotecas deve “ser compatível com o desenho e cultura organizacional, com o parque
computacional instalado, tamanho do acervo e o perfil dos usuários, respeitadas suas
características quantitativas e qualitativas” (CORTE, 2002).
“Independente de qualquer questionamento sobre software livre ou comercial é
sempre recomendável à biblioteca não perder o foco no planejamento” (SILVA, 2007, p. 6).
Em junho de 2011 a Coordenação de Bibliotecas recebeu um questionamento da área
técnica da STI sobre a possibilidade de adoção de um software livre, o Gnuteca, para gestão
dos processos de trabalho nas bibliotecas em substituição ao Biblioteca Argonauta®. Para
estudar a questão, foi formado um Grupo de Trabalho, composto por três bibliotecárias e um
analista de sistemas.
A primeira atividade realizada pelo Grupo de Trabalho foi um levantamento dos
softwares utilizados pelas bibliotecas das 60 (sessenta) Instituições Federais de Ensino
Superior (IFES)

existentes atualmente no Brasil.

Conforme pode ser verificado no Gráfico 1 esse levantamento revelou que 60% das
bibliotecas destas instituições utilizam softwares proprietários enquanto 8% usam softwares
livres.

Outras situações também são identificadas:

7% usam softwares in-house

(desenvolvidos na própria instituição); enquanto 17% têm o módulo da biblioteca integrado
ao sistema de gestão da instituição.

178 Utilizamos como base para este levantamento o RUF (Ranking Universitário da Folha de São Paulo) de 2013.

1608

�GRÁFICO 1- D istribuição dos tipos de software utilizados pelas bibliotecas
das IFES

Dentro dese contexto, o Projeto de Modernização do Sistema Automação das
Bibliotecas da Universidade Federal Fluminense considerou duas possibilidades: a adoção de
um software livre ou a aquisição de um software proprietário para gerenciamento das
atividades das 27 bibliotecas da Universidade.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
A primeira fase do Projeto de Modernização do Sistema Automação das Bibliotecas
da Universidade Federal Fluminense abrangeu a definição de requisitos e avaliação dos
softwares disponíveis no mercado. Deste modo, o estudo pode ser considerado uma pesquisa
exploratória. A metodologia adotada seguiu as seguintes etapas: levantamento dos produtos
existentes no mercado; delineamento dos requisitos do software que substituiria o Biblioteca
Argonauta® e a avaliação técnica e comercial dos fornecedores.

3.1 Levantamento dos produtos existentes no mercado
Esta etapa foi realizada através de revisão da literatura; visitas a outras bibliotecas;
demonstração de sistemas. Foram estudados 5 softwares:
■ Gnuteca (desenvolvido pela Solis - Cooperativa de Soluções Livres)
■ Aleph (desenvolvido pela Ex-Libris)
■ BNWeb (desenvolvido pela Contempory)
■ Pergamum (desenvolvido pela PUC-PR)
■ Sophia (desenvolvido pela Prima Informática)

1609

�3.2 Delineamento dos requisitos
A partir dos estudos de CAFÉ, SANTOS e MACEDO (2001) e CORTE et.al. (1999),
textos clássicos na área de avaliação de software na literatura nacional, o Grupo de Trabalho
elaborou uma lista com os requisitos fundamentais de um sistema de gerenciamento de
bibliotecas. Esses requisitos foram baseados nas necessidades de funcionamento do Sistema
de Bibliotecas da Universidade. O quadro abaixo apresenta os módulos e o número de
critérios contidos em cada um deles:
QUADRO 3- Requisitos por módulo do Sistema
MÓDULO

REQUISITOS

Aquisi ção/Inventário
Tratamento da Informação
Catálogo Eletrônico
Disseminação da Informação
Circulação
Plataforma Tecnológica
Relatórios Gerenciais
TOTAL

5
22
23
3
28
21
9
111

3.3 Avaliação técnica e comercial
Os requisitos foram organizados em planilhas enviadas por e-mail para que todos os
fornecedores fizessem uma auto avaliação do seu produto, preenchendo cada requisito com 1
(um) (se o software apresentasse o requisito) ou 0 (zero) (se o software não apresentasse).
Para consolidação dos resultados desta auto avaliação foram estabelecidos três pesos para
cada requisito:
Indispensável - coeficiente (1). Este peso foi atribuído a um critério imprescindível.
•

Importante - coeficiente (2). Este peso foi atribuído a um critério que poderia
ser interessante para a biblioteca.

•

Dispensável - coeficiente (3). Este peso foi atribuído a um critério considerado
desnecessário para a biblioteca.

