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                  <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

ACESSIBILIDADE NO SISTEMA DE BIBLIOTECAS DA UNIVERSIDADE
FEDERAL DA BAHIA - SIBI/UFBA: UMA ANÁLISE DO ATENDIMENTO AO
USUÁRIO PESSOA COM DEFICIÊNCIA - PCD Derlita Machado Silva
Roméria Carneiro de Campos Sacramento
Samir Elias Kalil Lion
Henriette Ferreira Gomes

RESUMO
Analisa o atendimento ao usuário Pessoa Com Deficiência (PCD) nas bibliotecas do Sistema
de Bibliotecas da Universidade Federal da Bahia - SIBI/UFBA. Trata-se de um estudo de
caso com questionários como instrumento de coleta de dados, aplicados a uma amostra
constituída por 10 servidores, em 10 das 22 bibliotecas do SIBI/UFBA, que assumem o cargo
de bibliotecário-chefe. Conclui que as bibliotecas do Sistema de Bibliotecas da Universidade
Federal da Bahia pesquisadas prestam um atendimento precário ao usuário Pessoa Com
Deficiência.

Palavras-Chave: Acessibilidade; Pessoa
universitária; Sistema de bibliotecas.

com

deficiência;

Atendimento;

Biblioteca

ABSTRACT
Analyses the service the needs of user disabled person in the libraries of Library System of
the Federal University o f Bahia (SIBI/UFBA). This is a case study with questionnaires as a
tool for data collection, applies to a sample of 10 workers the assuming the post of chief
libraria, in 10 of the 22 libraries of SIBI/UFBA. Concludes that surveyed libraries of Library
System of the Federal University o f Bahia provide a precarious service the needs of user
disabled person.
Keywords: Accessibility; Disabled person; Customer; University library; Library system.

1 INTRODUÇÃO
O Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal da Bahia (SIBI/UFBA), enquanto
organismo público deve buscar como objetivo primeiro o atendimento ao interesse público,
através de produtos e serviços colocados à disposição dos seus usuários, inclusive aqueles
mais especiais. Dentro do ambiente universitário, a biblioteca deve ser o espaço principal do
exercício da igualdade.

754

�O SIBI/UFBA foi criado através de Resolução n° 03/09 do Conselho Universitário
para ser o responsável pelo funcionamento sistêmico das bibliotecas da UFBA, com o
propósito de oferecer suporte ao desenvolvimento da pesquisa, do ensino e da extensão, que
tem a ver de forma visceral com a atividade basilar da UFBA.
Para se ter a percepção do que seja um justo tratamento para os usuários especiais, o
presente artigo traz como objetivo geral: analisar o atendimento ao usuário pessoa com
deficiência (PCD) nas bibliotecas do Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal da
Bahia (SIBI/UFBA).
Para o alcance deste tem como primeiro objetivo especifico: identificar se as
bibliotecas do SIBI/UFBA possuem os seguintes elementos para acessibilidade do usuário
Pessoa Com Deficiência (PCD): a) balcões de circulação com condições para atendimento ao
usuário deficiente; b) terminais de consulta acessíveis a pessoa com deficiência motora
(cadeirante), ou/e se eles possuem programas específicos para deficientes visuais; c)
quantidades de obras em braile e materiais audiovisuais para atendimento ao usuário
deficiente; d) no estacionamento, rampas de acesso à Unidade de ensino; e) rampas de acesso
à biblioteca, telefones públicos para surdos, adaptação de portas dos banheiros para cadeiras
de rodas; f) sinalizações e informações, contendo os seus produtos/serviços, que atendam às
pessoas portadoras de deficiência visual; g) iluminação insuficiente; h) estrutura física
adequada, barreiras que dificultam a circulação, falta de corrimão, sinalização no piso; i)
adequada distância entre as estantes; j) corredores entre estantes que permitam giro de 180°
para o cadeirante; e l) mesas de leitura adequadas quanto à altura e profundidade, e/ou em
quantidade suficiente para atender aos usuários deficientes.
O outro objetivo especifico é: averiguar a existência de capacitação constante dos
bibliotecários para atendimento aos usuários portadores de necessidades e também verificar se
o desenvolvimento e formação de coleções das bibliotecas incluem um acervo básico com
livros em braile, livros falados e áudio livros.
Como método utilizou-se o estudo de caso com questionários, como instrumento de
coleta de dados, que foram aplicados a uma amostra constituída por 10 servidores, em 10 das
22 bibliotecas do SIBI/UFBA, que assumem o cargo de bibliotecário-chefe, da seguinte
forma: 2 questionários em 14/11/2012, 2 questionários em 19/11/2012, 3 questionários em
20/11/2012, 1 questionário em 18/03/2013 e 2 questionários em 21/03/2013.

