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                  <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

AS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS COMO ORGANIZAÇÕES APRENDENTES:
O CASO DA BIBLIOTECA DO IFPB CAMPUS SOUSA
Jobson Louis Santos de Almeida
Jessica Carolina de Medeiros Noberto
Gustavo Henrique de Araujo Freire

RESUMO
Apresenta uma abordagem reflexiva acerca da compreensão das bibliotecas universitárias
como organizações aprendentes. Trata-se de um estudo exploratório inicial realizado para
subsidiar pesquisas vindouras, bem como possibilitar outras reflexões e discussões
contributivas para o debate colocado em questão no contexto da Biblioteconomia e da Ciência
da Informação. Contemplam-se dois temas considerados relevantes para compor a rede
conceitual deste estudo: Gestão da Informação nas Organizações Aprendentes e Bibliotecas
Universitárias como organizações que aprendem. Por meio da pesquisa documental e da
observação participante, buscou-se conhecer a realidade de uma biblioteca inserida no
contexto de um Instituto Federal de Educação que oferta cursos de nível médio, técnico e
superior, propondo-se caminhos para adoção de uma filosofia e prática organizacional
aprendente. As reflexões apresentadas neste artigo contribuem para nortear estudos vindouros
sobre como transformar bibliotecas universitárias em organizações aprendentes, considerando
a interdisciplinaridade existente entre Administração, Ciência da Informação e Educação. Os
resultados e discussões provenientes da reflexão realizada neste estudo nos permite concluir
que: i) é necessário conhecer bem a realidade da biblioteca a ser transformada em organização
aprendente, incluindo o clima organizacional percebido pelos seus colaboradores e usuários;
ii) o longo processo de transformação começa pela atuação da biblioteca no que diz respeito
as competências em informação junto aos seus usuários; e iii) uma biblioteca universitária
introduz a filosofia e prática organizacional aprendente em sua realidade a partir da
incorporação das cinco disciplinas propostas por Peter Senge em seu espaço de atuação aliada
à abordagem das competências em informação.
Palavras-chave:
universitárias.

Gestão

organizacional;

Organizações

aprendentes;

Bibliotecas

ABSTRACT
Presents a reflective approach on the understanding of university libraries as learning
organizations . This is an initial exploratory study to support future research as well as other
possible contributory discussions and reflections to the debate called into question in the
context of Library and Information Science . Come up two topics considered relevant to
compose the conceptual network of this study : Information Management in Organisations
Learners and Academic Libraries as learning organizations. Through documentary research
and participant observation , we sought to know the reality of a library into the context of a
Federal Office for Education that offer secondary courses , technical and higher education ,

829

�proposing ways to adopt a philosophy and practice organizational learner . The ideas
presented in this article contribute to guide upcoming studies on how to transform university
libraries in learning organizations, considering the existing interdisciplinary Administration ,
Information Science and Education . The results and discussions from consideration by this
study allows us to conclude that : i) is necessary to know the reality of the library to be
transformed into a learning organization, including organizational climate perceived by its
employees and users; ii ) the long process of transformation begins by at the library regarding
the information competencies among its customers ; and iii ) a university library introduces
the learner organizational philosophy and practice your reality from the merger of the five
disciplines proposed by Peter Senge in his area of operations the allied approach to
information literacy.
Keywords: Organizational management; Learning organizations; University library.

1 INTRODUÇÃO
As bibliotecas dos Institutos Federais de Educação (IFs) no Brasil ainda não possuem
uma classificação consensual de acordo com suas funções e finalidade. Embora elas atendam
aos usuários do Ensino Médio e do Ensino Superior, ainda há os que refutam a ideia de
classificá-las como biblioteca escolar-universitária. Essa dificuldade de classificação
apresentada por alguns é compreensível, pois no contexto dos IFs, as bibliotecas prestam
serviços de informação aos mais variados grupos de usuários, quais sejam, usuários
vinculados aos cursos de pós-graduação (lato e stricto sensu), de Educação de Jovens e
Adultos (EJA), cursos de qualificação profissional como, por exemplo, os cursos ofertados
pelo Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (PRONATEC), e também
aos cursos de nível técnico, tanto integrado, quanto subsequente ao Ensino Médio.
Nesse sentido, ainda não existe um consenso entre os bibliotecários sobre qual seria a
denominação mais adequada para traduzir um espaço de informação que atende a múltiplos
grupos de usuário. Alguns defendem as terminologias “biblioteca híbrida” ou “biblioteca
mista”. E mais recentemente há a proposta inédita de adoção da classificação biblioteca
multinível para as bibliotecas dos IFs, idealizada por Moutinho (2014), em que a biblioteca é
percebida como uma organização que atende às necessidades de um público de diferentes
níveis de processos formativos (nível médio, técnico e superior) e, consequentemente,
diferentes níveis de necessidades e competências informacionais. No entanto, apesar da falta
de consenso quanto à classificação dessas bibliotecas segundo funções e finalidade, não se
pode negar que as bibliotecas de IFs que ofertam cursos superiores são bibliotecas
universitárias. A própria sociedade contemporânea, por exemplo, se caracteriza por não ter
fronteiras definidas, principalmente no que se refere às áreas do conhecimento e ao trabalho

