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                  <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

INTELIGÊNCIA ORGANIZACIONAL NO CONTEXTO DO SISTEMA DE
BIBLIOTECAS DA UNIVERSIDADE FEDERAL DO AMAZONAS

Angela Emi Yanai
Cláudia Daniele Souza
Célia Regina Simonetti Barbalho
Amanda Luiza de Souza Barbosa

RESUMO
Inteligência Organizacional e Competitiva caracterizam-se como a capacidade de uma
corporação reunir informação, inovar, criar conhecimento e atuar efetivamente baseada no
conhecimento que foi gerado. O objetivo deste estudo é verificar o contexto da produção
científica atrelada à inteligência organizacional aplicada às bibliotecas, assim como, avaliar a
inteligência organizacional no Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do Amazonas
(SISTEBIB-UFAM). Por meio de uma pesquisa exploratória e descritiva, aplicando-se
técnicas métricas de bibliometria, os 714 registros bibliográficos recuperados na base de
dados Scopus foram tratados com o software VantagePoint e representados graficamente com
o Microsoft Excel. Aplicou-se, ainda, um questionário com os principais gestores SISTEBIB
a fim de verificar o uso da inteligência organizacional no Sistema. Dentre os resultados,
destaca-se o exponencial crescimento ao longo dos últimos anos, a notória quantidade de
documentos publicados como artigos científicos e a contribuição do Brasil no levantamento
dos dez principais países que publicam sobre o tema. Contudo, a inteligência organizacional é
pouco conhecida e usada nas bibliotecas brasileiras, 67% dos gestores do SISTEBIB
conhecem superficialmente a inteligência organizacional, todavia, 89% consideram que ela é
importante para o Sistema. Assim, o estudo contribui para orientar as tomadas de decisões
para implantação efetiva da inteligência organizacional no SISTEBIB, uma vez que acreditase que venha a colaborar significativamente para os serviços e produtos que antecipem e
satisfaçam as necessidades locais.
Palavras-Chave: Inteligência organizacional; Bibliometria; Bibliotecas universitárias

ABSTRACT
Organizational and Competitive Intelligence is characterized as the ability of a corporation
collect information, innovate, create knowledge and to act effectively based on knowledge
that has been generated. The objective of this study is to investigate the context of scientific
production linked to organizational intelligence applied to libraries as well as evaluate the
organizational intelligence in the Library System of the Federal University of Amazonas
(SISTEBIB-UFAM). Through an exploratory and descriptive research, applying metrics
techniques bibliometrics, the 714 bibliographic records retrieved in the Scopus database were
treated with VantagePoint software and graphically represented with Microsoft Excel.
Furthermore, a questionnaire was applied in the SISTEBIB principal managers to check the

1226

�use of intelligence in the organizational system. Among the results, there is exponential
growth over the past few years, the notorious amount of documents published as scientific
articles and the Brazil's contribution in the survey of the top ten countries that publish on the
subject. However, the organizational intelligence is little known and used in Brazilian
libraries, 67% of SISTEBIB managers superficially know the organizational intelligence,
however, 89% consider that it is important for the system. The study contributes to guide
decision making for effective implementation of organizational intelligence in SISTEBIB,
since it is believed that it will collaborate significantly to the services and products that
anticipate and satisfy local needs.
Keywords: Organizational intelligence; Bibliometrics; University libraries.

1 INTRODUÇÃO
A informação é um recurso estratégico para qualquer organização que tenha a
preocupação com o acompanhamento e a avaliação de seu negócio, não sendo diferente para
uma biblioteca inserida em uma instituição de ensino superior, pois o pressuposto básico é de
que ela é necessária para a solução dos seus problemas decisórios. Um sistema
adequadamente estruturado de informação deve estar obrigatoriamente interligado com o
ambiente organizacional (BARBALHO; MARQUEZ, 2008).
As organizações estão cada vez mais preocupadas com as ferramentas que permitam
recuperar, selecionar, analisar, avaliar as informações vinculadas aos seus ambientes internos
e externos, pois compreendem que a informação e o conhecimento gerado podem lhes trazer
vantagens competitivas.
A capacidade das organizações em processar informação sobre o ambiente, gerando
conhecimento que possibilite sua adaptação eficaz às mudanças externas, é uma característica
das empresas inteligentes que atuam proativamente no contexto globalizado (CHOO, 1995).
Isso significa que elas necessitam gerir processos de informação de modo a transformá-la em
conhecimento visando apreender com o meio ambiente e a ele se adaptar.
Neste contexto as bibliotecas ou unidades de informações, precisam se tornar
instituições inteligentes com o intuito de tirar o melhor proveito do uso de seus recursos
(materiais, financeiros, informacionais e humanos), acarretando no aperfeiçoamento dos
produtos e serviços oferecidos para melhor atender seus clientes e/ou usuários, uma vez que
sua atuação engloba processos concebidos com a missão de favorecer o acesso a informação e
ao conhecimento.
Diante o exposto e, considerando que o processo de inteligência organizacional se
configura como uma realidade para aplicação em qualquer ambiente e para qualquer tipo de
instituição, esta pesquisa visa verificar o contexto da produção científica atrelada à

