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                  <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

GESTÃO DA BIBLIOTECA UNIVERSITÁRIA: ANÁLISE COM BASE NOS
INDICADORES DE AVALIAÇÃO DO MEC

Maria de Souza Lima Santos
Luiz Cláudio Gomes Maia
RESUMO
O estudo visa analisar a gestão da biblioteca universitária considerando os instrumentos de
avaliação das condições de oferta de cursos de graduação utilizados pelo Ministério da
Educação (MEC). A investigação foi realizada por meio de entrevistas semiestruturadas e
analisadas de forma descritiva, por meio de um estudo de caso a partir do qual se buscou
interpretar as informações, tendo como base o referencial teórico que norteou o
desenvolvimento da pesquisa, com os gestores das bibliotecas e com os bibliotecários
gerentes de atendimento. Procurou-se compreender se os indicadores de avaliação do MEC
são utilizados como mecanismos de gestão que visam o melhor desempenho da biblioteca e,
consequentemente, atuam como facilitadores das condições de ensino em suas práticas de
aquisição de recursos informacionais. Os resultados apontam que há uma homogeneidade
acerca do processo de avaliação e que a biblioteca precisa definir, junto ao corpo docente, e a
administração da Instituição, uma Política de Formação de Acervo que deverá orientar o
processo de aquisição de materiais bibliográficos nos diversos formatos, tanto para cursos
existentes quanto para novos. Contribuindo, dessa forma, para um melhor atendimento às
novas diretrizes estabelecidas pelo MEC e, consequentemente, resultando em melhorias para a
biblioteca universitária.
Palavras-chave: Bibliotecas universitárias. Administração. Avaliação.
ABSTRACT
This study aims to analyze the management of the university library taking into account the
evaluation tools established by the Ministry of Education (MEC) for evaluating the quality of
the undergraduate courses. The research was carried through semi-structured interviews and
analyzed descriptively, through a case study which sought to interpret the information, based
on the theoretical framework that guided the development of the research, with the libraries
managers and the manager librarians service. We sought to understand whether the MEC
evaluation indicators are used as management mechanisms that favor the best performance of
the library and thus work as facilitators of the teaching conditions during the purchase process
of informational resources. Results show that there is a uniformity in the evaluation process
and that the library needs to define, together with the faculty, and the Administration of the
Institution, a Collection Education Policy that should guide the purchase process of
bibliographic materials in various formats for both existing and for new courses. Contributing
thus to comply with the new guidelines established by the MEC and hence resulting in
improvements to the university library.
Keywords: University Libraries. Management. Evaluation.

1030

�1 INTRODUÇÃO
A avaliação do ensino está cada vez mais sendo adotada no ambiente das
universidades, fazendo com que essas instituições se estruturem e passem a atender ou a criar
novos produtos e serviços com qualidade. Dias Sobrinho (2002) reforça que a avaliação é um
instrumento de medida e controle que responde às expectativas de eficiência e produtividade
que os Estados controladores têm a respeito da educação superior. Almeida (2000) considera
a avaliação como um processo contextualizado no ciclo administrativo, cujas funções têm, no
planejamento, o início de quais resultados se deseja atingir. Assim, a avaliação institucional
representa a aplicação dessa teoria no ambiente organizacional da universidade e também na
biblioteca.
Os processos de avaliação institucional no âmbito das IES têm despertado, nos
profissionais bibliotecários, uma preocupação com a definição de um conjunto de dados
estatísticos - incluindo tipo, formas de obtenção, métodos e processos de coleta desses dados
para fins de avaliação dos serviços prestados pelas bibliotecas universitárias. Afinal, avalia-se
com o objetivo de analisar o cumprimento de algo planejado. De acordo com Almeida (2000),

A principal função da avaliação é produzir conhecimentos relativos à
unidade de informação, a organização em que esta se situa e a seu ambiente,
para servir de subsídio ao planejamento tanto na fase de elaboração do plano,
programa ou projeto, quanto na fase de implementação das ações. A
avaliação possibilita a escolha certa, ou seja, a correta definição dos
objetivos no momento da concepção do plano. Na implementação do plano,
produz informações que contribuem para a maior produtividade e para a
melhoria da qualidade. No final do processo, permite comparar resultados
esperados e conseguidos, conhecer o nível de satisfação do público-alvo e os
efeitos do planejamento na unidade de informação, na organização e no
ambiente. (ALMEIDA, 2000, p. 11).
A avaliação das condições de ensino, que têm exigências específicas em relação às
bibliotecas, é regulamentada pelo Decreto n° 5.773, de 9 de maio de 2006, que dispõe sobre a
organização do ensino superior, a avaliação de cursos e instituições, entre outras providências.
Os critérios de avaliação utilizados pelo MEC mostram o quanto esses processos de
avaliação devem servir não apenas para identificar problemas, mas também para buscar
alternativas de solução. Para Klaes e Pfistcher (1994), a avaliação deve ser entendida como
um processo com instrumentos, objetivos, critérios e metodologia previamente definidos e
nunca como tendo um fim em si mesmo.
Os bibliotecários, por sua vez, devem estar cientes das exigências do MEC para a
composição e atualização dos acervos no que se refere à qualidade e à quantidade mínima de

1031

�títulos e exemplares. No que diz respeito à quantidade, deve ser determinado um percentual
de exemplares destinados à literatura básica e outro para a literatura complementar. A regra
diz respeito também à assinatura dos periódicos científicos.
A avaliação da biblioteca no contexto da gestão na universidade é de grande
importância, pois ela não se resume em apenas quantificar os serviços oferecidos. É preciso
mensurar os dados quantificados visando à melhoria da biblioteca para que ela possa atender
às necessidades da comunidade acadêmica e firmar-se como órgão necessário dentro da
universidade.
O objetivo deste artigo é compreender como os gestores do Sistema de Bibliotecas da
UFG (Sibi/UFG) utilizam os indicadores de avaliação do MEC durante o processo de
aquisição de recursos informacionais além de analisar como os gestores utilizam esse
instrumento.

