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                  <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

COMPETÊNCIAS ESSENCIAIS NECESSÁRIAS À ATUAÇÃO DOS
BIBLIOTECÁRIOS GESTORES DE PESSOAS NAS BIBLIOTECAS DA REDE
FEDERAL DE EDUCAÇÃO PROFISSIONAL, CIENTÍFICA E TECNOLÓGICA.
Aline Rodrigues de Lima Mendes
Virgínia Bentes Pinto

RESUMO
A pesquisa teve como propósito identificar as competências essenciais dos bibliotecários
gestores de pessoas nas bibliotecas da Rede Federal de Educação Profissional Científica e
Tecnológica, buscando responder ao seguinte questionamento: quais são as competências
essenciais que o bibliotecário precisa ter para assumir a função como gestor de pessoas nas
bibliotecas da Rede Federal de Educação Profissional Científica e Tecnológica? Teve como
objetivo identificar, na visão dos bibliotecários-gestores, as competências essenciais para sua
atuação na gestão de pessoas nas bibliotecas da Rede EPCT. Para tanto, se buscou
embasamento teórico sobre competências, competências essenciais (core competences),
gestão de pessoas e bibliotecas universitárias. A pesquisa, quanto aos objetivos foi
classificada como exploratória, com abordagem qualiquantitativa, sendo o levantamento de
dados feito mediante questões semiestruturadas (abertas e fechadas). Quanto ao ambiente, é
classificada como de campo, sendo que o método de sustentação das análises se fundamenta
na abordagem estruturalista. Responderam ao questionário 42 bibliotecários gestores de
pessoas o que corresponde a 9,56% do universo da pesquisa, que é 439 bibliotecários. A
análise dos dados e a discussão dos resultados demonstram que as competências essenciais
necessárias para subsidiar as práticas da gestão de pessoas pelos bibliotecários nas bibliotecas
da Rede EPCT, apontadas por esses profissionais são: gestão de pessoas, liderança, trabalho
em equipe, fazer biblioteconômico (práticas do bibliotecário), comunicação, relacionamento
interpessoal, responsabilidade, visão holística e compromisso.
Palavras-Chave: Competências essenciais. Gestão de pessoas. Bibliotecário gestor de
pessoas.

ABSTRACT
The research aimed to identify the core competencies of people managers librarians in the
libraries of the Federal Network of Vocational Science and Technology, seeking to answer the
following question: what are the essential skills that librarians need to have to take on the role
as manager of people the libraries of the Federal Network of Scientific and Technological
Vocational Education? Aims to identify, in the view of librarians, managers, core
competencies for their role in managing people in libraries EPCT Network. To this end, we
sought theoretical foundation in skills, essential skills (core competencies), people
management and academic libraries. Research as to the objectives was classified as
exploratory, with qualitative and quantitative approach, with data collection done by semi­
structured questions (open and closed). For the environment, it is classified as a field, and the

897

�method of support of the analyzes is based on structuralist approach. 42 managers answered
the questionnaire librarians of people which corresponds to 9.56% of the survey, which is 439
librarians. Data analysis and discussion of the results demonstrate that the essential skills
needed to support the practices of people management by librarians in the libraries of EPCT
Network, pointed out by these professionals are: people management, leadership, teamwork,
do librarianship (practices librarian), communication, interpersonal relationships,
responsibility, commitment and holistic vision.
Keywords: Core competence. People management. Librarian manager of people.

1 INTRODUÇÃO
As mudanças advindas do avanço científico e tecnológico, principalmente oriundas do
aparecimento das tecnologias eletrônicas e digitais de informação e comunicação, alteraram a
dinâmica das organizações e das pessoas, pois introduziram a ideia de desterritorialização,
bem como expandiram o conceito de globalização e gestão, o que será tratado com
profundidade no próximo item.

