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                  <text>XVIII SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS
SNBU 2014

PLANEJAMENTO ESTRATÉGICO: dificuldades e desafios em uma biblioteca
universitária da Amazônia Setentrional

CLIVEA FARIAS SOUTO

RESUMO
O Planejamento Estratégico é uma importante ferramenta de gestão que proporciona maior
segurança e assertividade nas tomadas de decisões dos gestores. Sua aplicação em Bibliotecas
Universitárias pode favorecer à execução de tarefas de forma prática melhorando o
desempenho dessas unidades de informação. Partindo dessa premissa, este trabalho tem o
objetivo de analisar a percepção sobre a execução do Planejamento Estratégico dos
idealizadores na Biblioteca Central da Universidade Federal de Roraima, tencionado para o
período de 2010 - 2014. A pesquisa realizada deu-se por meio de Estudo de caso, com
abordagem qualitativa, empregando as técnicas de coleta: pesquisa documental, entrevista
estruturada, com a equipe gestora do Planejamento Estratégico na Biblioteca e observação
participante; isso possibilitou realizar a triangulação dos dados. Evidenciou-se que os
membros da Comissão do Planejamento Estratégico, os bibliotecários, em sua maioria,
detinham apenas conceitos teóricos sobre o Planejamento Estratégico. Percebeu-se que o
Planejamento Estratégico possibilitou a orquestração de ações, de objetivos a serem atendidos
visando à eficiência e eficácia, no serviço público, os quais obtiveram êxito como o aumento
do número dos bibliotecários, treinamento aos servidores, e aumento do número de
exemplares na Biblioteca e desencadeou a inovação em ações que não tinham sido
programadas oficialmente no plano, como é o caso do Projeto Cinema ao meio-dia na
Biblioteca. Por outro lado verificou-se também, que uma das maiores dificuldades que os
bibliotecários enfrentam para a execução plena do Planejamento Estratégico, concentra-se na
falta de acompanhamento das ações propostas pelo planejamento para o atendimento dos
objetivos do planejamento, somado à falta de recursos financeiros e burocracia. Tudo isso
gerou novos desafios na gestão da Biblioteca no estudo em questão.
Palavras-chave: Planejamento Estratégico. Bibliotecas Universitárias. Bibliotecários.

ABSTRACT
The Strategic Planning is an important management tool that provides greater certainty and
assertiveness in decision making of managers. It is application in University Libraries can
facilitate the implementation of tasks in a practical way to improve the performance of these
units of information. From this premise, this paper aims to analyze the perception on the
implementation of the Strategic Planning creators of the Central Library of the Federal
University of Roraima, tensioned for the period 2010 - 2014. The survey was made by
through case study with a qualitative approach, employing the technues of collection: desk
research, structured interviews with the management team of Strategic Planning in Library
and participant observation; it possible to perform data triangulation. It was evident that the
members of the Committee of the Strategic Planning, librarians, mostly held only theoretical

1522

�concepts about strategic planning. It was noticed that the Strategic Planning has enabled
orchestration actions, the objectives to be reached aiming at efficiency and effectiveness in
public service, which succeeded as the increase in the number of librarians, training for
servers, and increasing the number of copies in library and triggered innovation in actions that
had not been officially scheduled in the plan, such as the Cinema Project at noon in the
Library. On the other hand it was also found that one of the biggest difficulties that librarians
face in the full implementation of the Strategic Planning focuses on the lack of monitoring of
the actions proposed by the planning to meet the goals of planning coupled with the lack of
resources financial and bureaucracy. All this has created new challenges in the management
of the library in the current study.
Keywords: Strategic Planning. University Libraries. Librarians.

1 INTRODUÇÃO
Partindo da ideia de que as organizações não devem apenas trabalhar na base da
improvisação e que o planejamento é um processo, um conjunto de ações, nas quais há
concentração de esforços para analisar o ambiente como um todo (CHIAVENATO, 1999),
faz-se necessário entender os interesses e resultados na adoção do planejamento estratégico,
tanto no setor público quanto no setor privado. Nesse sentido, o planejamento estratégico
tornou-se dentre as técnicas gerenciais mais utilizadas, como uma das opções que melhor se
adapta às novas exigências do ambiente. Isto é explicada pela precisão de se adotar uma
gestão estratégica que enfatize uma constante avaliação das mudanças que estão acontecendo
no ramo de atividade a qual está inserido.
No âmbito da Universidade Federal de Roraima - UFRR, desde 2004, a Biblioteca
Central implantou o Planejamento Estratégico - PE para auxiliar seu processo de gestão. O
processo de planejamento estratégico é uma experiência pioneira nesse setor em relação aos
demais. O objetivo geral deste estudo é analisar a percepção sobre a execução do
Planejamento Estratégico-PE dos idealizadores na Biblioteca Central da Universidade Federal
de Roraima - UFRR, tencionado para o período de 2010 - 2014.
Esta pesquisa é a continuação do trabalho de especialização que abordou o tema
Planejamento Estratégico, o Estudo de caso das Bibliotecas da UFRR, e tem também a
intenção de identificar as dificuldades e, também, os benefícios provindos da implementação
dessa ferramenta relevante à Instituição. A relevância social do estudo se justifica pelo fato de
que as organizações tanto privadas quanto públicas, para a sua sobrevivência, devem lançar
mão de ferramentas que favoreçam seu desempenho, levando em consideração as
necessidades de seus usuários/clientes, com a preocupação de oferecer serviços de qualidade
para essa população (REZENDE, 2011).

