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                  <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

CONFLITOS NO AMBIENTE DE TRABALHO DE UMA BIBLIOTECA
UNIVERSITÁRIA: RELATO DE CASO

Fabiene Letizia Alves Furtado

RESUMO
Relata a experiência na elaboração de um projeto de intervenção sobre os conflitos
interpessoais em uma equipe de trabalho de uma Biblioteca Universitária. Os conflitos
existem desde o surgimento da humanidade, porém, muitas vezes, não são tratados de forma
adequada, costumam ser ignorados ou reprimidos. Dessa maneira, a abordagem do conflito
dependerá de fatores como sua natureza, motivos, abrangência e consequências.
Primeiramente, investigou-se os fundamentos teóricos concernentes ao tema, em seguida,
demonstrou-se os objetivos propostos pela pesquisa, assim como a metodologia utilizada.
Finalmente, conclui-se que mediar uma situação de conflito é uma tarefa complexa e uma
habilidade indispensável para um gestor.
Palavras-Chave: conflitos; conflitos interpessoais; administração de conflitos; mediação de
conflitos.

ABSTRACT
Describe the experience in developing an intervention project on interpersonal conflicts in a
work team to a University Library. The conflicts existed since the beginning of humanity,
however, often they aren't treated rightly, are ignored or repressed. Thus, the conflict
approach will depend on factors such as its nature, motives, extent and consequences. First of
all, was investigated the theoretical foundations about the subject, next step, demonstrated the
objectives proposed by the study, as well as the methodology used. Finally, it is concluded
that mediate a conflict is a complex task and an essential skill in a manager.
Keywords: conflicts; interpersonal conflicts; conflict management; mediation of conflicts.

INTRODUÇÃO
Cada ser humano é único e carrega em si um conjunto de crenças, valores e
experiências, responsáveis pelas diferenças individuais que podem levar a algum tipo de
conflito. Este é um processo natural, próprio das relações humanas, que se dá quando uma
parte - que pode ser um indivíduo, um grupo ou uma organização - entra em desacordo com
outra parte.

Uma determinada Biblioteca Universitária apresenta situações cotidianas de

conflito que, além de causar problemas internos, prejudicam diretamente o desempenho desta

933

�organização, comprometendo assim, a qualidade dos serviços prestados. A partir da
observação, captar, registrar e mapear (em um diário de campo) momentos de conflitos nesta
equipe de trabalho.

REVISÃO DE LITERATURA
De acordo com Nascimento (2002, p.47), “os conflitos existem desde o início da
humanidade, fazem parte do processo de evolução dos seres humanos e são necessários para o
desenvolvimento e o crescimento de qualquer sistema familiar, social, político e
organizacional”. No entanto, durante certo período, a ausência de conflitos nas organizações
era considerada como sinal positivo que assinalava um ambiente harmonioso. Neste caso, o
conflito era reflexo de comportamentos e sentimentos negativos, considerados prejudiciais ao
bom relacionamento entre as pessoas e, consequentemente, ao bom funcionamento das
organizações. Assim sendo, há diferentes posicionamentos frente ao conflito que pode ser
simplesmente evitado ou pode ser visto como oportuno e transformado em algum benefício
para os indivíduos e organizações. Porém, nem todo conflito é construtivo. Alguns são
prejudiciais e precisam de conciliação ou mediação.

2.1

O conflito
O conflito é inerente às relações humanas. Está presente no cotidiano das pessoas,

seja no meio familiar, no convívio social ou no ambiente de trabalho. Robbins (2009) define
o conflito como um processo que se inicia a partir do momento em que uma pessoa tem
consciência que a outra pessoa pode afetar, negativamente, algo que esta primeira considera
importante.

2.2

Diferentes abordagens sobre o conflito
Na literatura, existem algumas teorias que tentam definir o conflito, porém, não há

um conceito determinado. Além de ser plural e de pouco consenso, a definição de conflito
sofreu diversas influências ao longo do tempo, no que diz respeito às teorias da administração.
De acordo com Robbins (2005), há três abordagens distintas sobre o conflito e suas
consequências (FIGURA 1). Na abordagem tradicional, entre 1930 e 1940, a existência de
conflito era um forte indício de que algo estava errado, por isso, deveria ser evitado. Na
abordagem de relações humanas, no final de 1940 até meados de 1970, o conflito passou a ser
visto como algo natural, que não pode ser evitado e por isso deve ser apenas aceito.

934

�Atualmente, na visão interacionista, a falta de conflito é um sinal de apatia. Um ambiente
demasiadamente harmonioso corre grande risco de se tornar apático e insensível à
necessidade de mudança e inovação.

ABORDAGENS

VISÁO

POSTURA

FIGURA 1 - Transições na conceituação de conflito.
Fonte: Adaptado de Robbins (2005).

