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                  <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

CONSTRUÇÃO DE UMA POLÍTICA DE AQUISIÇÃO, EXPANSÃO E
ATUALIZAÇÃO DO ACERVO DA BIBLIOTECA SETORIAL DA UNIDADE
ACADÊMICA DE SERRA TALHADA
Williana Carla Silva Alves

RESUMO
Estabelecer diretrizes para definição de uma política de aquisição, expansão e atualização do
acervo da Biblioteca Setorial da UAST é o escopo desse trabalho. As atividades aconteceram
do estudo das necessidades da comunidade, a pesquisa foi realizada a partir das rotinas da
biblioteca, cujo objetivo foi conhecer as necessidades informacionais dos usuários, para então
definir uma política que atenda os reais interesses dessa Unidade de Informação. Diante disso,
foram definidos critérios para um desenvolvimento racional da coleção. Consideraram-se
ainda elementos apontados nas reuniões com a Coordenação Geral de Cursos (COGER),
utilizaram-se ainda relatórios de circulação (títulos mais emprestados e mais reservados), bem
como o Projeto Pedagógico do Curso (PPC). Por fim, analisaram-se todos os dados
levantados e compilados para então assinalar os critérios necessários para a construção da
política. Apresenta-se uma fundamentação teórica da universidade brasileira e expõe-se a
biblioteca como parte desse universo. Ao ingressar-se na temática da biblioteca, pauta-se na
formação da coleção, expondo-se um relato de experiência da instituição. As conclusões dessa
pesquisa apresentam duas sugestões: primeiro, a implantação de uma Comissão de Aquisição
de Acervo, formada por bibliotecários e Coordenadores de Cursos; segundo a inclusão de um
módulo sobre aquisição no Curso de Atualização Didático Pedagógica dos docentes em
estágio probatório.
Palavras-chave: Desenvolvimento de coleções. Planejamento bibliográfico. Aquisição biblioteca.

ABSTRACT
The scope of this work is to establish guidelines for defining a policy of acquisition,
expansion and updating of UAST’s Sectoral Library archives. This work’s activities took
place in the cotext of the study of community needs, the research being conducted on the
librar’sy day-to-day activities, aiming to better understand users’ information needs, so that a
policy that meets the real interests can be defined. Given these goals, criteria for a rational
collection development were defined. Elements brought up in meetings with the Coordenação
Geral de Cursos (COGER) were also taken into account, as well as reports on most lent and
requested items, and the Projeto Pedagógico do Curso (PPC). Finally, the data were compiled
and analyzed in order to inform the policy design. We present a theoretical foundation of the
Brazilian university and place the library within this universe. When elaborating on the latter,
particular attention is given to collection development, including an account of the
institution’s experience. The findings of this research point to two suggestions: first, the

911

�establishment of a commission for Archive Acquisition, composed of librarians and course
coordinators; second, to add a module on acquisition to the Curso de Atualização Didático
Pedagógica for teachers on probation period.
Keywords: Collection Development. Bibliographic planning. Acquisition - library.

1 Introdução
O termo desenvolvimento de coleções, de acordo com a literatura é uma expressão
relativamente recente, quando se percebeu não ser racional adquirir exemplares de todos os
títulos produzidos no mercado editorial. As bibliotecas passam, então, a refletirem as
necessidades informacionais específicas das instituições e de seus usuários internos e
externos.
Fica clara então a necessidade de selecionar as fontes de informação antes de
incorporá-las ao acervo. Seja a modalidade de aquisição - compra, doação ou permuta é
necessário haver uma seleção criteriosa. Independente da tipologia da biblioteca esses
critérios são primordiais na hora de incluir um novo item no acervo. No caso da Biblioteca
Setorial da UAST (BS - UAST) por ser uma biblioteca universitária, deve se especializar nas
áreas de conhecimentos dos cursos que atende.
Assim, diante da inquietação pela busca de uma coleção compatível com as
necessidades da comunidade, desenvolveu-se esse trabalho. Enxergamos a obrigação de
construir de uma política de aquisição, expansão e atualização do acervo. Para tanto,
analisamos a Biblioteca enquanto parte da Universidade, consideramos o acervo que temos e
acervo que precisamos. A partir disso, a biblioteca firmou parceria com a Coordenação Geral
de Cursos, para então construir instrumentos que contribuem e facilitam o processo de
construção da política.