2 GESTÃO NAS UNIVERSIDADES PÚBLICAS BRASILEIRAS
A trajetória do sistema educacional no Brasil está associada ao tripé herança cultural,
evolução econômica e estruturação do poder político do Estado brasileiro. Segundo Alves e
Passador (2011), esses três aspectos refletem na educação sob a forma de avanços e
retrocessos.
Segundo Malback Neto (2007), a primeira expressão legal de valorização da gestão
universitária é de 1931, através do Estatuto da Universidade Brasileira, durante reforma
implementada por Francisco Campos que orientava a estruturação das universidades com
padrões determinados pelas políticas públicas. O Governo Federal era o detentor do controle
de qualidade da educação superior, fosse ela ministrada em instituição pública ou privada.
A tipologia das IES no Brasil foi redefinida pela LDBEN (Lei n° 9.394/1996) e pelos
decretos n° 3.860/2001 e 2.406/1997, trazendo inovações para o sistema de ensino superior,
principalmente quanto à natureza e dependência administrativa. A LDBEN introduziu
importantes diretrizes no sistema, como as avaliações sistemáticas dos cursos de graduação e
das próprias instituições de ensino, que passaram a realizar ou passar por avaliações
periódicas que subsidiam os atos autorizativos de cursos - que incluem autorização,
reconhecimento e renovação de reconhecimento - , dando transparência aos dados sobre a
qualidade da educação superior para a sociedade.
As universidades públicas ocupam posição fundamental no cenário acadêmico
nacional, detendo papel estratégico no processo de desenvolvimento científico e tecnológico
do País. Elas têm como objetivos principais desenvolver, disseminar e socializar o

1032

�conhecimento humano. E a sociedade espera que as universidades contribuam para que o País
enfrente com êxito os desafios que lhes são apresentados rumo ao desenvolvimento social,
econômico e cultural, de acordo com Soares (2002).
Stallivieri e Marcelino (2008) afirmam, ainda, que a gestão universitária brasileira
atravessa um período de intensa profissionalização, envolvendo dimensões de ordem
econômica e mercadológica, o que impõe aos seus gestores o conhecimento de uma estrutura
normativa mais eficiente e mais voltada para o cidadão - que passa a ser visto como cliente. O
processo enfatiza também a eficácia e a economia nos gastos públicos, concebendo, assim, a
ideia de que a gestão é importante. Para atender a essa nova demanda, são utilizados
instrumentos e padrões de desempenho e de qualidade, bem como medidas de avaliação,
tendo como objetivo principal o de atingir a excelência nos serviços públicos.
Como em qualquer organização, a universidade requer um planejamento que melhor
atenda aos seus objetivos. Dessa forma, Stallivieri e Marcelino (2008) observam que o
planejamento deve ser visto como um documento de constantes consultas e norteador do
desenvolvimento das atividades da universidade, sendo ainda necessária a delegação de
autonomia e responsabilidade relacionados aos investimentos a serem efetuados no processo.
Os autores citados ressaltam que a dependência das Instituições Federais de Ensino Superior
(IFES) relacionada aos recursos para investimentos ou financiamento é fator responsável pela
existência de amarras no que tange à autonomia e gestão universitária quando se fala da rede
pública de ensino superior.
Amaral (2003) pontua que é necessário modernizar as instituições. O autor destaca
também que a profissionalização da gestão deve estar voltada às necessidades básicas para a
sobrevivência das instituições. Nesse contexto, um gestor adequado à pós-modernidade, era
da informação e da incerteza, buscará promover um ambiente de trabalho pautado no
comprometimento e na integridade.

3 GESTÃO NAS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS
No Brasil, o marco da biblioteca universitária se deu em 1968, com a Reforma
Universitária, que reestruturou o ensino superior, redefiniu seus objetivos e propiciou, de
forma indireta, maior racionalidade à biblioteca universitária. As bibliotecas não foram
contempladas pela Reforma Universitária; porém, esse documento abriu novos caminhos para
elas ao definir as atividades de ensino, pesquisa e extensão. A definição dessas atividades
demanda a existência de bibliotecas organizadas para atender a clientela da universidade nos
níveis de graduação e de pós-graduação. Ferreira (1980) afirma que