755

�2 REVISÃO DE LITERATURA
O século XX foi marcado por grande avanço tecnológico, preocupação com o planeta
e atenção para com a biodiversidade. Os direitos humanos foram definidos e começaram a ser
consolidados em todos os seus aspectos. O desenvolvimento das tecnologias, da informática,
comunicação e inovação permitem hoje que as pessoas com deficiência (PCD) encontrem os
meios necessários para que possam se dedicar às atividades de estudo, trabalho e lazer,
contribuindo de forma ativa para o desenvolvimento da sociedade, em condições igualitárias
dadas a todos os cidadãos, conforme assegurado pela legislação brasileira.
As bibliotecas universitárias estão diretamente ligadas à qualidade dos cursos de suas
universidades, sejam eles de graduação ou de pós-graduação. Estas têm um peso significativo
na avaliação para aprovação e reconhecimento dos respectivos cursos das Unidades de Ensino
onde estão instaladas. Passaram a ser alvo de atenção explícita do Ministério da Educação,
sob os aspectos da acessibilidade, a partir de 1999, quando da publicação da Portaria n° 1.679,
de 02 de dezembro/1999, a qual dispõe sobre a exigência de requisitos de acessibilidade para
pessoas

portadoras

de

deficiência,

para

instruir

os

processos

de

autorização

de

reconhecimento de curso, bem como de credenciamento de instituições.
Então a questão da acessibilidade em bibliotecas é um importante papel a ser
desempenhado pelo SIBI/UFBA. Sistema este que é composto das seguintes bibliotecas
distribuídas em Salvador e no interior do Estado da Bahia: Biblioteca Universitária de Vitória
da Conquista, Biblioteca do Campus Universitário Reitor Edgard Santos (Campus Barreiras),
Biblioteca Universitária Reitor Macedo Costa, Biblioteca Universitária Bernadete Sinay
Neves (Escola Politécnica), Biblioteca Universitária de Saúde Prof. Álvaro Rubim de Pinho BUS, Biblioteca Universitária Isaias Alves (Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas),
Biblioteca Sofia Olszewski Filha (Escola de Belas Artes), Biblioteca Teixeira de Freitas
(Faculdade de Direito), Biblioteca da Escola de Música, Biblioteca da Nelson Araújo (Escola
de Teatro), Biblioteca Shiguemi Fujimori - Instituto de Geociências, Biblioteca da Faculdade
de Arquitetura, Biblioteca da Faculdade de Ciências Econômicas, Biblioteca do Centro de
Estudos e Terapia do Abuso de Drogas - CETAD, Biblioteca Professor Djalma Ramos
(Maternidade Climério de Oliveira), Biblioteca Gonçalo Moniz - Memorial da Saúde
Brasileira, Biblioteca do Centro de Estudos Afro-Oriental, Biblioteca Anísio Teixeira
(Faculdade de Educação), Biblioteca do Instituto de Ciência da Informação, Biblioteca do
Museu de Artes Sacras, Biblioteca da Escola de Administração e Biblioteca do Hospital das
Clínicas.