Esse fato, além de se concretizar consubstancialmente,

possibilita outras perspectivas, tanto do ponto de vista das tecnologias como também em
estudos acerca da gestão de pessoas nas organizações.
Baseando-nos em Nunes (2006), entendemos que o termo gestão configura-se como
conjunto de atividades com o intuito de utilizar os recursos da organização de maneira eficaz
com a finalidade de atingir determinados objetivos. Já a gestão de pessoas, para Fleury
(2002), é entendida como a união de políticas e práticas determinadas pela organização, que
visa dar orientação ao comportamento das pessoas em suas relações no ambiente onde
trabalham.
Ora, se vivemos em uma sociedade cujas mudanças de paradigmas se efetivam em
todos os campos de saberes, naturalmente, também, deparamos novas opções referentes à
gestão de pessoas, independentemente de serem organizações públicas ou privadas,
industriais, comerciais ou de prestação de serviços educacionais e culturais, como é o caso,
por exemplo, das bibliotecas universitárias, mesmo que tenham características escolares. A
temática concernente à gestão de pessoas trazida para as organizações, instituições, no caso
aqui as bibliotecas, é de fundamental importância para ajuntar valor ao trabalho dos
profissionais da informação - bibliotecários - que lidam com sua equipe de trabalho
diariamente, mediando conflitos e estabelecendo relações positivas com essas pessoas,
sensibilizando-as para que suas ações venham ao encontro de objetivos comuns, tanto para
elas - as pessoas - quanto para a instituição na qual estão inseridas. Portanto, esse profissional

898

�precisa atuar com a devida competência, de modo a trazer resultados positivos na prestação de
serviços e produtos oferecidos pelas bibliotecas onde atuam como gestores.
Tomando por base as reflexões de Fleury (2002), entende-se por competência a
capacidade de o ser humano fazer algo com determinada qualidade, em tempo hábil e com
certo grau de complexidades. É, pois, observando esses aspectos que esta pesquisa se insere e
busca responder ao seguinte questionamento: quais são as competências essenciais que o
bibliotecário precisa ter para assumir a função como gestor de pessoas nas bibliotecas da Rede
Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (Rede EPCT)?
A motivação para pesquisar esse tema surgiu em 2009, quando estávamos assumindo
coordenação de geral de cinco bibliotecas escolares de uma instituição de ensino localizada
em Fortaleza-CE. Nessa nossa experiência em gerenciar uma equipe bastante diversificada de
pessoas, desde aquelas que possuíam graduação em Biblioteconomia, até os “menores
aprendizes” que atuavam nessas bibliotecas, deparamos problemas advindos da complexidade
do ser humano no cotidiano do seu trabalho. Notamos que não estávamos com preparo para
lidar com questões de conflitos entre a equipe e outros originários da relação entre os
colaboradores e os usuários dessa rede de bibliotecas.
O objetivo geral deste escrito consiste em identificar na visão dos bibliotecáriosgestores, as competências essenciais para sua atuação na gestão de pessoas nas bibliotecas da
Rede EPCT. Para isso, definiu-se como objetivos específicos: verificar, junto aos
bibliotecários gestores, a percepção sobre as competências essenciais necessárias para
subsidiar as práticas da gestão de pessoas nas bibliotecas da Rede Federal de Educação
Profissional, Científica e Tecnológica (Rede EPCT), e averiguar se os bibliotecários gestores
de pessoa fazem uso de alguma técnica ou ferramenta da administração na gestão de suas
equipes de trabalho.
Os campos de pesquisa para o estudo empírico foram as bibliotecas da Rede Federal
de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (Rede EPCT), em 38 institutos federais
com 366 unidades (campi), atuando em todos os estados do Brasil, dentre os quais estão os
institutos federais, as universidades tecnológicas, os CEFETS e as escolas técnicas vinculadas
às universidades. A Rede EPCT, tem início em 1909, com a criação das escoas de Aprendizes
e Artífices, pelo presidente da República, na época, Nilo Peçanha. Essas escolas, se tornaram,
em seguida escolas técnicas federais (ETFs), quando posteriormente surgiram os centros
federais de educação profissional e tecnológica (CEFETs).

