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                  <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

ANÁLISE DA FORMAÇÃO DO BILIOTECÁRIO DA BIBLIOTECA CENTRAL DA
UFAL NO ATENDIMENTO AOS USUÁRIOS COM DEFICIENCIA AUDITIVA
Josilene Silva
Nelma Camelo Araujo

Resumo
Atualmente a diversidade de usuários que frequentam uma unidade de informação é fato
consumado no Brasil, assim os bibliotecários precisam acompanhar essa nova tendência,
principalmente se valendo da sua formação e das Tecnologias de Informação e de
Comunicação (TIC). Assim, essa pesquisa é parte de um trabalho maior que discute a
atualização do Projeto Político Pedagógico (PPP) e a Grade Curricular do Curso de
Biblioteconomia da Universidade Federal de Alagoas, no atendimento aos usuários com
deficiência auditiva. Para realização desse trabalho foi utilizado um questionário enviado aos
bibliotecários do Sistema de Bibliotecas da UFAL, por e-mail no aplicativo word, por
orientação da gestora da Biblioteca Central (BC) da UFAL, que repassou aos mesmos. Como
resultado final pode-se perceber que os bibliotecários sentiram a necessidade de mudanças no
PPP do Curso e em sua Grade Curricular, pois as disciplinas ofertadas, quando os mesmos
cursaram não abarcava o ensino de nenhuma disciplina voltada ao atendimento dos usuários
deficientes auditivos, pelo fato de inexistir professores qualificados para ministrar a disciplina
de Libras no Curso, deixando a qualificação dos bibliotecários com essa lacuna que prevalece
atualmente. Assim, se faz necessário uma discussão mais ampla entre todos os envolvidos na
formação dos bibliotecários para que essa e outras disciplinas possam ser ofertadas no Curso
de Biblioteconomia da UFAL, capacitando seus futuros profissionais para atuarem no
atendimento a esses novos usuários.

Palavras-chave: Formação do Bibliotecário Alagoano. Língua Brasileira de Sinais. Projetos
Político Pedagógico.
Abstract
Currently the diversity of users who attend an information unit is a fait accompli in Brazil, so
librarians need to follow this new trend, especially taking advantage o f their training and the
Information Technology and Communication (ICT). Thus, this research is part o f a larger
work that discusses the updated Policy Project (PPP) and the Curriculum Course Library,
Federal University o f Alagoas, in the service to users with hearing disabilities. To perform
this study a questionnaire sent to the librarians of the Library System of UFAL by email in
word application by direction o f the management o f the Central Library (BC) UFAL, who
relayed the same was used. As a final result can be seen that librarians have felt the need for
changes in PPP Course Curriculum and its because the disciplines offered, because when they
attended did not include the teaching o f any discipline focused on serving the hearing
impaired users, inexistent because qualified teachers to teach the discipline of Pounds Course,
leaving the qualification o f librarians with the gap that currently prevails. Thus, a broader
discussion among all stakeholders in the education o f librarians is needed for this and other

797

�courses can be offered in Library Science Course UFAL, enabling their future professionals to
work in service to these new users.

Keywords: Brazilian Sign Language. Political Pedagogical Project. Training Librarian
1 INTRODUÇÃO
Compreende-se que ao abordar a atuação do profissional bibliotecário frente aos
usuários deficientes auditivos, e tendo o conhecimento que tais deficientes sofrem grandes
preconceitos voltados a sua educação e vivências no passado, sabendo-se, contudo, que
mesmo atualmente nem todos têm a ajuda de intérpretes e tecnologias que seriam de grande
valia para sua educação, entretanto, entende-se que existem meios aos quais os deficientes
auditivos dispõem para difundir sua inclusão educacional, em todo e qualquer setor que atue
ou em sua busca numa Unidade Informacional, logo, diante do que foi citado, entendemos
que o discente de hoje será o bibliotecário de amanhã, pois está sendo formando justamente
para dar esse subsídio a esses usuários, já que se partiu da premissa que somos os mediadores
entre a informação e os diversos usuários.
Entende-se que é de suma importância a introdução do ensino da Língua Brasileira de
Sinais (LIBRAS), não somente nos cursos de Formação em Educação Especial, de
Fonoaudiologia e de Magistério em seus níveis médio e superior, como também na vida
acadêmica dos futuros profissionais do Curso de Biblioteconomia, uma vez que esses
profissionais realizam atividades especificas, direcionando esses usuários em Unidades de
Informação ou Bibliotecas. Nota-se uma crescente mudança por parte da sociedade com
relação aos deficientes onde a priori no decorrer de muitos anos de luta, e de
desconhecimento por grande parte da sociedade, os deficientes adquiriram uma nova postura
por assim dizer de si e da sociedade como um todo, assumindo e buscando leis que garantam
seu reconhecimento perante a nova realidade social, cultural e econômica.
Compreende-se que para abordar a historicidade do surdo e sua educação torna-se
necessário conhecer melhor como eles viviam, eram educados e como eram tratados.
De acordo com Moura (2000, p. 16):

Os gregos e os romanos consideravam que os surdos não eram seres
humanos, pois seus pensamentos não podia se desenvolver sem
linguagem e que esta não se desenvolvia sem a fala. Portanto sem
linguagem, o surdo era considerado não humano. Para eles, também, o
surdo não tinha possibilidade de desenvolver faculdades intelectuais.
Isto acarretou, durante séculos, desde quando foi iniciado o trabalho
de “recuperação” dos surdos-mudos, a necessidade de se dar fala a
eles. Era a sua “humanização” que seria, então, conseguida desta