756

�Segundo Ferreira et al. (2007), várias acessibilidades podem preencher o conceito de
acessibilidade, mas o principal é entendê-lo como sendo a condição de alcance e uso de
edificações, transportes, espaços, mobiliários e equipamentos urbanos e também de
dispositivos, sistemas e meios de comunicação e informação, com segurança e autonomia
total ou assistida.

A acessibilidade digital, por exemplo, caracteriza-se como o acesso

universal a quaisquer recursos de tecnologia da informação, tendo na Internet o acesso
universal aos diversos componentes da rede mundial de computadores, como chats, e-mail e
outros.

2.1 ELEMENTOS PARA O ATENDIMENTO AO USUÁRIO PESSOA PORTADORA DE
DEFICIÊNCIA NO SIBI/UFB A
Os balcões de circulação das bibliotecas são considerados elementos importantes no
atendimento ao usuário portador de deficiência. Nesse sentido, Santos et al. (2012)
sinalizaram que a biblioteca por eles pesquisada não possuía balcão de circulação, com
requisitos de altura e profundidade que atendessem a norma NBR 9050.
Figueiredo (2012) reforça que, além dos balcões, as bibliotecas devem ser dotadas
com equipamentos tecnológicos e mobiliários de acordo com as formas de deficiências
identificadas na comunidade acadêmica.
No tocante aos balcões de atendimento, Silva (2012) traz que estes devem ser
localizados em rotas acessíveis, com uma parte da superfície com extensão mínima de 0,90 m
e com altura de no máximo 0,90 m do piso, de modo que permita a aproximação frontal ao
balcão, conforme o Art. 21 do decreto 5.296/2004. E que conforme os padrões das normas
técnicas de acessibilidade da ABNT, os balcões de atendimento e as bilheterias em edificação
de uso público ou de uso coletivo devem dispor de, pelo menos, uma parte da superfície
acessível para atendimento às pessoas portadoras de deficiência ou com mobilidade reduzida.
Os terminais de consulta da biblioteca refletem muitos dos problemas causados pela
inadequação dos balcões, principalmente quando não são acessíveis à pessoa com deficiência
motora (cadeirante). Quando os balcões não atendem aos requisitos de altura e profundidade,
não permitem o acesso da pessoa com deficiência (PCD) aos terminais de consulta, mesmo
que estes estejam disponíveis. Assim, Figueiredo (2012), sinaliza que é importante dotar as
unidades com equipamentos tecnológicos e mobiliários de acordo com as formas de
deficiências identificadas na comunidade acadêmica.
Segundo a Associação Brasileira de Normas Técnicas:

757

�A NBR 9050 determina na sua seção 8.7.6 que “pelo menos 5% do total de
terminais de consulta por meio de computadores e acesso à internet devem
ser acessíveis a P.C.R. (pessoas em cadeiras de rodas) e P.M.R. (pessoas
com mobilidade reduzida - com deficiência, idosa, obesa, gestante e outros).
Recomenda-se, além disso, que pelo menos outros 10% sejam adaptáveis
para acessibilidade”. (SILVA, 2012, p.8).
Lemos (2012) indicou em sua pesquisa um problema voltado para terminais de
consulta, onde o ‘setor’ de acessibilidade localizado na biblioteca restringia-se a uma mesa
com terminal de computador e uma mesa com quatro lugares reservados para a prática da
leitura; ficando nas proximidades do setor de materiais especiais e mesmo confundindo-se
com ele. E salientou que os profissionais não foram devidamente capacitados para o
atendimento de usuários com deficiência.

a necessidade de acessibilidade física implica não somente que os estudantes
possam ter acesso aos espaços físicos com maior independência, mas
também a todos os serviços e apoios tecnológicos necessários ao bom
desempenho acadêmico. (SOUSA et al., 2012, p.3).
Além da acessibilidade dos terminais de consulta das bibliotecas, estes devem
possuir programas específicos para o seu uso por deficientes visuais, pois isso possibilita o
atendimento ao usuário especial, principalmente na adequação do mobiliário tecnológico de
acordo com as formas de deficiências identificadas na comunidade acadêmica. E isso
representa a preocupação das bibliotecas para com os usuários que são alunos e não as
frequentam por falta de acessibilidade.

