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                  <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

AS BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS BRASILEIRAS FRENTE AO DILEMA DAS
AVALIAÇÕES GOVERNAMENTAIS

Gisele Ferreira de Brito
Waldomiro de Castro Santos Vergueiro

RESUMO
Apresenta a importância da avaliação para bibliotecas universitárias e o atual cenário
brasileiro relacionado ao tema. O método utilizado é o levantamento da literatura científica
dos últimos anos em periódicos e eventos, complementado com a análise de documentos
relacionados à avaliação compulsória da educação superior brasileira. Critica esta avaliação
governamental e conclui que a questão vem sendo negligenciada ultimamente e que a
metodologia de avaliação deve ser revista com a participação de profissionais e instituições
que os representam para garantir uma ferramenta para uma gestão mais profissional das
bibliotecas universitárias.

Palavras-Chave: Bibliotecas Universitárias Brasileiras; Avaliação.
ABSTRACT
Presents the importance of evaluation for university libraries and the current Brazilian
scenario related to the theme. The method used is a survey o f the scientific literature of recent
years in journals and conferences, complemented with an analysis of documents related to the
compulsory evaluation of Brazilian higher education. Critics this government evaluation and
concludes that the issue has been neglected lately and that the evaluation methodology should
be reviewed with the participation of professionals and institutions that represent them to
ensure a tool for a more professional management of university libraries.
Keywords: Brazilian University Libraries; Evaluation.

1 INTRODUÇÃO
Há que se considerar que as bibliotecas universitárias interessadas em demonstrar seu
valor às comunidades a que estão ligadas o fazem justificando sua existência, planejando suas
atividades, elaborando projetos, facilitando as pesquisas, colaborando com serviços de
extensão e de responsabilidade social. Para tanto, os bibliotecários devem estar imbuídos de
medir a qualidade de seus serviços e a satisfação de seus clientes, zelando pela governança da
biblioteca, contribuindo para uma gestão mais profissional.

816

�Isso porque em tempos de mudança no ambiente organizacional, os clientes estão se
tornando mais críticos e exigentes, buscando serviços mais ágeis e de melhor qualidade, em
função principalmente das tecnologias de informação e comunicação (TICs) disponíveis. Tais
tecnologias, a exemplo do Google e outros provedores de informação, como as bases de
dados, têm quebrado o monopólio das bibliotecas.
Com base no que se afirma acima, como obter informação para atender ou superar as
expectativas desses clientes e tornar a tecnologia como vantagem competitiva diante desse
cenário? É aí que entra em cena a avaliação.
O que se ouve no meio bibliotecário é que, por conta da escassez de recursos e de
tempo, não se envolvem em atividades de avaliação. O que chega a ser antagônico, uma vez
que se não gastam tempo com processos avaliativos como justificam os recursos utilizados e
consequentemente a existência de seus serviços?
Certo é que com base em achismos, suposições irreais, conhecimentos superficiais
não têm uma gestão profissional de suas unidades de informação, apenas decisões infundadas,
ou seja, as unidades não conhecem seus clientes e os clientes por sua vez, não conhecem os
acervos e serviços ofertados, o que leva a uma consequente subutilização e baixa demanda
pelos serviços de informação.
Pretende-se, com este artigo, discutir a importância das avaliações para as bibliotecas
universitárias, analisar criticamente o atual modelo de avaliação do Ministério da Educação
(MEC) e propor uma atuação mais proativa e crítica dos profissionais e associações para uma
reformulação desse instrumento avaliativo compulsório das instituições de ensino superior
(IES) brasileiras, de forma que, além das finalidades de avaliação do ensino superior, ele
possa também subsidiar a gestão profissional dessas bibliotecas. Com essa finalidade,
realizou-se estudo crítico da produção intelectual relacionada ao tema encontrada em eventos
e periódicos científicos brasileiros, confrontando essa produção com as necessidades da área e
as políticas governamentais vigentes sobre a temática avaliação de bibliotecas universitárias.