2.3

A natureza do conflito
Quanto à natureza, Robbins (2005) divide os conflitos em duas categorias

antagônicas. De um lado, os conflitos funcionais, de caráter construtivo, apoiam os objetivos
da organização e melhoram seu desempenho. Do outro lado, os conflitos disfuncionais são de
caráter destrutivo e prejudicam o desempenho da organização. O que diferencia o primeiro do
segundo é o tipo de conflito, que pode ser de tarefa (relacionado com o conteúdo e objetivos
do trabalho), de relacionamento (relações interpessoais) e de processo (maneira como o
trabalho é realizado). Níveis reduzidos de conflito de processo e níveis de baixo a moderados
de conflitos de tarefas são funcionais. No entanto, na maioria das vezes, os conflitos de
relacionamento se revelam disfuncionais.

2.4

Níveis de conflito
Além disso, o conflito pode se manifestar em diferentes níveis de abrangência. Os

conflitos podem ser intrapessoal (conflito interno), interpessoal (conflito entre pessoas),
intragrupal (conflito dentro do grupo) ou intergrupal (conflito entre grupos).

935

�2.5

O processo do conflito interpessoal
O processo de desencadeamento dos conflitos interpessoais pode ser dividido,

sinteticamente, em quatro estágios, conforme Nascimento e Sayed (2002). Na fase inicial
desse processo, no conflito latente, há condições precedentes que elevam o potencial de
deflagração do sentimento de rivalidade entre as pessoas. Na fase do conflito percebido, a
divergência é notada por pelo menos uma das partes envolvidas. A terceira fase, representada
pelo conflito sentido, é marcada pela presença de forte envolvimento emocional dos
indivíduos. A última etapa, do conflito manifesto, é a fase do confronto explícito, na qual pelo
menos uma das partes envolvidas no processo demonstra claramente sua postura e
comportamento. Neste estágio de interação, os conflitos ganham visibilidade através de
declarações, ações e reações por partes dos envolvidos na desavença e pode resultar em ações
diversas, como, por exemplo, retraimento, disputa, oposição ou de busca de uma solução para
o problema vivenciado. Contudo, o conflito interpessoal surge primeiro como um conflito
interno, uma vez que,
[...] a impossibilidade de reconhecer a legitimidade das demandas do outro e,
especialmente, de reconhecer a ilegitimidade de suas próprias pretensões e
julgamentos, apontam para a existência de uma dinâmica de dimensão
inconsciente, que impede o sujeito de olhar para si e para o outro de forma
mais próxima ao real, estabelecendo a empatia e reconhecimento necessários
à solução do conflito (FREITAS, 2010, p.11).
Robbins (2005) apresenta cinco intenções primárias frente à administração dos
conflitos (FIGURA 2):
■

Acomodar-se (não afirmativa e cooperativa): quando uma das partes coloca

seus interesses de lado e os interesses da outra parte em primeiro plano, procurando apaziguar
o conflito.
■

Colaborar (afirmativa e cooperativa): baseado na solução “ganha-ganha”, as

partes envolvidas buscam, através da cooperação, o benefício mutuo, que atenda ambas as
partes;
■

Competir (afirmativa e não cooperativa): neste caso, prevalece a estratégia

“ganha-perde”, pois uma parte consegue o que quer em detrimento dos desejos da outra parte;
■

Conceder (entre as duas dimensões): também conhecida como estratégia

compromisso, ocorre quando ambas as partes estão dispostas a abrir mão de algum interesse
que satisfaça parcialmente a todos os envolvidos na desavença. Neste caso, não há vencedores
ou vencidos;
■

Evitar (não afirmativa e não cooperativa): é uma situação extrema, na qual os

936

�envolvidos fingem não perceber a existência de um conflito e esperam que ele, por si só, se
dissolva. É uma condição “perde-perde”, pois ambas as partes ficam insatisfeitas.

Estratégias de Negociação
Alta
Acomodação
Perde-Ganha

Colabor ativa
Ganha-Ganha
Compromisso

Importância de
Rdadonamaito

Evitar
Perde-Perde

Baixa
Baixa

Competitiva
Ganha-Perde

Importância de
Resultados

-►

Alta

FIGURA 2 Estratégias de negociação
Fonte: ZURDO, 2012, p. 2.