1523

�A relevância acadêmica é evidenciada em refletir os afazeres cotidianos dos
Bibliotecários das Universidades Federais no desenvolvimento de suas tarefas, tendo como
suporte ferramentas de gestão, analisando se ocorrem contribuições com essa prática e se elas
são utilizadas em sua plenitude.
Para tanto, esse trabalho está estruturado em cinco sessões, sendo a primeira,
Introdução, a qual apresenta a temática de estudo e o objetivo; a segunda sessão, o Referencial
teórico, explicitando os pilares teóricos acerca da Estratégia, Planejamento Estratégico e
Bibliotecas Universitárias. A terceira sessão apresenta a metodologia, a qual abarca
classificação da pesquisa, técnicas de coleta e análise de dados. Já na quarta sessão, tem-se a
apresentação e análise dos dados, por fim, as Considerações finais seguida das Referências.

2 REFERENCIAL TEÓRICO
2.1 Conceitos de planejamento
Compreender os conceitos de planejamento é importante para o seu entendimento e
aplicabilidades nas organizações; pode-se aqui observá-lo como um processo que pode ser
desenvolvido em diversas áreas, podendo ser aplicado tanto na vida pessoal quanto focado na
gestão de empresas. Segundo Oliveira, (2004, p. 35) “o planejamento pode ser conceituado
como um processo, desenvolvido para alcançar uma situação desejada de maneira mais
eficiente, eficaz e efetiva”. Para o autor, esse processo que estabelece um delineamento para
um estado futuro desejado por meios efetivos para torná-lo realidade, justifica que ele
anteceda à decisão e à ação. Nesse sentido, Barros (2005, p.3) reforça o conceito de
planejamento como um processo quando afirma que: “Planejar é um processo. Um processo
que se inicia por uma etapa de questionamento existencial. É quando a empresa pensa seu
destino, revê suas entranhas e olha em volta. Exatamente como deve fazer cada ser humano de
vez em quando”. Verifica-se então que o processo de planejar deva, antes de tudo, levar a
refletir sobre a existência da empresa, seu contexto e seus objetivos futuros.
Para Leitão (1995, p.8) “planejamento é um processo intuitivo ou estruturado que
visa especular sobre o futuro, de forma a possibilitar a tomada de decisões”. O autor indica
observar aspectos da natureza do processo de planejamento, quais sejam: a) a antecipação dos
acontecimentos; b) a preocupação com o futuro da organização; c) a tomada de decisões de
uma forma organizada; d) a preocupação com a eficácia; e) a preocupação com as mudanças
do ambiente externo; f) a correta utilização dos recursos internos; g) o fato de ser o
planejamento um processo técnico, político e social; h) a preocupação com a cultura
organizacional; i) a caracterização de um processo interno de mudanças; j) a identificação da

1524

�necessidade de mudança de mentalidades; e k) a caracterização do processo de aprendizado
institucional.
De acordo com Fernandes (2004, p.2) “o planejamento é caracterizado por decisões
presentes tendo em vista um estado futuro desejável e os caminhos para atingi-lo”.
Corroborando o autor acima, acrescenta ainda que o planejamento gera sinergia com o
controle e, permite a avaliação de desempenho de áreas específicas e das empresas como um
todo.
Conquanto, o planejamento leva a um pensar e repensar no futuro, baseados na
flexibilidade e dinamismo. Isso porque se está envolto de variáveis, internas e externas,
mutáveis (Sociais, Políticas, Econômicas, Legais, Tecnológicas, dentre outras). O
planejamento antevê, prepara à realização de adaptações adversas. Mas, é fundamental se ter
em mente o significado de estratégia, pois esta é que guiará as organizações no alcance aos
seus objetivos.

2.2 Conceitos de estratégia
O termo estratégia tem origem na literatura militar europeia e quer dizer arte do
general. No mundo empresarial a palavra estratégia foi introduzida por Von Neumann e
Mongenstern no livro “ Theory o f games and economic behavior”, um livro sobre teoria dos
jogos, onde se conceituou como estratégia medidas de médio e longo prazo para o
desenvolvimento de produtos e mercados definidos e formas possíveis de alcançá-los
(FERNANDES, 2004).
Contudo, somente na década de 1970 que o uso dos conceitos estratégicos pelas
empresas obteve maior importância, com o surgimento do conceito de segmentação de
empresas em negócios e com a criação das Unidades Estratégicas de Negócio (LEITÃO
1995). O autor ainda afirma que, a palavra estratégia tem amplo uso, não só na área militar,
como também na gestão de empresas e, até mesmo, no dia a dia do cidadão comum. Dessa
forma, não é de se admirar o grande número de significados diferentes para essa expressão.
Já para Almeida (2010, p.21), “estratégia é o caminho que a entidade deverá seguir,
sendo que se pode considerar uma decisão mais estratégica à medida que seja mais difícil
voltar atrás e tenha uma interferência maior em toda a entidade”. Segundo Leitão (1995, p.60)
“estratégias são caminhos alternativos escolhidos para se alcançar os objetivos”. Para o autor
outro significado da palavra, em seu uso comum, é o de comportamento, utilizado por uma
pessoa ou uma organização para alcançar seus objetivos. A estratégia se apresenta como um

1525

�caminho, uma forma de pensar no futuro, para que dessa forma se alcance os objetivos
estipulados pela organização (HUNGER; WHEELEN, 2002; OLIVEIRA, 2004; REZENDE,
2011). Ansoff e McDonnell (2009, p. 75) apresentam a estratégia como “[...] uma ferramenta
que oferece importante ajuda para lidar com a turbulência enfrentada pelas empresas, a perda
de relevância sentida pelas universidades, a deterioração de organismos de cumprimento da
lei, [...] merece atenção como uma ferramenta de gestão [...]”