2 REVISÃO DE LITERATURA
Pode-se dizer que a principal função da avaliação é “produzir conhecimentos relativos
à unidade de informação, à organização em que esta se situa e a seu ambiente, para servir de
subsídio ao planejamento tanto na fase de elaboração do plano, programa ou projeto, quanto
na fase de implementação das ações” (ALMEIDA, 2005, p. 11).
Para Lancaster (1996) são várias as razões para um gestor de bibliotecas fazer uma
avaliação dos serviços prestados:

817

�a) estabelecer uma escala para mostrar em que nível de desempenho o serviço está
funcionando no momento (em caso de mudança poder medir o seu efeito);
b) simplesmente a de justificar a sua existência (relação custo-benefício);
c) identificar possíveis causa de malogros ou ineficiência do serviço (visando elevar
o nível de desempenho no futuro - estreitamente relacionado à gestão da
qualidade);
d) comparar o desempenho de várias bibliotecas ou serviços. Menos usual e
somente válido se adotado padrão idêntico de avaliação (Válido para identificar
melhores práticas).
No caso das bibliotecas universitárias brasileiras, além das finalidades da avaliação
listadas por Lancaster (1996), ainda há que se somar a avaliação por órgãos reguladores do
governo como parte das instituições de ensino superior. Na área educacional, sobretudo na de
nível superior, a preocupação com a avaliação parece se configurar como uma necessidade
prática: para que as Instituições de Ensino Superior (IES) possam ser credenciadas ou se
manter em funcionamento, têm que estar de acordo com padrões de qualidade estabelecidos
por órgãos reguladores, que criaram formas de avaliar o serviço dessas universidades e
faculdades, aferindo sua qualidade.
Dentre esses órgãos reguladores está o Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas
Educacionais Anísio Teixeira (INEP), uma autarquia do Ministério da Educação (MEC)

78

Para gerar seus dados e estudos educacionais o INEP realiza levantamentos
estatísticos e avaliativos em todos os níveis e modalidades de ensino. Para a avaliação do
ensino superior o Brasil conta com o Sistema Nacional de Avaliação da Educação Superior
(SINAES), criado em 2004 por meio da Lei 10.861 e que tem por finalidades

a melhoria da qualidade da educação superior, a orientação da
expansão da sua oferta, o aumento permanente da sua eficácia
institucional e efetividade acadêmica e social e, especialmente, a
promoção do aprofundamento dos compromissos e responsabilidades
sociais das instituições de educação superior, por meio da valorização
de sua missão pública, da promoção dos valores democráticos, do
respeito à diferença e à diversidade, da afirmação da autonomia e da
identidade institucional. (BRASIL, 2004)
O SINAES contempla as seguintes avaliações:
78 A missão do INEP é —
promover estudos, pesquisas e avaliações sobre o Sistema Educacional Brasileiro com o
objetivo de subsidiar a formulação e implementação de políticas públicas para a área educacional a partir de
parâmetros de qualidade e equidade, bem como produzir informações claras e confiáveis aos gestores,
pesquisadores, educadores e público em geral. (INEP, c2011).

818

�a) avaliação das instituições que abrange a autoavaliação, a ser realizada por uma
Comissão Própria de Avaliação (CPA) de cada instituição e a avaliação externa in

loco, a ser realizada por uma comissão de avaliadores designada pelo INEP;
b) avaliação dos cursos de graduação que objetiva identificar as condições de ensino
oferecidas aos estudantes, em especial as relativas ao perfil do corpo docente, às
instalações físicas e à organização didático-pedagógica;
c) avaliação do desempenho dos estudantes dos cursos de graduação a ser realizada
por meio do ENADE (Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes), que tem
uma prova aplicada aos alunos, por amostragem, ao final do primeiro ano e do
último ano do curso. (BRASIL, 2004).