1033

�Assim como a universidade deve estar voltada para as necessidades
educacionais, culturais, científicas e tecnológicas do País, as bibliotecas
devem trabalhar visando a esses mesmos objetivos, condicionadas que são às
finalidades fundamentais da universidade. Por isso, as bibliotecas devem
participar ativamente do sistema educacional desenvolvido pela
universidade. Do mesmo modo que não há sentido em universidades
desvinculadas da realidade sócio-econômica, as bibliotecas universitárias só
poderão ter sentido se estiverem em consonância com os programas de
ensino e pesquisa das universidades a que pertencem. (FERREIRA, 1980, p.
7).
De maneira semelhante nas questões de cunho administrativo, Lima (1978) contribui
afirmando que o planejamento da biblioteca deve ser sistêmico, considerando o ambiente do
qual faz parte. O autor defende que não se pode pensar em planejamento de biblioteca
universitária sem se considerar os planos, objetivos e metas das instituições às quais ela está
inserida. No entanto, historicamente não é isso que se verifica. Para Lima (1978),
A falta de objetivos definidos para o ensino universitário provocou, no
Brasil, idêntica indefinição dos objetivos de suas bibliotecas. Estatutos e
regimentos aludiam, é certo, e sempre de maneira vaga e imprecisa, às
finalidades das Instituições e ao papel que a biblioteca deveria desempenhar
como suporte às atividades da escola ou faculdade a que pertencia. (LIMA,
1978, p. 12).
Oliveira (2010) ressalta que a biblioteca universitária deve servir de apoio aos
conteúdos ministrados em cada curso oferecido pela instituição na qual está inserida, os quais
devem estar devidamente descritos nos PPCs. A biblioteca universitária deve também
oferecer suporte à investigação técnico-científica, sempre apoiando o tripé ensino, pesquisa e
extensão.
A questão da aquisição de publicações em atendimento aos PPCs pelas bibliotecas é
vista como um processo difícil, principalmente pelos entraves burocráticos no processo de
compra de material bibliográfico. Ferreira (1980) alega que
Pode-se sentir que, de fato, o orçamento é um dos pontos de estrangulamento
das bibliotecas universitárias, responsável por muitos de seus problemas de
acervo, pessoal, material e equipamento e instalações. Por outro lado, esses
orçamentos, muitas vezes, são fragmentados por bibliotecas que terminam
sem poder, de fato, realizar algo com verba tão irrisória. Um orçamento
global para o sistema bibliotecário de uma universidade, a ser movimentado
pela biblioteca central, parece ser a medida mais racional e econômica. Há,
inclusive, com respeito a orçamento, outros problemas como fato de algumas
bibliotecas não constituírem unidade orçamentária, o que faz com que elas
não saibam com quanto podem contar para a sua programação. E também a
biblioteca não participa da elaboração do orçamento do programa.
(FERREIRA, 1980, p. 75).

1034

�Segundo Ramos (1999), a avaliação deve se basear em princípios voltados para a
filosofia da qualidade, por meio do diagnóstico da biblioteca, com a identificação de
indicadores de avaliação e de qualidade e das ferramentas utilizadas para a gestão da
biblioteca universitária em todos os seus aspectos.

4 SISTEMA NACIONAL DE AVALIAÇÃO DA EDUCAÇÃO SUPERIOR (SINAES)
A questão da avaliação institucional nas universidades brasileiras foi inicialmente
discutida pelo movimento dos docentes, coordenado pela Associação Nacional dos Docentes
do Ensino Superior (ANDES), em 1982. Em 1983, surgiu a primeira proposta de avaliação da
reforma universitária (PARU), com a concepção de que a avaliação deveria ser utilizada como
forma de as IES prestarem contas dos recursos recebidos e justificarem os investimentos
aplicados. O Grupo Executivo para a Reformulação da Educação Superior (GERES), criado
pelo MEC em 1986, visava a reestruturação do ensino superior e tinha como objetivo dar
continuidade às propostas elaboradas pela Comissão Nacional para Reformulação da
Educação Superior (CONAES), criada em 1985. O processo de avaliação deveria, segundo o
GERES, contemplar duas vertentes básicas: a avaliação do desempenho institucional e a
avaliação da qualidade do curso oferecido.
Em 1996, o Governo Federal, em busca do nivelamento da qualidade de oferta da
educação superior, instituiu nacionalmente o Exame Nacional de Cursos, popularmente
conhecido por Provão. O instrumento servia para avaliar as condições de ensino e também
para a avaliação destinada ao credenciamento das IES. O exame foi aplicado no período de
1996 a 2003 aos alunos concluintes dos cursos de graduação. Apesar de gerar polêmicas, o
Provão provocou mudanças nas IES, como reformulações em seus currículos e mudanças
administrativo-pedagógicas (BRASIL, 2012).
A partir do ano de 2002, foi institucionalizada a visita de uma comissão de avaliadores
do MEC às IES, a qual tem por função verificar as condições relacionadas ao ensino, à
pesquisa, à extensão, à responsabilidade social, ao desempenho dos alunos, à gestão da
instituição, ao corpo docente e às instalações. Os avaliadores são incumbidos de verificar in

loco as condições da instituição, avaliando os cursos e autorizando ou não a criação ou
continuidade dos mesmos (BRASIL, 2004).
Em 2003, visando contribuir para o aprimoramento da qualidade da educação superior,
bem como do sistema educacional como um todo, o governo brasileiro passou a contar com o
Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior (SINAES). Criado pela Comissão
Nacional de Avaliação da Educação Superior (CONAES), o SINAES foi oficializado pela Lei

1035

�n° 10.861, de 14 de abril de 2004, e regulamentado pela Portaria MEC n° 2.051, de 9 de julho
de 2004.
Na tentativa de buscar cumprir suas finalidades, o SINAES apresenta como princípios
fundamentais: responsabilidade social com a qualidade da educação superior; reconhecimento
da diversidade do sistema; respeito à identidade, à missão e à história das instituições;
globalidade, isto é, compreensão de que a instituição deve ser avaliada a partir de um
conjunto significativo de indicadores de qualidade, vistos em sua relação orgânica e não de
forma isolada; e continuidade do processo avaliativo (BRASIL, 2004).
A avaliação institucional é, atualmente, uma questão de extrema importância e
relevância para a educação superior. Ela é considerada estratégica para a gestão institucional,
pois os resultados das avaliações permitem aos gestores tomar decisões para alcançar mais
qualidade institucional. A melhora institucional requer, contudo, conhecimento e análise da
realidade externa e interna da instituição (EYANG, 2004).