830

�com informação. Os usuários da sociedade em rede são múltiplos em seus desejos e
necessidades de informação. As bibliotecas, portanto, como espaços de informação, devem
estar preparadas para atuar nesse novo contexto múltiplo informacional. Partindo desta
premissa, considerar-se-á neste artigo a biblioteca do Instituto Federal de Educação, Ciência e
Tecnologia da Paraíba (IFPB) Campus Sousa como sendo uma biblioteca universitária.
O objetivo do estudo realizado foi identificar as possibilidades de transformação da
biblioteca do IFPB Campus Sousa em uma organização aprendente. Nesta abordagem inicial,
pretendeu-se apontar os caminhos para uma investigação científica que possibilite a adoção
dessa filosofia e prática organizacional nas bibliotecas do IFPB. Para isto, iniciou-se uma
construção conceitual acerca dos seguintes temas: Gestão da Informação nas Organizações
Aprendentes e Bibliotecas Universitárias como organizações que aprendem. Esta rede
conceitual é apresentada na seção 2 do artigo e é oriunda dos estudos desenvolvidos pelos
pesquisadores no âmbito do Mestrado Profissional Gestão em Organizações Aprendentes, da
Universidade Federal da Paraíba. Nas seções seguintes descrevem-se os procedimentos
metodológicos adotados e apresentam-se os resultados e as discussões. Destaca-se que este é
um estudo inicial, mas que pode e deve ser compartilhado com os pares a fim de possibilitar
uma construção do conhecimento coletivo, orientado para a inovação organizacional do
gerenciamento de bibliotecas universitárias na perspectiva das organizações aprendentes. A
própria singularidade, conforme supracitado, das bibliotecas dos IFs por si só já configura
uma inovação para estudos na área.

2 TECENDO UMA REDE CONCEITUAL
As definições de gestão da informação, organizações aprendentes e bibliotecas
universitárias são relevantes para o entendimento da abordagem reflexiva sobre as bibliotecas
universitárias como organizações aprendentes. A seguir, esses conceitos são definidos a partir
da visão de diferentes autores, considerados relevantes na contemporaneidade para a
abordagem da temática investigada.
2.1 Gestão da Informação nas Organizações Aprendentes
O uso da informação tem se mostrado imprescindível para a exequibilidade dos
objetos estabelecidos nos diferentes tipos de organizações, na medida em que possibilita aos
gestores tomarem decisões mais adequadas no que se referem à qualidade dos produtos e/ou
serviços por elas produzidos. Corroborando com Bassetto (2013), a informação é um
elemento natural nas organizações contemporâneas.

831

�A informação, tanto pode ser considerada um insumo produtivo, como também pode
representar o próprio produto final de uma organização. Como exemplos, pode-se citar o caso
de empresas de tecnologia como a Google e Oracle e de consultoria como a Ernst &amp; Young.
Corrobora-se com a maioria dos filósofos que afirmam que a mente humana dá forma
aos dados para criar informação e conhecimento significativos, assim como há várias
percepções conceituais sobre a informação na contemporaneidade (ALMEIDA; COSTA,
2011, p. 228). A informação pode ser conceituada como “conjunto de dados aos quais os seres
humanos deram forma para torná-los significativos e úteis” (LAUDON; LAUDON, 1999, p.
10). No entanto, conforme apregoam Capurro e Hjorland (2007), a informação é um conceito
interdisciplinar e o termo é utilizado em várias disciplinas científicas em seus contextos e
fenômenos específicos. São muitos os conceitos atribuídos ao termo “informação” na
literatura científica clássica e contemporânea. A informação, tanto pode ser relacionada aos
documentos impressos e as bibliotecas, quanto estar presente em diálogos informais, patentes,
fotografias, bases de dados e atualmente com maior destaque na Internet (PINHEIRO, 2004).
Embora informação seja um conceito difícil de traduzir em construtos teóricos, pois, afinal,
não se trata de um fenômeno estático, podemos afirmar que são condições básicas para sua
existência: o ambiente social (contexto), os agentes (produtores, emissores e receptores), e os
canais (circulação da informação). Sendo assim, a informação é um recurso gerenciável.
As contribuições teóricas de Polanyi acerca das noções de tácito e explícito foram
fundamentais para os avanços na Ciência da Informação quanto ao campo da “gestão da
informação e do conhecimento”. Sabemos, atualmente, que para gerenciar a informação e
facilitar a sua transformação em um recurso estratégico, a organização deve possuir
competência para atuar de forma significativa em todo o processo informacional, qual seja
identificar as necessidades e os requisitos de informação, coletar, classificar e armazenar,
tratar e apresentar, desenvolver os produtos e serviços, distribuir e disseminar a informação
(MCGEE; PRUSAK, 1994, p. 108).
Na perspectiva de Dias e Belluzzo (2003), a gestão da informação é um conjunto de
conceitos, princípios, métodos e técnicas utilizadas na prática administrativa e colocadas em
execução pela liderança de um serviço de informação para atingir a missão e os objetivos
fixados. Segundo Choo (2003), a gestão da informação é compreendida como a administração
de uma rede de processos que adquirem, criam, organizam, distribuem e usam a informação.
A Figura 1 representa esquematicamente esta ideia.