82 http://redefederal.mec. gov.br

899

�2 DISCUTINDO COMPETÊNCIA NO ÂMBITO DA GESTÃO DE PESSOAS
2.1 Algumas considerações sobre competência
O termo competência surgiu na década de 1970, quando teóricos franceses iniciaram
estudos acerca da competência, definida como qualificação no processo de educação
profissional e técnica (FARIAS; BELLUZZO, 2012).
Em 1973, David McClelland publicou um trabalho intitulado Testing for Competence
Rather than Inteligence (Teste de competência no lugar de inteligência). Nesse momento,
tem-se o início das considerações sobre competência nas áreas da Psicologia e Administração.
Esse artigo foi considerado um divisor de águas no que se refere ao desenvolvimento de
pessoal. De acordo com Soares e Andrade (2010), McClelland trabalhava para o Governo dos
Estados Unidos e realizava seleções para o Departamento do Estado, onde criou um método
para avaliar as pessoas. Ele identificava as variáveis de competências sem discriminação de
gênero, etnia ou condição social, pois os testes de QI (coeficiente de inteligência) tinham
problemas pelo fato de não serem capazes de predizer o sucesso das pessoas e ainda gerava
preconceitos.
Para Perrenoud (1999, p. 28). "uma competência pressupõe a existência de recursos
mobilizáveis, mas não se confunde com eles, pois se acrescenta aos mesmos ao assumir sua
postura em sinergia com vistas a uma ação eficaz em determinada situação complexa".
Segundo Brito, Carlos e Avelino (2007, p. 58), “uma competência essencial é um
conjunto de habilidades e tecnologias que permite a uma empresa oferecer um determinado
benefício ao cliente”. Para ser considerada uma competência, dita “específica”, da
organização, uma habilidade precisa passar por três etapas: o seu valor ser percebido pelos
clientes; diferir da concorrência e ser capaz de se expandir.
Na perspectiva das três dimensões da competência, que são: o saber (conhecimentos),
o saber fazer (habilidades), e o saber ser (atitudes), o professor Amaral (2006), desenvolveu
um modelo para mapear os conhecimentos, habilidades e atitudes, com o intuito de
estabelecer a gestão de pessoas por competências em inteligência competitiva, melhorando
continuamente, onde a evolução é necessária. Neste modelo, mapeou 45 habilidades, 25
atitudes e 19 conhecimentos, conforme, a saber:
a)

45 Habilidades: Aprender com as experiências; Apresentação de resultados;

Capacidade de análise; Capacidade de obtenção de informações não publicadas; Capacidade
de reconhecer padrões e de extrair implicações dos dados; Capacidade de redação;
Capacidade de síntese; Compreender tipos psicológicos; Considerações dos modelos mentais
dos decisores na apresentação dos resultados; Destreza com as fontes; Discernir; Disposição

900

�para viajar com frequência; Entrevistar; Equilíbrio emocional; Extrair dados relevantes;
Extrair implicações estratégicas; Foco nos resultados; Gerar explicações consistentes dos
fatos; Gerar recomendações de acordo com a análise; Gerenciar a coleta de informações;
Gerenciar fontes de informação; Identificação e uso de fontes convencionais; Identificação e
uso de fontes criativas; Influência; Interpretação de dados; Intuição; Julgamento; Lidar com
ambiguidades, conflitos e dados incompletos; Liderança; Negociação; Organização e
planejamento;
Organizar dados coletados; Organiza equipes; Pensamento analítico; Percepção de sinais
fracos; Perspicácia; Pontualidade; Raciocínio estratégico; Raciocínio lógico; Reconhecer
anomalias de informação; Relacionamento com pessoas chave; Resolução de problemas;
Saber ouvir; Saber quando parar a análise; Trabalhar com resultados intangíveis sem
frustração; Trabalhar sobre pressão; Uso de redes de contatos; Versatilidade; Visão de futuro;
Visão global.
b)