No hall desses avanços incluem-se os softwares para computadores que tem
trazido inúmeras facilidades de acesso à informação para os deficientes
visuais. Nesse contexto, muitos programas tem sido criados como
instrumentos auxiliares nas atividades de acesso à informação, entre os quais
destacamos: Dosvox, Virtual Vision e Jaws, que poderão ser adquiridos por
bibliotecas e centros de informação e documentação, colaborando com o
trabalho do profissional bibliotecário. Citamos ainda, o recurso de ampliação
que pode ser utilizado por pessoas acometidas pela baixa visão, que também
sofrem com a falta de adaptações e/ou existência de materiais informacionais
voltados para tal necessidade. (COSTA et al., 2012, p.6).
O autor prossegue trazendo possíveis saídas para bibliotecas que se deparem com
problemas de aquisição de software para os PCD (Pessoa Com Deficiência), afirmando que o
Dosvox foi desenvolvido pelo Núcleo de computação eletrônica da Universidade Federal do
Rio de Janeiro (UFRJ), e é destinado a auxiliar os deficientes visuais a usar o computador,

758

�executando tarefas como edição de textos (com impressão comum ou Braille), leitura/audição
de textos anteriormente transcritos, utilização de ferramentas de produtividade faladas
(calculadora, agenda, etc).
No sentido de atender ao usuário portador de deficiência visual, Sousa et al. (2012)
elegem dois elementos importantes. O primeiro é que a biblioteca deve digitalizar as obras
indicadas pelos alunos, de modo que os livros ou artigos fiquem disponibilizados em formato
acessível para leitura com programa leitores de tela. O outro é que devem ser levados em
consideração na política de desenvolvimento de coleções, fatores como: a aquisição de livros
eletrônicos, criação de coleções para bibliotecas digitais, repositórios institucionais,
periódicos eletrônicos, digitalização de coleções especiais.
Seguindo tal importância, as obras em braile como parte da política de
desenvolvimento de coleções das bibliotecas devem ser priorizadas, não só pela sua própria
importância, mas como forma de fixar um pensamento estratégico de acessibilidade dentro
dos profissionais que laboram em bibliotecas e unidades de informação.
Segundo a Associação Brasileira de Normas Técnicas (p.88): “A seção 8.7.5 da NBR
9050 recomenda que as bibliotecas possuam publicações em braile, ou outros recursos
audiovisuais” . Além do que a Portaria MEC 3.284/2003, para instruir os processos de
autorização e de reconhecimento de cursos, estabelece que:

II - no que concerne a alunos portadores de deficiência visual, compromisso
formal da instituição, no caso de vir a ser solicitada e até que o aluno
conclua o curso: a) de manter sala de apoio equipada como máquina de
datilografia braile, impressora braile acoplada ao computador, sistema de
síntese de voz, gravador e fotocopiadora que amplie textos, software de
ampliação de tela, equipamento para ampliação de textos para atendimento a
aluno com visão subnormal, lupas, réguas de leitura, scanner acoplado a
computador; b) de adotar um plano de aquisição gradual de acervo
bibliográfico em Braille e de fitas sonoras para uso didático. (SILVA, 2012,
p.6).
O autor prossegue trazendo possíveis saídas para bibliotecas que se deparem com
problemas de restrição orçamentária em relação a tornar seus acervos em braile.

