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                  <text>XVIII SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS
SNBU 2014

O HISTÓRICO DA BIBLIOTECA COMO INSTRUMENTO DE GESTÃO E
SALVAGUARDA DAS COLEÇÕES DE LIVROS RAROS E ESPECIAIS NA
BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA BRASILEIRA
Ana Virgínia Pinheiro
Cássia Rosania Nogueira dos Santos
Vânia Melo da Rocha
Rosani Godoy
RESUMO
Esta pesquisa objetiva demonstrar a importância do histórico da biblioteca como instrumento
de gestão e salvaguarda, especificamente,das coleções de livros raros e especiais na biblioteca
universitária brasileira.Através de revisão literária, centrada na História do Livro e da
Biblioteca Universitária brasileira, faz um relato do estado da arte de suas coleçõesmemoriais,
identificadas como raras e/ou especiais. Aponta o histórico da biblioteca como ponto de
partida para o resgate da memória da formação e desenvolvimento de uma coleção especial.
Nesse contexto, discorre sobre a importância, características e modos de elaboração do
histórico; enumera os recursos disponíveis para sua redação; e ressalta a omissão do histórico
da biblioteca nos modelos de diagnóstico e de formação e desenvolvimento de coleções,
consagrados na literatura. Conclui, informando os elementos essenciais para a redação do
histórico da biblioteca universitária, guardiã de livros raros especiais.
Palavras-chave: História do Livro e da Biblioteca Universitária brasileira. Biblioteconomia
de Livros Raros. Formação e desenvolvimento de coleções bibliográficas especiais.Histórico
da Biblioteca. Diagnóstico de bibliotecas.

ABSTRACT
This research aims to demonstrate the importance of history library management tool and
safeguard specifically collections of rare and special books in the Brazilian university library.
Through literature review, focusing on the History of the Book and the Brazilian University
Library is an account of the state of the art collections of their memorials, identified as rare
and / or special. Pointing historical library as a starting point for the recovery of memory
formation and development of a special collection. In this context, discusses the importance,
characteristics and methods of preparing the history; lists the resources available for writing;
and highlights the omission of the historical library models and diagnostic training and
development of collections, established in the literature. Concludes, stating the essential
elements of writing the history of the university library, rare books and special guardian.
Keywords:History of the book and the Brazilian University Library. Rare Books
Librarianship. Special collection development and management. History of the library.
Libraries diagnostic.

1419

�1 INTRODUÇÃO
A história do livro e das bibliotecas registra que a maior biblioteca da Antiguidade, a
Biblioteca de Alexandria, modelou a formação e o desenvolvimento de bibliotecas por
séculos. A biblioteca ideal era a biblioteca alexandrina - a biblioteca de todos os livros,
continuamente acumulados!
Bibliotecários ao longo do tempo trabalharam pelo enriquecimento de coleções. Boa
biblioteca era aquela que tinha “tudo”. No entanto, “nenhum bibliotecário pode, naturalmente,
obter todos os livros: nenhuma biblioteca pode atender a todas as necessidades” (SHERA,
1976 apud FIGUEIREDO, 1998, p. 68).
Mas, o modelo de biblioteca alexandrina persistiu na construção de todos os tipos de
bibliotecas, conforme sua natureza. Então, as bibliotecas transformaram-se em depósitos, em
lugares de memória, teoricamente, organizados.
Essa aparente organização das bibliotecas escondia o conflito quotidiano entre os
métodos de organização consagrados e seu mais evidente efeito colateral - as bibliotecas não
cresceram com equilíbrio.
Esse desequilíbrio era consequência não só das escolhas personalizadas de
bibliotecários de distintas épocas, que construíam bibliotecas acreditando atender às
demandas de seu tempo; resultou, também, do fato de que nas bibliotecas “organizadas”
houve acolhimento, recolhimento, acréscimo, subtração, inclusão, exclusão, destruição e
salvamento movidos por valores, ideias, ideais, ideologias, políticas, ou, simplesmente, pelo
ponto de vista dos curadores de acervos bibliográficos, à luz da mobilidade conceitual no
tempo, que definiu gostos e interesses.
No que se refere a coleções memoriais, “as práticas verificadas nas bibliotecas
brasileiras denunciam acervos cumulativos, onde é ignorado o sentido de coleção como parte
de um acervo. [... onde] são inventariados como raros, todos os livros que parecem raros”
(PINHEIRO, 2009, p. 38; grifos do autor).
No caso específico das bibliotecas universitárias brasileiras,
documentam

a

história

de

sua

formação

e

suas coleções

desenvolvimento, da

contínua

mutação/evolução/involução das missões institucionais a que servem e das e necessidades
instrucionais que pretenderam e pretendem atender, de modo teoricamente exaustivo, porque
“os bibliotecários relegam a tarefa de seleção para segundo plano” (MIRANDA, 1980 apud
WEITZEL, 2006, p. 13).
Em seu “Making the most of books”, Leal A. Headley (1932 apud LASSO DE LA
VEGA, 1952, p. 527, tradução nossa), referiu-se do seguinte modo à qualidade das coleções