2 Biblioteca Universitária - o desafio de desenvolver a coleção com eficiência
Para compreender esse desfio é preciso entender a Universidade, e como a biblioteca
está inserida, enquanto parte desse universo.
Klaes(1991, p.19) nos faz refletir sobre essa relação universidade-biblioteca:
Decorrente de sua condição de organização sem autonomia, vinculada à
universidade, os objetivos da biblioteca universitária emerge de seu propósito amplo
de promover a infraestrutura bibliográfica, documentária e informacional como
suporte as atividades de ensino, pesquisa e extensão da universidade, para suprir as
necessidades de informação de seus usuários. Assim, os objetivos da biblioteca
universitária devem estar vinculados à função da universidade, devendo possuir,
ainda um caráter educativo, informacional, social, econômico, político e
recreacional.

912

�Miranda ([20-?], p. 01) faz uma analise que fundamentam essa relação:
A Universidade Brasileira vive um momento dramático de transição
provocado pela renovação de nossa sociedade, pela busca de novos valores e
de soluções para os grandes problemas nacionais. Informação é matéria
prima indispensável nesse processo de renovação. A Biblioteca Universitária
necessita acompanhar este processo de renovação, capacitando-se para
contribuir decisoriamente nas tarefas de ensino, pesquisa e extensão. Ela
deve constituir-se na base e centro deste grande debate e busca de
informação e idéias ou como ainda acontece em muitos casos, contentar-se
com a tarefa menor de ser apenas um banco de livros de texto ou um salão
de leitura e estudos opcionais.

Diante dessa conjuntura Vergueiro (1993, p.19) define com muita propriedade as
características da coleção de uma biblioteca universitária, segundo o autor esse tipo de
biblioteca:
[...] devem atender aos objetivos da universidade, a saber, o ensino, a
pesquisa e a extensão de serviços à comunidade. Isto vai exigir, quase que
necessariamente, uma coleção com forte tendência ao crescimento, pois
atividades de pesquisa exigem uma variada gama de materiais de informação
que possibilitem ao pesquisador ter acesso a todos os pontos de vista
importantes ou necessários para sua pesquisa.

Sendo assim, a responsabilidade pela aquisição deve ser voltada para pessoas
especializadas (bibliotecários) ou ainda pessoas que tenha experiência na área (técnico ou
pesquisador). Uma aquisição eficiente envolve: contato permanente com o acervo e o
conhecimento das necessidades informacionais dos usuários (ANDRADE; VERGUEIRO,
1996).
“As bibliotecas universitárias possuem a missão de prover a infra-estrutura
bibliográfica, documentária e informacional para apoiar as atividades da Universidade,
centrando seus objetivos nas necessidades de informação do indivíduo, membro da
comunidade universitária”. Tarapanoff, 1981 (apud RUSSO, 2003, p. 1).
Portanto, desenvolver coleções na atualidade requer do responsável pela seleção,
habilidades e conhecimento, para analisar as mudanças dentro da área elegida, sabendo o que
deve ser adquirido e divulgar estas novas aquisições aos seus usuários de forma clara e
objetiva. Pois de nada adianta incorporar novos documentos se estes, não estão dentro das
necessidades da comunidade a ser atendida.
Vergueiro (1989) afirma que cada profissional deverá avaliar com muito cuidado a
objetividade, credibilidade e veracidade das informações veiculadas nas fontes de seleção que

913

�pretende utilizar, de modo a ficar plenamente confiante sobre o benefício que delas poderá
receber.

3 Materiais e Métodos
Considerando-se o critério de classificação de pesquisa, quanto aos fins e quantos aos
meios, tem-se: a) quanto aos fins, a pesquisa é descritiva a partir da coleta de dados na
Biblioteca Setorial da Unidade Acadêmica de Serra Talhada; b) quanto aos meios, a pesquisa
é bibliográfica e um estudo de caso. Bibliográfica, em função das investigações em livros,
artigos científicos, teses e dissertações. Assim, foram apresentados conceitos e características
do desenvolvimento de coleções, no contexto das bibliotecas universitárias. E um estudo de
caso, um método qualitativo, onde se apresenta a experiência vivida tendo em vista a
aproximação da prática e teoria.