4.1 Indicadores de avaliação do MEC aplicados à biblioteca universitária
A biblioteca universitária, que se constitui como suporte ao ensino, à pesquisa e à
extensão nas universidades, possui a função de prover a infraestrutura bibliográfica,
documentária e informacional de apoio às atividades desempenhadas pela universidade. A
biblioteca está classificada na dimensão infraestrutura na metodologia do INEP para avaliação
dos cursos, como se pode ver na Seção II (Do Credenciamento e Recredenciamento de
Instituição de Educação Superior), Subseção I (Das Disposições Gerais) do Decreto n° 5.773,
de 9 de maio de 2006, e mais especificamente no item VII do artigo 16 do mencionado
decreto:
[...] VII - infra-estrutura física e instalações acadêmicas, especificando: a)
com relação à biblioteca: acervo de livros, periódicos acadêmicos e
científicos e assinaturas de revistas e jornais, obras clássicas, dicionários e
enciclopédias, formas de atualização e expansão, identificando sua
correlação pedagógica com os cursos e programas previstos; vídeos, DVD,
CD, CD-ROM e assinaturas eletrônicas; espaço físico para estudos e horário
de funcionamento, pessoal técnico administrativo e serviços oferecidos.
(BRASIL, 2006).
Para Vergueiro (1989), a política de formação de coleções deverá funcionar como
parâmetro que contribuirá para a tomada de decisão dos bibliotecários em relação à escolha
do material a ser incorporado ao acervo, seja por aquisição, doação ou por permuta. Nesse
sentido, o autor afirma sobre a política de formação de coleções:

1036

�Torna público, expressamente, o relacionamento entre o desenvolvimento da
coleção e os objetivos da instituição e a esta coleção deve servir, tanto por
causa da necessidade de um guia prático na seleção diária de itens, como
devido ao fato de ser tal documento uma peça-chave para o planejamento em
larga escala. (VERGUEIRO, 1989, p. 25).

4.2 Indicador Bibliografia Básica
A literatura básica ou bibliografia básica, como o nome já diz, é imprescindível para
que os alunos acompanhem o andamento das atividades acadêmicas, ou seja, em resumo, é
obrigatória. Está descrita nos planos de ensino e deve fazer parte da coleção de qualquer
biblioteca, devendo ser atualizada, adequada, pertinente e com relevância acadêmicocientífica.

4.3 Indicador Bibliografia Complementar
A biblioteca precisará formar seu acervo também para a bibliografia complementar.
Esse acervo é composto por materiais informacionais essenciais à complementação e
atualização voltados para a pesquisa e o ensino nas várias áreas do conhecimento e indicados
nos planos de ensino. É composto por registro de documentos, livros, inventários, escritos,
impressos ou quaisquer gravações que venham a servir como fonte para consulta, organizada
pela identificação de cada uma das obras que constitui a bibliografia, por meio de elementos
como o autor, o título, o local de edição, a editora e outros de caráter complementar.

4.4 Indicador Periódicos Especializados
São revistas especializadas, indexadas e correntes, sob a forma impressa ou virtual. As
revistas de cunho científico contêm artigos que foram submetidos a revisões de especialistas,
assegurando que esses artigos estão dentro dos padrões de qualidade e validade da publicação.
Para fins de reconhecimento e renovação de reconhecimento, prevalecem os conceitos
que variam de 1 (um) a 5 (cinco) para todos os indicadores.

5 MÉTODOS
Esta é uma investigação realizada por meio de uma abordagem qualitativa e descritiva
onde pretendeu-se descrever, por meio de um estudo de caso, a percepção e a contribuição de
cada um dos participantes envolvidos no processo de gestão da biblioteca em atendimento ao
processo avaliativo pelo MEC.

1037

�Foi utilizada uma amostragem não probabilística. A seleção do caso foi definida pelo
critério de acessibilidade, pelo fato dos pesquisadores desenvolverem suas atividades
profissionais no ambiente da pesquisa e por acompanhar tanto o processo de compra de
acervo quanto o processo de avaliação pelo MEC.
A referida pesquisa foi realizada no ambiente da Biblioteca Central (BC) e também
nas bibliotecas setoriais do Campus 1 e na Faculdade de Letras, sendo estas também em
Goiânia. As demais setoriais estão nos campi de Catalão, Goiás e Jataí, onde há duas
unidades, Riachuelo e Jatobá.
As entrevistas foram realizadas com 12 (doze) indivíduos, sendo 6 (seis) diretores de
bibliotecas e 6 (seis) gerentes de atendimento escolhidos por acessibilidade. Como
instrumentos de coleta de dados foram utilizados: a pesquisa bibliográfica e a entrevista
semiestruturada com os gestores e gerentes de atendimento envolvidos com a gestão da
biblioteca.
A pesquisa bibliográfica foi utilizada para a fundamentação da teoria metodológica do
trabalho e também em atendimento ao objetivo específico de se identificar a legislação de
avaliação do MEC aplicável à biblioteca universitária.

