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                  <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

DESAFIOS DO LIVRO ACESSÍVEL: INFORMAÇÃO PARA AS PESSOAS COM
DEFICIÊNCIA

Ricardo Quintão Vieira
Izete Malaquias da Silva

RESUMO
O presente relato de caso tem o objetivo de descrever a experiência de dez anos de dois
bibliotecários com livros acessíveis em um sistema integrado de 55 bibliotecas paulistanas.
As mudanças dos paradigmas das bibliotecas tem se refletido na recepção de pessoas com
deficiências pelas bibliotecas, refletindo nas proposições públicas do Ensino Superior. A
experiência dos autores indicou que a medida principal é estimular o empoderamento do
usuário, abrindo o leque de aquisição ou produção de livros físicos ou digitais, que sejam
mais compatíveis com as necessidades de pessoas com mobilidade reduzida, surdos,
deficientes intelectuais e visuais. Eles consideram que os livros estão migrando para formas
híbridas (visão, audição, tato e olfato), além de virtuais (computadores, tablets e
smartphones). Há muito que ser estudado e desenvolvido na área de livros híbridos para
atender diversos usuários, possibilitando melhor atendimento em bibliotecas.
Palavras-Chave: Acessibilidade; Desenvolvimento de Coleções; Livros Híbridos; Relato de
Caso.

ABSTRACT
This case report aims to describe the experience of ten years of two librarians with accessible
books in an 55 libraries’ integrated library system. Changes in the library paradigm has been
reflected in the reception of persons with disabilities, reflecting on the propositions in public
higher education. The experience of the authors indicated that the main measure is to
encourage the empowerment of the user opening the range of acquisition or production of
physical or digital books, which are more compatible with the needs of the handicapped, deaf
, visually and intellectual impaired persons. They consider that books are switching to hybrid
forms (combining vision, hearing, touch and smell), and virtual (computers, tablets and
smartphones). There is much to be studied and developed in the area of hybrid books to suit
different users, enabling better service in libraries.
Keywords: Accessibility; Collection Development; Hybrid books; Case Report.

946

�1 INTRODUÇÃO
As mudanças de paradigma das bibliotecas e do objeto de trabalho de seus
profissionais fizeram com que as necessidades dos usuários fossem colocadas como
prioridade em relação ao acervo (LE COADIC, 2004), possibilitando que mais pessoas
pudessem ser acolhidas e atendidas nessa estrutura social, incluindo as pessoas com
deficiência.
O objetivo desse trabalho é compartilhar um relato de caso de experiência de dois
bibliotecários de um sistema de 55 bibliotecas do Estado de São Paulo, que trabalham há dez
anos com o livro acessível, fruto da convivência diária e direta com as necessidades trazidas e
relatadas pelos próprios usuários com deficiência.
Essa experiência demonstrou que o livro tradicional impresso em tinta e papel é um
formato popular que atende diversos públicos, mas que pode excluir usuários com deficiência,
principalmente aqueles com dificuldade de manipulação manual, surdos, deficientes
intelectuais e visuais.

2 REVISÃO DE LITERATURA
Como base nessa discussão, a acessibilidade pode ser interpretada como facilitadora
do acesso, diminuindo barreiras sensoriais como “incapacidade de ver, ouvir” ou “dificuldade
visual para ler ou compreender textos” (ACESSIBILIDADE BRASIL, 2014). Esse problema
está no cerne dos serviços bibliotecários e tem movimentado discussões importantes no
cenário nacional.
Esse reflexo pode ser sentido inclusive nas bibliotecas universitárias, por meio do
“Programa Incluir - Acessibilidade à Educação Superior” (BRASIL, 2010), que define a
acessibilidade de ambientes, equipamentos e recursos humanos do cenário universitário,
incluindo a disponibilização de material didático e pedagógico acessíveis, além de tecnologias
de acessibilidade como computador com interface acessível, impressora de escrita braille,
linha braille, lupa eletrônica, teclado com colméia, acionadores acessíveis etc.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
Os autores listaram os livros híbridos que tiveram contato ou que já trabalharam,
ordenando-os conforme o atendimento das necessidades dos usuários com restrição de
manipulação de livros e tecnologias de acessibilidade, surdos, deficientes intelectuais e
deficientes visuais.

947

�4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
A experiência dos autores ao longo dos anos apontou que a atitude mais importante no
atendimento ao usuário com deficiência é não fazer conclusões apressadas sobre as
necessidades de formato dos livros, e sim abordar o próprio usuário com deficiência visual,
auditiva por meio de indagações da seguinte natureza:
Como posso te ajudar?
Como você lê?
O que você precisa?
Você tem preferência?
Você pode me ensinar a adaptar o livro da melhor maneira?
Essa atitude possibilitou a redução de potenciais ruídos de comunicação e
preconceitos, aumentando a confiança e empoderamento do usuário no serviço prestado.
Para usuários com restrição de manipulação física do livro, aprendeu-se que há hastes
bucais para mudança de página e rolagem de página digital (smartphone e tablets), capacetes
com hastes e até dispositivos mecânicos que mudam a página do livro (paginador
automático).
Para os usuários com deficiência intelectual, aprendeu-se a não investir apenas
recursos em livros infantis, mas em livros compatíveis com a idade do usuário e que
apresentem muitas imagens ilustradas, principalmente de fotografias mais fidedignas com a
realidade e que possam mostrar detalhes naturais dos alimentos, animais, objetos do dia a dia,
entre outros.
Em relação aos usuários surdos, os livros com Libras no formato de DVD são opções
mais atrativas, pois apresentam movimentos, que são mais efetivos se comparados aos livros
com imagens estáticas e desenhadas. No entanto, as opções desse tipo de livro no mercado
editorial são ainda restritas. É interessante apontar que a transformação de livros escritos em
vídeos em Libras não possui liberação legal de direitos autorais da mesma forma que já ocorre
com o braille e outros subprodutos para deficientes visuais.
Por sua vez, os livros voltados para os deficientes visuais são os mais desafiadores,
pois requerem mudança radical da estrutura original, seja na conversão para o formato
ampliado de letras, quanto na produção tátil (braille e imagens) e sonora (livro falado), sejam
associados como ocorre com o formato daisy (DAYSY CONSORTIUM, 2014).
É interessante apontar que os avanços tecnológicos das editoras estão proporcionando
a criação de livros híbridos que estão associando a experiência visual do livro com outros
sentidos humanos tais como:

948

�•

Audição: desenvolvido por meio da narração humana - feita em estúdio, ou de

forma mecânica - por programas específicos. Esses livros são produzidos por instituições
especializadas e distribuídas gratuitamente para deficientes visuais ou comercializados por
editoras para o público geral. Recentemente, a Fundação Dorina Nowill lançou um livro
híbrido e infantil chamado de “Braille Tagarela” que apresenta uma caneta especial,
reconhece a página do livro e faz a audiodescrição das páginas de modo criativo. Ele pode
representar a alternativa futura para conversão de imagens de livros técnicos de diversas áreas
do conhecimento.
•

Tato: desenvolvido com relevos e texturas com foco no aprendizado da criança

cega e também o jovem com deficiência intelectual não alfabetizado. Podem vir com relevos
de ilustrações com texturas especiais e / ou escrita braille.
•

Olfato: desenvolvido com relevos especiais que liberam fragrâncias de objetos,

frutas e outros alimentos.
Por sua vez, os ledores de texto e intérpretes de libras são pessoas que lêem ou fazem
tradução do conteúdo informacional, sendo excelentes mediadores dos livros e dos usuários,
pois dispensam o uso de tecnologias, proporcionam atendimento humanizado e personalizado,
além de se engajarem como trabalho voluntário.
Outro ponto importante é a conversão do formato tradicional para o formato digital,
por meio de escâner, voltado para o deficiente visual, amparados pela Constituição Brasileira,
sem ferir o direito autoral (BRASIL, 1998).
Os e-books apresentam novos desafios para os bibliotecários—pela incompatibilidade
no triângulo: formato, equipamento e leitor de telas.
Os formatos referem-se à representação digital dos dados, que podem estar em
extensões diferentes tais como, .pdf, .txt., .doc e .html. Por sua vez, os equipamentos são os
dispositivos onde os formatos estão locados ou serão processados para leitura sonora tais
como computadores de mesa (desktop) e notebooks. Ainda há os programas leitores de telas,
que captam o texto escrito e transformam a informação para o formato sonoro (por placa de
som compatível) e tato (pelo dispositivo “linha braille”), como o Dosvox, Jaws, Virtual
Vision e NVDA.
Ao mudar a versão de apenas um dos componentes do triângulo formato, equipamento
e leitor de telas, compromete-se o aprendizado do usuário no uso dos e-books, pois uma
mudança no código fonte ou estrutura de interface, a leitura contínua se modifica,
confundindo o usuário com deficiência visual.

949

�Por último, os smartphones e tablets são equipamentos e repositórios de arquivos que
podem apresentar leitores de telas próprios como o Android, IOS, Windows Phone, entre
outros. Nesse caso, o usuário com deficiência visual precisa de ajuda para inserir os arquivos
na memória, acionar o leitor de telas.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
Os livros textuais e impressos estão migrando para o ambiente virtual, quando não
associados a outras tecnologias industriais que permitem a mistura de outras sensações (tátil,
auditivo e olfativo) capazes de transformá-los em formas híbridas, cuja diversidade permite a
inclusão de novas pessoas ao mundo da leitura e da informação.
Esses livros híbridos devem estar nas pautas de discussões de bibliotecários e
profissionais da informação que desejem mais conhecimentos sobre a acessibilidade e
atendimentos mais inclusivos em seus espaços de atuação.

REFERÊNCIAS

ACESSIBILIDADE

BRASIL.

O

que

é

acessibilidade.

Disponível

em:

&lt;http://www.acessibilidadebrasil.org.br/versao_anterior/index.php?itemid=45&gt;. Acesso em:
09 mar. 2014.
BRASIL. Ministério da Educação. Programa Incluir: Acessibilidade à Educação Superior,
2010.

Disponível

em:

&lt;http://portal.mec.gov.br/index.php?option=com_content&amp;id=17433&amp;Itemid=817&gt;.

Acesso

em: 09 mar. 2014.
BRASIL. Presidência da República. Casa Civil. Subchefia para Assuntos Jurídicos. Lei n.
9.610, de 19 de fevereiro de 1998: altera, atualiza e consolida a legislação sobre direitos
autorais

e

dá

outras

providências.

Disponível

em:

&lt;http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9610.htm&gt;. Acesso em: 4 abr. 2014.
DAISY CONSORTIUM. About us. Disponível em: &lt;http://www.daisy.org/about_us&gt;. Acesso
em: 4 abr. 2014.
LE COADIC, Yves-François. A ciência da informação. Brasília: Briquet de Lemos, 2004.

950

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Documentação&#13;
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