1420

�em bibliotecas universitárias: “Diga-me quais os livros que uma Universidade possui eo uso
que professores e os alunos fazem deles, que eu lhes direi de que tipo de Universidade se
trata”.
Se acervo de uma biblioteca universitária conta a história de mérito do ensino, da
pesquisa e da extensão e demonstra, através de sua amplitude e de sua incompletude, a
sucessão de teorias e processos que alicerçaram ou deixaram de alicerçar a missão da
Universidade, arecuperação da memória de práticas negativas e positivas, de circunstâncias
fortuitas ou provocadas, de intempéries e de sucessos permitem à biblioteca a surpreendente
identificação de sua origem e personalidade, ou a frustrante descoberta de sua perda de
identidade! Sem essas informações, de caráter estratégico, como será possível a gestão de uma
biblioteca universitária? Como será possível a salvaguarda das coleções memoriais de uma
biblioteca universitária?

2 AS COLEÇÕES MEMORIAIS NAS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS
Uma das questões que afligem, atualmente, as bibliotecas universitárias é o destino de
coleções memoriais, identificadas como raras e/ou especiais.
Ora, uma coleção especial é o conjunto dos “livros que, por qualquer razão, merecem
o qualificativo de raros; [... e] que, devido à sua raridade, fragilidade ou importância, está
apartada das coleções gerais de uma biblioteca" (FARIA; PERICÃO, 2008, p. 637).
Essas coleções, na biblioteca universitária brasileira, são formadas notadamente por
obras científicas de caráter retrospectivo; isto é,obras que não são consideradas “atuais”, por
causa da data de sua publicação econforme a evolução do conhecimento científico que
registram.
Mesmo assim, essas obras permanecem dispersas no acervo geral das bibliotecas
universitárias ou segmentadas em conjuntos, carentes de uma política de guarda ou
dependendo da iniciativa de curadores, habilitados na Biblioteconomia de Livros Raros, por
sua salvaguarda.
O que move a aflição indicada é a dúvida crescente se essas obras perdem ou não seu
valor de uso, suas funções originais, com a passagem do tempo. Na realidade, aquela aflição é
consequência do desconhecimento que os curadores de acervos têm da história dos livros
contada nos livros sobre sua gestão.
O acervo de uma biblioteca universitária configura-se, então, como uma espécie de
biografia de determinado conhecimento científico; e as coleções de livros raros e especiais,

1421

�nesse acervo, são o passado indelével, que permanece nele pelo temor da perda de memória,
ou que desparece dele pelo destemor inerente à irresponsabilidade com a defesa da memória.
Mas, como transformar temor e destemor em ação contínua em favor da gestão e da
salvaguarda de coleções especiais em bibliotecas universitárias?
Não há fórmula descrita na literatura científica, embora uma solução para a questão
seja inadiável.
Salvo raras exceções, faltam políticas formais de desenvolvimento de coleções em
bibliotecas universitárias brasileiras, “comprometendo o esforço comum para a formação de
pesquisadores e profissionais aptos ao desenvolvimento de pesquisa e extensão” (WEITZEL,
2006, p. 13). Assim como não há métodoque alicerce a cultura do “guardar”, afim à formação
e ao desenvolvimento da biblioteca universitária, e que ao mesmo tempo oriente políticas para
salvaguardar - que permitam “não só a sua guarda [do patrimônio bibliográfico], mas
igualmente a possibilidade de ter-lhe acesso” (FARIA; PERICÃO, 2008, p. 653).
Talvez, seja relevante considerar como solução a “abordagem afetiva”, sugerida por
Ruskin (1897 apud CHOAY, 2001, p. 140-141) que entendia que o resgate da memória seria
possível “pela intermediação de sentimentos morais, a reverência e o respeito”. Valores que se
manifestariam numa ação inteligívelsobre a coleção que, mesmo que não documentasse o
impacto de cada livro no conjunto, fosse capaz de reconhecer seu valor como arquétipo, em
distintas épocas, da formação científica, e seu papel como ícone cultural de determinado
conhecimento científico.
Essa ação inteligível se manifestaria no histórico da biblioteca que, no entender de
Pinheiro (2011, f 19) é “documento estratégico”, posto que
A primeira preocupação do bibliotecário, antes de estabelecer e implementar
quaisquer procedimentos relativos à gestão de uma biblioteca é buscar informações
sobre ela. É essencial que o bibliotecário desenvolva certa familiaridade com a história
da formação e desenvolvimento de suas coleções fundadoras (acervo básico-histórico),
sua proveniência, sua importância [...]. É necessário, para compreender a missão da
biblioteca, conhecer as ações que justificam sua substância - boa ou má.
O histórico da biblioteca configura-se, então, como o ponto de partida para o
diagnóstico organizacional, elemento imprescindível na gestão de bibliotecas, viabilizando o
resgate da memória da formação e desenvolvimento de uma coleção, e um “novo olhar” sobre
ela, reconhecendo-lhe o caráter de rara e/ou especial - principalmente, quando a coleção goza
de aparente temporariedade, definida pela evolução do conhecimento científico, como é o
caso das coleções de bibliotecas universitárias.