A primeira delas, a avaliação institucional, sobretudo no que tange à autoavaliação,
traz para as bibliotecas universitárias a oportunidade de definir a ferramenta que melhor capta
a percepção de sua comunidade acadêmica em relação aos seus serviços; no entanto, não
foram identificados na literatura da área de Biblioteconomia e Ciência da informação
brasileira relatos dessas experiências, o que diminui as oportunidades para discussão dos
métodos e nos faz acreditar que essas avaliações têm ficado a cargo das Comissões Próprias
de Avaliação (CPAs) das universidades.
Tudo leva a crer que muitas bibliotecas não se envolvem com a autoavaliação por
seus dirigentes imaginarem que a avaliação externa, realizada por meio do instrumento de
avaliação dos cursos de graduação do INEP, seja suficiente. Trata-se de um equívoco dos
bibliotecários, pois o instrumento não tem essa eficiência que imaginam. Inclusive, tal modelo
de avaliação já vem sendo criticado por Lubisco desde 2007, quando, em sua tese de
doutorado realizada na Espanha (LUBISCO, 2007), enfatizou a necessidade de entender a
biblioteca como algo além de um item da infraestrutura universitária. Para essa autora, a
unidade de informação deve ser vista como um recurso pedagógico das instituições de ensino
superior: ao tratar a biblioteca universitária como mera instalação da universidade, o MEC dá
provas da ineficiência de seus instrumentos de avaliação.
Em finais de 2012, o cenário, infelizmente, ainda é praticamente o mesmo do descrito
por Lubisco cinco anos antes, pois no último instrumento de avaliação do ensino superior a
palavra biblioteca continua não sendo mencionada entre os indicadores que o compõem. E
talvez seja possível afirmar, como se tentará demonstrar mais adiante, que um retrocesso
ocorreu.

819

�Esse documento, intitulado Instrumento de avaliação de cursos de graduação

presencial e a distância, atualizado em maio de 2012 e disponibilizado em 13 de junho de
2012 pelo INEP, subsidia os “atos autorizativos de cursos - autorização, reconhecimento e
renovação de reconhecimento - nos graus de tecnólogo, de licenciatura e de bacharelado para
a modalidade presencial e a distância” (BRASIL, 2012). Ao contrário da versão anterior do
instrumento, datada de 19 de agosto de 2008, a nova versão sequer conta com uma introdução
onde se informem os objetivos do instrumento, os responsáveis por sua atualização ou
qualquer contextualização a respeito da necessidade da revisão do instrumento. No entanto,
assim como na versão de 2008, a palavra biblioteca é mencionada uma única vez, quando o
instrumento se refere ao Plano de Desenvolvimento Institucional (PDI), o que inclui a
biblioteca ao menos no planejamento da Instituição de Ensino Superior, que deve considerar
um período de cinco anos, com cronograma de ações para a manutenção de padrões da
qualidade. Dentre os itens a serem considerados no PDI, na descrição da infraestrutura física e
instalações, deve ser dada ênfase à biblioteca e aos laboratórios.
A versão atual tampouco conta com a palavra biblioteca entre os indicadores do
instrumento, especialmente naqueles relacionados à infraestrutura (onde constam as salas de
aula e laboratórios). Neste tópico podem-se encontrar apenas os seguintes indicadores:
bibliografia básica, bibliografia complementar e periódicos especializados. É como se esse
material didático estivesse disponível em qualquer sala da universidade e não necessariamente
disponibilizado em um local específico da instituição, formalmente constituído para tal - a
Biblioteca.
Várias questões podem ser colocadas em razão desse estado de coisas: será que os
envolvidos no desenvolvimento do instrumento desconhecem o papel da biblioteca
universitária e suas potenciais contribuições para a qualidade do ensino superior? Ou a culpa
do instrumento não considerar o aspecto pedagógico da unidade de informação se deve à
pouca pró-atividade dos profissionais de informação no sentido de fazer valer a sua voz na
concepção desses instrumentos? Ou, ainda, se a possibilidade de questionar a validade desse
instrumento não fica comprometida devido à omissão da própria biblioteca?