25 Atitudes: Agilidade; Assertividade; Confiabilidade; Cooperação; Criatividade;

Curiosidade; Detalhista; Diplomacia; Discrição; Empatia; Estar constantemente atento às
informações: monitorar o ambiente baseado nas questões a serem respondidas; Ética;
Flexibilidade; Humildade; Iniciativa; Motivação; Observação; Otimismo; Percepção;
Perfeccionismo; Perseverança; Proatividade; Respeito; Senso crítico; Seriedade.
c)

19 Conhecimentos: Conduzir auditorias de inteligência; Contra inteligência;

Estratégia organizacional; Estrutura de poder da organização; Ferramenta de groupware;
Fontes de informação; Inteligência competitiva; Línguas estrangeiras; Mecanismos de troca
de informações na organização e no setor industrial; Metodologia científica; Métodos e
técnicas de análise; Métodos, técnicas e ferramentas de coleta; Organização da informação;
Planejamento; Relatórios; Setor industrial; Técnicas de entrevista; Tecnologia da informação;
Terminologia do setor.
Todas essas dimensões estão diretamente relacionadas ao gerenciamento no âmbito
das bibliotecas. Por isso, entendemos que o comportamento humano e a equidade no
gerenciamento das relações de trabalho com as equipes de trabalho é uma tarefa bastante
desafiadora para os bibliotecários no gerenciamento das pessoas, pois os seres humanos são
dinâmicos, ou seja, estão em constantes mudanças comportamentais, é preciso o máximo de
cautela para evitar os desgastes das relações interpessoais no ambiente de trabalho.

901

�2.2 Gestão de pessoas e bibliotecas universitárias
A gestão de pessoas é mais uma inovação que busca trazer novos olhares no que diz
respeito ao humano nas organizações. Chiavenato (2005) defende a “gestão de pessoas com as
pessoas”, e nesse modelo, ganham o gestor, a organização e as pessoas, pois, por meio de uma
gestão envolvendo a participação das pessoas no processo, estas poderão se tornar uma
vantagem competitiva para o ambiente de trabalho.
Senge (1990, p. 154), defende que o hábito e a prática são determinantes para o
domínio pessoal, “Todos nós dominamos uma grande variedade de técnicas e habilidades que
aprendemos através do ‘treinamento’ do subconsciente. Uma vez aprendidas, elas passam a
ser tão automáticas, tão ‘subconscientes’, que nem percebemos quando as executamos”.
As bibliotecas universitárias são organizações de apoio às instituições de ensino
superior, cooperando para a melhoria da tríade ensino, pesquisa e extensão.

Considerada um dos pilares da vida acadêmica, as bibliotecas
universitárias têm por função essencial subsidiar as atividades de ensino, de
pesquisa e de extensão desenvolvidas nas universidades, mediante a provisão
de recursos informacionais seletivos, diversificados e organizados.
(SILVEIRA, 2009, p. 127).
No âmbito dos institutos federais (IFs), as bibliotecas têm características diferentes,
pois são consideradas como mistas, haja vista que atendem tanto os cursos de nível superior,
como também aqueles de nível médio, por exemplo, os concomitantes, integrados ao ensino
médio, subsequente, EJA/PROEJA.
As bibliotecas estão vivendo uma fase de mudança da sua natureza, dos objetivos dos
seus serviços e da sua relação com a comunidade. Os atuais suportes em que estão inseridas
as informações e as novas rotinas administrativas obrigam as bibliotecas a lançarem outra
visão sobre seus objetivos. As bibliotecas universitárias (BUs) “ofertam o acesso e uso da
informação à toda a comunidade acadêmica [...], ademais, contribuem para a construção do
conhecimento, aplicação da inovação e do desenvolvimento social”. (ROSSI, 2012, p. 2).
No ambiente das bibliotecas de instituições públicas de ensino, as mudanças
significativas que vêm ocorrendo, principalmente com a utilização das novas tecnologias da
informação e comunicação (NTICs) e também com as atuais técnicas administrativas, que têm
sido desafiadoras, exigindo novos comportamentos e ações dos gestores envolvidos com essas
organizações. Em adição, têm-se os contextos relevantes da política, economia e sociedade,
que rompem com “velhos” paradigmas, trazendo muitos desafios para as organizações