1422

�3 IMPORTÂNCIA, CARACTERÍSTICAS E MODOS DE ELABORAÇÃO O
HISTÓRICO DA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA
Não há como pensar no futuro da biblioteca sem saber o que foi feito por ela e a razão
de seu conteúdo.No que se refere ao conteúdo, “o histórico deve ser capaz de responder, por
exemplo, a primeira e necessária pergunta de um bibliotecário ao se deparar com um acervo
bibliográfico: de onde vieram esses livros?” (PINHEIRO, 2011, f. 19).
A falta de registros dessa natureza leva à interpretação nefasta do estado da arte de
uma biblioteca por sua aparência - e a aparência é aquilo que se vê, apenas. Mas, nem todos
os processos e tomadas de decisão se evidenciam na aparência de uma biblioteca ou, se
constituem evidências, suas justificativas (se existem) não gozam da mesma disponibilidade.
Além disso, os bibliotecários gestores, comumente, não sãoorientados, desde sua
formação acadêmica, a entender o histórico da biblioteca como a chave para o esclarecimento
das dúvidas que, certamente, perpassam pelos processos decisórios; porque é o histórico da
biblioteca que favorece à “análise do produto do trabalho de gerações de bibliotecários que
formaram e desenvolveram biblioteca” (PINHEIRO, 2011, f 19). O histórico é, portanto, o
recurso fundamental de gestão.
É impossível falar do presente sem consultar o passado, pois ambos estão atrelados. A
pesquisa e a elaboração do histórico da biblioteca universitária podem revelar aspectos
importantes da formação e desenvolvimento da coleção de obras raras e especiais, como um
conjunto bibliográfico que é, ao mesmo tempo, memorial e documentário da formação
acadêmica.
A elaboração do histórico de uma biblioteca universitária implica a consideração de
elementos personalíssimos, do âmbito da gestão universitária, que envolvem, pelo menos, o
uso dos seguintes recursos:
a) arquivo institucional,
b) relatos de antigos funcionários.

3.1 Arquivo institucional
Este recurso é muito rico, uma vez que deve guardar toda a memória da instituição.
Há que destacar o caráter histórico, retrospectivo, do arquivo institucional - mesmo
que os documentos nele contidos tenham perdido sua função administrativa, mantêm
importância fundamentalmente histórica, que serve à comprovação de ações e decisões
tomadas.

1423

�Essa qualidade do arquivo institucional é presumível considerando, por exemplo, a
prática de dar publicidade às aquisições da biblioteca como estímulo para outras aquisições
(LASSO DE LA VEGA, 1952, p. 18), através de recursos formais de comunicação, tais
como:
•

Estatuto e regimento institucional

•

Atas das reuniões de congregação;

•

Relatórios periódicos de atividades, emitidos pela biblioteca e/ou por instâncias
administrativas superiores;

•

Boletins internos e outras publicações oficiais

•

Portarias, ordens e instruções de serviço;

•

Pareceres acadêmicos sobre a importância do acervo para as metodologias de
ensino propostas;

•

Bibliografias dos programas de cursos e disciplinas ministrados;

•

Listas desideratas;

•

Cartas emitidas e recebidas, notadamente, as de agradecimento;

•

Livros de registro e tombamento de acervos bibliográficos

Nesses documentos, indagações relativas ao histórico da biblioteca - algumas,
elementares - podem ser respondidas, a saber:
•

Qual é a data de criação da biblioteca?