1227

�inteligência organizacional aplicada as bibliotecas, estabelecendo um marco teórico sobre o
tema, assim como, avaliar a inteligência organizacional no Sistema de Bibliotecas da
Universidade Federal do Amazonas (SISTEBIB - UFAM). Acredita-se que a análise
quantitativa da produção científica de uma determinada área pode revelar tendências e formas
de como a pesquisa e a inovação teriam condições de serem desenvolvidas. Quanto mais
conhecida for à produção científica, maior a probabilidade de serem realizadas inferências
significativas para o entendimento do futuro desenvolvimento das áreas de pesquisa
(ARAÚJO JÚNIOR; PERUCCHI; LOPES, 2013).
Ademais o estudo pode auxiliar as bibliotecas na projeção e implementação de
políticas e estratégias para a gestão competitiva, nos fluxos internos e externos de informação
e, assim, enfrentar os desafios impostos pelo tecnologização mundial (LÓPEZ ISAZA;
CORREA VALLEJO, 2011).

2 REVISÃO DE LITERATURA
2.1 Inteligência organizacional aplicada as bibliotecas
A inteligência organizacional é conceituada por Rezende (2002 apud REZENDE,
2003) como a adição de vários conceitos como: inovação, criatividade, qualidade,
produtividade, efetividade, inteligência competitiva, gestão do conhecimento, etc. Para
Albrecht (2004, p. 3) como a “[...] capacidade da empresa de mobilizar todo seu potencial
intelectual disponível e concentrar tal capacidade na realização de sua missão”.
Cabe destacar que assume diversas denominações em função dos diferentes contextos
onde foi desenvolvida, entretanto o princípio de tratar a informação para oferecer subsídios à
tomada de decisão é o mesmo, mudando apenas a nomenclatura (BARBALHO, MARQUEZ;
2008).
Além da inteligência organizacional, há difundido na literatura a inteligência
competitiva que, por vezes, é tratada como sinônimo ou como um conceito distinto da
primeira. Amaral et al (2005, p. 2) afirma que a inteligência competitiva é um processo
baseado em informações “[...] em que a coleta e análise de dados são realizadas visando à
produção de informações de alto valor agregado, apropriada à tomada de decisão a cerca dos
processos competitivos”. Neste sentido, pode-se entender que a inteligência competitiva está
vinculada a inteligência organizacional e, cada vez mais, são complementares (CARVALHO,
2001).