798

�forma. A questão que se coloca atualmente é: quanto deste conceito
não está ainda interiorizado nos atuais educadores, nos familiares dos
surdos e na população em geral?
No Brasil muitas leis que foram criadas asseguram o direito educacional e
informacional desses usuários, como por exemplo, a lei 10436/2002 que reconhece a Língua
Brasileira de Sinais como meio legal de comunicação dos surdos, a lei 8160/1991

que

garante a colocação de forma visível, do símbolo internacional de surdez em todos os locais
que possibilitem acesso, circulação e utilização por Pessoas Portadoras de Deficiência
Auditiva, a Resolução n° 02 de 11 de setembro de 2001 , institui Diretrizes Nacionais para a
Educação Especial na Educação Básica, no entanto torna-se necessário ressaltar que muitas
Bibliotecas ou Unidades

de Informação foram

melhoradas

ou adaptadas única e

exclusivamente por causa das leis vigentes em nosso país, contudo, cito que antes de serem
portadores de alguma(s) necessidade(s) especiais são acima de tudo cidadãos que merecem e
devem ser respeitados independentemente de suas deficiências.
Nota-se que com a chegada da chamada sociedade da informação houve uma
dispersão informacional, o que acarretou para o profissional bibliotecário um desdobramento
devido há uma vasta gama informacional existente da qual não se têm controle; partindo-se da
premissa, e indagação de como guiar o usuário deficiente auditivo em suas buscas
informacionais? Pois, as exigências sociais conduzem aos profissionais bibliotecários
aperfeiçoamento por assim dizer de nossa profissão e de novos métodos e formas de trabalho.
Vivenciamos uma nova tendência na valorização informacional e com a criação de
novas leis, decretos e portarias que asseguram a acessibilidade e inclusão dos deficientes.
Constata-se, no entanto que inicialmente inexiste um planejamento por parte dos profissionais
bibliotecários e das Unidades Informacionais direcionado para comunidade dos deficientes,
sejam deficientes auditivos ou não, por esse motivo a classe bibliotecária deixa essa parcela
dos deficientes sem atendimento adequado, faltando qualidade de serviços muitas vezes e
consequentemente deixando o desempenho social da classe bibliotecária de lado, pois de
acordo com a International Federation of Library Associations fIFLA, 1999), “o direito à
liberdade de expressão e o direito ao saber como requisito para a liberdade de pensamento e
de consciência; a liberdade de pensamento e a liberdade de expressão são condições
necessárias para a liberdade de acesso à informação” .712

71 Disponível em: &lt; http://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10436.htm&gt;. Acesso em: 21/04/2012.
72 Disponível em: &lt; http://portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/resolucao2.pdf&gt;. Acesso em: 10/02/2013.

799

�No

entanto,

a importância em repensar a Grade Curricular do Curso

de

Biblioteconomia da UFAL colabora no sentido de demonstrar as possíveis lacunas que faltam
ser preenchidas e tentar buscar meios (sugestões), para sanar tais lacunas ainda existentes,
pois se entende que as muitas disciplinas do curso estão voltadas para o trabalho tecnicista e
administrativo da profissão bibliotecária, assim, os profissionais que lidam com a informação
devem ou pelo menos deveriam estar preparados para lidar com o atendimento aos usuários,
independente de sua(s) deficiência(s), levando em consideração os princípios que regem a
profissão e os processos de inclusão social.
Diante do exposto se faz necessário esclarecer sobre o que é um Projeto Político
Pedagógico (PPP)? E o que é uma Grade Curricular? E quais suas finalidades no âmbito da
educação superior?
O projeto pedagógico é um produto específico que reflete a realidade
da escola, situada em um contexto mais amplo que a influência e que
pode ser por ela influenciado. É um instrumento clarificador de ação
educativa da escola em sua totalidade (VEIGA73 apud STOCCO,
2005, p. 2).
Para Stocco (2005, p. 2):
O projeto político pedagógico está estruturado com raízes profundas,
em programas acadêmicos onde os mesmos oferecem estratégias
acadêmicas de ação, pois, o projeto político-pedagógico, tem como
premissa à missão da Universidade que segundo a Lei de Diretrizes e
Bases da Educação Nacional, representa o laço entre presente e futuro,
sendo ele a marca da passagem do presente para o futuro. É uma
atividade natural e intencional que o ser humano utiliza para procurar
solucionar problemas e construir conhecimentos.
A Grade Curricular são disciplinas que fazem parte da formação dos discentes em sua
formação acadêmica, são divididas como obrigatórias e eletivas.
Portanto ao fazer a análise do PPP e da Grade Curricular do Curso de Biblioteconomia
da UFAL, apenas fica registrado a impressão que a amostra da pesquisa colabora no sentido
de se reanalisar o PPP e sua Grade Curricular, oportunizando disciplinas que venham a
colaborar para que os bibliotecários formados pela UFAL possam atender aos diversos tipos
de usuários.

73 VEIGA, Ilma Passos Alencastro. Projeto político-pedagógico da escola: uma construção possível. 14 ed.
Campinas: Papirus, 2002. Disponível em: &lt;http://disciplinas.stoa.usp.br&gt;. Acesso em: 01/01/2014.