Para Mintzberg, Ahlstrand e Lampel (2009, p. 23) “[...] a formulação de estratégias
não tem a ver apenas com valores e visão, competências e capacidades”, eles afirmam que a
palavra estratégia é muito fluente e geralmente é definida de uma forma e usada de outra. Ela
é um padrão, isto é, coerência em comportamento ao longo do tempo. Percebe-se que os
autores coadunam o aspecto que transfigura a simples realização da estratégia; ela pode e
deve ser incorporada aos procedimentos, à forma de ser das empresas, e com o passar do
tempo, reajustada, mesmo padronizando-se.

2.3 O Planejamento Estratégico
O planejamento estratégico é uma ferramenta de trabalho que facilita às organizações
lidar com situações de mudanças, constituindo-se num excelente instrumento de gestão. Ele é
fundamental para a sobrevivência das organizações privadas ou públicas e, deve ser
elaborado, implantado e avaliado a partir de estudos e pesquisas que relatam sua definição,
importância, benefícios e resultados, os quais devem ser discutidos, adaptados, sedimentados
e aceitos por todos na organização, por meio de uma metodologia adequada (REZENDE,
2008b apud REZENDE, 2011). O autor ressalta que para as organizações privadas, essas
definições devem levar em conta o negócio e o sucesso de seus produtos ou serviços; já para
as organizações públicas esses conceitos devem levar em conta a sua atividade e o êxito de
seus serviços, considerando as legislações importantes, as questões sociais e a qualidade de
vida dos cidadãos.
Encontra-se na literatura diversas definições de planejamento estratégico. De acordo
com Oliveira (2004) o planejamento estratégico é o processo administrativo que proporciona
sustentação metodológica para se estabelecer a melhor direção a ser seguida pela empresa e
que o conhecimento detalhado de uma metodologia de elaboração e implementação do
planejamento estratégico nas empresas propicia ao executivo, embasamento teórico
necessário para otimizar sua aplicação.

1526

�Observando-se a alocação do planejamento estratégico em uma empresa, Fischimann
e Almeida (2009) afirmam que a administração das organizações é dividida em três níveis
distintos: a) o estratégico: que dá a direção à organização adaptando-a ao meio ambiente; b) o
administrativo: que cuida do relacionamento e integração interna da organização; e c) o
operacional: que cuida das operações da organização. Entende-se então, o planejamento
estratégico como uma técnica administrativa que, por meio da análise do ambiente interno e
externo de uma organização, toma a consciência de suas oportunidades e ameaças, forças e
fraquezas para o cumprimento da sua missão.
Para Rezende (2011, p.7) “o planejamento estratégico organizacional é um processo
dinâmico, sistêmico, coletivo, participativo e contínuo para determinação dos objetivos,
estratégias e ações da organização [...]”. Este planejamento é uma forma participativa e
contínua de pensar a organização no presente e no futuro. É um recurso indispensável para a
tomada de decisão na organização, estando relacionado com o sucesso para as organizações
privadas e com o êxito para as organizações públicas (REZENDE, 2011). Ansoff e
McDonnell (2009, p. 38) acrescentam que “no Planejamento Estratégico não se espera
necessariamente que o futuro represente um progresso em relação ao passado e tão pouco se
acredita que seja extrapolável”.
De forma a organizar a realização e implementação da ferramenta de planejamento
estratégico, tem-se algumas metodologias, as quais apresentam as etapas do planejamento. É
importante ressaltar que para a formulação desse tipo de planejamento é relevante observar o
negócio ou atividade da organização, sendo que a palavra negócio está mais direcionada para
as organizações privadas, enquanto que, a palavra atividade está ligada às organizações
públicas (REZENDE, 2011). O autor ressalta que para as organizações privadas o negócio é a
atuação principal e diferenciada da mesma, é o entendimento do principal benefício esperado
pelo cliente da organização, já para a organização pública a atividade é a sua atuação principal
e diferenciada, definindo, validando ou revisando os serviços dessa organização, devendo
resultar em ganhos sociais. Deve ser observado, também, o mercado-alvo da organização, o
qual para a empresa privada diz respeito a quem quer vender seus produtos, e para as
organizações públicas refere-se a quem quer prestar seus serviços.
A metodologia e as etapas de um planejamento estratégico não é algo rígido,
variando tanto entre autores como entre organizações. Apresentar-se-á aqui, para um melhor
entendimento e verificação da sua aplicação em bibliotecas universitárias, a metodologia de
Bryson, (1989) apud Barbalho (1997). Esta metodologia e suas etapas estão divididas em: a)
Mandato; b) Missão; c) Análise do ambiente externo e interno; d) Questões estratégicas; e)