4 Resultados Parciais/Finais
O resultado do planejamento da política foi uma parceria da Biblioteca com
Coordenação Geral de Cursos (COGER). Essa parceria surgiu da preocupação com as
avaliações dos Cursos de Graduação pelo Ministério da Educação (MEC). Começamos então
a planejar a visita in loco, os dois setores se reuniram e estabeleceram algumas medidas a fim
de adequar o acervo as exigências das comissões de avaliação especialmente no que diz
respeito ao indicador 5.11 - Biblioteca: plano de atualização do acervo do instrumento de
avaliação institucional externa. Foi a partir desse indicador que tudo começou.
1° passo foi da biblioteca - fazer um levantamento bibliográfico no sistema da
biblioteca em escala local, ou seja, gerou-se um relatório a partir de todas as áreas do
conhecimento contempladas pelo acervo.
2° passo - de posse do relatório geral do acervo, a biblioteca divulgou junto aos
coordenadores de curso, nessa etapa a contribuição da COGER foi imprescindível. Pois foi
nessa etapa que conseguimos dá início ao projeto. Diante desse documento os coordenadores
do curso assumiram o compromisso de juntamente com os docentes do curso e reformulam o
Projeto Pedagógico do Curso (PPC) considerando os itens existentes no acervo.
O PPC apresenta parâmetros para a ação educativa, estabelecendo, ao lado do Projeto
Pedagógico Institucional (PPI), a gestão acadêmica, pedagógica e administrativa de cada
curso. Assim como a política de aquisição o PPC deve está em permanente construção, sendo
elaborado, reelaborado e avaliado.

914

�3° passo - reformulados os PPCs, a COGER encaminhou para a Biblioteca o resultado
dos novos PPCs, de posse desse documento a biblioteca elaborou um 2° documento que
denominou “Ementário dos cursos de graduação”. Esse instrumento serviu para saber quais
os pontos fortes e fracos da coleção. Foi possível analisar as bibliografias básicas e
complementares de cada disciplina dos respectivos cursos.

Estrutura do Ementário
CURSO

Química

PERIODO

1° Periodo

DISCÍPLINA

Matemática

Obrigatória (X)

Optativa ( )

Bibliografia Básica

Tem no acervo?

BOULOS, P.; OLIVEIRA, I. C. G eom etria analítica : um
tratamento vetorial. 3a edição. São Paulo: Pearson
Education do Brasil, 2005.

( ) Não ( x ) Sim ( 7
exemplares

GUIDORIZZI, H. L. Um Curso de C álculo . 5a edição.
Rio de Janeiro: LTC, 2002. v.1

( ) Não ( x ) Sim ( 1 ^ ed. 2001
e 20 ^ ed. 2008 ) quant.
exemplares

REIS, G. L.; SILVA, V. V. G eom etria analítica . 2. ed.
Rio de Janeiro: LTC, 2007.

( ) Não ( x ) Sim (15 ) quant.
exemplares

Bibliografia Com plem entar

Tem no acervo?

ÁVILA, G. Cálculo das funções de um a variável . 7. ed.
Rio de Janeiro: LTC, 2004.

( ) Não ( x ) Sim (
exemplares

LEITHOLD, L. O Cálculo com G eom etria A n alítica . 3.
ed. São Paulo: Harbra, 1994. 1 v.

( ) Não ( x ) Sim ( 36 ) quant.
exemplares

MUNEM, M. A; FOULIS, D. J. C álculo . Rio de Janeiro:
Guanabara Dois: LTC, 1982. 1 v.

( ) Não ( x ) Sim ( 14 ^ ed.
1982 e 5 ^ ed. 1983 ) quant.
exemplares

) quant.

1 1 ) quant.

STEINBRUCH, A.; WINTERLE, P. G eom etria analitica . ( ) Não ( x ) Sim ( 2 ) quant.
exemplares
2.ed. São Paulo, SP: Pearson Education do Brasil, 2006.
STEWART, J. C álculo . São Paulo, SP: Cengage Learning,
2010. 2v.

( ) Não ( x ) Sim ( 28 ) quant.
exemplares

Fonte: Elaborado pelo autor

915

�4° passo - foi a inclusão de mais um critério de seleção. A biblioteca com o ementário
de todos os cursos de graduação concluído. É chegada a hora de avaliar esse instrumento. A
análise foi feita considerando a quantidade de exemplares de cada título. Quantos alunos têm
matriculado em cada disciplina. Aqueles itens em número insuficiente passam a ser prioridade
nas próximas listas de aquisição.