Ainda tendo em vista a experiência da UNICAMP e em união com a equipe
multidisciplinar, o próximo passo será preparar um projeto para apresentação
aos órgãos de fomento, buscando por editais nos quais ele se encaixe. Esse
projeto, inicialmente, será para obter financiamento para a construção de um
laboratório de acessibilidade equipado com impressoras Braille,
computadores com ampliadores de tela e leitores de voz e outros
equipamentos afins. (SILVA, 2012, p.9)

759

�Isso traduz a importância de desenvolver e formar a coleção das bibliotecas através
de um acervo básico com livros em braile, livros falados e áudio livros. Nesse sentido, Sousa
et al. (2012) trazem a experiência da Universidade Federal do Ceará, com o seu plano de
políticas de inclusão das pessoas com deficiência, elaborado pela Secretária da UFC, que
conta com o desenvolvimento de acervo de caráter científico, em formato acessível para
pessoas com deficiência visual.
A importância da temática de obras em braile traz também a importância para os

materiais audiovisuais. Tais materiais também devem fazer parte da política de
desenvolvimento de coleções das bibliotecas e auxiliam, de igual modo, a formar um
pensamento estratégico de acessibilidade dentro dos profissionais da informação.

Escaner para leitura de livros e publicações em geral, com emissão imediata
de voz e possibilidade de gravação em áudio ou em diferentes formatos.
Dispõe de OCR (sigla em inglês para reconhecimento de caractere óptico) e
quando acoplado ao computador, permite também a ampliação das fontes do
texto escaneado. Ideal para pessoas cegas, idosas, disléxicas e até iletradas,
que poderão ouvir textos emitidos por voz agradável, com controle de
velocidade e recursos como a soletração das palavras, ou ainda daquelas com
baixa visão, que poderão ampliar os caracteres na tela do computador.
(COSTA et al, 2012, p.5)
Os autores prosseguem trazendo mais soluções nesse sentido, como: Software leitor
de tela para computador, que permite a audição de todos os textos contidos em formato digital
incluindo Internet, arquivos de texto e planilhas, desde que não tenham sido gravados em
formatos fotográficos; e Ampliador de Imagem, dispondo de diversos recursos para que uma
pessoa com baixa visão possa ler os textos.
Além da problemática voltada para o desenvolvimento de coleções, há que se dar
atenção para as questões arquitetônicas, como a existência de rampas de acesso no
estacionamento da Unidade de Ensino na qual a biblioteca funciona. Nesse sentido, Santos et
al. (2012), sinalizaram que no estacionamento da Faculdade de Letras da Universidade
Federal do Rio de Janeiro, apesar de existir uma rampa de acesso à faculdade, ela não passa
pelo estacionamento.
Há que se dar atenção também, dentro das questões arquitetônicas, para a existência
de rampas de acesso à biblioteca . Pois, pensando logicamente, as rampas de acesso
(estacionamento, biblioteca, andares) se complementam, dando visibilidade e credibilidade ao
trabalho com a informação junto aos usuários quando possibilitam o acesso destes às
bibliotecas.