1527

�Obstáculos; e, f) Propostas estratégicas (BARBALHO; BERAQUET, 1995; MACIEL;
MENDONÇA, 2006).
O Mandato, diz respeito à descrição do que a unidade de informação deveria fazer
em conformidade com as obrigações institucionais estabelecidas nos documentos que a
formalizam como, exemplo, regimentos e estatutos, devendo ser redigido de forma clara. Já a
Missão, focando a questão das Bibliotecas Universitárias, como estas pertencem a uma
organização maior, o estabelecimento de sua missão necessariamente deverá estar
intimamente sintonizado com a missão dessa organização. A redação de um documento que
estabeleça a missão sumarizando os valores-chave dos serviços prestados ajudará a clarear a
posição da biblioteca em seu ambiente e servirá de base para a comissão encarregada do
Planejamento Estratégico refletir sobre as possíveis estratégias para o alcance de seus
objetivos (BARBALHO; BERAQUET, 1995; MACIEL; MENDONÇA, 2006).
A Análise do ambiente externo ou macroambiente implica no conhecimento e
monitoramento das potencialidades, tendências e forças do mercado no qual a biblioteca está
inserida, identificando as oportunidades e ameaças com as quais ela poderá vir a se defrontar.
Outrossim, a Análise do ambiente interno está relacionada aos pontos fortes e pontos fracos
da organização; essa ação consiste em uma avaliação minuciosa do desempenho da própria
biblioteca, observando os fatores que contribuem positivamente para o alcance da sua eficácia
e as dificuldades que a impedem.
Já nas Questões estratégicas, estas representam um elo entre as análises realizadas
anteriormente e os objetivos almejados pela biblioteca, o papel que ela irá representar no
futuro (BARBALHO; BERAQUET, 1995; MACIEL; MENDONÇA, 2006). No que diz
respeito aos Obstáculos, é necessária a identificação de tudo o que possa contestar as questões
estratégicas, para isso, é preciso que o profissional que atua nas bibliotecas, seja criativo e
inovador, permitindo o surgimento de soluções autênticas no lugar das adaptações
inadequadas.
Porquanto, as Propostas estratégicas devem estar de acordo com a filosofia e as
políticas adotadas pela biblioteca devendo seguir os seguintes passos: a) definir alternativas
de ação; b) identificar as ações necessárias para a sua implementação; e c) determinar prazos e
responsáveis pelas ações a serem executadas. Os passos da Proposta estratégica levam ao
estabelecimento de ações que serão implementadas por meio dos planos de ações, que
traduzem as ações a serem implementadas, os responsáveis, os prazos, o custo da ação, assim
como, os indicadores de controle.

1528

�Após a identificação das etapas do planejamento estratégico, é relevante saber que
nesse documento, devem estar contidas as estratégias da organização, que estão relacionadas
com a escolha do seu futuro e com o atendimento dos seus objetivos. A execução das
estratégias da organização será realizada por meio de planos de ações, que são atividades para
atender ou detalhar as estratégias formalizadas da organização (REZENDE, 2011). O autor
ainda afirma que para alguns administradores, os planos de ações são chamados de planos de
trabalho; esses devem ser formalizados com atividades para toda equipe multidisciplinar
envolvida, definindo as ações, atividades ou tarefas a serem elaboradas, responsáveis pelas
ações; período ou tempo para realizá-las e recursos necessários para a sua realização.

2.4 O Planejamento Estratégico em bibliotecas universitárias
As bibliotecas universitárias possuem a missão de prover a infraestrutura bibliográfica,
documentária e informacional para apoiar as atividades da universidade, centrando seus
objetivos nas necessidades de informação do indivíduo, membro da comunidade universitária
(TARAPANOFF, 1981 apud RUSSO, 2003). Compreende-se, portanto que esta infraestrutura
deve estar organizada adequadamente, para satisfazer as necessidades dos usuários. Com
relação a isso, Milanese (1988, p. 72) afirma que “uma medida da qualidade de uma
instituição de ensino superior é a excelência de sua biblioteca”.
Dessa forma, organizar, preservar e disseminar a informação nas bibliotecas
universitárias deve levar em consideração as necessidades de cada usuário em que produtos e
serviços específicos devem ser disponibilizados de acordo com suas características, além da
adequação do espaço físico, de forma a atrair usuários potenciais e manter condições ideais à
motivação do seu uso (MATTOS; PINHEIRO, 2006). Por conta disso, organizar e gerenciar
essa nova biblioteca universitária consiste em um desafio para o profissional bibliotecário,
que deve buscar se qualificar de acordo com as necessidades desse novo ambiente
informacional, de modo a tornar cada vez mais efetivo o desempenho das unidades de
informação, ampliando e melhorando a imagem dessas organizações (RUSSO, 2003).
A função do planejamento é de determinar a direção a seguir, medindo os recursos
disponíveis e os necessários, implicando na compreensão das mudanças provenientes do
mercado, bem como, da sensibilidade para identificação e canalização dessas mudanças de
forma positiva para as unidades de informação (BARBALHO; BERAQUET, 1995). As
autoras ainda afirmam que essas funções devem apoiar o processo decisório, trazendo maior
racionalidade às decisões na organização, orientando suas ações, implicando, no entanto, que

1529

�a unidade conheça sua área de eficiência e eficácia. Maciel e Mendonça (2006, p. 60) afirmam
que “as bibliotecas contemporâneas têm que ser gerenciadas de acordo com as práticas
modernas, considerando as forças do mercado e o atual ambiente econômico”. As autoras
ainda afirmam que, se esses profissionais levarem a sério o futuro dos seus serviços e o
planejarem estarão permitindo que novas tendências se estabeleçam, novos serviços sejam
criados e novas oportunidades surjam, pois o ambiente da biblioteca muda e é melhor lidar
com algo que já havia sido planejado do que com uma situação súbita e inesperada.
Maciel e Mendonça (2006, p.61) ainda acrescentam “o Planejamento Estratégico,
enquanto metodologia de pensamento participativo, inicia-se com o envolvimento da alta
administração e gerentes de setores, estendendo-se posteriormente a todas as áreas da
organização”. Hayes (1994 apud RAMOS, 1999) ressalta que o planejamento oferece
contribuições valiosas em aspectos como: análise das funções de gerência nos diversos níveis
da biblioteca; visualização do futuro por meio da introdução de técnicas de previsão
qualitativas e quantitativas; custos operacionais; serviços na biblioteca com a introdução de
normas e medidas de avaliação das atividades da biblioteca.
Acredita-se, que o Planejamento Estratégico utilizado em Bibliotecas universitárias
oferece subsídios que facilitarão a adequação desses setores às novas mudanças do mercado,
com a melhoria dos seus serviços.