902

�envolvidas com o processo do âmbito da educação. A informação, a qualidade dos serviços
ofertados e os usuários passaram a somar às atividades das técnicas da Biblioteconomia, antes
consideradas muito importantes. O bibliotecário, cuja preocupação era voltada para a guarda
dos acervos com a visão nova,

[...] deve acompanhar as tendências de administração e de gestão de
pessoas, a fim de que possa tomar decisões mais adequadas, pois a teoria
constitui-se em um apoio para o processo na prática, ele deve ter
conhecimentos atualizados e procurar informação para sua própria
capacitação e capacitar sua equipe de acordo com as necessidades que
surgem, e até mesmo para se prepararem para as exigências futuras.
(ALVES, 2004, p. 48).
O conhecimento é destacado como fator que tem o intuito de garantir “condições para
um desenvolvimento humano sustentável” (CARVALHO, 2004, p. 77), aumentando
significativamente o papel das bibliotecas e dos bibliotecários nas organizações, ambos
fornecendo uma base informacional para a educação, que se configura como pilar para a
produção de saberes. Desse modo,
[...] a universidade e a biblioteca refletem-se. Uma medida da qualidade de
uma instituição de ensino superior é a excelência de sua biblioteca. Ela,
talvez, possa ser considerada a determinante da qualidade. Não é possível a
existência de uma universidade de nível alto erguida sobre uma biblioteca
com acervo ridículo, pessoal incompetente e espaço inadequado.
(MILANESE, 1983, p. 72).
As bibliotecas devem estar preparadas para enfrentar as exigências impostas pelos
modelos atuais da educação, pelas necessidades informacionais da sociedade, que tem a
informação como seu insumo primordial. Esta realidade exige destas organizações uma
atitude dinâmica e de eficiência no modo como estão sendo gerenciadas. As bibliotecas, assim
como qualquer outra instituição, devem ser administradas como um negócio, portanto, devem
traçar estratégias para alcançar seus objetivos (MACIEL; MENDONÇA, 2006).
As BUs contribuem com o desenvolvimento, tanto no plano pessoal, como
educacional de seus usuários, contribuindo para a capacitação da comunidade universitária.
Em consequência, os egressos dos cursos poderão produzir serviços melhores, refletindo
beneficamente na sociedade.

903

�3 MATERIAIS E MÉTODOS
Foi realizada uma busca exploratória, que, de acordo com Gil (1999, p. 43), “tem
como principal finalidade desenvolver, esclarecer e modificar conceitos e ideias, tendo em
vista, a formulação de problemas mais precisos ou hipóteses pesquisáveis para estudos
posteriores”.
Quanto à natureza, a pesquisa se caracteriza com abordagem qualiquantitativa. No
concernente ao ambiente, é classificada como de campo, pois, na concepção de Marconi e
Lakatos (2009, p. 188), “é aquela utilizada com o objetivo de conseguir informações e/ou
conhecimentos acerca de um problema, para o qual se procura uma resposta, ou de uma
hipótese, que se queira comprovar, ou ainda, descobrir novos fenômenos ou as relações entre
eles”.
O método quanto aos procedimentos foi o estruturalista, de Lévi-Strauss, pois, para
Marconi e Lakatos (2009, p. 93),

[...] parte da investigação de um fenôm eno concreto, eleva-se a seguir ao
nível abstrato, por interm édio da constituição de um m odelo que represente o
objeto de estudo, retornando por fim ao concreto, dessa vez com o um a
realidade estruturada e relacionada com a experiência do sujeito social.