•

Qual é a sua missão e quais são seus objetivos e metas?

•

Qual a procedência de seu acervo?

•

Quais são suas datas-limite? Qual é o item mais antigo, qual é o mais recente?

•

Qual é a coleção fundadora do acervo e que constitui, por isso, o acervo
memorial, básico-histórico da biblioteca?

•

Quais os tipos e recursos de aquisição praticados, desde sempre?

•

Quais políticas de formação e desenvolvimento foram implementadas, um dia?

3.2 Relatos de antigos funcionários:
É válido fazer uso da memória oral de antigos funcionários da universidade, colhendo
relatos pessoais sobre a história dos livros, da leitura, dos usuários, dos funcionários e, por
extensão, da formação e desenvolvimento da biblioteca. Esse procedimento não deve ser

1424

�confundido com a coleta de opiniões sobre a biblioteca e seus serviços, mas, caracterizado
como a busca e reconstrução de uma história testemunhada.
Essa história testemunhada é flexível, é alicerçada “em emoções e vivências”, de
modo que “os eventos são lembrados à luz da experiência subsequente e das necessidades do
presente” (FERREIRA, 2002 apud COGO, 2011, p. 3).
Agora como nunca, a(s) história(s) do livro e da leitura começa(m) a sair dos círculos
dos bibliófilos e eruditos para satisfazer a curiosidade pública geral. [...] No momento
em que hábitos de leitura se modificam de forma drástica, acorremos ao passado para
compreender e suportar melhor a revolução tecnológica, sem a impressão de se dar um
salto no abismo escuro. A História nos dá, senão a garantia, ao menos a impressão de
que o futuro vizinho é fruto e continuação de nossos próprios passos (WANDELLI,
2002, p. 40).
As informações recuperadas através deste recurso generosopoderão esclarecer
importantes lacunas verificadas na pesquisa, desenvolvida no arquivo institucional.
Caberá ao gestor de acervos raros e especiais da biblioteca universitária, validar as
informações obtidas, mediante confronto dos dados recuperados no arquivo com a
fidedignidade e mérito institucional de quem relata.
O resgate da história da biblioteca viabilizará, então, a redação formal de seu histórico.

4 O HISTÓRICO, PROPRIAMENTE DITO, DA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA
O caráter estratégico do histórico, embora necessário para o diagnóstico de uma
biblioteca, não é abordado pela literatura recém-publicada nas áreas de gestão e de formação e
desenvolvimento de coleções.
Segundo Almeida (2005, p. 53, 56), o diagnóstico é um “processo sistematizado, com
tempo e espaço definidos, de avaliação de serviços [e produtos] em organizações” e, através
dele, é possível identificar “a missão e objetivos da instituição”, comparando“o estado
encontrado com o estado desejado”. A funcionalidade desse conceito não permitiria definir
prioridades na tomada de decisões em relação à gestão e salvaguarda de coleções de livros
raros e especiais porque o sentido de missão e objetivos aí indicados, embora condicionados a
um “tempo e espaço definidos”, estão restritos ao presente (“o estado encontrado”) e ao futuro
(“o estado desejado”), sem relevar o passado - o estado inicial, o estado fundador da
biblioteca.
Essa circunstância de omissão se verifica, também, na definição de seis etapas,
consolidadas e interdependentes,do processo de desenvolvimento de coleções (VERGUEIRO,
1989; EVANS, 2000; MACIEL; MENDONÇA, 2006 apud WEITZEL, 200, p. 17-18):

1425

�•
•
•
•
•
•

Estudo da comunidade
Políticas de seleção
Seleção
Aquisição
Avaliação
Desbastamento e descarte

Ora, se processo de desenvolvimento de coleções é comum a todas as bibliotecas,
podendo ocorrer de forma diferenciada por tipo de biblioteca (VERGUEIRO, 1989 apud
WEITZEL, 19, p. 19), e se pelo menos três de suas etapas implicam procedimentos de
diagnose (estudo da comunidade, seleção e avaliação), então, como será possível refletir sobre
a formação de uma coleção de livros raros e especiais, numa biblioteca universitária, se
nenhuma das etapas indicadas releva eventos pretéritos, que beneficiariam a compilação de
um histórico? Convém acrescentar que, por exemplo, um guia das coleções incorporadas ao
longo da vida e crescimento de uma biblioteca universitária é segmento natural de um
histórico,

e instrumento imprescindível

para as demais

etapas do processo de

desenvolvimento de uma coleção memorial. Aliás, vale ponderar, ainda, sobre qual das duas
perguntas, a seguir, possibilitaria a resposta mais segura:
1a Que tipo de biblioteca possui coleção memorial?
2a Que tipo de biblioteca não possui coleção memorial?