3 METODOLOGIA
3.1 Caracterização da Biblioteca Central da Universidade Federal de Roraima (UFRR)
A UFRR possui duas bibliotecas universitárias, a Biblioteca Central e a Biblioteca
Setorial do Centro de Ciências Agrárias - CCA. A Biblioteca Central foi criada em 10 de
Janeiro de 1992, através da Resolução 038/92 CUNI, e possui uma área total construída de
2.042 m2, com vistas à expansão, funciona no Campus do Paricarana, e conta com um acervo
de 34.000 títulos e cerca de 100.000 exemplares de materiais bibliográficos (UFRR, 2003,
2011). Por conta do crescimento da Instituição houve a necessidade de criação de uma
biblioteca setorial junto aos cursos desenvolvidos em um dos campus do interior, seguindo as
exigências do Ministério da Educação e Cultura - MEC, a Instituição cria em 2001, a
Biblioteca Setorial do Centro de Ciências Agrárias- CCA, que encontra-se localizada no
Campus do Cauamé - Monte Cristo - Boa Vista-RR, dispõe de uma estrutura semelhante a da
Biblioteca Central e comporta todo o acervo na área de Ciências Agrárias, visando atender
especificamente a comunidade acadêmica dos Cursos de Agronomia e Zootecnia.
A estrutura organizacional da Biblioteca Central é composta pela Direção da

1530

�Biblioteca e bibliotecários responsáveis por setores. Fazem parte dela ao todo 14 servidores,
dos quais sete ocupam cargos de gestão.
Em análise documental, identificou-se que o diagnóstico apresentado no primeiro
Planejamento Estratégico da Biblioteca Central afirma que, até 2001, a biblioteca possuía
apenas uma bibliotecária, o que gerou impactos negativos para toda a comunidade da
universidade, visto que seus serviços se resumiam a: empréstimo domiciliar e consulta local,
sendo que seu acervo não era catalogado, estava desatualizado e deteriorado, e a clientela
estava excluída das mídias digitais de informação (UFRR, 2010).
Depois de alguns êxitos, foi elaborado um novo PE (2010-2014) no sentido de
alcançar maior eficiência e eficácia nos serviços prestados à comunidade acadêmica. No
Planejamento Estratégico que iniciou-se no ano de 2010, fizeram parte da Comissão oito
bibliotecários dos setores: Direção da Biblioteca Central, Processamento técnico,
Desenvolvimento de Coleções, Setor de Referência, Setor de Periódicos e Biblioteca Setorial
do Centro de Ciências Agrárias.

3.2 Dos procedimentos metodológicos
Tendo o objetivo geral de analisar a percepção sobre a execução do Planejamento
Estratégico-PE dos idealizadores na Biblioteca Central da Universidade Federal de Roraima UFRR, tencionado para o período de 2010 - 2014, realizou-se um estudo de caso, que para
Gil (2010, p. 57) “é caracterizado pelo estudo profundo e exaustivo de um ou de poucos
objetos [...]”. Quanto à abordagem de pesquisa, esta se classifica como qualitativa,
configurando-se também, como pesquisa exploratória a qual segundo Gil (2010, p. 27) “tem
como principal finalidade desenvolver, esclarecer e modificar conceitos e ideias [...]”. Esta
investigação se ajusta como um estudo descritivo que em algumas vezes vão além da simples
identificação da existência de relações entre variáveis, pretendendo determinar a natureza
dessa relação (GIL, 2010).
No que diz respeito à técnica de coleta de dados fora realizada análise documental,
observação participante e entrevista estruturada aos bibliotecários da Biblioteca Central da
UFRR. Os documentos que foram analisados constituíram-se de: Planejamento Estratégico
2010-2014 e Relatórios Anuais da Biblioteca Central. Já as entrevistas, estas foram guiadas
por roteiros de perguntas abertas, que tem relação fixa de perguntas cuja ordem e redação
permanece invariável para todos os entrevistados (GIL, 2010). O total da população-alvo de
bibliotecários da UFRR, participantes do Planejamento Estratégico é sete, em função de

1531

�serem os elaboradores do documento. Mediante a utilização de três fontes de dados, fez-se a
Triangulação dos mesmos (COLLIS; HUSSEY, 2005).
Já no que se refere à técnica de análise de dados, por tratar-se de pesquisa qualitativa,
utilizou-se da análise de conteúdo, a qual segundo Vieira e Zouain (2005, p. 102) indicam que
“[...] a análise de conteúdo visa o conhecimento de variáveis de ordem psicológica,
sociológica, histórica etc., por meio de um processo de dedução com base em indicadores
reconstruídos a partir de uma amostra de mensagens específicas”. Nesse estudo utilizou-se
(BARDIN, 2011): a pré-análise, a exploração do material e o tratamento dos resultados: a
inferência e a interpretação, partindo de categorias de análise, a saber: Percepção e
Perspectivas dos Bibliotecários acerca do Planejamento Estratégico e Resultados, Benefícios,
dificuldades e Sugestões ao Planejamento Estratégico da UFRR. Os entrevistados, membros
(bibliotecários) da Comissão de Elaboração do PE, foram identificados como Entrevistados
A, B, C, D, E, F e G.