O instrumento de coleta de dados utilizado foi o questionário, optou-se por utilizar
esse instrumento, pois de acordo com Cervo, Bervian e Silva (2007, p. 53), “o questionário é
a forma mais usada para coletar dados, pois possibilita medir com mais exatidão o que se
deseja”.
O universo da pesquisa é composto pelos 439

bibliotecários dos campi da Rede

Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (Rede EPCT) cadastrados no
grupo de discussão da Comissão Brasileira de Bibliotecas das Instituições da Rede Federal de
Educação Profissional, Científica e Tecnológica (CBBI), instituída em 08/10/2011 por
votação em sessão plenária do VI Fórum Nacional de Bibliotecários dos Institutos Federais,
em Petrolina, PE. Desse total de 439 enviados, foram devolvidos somente 42 questionários
respondidos. Portanto, a pesquisa foi feita com uma amostra de 9,56% total de bibliotecários
gestores de pessoas, pertencentes à Rede Federal de Educação Profissional, Científica e
Tecnológica, o que foi considerado pelos parâmetros estatísticos amostra válida.
Com suporte nos dados recolhidos, constatamos nos campi que devolveram o
questionário, que seis respondentes não identificaram o Campus a que pertencem. De acordo
83 Dado atualizado em 17/10/ 2013, de acordo com o presidente da CBBI e moderador do grupo de discussão.

904

�com os campi, percebemos a diversidade de regiões que colaboraram com a pesquisa. Essa
diversidade foi de fundamental importância, pois, assim, pôde-se ver, com os resultados das
outras questões, que alguns problemas enfrentados por um bibliotecário gestor de pessoas em
um campi é bem parecido e às vezes idêntico ao de outro bibliotecário de outra região do País.

4 RESULTADOS E DISCUSSÕES
O propósito da presente pesquisa foi identificar as competências essenciais que o
bibliotecário precisa ter para assumir a função de gestor de pessoas nas bibliotecas da Rede
Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (Rede EPCT).
Responderam ao questionário 42 bibliotecários gestores de pessoas o que corresponde
a 9,56% do universo da pesquisa que é 439 bibliotecários.

Gráfico 1 - Formação acadêmica

G ra d u ç ã o
10%

M e s tra d o
■ G ra d u ç ã o

22%

■ E sp e cia liza ç ã o
E s p e cia liza ç ã i &gt;

■ M e s tra d o

68%

Fonte: Dados da pesquisa.

A busca pela titulação de maior nível é uma realidade no País, e no caso das
Instituições Federais essa realidade é cada vez mais acentuada. Fato que pode ser atribuído
tanto, pela melhora da atuação profissional como também pelo fato do Serviço Público
Federal fornecer a progressão dos servidores por qualificação84. Afinal, de acordo com o grau
que se tem, por exemplo, especialização é proporcionado 30% sobre o vencimento básico,
mestrado 52% e doutorado 75%. Logo, é de se esperar que esses profissionais, mesmo que
84 Tabela disponível no site do Sindicato Nacional dos Servidores Federais da Educação Básica, Profissional e
Tecnológica (SINASEFE). www.sinasefe.org.br

905

�não tenham como projeto a continuidade dos estudos, quando se trata de conseguir uma
vantagem salarial, busquem cada vez mais a educação continuada.
Pelo fato do objeto desse estudo contemplar as competências essenciais para os
bibliotecários gestores de pessoas e por ser de certa forma já uma pratica se acreditar que
aqueles com mais tempo de serviços poderiam ser mais competentes naquilo que exercem,
buscou-se saber o tempo que os participantes da pesquisa tinham exercendo a função de
gestores das bibliotecas em que atuam.
Constatamos que a predominância de tempo de gestão na biblioteca é de 2 a 5 anos de
experiência na gestão de bibliotecas (35%). Isso pode ser o resultado da expansão da política
de implantação da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (Rede
EPCT) que proporcionou a abertura de concursos e muitos profissionais recém-graduados ou
pós-graduados assumissem esses cargos.
Sabe-se que na área da Administração existem inúmeras técnicas e ferramentas para
subsidiar o exercício da gestão, de uma maneira geral, a exemplo de: análise SWOT, gestão
por competência, Feedback, planejamento estratégico e Coaching. Todas essas técnicas e
ferramentas estão sendo cada vez mais aperfeiçoadas e outras estão surgindo na perspectiva
de melhorar cada vez mais a gestão. Então, buscou-se saber se os bibliotecários investigados
faziam uso dessas ferramentas no seu cotidiano de trabalho no ambiente biblioteca. Para
tanto, solicitamos-lhes que indicassem na paleta de opções aquelas que eles mais utilizam.
A técnica de Feedback, foi a mais indicada, com a 35% seguida planejamento
estratégico (32%), conforme aponta o Gráfico 2.
Gráfico 2 - Uso de técnica ou ferramenta da administração para a gestão da equipe