Diante do avanço do conhecimento científico e da ampliação retrospectiva do escopo
de pesquisa nas universidades, em face de inovadoras linhas de pesquisa de memória
científica, as bibliotecas universitárias, certamente, não compõem a resposta à segunda
pergunta. Essa situaçãotem levado os bibliotecários gestores a um surpreendente retorno a
coleções negligenciadas, que foram, um dia, denominadas como “livros velhos”.
Se é imprescindível a realização do diagnóstico pelo bibliotecário, ao assumir a gestão
de uma biblioteca universitária, então o histórico há de compor esse diagnóstico, subsidiando
o levantamento de dados, constituindo-se, ele mesmo,um elemento de memória e uma das
etapas do processo de desenvolvimento de coleções.

5 PERSPECTIVAS PARA UM MODELO DE HISTÓRICO
O histórico da biblioteca universitária deve ser um documento independente, avulso,
para facilitar seu trânsito,com distintas utilidades, e, que deve ser anexado ao documento
formal de diagnóstico, como informação necessária e inseparável.

1426

�Um modelo de histórico pode ser delineado a partir da consolidação de boas práticas,
consagradas em bibliotecas de todas as naturezas, desde que arrole informações fundamentais
para o conhecimento da biblioteca e das coleções memoriais que a compõem.
Do conjunto de informações, captadas por ocasião do diagnóstico, o histórico da
biblioteca configura-se como informação de maior relevância. Um histórico deve
apontar:
a) elementos estruturais - tipos de publicações incorporadas, quantidade, formatos,
suportes; e
b) elementos substantivos da biblioteca- proveniência; autores, títulos e editores que
merecem, destaque; datas-limite das coleções identificadas. data e lugar de
publicação, além de singularidades relativas ao tratamento técnico biblioteconômico,
ao longo do tempo (PINHEIRO, 2011, f. 42-51).
Desse conjunto, evoluem as debilidades e fortalezas da coleção, oportunidades e
ameaças ao acervo, tanto do ponto de vista estrutural quanto do substantivo.
Tais informações são estratégicas, para respaldar decisões técnicas, orientar
intervenções, redefinir métodos, técnicas e responsabilidades, e definir prioridades
(ALMEIDA, 2005, p. 56).
Vale ressaltar que embora se considere queo diagnóstico seja realizado de tempos em
tempos, para manter sua atualidade, o histórico será sempre uma “obra inacabada”, um
instrumento em construção, em face da multiplicidade de fontes para a sua concepção, tão
específicas quanto surpreendentes.

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Como etapa do processo de desenvolvimento de coleções, o histórico precisa ser
definido operacionalmente, descrito e analisado na literatura científica especializada em
gestão e em desenvolvimento de coleções, que ainda o omitem, embora sua importância seja
objeto de vasta literatura especializada no âmbito da História do Livro e das Bibliotecas,
infelizmente, com ênfase para o desaparecimento das coleções memoriais (Cf. BATTLES,
2003; BÁEZ, 2006; POLASTRON, 2013).
Ora, se o processo formação e desenvolvimento de coleções sempre fez parte da
história do livro e das bibliotecas; e se é impossível formar e desenvolver coleções, sem
considerar as questões inerentes a esse processo (WEITZEL, 2002), o histórico é um
instrumento de gestão de tal importância, que é surpreendente que existam bibliotecas que não
dispõem de qualquer informação sobre sua origem, identidade, composição.