A entrevista semiestruturada foi

utilizada para a coleta de dados qualitativos, foi realizada uma entrevista com os sujeitos
participantes da pesquisa: bibliotecários (gestores e gerentes). O roteiro da entrevista
semiestruturada foi composto por dez perguntas básicas, a fim de se garantir a cobertura de
todos os pressupostos em estudo.
O tratamento dos dados da entrevista foi realizado de forma qualitativa, por meio da
análise, pela vivência do observador no ambiente da pesquisa e pelas revisões das
informações coletadas. O tratamento dos depoimentos dos entrevistados constou de três
etapas: a transcrição das entrevistas de forma fidedigna, a agregação dos dados, que foi o
conjunto de respostas, e a síntese. A agregação foi desenvolvida a partir do conjunto das
respostas, ou seja, a cada pergunta do roteiro de coleta de dados foram agregadas as respostas
dadas pelos entrevistados. A análise constituiu na filtragem das percepções mais significativas
dentro do enfoque estudado e, também, das exceções identificadas. Seguiu-se uma análise
descritiva, em que se buscou interpretar as informações tendo como base o referencial teórico
que norteou o desenvolvimento da presente pesquisa.
Segundo Bogdan e Biklen (2010), a entrevista é utilizada para recolher dados
descritivos na linguagem do próprio sujeito. Dessa forma, o roteiro da entrevista

foi

elaborado com base no referencial teórico. As questões que abordam a interação biblioteca e
unidade acadêmica foram elaboradas de acordo com a dissertação de Oliveira (2010).

1038

�As categorias de análise previamente definidas são: 1- instrumento de avaliação e a
gestão da biblioteca; 2- interação biblioteca e unidade acadêmica; 3- formação e atualização
do acervo em atendimento ao PPC e instrumento de avaliação; 4- recurso financeiro; 5divulgação.

6 APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS
Os tópicos apresentados a seguir referem-se às percepções que os gestores
bibliotecários entrevistados possuem sobre o instrumento de avaliação do MEC, bem como a
sua relação com a gestão da biblioteca universitária relacionada às atividades de ensino e
pesquisa. Buscou-se, nas entrevistas, perceber o entendimento e a importância que os gestores
têm do processo de avaliação externa das bibliotecas universitárias. Também suas opiniões a
respeito da ideia de o processo de avaliação ser um instrumento de gestão e, levando em conta
que a biblioteca é um órgão de informação, em quais aspectos relacionados ao ensino e à
pesquisa ela possa contribuir.

Categoria 1: Do conhecimento do Instrumento de Avaliação e do processo de
avaliação da biblioteca.
O processo de avaliação é um procedimento necessário e importante para a biblioteca
universitária, pois ele contribui na pontuação do curso junto ao MEC. Sobre o atual
instrumento de avaliação que é apresentado, ele se pauta exclusivamente por procedimento
quantitativo, demonstrando o caráter regulador do mesmo e não traduzindo em si as reais
necessidades e carências da biblioteca universitária. Os resultados advindos dos processos
avaliativos devem propiciar análises e mudanças efetivas nas bibliotecas.
Constata-se que todos os gestores entrevistados da amostra, doze (12) ao total,
conhecem o instrumento de avaliação do MEC e acreditam que, mesmo sendo uma avaliação
de caráter quantitativo, ela é de suma importância para o processo de avaliação da biblioteca.
O recorte de depoimentos a seguir ilustra esta percepção:

Conheço os instrumentos e os considero extremamente relevantes para a
avaliação da biblioteca universitária, especialmente porque servem como
norteadores do processo de desenvolvimento de coleções.

As opiniões dos gestores corroboram a visão de Ramos (1999), o qual comenta que a
avaliação deve se basear em princípios voltados para a filosofia da qualidade, com a
identificação de indicadores de avaliação enquanto ferramenta de gestão utilizada. Tais

1039

�opiniões mostram ainda que o instrumento de avaliação é um documento norteador para o
processo de formação e desenvolvimento de coleções da biblioteca universitária. Conforme
mencionado antes, Vergueiro (1989) reforça que, para a formação do acervo, seja por
aquisição, doação ou permuta, é necessário haver um parâmetro norteado para a tomada de
decisões nas bibliotecas.

Categoria 2: Da formação e atualização do acervo em atendimento ao instrumento de
avaliação.
Sobre essa questão, busca-se verificar a percepção dos gestores entrevistados sobre o
fato de a biblioteca orientar-se ou não pelos projetos pedagógicos ou planos de ensino dos
cursos de graduação, utilizando-os como fonte de informação para a formação e atualização
dos acervos da Sibi/UFG em atendimento ao instrumento de avaliação. A seguir, é
apresentado um depoimento acerca desse item.

Sim, a biblioteca deve estar sempre informada sobre os PPCs dos cursos
de graduação como fonte de informação para a formação e atualização dos
acervos do Sibi/UFG, já que seu propósito primeiro é servir de apoio ao tripé de
ensino, pesquisa e extensão. A biblioteca deve conhecer bem o público a que se
destina e suas necessidades para buscar suprir informacionalmente esse público.