760

�A existência de elevadores ou plataformas de acesso à biblioteca está no âmbito do
conceito de acessibilidade, na medida em que a sua inexistência dificulta o atendimento às
necessidades do usuário, principalmente o usuário PCD (Pessoa Com Deficiência). Por
exemplo, “A UERJ oferece mais condições de acessibilidade a pessoas com deficiência física
por que [...] oferece elevadores em permanente funcionamento” . (SILVA, 2012, p.8).
Nesse sentido, Sígolo et al. (2012), sinalizam que uma das bibliotecas da
Universidade de São Paulo (USP) contava apenas com elevadores para o transporte do
deficiente aos outros pisos, porém devido a falta de planejamento do posicionalmente do
acervo, uma vez chegando lá, o cadeirante não tinha espaço suficiente para se locomover
livremente entre os corredores de estantes. O que alerta para o fato de que a existência desses
equipamentos não é condição suficiente para garantir a acessibilidade, devendo ser
contemplado dentro de uma visão de totalidade com outras ações complementares.
A existência de telefone público para surdos na biblioteca integra o conceito de
acessibilidade e a sua existência é percebida pelo cliente da informação como um diferencial
no atendimento às necessidades do usuário PCD (Pessoa Com Deficiência), contribuindo para
elevar o valor agregado da biblioteca. E isso é sinalizado por Santos et al. (2012), ao
indicarem em sua pesquisa elementos como telefone público para surdos.
Outro elemento cuja existência é percebida pelo cliente da informação como um
diferencial no atendimento às necessidades de usuário PCD (Pessoa Com Deficiência) é a
existência de adaptação de portas dos banheiros para cadeiras de rodas na biblioteca. E
isso é trazido por Santos et al. (2012), ao citarem a importância da “adaptação de portas dos
banheiros para cadeiras de rodas” . (p.2).
Tal problemática foi sinalizada por Sígolo et al. (2012), em sua pesquisa ocorrida em
uma das biblioteca da Universidade de São Paulo - USP. Onde, a biblioteca contava apenas
com banheiros adaptados e com elevadores para o transporte do deficiente aos outros pisos,
porém devido à falta de planejamento os cadeirantes encontravam diversas dificuldades, como
por exemplo, o uso dos banheiros.
O autor prossegue trazendo possíveis saídas para bibliotecas que se deparem com
problemas de adaptação de banheiros, mesmo que de maneira indireta, quando sinaliza que
através da adaptação da planta baixa desenvolvida pelo COCESP/USP (Coordenadoria do
Campus da Capital), baseando-se na ABNT/NBR 9050/2004 e no mapeamento do acervo,
chegou-se aos seguintes resultados: corredores para as portas de emergências, planejamento e
organização do espaço; melhor planejamento e adequação dos espaços de estudos.

761

�A existência de sinalizações que atendam às pessoas portadoras de deficiência

visual na biblioteca é outro elemento que integra o conceito de acessibilidade e a sua
inexistência dificulta o acesso do cliente da informação ao atendimento às suas necessidades,
contribuindo para uma desvalorização da biblioteca. E isso é sinalizado por Santos et al.
(2012), ao indicar em sua pesquisa que uma biblioteca da Universidade Federal do Rio de
Janeiro (UFRJ) não atende aos princípios de sinalização e informação, pois “A sinalização e
informações com os produtos/serviços da BFL não atendem aos requisitos para pessoas
portadoras de deficiência visual.” (SANTOS et al.,2012, p.2).
Outra sinalização de extrema importância para demonstrar que a biblioteca é um
espaço de integração com a comunidade e com a sociedade é a existência de sinalizações com

informações de produtos/serviços, destinadas às pessoas portadoras de deficiência visual.
Isso também fica inteligível na pesquisa de Santos et al. (2012), mesmo que não diretamente
vinculado à sinalização de produtos e serviços.
A iluminação insuficiente em uma biblioteca passa a impressão de que esta não se
constitui em um espaço de integração com a comunidade e com a sociedade, tampouco que ali
existe alguma preocupação com os usuários PCD e sequer com os usuários em geral. Nesse
sentido, Santos et al. (2012), indicam em sua pesquisa em uma biblioteca da Universidade
Federal do Rio de Janeiro - UFRJ o não atendimento aos princípios de estrutura física da
biblioteca, pois as “condições de acessibilidade oferecidas pela BJA [...] não atendem aos
princípios de [...] iluminação.” (p.2).
A existência de estrutura física adequada para pessoas portadoras de deficiência
condiz com a própria missão da biblioteca, praticamente com a sua razão de existir,
principalmente, se for levado em consideração o fato de que a sua inexistência priva o acesso
de alunos portadores de deficiência à biblioteca.
Segundo Lemos e Cutrim (2012), com o crescimento no número de alunos com
deficiência matriculados e o de servidores, percebe-se que tornar a biblioteca acessível condiz
com a sua missão intrínseca. Assim, ações de planejamento devem estar presentes, e envolver
aspectos estruturais e funcionais, incluindo o treinamento de servidores para o atendimento de
pessoas com deficiência, bem como a aquisição de equipamentos e estruturas que atendam a
todo membro da sociedade que tem necessidade de informação.
A importância da adequação do espaço físico acessível, na Biblioteca
Florestan Fernandes, que permitiu aos deficientes físicos se locomover em
segurança e com autonomia, possibilitou também uma melhor organização e
planejamento de seu acervo, que antes sofria, não apenas com a falta de
acessibilidade, mas também com a falta de espaço e planejamento para o
crescimento de seu acervo. (SIGOLO et al., 2012, p.2)