800

�2 EDUCAÇÃO BRASILEIRA E O DEFICIENTE AUDITIVO
Sabe-se que a educação brasileira iniciou-se com os jesuítas vindos de Portugal e que
sua estrutura escolar estava ligada a política colonizadora no Brasil colônia, (RIBEIRO 2007,
p. 17-18). Para Romanelli (1998, p.33-34), a educação brasileira tem embasamento nas ações
educativas socioculturais, que obtiveram suas formações regidas por padres da Companhia de
Jesus, ou seja, visavam incertamente recrutar fiéis e servidores.
Teixeira (1976, p. 285), ressalta que ao analisar a educação brasileira tem de se ter
discernimento com relação ao entrelaçamento existente em sua formação sóciocultural, pois a
distribuição educacional pode variar dependendo do contexto regional no qual a educação foi
inserida, pois o autor observa que a qualidade a ser atingida no âmbito da educação traz à tona
como os objetivos e valores expressos existentes variam de região para região.
Entende-se que dentro de uma perspectiva histórica a educação dos deficientes sempre
foi tratada de uma maneira avulsa, pois sempre foi visualizada pela ótica religiosa e da
medicina, inexistindo outra maneira de se mostrar e ver, por esse motivo a educação dos
deficientes auditivos é tão tardio, por isso é que ainda se faz pesquisa de como e qual seria a
melhor maneira de inseri-los nas escolas e qual a maneira mais apropriada, em como
introduzir os ensinamentos aos surdos.
De acordo com Barbosa (2009), o preconceito é um fator que levava as pessoas com
algum tipo de deficiência, a pensar que elas eram insignificantes, incapazes de aprender e de
deixar sua parcela de contribuição na sociedade. Segundo Souza e Macedo (2002), durante
muito tempo a educação dos surdos no Brasil e em outros lugares no mundo tiveram seu
início caracterizado por estudos médicos e religiosos, porque na antiguidade acreditava-se que
os deficientes eram aberrações da natureza e que era comum o extermínio das crianças que
nasciam com alguma deficiência, contudo para Paula e Carvalho (2009), foi somente após as
duas guerras mundiais, que os deficientes foram visto com um novo prisma, devido à um
grande contingente de pessoas que voltaram multiladasda guerra, havendo então uma
necessidade de mudança social que se corrobora com a nova segmentação de questões
essenciais a vida.
Como já foi elencado por Moura (2000, p.16), os gregos e os romanos consideravam
que os surdos não tinham competência intelectual e que não eram humanos. A autora ainda
cita algumas ponderações com relação ao histórico da educação dos deficientes auditivos,
vejamos então um pouco de seus idealizadores, seus feitos e de como se deu a evolução da
educação dos surdos. Como demonstrado no quadro 1.

801

�Q uadro 1 - E v o lu ç ã o da e d u c a ç ã o dos S u rd o s
IDEALIZADORES

BIOGRAFIA

Pedro Ponce de León
(1520-1584)

Monge Beneditino que viveu
no Monastério Beneditino em
San Salvador, em Ona, na
Espanha. A maior parte de sua
vida foi dedicada à educação
dos surdos que eram filhos de
nobres.

Juan Pablo
(1579-1629)

Filólogo e soldado a serviço
secreto do rei. Seu interesse
pela educação dos surdos deu­
se por seu interesse na
educação do surdo Luis de
Velasco, irmão do capitãogeral do exército, Bernardine
Hernandez de Velasco, Conde
de Castilla.

Bonet

Jacob
Rodrigues
Pereire (1715-1780)

Era educador de surdos com
fluência em Língua de Sinais,
mas defendia a oralização dos
surdos.

REALIZAÇÕES
Ponce foi o introdutor da educação dos
surdos, seus ensinamentos serviram de base
para outros estudiosos.
Ensino-os a ler, escrever, a rezar e conhecer
outras doutrinas do Cristianismo. Ponce
ainda demonstrou que os argumentos
médicos
estavam
equivocados,
comprovando a falsidade das crenças
religiosas, filosóficas ou médicas existentes
sobre os surdos. Contudo suas realizações
deram-se por que o surdo não poderia
receber suas heranças se não comprovasse
que o mesmo soubesse falar, por causa da
perda de direitos.
Sabe-se que Bonet se apropriou do alfabeto
digital de Ponce de León. Bonet publica um
livro em 1620 entitulado “Reducción de las
Letras y Arte para Ensenar à Hablar los
Mudos”, em que se apresenta como
inventor da arte de ensinar o Surdo a falar e
oferece uma ideia nova e simples para
realizar tais tarefas. O alfabeto digital era
usado para ensinar o surdo a ler, e a
gramática era ensinada através da Língua
de Sinais.
Bonet com “sua” técnica influênciou direta
ou indiretamente Johann Amman, John
Wallis e Thomas Braindwood.
Os Sinais eram usados para instruções,
explicações lexicais, conversações com os
alunos, até eles terem a capacidade de
poder se comunicar oralmente ou pela
escrita.
L’Epée notava a importância da existência
da Língua de Sinais, contudo entendo que o
surdo
já
obtinha
uma
bagagem
comunicacional,
L’Epée
teve
a
subserviência de aprender a Língua de
Sinais, para através desta língua montar seu
próprio sistema para educá-los.

Era Francês Começou a
ensinar por razões religiosas,
iniciou seu trabalho com suas
irmãs surdas. Para muitos
L’Epée foi o inventor da
Língua de Sinais, mas como
demonstrado a Língua de
Sinais já existia muitos antes
de L’Epée.
Fonte: Adaptado de: MOURA, Maria Cecília de. O surdo: caminhos para uma nova
identidade. Rio de Janeiro: Revinter, 2000.
Charles-Michel
de
L’Epée (1712-1789)

A educação dos deficientes auditivos brasileiros teve início durante o Segundo
74

Império D. Pedro II, ocasionado pela chegada do professor francês surdo Ernest Huet , em47

74 Na literatura alguns o chamam de Edward Huet e outros de Ernest Huet, contudo não se sabe ao certo o
porquê.

802

�1857, fundador do Instituto Nacional dos Surdos-Mudos, atual Instituto Nacional de
Educação dos Surdos (INES) no Rio de Janeiro, que de inicio utilizava a língua de sinais. Foi
nesta escola que surgiu da mistura da língua de sinais francesa com os sistemas já usados
pelos surdos de várias regiões do Brasil, a Libras, (BARBOSA 2009 e BUENO 1993), de
acordo com o quadro 2 .