906

�O Feedback que se sobressaiu na pesquisa é algo que, de certa forma, nos
surpreendeu, haja vista que esperávamos a indicação de outras técnicas e ferramentas mais
modernas que as organizações estão adotando, justamente para melhorar o desempenho das
pessoas no exercício prático de seu trabalho, como, por exemplo: gestão por competência,
coaching e mentoring e que foram apresentadas no capítulo sobre a gestão das competências.
Tal resultado pode proceder do cotidiano de trabalho dos bibliotecários, talvez em razão de as
equipes serem muito pequenas no âmbito das bibliotecas, pelo menos é o que se observa,
empiricamente. Não se pode esquecer, entretanto, de que, como defende Gramigna (2002, p.
129), o Feedback “deve ser entendido como um processo de ajuda e estímulo para a mudança
de comportamento e/ou para a aquisição e o desenvolvimento de competências, contribuindo
para o aprimoramento da performance”.
Nossa intenção, com essa categoria, era realmente colher impressões sobre o
conhecimento que os bibliotecários que assumem a função como gestores de pessoa têm sobre
as competências necessárias para tal função. Isto porque, pela sua experiência de ter assumido
tal função sem se sentir com a competência suficiente para exercê-la, enfrentou dificuldades
ao lidar com as complexidades dos seres humanos e da própria cultura organizacional. Então,
foi perguntado aos bibliotecários quais as competências para assumir a função como gestor de
pessoas. Como se tratava de uma questão aberta; foram apresentadas inúmeras respostas.
As respostas relativas a essa questão foram bem variadas, desde aquelas concernentes
ao conhecimento em gestão de pessoas até o compromisso. Para melhor visualização desses
resultados, organizamos conforme os conceitos que mais apareceram sobre competências,
essências para a gestão de pessoas e que estão no Gráfico 3.
O mapeamento das competências que os bibliotecários afirmam possuir é fundamental
para que possam superar os desafios advindos do ambiente organizacional que a Rede EPCT
proporciona. Com esse entendimento claro das competências essenciais necessárias aos
bibliotecários gestores de pessoas, eles estarão aptos a elaborar uma definição de quais
deverão ser seus conhecimentos, habilidades e atitudes para que as desenvolvam cada vez
mais no exercício da sua função. Com isso, suas equipes de trabalho também conseguirão
definir seus atributos de competência (conhecimentos, habilidades e atitudes), de modo que a
Rede EPCT possa de desenvolver cada vez mais, pois as capacidades de cada membro da
equipe serão aplicadas na organização e estas poderão contribuir de forma eficiente, eficaz e
com efetividade na execução dos trabalhos.

907

�Gráfico 3 - Competências essenciais

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O estudo mostrou que, na percepção dos bibliotecários da Rede EPCT sobre as
competências essenciais necessárias para subsidiar suas práticas da gestão de pessoas, aquelas
concernentes a Gestão de pessoas, Liderança, Trabalho em equipe, Fazer biblioteconômico,
Comunicação,