1228

�Neste contexto, torna-se necessário que as organizações desenvolvam e incorporem
sistemas de inteligência organizacional para garantir a sua sobrevivência (LÓPEZ ISAZA,
CORREA VALLEJO; 2011). Desta forma, as unidades de informação assim como as
empresas, cientes do valor da inteligência organizacional ou competitiva estão discutindo e
articulando sua implantação. Neste sentido, há iniciativas como as apresentadas nos trabalhos
de Fonseca e Fonseca (s. d.), que discorre sobre a possibilidade de aplicar ferramentas de
inteligência no serviço de referência; e de Davok e Conti (2013, p. 1) que trata do papel das
unidades de informação como fatores facilitadores para o desenvolvimento da inteligência
organizacional, no qual, conclui que
[...] dependendo do contexto, os principais fatores que facilitam o processo
de consolidação de um sistema de inteligência organizacional são: a cultura
organizacional, redes sociais, gestão do conhecimento, gestão da
informação, tecnologias da informação e comunicação, inovação
tecnológica, estrutura organizacional, e prospecção e monitoramento da
informação.
Para as organizações é fundamental que as informações do ambiente interno e externo
sejam monitoradas, gerenciadas e disseminadas a fim contribuir para a inteligência
organizacional. Assim, as bibliotecas e/ou unidades de informação podem desempenhar um
papel importante neste processo nas instituições em que estão inseridas e em seu próprio
ambiente, a fim captar e otimizar recursos, desenvolver e/ou aprimorar seus produtos e
serviços para melhor atender seus usuários.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
Para entender a produção de conhecimento resultante do desenvolvimento de
pesquisas, foram utilizados estudos métricos no intuito de estabelecer ou fortalecer
indicadores e melhor conhecer a comunidade em estudo. A Bibliometria é uma técnica que
permite, através da contagem de termos e expressões recorrentes em textos pré-estabelecidos,
a extração de informações objetivas e quantificáveis que, organizadas em listas de frequência
ou rankings, fornecem as bases para gerar indicadores sobre determinado tema, área, região
ou situação em estudo. Descrita como uma técnica de análise quantitativa e interdisciplinar,
gera indicadores que subsidiam o direcionamento estratégico, medem a disseminação da
informação, auxiliam nas tomada de decisão bem como na formulação de políticas
(PENTEADO FILHO et al., 2002; FARIA et al., 2011).

1229

�Utilizando os critérios abrangência (cobertura de áreas e períodos), qualidade e
confiabilidade das informações, optou-se por utilizar a base de dados Scopus, da empresa
Elsevier. Esta possui resumos e referências bibliográficas da literatura científica e é
considerada a maior base nesse segmento, com mais de 21 mil títulos. Para recuperar os dados
a serem analisados, planejou-se uma expressão de busca que contemplasse todas as possíveis
formas de se referir ao tema na base, resultando na seguinte:

ALL=("competitive intelligence" OR "information intelligence" OR
"organizational intelligence" OR "competitive technical intelligence")
AND librar*

Utilizando-se a opção busca avançada e compreendendo todo o período da base, foram
recuperados 714 registros bibliográficos. Para o tratamento bibliométrico, utilizou-se o
software VantagePoint versão 5.0, desenvolvido pelo grupo de pesquisa Technology Policy
and Assessment Center do Georgia Institute o f Technology, nos Estados Unidos. Uma
ferramenta analítica-flexível de mineração de textos, usada para transformar informação em
conhecimento extraído de bases de dados e que pode ser configurada em qualquer tipo de base
de dados estruturada em texto (VANTAGE POINT, 2014).
Finalmente, para representar os resultados, utilizou-se o Microsoft Excel na elaboração
de gráficos e listas. Com isso, a pesquisa caracteriza-se como sendo exploratória e descritiva
(COLLINS; HUSSEY, 2005).
Para verificar o uso da inteligência organizacional no Sistema de Bibliotecas da
Universidade Federal do Amazonas - UFAM (SISTEBIB - UFAM) foi aplicado um
questionário perguntas abertas e fechadas durante a reunião mensal dos diretores das Divisões
que fazem parte da Biblioteca Central, sendo estes, os principais tomadores de decisão do
Sistema. Subsequente, realizou-se a tabulação, análise e a representação gráfica.

4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
A evolução da produção científica pode ser verificada na Figura 1. Nota-se que a
quantidade de documentos aumentou exponencialmente com o passar do tempo, saltando de
10 artigos entre os anos 1985-1993 para 65 entre 1999-2003 e 358 no último período 2009­
2013.
Conforme Martinet e Marti (1995 apud MENEZES, 2005) a inteligência competitiva
começou a ser aplicada por volta das décadas de 70-80, obtendo maturidade no início do

1230

�século XXI. No Brasil, as atividades iniciam apenas durante a década de 1990, sendo que a
Associação Brasileira de Analistas de Inteligência Competitiva (ABRAIC) criada em 2000,
adota como marco inicial o Curso de Especialização em Inteligência Competitiva (CEIC) em
1997 no Rio de Janeiro (MENDES; MARCIAL; FERNANDES, 2010 apud ASSOCIAÇÃO
BRASILEIRA DE ANALISTAS DE INTELIGÊNCIA COMPETITIVA, 2014).