Q uadro 2 - E v o lu ç ã o da e d u c a çã o dos su rd o s do (INES)
DIRETORES

INÍCIO
E
TÉRMINO
DA GESTÃO

Ernest Huet

1857-1861

Dr. Manoel de
Magalhães
Couto

1862-1868

Dr. Tobias Leite

1873-1897

Dr. João Paulo
de Carvalho
Dr. João Brasil
Silvado
Dr.
Custódio
José
Ferreira
Martins

Dr.
Armando
Paiva de Lacerda

1897-?
1903-1907
1911-?

REALIZAÇÕES

Seu trabalho tinha embasamento na Língua de Sinais francesa e
a escrita que se mesclou com a Língua de Sinais utilizada pelos
surdos brasileiros, considera-se ainda que Huet fosse o
introdutor da Língua de Sinais no Brasil. O início de seu
trabalho não foi aceito logo de início pelas famílias dos surdos
brasileiros, pois tinha certa aversão em entregar seus filhos a um
estrangeiro.
Huet deixou a direção do instituto por problemas pessoais, foi
para o México onde fundou uma nova escola para surdos.
De acordo com uma inspeção do Governo, o Instituto estava
servindo de asilo de surdos, o diretor foi demitido.
Aprovou a introdução do regulamento de ensino profissional e o
ensino da “linguagem articulada e leitura sobre os lábios”.
Contudo Leite afirmara que os alunos não estavam obtendo
nenhum resultado, mas o ensino através da escrita mostrava-se
útil, por isso o governo ordenou que a “linguagem articulada”
fosse ensinada apenas para os alunos que pudessem se
beneficiar a critério do professor e do diretor. Mas para o Dr.
Vieira, insatisfeito com a decisão, pediu a jubilação em 1890,
entretanto para Tobias Leite não se deveria adaptar o aluno ao
método, mas o método ao aluno.
Não há nenhuma informação sobre algo que tenha feito,
enquanto era diretor do Instituto.
Foram relatados resultados satisfatórios sobre o ensino da
articulação e da leitura “sobre lábios”.
Aprovou-se então um novo regulamento, pois ensino de
articulação não mais estava servindo para os surdos, logo o
diretor solicita ao Governo um novo regulamento, pedindo que a
mudança inserisse crianças menores (de seis a dez anos), (antes
somente era admitido crianças de nove a catorze anos), o
Governo não admitira a inserção das crianças menores,
entretanto o ensino da fala passou a ser realizado apenas com
aqueles que se beneficiavam da mesma.

1930-?

De acordo com Armando Paiva de Lacerda os métodos
utilizados na educação dos surdos eram modernos, que detinham
embasamentos científicos e pedagógicos.
Fonte: Adaptado de: MOURA, Maria Cecília de. O surdo: caminhos para uma nova
identidade. Rio de Janeiro: Revinter, 2000.

803

�Para Moura (2000, p. 82-84), a evolução dos métodos ensinados no Brasil foi trazida
de outros países e esses métodos não sofriam nenhuma modificação para adequar-se aos
surdos brasileiros, e salientando mais uma vez que a maioria dos diretores do Instituto
Nacional de Educação dos Surdos (INES) eram médicos e que os mesmos tratavam a surdez e
o surdo com um olhar voltado para o estudo científico, e que partindo dessa premissa essa
postura espalhou-se pelo Brasil e de uma maneira geral voltou-se também para educação,
como descrito no quadro 2 .
Segundo Freire (2008, p. 28), “a educação tem caráter permanente” . Não há seres
educados e não educados. Estamos todos nos educando. “Existem graus de educação, mas
estes não são absolutos.”
Para Bruini (2012), ao se fazer uma reflexão acerca da educação brasileira, nota-se que
o processo de desenvolvimento da escolarização básica está sendo dado a passos lentos, muito
se fez, entretanto há muito a se fazer, pois os números negativos ainda demonstram o quão é
frágil nosso sistema educacional, como por exemplo: defasagem escolar, ou seja, alunos que
concluem o ensino fundamental e não dominam a leitura e nem a escrita, e sem esquecer os
professores que recebem bem menos que o piso salarial, esses índices fazem com que haja
várias tentativas para melhorar o quadro da educação no Brasil, pois se nossa sociedade está
evoluindo o mesmo deveria acontecer com a nossa educação. Ainda de acordo com a autora o
Brasil ocupa o 53° lugar na educação, entre 65 países avaliados pelo Programa Internacional
nc

de Avaliação de Alunos (PISA ) .
De acordo com Silva (1994), nota-se o “descaso”, não somente dos governos como
também dos educadores (professores), que em seus caminhos como estudante também não
tiveram em seus estudos a presença de uma biblioteca que os fizessem entender o quão
importante foi, é e sempre será.
A Declaração de Salamanca (1994) discorre de maneira cuidadosa e geral sobre a
educação dos deficientes, tratando da educação desses deficientes desde sua infância
perpassando a idade adulta, tendo importante relevância nas matrizes agregadoras de valores
educacionais, sociais e culturais.
Declaração de Salamanca7576 (1994) enfatiza que as:

75 PISA - Sigla, em inglês (Programme fo r International Student Assessment), para Programa Internacional de
Avaliação de Alunos. Disponível em: &lt;http://www.jornaldaciencia.org.br&gt;. Acesso em: 11/02/2013.
76
PORTAL
DO
M INISTÉRIO
DA
EDUCAÇÃO.
Disponível
em:
&lt;http://portal.mec.gov.br/seesp/arquivos/pdf/salamanca.pdf&gt;. Acesso em: 01/01/2014.