832

�Figura 1 -Ciclo dos processos da gestão da informação

Fonte: Choo, 2003

Nas organizações, a informação representa um insumo fundamental para o apoio às
estratégias e aos processos de gestão, sendo um ativo que necessita ser gerenciado da mesma
forma que os outros tipos, como recursos humanos, financeiro e tecnológico (BEUREN,
1998). No contexto das organizações aprendentes, aquelas que estão em sintonia com as
demandas exigidas pela sociedade contemporânea, os processos de aprendizagem ocupam um
lugar central. Essas organizações percebem que a sociedade atual exige delas a necessidade de
aprender continuamente para atender as exigências do mundo moderno.
Nesse sentido, uma organização aprende construindo, testando e reconstruindo sua
teoria de ação. Os indivíduos são frequentemente os agentes de mudança da teoria em uso:
eles agem com base em suas imagens e seus mapas, na expectativa de resultados comuns, que
sua experiência subsequente irá confirmar ou não. Quando o resultado não corresponde à
expectativa (erro), os membros podem reagir modificando suas imagens, mapas e atividades,
de modo a alinhar expectativas e resultados (CHOO, 2003).
As organizações que aprendem são aquelas nas quais as pessoas aprimoram
continuamente suas capacidades para criar o futuro que realmente gostariam de ver surgir. Há
uma relação de competências (disciplinas) que as organizações devem desenvolver a fim de
alterar e aumentar significativamente sua capacidade de aprendizado.
Segundo Senge (1990), são cinco os programas permanentes de estudo e prática que
levam ao aprendizado, os quais são conhecidos como disciplinas do aprendizado. Essas
disciplinas são apontadas por Zaccaro (2002) como uma série de passos, não necessariamente
sequenciais, mas que juntas caracterizam um processo cíclico de aprendizagem que
possibilitaria a transformação de uma organização convencional em organização aprendente,
ou que contribuiria para ganhos em produtividade, qualidade, inovação e ambiente de

833

�trabalho. Tais disciplinas são definidas a seguir e representadas esquematicamente como um
processo cíclico na Figura 2.
S Domínio pessoal: significa aprender a expandir as capacidades pessoais para obter os
resultados desejados e criar um ambiente organizacional que estimule todos os
participantes a alcançar as metas escolhidas;
S Modelos mentais: consiste em refletir, esclarecer continuamente e melhorar a imagem
que cada um tem do mundo, a fim de verificar como moldar os atos e decisões;
S Visão compartilhada: voltada ao engajamento do grupo em relação ao futuro que se
procura criar e elaborar os princípios e as diretrizes que permitirão que esse futuro seja
alcançado;
S Aprendizado em equipe: transformação das aptidões coletivas ligadas a pensamento e
comunicação, de maneira que grupos de pessoas possam desenvolver inteligência e
capacidades maiores do que a soma dos talentos individuais;
S Pensamento sistêmico: criação de forma de analisar e uma linguagem para descrever e
compreender as forças e inter-relações que modelam o comportamento dos sistemas.
Esta disciplina permite mudar os sistemas com maior eficácia e agir de acordo com os
processos do mundo natural e econômico.

Figura 2 - As cinco disciplinas da aprendizagem organizacional

Fonte: Senge, 1990.

Complementar à abordagem de Senge (1990), a respeito das cinco disciplinas da
aprendizagem organizacional, percebe-se como relevante a contribuição de Delors (2001) que

834

�entende que uma pessoa, para ser competente, deve desenvolver quatro habilidades: aprender
a conhecer, aprender a ser, aprender a conviver e aprender a fazer. Essas quatro habilidades,
aliadas às cincos disciplinas organizacionais supracitadas, possibilita que indivíduo e
organização estejam sinergicamente preparados para mudanças, inovações, práticas
colaborativas, convívio com a pluralidade de ideias, crenças e valores, além de capacitados
para adquirirem e desenvolverem competências amplas para enfrentar diversidade de
situações em cenários complexos. Há, neste contexto, uma supervalorização do capital
intelectual para consecução dos objetivos organizacionais com valor agregado pelo domínio
das competências em informação.
Nesse sentido, com o uso intensivo das tecnologias digitais e a valorização do trabalho
executado com o intelecto humano, tem-se a competência em informação como fator-chave
nas relações de trabalho, considerando-se que o colaborador trabalha em rede, em que se
exige dele: cooperação, trabalho em equipe, autonomia e responsabilidade (BASSETTO,
2013). Indivíduos competentes em informação são capazes de acessar e localizar as fontes de
informação, organizar a informação e dela fazer uso inteligente, sabendo discernir as
informações segundo critérios de confiabilidade e relevância. Organizações que aprendem
gerenciam informação e propiciam o desenvolvimento de competências em informação entre
seus colaboradores, sobretudo, quando essas organizações são unidades de informação.

2.2 Bibliotecas Universitárias como organizações que aprendem (learning organization)
Na contemporaneidade as bibliotecas são desafiadas a transformarem-se em agentes de
mudanças no âmbito de sua atuação, não se limitando aos papéis de repositórios de
informações e prestadora de serviços, mas são chamadas a adotarem práticas de inovação
organizacional que as tornem organizações aprendentes.
Para Anzolin e Sermann (2006) a biblioteca universitária pode ser definida como
aquela que atua em instituições de ensino superior, como centros universitários, universidades
e faculdades, e tem por finalidade dar suporte informacional, complementar às atividades
curriculares dos cursos e oferecer recursos para facilitar a pesquisa científica. Sua missão é
prover informação para o ensino, a pesquisa e a extensão de acordo com a política, o projeto
pedagógico e os programas da instituição na qual está inserida. Para Dudziak (2004) a pouca
tradição, a carência de recursos materiais, o despreparo no que tange ao ensino e à pesquisa, a
escassez de recursos humanos qualificados, os orçamentos limitados e desvinculados do
planejamento educacional da instituição, incluindo a ausência do planejamento bibliotecário,
acabam por comprometer o aprimoramento organizacional das bibliotecas universitárias.