No exemplo apresentado, percebe-se a importância do PPC, bem como seu impacto na
estrutura do instrumento de avaliação, que, segundo o INEP (BRASIL, 2012), é o documento
orientador de um curso que traduz as políticas acadêmicas institucionais com base nas
diretrizes curriculares nacionais (DCNs), sendo composto pela estrutura e conteúdo curricular,
ementário, bibliografia básica e complementar, recursos materiais, laboratório e infraestrutura
de apoio ao pleno funcionamento do curso. Oliveira (2002) reforça que a biblioteca
universitária deve servir também de apoio aos conteúdos ministrados, devidamente descritos
nos PPCs, o que respalda as opiniões dos entrevistados.
Por outro lado, durante as entrevistas surgiram algumas opiniões que refletem,
também, a dificuldade de alguns gestores em acompanhar as atualizações dos PPCs, como no
recorte a seguir.

“Sim, mas não somente, pois existe uma grande dificuldade de acessar e
atualizar os projetos pedagógicos na dinâmica de aula no contexto institucional ”.

1040

�Essa percepção dos gestores entrevistados reforça a figura do professor coordenador e
da importância do NDE. O professor coordenador do NDE deve ser o elo entre a unidade de
ensino e a biblioteca, sendo ambos corresponsáveis pela alimentação e retroalimentação das
bibliografias básicas e complementares e dos periódicos nos PPCs.

Categoria 3 : Do recurso financeiro.
A respeito dessa questão, busca-se verificar, a partir da percepção dos gestores
entrevistados, se eles consideram os recursos financeiros suficientes para a aquisição de
material informational, em atendimento ao instrumento de avaliação. A seguir, é transcrito
um dos julgamentos acerca deste item.

Não, ele não é suficiente pela quantidade de cursos e pela recomposição
ou formação do acervo pela bibliografia básica. Não é suficiente, precisa de ser
muito maior para que a biblioteca mantenha o acervo de todos os cursos pelo
menos quatro vezes do que é hoje para cumprir a quantidade solicitada e descrita
no instrumento do MEC.

No exemplo apresentado, percebe-se que os gestores entrevistados reconhecem que o
valor destinado a cada ano não é suficiente para se realizar a compra do material em
atendimento ao instrumento de avaliação do MEC. Essa percepção dos entrevistados reforça a
visão de Ferreira (1980) de que a questão da aquisição de publicações em atendimento aos
projetos pedagógicos pelas bibliotecas é um processo difícil por haver entraves burocráticos
na compra de material bibliográfico. E também pelo fato de que o orçamento é um dos pontos
de estrangulamento nas IFEs, responsável por muitos dos problemas nas instituições, entre
eles a desatualização de acervos bibliográficos.
O depoimento a seguir reproduz a opinião de dois dos entrevistados, que reconhecem
o esforço institucional na ampliação do recurso:

Reconheço o esforço da Instituição em garantir o recurso financeiro para
aquisição de material informacional, que a cada ano tem um reajuste, mas ainda
não é suficiente para garantir um acervo totalmente adequado.

Um dos entrevistados afirma que há, sim, um aumento nos recursos; porém, a
Universidade não possui uma preocupação sistematizada em primeiro criar a estrutura
necessária para depois criar um novo curso.

1041

�Não, apesar dos investimentos sistemáticos anuais desde 2000, pois se
verifica que a Universidade, na sua história, ao longo dos últimos anos, aprovou
diversos cursos sem estrutura adequada para o seu funcionamento. Houve uma
inversão, primeiro aprova e depois organiza a estrutura, fato que traz grandes
dificuldades para o ensino e também grandes problemas administrativos.

Stallivieri e Marcelino (2008) observam que a universidade, como qualquer outra
organização, requer um planejamento que atenda melhor aos seus objetivos diversos e
difusos, pois o planejamento deve ser um documento norteador do desenvolvimento das
atividades da universidade. Esse pensamento é reforçado por mais um dos gestores
entrevistados, que afirma:

A Universidade deve dar um suporte melhor para os cursos novos,
destinar um recurso maior; o que a gente percebe é que se cria o curso para
depois ver o que é preciso para ele funcionar e como a biblioteca é avaliada.
Chegam aqui tanto o professor quanto o aluno e não temos o básico para atendêlos, depois vem a avaliação e, portanto, somos mal avaliados, porque o que faltou
fo i o planejamento.

Categoria 4: Do papel da biblioteca universitária no desempenho dos cursos.
Nessa categoria, é abordada a relação entre o papel da biblioteca, o desempenho dos
cursos e também em quais aspectos ela, a biblioteca, pode contribuir. Constatou-se que as
opiniões foram praticamente homogêneas no sentido de que se referem ao apoio da biblioteca
ao ensino, à pesquisa e à extensão. Tais opiniões podem ser observadas e resumidas no
depoimento abaixo.

A função primordial de uma biblioteca universitária é dar suporte ao tripé
da instituição, que é o ensino, a pesquisa e a extensão. Dessa forma, a biblioteca
tem um importante papel nos cursos oferecidos pela instituição, pois ela será o
suporte acadêmico para que os alunos façam suas pesquisas, realizem seus
estudos de forma sistemática. Daí vem toda a importância de se ter acervos
condizentes com a realidade dos cursos, com que é ensinado e pedido em
pesquisa pelos docentes.

1042

�Quanto aos aspectos em que a biblioteca contribui, as respostas foram variadas em
diferentes segmentos. Confira a seguir uma delas.