Figura 1: Evolução da produção científica

Fonte: Pequisa dos autores

Desta forma, as atividades de IC iniciam por volta das décadas de 70 e 80, o que
justifica as primeiras produções cientificas a partir de 1985, com a disseminação da área no
mundo e a formação dos primeiros profissionais, nota-se o aumento da produção a partir do
século XXI. Araújo Júnior, Perucchi e Lopes (2013, p. 57) afirmam que
o crescimento da pesquisa científica no âmbito da análise organizacional tem
rompido com o paradigma proposto pelas teorias clássicas e remodelado a
visão de executivos e pesquisadores. Com isso, os temas relacionados à
inteligência competitiva e gestão do conhecimento trazem um aumento
significativo das publicações científicas, fenômeno que alimenta o conceito
de explosão da informação.
Conforme está apresentado na Tabela 1, aproximadamente metade das publicações são
artigos, 36% são documentos oriundos de conferências e 9% são revisões.

1231

�Tabela 1 - Tipologia dos documentos
Tipo de publicação
Artigos
Conferência
Revisões
Livros
Capítulos de livros
Editoriais
Fonte: Pesquisa dos autores

Qtde.
355
260
63
21
9
3

%
49,72
36,41
8,82
2,94
1,26
0,42

O levantamento sobre a contribuição dos países para as publicações científicas
relacionadas à inteligência organizacional aplicada às bibliotecas apontou 82 países com ao
menos uma publicação no tema. Por intermédio da Figura 2 é possível verificar o ranking dos
dez primeiros.

Figura 2: Principais países

Fonte: Pequisa dos autores

Quem lidera o ranking mundial é os Estados Unidos, responsável por quase 30% dos
documentos publicados. Tradicionalmente, os periódicos desse país dominam as bases de
dados internacionais e por esse motivo, vale levar em consideração o mecanismo de
indexação, ou seja, por ser uma base norte-americana, natural que priorize as revistas norteamericanas.
A língua da produção e disseminação das pesquisas, resultante na produção científica,
é indicador relevante entre os cientistas e seu público. Quase a totalidade dos documentos

1232

�(96%) está redigida em inglês e, portanto, vale ressaltar que a base Scopus representa
essencialmente a ciência do primeiro mundo, publicada em idioma inglês e em periódicos de
alta reputação (SAYÃO, 1996). Na Tabela 2 apresenta-se o ranking dos dez principais
periódicos utilizados para publicação. Esse indicador é útil para se ter uma visão dos
principais periódicos científicos da área, sendo estas as fontes de disseminação de
conhecimento mais utilizadas pelos pesquisadores, consolidando-se cada vez mais como um
canal de comunicação científica.

Tabela 2 - Título das principais revistas
Título da revista
Lecture Notes in Computer Science Including Subseries Lecture Notes in
Artificial Intelligence and Lecture Notes in Bioinformatics
Journal of the American Society for Information Science and Technology
Decision Support Systems
Annual Review of Information Science and Technology
Journal of Information Science
ACM International Conference Proceeding Series
Expert Systems with Applications
Scientometrics
Applied Mechanics and Materials
Proceedings of the European Conference on Knowledge Management Eckm
Fonte: Pesquisa dos autores

Qtde. de documentos
22
13
13
10
9
8
8
8
7
7

Baseado na análise de co-ocorrência das palavras chave utilizadas na indexação das
publicações, a Figura 3 apresenta os principais termos que descrevem o conteúdo dos
documentos. Este indicador oferece novas oportunidades para a validação dos estudos
quantitativos sobre a estrutura e o desenvolvimento do tema (CALLON, LAW, RIP; 1985).
Percebe-se que os temas coligidos apontam para uma forte interdisciplinaridade,
característica recorrente da ciência da informação (ARAÚJO JÚNIOR, PERUCCHI, LOPES;
2013).

1233

�Figura 3 : Principais palavras chave

Fonte: Pequisa dos autores

O uso da inteligência organizacional em bibliotecas começa a crescer a partir do
século XXI (Figura 1), difundido principalmente nos Estados Unidos (Figura 3), o Brasil
ainda apresenta poucas produções científicas relacionadas ao tema, uma vez que a inteligência
organizacional é pouco aplicada nas unidades de informação no país. Fator que pode estar
relacionado ao desconhecimento ou conhecimento superficial da área, como pode ser
observado na Figura 4, na qual 67% dos gestores do Sistema de Bibliotecas da Universidade
Federal do Amazonas (SISTEBIB - UFAM) conhecem superficialmente a inteligência
organizacional. Ademais, 67% dos profissionais obtiveram conhecimento sobre o tema por
meio da internet e 33% a partir da participação em evento.
Figura 4: Bibliotecários do SISTEBIB - UFAM que conhecem a inteligência
organizacional

Apesar de 67% dos gestores do SISTEBIB conhecerem superficialmente a inteligência
organizacional, 89% consideram que ela é importante para o Sistema (Figura 5). Para as
organizações, assim como para as bibliotecas é de suma importância que as informações do

1234

�ambiente interno e externo sejam monitoradas, gerenciadas e disseminadas com o intuito de
subsidiar as decisões dos gestores.