835

�Angeloni (2002) afirma que o objetivo de trabalhar a aprendizagem nas organizações é
desenvolver nos integrantes a capacidade de aprender continuamente com vistas ao
estabelecimento da vantagem competitiva organizacional. A biblioteca universitária está
inserida em instituições de ensino superior apoiando os conteúdos ministrados nos currículos
de cursos e oferecendo subsídios para a investigação técnico-científica da comunidade
acadêmica.
Corroborando com o apregoado por Dudziak (2003), fundamentando-se em Senge
(1990), Delors (2001), Bassetto (2013), entre outros supracitados, e considerando a biblioteca
do IFPB Campus Sousa como uma biblioteca universitária, infere-se que a transformação
desta em organização aprendente se inicia a partir da reflexão sobre sua própria cultura e
clima organizacional, os modelos mentais subjacentes, avaliando não somente as dificuldades
de comunicação e interação entre núcleo e linha de frente, a departamentalização e a
hierarquização, mas também investigando as possibilidades de ação para transformação da
realidade com base em fundamentação científica. Ação e pesquisa devem, neste cenário,
avançar lado a lado, em prol da implementação de uma filosofia e prática organizacional
sustentável, economicamente viável e benéfica socialmente.

3 METODOLOGIA
O presente estudo objetiva proporcionar maior familiarização com o problema por
meio de levantamento bibliográfico, pesquisa documental e abordagem reflexiva.
Consiste em um estudo exploratório inicial realizado para subsidiar pesquisas
vindouras sobre como transformar a biblioteca em uma organização aprendente, bem como
possibilitar outras reflexões e discussões contributivas para o debate colocado em questão no
contexto da Biblioteconomia e da Ciência da Informação.
Por meio da pesquisa documental e da observação participante, buscou-se conhecer a
realidade de uma biblioteca inserida no contexto de um Instituto Federal de Educação que
oferta cursos de nível médio, técnico e superior, propondo-se caminhos para investigar a
adoção de uma filosofia e prática organizacional aprendente.
3.1 Universo da Pesquisa
O IFPB está presente em todas as 12 (doze) regiões geoadministrativas do Estado da
Paraíba e desde 2011, a partir da implementação do Plano de Expansão III (2011-2014), está
ampliando o número de campi, que passará de 9 (nove) para 15 (quinze), conforme exibido na
Figura 3. Nesta, os novos campi estão destacados em vermelho e os já existentes destacados
em verde. O IFPB Campus Sousa faz parte da 10a região geoadministrativa, que abrange 15

836

�(quinze) municípios: Sousa, Vieirópolis, Lastro, Santa Cruz, São Francisco, Lagoa, Paulista,
São Domingos de Pombal, Pombal, São Bentinho, Cajazeirinhas, Aparecida, São José da
Lagoa Tapada, Marizópolis e Nazarezinho. Localizado no município de Sousa, que possui
aproximadamente 65.807 habitantes (IBGE, 2010), o IFPB Campus Sousa distribui-se
estrategicamente em três localidades: a Unidade Sede e o Centro Vocacional Tecnológico,
que estão localizados próximos a duas principais entradas da cidade situadas a margem da
Rodovia BR-230, e a Unidade São Gonçalo, ofertante da maioria dos cursos, que fica
localizada no Distrito de São Gonçalo, às margens da Rodovia da Produção.

Figura 3 - Abrangência do IFPB no Estado da Paraíba após o Plano de Expansão III

Fonte: BRASIL, 2012.

O Campus de Sousa do IFPB foi o resultado da fusão do antigo Centro Federal de
Educação Tecnológica (CEFET), obedecendo ao que rege a Lei n° 11.892/2008, com a Escola
Agrotécnica Federal de Sousa (EAFS). Atualmente oferta 14 (quatorze) cursos, sendo 12
(doze) na modalidade presencial e 02 (dois) na modalidade educação à distância (EaD),
conforme especificados na Tabela 1. De acordo com o artigo 2°, da Lei n° 11.892, de 29 de
dezembro de 2008, os Institutos Federais de Educação são definidos como: instituições de
educação superior, básica e profissional, pluricurriculares e multicampi, especializados na
oferta de educação profissional e tecnológica nas diferentes modalidades de ensino, com base
na conjugação de conhecimentos técnicos e tecnológicos às suas práticas pedagógicas.
Partindo da supracitada contextualização é possível compreender o perfil e as características

837

�das bibliotecas inseridas neste contexto, e em especial neste estudo, compreender a biblioteca
do IFPB Campus Sousa.

Tabela 1 - Número de cursos ofertados no IFPB Campus Sousa
NÍVEL SUPERIOR
CURSOS

NÍVEL TÉCNICO

Bacharelado Licenciatura Tecnologia Integrado Subsequente

Agroindústria
Agropecuária
Educação Física
Informática
Letras (EaD)
Medicina
01
Veterinária
Meio Ambiente
Química
Segurança
no
Trabalho (EaD)
Tecnologia
em
Agroecologia
Tecnologia
em
Alimentos
01
TOTAL
Fonte: Dados da pesquisa, 2014.