4 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS
4.1 Planejamento Estratégico da Biblioteca Central da UFRR: alguns apontamentos
O cenário da elaboração do Planejamento Estratégico do ano de 2004 era bastante
promissor, pois o Governo, a época, preparara ações específicas para as Universidades
federais, o que proporcionava e estimulava a estruturação de Planejamento por meio de ações
que visassem à qualidade na oferta dos serviços públicos. Pode-se observar a realidade em
que se encontravam as bibliotecas no trecho a seguir:

Os desafios eram enormes, apesar do esforço diário, a grande demanda dos
usuários por atendimento e o volume de atividades a serem efetivadas eram
significativamente comprometidas, pois as duas Bibliotecas possuíam apenas
duas bibliotecárias, sendo ambas contratadas (UFRR, 2010, p.6)

É natural que as dificuldades se apresentem no início de grandes empreendimentos,
mas a determinação e a organização levam ao sucesso paulatinamente. Após a implementação
do Planejamento Estratégico de 2004, com a elaboração de planos anuais, foram obtidos
alguns resultados. De acordo com plano estratégico (UFRR, 2010), são eles:

20. a Biblioteca Central possui seus setores divididos, conforme o padrão nacional de
de bibliotecas universitárias; cada setor com seus profissionais específicos,
perfazendo o número de 12 (doze) bibliotecários assim distribuídos: Direção,
Referência (atendimento ao usuário), Processamento técnico, Desenvolvimento de

1532

�Coleções, Setor de periódicos, Biblioteca digital e Multimeios, além da Biblioteca
Setorial do CCA. Todos esses bibliotecários são concursados;
21. de acordo com as estatísticas de 2009, percebe-se que as duas bibliotecas quase
dobraram o número de exemplares de livros de 29.000 em 2004 para mais de
50.000 atuais, além de também dobrarem o número de empréstimos de materiais
de 300 unidades diárias em 2004 para 600 atuais;
22. em 2005, a Biblioteca Central recebeu seu novo prédio, quatro vezes maior que o
antigo. Os recursos para construção foram captados pelo Reitor (à época) junto ao
MEC;
23. a Biblioteca Central aumentou o número de treinamentos de usuários, o que levou
a UFRR a atingir a marca de terceiro lugar na Amazônia em acessos ao Portal da
CAPES, além de criar estreitos vínculos entre a Biblioteca e a comunidade
universitária;
24. houve adesão a novos convênios para disseminação de informações geradas pela
UFRR, como a Biblioteca Digital de Teses e Dissertações (BDTD) e o Catálogo
Coletivo Nacional de Publicações Periódicas (CCN);
25. a Biblioteca Central lançou o livro Normas para Apresentação de Trabalhos
Técnico-científicos da UFRR, que facilitou as atividades de orientação dos
trabalhos dos alunos e, ainda, cultivou o respeito da comunidade para com as
bibliotecas; e
26. realizaram atividades de relações públicas com a participação em eventos em
Roraima e no Brasil, bem como a realização de eventos no Estado.

Tais ações fizeram com que a Biblioteca Central e a Setorial conquistassem o
reconhecimento regional e nacional, enquanto biblioteca universitária ativa e eficiente.
Avaliando-se o proposto pelo PE planejado em 2004 frente aos resultados alcançados em sua
vigência, percebe-se êxito nas ações empreendidas. Isso demonstra a importância dos
Planejamentos Estratégicos como instrumento de gestão, também na administração de
bibliotecas.
Todas as atividades realizadas nos últimos quatro anos fizeram com que as
bibliotecas se envolvessem totalmente com o cotidiano acadêmico dos usuários, difundindo a
noção de que, não é só a comunidade que vai à biblioteca, ela também ultrapassa seu espaço
de atuação e vai à comunidade (UNIVERSIDADE FEDERAL DE RORAIMA, 2010). Isso
ressoa nas palavras de Milanese (1988), o qual já pontuara que a qualidade das Instituições de

1533

�Ensino Superior repousa, também, na excelência de sua biblioteca.
Por esse histórico pode-se observar os avanços que as bibliotecas da UFRR
conquistaram por meio de uma gestão planejada e organizada, fazendo uso do Planejamento
Estratégico. Partindo dessa realidade, deu-se a continuidade na elaboração do Planejamento
Estratégico para os anos 2010 a 2014, objeto deste estudo.
A Biblioteca Central da UFRR já vinha adotando metodologias de planejamento
desde 2004, visando traçar caminhos que pudessem garantir a qualidade de prestação dos seus
serviços à comunidade. Na segunda versão do planejamento que fora pensado para os anos
2010-2014, as estratégias se diversificaram, mas as intenções são as mesmas da primeira
versão: orientar as tomadas de decisão da Biblioteca, prover de forma antecipada a
determinação dos objetivos e fornecer uma visão de futuro (UFRR, 2010).
Vale destacar que apesar dos serviços das bibliotecas da UFRR serem abertos à toda
comunidade roraimense, o planejamento e o direcionamento dos recursos dessas bibliotecas
são voltados totalmente para atender às necessidades da clientela primária composta por
alunos, professores e funcionários da UFRR. Ao contrário do primeiro planejamento
estratégico, este foi feito com a colaboração de todos os bibliotecários da Instituição e, por
esse motivo, a missão e a visão das bibliotecas foram reconfiguradas. Juntos, os profissionais
vislumbraram o que as bibliotecas da UFRR queriam ser, onde elas queriam chegar e o que
elas deveriam fazer para chegar onde desejavam.
Na construção desse novo ciclo de realizações, ressalta-se a importância da
Administração Superior que, durante os últimos dez anos, vem apoiando de forma irrestrita os
planos e projetos das Bibliotecas da Instituição (UFRR, 2010).
Dentre as estratégias a serem alcançadas pode-se citar:
Contribuir para a obtenção e difusão do conhecimento entre os usuários, bem
como promover a educação permanente acerca da utilização eficiente dos
recursos informacionais, contribuindo assim para sua formação profissional
e cidadã; promover serviços que disponibilizem informações científicas e
tecnológicas atualizadas e retrospectivas, de forma ágil, processada
tecnicamente, pertinente e segmentada de acordo com as especificidades da
clientela; disponibilizar um espaço físico e virtual que promova a utilização
efetiva dos serviços da Biblioteca, com mobiliário e equipamentos
funcionais, esteticamente agradáveis e que sigam as normas e padrões
nacionais; manter um quadro de pessoal necessário à manutenção dos
serviços, com alto nível de eficiência e de comprometimento com os
trabalhos [...] (UFRR, 2010, p.13).