2.6

Consequências do conflito
Robbins (2005) faz uma análise dos resultados dos conflitos interpessoais e

subdivide suas consequências em duas categorias. As consequências funcionais dos conflitos
surgem de situações de níveis baixos a níveis moderados de conflitos de tarefa ou de processo
e não incluem os conflitos de relacionamento. De acordo com Chiavenato (2004), o conflito
construtivo gera diversos benefícios para a pessoa, para o grupo e para a organização, uma
vez que desperta a atenção para os problemas, estimula energias produtivas, fortalece
sentimentos de identidade e, principalmente, o conflito testa a balança do poder. Para este
autor, as consequências disfuncionais dos conflitos desencadeiam sentimento de frustração,
hostilidade e ansiedade, aumentam a coesão grupal e desviam energias para ele mesmo. Em
situações extremas, o conflito pode paralisar e até ameaçar potencialmente a existência de um
grupo.

MATERIAIS E MÉTODOS
O universo desta pesquisa foi a equipe de trabalho de uma Biblioteca Universitária.
Para este estudo de caso, realizou-se uma pesquisa aplicada, descritiva de abordagem
qualitativa, segundo os critérios apresentados por Gil (2008).

Trata-se de uma pesquisa

aplicada, pois não busca o desenvolvimento de teorias de valor universal, mas parte de um
referencial teórico sobre determinado assunto para tentar entender a natureza e a fonte dos
problemas humanos e a partir dos conhecimentos obtidos através de uma realidade

937

�circunstancial. Descritiva, pois teve como principal objetivo observar, descrever e classificar
o comportamento dos trabalhadores de Biblioteca Universitária frente as situações
conflituosas. Qualitativa, pois, com base no referencial teórico e através de uma breve análise
dos comportamentos dos observados, buscou-se uma interpretação e atribuição de
significados a esta realidade. Quanto à modalidade, utilizou-se a pesquisa bibliográfica, pois
tanto a fundamentação teórica quanto a metodologia do presente trabalho foi feita a partir de
uma vasta investigação em livros, artigos científicos e outras fontes sobre o assunto aqui
abordado.

RESULTADOS
Para melhor elucidar a metodologia proposta, foram explicitados dois casos de
situações conflituosas, ocorridas nesta biblioteca universitária. Em ambos os casos, nota-se
que os conflitos surgiram por motivos de competição entre os colegas de trabalho e,
principalmente, por parte de um membro do grupo direcionado ao gestor. Ficou evidente
também, que em ambos os casos, o gestor assume o papel de mediador. No primeiro caso,
houve colaboração e as partes de entenderam. No segundo caso, uma das partes optou por
evitar a outra, na tentativa de suprimir o conflito.

CONSIDERAÇÕES FINAIS
Independente de o conflito ser funcional ou disfuncional é notável que a discussão
em torno desse assunto mereça especial atenção, por ser algo inerente às relações humanas,
presente no cotidiano das pessoas, dos grupos e das organizações. Quando se tenta ignorar ou
reprimir sua existência, o conflito tende a crescer e agravar-se e sua repercussão pode ser
prejudicial para todos os envolvidos. A mediação do conflito é uma tarefa complexa, além de
ser capaz de reconhecer sua natureza, abrangência e processo dinâmico, exige certa habilidade
do gestor em lidar com as dimensões afetivas que o envolvem.

REFERÊNCIAS
CHIAVENATO, Idalberto. Recursos humanos: o capital humano das organizações. 8. ed.
São Paulo: Atlas, 2004. p. 376-382.
FREITAS, Carla Martins de. A dinâmica projetiva no contexto da mediação de conflitos
interpessoais. 2010. Monografia (Especialização em Psicologia Analítica) - Pontifícia
Universidade

Católica

do

Paraná,

Curitiba,

2010.

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&lt;

938

�http://www.svmbolon.com.br/monografias_______ /Carla%20Martins%20de%20Freitas%20%20ADINAMICAPROJETIVA.pdf &gt;. Acesso em: 5 maio 2014.
GIL, Antonio Carlos. Métodos e técnicas de pesquisa social. 6. ed. São Paulo: Atlas, 2008.
220 p.
NASCIMENTO, Eunice Maria. EL SAYED, Kassem Mohamed. Administração de conflitos.
In: FAE BUSINESS SCHOOL. Gestão do capital humano. Curitiba: Associação
Franciscana de Ensino Senhor Bom Jesus, 2002. cap. 4, p. 47-56. (Coleção Gestão
Empresarial,

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http://www.someeducacional.com.br/apz/gestao conflitos/4.pdf &gt;. Acesso em: 20 jul. 2012.
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Comportamento organizacional. 11. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2005. cap. 2, p.
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Conflito e negociação.

In: _____. Fundamentos

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comportamento organizacional. 8. ed. São Paulo: Pearson Prentice Hall, 2009. cap. 12, p.
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ZURDO, Maura Mazzeo. Métodos e técnicas de negociação. 2012. Disponível em: &lt;
http://www.sustentare.net/upload/entrance quis/20071009045443.pdf &gt;.

Acesso em: 3 jul.

2012.

939

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