1427

�A biblioteca universitária não escapa a essa condição, embora seja, atualmente, um
repositório de coleções memoriais, incorporadas mediante aquisição a docentes (por compra
ou doação), que em outros tempos mantiveram, ou não, vínculos com a universidade.
Há quem considere que “as obras raras administradas pelas bibliotecas universitárias
são beneficiadas [...] pelo fato de estarem em instituições preocupadas com a pesquisa de
novas técnicas de preservação e difusão” (RODRIGUES, 2006, p. 116).
No entanto, enquanto bibliotecários de bibliotecas universitárias continuam a
desenvolver seu trabalho, comprometidos com a missão institucional; as coleções de livros
raros e especiais permanecem como “cadinhos secretos, onde o livro raro, simplesmente,
cumpre o seu tempo de vida útil, morrendo, sem encontrar a mão do leitor” (PINHEIRO,
2000), dependente da iniciativa de bibliotecários que se descobrem, mais por paixão que pela
formação, bibliotecários de livros raros.
Além disso, a gestão de livros raros e especiais exige o profundo conhecimento das
coleções, que
[...] não se adquire nem por magia nem mecanicamente. [...] Aprende-se a conhecer
as coleções convivendo com elas [...]. Certamente que o gosto pessoal conta, mas
como o ouvido para a música, também se educa. Isto é importante ter presente porque
se trata de uma aprendizagem que demora anos a cimentar. E conhecer as coleções
tem uma tripla finalidade; por um lado, para mais fundamentadamente se processarem
novas posições; por outro lado, para antecipar serviços de qualidade superior e,
finalmente, para melhor se concretizar o exercício de ações de preservação e
conservação (CABRAL, 2005, p. 12).
Diante da importância das coleções de livros raros e especiais na biblioteca
universitária, que têm o potencial de assumir a função de geradoras de novas pesquisas,
acumulando a função anterior de coleção memorial, faz-se necessário elaborar uma estratégia
de salvaguarda para sua preservação,garantindo a continuidade do usufruto de seus benefícios
por seus usuários reais.
A produção de um histórico como instrumento de gestão e salvaguarda das coleções
de livros raros e especiais na biblioteca universitária brasileira, plenamente configurado em
suas funções específicas e em seu conteúdo, é um dever do gestor de acervos memoriais, do
bibliotecário de livros raros.
Se “a história do livro e das bibliotecas no Brasil é [...] pouco sabida” (MORAES,
2006, p. 18), e se as bibliotecas universitárias contribuem para a essa fragilidade, no que tange
às coleções memoriais sob sua guarda - o que é incompatível com sua razão de ser, então, a
escrita da história de formação e desenvolvimento das coleções de livros raros e especiais em
bibliotecas universitárias é necessária, imprescindível e urgente.

1428

�Uma certeza evolui dessas ponderações, à luz da Biblioteconomia de Livros Raros:
não há simplicidade ou ingenuidade na aparente organização de uma biblioteca, porque toda
biblioteca resume o caos do estado da arte do conhecimento, em sua época, e acumula o caos
de épocas anteriores. De tal modo que, o conhecimento da história da formação e do
desenvolvimento de suas coleções, do histórico da própria biblioteca, é essencial para
desvelar seu passado, compreender seu presente e delinear seu futuro.

REFERÊNCIAS
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LATINO-AMERICANO

DOCUMENTAÇÃO/ENCONTRO

DE

NACIONAL

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DOCUMENTAÇÃO,

BIBLIOTECONOMIA
DE

INFORMAÇÃO

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DOCUMENTAÇÃO JURÍDICA, 7., 2000, Porto Alegre. Anais... Porto Alegre, 2000. 1
CD-ROM
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&lt;http://www.bu.ufsc.br/design/Memoria%20Texto.pdf&gt;. Acesso em 25 maio 2014.
WEITZEL, Simone da Rocha. O desenvolvimento de coleções e a organização do
conhecimento: suas origens e desafios. Perspectiva em Ciência da Informação, Belo
Horizonte, v.7, n.1, p.61-67, jan.-jun. 2002.
WEITZEL, Simone da Rocha. Elaboração de uma política de desenvolvimento de coleções
em bibliotecas universitárias. Rio de Janeiro: Interciência; Niterói: Intertexto, 2006.

1430

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    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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              <text>Esta pesquisa objetiva demonstrar a importância do histórico da biblioteca como instrumento de gestão e salvaguarda, especificamente,das coleções de livros raros e especiais na biblioteca universitária brasileira.Através de revisão literária, centrada na História do Livro e da Biblioteca Universitária brasileira, faz um relato do estado da arte de suas coleçõesmemoriais, identificadas como raras e/ou especiais. Aponta o histórico da biblioteca como ponto de partida para o resgate da memória da formação e desenvolvimento de uma coleção especial. Nesse contexto, discorre sobre a importância, características e modos de elaboração do histórico, enumera os recursos disponíveis para sua redação, e ressalta a omissão do histórico da biblioteca nos modelos de diagnóstico e de formação e desenvolvimento de coleções, consagrados na literatura. Conclui, informando os elementos essenciais para a redação do histórico da biblioteca universitária, guardiã de livros raros especiais.
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