2.1 O debate sobre a avaliação de bibliotecas universitárias no Brasil
Um dos fóruns privilegiados para discussão da temática avaliação de bibliotecas no
Brasil é, com certeza, o Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias (SNBU). Criado em
1978, este evento é considerado um dos maiores e mais importantes na área da ciência da
informação no campo acadêmico brasileiro. Realizado a cada dois anos por uma Instituição de

820

�Ensino Superior, com o apoio da Comissão Brasileira de Bibliotecas Universitárias (CBBU),
tem como missão discutir e debater o status quo da área e questões relacionadas ao universo
das bibliotecas universitárias (CAETANO, 2012).
Em 2012 foi realizada sua 17a edição, em Gramado, RS, pela Universidade Federal
do Rio Grande do Sul, tendo como tema central “A Biblioteca Universitária como Laboratório
na sociedade da informação”; as discussões foram distribuídas em torno de quatro eixos
gerais: Construção e comunicação da informação; Organização, preservação e acesso à
informação, Recuperação, disseminação e uso da informação; Gestão da Biblioteca
Universitária. Este último, além de abranger o planejamento, a gestão do conhecimento de
pessoas, de recursos materiais e financeiros, marketing, arquitetura e segurança, também
abarcava a avaliação de produtos e serviços (SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS
UNIVERSITÁRIAS, 2012).
Sobre avaliação, o evento contou com um total de nove contribuições, sendo: um
minicurso voltado à Avaliação do MEC, ministrado por Miriam Queiroz Rocha; uma palestra
na sessão plenária, intitulada “Avaliação de produtos e serviços”, por Nídia Lubisco; dois
pôsteres, “ Serviço de referência: utilização de software livre para avaliações em bibliotecas
universitárias” (COSTA; ARAÚJO, 2012) e outro intitulado “Avaliação de produtos e
serviços de informação” (GUIMARÃES, 2012); e as sessões orais: “ Serviços ao usuário:
avaliação no sistema integrado de bibliotecas da Universidade Federal de Goiás” (CRUZRIASCOS, 2012), “A percepção da comunidade acadêmica a respeito dos serviços da
biblioteca” (CID et al., 2012), “Avaliação pós-ocupação em bibliotecas universitárias”
(SILVA et al., 2012), “O uso do tablet como ferramenta inovadora para avaliação do
atendimento em bibliotecas universitárias” (LIMA; LEITE, 2012) e “Avaliação do SINAES
para bibliotecas universitárias: uma análise da metodologia de avaliação” (BRASIL, 2012).
Isso parece denotar que atualmente existe pouca preocupação em relação a essa
temática por parte dos profissionais das bibliotecas universitárias brasileiras.

Isto,

principalmente, se considerarmos que o segundo SNBU, realizado pela Coordenadoria de
Aperfeiçoamento de Pessoal do Ensino Superior (CAPES), em Brasília, em 1981, teve como
temática central a “Avaliação do desempenho da biblioteca universitária no Brasil”, enquanto
que o sétimo, realizado pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), dez anos depois,
teve como tema central os “Padrões nacionais para planejamento e avaliação em bibliotecas
universitárias” (SEMINÁRIO NACIONAL DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 2012).
Se considerado o outro fórum de pesquisa da área de Ciência da Informação no
Brasil, o Encontro Nacional de Pesquisa em Ciência da Informação (ENANCIB), realizado