QUADRO 4 - Consolidação das avaliações técnicas
MÓDULO/SOFTWARE
Aquisição
Tratamento da Informação
Circulação
Catálogo Eletrônico
Disseminação da Informação
Plataforma Tecnológica
Relatórios
Total

GNUTECA
9
57
65
51
6
49
21
258

SOPHIA
11
60
66
55
6
59
21
278

PERGAMUM
11
61
64
53
6
58
18
271

BNWEB
11
60
66
53
6
47
21
264

ALEPH
11
61
67
57
6
59
21
282

1610

�A avaliação comercial foi baseada em propostas enviadas pelos fornecedores com
dados relativos aos custos de cada etapa a ser realizada para implantação efetiva do software,
desde a licença até o suporte.
QUADRO 3 - Avaliação de custo dos softwares
SERVIÇO/SOFTWARE
Licença
Implantação
Capacitação
Suporte
Desenvolvimento
CUSTO TOTAL

GNUTECA
0
2.000
10.000
6.000
28.800
46.800

SOPHIA
44.742
44.742
44.742
93.600
0
227.826

PERGAMUM
70.000
0
0
18.000
0
88.000

BNWEB
73.333
73.333
73.333
137.280
0
357.279

ALEPH
179.834
5.400
9.000
75.744
0
269.978

4 RESULTADOS PARCIAIS
A partir dos resultados do estudo, o Grupo de Trabalho entendeu que os softwares
avaliados possuíam os requisitos mínimos definidos pelo grupo e que qualquer um deles
poderia atender a um sistema com o tamanho do nosso.
Em relação ao Gnuteca, embora não existisse custo com a aquisição da licença de uso
para sua implantação, a falta de documentação atualizada da versão instalada no servidor da
instituição e a dificuldade de operação do software devido à falta de documentação
consistente na Internet inviabilizavam a implantação de forma autônoma. Sendo assim seria
necessária a contratação dos serviços de implantação, capacitação e suporte pela Solis.
“Se por um lado os softwares livres estão isentos de custos, por outro
dependem de profissionais qualificados para desenvolvê-lo, de acordo com
as necessidades da biblioteca, o que não é o caso do software proprietário,
pois é de responsabilidade da empresa fornecedora do software oferecer o
sustentáculo necessário ao funcionamento do mesmo”. (SANTOS, 2008,
p.24)
Considerando esse contexto foi tomada a decisão de migrar para um software
comercial que atendesse às características e especificações técnicas desejáveis de acordo com
os requisitos levantados na etapa inicial.
Em abril de 2012, o Grupo de Trabalho apresentou o resultado do estudo ao Gabinete
do Reitor (GAR) e, com a anuência do GAR, passou a buscar alternativas de financiamento
para a compra do software. Entre as alternativas possíveis, estavam a captação de recurso
externo com a apresentação de projeto a agências de fomento ou a utilização de recursos da
própria instituição. Como não havia, na época, nenhum edital externo aberto a opção foi a
aquisição com recursos da própria instituição.

1611

�Nesse sentido, foi apresentado ao Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI) para
o ano de 2013 o projeto “Gerenciamento e Proteção do Acervo Bibliográfico”, cujos objetivos
eram a modernização do sistema automação e a melhoria das condições de segurança do
patrimônio bibliográfico das bibliotecas.
“Na administração pública parte-se do princípio de que as compras devem ser
precedidas de licitação, isto é, de um processo seletivo prévio junto ao mercado, para verificar
e obter as melhores condições de preço [...]” (ANDRADE; VERGUEIRO, 1996, p.27). O
edital é o documento legal que rege a licitação, determinando o objeto da compra, os prazos
de pagamento e recebimento do material, bem como as demais exigências para a realização da
compra. Dentro desse contexto, os requisitos levantados pelo Grupo de Trabalho na etapa
inicial serviram para subsidiar a elaboração do Termo de Referência/Projeto Básico do Edital
para Aquisição de Sistema de Gerenciamento de Bibliotecas, destinado ao Sistema de
Bibliotecas da Universidade Federal Fluminense

.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
A seleção e a aquisição de softwares para bibliotecas constituem um desafio. Com
uma gama de opções tão grande, é necessário conhecer as vantagens e desvantagens de cada
uma e saber qual melhor se adapta às necessidades de cada biblioteca através de critérios para
seleção e avaliação.
Para Grossi (2013), o software livre é uma alternativa aos softwares proprietários para
a realidade das bibliotecas universitárias federais brasileiras “pois além da motivação
financeira para se utilizar um software livre e gratuito, é grande o estímulo ao processo de
criação e a possibilidade de adaptação do programa às necessidades de cada biblioteca”.
Embora seja uma alternativa ao mercado comercial, um software livre não é sinônimo de
facilidades, mas de liberdade de uso e isso requer investimento de tempo e treinamento no
domínio das operações, manutenção e aprimoramento.
A implantação do Gnuteca possibilitaria à Universidade seguir a orientação do
Governo Federal para a utilização de softwares livres em órgãos públicos, além de
proporcionar maior flexibilidade no atendimento às demandas específicas da Instituição. No
entanto, a dificuldade de formar equipe especializada com dedicação exclusiva para a
customização, desenvolvimento e manutenção do sistema, de certa forma contribuiriam para
inviabilizar sua continuidade. Já a adoção de um software comercial, de certo modo,
179 Edital Pregão Eletrônico n° 01/2013.