Figura 5 : Necessidade da inteligência organizacional para o SITEBIB - UFAM

■ Não
■ Sim
■ Sem resposta

Fonte: Pequisa dos autores

Hoffmann (2011) afirma que as organizações possuem muitos e múltiplos desafios
relacionados ao seu ambiente de atuação, na qual, destaca o ambiente externo caracterizado
pelo mercado, tendo que lidar com concorrentes, fornecedores, consumidores, usuários, entre
outros; há o macro ambiente vinculado à economia, questões sociais, políticas, meio
ambiente, regulatórias e tecnológicas. Desta forma, a fim de superar esses desafios, tem-se
utilizado o monitoramento de informação e a inteligência competitiva
[...] que possibilita compreender as atividades da concorrência, as tendências
setoriais, o mercado em geral e a macroeconomia, etc. Também, possibilita
de forma adequada, planejar, organizar, alocar recursos (humanos,
informacionais, financeiros, tecnológicos, naturais), controlar, dirigir, liderar
e motivar as pessoas, ou seja, investir esforços para atingir seus objetivos
(HOFFMANN, 2011, p.131)
Assim, para qualquer organização, ter as informações do ambiente interno e externo
monitoradas contribui para captação e otimização de recursos, desenvolvimento e/ou
aprimoramento de produtos e serviços para seus usuários.
O SITEBIB - UFAM não possui um setor exclusivo para coletar, organizar e
disseminar as informações internas e externas. Conforme a pesquisa realizada, normalmente,
cada setor é responsável por buscar as informações que necessita, por conseguinte, pode
ocorrer de informações importantes para tomada de decisão dos gestores não serem
compartilhadas ou cada divisão buscar a mesma informação, gerando retrabalho.

1235

�Conforme Rodrigues e Ricardi (2007 apud ZUQUETTO; BELTRAME, 2012, p. 8-9)
a inteligência competitiva (IC) pode apresentar o estágio de maturidade nas organizações em
cinco fases, sendo estas:

Quadro 1 - Estágio de maturidade em Inteligência Competitiva
Definição

Fases

“Sem norma ou estrutura definida. Nenhuma experiência em IC.
Existência de infra-estrutura de TI, mas não orientada para IC.”
“Pouca experiência em IC. Os elementos constituintes estão criados
Fase 2 - Formal
e os processos de funcionamento estão definidos. Elementos não
funcionam integrados.”
“Incorporado e praticado. Experiência moderada de IC. Equipes
Fase 3 - Disciplinado
observam procedimentos e padrões definidos. Elementos
constitutivos funcionam de forma integrada. Empreendedorismo e
informação são incipientes.
“Avaliado para desempenho. Experiência em IC consolidada.
Fase 4 - Contralado
Parâmetros e indicadores de desempenho definidos. Auditoria e
avaliação do retorno da IC. Inovação é sistematizada.”
“Ampliado e aperfeiçoado. Forte experiência em IC. IC suporta os
Fase 5 - Otimizado
processos decisórios e de inovação estratégica. Forte
empreendedorismo corporativo.”
Fonte: Rodrigues e Ricardi (2007 apud ZUQUETTO; BELTRAME, 2012, p. 8-9)
Fase 1 - Informal