804

�Políticas educacionais deveriam levar em total consideração as
diferenças e situações individuais. A importância da linguagem de
signos como meio de comunicação entre surdos, por exemplo, deveria
ser reconhecida e provisão deveria ser feita no sentido de garantir que
todas as pessoas surdas tenham acesso a educação em sua língua
nacional de signos. Devido às necessidades particulares de
comunicação dos surdos e das pessoas surdas/cegas, a educação deles
pode ser mais adequadamente provida em escolas especiais ou classes
especiais e unidades em escolas regulares.
De acordo com Portal do Governo do Estado de Alagoas (2012), em Alagoas a
educação dos deficientes teve início em 1958 por iniciativa particular da Associação de Pais e
Amigos dos Excepcionais (APAE).
Em 1973 foi criada a Diretoria de Educação Especializada dentre outras funções
coordenava a Educação Especial no Estado em parceria com o Centro Nacional de Educação
Especial (CESNESP/MEC), onde teve inicio na Escola Estadual de Cego Cyro Accioly,
criada pelo decreto n° 2.794 de 15/06/1976. Ainda de acordo com Governo do Estado de
Alagoas (2012), concomitantemente foram implantados os atendimentos ao aluno com
deficiência auditiva em classes especiais utilizando-se do método da oralização nas escolas
Tavares Bastos, José Correia da Silva Totara e Rosalvo Lobo e aos alunos com deficiência
mental moderada, também em classes especiais, nas escolas Álvaro Victor, Mário Broad,
Sebastião da Hora, Rosalvo Ribeiro, Fernandes Lima, Tomaz Espindola Guilhermino de
Oliveira e Professor Vitorino da Rocha. Os deficientes mentais severos eram atendidos na
Associação de Pais e Amigos do Excepcional (APAE); Associação Pestalozzi de Maceió;
Centro de Reabilitação de Alagoas (CREAL) e Centro de Reabilitação Helena Antipoff.
A Secretaria de Estado da Educação e do Esporte implantou, através da Gerência de
Educação Especial, o processo de Inclusão Escolar do aluno com deficiência na rede regular
de ensino em 2001. Foi o primeiro Estado da Federação a implantar a inclusão do aluno surdo
com a presença do intérprete de LIBRAS em cada sala de aula considerando que uma escola
inclusiva exige o reconhecimento da realidade concreta da diferença entre as pessoas através
da análise da diversidade cultural e social.

No Brasil, há núcleos setoriais de informação restritos a espaços
determinados - regiões mais desenvolvidas - onde ocorre, com maior
intensidade, a atividade da educação e da pesquisa. A sociedade
brasileira, caracterizada por alarmantes índices de desigualdades
regionais, sociais, educacionais, não nos permite generalizar que está
em uma Sociedade da Informação.
A maneira como a informação é organizada e distribuída dependente
direta ou indiretamente do papel da educação em cada sociedade. A

805

�informação é um dos recursos básicos para o desenvolvimento em
qualquer campo do conhecimento e da atividade humana e, para que a
mesma seja importante e de valor para os usuários, tem que ser
pertinente às necessidades dos mesmos quando dela necessitem.
(VARELA, 2007, p. 33)
Bueno (1993) destaca a importância da democratização da escola para os deficientes
auditivos no Brasil, relacionado com a rede pública de ensino brasileiro, o autor lança ainda
as mudanças que deveriam ser feitas nos sistemas de formação docente no país.

3 EXPERIMENTO
O curso de Biblioteconomia da UFAL passou por grandes transformações, desde sua
criação no ano de 1998, sendo reconhecido pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC) em
2005, através da portaria n° 828, de 11 de março, sua implantação se deu devido ao esforço de
um grupo de bibliotecários atuantes no Estado, dentre eles, as bibliotecárias da Biblioteca
Central da UFAL, Sueli Maria Goulart Silva e Silvia Regina Cardeal.
Quanto à estruturação, o Curso faz parte do Instituto de Ciências Humanas,
Comunicação e Artes (ICHCA) e está estruturado em quatro anos letivos - (duração

mínima), e no máximo seis anos. O discente do curso se forma bacharel em
Biblioteconomia, com a titulação de bibliotecário, conforme a lei n° 4.084, de 30 de junho de
1962, regulamentada pelo decreto n° 56.725, de 16 de agosto de 1965 e recomendações do
Departamento de Políticas do Ensino Superior referente às novas diretrizes curriculares .
Quando da criação do PPP do Curso de Biblioteconomia e sua Grade Curricular,
houveram estudos pertinentes naquele momento, onde foram utilizadas a historicidade do
local de criação, sua cultura, sua formação social, econômica e política, visando aos
propósitos e compromissos estabelecidos pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação no
Brasil.
Ao elaborar o PPP de um Curso de graduação, especificamente, seus organizadores
seguem a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN), regida pela lei 9394/96.
Torna-se necessário o compartilhamento e discussão sobre as responsabilidades da
análise do PPP, para melhor estruturar a Grade Curricular, visando melhorias e a participação
de todos aqueles que compõem a base acadêmica do Curso de Biblioteconomia da UFAL,
para obtermos êxito no desenvolvimento dos assuntos abordados, e nas disciplinas como um
todo.
77 Disponível em: &lt; http://www.ufal.edu.br/arauivos/prograd/cursos/campus-maceio/ppc-biblioteconomia.pdf&gt;.
Acesso em: 01/01/2014.