01
01

-

01
01
01
-

01
01
01
-

-

-

-

-

01

-

01
-

-

-

-

-

01

-

01

-

-

-

01

-

-

03

02

04

04

TOTAL
02
02
01
02
01
01
01
01
01
01
01
14

A biblioteca do IFPB Campus Sousa possui um acervo de aproximadamente 10.000
(dez mil) títulos, entre livros, periódicos e audiovisuais, uma equipe de 07 (sete) servidores
técnico-administrativos, sendo 01 bibliotecário-documentalista. Estruturalmente, divide-se em
Biblioteca Central (BC), localizada na Unidade São Gonçalo, e uma Biblioteca Setorial (BS),
localizada na Unidade Sede. Na BC estão concentradas as atividades de processamento
técnico, gerenciamento da biblioteca e todos os demais serviços de informação típicos que
uma biblioteca universitária dispõe (acervo, serviço de referência, acesso ao Portal de
Periódicos da Capes, acesso aos computadores para pesquisa, ambiente de estudo em grupo).
Quanto ao atendimento ao usuário, na BC realiza-se o atendimento aos discentes e docentes
de todos os cursos superiores e técnicos, incluindo os de nível médio. Na BS os serviços de
atendimento são direcionados prioritariamente aos discentes e docentes do curso superior
Licenciatura em Química e do curso Técnico em Informática, que funcionam ambos na
Unidade Sede.

838

�No Centro Vocacional Tecnológico não há biblioteca até o presente momento, embora
nele funcionem os curso técnicos da modalidade EaD e os cursos do Programa de Acesso ao
Ensino Técnico e Emprego (PRONATEC). Ressalta-se que a biblioteca presta serviços de
informação não somente aos discentes e docentes, mas também aos técnicos-administrativos
da instituição. Para todo e qualquer visitante da comunidade circunvizinha ao IFPB é
permitido o uso do espaço da biblioteca para consulta local ao acervo e utilização dos espaços
destinados ao estudo individual ou em grupo. Em ambas as bibliotecas, central e setorial, o
acesso à internet pela rede wi-fi é liberado para todos, e nelas encontram-se computadores
disponíveis para uso.
3.2 Percurso metodológico
A pesquisa bibliográfica consistiu na consulta, leitura e apropriação de conteúdos
registrados em livros e artigos de periódicos científicos que versassem sobre os temas “Gestão
da Informação”, “Organizações Aprendentes” e “Bibliotecas Universitárias”, localizados nas
bibliotecas pessoais dos pesquisadores e em bibliotecas de instituições de ensino nas quais os
pesquisadores possuem vínculo e acesso. Com isto foi possível iniciar a construção de uma
rede conceitual, apresentada na seção 2 deste artigo.
Em seguida, para a pesquisa documental, fez-se uso dos buscadores Google e Bing
para localização de documentos que descrevessem a realidade do universo pesquisado. Para
obtenção de um resultado mais preciso foram realizadas buscas com o uso de aspas em parte
dos termos pesquisados, consistindo em uma estratégia de busca mais eficaz e eficiente. Os
termos utilizados na busca foram os seguintes: [campus Sousa “IFPB”], [expansão “IFPB”],
[cursos “IFPB”, biblioteca “IFPB”].
Uma segunda estratégia de busca utilizada no buscador Google foi a pesquisa de dados
exclusivamente no site do IFPB. Para tal, digitava-se o termo de busca desejado e em seguida,
após um único espaço, digitava-se na caixa de busca a especificação do domínio, conforme
mostra o exemplo a seguir: [expansão site:ifpb.edu.br]. Os colchetes visualizados nas
exemplificações acima são apenas representações da caixa de busca do Google, portanto,
considere-se como termos de busca apenas o que neles está contido. Os termos utilizados na
busca foram os mesmos utilizados nas exemplificações supracitadas. Após a busca e
identificação das fontes de interesse para a pesquisa, realizou-se o procedimento de
observação participante.
Partiu-se do pressuposto de que a observação participante possibilita ao pesquisador
relacionar e compreender os fatos e as situações da organização na qual está inserido, e a
partir disto propor soluções para os problemas emergentes em um dado contexto. Abib,