1612

�garantiria a atualização permanente do Sistema, acompanhando os avanços tecnológicos, sem
acarretar prejuízos à base de dados disponível.

6 REFERÊNCIAS
ANDRADE, Diva; VERGUEIRO, Waldomiro. Aquisição de materiais de informação.
Brasília, Briquet de Lemos, 1996.
ANDRADE, Marcos Vinicius Mendonça; COELHO, Sandra Lopes.

Biblioteca fácil.

Niterói: UFF. Neami, 2008.
CAFÉ, Lígia; SANTOS, Christophe dos; MACEDO, Flávia. Proposta de um método para
escolha de software de automação de bibliotecas. Ciência da Informação, Brasília, v.30, n.2,
p. 70-79, maio/ago. 2001.
CÔRTE, Adelaide Ramos et. al. Automação de bibliotecas e centros de documentação: o
processo de avaliação de softwares. Ciência da Informação, Brasília, v. 28, n. 3, p. 241-256,
maio/ago. 1999.
__________. Avaliação de software para bibliotecas e arquivos: uma visão do cenário
nacional. 2.ed. São Paulo: Polis, 2002. 219 p.
DUTRA, Anna Khris Furtado; OHIRA,Maria Lourdes Blatt. Informatização e automação de
bibliotecas: análise das comunicações apresentadas nos seminários nacionais de bibliotecas
universitárias (2000, 2002 e 2004). Informação &amp; informação; Londrina, v.9, n.1/1, jan./dez.
2004.
GROSSI, Márcia Gorett Ribeiro. Estudo das características de software e implementação de
um software livre para o sistema de gerenciamento de bibliotecas universitárias federais
brasileiras. Perspectivas em Ciência da Informação, Belo Horizonte, v. 13, n. 2, Aug. 2008.
Disponível

em

&lt;http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&amp;pid=S1413-

99362008000200015&amp;lng=en&amp;nrm=iso&gt;. Acesso em 02 jun. 2012
KRZYZANOWSKI, R.F.; IMPERATRIZ, I.M. de M.; ROSETTO, M. Subsídios para
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Sistema Integrado de Bibliotecas da USP. São Paulo: SIBi/USP, 1996. (USP. Cadernos de
Estudos, 5)
ROWLEY, Jennifer. A biblioteca eletrônica. Brasília: Briquet de Lemos/ Livros, 2002.
SANTOS, Natalia Maria Leal. Automação de biblioteca universitária: análise comparativa
do software livre Gnuteca com o software proprietário Pergamum.Trabalho de Conclusão de
Curso (Graduação em Biblioteconomia e Documentação) - Instituto de Ciências Sociais
Aplicadas e Exatas, Centro Universitário de Formiga - UNIFOR-MG, Formiga, 2008.

1613

�Disponível em &lt;http://bibliotecadigital.uniformg.edu.br:21015/jspui/handle/123456789/61&gt;
Acesso em 22 maio 2014.
SILVA, José Fernando Modesto da. Software livre: modelos de seleção como subsídio à
gestão

bibliotecária.

In:

CONGRESSO

BRASILEIRO

DE

BIBLIOTECONOMIA,

DOCUMENTAÇÃO E CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, 22, 2007, Brasília, DF.
UNIVERSIDADE FEDERAL FLUMINENSE.

Plano de Desenvolvimento Institucional:

proposta para discussão. Niterói, 2007.

1614

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    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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              <text>Os sistemas de gerenciamento da informação são ferramenta essencial no suporte a serviços e produtos eficazes para os usuários, gestão de acervos e administração de serviços e produtos em bibliotecas. Os projetos ligados à introdução ou substituição destes sistemas devem, em geral, fazer um estudo formal a fim de investigar a natureza e o potencial dos novos sistemas disponíveis, bem como a elaboração de documentação específica para subsidiar o processo de aquisição propriamente dito. Dentro desse contexto, este trabalho tem como objetivo contribuir com a literatura da área e compartilhar a experiência do Grupo de Trabalho que participou da primeira etapa do ―Projeto de Modernização do Sistema Automação das Bibliotecas da Universidade Federal Fluminense‖.</text>
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