Acho que a biblioteca pode contribuir capacitando os alunos no uso dos
recursos informacionais disponíveis, como cursos e treinamentos como, por
exemplo: treinamentos do Portal da Capes, curso de normalização bibliográfica,
entre outros.

Em ambos os aspectos, percebe-se a importância da biblioteca em parceria com os
cursos. Lubisco (2009) ressalta que as bibliotecas universitárias são importantes no processo
de formação dos indivíduos, pois elas assumem o papel de mediadores entre as novas
competências que são desenvolvidas no ambiente acadêmico e também atuam a favor do
conhecimento que a comunidade acadêmica demanda. Ainda de acordo com a autora citada,
as bibliotecas devem oferecer suporte à investigação técnico-científica, apoiando o tripé
ensino, pesquisa e extensão.

Categoria 5: Repasse, pela Universidade, do relatório final da avaliação de comissão
do MEC à biblioteca após a visita.
Um dos pontos importantes no processo de avaliação nas instituições de ensino é o
relatório final enviado pelos avaliadores à universidade após a visita in loco. Nele, estão as
percepções dos avaliadores sobre as dimensões avaliadas e os conceitos obtidos. Nesta
questão pode-se observar, diante da maioria das respostas, que a UFG não repassa o relatório
para a biblioteca. Esta lacuna leva ao pensamento de que a Instituição não considera que a
biblioteca possa contribuir de forma igual e decisiva, em relação a outras dimensões
avaliadas, com o processo de avaliação da qualidade da Instituição. A seguir, alguns
depoimentos colhidos nas entrevistas.

Não tenho conhecimento desse relatório final. Acredito que a partir desse
relatório, a biblioteca poderia compartilhar com as coordenações de cursos
quanto aos apontamentos referentes à composição do acervo e formular
estratégias para resolver as falhas.

1043

�Constatou-se que os gestores de duas das bibliotecas setoriais solicitaram o relatório à
Universidade para fazer uma avaliação do que foi pontuado pelos avaliadores, conforme
mostra a declaração a seguir:

Os relatórios são repassados pelos coordenadores quando a biblioteca
solicita. O diálogo acontece nas vésperas das avaliações. Quando algum curso é
mal avaliado, a coordenação do curso e a direção da unidade tomam as
providências necessárias para que a situação seja readequada. A biblioteca faz a
intervenção sempre que essa situação acontece para acompanhar e orientar
algumas ações.

Pelos depoimentos expostos, percebe-se que a interação entre a biblioteca e os
coordenadores de cursos é importante. Mas o que se percebe no todo é que há uma lacuna,
pois não é praxe sociabilizar o resultado das avaliações com a biblioteca. Entende-se que o
processo da avaliação perpassa pela posterior reflexão sobre os resultados avaliados. E que o
relatório final permite que se analise o que deve e pode ser melhorado, possibilitando também
propor mudanças efetivas na gestão da biblioteca.
Para Amorim (1992), a instituição de ensino deve instituir a cultura da avaliação,
envolvendo coletivamente todos os agentes inseridos no processo, o que não está sendo feito
na UFG, como se percebe a partir das entrevistas coletadas.

7 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Partiu-se do princípio de que os instrumentos de avaliação do MEC são importantes na
gestão da biblioteca universitária face ao processo de aquisição de material informacional no
intuito de corresponder às necessidades dos alunos dos cursos de graduação da UFG. O foco
da pesquisa desenvolvida foi o estudo de caso no Sistema de Bibliotecas da UFG, que reúne
algumas das principais bibliotecas universitárias da região, sendo referência no Estado de
Goiás.
A definição pelos gestores de biblioteca de diferentes campi da Universidade deu um
caráter especial à pesquisa, evidenciando a percepção e a vivência de cada participante nas
entrevistas. A percepção de cada gestor foi importante pelo nível de envolvimento com a
gestão da biblioteca e com o tema da avaliação, sendo estes também responsáveis diretamente
pelo acompanhamento dos avaliadores do MEC, por ocasião da visita in loco.