806

�O Curso de Biblioteconomia vem evidenciando seu valor, através dos profissionais
bibliotecários já formados e os que ainda irão se formar a priori os mesmos estão deixando
aos poucos de ser e fazer apenas um trabalho tecnicista, ou seja, esse novo profissional
bibliotecário é um agente mediador entre a informação e os usuários que a buscam.
Portanto esse trabalho teve como objetivo analisar a formação do bibliotecário no
Curso de Biblioteconomia da UFAL, mais especificamente os bibliotecários da Biblioteca
Central da UFAL, frente aos usuários deficientes auditivos.
A pesquisa foi realizada com os Bibliotecários que atuam no âmbito do Sistema de
Bibliotecas da UFAL , para a realização do trabalho foi utilizado um questionário, enviados
por e-mail no aplicativo word, por orientação da gestora da BC/UFAL, que repassou aos
demais bibliotecários da BC. O questionário foi enviado para 13 (treze) bibliotecários, obtevese retorno de apenas 6 (seis) questionários, entre os dias 04/10/2013 a 02/11/2013, tendo 1
(um) mês de duração. O questionário foi dividido em dois blocos de perguntas: bloco 1 e
bloco 2.
No Bloco 1 procurou-se analisar o conhecimento dos respondentes com relação ao
Projeto Político Pedagógico (PPP), e a Grade Curricular independentemente da instituição de
formação dos mesmos. Já no Bloco 2, procurou corroborar sobre a importância da inserção da
Disciplina Libras no PPP e na Grade Curricular obrigatória, questionando a importância da
Disciplina Libras, não somente como introdução social do Curso, mas também na formação
do profissional bibliotecário agregando valores, éticos, sociais e culturais.

3.1 Levantamento dos dados - Bibliotecários da BC/UFAL
A análise com os Bibliotecários da Biblioteca Central da UFAL baseou-se no Projeto
Político Pedagógico (PPP) e na Grade Curricular, procurando identificar o conhecimento do
mesmo, obtendo-se os seguintes resultados: suas formações são 100% em Biblioteconomia,
apenas 1 (um) informou que também têm especialização, mas não informou qual o tipo de
especialização, ou seja, em qual área. As Instituições de Formação são centradas na região
Nordeste do país, sendo 90% na Universidade Federal de Alagoas, e apenas 10% na
Universidade Federal de Pernambuco. O tempo de exercício de profissão variou entre 5
(cinco) e 34 (trinta e quatro) anos.
Neste quadro 3 , tentou identificar o conhecimento dos Bibliotecários da BC/UFAL,
com relação ao PPP do Curso e da Grade Curricular, independentemente da instituição de
formação dos mesmos.

807

�Q uadro 3 - B lo c o 1: I d e n tific a r o c o n h e c im e n to dos B ib lio te c á r io s no P P P
e em sua G rade C urricular.
BIBLIOTECÁRIOS (MODALIDADE BC/UFAL)
FINALIDADES

PERGUNTAS

O Projeto Político Pedagógico

1. Quando cursou o curso de Biblioteconomia, havia alguma
temática voltada para o social?

As disciplinas citadas

2. Você conhecia o PPP do curso de Biblioteconomia, quando
o cursou?

O desconhecimento do PPP

3. Alguma disciplina da grade curricular voltada para o social
lhe chamou a atenção, quando você era discente?

A Grade Curricular

4. Você poderia elencar alguma disciplina da grade curricular
voltada para o social do curso de Biblioteconomia?

Fonte: As autoras

Cerca de 80% dos respondentes, recordaram de alguma disciplina voltada para o
social, apenas 20% não responderam.
Ao serem questionados quando cursou Biblioteconomia os mesmos recordavam-se de
alguma disciplina que para os respondentes estaria voltada para o social, 20% responderam
“não”, sendo que 80% responderam em sua maioria que “sim”, contudo, os respondentes não
justificaram suas respostas, outro ainda citou a disciplina “Ação Cultural”, contudo o nome
correto é “Biblioteca e Ação Cultural” .
Há única disciplina citada foi: “Ação Cultural”, mas o nome correto da Disciplina é
“Biblioteca e Ação Cultural” .
O questionamento requerido no quadro 3 nos traz à tona a importância com relação ao
conhecimento do PPP e de sua Grade Curricular, independentemente do ano de formação.
Entendeu-se, contudo, que o desconhecimento por parte dos ex-alunos, criou uma lacuna de
reclamações dos próprios formandos com relação as suas atividades profissionais, que nos
leva a refletir que: “Os ex-alunos são atuantes no que tange sua atuação com relação às
questões da profissão Bibliotecária ou eles se utilizam do laissez-faire ”.
Compreendeu-se que 80% dos ex-alunos conheciam o PPP e sua Grade Curricular, e
apenas 20% não sabiam, mas citaram que tinham conhecimento sobre o PPP e sobre a Grade
Curricular. Nota-se que o desconhecimento do PPP do Curso corroborou em sua essência com

808

�a falta de vontade em perceber que os estudos biblioteconômicos não se baseiam somente na
parte técnica da profissão.
Mais uma vez, arrisco ao questionar os ex-alunos de Biblioteconomia,