1534

�Desta forma, o Planejamento foi orquestrado, está sendo executado e a Comunidade
acadêmica, a Instituição e a Sociedade como um todo, está colhendo os frutos de sua
implantação de maneira satisfatória, pois a maioria das suas ações já foram implementadas.

4.2 Percepção e Perspectivas dos Bibliotecários acerca do Planejamento Estratégico
Para a consecução da pesquisa foram entrevistados sete bibliotecários identificados
como entrevistados A, B, C, D, E, F e G. Pode-se observar que os entrevistados em sua
maioria são do gênero feminino, estão na faixa etária entre 28 a 43 anos, trabalham no serviço
público, em média de 3 a 14 anos e na Biblioteca Central, em média de 4 a 14 anos. No que se
refere à escolaridade, todos são pós-graduados. Esses dados refletem que os membros da
Comissão conheciam a realidade da Biblioteca e fizeram parte desse processo de transição
antes e depois da implementação do Planejamento Estratégico.
O roteiro que guiou as entrevistas fora composto de seis questões, dentre as quais,
duas fizeram menção à percepção e as perspectivas dos bibliotecários acerca do Planejamento
Estratégico. Como já mencionado na seção 3, esta pesquisa possui abordagem qualitativa,
mas decidiu-se por compilar gráficos para uma melhor apresentação do conteúdo das
entrevistas. Apresenta-se em gráficos, a porcentagem de cada resposta dada pelo público
estudado. Na primeira questão procurou-se saber se os entrevistados tinham noção e
experiência do que fosse o Planejamento estratégico quando participaram da elaboração desse
documento na Biblioteca Central da UFRR. Verificou-se que seis dos entrevistados tinham a
noção do que fosse um Planejamento Estratégico em função de suas graduações. Apenas uma
entrevistada já trabalhara com o planejamento, conforme pode ser verificado no Gráfico 1:

Gráfico 1: Percepção do Planejamento Estratégico

1535

�Tais resultados comprovam-se nas falas dos entrevistados: Entrevistado A, “noção
sim, não sabia de sua efetividade”; entrevistada B, “antes de trabalhar na UFRR, eu sempre
trabalhei com planejamento”. A entrevistada G, “sim, eu vi numa disciplina na faculdade, mas
só a parte teórica”. Nota-se que nem todos possuíam experiência na elaboração de um PE,
mas uma noção do que seria essa estratégia; isso não inviabiliza a operacionalização do
mesmo, mas indica à organização que tenha um cuidado maior na formatação da equipe que
elabora o Planejamento. Isso vem ao encontro do exposto na literatura, a qual indica que a
ferramenta de Planejamento Estratégico pode e deve ser utilizada em qualquer empresa, seja
pública ou privada, mas deve primar pelo conhecimento profundo de sua metodologia
(MACIEL; MENDONÇA, 2006; OLIVEIRA, 2004; REZENDE, 2011).
No que tange às perspectivas ao Planejamento Estratégico, procurou-se saber quais
perspectivas os bibliotecários possuíam, quando participaram da formulação do Planejamento
estratégico 2010-2014. Viu-se que dos sete entrevistados, seis deles sinalizaram que tinham
uma perspectiva de futuro quanto à utilização da ferramenta (Entrevistados B; C; D; E; F e
G). Apenas o entrevistado A respondera que não vislumbrava perspectivas, em um primeiro
momento; até se deparar com os resultados proporcionados pela ferramenta. Observe Gráfico
2 a seguir.

Gráfico 2: Perspectivas ao Planejamento Estratégico

No tocante aos resultados e benefícios da aplicação do Planejamento Estratégico na
Biblioteca Central, conforme mencionado por todos os entrevistados tem-se: a contratação de
novos profissionais para atuarem nos setores previstos no planejamento, como o Setor de
Multimeios, Setor de Desenvolvimento de Coleções, Biblioteca Digital, Setor de Referência e
a ampliação do prédio e do acervo. Isso se soma, por exemplo, ao projeto Cinema ao meio

1536

�dia, o qual fora estruturado no Plano de ação, mesmo não constando no Planejamento
Estratégico.
Os benefícios são claros quando se observa não só a criação dos setores, mas a
criação, consequentemente, de novos serviços que passaram a ser oferecidos à comunidade
acadêmica. A previsão que se tem quando se cria um Planejamento Estratégico é a de
resultados satisfatórios; ele é um recurso indispensável para a tomada de decisão na
organização, estando relacionado com o sucesso das mesmas, independente se privadas ou
públicas (REZENDE, 2011). Nesse ínterim, vê-se que o PE é uma ferramenta de gestão que
não apenas executa o previsto, mas estimula a iniciativa à reflexão da criação de novas ações.
Antes de tudo, o PE é uma ferramenta que possui caráter dinâmico, se assim seus gestores a
tomarem, por meio de uma postura de reflexividade e criticidade; isso encontra amparo nas
palavras de Hayes (1994 apud RAMOS, 1999) o qual pontua que o PE oferece contribuições
de grande valia ao proporcionar uma análise das várias funções de gerência nos diversos
níveis da biblioteca, assim como a visualização do futuro por meio de técnicas de previsão
qualitativa e quantitativa.
No que tange às dificuldades, foi destacado por todos os entrevistados a falta de
avaliação e controle, como posto na fala da entrevistada B “[...] nós não podemos criar o
planejamento, virar um documento e a gente não olhar mais [...]”. Outra questão tratada é a
necessidade de uma boa articulação por parte dos gestores com a administração superior para
se conseguir verbas para o alcance do que é previsto no Planejamento conforme destacado
pela entrevistada F “de nada adianta fazer o Planejamento Estratégico se não tiver né (sic) o
apoio financeiro”. O controle, a avaliação é parte essencial de todo Planejamento estratégico
(HAYES, 1994 apud RAMOS, 1999), assim como o suporte para sua implementação, o que
para isso é fundamental a participação da Alta administração (MACIEL; MENDONÇA,
2006).
Foi destacado também a necessidade de recursos humanos e materiais, necessários
para o desenvolvimento das ações e cumprimento das metas. Aquisição de equipamentos de
trabalho que possam auxiliar na eficácia dos serviços, como software de qualidade conforme a
realidade e a necessidade da biblioteca e de seus usuários.
Como sugestões os entrevistados apontaram, resgatar o acompanhamento e controle
participativo; que os planos de ações e relatórios anuais sejam executados e apresentados
regularmente para que a análise final do Planejamento Estratégico possa ser realizada sem
maiores problemas relativo à falta de informações, desejo este ressaltado na fala da