839

�Hoppen e Hayashi Junior (2013) corroboram com Angrosino (2009) ao caracterizar a
observação participante como um processo de aprendizagem pelo envolvimento nas
atividades cotidianas de quem participa da pesquisa. Adler e Adler (1987) apregoam como
vantagem da observação participante a possibilidade de acesso irrestrito ao ambiente
pesquisado com possibilidade de coleta completa de informações e detalhes. DeWalt e
DeWalt (2011) elucidam o ganho de espaço e o potencial desta metodologia, e baseado em
profunda análise de vários estudos internacionais, apontam três aspectos relevantes sobre a
observação participante utilizada em estudos contemporâneos: a) maior grau de detalhamento
dos resultados encontrados; b) observação e participação são processos diferentes; e c) rigor
metodológico na coleta de dados. Os benefícios da observação participante
contemplam aspectos difíceis de se obter de outra forma, qualificando a
observação participante para estudos sobre mudança organizacional,
estruturação de redes, impactos da adoção de TIC nas organizações, análise de
processos decisórios complexos, e facilitando o entendimento dos fatores
intervenientes nos relacionamentos organizacionais e de poder. (ABIB;
HOPPEN; HAYASHI JUNIOR, 2013, p. 608).
No caso desta pesquisa, um dos autores é o Coordenador da Biblioteca, e por ocupar
tal cargo, pressupõe-se que conhece bem a realidade do ambiente organizacional investigado.
Os dados obtidos pela observação participante foram descritos diretamente em suporte digital,
por meio do uso de um tablet (com editor de textos), e posteriormente tabulados. Os critérios
observados na biblioteca foram decididos coletivamente pelos pesquisadores e foram os
seguintes: 1) Estrutura; 2) Pessoal; 3) Serviços; 4) Usuários; e 5) Gerenciamento.
Após a fase de coleta de dados, realizou-se a análise dos dados visando a síntese dos
aspectos observados em sequência lógica. Esses dados obtidos durante a observação
participante, pelo pesquisador que coordena a biblioteca, foram socializados com os demais
pesquisadores condutores deste estudo, a fim de sistematização. Com isto, foi possível
realizar reflexões acerca da filosofia e prática organizacional vigente, possibilitando um
planejamento viável para pesquisas vindouras de investigação sobre o processo de
transformação de bibliotecas universitárias em organizações que aprendem. Os frutos iniciais
desta abordagem reflexiva estão registrados neste artigo, mais especificamente na seção 4,
intitulada Resultados e Discussões.

840

�4 RESULTADOS E DISCUSSÕES
A observação participante possibilitou identificar os componentes de cinco aspectos
necessários ao funcionamento da biblioteca, a saber: estrutura, pessoal, serviços, usuários e
gerenciamento. No Quadro 1 está a descrição dos aspectos observados na Biblioteca Central
do IFPB Campus Sousa, e no Quadro 2 está a descrição dos aspectos observados na
Biblioteca Setorial.

Quadro 1 - Aspectos observados na Biblioteca Central do IFPB Campus Sousa
CRITÉRIOS

COMPONENTES
Possui um único piso (térreo), climatizado, dispondo de acessibilidade
para cadeirantes, com rampas de acesso e portas suficientemente largas;
01 sala de processamento técnico, 01 arquivo permanente e 01 sala do
bibliotecário, destinada às atividades de gestão da biblioteca;
01 grande área compartilhada por acervo geral, acervo multimídia, sala de
estudos em grupo e cabines individuais (sem proteção acústica);
02 banheiros, sendo um feminino e outro masculino.
Estrutura
Dispões de 06 (seis) computadores destinados aos usuários, que permite
leitura de mídias móveis de armazenamento de dados (CD, DVD, pen
drive e cartão de memória);
Há um computador em cada estação de trabalho de cada servidor da
biblioteca;
O sistema antifurto e o sistema de identificação biométrica estão sendo
implementados.
Nela atuam 04 (quatro) servidores, sendo 01 (um) bibliotecário.
Pessoal
- Funciona, ininterruptamente, das 7h às 22h, de segunda à sexta;
- Processamento técnico;
- Referência e Circulação;
- Consulta ao acervo;
Serviços
- Treinamento de usuários;
- Acesso aos computadores para estudo e à internet para pesquisa;
- Acesso ao Portal de Periódicos da Capes;
- Acesso à biblioteca virtual Ebrary.
Principalmente, discentes, docentes, e técnico-administrativos do IFPB.
São usuários com acesso restrito aos serviços, os pertencentes às
comunidades circunvizinhas e os participantes dos Programas de
Usuários
Educação Profissional e de Inclusão Social, vinculados ao IFPB (a
exemplo do PRONATEC e Programa Mulheres Mil).
- O regulamento encontra-se em fase de reelaboração;
Gerenciamento - O sistema de gerenciamento da biblioteca não é informatizado, ou seja,
é manual. Dispõe de controle estatístico manual.
Fonte: Dados da Pesquisa, 2014

841

�Quadro 2 - Aspectos observados na Biblioteca Setorial do IFPB Campus Sousa
CRITÉRIOS

COMPONENTES
Possui um único piso (térreo), dispondo de acessibilidade para
cadeirantes, com rampas de acesso e porta suficientemente larga;
01 grande área compartilhada por sala de estudos em grupo e cabines
individuais com computadores (sem proteção acústica);
Estrutura
01 estação de trabalho para o servidor da biblioteca, com computador e
acesso à internet;
01 área exclusiva para acervo;
Todo o ambiente é climatizado e está em fase de sinalização dos espaços.
Nela atuam 03 (seis) servidores, cada um responsável por um turno.
Pessoal
- Funciona, ininterruptamente, das 7h às 22h, de segunda à sexta;
- Carimbagem, preparo de fichas e colagem de bolsos;
- Referência;
- Circulação;
- Consulta ao acervo;
Serviços
- Treinamento de usuários;
- Acesso aos computadores para estudo e à internet para pesquisa;
- Acesso ao Portal de Periódicos da Capes;
- Acesso à biblioteca virtual Ebrary.
Principalmente discentes, docentes, e técnicos-administrativos, do IFPB.
São usuários com acesso restrito aos serviços, os pertencentes às
comunidades circunvizinhas e os participantes dos Programas de
Usuários
Educação Profissional e de Inclusão Social vinculados ao IFPB (a
exemplo do PRONATEC e Programa Mulheres Mil).
- O regulamento encontra-se em fase de reelaboração;
- O sistema de gerenciamento da biblioteca não é informatizado, ou seja,
Gerenciamento
é manual;
- Dispõe de controle estatístico manual.
Fonte: Dados da Pesquisa, 2014.