ao

conhecimento do PPP e da Grade Curricular, pois ao analisar os dados, faltou segurança por
parte dos respondentes ao citar as disciplinas com designação social. Outro fator, relevante
seria a não modificaçao no PPP do curso de Biblioteconomia da Ufal, no decorrer dos anos,
entretanto levaram-se em consideração os poucos anos de criação do Curso no Estado, como
já citado anteriormente. Ao analisar os dados notou-se que 90%, dos respondentes citaram
alguma disciplina, e apenas 10% não quiseram opinar.
Apenas 60% designaram-se a responder que “sim”, apenas 20% citaram duas
disciplinas, são elas: Biblioteconomia e Sociedade (nome correto da disciplina - Biblioteca e
Sociedade Brasileira) e Biblioteca e Ação Cultural, enquanto que 20% respondeu que “não”,
nenhuma disciplina voltada para o social lhe chamou a atenção.
Entende-se que se passaram muitos anos desde a formação dos respondentes,
entretanto, os mesmos chegaram a citar algumas disciplinas de sua Grade Curricular, apenas
um dos respondentes não respondeu a questão quatro.
As disciplinas citadas foram: “Biblioteconomia e Sociedade (nome correto da
disciplina - Biblioteca e Sociedade Brasileira)”, “Biblioteca e Ação Cultural”, “Bibliotecas
Comunitárias” e “Carro de Biblioteca”, foram às únicas disciplinas citadas pelos
respondentes, entendendo-se que pouco se sabia com relação ao PPP do curso, pois não houve
maiores alterações em sua estrutura, na verdade ao analisar o PPP, nota-se que não houve
modificação alguma, sabendo-se, contudo que foram analisadas o PPP e a Grade Curricular
de uma única instituição, no caso a Universidade Federal de Alagoas, mas que 10% dos
respondentes formou-se em outra instituição.
Mais uma vez, nota-se a importância de se saber como será conduzida sua formação
universitária, partindo da premissa que o mundo globalizado nos permite, agregar valores as
ferramentas utilizadas no ensino universitário, sendo sua formação de suma relevância no
perfil profissional de qualquer curso de formação. Os ex-alunos, pelo menos 80% citaram
alguma disciplina, e 20% não opinaram.

809

�Q uadro 4 —B lo c o 2: I m p o rtâ n c ia da D is c ip lin a de L ib ra s no P P P e na G rade
C u rric u la r
BIBLIOTECÁRIOS (MODALIDADE BC/UFAL)
FINALIDADES

PERGUNTAS

Inclusão da disciplina

5. Como profissional já formado em Biblioteconomia, qual
sua opinião sobre a inclusão da disciplina de Libras no PPP
do Curso?

Inclusão social
Atendimento
auditivos

aos

deficientes

Quais as melhorias

6. Como a Biblioteca Central (BC) da Ufal realiza o
atendimento aos usuários com deficiência auditiva?
7. Existem planos na melhoria do atendimento para esses
usuários? Quais?

Fonte: As autoras

Mesmo tendo ciência do pouco conhecimento agregado ao PPP do Curso e sua Grade
Curricular por parte dos ex-alunos, ou seja, os Bibliotecários da Biblioteca Central da UFAL,
os mesmos sentem a necessidade de haver mudança na mesma, pois os mesmos, sabem da
necessidade de se modificar o perfil dos bibliotecários no momento do atendimento de um
deficiente auditivo.
Para Targino (2011, p. 134):

No atendimento aos usuários, o bibliotecário precisa não apenas
conhecer a possibilidade de exclusão, voluntária ou não, mas,
sobretudo, precisa respeitar as diferenças de procedimentos e de agir,
destinando a estes públicos atenção desdobrada, sem efetivar
cobranças desmedidas que desrespeitem as decisões individuais, se for
o caso.
Parte-se da premissa que 100%, dos respondentes opinaram, elevando ainda mais o
quão importante, tornariam tais mudanças em nosso PPP e em nossa Grade Curricular sejam
no Curso de Biblioteconomia desta Universidade ou em outra de nosso país. E os mesmos
ainda sugeriram outras discilinas que seriam importantes na formação do profissional
bibliotecário, em sua cultura e vivência social.
Os Bibliotecários da BC/UFAL, cerca de 100% acreditam que com a inserção da
Disciplina Libras, sendo a mesma obrigatória e não eletiva, será de grande valia, pois
contribuirá para mudanças de comportamento (visão), tanto do deficiente auditivo quanto do
futuro profissional que está sendo preparado para lidar com esse usuário. Outros ainda

810

�destacam o fator da inclusão social desses deficientes, ressaltam ainda a importância de se
ofertar essa mesma disciplina em todos os níveis nos currículos escolares.
Nota-se em suas falas que os respondentes têm consciência da necessidade da inclusão
dessa disciplina, não somente essa como também o Braile, que para eles devem ser ensinadas
desde a alfabetização.

Cerca de 10% dos respondentes destacou que teve capacitação em

Braile, outro 10% apenas limita-se a informar que seria “excelente”, que a disciplina Libras
faça parte da Grade Curricular do Curso.
As vivências sociais atualmente têm como seu ponto de partida a inclusão social, de
uma maneira bastante generalizada, então se tratando de uma Biblioteca Universitária, partese dos pressupostos, de que a mesma servirá a todo e qualquer usuário, independente de sua
formação ou deficiência(s), como se daria esse atendimento por parte dos Bibliotecários da
Biblioteca Central da UFAL.
Targino (2011, p. 148), disserta sobre a ética no atendimento aos usuários:

Consciente da responsabilidade ética que deve prevalecer na relação
bibliotecário vs. usuários, a partir da premissa irrefutável de que a
práxis é, em sua essência, a ação informada pela razão, o bibliotecário
contemporâneo tem em suas mãos mais recursos e, ao mesmo tempo,
uma infinidade muito maior de cuidados que devem ser tomados no
exercício diário de sua profissão. Para se manter como profissional
crítico e consciente, independentemente da terminologia em voga
(práticas sociais, mediação, responsabilidade ética e social), no dia a
dia, qualquer tipo de atendimento ao usuário exige processo dialógico
o qual se dá a mediação.
Cerca de 10% dos respondentes, informou que o atendimento dar-se de maneira
dificultosa, pois não existe material, muito menos pessoal treinado. Já 90% desconhecem se
existiram ou não o atendimento a esses usuários; dentro dos10% citados informou também
que esperam soluções em meu projeto final.
De acordo com alguns respondentes a BC/UFAL, esta se preparando para atender a
esses usuários, destaca que está estimulando seus profissionais bibliotecários a se capacitarem
por meio do curso de Libras.
Compreende-se nos dados analisados uma tentativa da direção em criar meios para
tentar sanar esta lacuna existente na Biblioteca Central da Ufal. Esses meios citados seriam
em um primeiro momento a capacitação dos profissionais bibliotecários e a aquisição de
tecnologias voltadas para o atendimento dos deficientes auditivos. A pesquisadora notou
também que os próprios bibliotecários sentem tal necessidade de atualização e capacitação
dos profissionais bibliotecários visando melhorias para os usuários.