Verifica-se, desta forma, que o SISTEBIB - UFAM encontra-se na primeira fase no
estágio de maturidade em IC, onde não há normas e estrutura definida e experiência. Desta
maneira, é necessário trabalhar a cultura organizacional, estrutura, envolver a alta direção,
funcionários, entre outros, com o intuito de chegar até o estágio 5 de maturidade em IC, onde
há forte experiência em IC e esta realmente contribua para os processos decisórios do
Sistema.
Ademais, as atividades de inteligência organizacional nas bibliotecas universitárias
tem a função de (BARBALHO; MARQUEZ, 2008, p. 12-13):
- Determinar o que o gestor da biblioteca universitária necessita e mais
concretamente, o que ele valoriza;
- Monitorar o ambiente que cerca a universidade e, em especial, o da
biblioteca universitária;
- Monitorar e prospectar ambientes de ação para a biblioteca universitária;
- Analisar os fatores que podem ser considerados concorrentes aos serviços e
produtos oferecidos pela biblioteca universitária;
- Identificar fornecedores e distribuidores;
- Determinar o que os usuários desejam;
- Identificar onde os conhecimentos ou a tecnologia podem ser obtidos para
satisfazer as necessidades e os desejos dos usuários.

1236

�Neste sentido, a inteligência organizacional aplicada às bibliotecas universitárias
contribuirá para a melhoria continua de seus produtos e serviços, captação de recursos,
identificação de novas oportunidades, aprender sobre as novas tecnologias, produtos e
processos que podem afetar suas atividades, assim como, as mudanças políticas, legislativas e
regulatórias que impactam na biblioteca universitária.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
À medida que se vivencia o século XXI, a gestão do conhecimento e inteligência
organizacional tornam-se, cada vez mais, parte integrante de qualquer negócio. O
monitoramento contínuo do ambiente externo (concorrentes, clientes, fornecedores, novas
tecnologias, novos produtos, etc.) deve tornar-se parte do processo de gestão estratégica das
bibliotecas. É dessa forma que elas conseguirão manter um aprimoramento contínuo que
permitirá que se mantenham competitivas em um ambiente que exige respostas cada vez mais
rápidas às constantes mudanças ambientais (BARBALHO, MARQUEZ; 2008).
A pesquisa realizada mostrou que a literatura relacionada à inteligência organizacional
aplicada às bibliotecas universitárias ainda é pequena no Brasil. Desta maneira, são poucas as
iniciativas neste sentido, apesar da inteligência competitiva ser bastante difundida nas
empresas.
No SISTEB-UFAM o monitoramento de informações estratégicas para tomada de
decisão é realizado de maneira isolada, apesar de seus gestores compreenderem a importância
da inteligência organizacional, mostrando a necessidade de sistematizar a inteligência
organizacional para o Sistema, a fim de dar suporte para os principais tomadores de decisão,
minimizando as incertezas e surpresas.
Neste estudo, não há pretensão de esgotar a análise do tema, mas, sim, de demonstrar a
importância do tema. Investigações posteriores podem trazer mais subsídios para a
compreensão do desenvolvimento dessa área.

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&lt;http://www.thevantagepoint.com/&gt;. Acesso em: 26 fev. 2014.
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http://ojs.fsg.br/index.php/globalacademica/article/viewFile/87/97&gt;. Acesso em: 10 jan. 2014.

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              <text>Inteligência Organizacional e Competitiva caracterizam-se como a capacidade de uma corporação reunir informação, inovar, criar conhecimento e atuar efetivamente baseada no conhecimento que foi gerado. O objetivo deste estudo é verificar o contexto da produção científica atrelada à inteligência organizacional aplicada às bibliotecas, assim como, avaliar a inteligência organizacional no Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal do Amazonas (SISTEBIB-UFAM). Por meio de uma pesquisa exploratória e descritiva, aplicando-se técnicas métricas de bibliometria, os 714 registros bibliográficos recuperados na base de dados Scopus foram tratados com o software VantagePoint e representados graficamente com o Microsoft Excel. Aplicou-se, ainda, um questionário com os principais gestores SISTEBIB a fim de verificar o uso da inteligência organizacional no Sistema. Dentre os resultados, destaca-se o exponencial crescimento ao longo dos últimos anos, a notória quantidade de documentos publicados como artigos científicos e a contribuição do Brasil no levantamento dos dez principais países que publicam sobre o tema. Contudo, a inteligência organizacional é pouco conhecida e usada nas bibliotecas brasileiras, 67% dos gestores do SISTEBIB conhecem superficialmente a inteligência organizacional, todavia, 89% consideram que ela é importante para o Sistema. Assim, o estudo contribui para orientar as tomadas de decisões para implantação efetiva da inteligência organizacional no SISTEBIB, uma vez que acreditase que venha a colaborar significativamente para os serviços e produtos que antecipem e satisfaçam as necessidades locais.</text>
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