821

�anualmente pela Associação Nacional de Pesquisa em Ciência da Informação (ANCIB), é
possível afirmar que essa demonstração de desinteresse em relação à problemática da
avaliação de bibliotecas universitárias é reforçada.
Em sua última edição, a de número treze, realizada em outubro de 2012 na cidade do
Rio de Janeiro, em parceria com a Fundação Instituto Oswaldo Cruz (FioCruz), essa
preocupação aparece no Grupo Temático 4: Gestão da informação e do conhecimento nas
organizações, no qual foram apresentados apenas dois trabalhos que giravam em torno da
biblioteca universitária, sendo que somente um deles versava especificamente sobre a
avaliação: “Avaliação da Qualidade da Biblioteca Acadêmica: a metodologia LibQual+ ® e
suas perspectivas de aplicação no Brasil” (BRITO; VERGUEIRO 2012).
Da mesma forma que para os eventos, foi realizado um levantamento de artigos
científicos tratando da temática avaliação da biblioteca universitária. Contou-se, para isso,
com a Base de Dados Referenciais de Artigos de Periódicos em Ciência da Informação
(BRAPCI)

desenvolvida pelo Departamento de Ciência e Gestão da Informação da

Universidade Federal do Paraná (UFPR), cujo objetivo “é subsidiar estudos e propostas na
área

de

Ciência

da

Informação,

fundamentando-se

em

atividades

planejadas

institucionalmente” (BASE DE DADOS REFERENCIAIS DE ARTIGOS DE PERIÓDICOS
EM CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO, c2009-2012).
Considerando-se o período de 2010 a 2012 e a palavra-chave Avaliação, foram
obtidos 24 resultados, sendo que apenas dois dos artigos tinham como enfoque a avaliação de
serviços e produtos de bibliotecas universitárias. Foram eles: “Análise envoltória de dados na
gestão do desempenho de bibliotecas universitárias: o caso de uma IFES no Rio de Janeiro”
(CARVALHO et al., 2011) e “Perspectivas para o marketing de relacionamento na biblioteca
central da Universidade Federal de Mato Grosso” (GUSMÃO et al., 2011).
Assim, pode-se observar que tampouco na academia o tema avaliação de bibliotecas
universitárias vem sendo objeto de ampla discussão.

79 A base BRAPCI disponível em: http://www.brapci.ufpr.br é constituída de periódicos brasileiros da área de
Ciência da Informação (CI) com 35 títulos impressos e eletrônicos, ativos e descontinuados. Pode-se afirmar que
os títulos que compõem a base são de qualidade, uma vez que dos 35 títulos, 24 deles estão avaliados pelo Qualis
entre os estratos A1 e B5. No Brasil, como um parâmetro para estratificação da qualidade da produção
intelectual gerada pelos programas de pós-graduação, foi criado pela CAPES um conjunto de procedimentos,
denominado Qualis, que afere a qualidade da produção a partir da análise dos veículos de divulgação, sejam eles
periódicos científicos ou anais de eventos. Esses veículos são enquadrados em estratos indicativos da qualidade
sendo o estrato A1, o mais elevado; A2; B1; B2; B3; B4; B5; C - com peso zero.e passam por um processo anual
de atualização. A consulta ao sistema Qualis pode ser feita pelo WebQualis (CAPES, 2009).

822

�2.2 Perspectivas para a avaliação de bibliotecas universitárias no Brasil
Diante do exposto, é possível indagar sobre as esferas em que esse tema - avaliação
de bibliotecas universitárias - pode ser trazido à tona no Brasil.
Uma provável resposta a essa indagação pode estar relacionada à Comissão
Brasileira de Bibliotecas Universitárias, a CBBU, um fórum permanente de discussão criado
em 1987, durante o quinto SNBU, com o intuito de cobrir a lacuna de um organismo que
desenvolvesse propostas de modernização
universitárias

(RUSSO,

2003).