Relacionamento

interpessoal,

Responsabilidade,

Visão

holística

e

Compromisso foram as que mais se evidenciaram. Tal resultado demonstra que esses
profissionais, de certa forma, têm o entendimento acerca do assunto tratado e de seu papel na
qualidade de gestores dessas tarefas.
Tratando-se do objetivo de averiguar se o uso de alguma técnica ou ferramenta da
administração na gestão de suas equipes de trabalho, sobrou a evidência de que eles se
apropriam de tais mecanismos no exercício da função que ocupam. Conforme os resultados
da análise dos dados, sobressaem-se: Feedback, Gestão por competências, Planejamento
estratégico, Análise SOWT.
Constatamos ainda, nesta pesquisa que o bibliotecário gestor de pessoas deve usar
competências para embasar a sua função relativamente a sua equipe de trabalho. A gestão de
pessoas nas bibliotecas da Rede EPCT tem fundamental importância e o desenvolvimento de
competências essenciais necessárias para atuar na complexidade de um ambiente
organizacional é a peça - chave nesse processo.

908

�Assim, consideramos que o resultado da pesquisa empírica trouxe respostas ao
problema de pesquisa e que seus objetivos foram atingidos, haja vista que os bibliotecários
(gestores) sabem que competências precisam ter para assumir sua função junto às bibliotecas
da Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica (Rede EPCT), embora
tenha ficado evidente a ideia de que nem todas as competências do Glossário de atributos de
competências para inteligência competitiva, da autoria de Amaral (2006), tenham sido
apontadas.

6 REFERÊNCIAS
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importância da capacitação no uso de tecnologias. Revista de Iniciação Científica da FFC,
v. 4, n. 2, 2004. Disponível em: &lt;http://www2.marilia.unesp.br/revistas/index.php/ric/
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AMARAL, Roniberto Morato. Desenvolvimento e aplicação de um método para o
mapeamento de competências em inteligência competitiva. 2006. 210 f. Dissertação
(Mestrado em Engenharia de Produção) - Universidade Federal de São Carlos, São Carlos,
2006.

Disponível

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&lt;

http://200.136.214.89/nit/refbase/arquivos/amaral/2006/577

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AUGÉ, Marc. Não-lugares: uma introdução a uma antropologia da supermodernidade. Trad.
Maria Lúcia Pereira. 6. ed. Campinas: Papirus, 2010.
BRITO, Lydia Maria Pinto; CARLOS, Maria da Graça de Oliveira; AVELINO, Fernando
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Disponível

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&lt;http://www.periodicos.ufsc.br/index.php/adm/article/view/1598/1360&gt;.

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              <text>A pesquisa teve como propósito identificar as competências essenciais dos bibliotecários gestores de pessoas nas bibliotecas da Rede Federal de Educação Profissional Científica e Tecnológica, buscando responder ao seguinte questionamento: quais são as competências essenciais que o bibliotecário precisa ter para assumir a função como gestor de pessoas nas bibliotecas da Rede Federal de Educação Profissional Científica e Tecnológica? Teve como objetivo identificar, na visão dos bibliotecários-gestores, as competências essenciais para sua atuação na gestão de pessoas nas bibliotecas da Rede EPCT. Para tanto, se buscou embasamento teórico sobre competências, competências essenciais (core competences), gestão de pessoas e bibliotecas universitárias. A pesquisa, quanto aos objetivos foi classificada como exploratória, com abordagem qualiquantitativa, sendo o levantamento de dados feito mediante questões semiestruturadas (abertas e fechadas). Quanto ao ambiente, é classificada como de campo, sendo que o método de sustentação das análises se fundamenta na abordagem estruturalista. Responderam ao questionário 42 bibliotecários gestores de pessoas o que corresponde a 9,56% do universo da pesquisa, que é 439 bibliotecários. A análise dos dados e a discussão dos resultados demonstram que as competências essenciais necessárias para subsidiar as práticas da gestão de pessoas pelos bibliotecários nas bibliotecas da Rede EPCT, apontadas por esses profissionais são: gestão de pessoas, liderança, trabalho em equipe, fazer biblioteconômico (práticas do bibliotecário), comunicação, relacionamento interpessoal, responsabilidade, visão holística e compromisso.</text>
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