1537

�entrevistada F “quero a continuidade dele, porque de nada adianta você começar um
Planejamento e abandonar”.
Destaca-se na questão das sugestões, a necessidade de se criar o planejamento,
cumprir suas etapas e avaliá-lo regularmente. Sua execução se dará por meio dos planos
contidos nas propostas estratégicas, as quais os passos dessas propostas levam ao
estabelecimento de ações que serão implementadas por meio dos planos de ações, que
traduzem as ações a serem implementadas, os responsáveis, os prazos, o custo da ação, assim
como,

os indicadores de controle (BARBALHO; BERAQUET,

1995; MACIEL;

MENDONÇA, 2006).
Percebe-se que mesmo uma empresa pública precisa estar ciente de que a captação
de recursos nem sempre atende satisfatoriamente o que está previsto no PE, em função da
burocracia e a limitação desses recursos. Mas, mesmo assim, as organizações públicas podem
implementar ferramentas de gestão de forma à alcançar eficiência e eficácia na prestação de
serviços à sociedade.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
A aplicação desse estudo realizou-se com o intuito de analisar a execução do
Planejamento Estratégico na Biblioteca Central da Universidade Federal de Roraima - UFRR
no período de 2010-2014, acerca das perspectivas, dificuldades e sugestões na percepção dos
idealizadores, e resultados alcançados pelo PE.
A compreensão acerca do Planejamento Estratégico para a maioria dos entrevistados
era apenas teórica, após a construção do documento e sua aplicação é que se percebeu sua
importância; observou-se, também, a grande satisfação dos profissionais com o uso dessa
ferramenta, na qual se constataram excelentes resultados. Como resultado atingido,
identificou-se que o PE, permite que o direcionamento das atividades sejam conduzidas por
um plano e não decididas de maneira aleatória; no entanto, a falta de acompanhamento e
avaliação foi colocado como a grande dificuldade encontrada.
Concluiu-se que, embora se tenha dificuldades para executar de maneira plena o
Planejamento Estratégico, pois se deparam com problemas como: o excesso de burocracia, a
falta de recursos humanos e a disponibilidade de verbas, o planejamento traz benefícios a
longo prazo, e se bem executado pode atingir seu objetivo de forma completa e satisfatória.

1538

�Por isso, a importância dos bibliotecários conhecerem esse tipo de ferramenta de gestão, sua
aplicabilidade e formas de avaliação.
Em suma, ficou evidente que as formas e os instrumentos de gerenciamento atuais
como o PE exigem controles e investimentos em novas tecnologias, e que sua consecução em
bibliotecas universitárias requer mudanças. No que se refere à importância da aplicação dessa
pesquisa particularizada sobre o tema ficou notório que o uso do PE vem dando suporte para a
tomada de decisão aos gestores dentro das unidades e seu uso apresentou resultados
satisfatórios, embora nem sempre em sua totalidade.

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1540

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                <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
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          <description>An account of the resource</description>
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              <text>O Planejamento Estratégico é uma importante ferramenta de gestão que proporciona maior segurança e assertividade nas tomadas de decisões dos gestores. Sua aplicação em Bibliotecas Universitárias pode favorecer à execução de tarefas de forma prática melhorando o desempenho dessas unidades de informação. Partindo dessa premissa, este trabalho tem o objetivo de analisar a percepção sobre a execução do Planejamento Estratégico dos idealizadores na Biblioteca Central da Universidade Federal de Roraima, tencionado para o período de 2010 – 2014. A pesquisa realizada deu-se por meio de Estudo de caso, com abordagem qualitativa, empregando as técnicas de coleta: pesquisa documental, entrevista estruturada, com a equipe gestora do Planejamento Estratégico na Biblioteca e observação participante, isso possibilitou realizar a triangulação dos dados. Evidenciou-se que os membros da Comissão do Planejamento Estratégico, os bibliotecários, em sua maioria, detinham apenas conceitos teóricos sobre o Planejamento Estratégico. Percebeu-se que o Planejamento Estratégico possibilitou a orquestração de ações, de objetivos a serem atendidos visando à eficiência e eficácia, no serviço público, os quais obtiveram êxito como o aumento do número dos bibliotecários, treinamento aos servidores, e aumento do número de exemplares na Biblioteca e desencadeou a inovação em ações que não tinham sido programadas oficialmente no plano, como é o caso do Projeto Cinema ao meio-dia na Biblioteca. Por outro lado verificou-se também, que uma das maiores dificuldades que os bibliotecários enfrentam para a execução plena do Planejamento Estratégico, concentra-se na falta de acompanhamento das ações propostas pelo planejamento para o atendimento dos objetivos do planejamento, somado à falta de recursos financeiros e burocracia. Tudo isso gerou novos desafios na gestão da Biblioteca no estudo em questão.</text>
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