811

�Entendendo-se que as tecnologias agregadas ao trabalho do bibliotecário causaram
profundas transformações em sua utilização meio, para atingir o fim, que é o serviço
direcionado aos usuários independentemente de haver ou não algum tipo de deficiência, pois
como frisa Ranghanathan em uma de suas leis “Para cada leitor o seu livro” .
Os sujeitos sociais nesses processos e ações visadas por bibliotecários seriam sua ação
como mediação entre o acesso à informação, tendo como foco o usuário deficiente auditivo.
No qual foram unânimes em suas respostas, quando questionados sobre as melhorias no
atendimento da BC/UFAL, 100% dos bibliotecários ressaltaram que a BC/UFAL, está
tentando atualizar, ou seja, “reciclar”, seus bibliotecários, por meio de capacitações, mas falta
ainda uma política institucional que vise tais capacitações, principalmente os deficientes
auditivos e os deficientes visuais.
Citaram ainda as melhorias que estão por vir, onde os profissionais bibliotecários da
BC estão fazendo um curso de Libras, promovidos pela Associação Alagoana de Profissionais
Bibliotecários (AAPB), e que a BC/UFAL está iniciando compras de equipamentos para
tentar sanar essa lacuna existente que é a falta de acessibilidade informacional, e a falta de
inclusão dos deficientes auditivos, independente de sua deficiência.

4 CONSIDERAÇÕES
Diante das informações analisadas e dados coletados foi possível identificar como os
Bibliotecários da Biblioteca Central da UFAL, percebem a necessidade de haver mudanças
em nossa Grade Curricular, pois o Curso de Biblioteconomia da Ufal foi criado apenas a 16
anos no Estado, e existindo a certeza que há muito a se fazer e muito a se mudar.
Notou-se também, que seria de grande relevância a introdução de outras disciplinas
além da disciplina Libras, que seria um pequeno passo, pois se tornaria de grande valia, a
introdução de disciplinas como, por exemplo: Lógica e Psicologia, as quais dariam aos
discentes uma base tão sólida, quanto a que temos no momento.
Diante de todos os questionamentos que foram citados e com o intuito de aprimorar a
colaboração dos profissionais bibliotecários no que tange sua atuação no atendimento dos
diversos usuários, entre eles os deficientes auditivos, pois somos mediadores da informação e
não podemos excluir nenhum usuário em suas buscas, por uma “deficiência nossa”, onde
devemos sempre nos atualizar para melhor incluir todos os consulentes no momento em que
este necessitar de nossos serviços.

812

�5 REFERÊNCIAS

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815

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          <description>A name given to the resource</description>
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              <text>Análise da formaçao do bibliotecário da Biblioteca Central da UFAL no atendimento ao usuário com deficiência auditiva.</text>
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          <name>Creator</name>
          <description>An entity primarily responsible for making the resource</description>
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              <text>Silva, Josilene: Araujo, Nelma Camelo </text>
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          <name>Coverage</name>
          <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
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              <text>Belo Horizonte (Minas Gerais)</text>
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          <name>Publisher</name>
          <description>An entity responsible for making the resource available</description>
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              <text>UFMG</text>
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          <name>Date</name>
          <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
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              <text>2014</text>
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          <name>Language</name>
          <description>A language of the resource</description>
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              <text>pt</text>
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          <name>Type</name>
          <description>The nature or genre of the resource</description>
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          <name>Description</name>
          <description>An account of the resource</description>
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              <text>Atualmente a diversidade de usuários que frequentam uma unidade de informação é fato consumado no Brasil, assim os bibliotecários precisam acompanhar essa nova tendência, principalmente se valendo da sua formação e das Tecnologias de Informação e de Comunicação (TIC). Assim, essa pesquisa é parte de um trabalho maior que discute a atualização do Projeto Político Pedagógico (PPP) e a Grade Curricular do Curso de Biblioteconomia da Universidade Federal de Alagoas, no atendimento aos usuários com deficiência auditiva. Para realização desse trabalho foi utilizado um questionário enviado aos bibliotecários do Sistema de Bibliotecas da UFAL, por e-mail no aplicativo word, por orientação da gestora da Biblioteca Central (BC) da UFAL, que repassou aos mesmos. Como resultado final pode-se perceber que os bibliotecários sentiram a necessidade de mudanças no PPP do Curso e em sua Grade Curricular, pois as disciplinas ofertadas, quando os mesmos cursaram não abarcava o ensino de nenhuma disciplina voltada ao atendimento dos usuários deficientes auditivos, pelo fato de inexistir professores qualificados para ministrar a disciplina de Libras no Curso, deixando a qualificação dos bibliotecários com essa lacuna que prevalece atualmente. Assim, se faz necessário uma discussão mais ampla entre todos os envolvidos na formação dos bibliotecários para que essa e outras disciplinas possam ser ofertadas no Curso de Biblioteconomia da UFAL, capacitando seus futuros profissionais para atuarem no atendimento a esses novos usuários.</text>
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