5 Considerações Finais
Ao ser apresentada as considerações finais desse estudo, é importante esclarecer que
não temos a pretensão de esgotar o tema, mas sim apontar o sentido de novos estudos e
questionamentos. Através deste trabalho, a perspectiva foi de apresentar um relato de
experiência. Pensamos que a Política de Desenvolvimento do Acervo deve ser flexível e
atualizada, de forma a facilitar as decisões e justificar a incorporação ou não de determinados
materiais. Deve-se orientar nas decisões de planejamento, orçamento, seleção e aquisição de
materiais informacionais, possibilitando dar à coleção um perfil compatível com a natureza e
abrangência exigida pelas atividades de ensino, pesquisa e, por que não dizer, extensão, além
de expressar a relação do desenvolvimento do acervo com os objetivos da universidade.
Sendo assim, a biblioteca deverá proceder à avaliação do seu acervo sempre que for
necessário, sendo empregados métodos quantitativos e qualitativos a fim de assegurar o
alcance dos objetivos da mesma. Sugerimos que a cada 4 (quatro) anos a política deverá ser
revisada e, se necessário, atualizada com a finalidade de garantir sua adequação à comunidade
acadêmica, aos objetivos da biblioteca e aos da própria instituição; o processo deve ser
dinâmico, sempre que necessário, admitir adequações e alterações.
Contudo, as conclusões desse estudo apresentam-se duas sugestões - a implantação de
uma Comissão de Aquisição de Acervo da biblioteca. Onde seria formada: pelos
bibliotecários da unidade e os Coordenadores de Cursos. Porém antes desse plano há
iniciativas que podem contribuir para o desenvolvimento da coleção. Orientação para
coordenadores e professores quanto à utilização e atualização do acervo é uma iniciativa que
pode aprimorar a aquisição da biblioteca. Outra sugestão é - incluir um módulo sobre
Aquisição no Curso de Atualização Didático Pedagógica. O curso apresenta temáticas sobre a
organização da UFRPE e trâmites administrativos do trabalho docente, essa capacitação de
professores é uma oportunidade de viabilizar a interação e cooperação entre professores e
bibliotecários no sentido de consolidar a política de aquisição.

916

�6 Referências
ANDRADE, Diva; VERGUEIRO, Waldomiro. Aquisição de materiais de informação.
Brasília: Brinquet de Lemos, 1996.
BRASIL. Ministério da Educação. Avaliação institucional externa: subsidia o ato de
credenciamento e recredenciamento institucional e transformação de organização acadêmica
(presencial). Brasília: INEP, 2012. Disponível em:
&lt;http://download.inep.gov.br/download/superior/institucional/2013/
nstrumento Institucional 2013.pdf &gt;. Acesso em: 14 abr. 2014.
MIRANDA, Antonio. Biblioteca universitária no Brasil: reflexões sobre a problemática.
Disponível em:
&lt;http://www.antoniomiranda.com.br/ciencia informacao/BIBLIOTECA UNIVERSITARIA
.pdf&gt;. Acesso em: 05 fev. 2014.
SILVA, Rodrigo. Material bibliográfico como bem permanente ou bem de consumo?. [
2013]. Disponível em: &lt; http://habiblioteconomia.blogspot.com.br/2011/08/materialbibliografico-como-bem.html&gt;. Acesso em: 10 fev. 2014.
TARAPANOFF, K. Perfil do profissional da informação no Brasil. Brasília: IEL, 1997.
VERGUEIRO, Waldomiro de Castro Santos. Desenvolvimento de coleções: uma nova visão
para o planejamento de recursos informacionais. Ciência da Informação, Brasília. v. 22, n.1,
p. 13-21. jan./abr. 1993.
VERGUEIRO, W. Desenvolvimento de coleções. São Paulo: Polis, 1989.

917

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
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              <text>Estabelecer diretrizes para definição de uma política de aquisição, expansão e atualização do acervo da Biblioteca Setorial da UAST é o escopo desse trabalho. As atividades aconteceram do estudo das necessidades da comunidade, a pesquisa foi realizada a partir das rotinas da iblioteca, cujo objetivo foi conhecer as necessidades informacionais dos usuários, para então definir uma política que atenda os reais interesses dessa Unidade de Informação. Diante disso, foram definidos critérios para um desenvolvimento racional da coleção. Consideraram-se ainda elementos apontados nas reuniões com a Coordenação Geral de Cursos (COGER), utilizaram-se ainda relatórios de circulação (títulos mais emprestados e mais reservados), bem como o Projeto Pedagógico do Curso (PPC). Por fim, analisaram-se todos os dados levantados e compilados para então assinalar os critérios necessários para a construção da política. Apresenta-se uma fundamentação teórica da universidade brasileira e expõe-se a biblioteca como parte desse universo. Ao ingressar-se na temática da biblioteca, pauta-se na formação da coleção, expondo-se um relato de experiência da instituição. As conclusões dessa pesquisa apresentam duas sugestões: primeiro, a implantação de uma Comissão de Aquisição de Acervo, formada por bibliotecários e Coordenadores de Cursos, segundo a inclusão de um módulo sobre aquisição no Curso de Atualização Didático Pedagógica dos docentes em estágio probatório.
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