A partir dos dados tabulados, oriundos da observação participante, realizaram-se
alguns apontamentos como recomendações iniciais para possibilitar o processo

de

transformação em biblioteca aprendente vindouro.
Primeiramente, quanto à estrutura,

observa-se a necessidade de ampliação e

redefinição dos espaços físicos a fim de

aperfeiçoar a exequibilidade dos serviços

informacionais. Uma biblioteca aprendente

não pode privar-se de um ambiente de

treinamento e educação permanente para usuários e para a equipe de pessoal da biblioteca. O
sistema antifurto e o sistema de identificação biométrica deverão ser instalados também na
Biblioteca Setorial, mas não são componentes que influenciam no processo de transformação
em organização aprendente. Verifica-se que apesar das diferenças estruturais entre Biblioteca
Central e Biblioteca Setorial, a realização dos serviços informacionais a que estão propostas

842

�não é comprometida, e o processo de transformação depende mais de planejamento e
execução de atividades, do que de estrutura física disponível.
Quanto ao pessoal da biblioteca, constata-se que o quantitativo de servidores atual
possibilita que ambas funcionem ininterruptamente das 7h às 22h, aspecto favorável à
satisfação das demandas dos usuários quanto a um ambiente de estudo e convivência, e ao
processo de transformação da biblioteca em organização aprendente.
Os serviços prestados pelas bibliotecas são comuns às bibliotecas universitárias em
todo o território nacional. Entretanto, recomenda-se a realização anual de estudos de usuários
a fim de dirimir possíveis falhas e viabilizar melhorias contínuas. Até o presente momento
nenhum estudo desse tipo foi realizado na biblioteca, e isto é uma prática necessária para a
biblioteca aprendente.
Quanto ao gerenciamento, verifica-se a necessidade de atualização do regulamento da
biblioteca para subsidiar a execução dos serviços e das práticas vigentes. O sistema manual de
gerenciamento da biblioteca possibilita erros no setor de circulação. É, portanto, necessária a
adoção de um software de gerenciamento de bibliotecas a fim de aperfeiçoar as práticas e
dirimir o índice de erros corriqueiros no setor de circulação quanto ao registro de empréstimos
e devoluções. Com a informatização da biblioteca, o controle estatístico (de frequência de
usuários, de empréstimos e de devoluções) também se torna preciso e, consequentemente,
mais confiável. A informatização da biblioteca é imprescindível na Era da Sociedade em
Rede, berço das organizações aprendentes.
Pensadas as questões ditas anteriormente de cunho organizacional, a partir dos cinco
critérios escolhidos para a observação participante, refletiu-se sobre as possibilidades de
transformação da biblioteca do IFPB Campus Sousa em uma organização aprendente.
Considera-se viável tal processo de transformação, devido, primeiramente, o Coordenador da
Biblioteca ser membro do corpo discente do Mestrado Profissional Gestão em Organização
Aprendentes, na Universidade Federal da Paraíba, e por fazer deste processo seu objeto de
estudo. Além de viável, torna-se necessário porque possibilita condições à biblioteca para
reagir às mudanças inerentes ao universo da informação e da aprendizagem em meio às
emergentes redes complexas de conhecimento. O caminho metodológico das investigações
científicas vindouras, portanto, deverá constituir-se em pesquisa-ação, pois esta possibilita a
construção de conhecimentos sobre a prática de forma legítima e com função social,
permitindo que haja melhor apropriação crítica de algumas teorias, contribuindo,
consequentemente, para que haja uma inovação gerencial. Essa forma de pesquisar implica a
concomitância de pesquisa e de ação, de pesquisadores e de práticos, com a finalidade de

843

�transformação da realidade organizacional, reafirmando o propósito social da Ciência, neste
contexto protagonizada pela Ciência da Informação, atuando de forma interdisciplinar com a
Administração e a Educação.
A partir da escolha metodológica supracitada, considera-se que para transformar uma
biblioteca em organização aprendente, se faz necessário que a mesma desenvolva um
programa de desenvolvimento de competências em informação, voltados aos seus usuários,
sejam eles docentes ou discentes. Propõe-se, portanto, a execução de uma investigação
científica voltada a comprovar que uma biblioteca torna-se aprendente, em sua filosofia e
prática organizacional, quando começa a gerir programas ou projetos que contemplem as
competências em informação. Afinal, como bem apregoa Assman (1999), a aprendizagem
mútua é condição fundamental de sobrevivência nas organizações. Bibliotecas aprendentes
são capazes de gerir mudanças por meio da aprendizagem. Um dos muitos caminhos que
tornam isto possível encontra-se, portanto, em sua função social de possibilitar que usuários
da informação desenvolvam competências em informação, frente a um cenário de
complexidade promovido pelas tecnologias intelectuais e digitais emergentes. A realização de
estudos sobre clima organizacional nas bibliotecas universitárias também é imprescindível
para compreender a satisfação e a motivação para o trabalho de informação na sociedade do
aprendizado contínuo, principalmente no contexto laboral das bibliotecas universitárias
aspirantes a se tornarem organizações aprendentes. (BENINE; PINHEIRO, 2010). Torna-se
cada vez mais necessário investigar o papel do bibliotecário como gestor de pessoas,
incluindo-se as questões relativas ao comportamento e a cultura organizacional, assim como a
gestão do conhecimento. “Para a Ciência da Informação e a Biblioteconomia, a atividade
gestora pode marcar o diferencial dos seus serviços, acreditando-se que, na prática, estas áreas
executem de forma indireta a gestão de pessoas em suas unidades” (PINTO; GONZÁLEZ,
2010, p. 104). Complementar a este percurso recomenda-se, para as bibliotecas universitárias
aspirantes a organizações aprendentes, a prática das cinco disciplinas propostas por Senge
(1990), abordadas na seção 2 deste artigo: visão compartilhada, domínio pessoal, pensamento
sistêmico, modelos mentais e aprendizagem em equipe.
A partir da aplicabilidade das supracitadas disciplinas na prática organizacional da
biblioteca, esta poderá propiciar aos seus usuários, bem como a sua equipe de pessoal,
condições para aprimorarem continuamente suas capacidades para criar o futuro que
realmente gostariam de ver surgir, conforme apregoa Senge (2000) com relação às
organizações que aprendem, caracterizando-as como organizações mais flexíveis, adaptáveis e
mais competitivas, na medida em que aprendem com outras organizações. A partir desta