Ligada

de estruturas e serviços das bibliotecas

à Federação

Brasileira

de

Associações

de

Bibliotecários, Cientistas da Informação e Instituições (FEBAB) e atualmente atuando no
apoio à realização dos SNBUs .
Nesse sentido, o Comitê Gestor da CBBU para os anos 2012-2013 divulga no site da
comissão os princípios da gestão intitulada ‘Integração e Empreendedorismo’ pelo
fortalecimento dos [Sic] Bibliotecas Universitárias. Entre eles está justamente o de “Propor e
contribuir com o INEP no estabelecimento de novos critérios para avaliação das Bibliotecas
Universitárias” . O site pouco atualizado, no entanto não informa sobre as ações realizadas
pela comissão no sentido de atender a esse princípio (COMISSÃO BRASILEIRA DE
BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, [2012?]).
É possível entender que a CBBU está chamando para si a responsabilidade de atuar
no sentido de apoiar as iniciativas de avaliação dos órgãos governamentais, tornando
explícitas as metodologias adequadas para esse fim e incentivando suas práticas através de
treinamentos, por exemplo. Isso é louvável e meritório, é claro. Mas precisa ser efetivamente
colocado em prática.
A alternativa acima apontada para adequado encaminhamento da questão da
avaliação de bibliotecas universitárias no Brasil, no entanto, pode não ser suficiente. Ela não
dá conta da complexidade do setor de informação no início do presente século, deixando de
realizar uma ligação com outros espaços de informação existentes. Assim, uma segunda
alternativa, que dê conta dessa característica, está a ser construída no Brasil.
Recentemente, em novembro de 2012, foi formalmente criada no país a Associação
Brasileira de Profissionais da Informação (ABRAINFO), órgão nacional que tem a finalidade
de

80 A missão da CBBU é —
promover a formulação de políticas públicas em áreas de interesse, para incentivar a
cooperação, o compartilhamento de serviços e produtos, a realização de projetos e pesquisas, a elaboração e
editoração de documentos técnico-científicos, a organização de eventos, visando à consolidação da educação
continuada e à representação das Bibliotecas Universitárias junto a órgãos governamentais e a comunidade
cientifica brasileira”. (COMISSÃO BRASILEIRA DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, [2012?]).

823

�desenvolver suas atividades visando a promover o trabalho dos profissionais
da informação, realizando ou apoiando ações que possam garantir o
aprimoramento dessas atividades e tendo como missão primordial contribuir
para o aperfeiçoamento das práticas de informação como meios essenciais
para a existência de uma sociedade com liberdade de expressão e pluralista,
sob as condições essenciais de liberdade de informação e garantia do direito
de acesso à informação em seus vários planos. (ASSOCIAÇÃO
BRASILEIRA DE PROFISSIONAIS DA INFORMAÇÃO, 2012)
Constituída a partir das discussões sobre representatividade profissional na área de
81

informação realizadas nas redes sociais , a ABRAINFO visa congregar os profissionais do
setor da informação em âmbito nacional. O projeto de estatuto foi amplamente discutido nas
redes sociais e aprovado com ajustes em reunião de fundação da associação, realizada em São
Paulo, em 23 de novembro de 2012.
Estruturada de forma dinâmica, a ABRAINFO prevê a instituição de grupos de
trabalho com a finalidade de intercambiar, interagir e trocar informações e conhecimentos,
que subsidiem a proposição e elaboração de políticas públicas de apoio e desenvolvimento do
setor de informação, e à definição e difusão de boas práticas, bem como criar grupos-tarefa
para analisar e apresentar sugestões concernentes a temas relevantes do setor de informação.
No caso da avaliação de bibliotecas universitárias, além de desenvolver essas atividades,
poderia também avançar no sentido de se capacitar como órgão certificador independente,
garantindo formalmente à sociedade, de forma sistematizada, a qualidade dos serviços de
informação disponibilizados pelas bibliotecas universitárias. Para isso, logicamente, deverá se
organizar e municiar de todas as ferramentas necessárias. Não será uma tarefa fácil.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
Em termos metodológicos, este estudo classifica-se como trabalho científico original,
segundo o ponto de vista de sua natureza, pois sua temática está sendo estudada pela primeira
vez. Quanto a seus objetivos, tem a forma de pesquisa de tipo descritiva, por observar,
registrar, analisar e interpretar os fatos coletados sem a interferência dos pesquisadores. Em
relação aos procedimentos, caracteriza-se por pesquisa bibliográfica e documental, pois
81 Criado em março de 2012, o grupo de discussão foi originalmente denominado Associação Brasileira pelo
Progresso da Biblioteconomia / Ciência da Informação no Facebook, tendo no momento, dezembro de 2012,
1.431 membros. Está disponível no endereço http://www.facebook.com/#!/groups/372349109452045/. A partir
de junho de 2012, um novo grupo foi criado: ABRAINFO Associação Brasileira de Profissionais da Informação,
disponível em: http://www.facebook.com/#!/groups/126172034187521/ e desde então, as discussões sobre a
nova associação passaram a ocorrer neste novo endereço.