1044

�As entrevistas realizadas com os diferentes gestores envolvidos com a administração
das bibliotecas, e também com o processo de avaliação, foram imprescindíveis. Elas
permitiram que se verificassem os diferentes níveis de percepção sobre os temas abordados, o
que proporcionou maior abrangência a este estudo.
A análise das diferentes dificuldades detectadas nas entrevistas sobre os aspectos
organizacionais relacionados aos processos de avaliação fornece subsídios para se propor
ações articuladas entre a biblioteca, os coordenadores de cursos e a UFG, de forma
institucionalizada.
Um dos aspectos percebidos e manifestados pelos entrevistados foi a importância e a
necessidade que tem o gestor da biblioteca de conhecer o instrumento de avaliação e tê-lo
como ferramenta para a gestão na Universidade, principalmente pelo fato de que a biblioteca
está incluída no contexto da avaliação institucional. Tal inclusão perpassa a ideia de a
biblioteca atender às necessidades dos cursos da Instituição e que a sua avaliação tem impacto
em outros importantes indicadores, como o PDI, o PPC e o NDE. Dessa forma, a avaliação se
constitui em uma ferramenta capaz de propiciar melhorias para a biblioteca, sendo de grande
importância no momento de negociações com a administração superior para novos
investimentos.
No tocante ao aspecto da formação e atualização do acervo, em atendimento tanto ao
instrumento de avaliação quanto ao projeto pedagógico do curso, verificou-se que tais
processos são muito importantes para as bibliotecas e para a Instituição. Tal percepção é
compartilhada com todos os 12 (doze) gestores entrevistados, que reconhecem que a
biblioteca possui um importante papel na condição de recurso pedagógico. E que é seu papel
oferecer a quantidade necessária da bibliografia básica, a bibliografia complementar, a
assinatura de periódicos e também o acervo virtual aos cursos ministrados. Outro aspecto a
ser considerado, diante da diversidade de cursos e da dimensão da Universidade, é o desafio
da biblioteca de possuir os PPCs. E mais: atualizados. Por outro lado, a UFG deve colaborar
criando uma ferramenta capaz de facilitar, dar acesso e permitir interação, a todos os
interessados, aos PPCs e às bibliografias descritas em seus planos.
A questão da interação entre biblioteca e unidade de ensino é fundamental e a ideia foi
corroborada na pesquisa pelas manifestações dos entrevistados. A biblioteca deve trabalhar de
forma integrada com os setores pedagógicos, coordenadores de cursos, conselheiros da
biblioteca, professores e alunos, possibilitando, assim, a disponibilização de um acervo em
quantidade suficiente e com qualidade. Para que isso se concretize, é preciso que o
bibliotecário seja o elo entre todos os atores envolvidos no processo pedagógico. É preciso

1045

�que a biblioteca esteja sempre em conexão com os atores pedagógicos, evitando, assim, que o
contato entre eles ocorra somente no período de distribuição do recurso ou no período da
avaliação dos cursos.
Outro aspecto a ser considerado é o recurso financeiro, reconhecido institucionalmente
como não é suficiente para atender à demanda real dos cursos por material informacional.
Apesar de o valor ser acrescido a cada ano, tal prática não consegue atender ao que está
proposto no instrumento de avaliação. Um dos motivos é a própria dinâmica aplicada pela
Instituição no processo de ampliar a quantidade de vagas e/ou criar novos cursos. Apesar da
iniciativa de incrementar o recurso financeiro para os cursos a serem avaliados, ele é
insuficiente para atender a todas as disciplinas e a quantidade exigida. É imperativo que a
Instituição invista, em primeiro lugar, na montagem da estrutura adequada para, depois, dar
andamento à criação de novos cursos e/ou ampliar o número de vagas em cursos já existentes.
Em relação ao processo de divulgação de ações para o recebimento dos avaliadores e
ao resultado do processo avaliativo pela comissão de avaliadores, percebe-se que não há uma
sistemática na atitude da Instituição para com a biblioteca. Considera-se que é de suma
importância que a biblioteca seja inserida nas discussões e ações desenvolvidas pela
Universidade, em particular as que envolvem assuntos relativos à biblioteca.
Finalizando, pode-se dizer que este trabalho atingiu o objetivo proposto. A partir das
entrevistas realizadas com os gestores das diferentes bibliotecas do Sibi/UFG, foi possível a
análise das categorias propostas. Também foi confirmado que as categorias eleitas para a
pesquisa levantaram os pontos mais importantes, quando se fala em avaliação das bibliotecas,
e que esses pontos podem ser trabalhados institucionalmente para uma melhor avaliação da
biblioteca visando a atender melhor o que é solicitado no instrumento de avaliação do MEC.
O estudo permitiu também observar, de perto e detalhadamente, todos os aspectos do
processo avaliativo, tanto no contexto da biblioteca quanto da Universidade como um todo, o
que possibilitou verificar que a cultura da avaliação permeia a Instituição como um todo e que
pode contribuir para a qualidade do ensino e, consequentemente, para a Universidade.
Espera-se mostrar, com os resultados desta pesquisa, que os critérios de avaliação do
MEC devem servir não apenas para identificar problemas, mas para ir além, possibilitando
que os gestores das IES e os profissionais bibliotecários possam elaborar estratégias visando a
aquisição e atualização das bibliografias básicas e complementares dos cursos ministrados na
Universidade Federal de Goiás. Proporcionando, assim, a criação de um acervo bibliográfico
de excelente qualidade, que atenda efetivamente aos projetos pedagógicos e às necessidades
informacionais de toda a comunidade acadêmica.

1046

�Um dos fatores observados durante a pesquisa foi a necessidade de se estabelecer uma
parceria entre o órgão biblioteca, os coordenadores de cursos e a Instituição objetivando
viabilizar um sistema de informação gerencial capaz de agregar e sociabilizar todas as
informações dos PPCs e das bibliografias básicas e complementares. Recomenda-se, também,
que as bibliotecas universitárias procedam à avaliação de sua coleção, em atendimento ao
instrumento de avaliação e ao PPC dos cursos. Outra recomendação é que sejam realizadas
reuniões periódicas nas unidades acadêmicas, no intuito de firmar, onde houver, ou fortalecer
a parceria entre os atores do processo pedagógico.
Como este trabalho não é um fim em si mesmo, e não tem a pretensão de dar a palavra
final em nenhum dos assuntos abordados, sugere-se ainda que o estudo aqui proposto seja
ampliado. Ou seja, que a pesquisa seja realizada também nas bibliotecas universitárias
pertencentes às instituições privadas da região com a finalidade de verificar as práticas e
estratégias adotadas por elas.

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Ciência da Informação&#13;
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