844

�proposta, uma nova filosofia de ação poderá emergir nas bibliotecas universitárias
contemporâneas, mais de acordo com as demandas da Sociedade em Rede.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Este estudo exploratório é um momento inicial, portanto, para refletir acerca do papel
da biblioteca nos IFs (uma biblioteca multinível), que apresenta características próprias e que
por isso abrange atividades que vão além das vivenciadas apenas pelas bibliotecas
universitárias ou somente pelas bibliotecas escolares, pois nelas há características de ambas,
que se mesclam.
A partir da reflexão apresentada, abre-se um espaço na literatura científica da Ciência
da Informação e da Biblioteconomia para pensar sobre os caminhos que deverão ser
percorridos para transformar a biblioteca universitária convencional em uma biblioteca
universitária (ou quiçá biblioteca multinível) aprendente, capaz de lidar com as mudanças
exigidas pela sociedade contemporânea. Acreditamos que esse percurso ocorra pela
aprendizagem. Nesta dimensão plural no atendimento aos seus usuários, a biblioteca do IFPB
Campus Sousa, enquanto biblioteca universitária desempenha relevante papel social no
contexto de uma IFs que oferta 06 (seis) cursos superiores. Indissociável dos processos de
ensino, pesquisa e extensão, a biblioteca do IFPB Campus Sousa precisa ser conhecida e
investigada cientificamente. Estamos diante de organizações, o IFPB e sua biblioteca, que
produzem e disseminam conhecimentos em uma região que muito demanda desenvolvimento
social e econômico: o sertão paraibano.
Para iniciar o longo processo de transformação da biblioteca do IFPB Campus Sousa
em organização aprendente, é necessário, portanto, conhecer bem a realidade da mesma. Esse
processo inclui entender o clima organizacional percebido pelos seus colaboradores e
usuários; atuar no que diz respeito às competências em informação junto aos seus usuários,
reconhecendo as particularidades de cada grupo, daí a importância dos estudos de usuários; e
por último, introduzir na biblioteca universitária a filosofia e prática organizacional
aprendente em sua realidade a partir da incorporação das cinco disciplinas propostas por Peter
Senge aliada à abordagem das competências em informação. Vislumbram-se, a partir deste
estudo exploratório inicial, promissoras investigações científicas no campo da Ciência da
Informação e da Biblioteconomia acerca das bibliotecas como organizações aprendentes.

845

�6 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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847

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Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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              <text>Almeida, Jobson Louis Santos de, Noberto, Jessica Carolina de Medeiros, Freire, Gustavo Henrique de Araujo </text>
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              <text>UFMG</text>
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              <text>Apresenta uma abordagem reflexiva acerca da compreensão das bibliotecas universitárias como organizações aprendentes. Trata-se de um estudo exploratório inicial realizado para subsidiar pesquisas vindouras, bem como possibilitar outras reflexões e discussões contributivas para o debate colocado em questão no contexto da Biblioteconomia e da Ciência da Informação. Contemplam-se dois temas considerados relevantes para compor a rede conceitual deste estudo: Gestão da Informação nas Organizações Aprendentes e Bibliotecas Universitárias como organizações que aprendem. Por meio da pesquisa documental e da observação participante, buscou-se conhecer a realidade de uma biblioteca inserida no contexto de um Instituto Federal de Educação que oferta cursos de nível médio, técnico e superior, propondo-se caminhos para adoção de uma filosofia e prática organizacional aprendente. As reflexões apresentadas neste artigo contribuem para nortear estudos vindouros sobre como transformar bibliotecas universitárias em organizações aprendentes, considerando a interdisciplinaridade existente entre Administração, Ciência da Informação e Educação. Os resultados e discussões provenientes da reflexão realizada neste estudo nos permite concluir que: i) é necessário conhecer bem a realidade da biblioteca a ser transformada em organização aprendente, incluindo o clima organizacional percebido pelos seus colaboradores e usuários, ii) o longo processo de transformação começa pela atuação da biblioteca no que diz respeito as competências em informação junto aos seus usuários, e iii) uma biblioteca universitária introduz a filosofia e prática organizacional aprendente em sua realidade a partir da incorporação das cinco disciplinas propostas por Peter Senge em seu espaço de atuação aliada à abordagem das competências em informação.</text>
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