824

�utilizou de fontes bibliográficas para a estruturação do referencial teórico e de documentos
originais para o estudo de legislação. (ANDRADE, 2001).

4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
Este estudo procurou demonstrar o quanto a temática avaliação de bibliotecas
universitárias vem sendo negligenciada ultimamente pela academia e pelos profissionais de
informação do Brasil.
Dada a importância deste quesito para a gestão das bibliotecas universitárias, há uma
premência para a retomada do tópico entre as pesquisas ligadas à área de Ciência da
Informação e Biblioteconomia no Brasil, haja vista a problemática ligada às avaliações
compulsórias governamentais que têm se mostrado ineficientes para demonstrar a real
contribuição das bibliotecas universitárias para a qualidade do ensino superior brasileiro.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
O país está carente de procedimentos avaliativos de suas bibliotecas universitárias e
entende-se que as avaliações governamentais, além de mensurar a qualidade do ensino
superior, deveriam servir também às finalidades citadas por Lancaster, como justificar a
existência das bibliotecas em ambiente universitário, demonstrar seu nível de desempenho,
verificar sucessos e malogros de seus serviços, comparar desempenho entre elas, contribuindo
inclusive para uma estatística nacional de bibliotecas universitárias até hoje inexistente no
Brasil.
Outros ganhos poderiam advir uma proposta de avaliação para a Biblioteca
Universitária Brasileira, como o benchmarking a partir da identificação das melhores práticas.
Destaca-se também a possibilidade de estabelecimento de um melhor relacionamento
biblioteca-cliente, uma gestão mais profissional, utilizando a avaliação como ferramenta de
planejamento e de tomada de decisão baseada em evidências, visando aprimorar a excelência
de seus serviços e produtos e evidenciar seu valor e o impacto de sua atuação junto à
comunidade a que atende. Tudo isso, graças à convergência com outras práticas gerenciais,
como a qualidade, a gestão do conhecimento e o marketing.
Um novo horizonte pode ser vislumbrado com a criação de novas entidades de
representação profissional, a exemplo da ABRAINFO, mas uma atuação mais proativa desses
profissionais e pesquisadores se faz necessária para que a biblioteca universitária brasileira
conte com instrumentos avaliativos mais eficientes.

825

�6 REFERÊNCIAS

ALMEIDA, M. C. B. Planejamento de bibliotecas e serviços de informação. 2. ed.
Brasília: Briquet de Lemos, 2005.
ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE PROFISSIONAIS DA INFORMAÇÃO. Estatuto . São
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826

�CARVALHO, F. A. A. et al. Análise envoltória de dados na gestão do desempenho de
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              <text>Apresenta a importância da avaliação para bibliotecas universitárias e o atual cenário brasileiro relacionado ao tema. O método utilizado é o levantamento da literatura científica dos últimos anos em periódicos e eventos, complementado com a análise de documentos relacionados à avaliação compulsória da educação superior brasileira. Critica esta avaliação governamental e conclui que a questão vem sendo negligenciada ultimamente e que a metodologia de avaliação deve ser revista com a participação de profissionais e instituições que os representam para garantir uma ferramenta para uma gestão mais profissional das bibliotecas universitárias.
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