762

�A existência de barreiras que dificultam a circulação também condiz com a
própria missão da biblioteca, com a sua razão de existir, e isso é outro fato dificultador que
priva o acesso de alunos portadores de deficiência à biblioteca.

O inciso II do artigo 2° do decreto 5.296/2004 descreve barreiras como
qualquer entrave ou obstáculo que limite ou impeça o acesso, a liberdade de
movimento, a circulação com segurança e a possibilidade de as pessoas se
comunicarem ou terem acesso à informação. (SILVA, 2012 , p.5).
Nesse sentido, Souza et al. (2012) dizem que para que o Sistema de Biblioteca da
Universidade Federal do Ceará possa atender às exigências do MEC é necessário: capacitação
profissional, desenvolvimento de acervo acessível, eliminação de barreiras arquitetônicas, e
elaboração de serviços e produtos.
A falta de corrimão na biblioteca se inclui no rol de dificultadores para o pleno
acesso dos alunos portadores de deficiência à biblioteca. A questão de corrimão encontra
importância em Silva (2012, p.8), ao sinalizar a “Instalação de corrimãos nas rampas de
acesso aos andares”, e em Santos et al. (2012, p.2), ao sinalizar como problema na estrutura
física da biblioteca a existência de “Barreiras que dificultam a circulação e falta de corrimão” .
A sinalização no piso da biblioteca é um dos elementos que integram o conceito de
acessibilidade e a sua inexistência, ou existência precária, dificulta o acesso do cliente da
informação ao atendimento às suas necessidades, promovendo um processo de exclusão do
usuário PCD e contribuindo para uma desvalorização da biblioteca.

Instalação de piso tátil direcional e de alerta nos corredores e na parte
externa que conduz até as entradas da Universidade, abarcando: calçadas,
pontos de ônibus, saída das estações do metrô e do trem. O Decreto
5.296/2004 prevê, no seu Artigo 26, que nas edificações de uso público ou
de uso coletivo, é obrigatória a existência de sinalização visual e tátil para
orientação de pessoas portadoras de deficiência auditiva e visual, em
conformidade com as normas técnicas de acessibilidade da ABNT. (SILVA,
2012, p.5)
A inadequação da distância entre as estantes para pessoas portadoras de deficiência
por parte da biblioteca se constitui em um duplo problema. Primeiro, porque tal inadequação,
ou adequação parcial, dificulta o acesso do cliente da informação ao atendimento às suas
necessidades, principalmente o usuário cadeirante; segundo, porque se inclui no rol de
dificultadores para o pleno acesso e circulação dos alunos portadores de deficiência à
biblioteca.

763

�Isso é reforçado por Silva (2012, p.8), em sua pesquisa, quando sinaliza duas
necessidades, entre outras, para as bibliotecas da Universidade do Estado do Rio de Janeiro UERJ. A primeira, que é necessário a “Padronização das portas em tamanho que permita
passagem de cadeiras de rodas (0,80 m de vão livre e altura mínima de 2,10 m) e com outras
especificações definidas na seção 6.9.2 da NBR 9050”; e a segunda, que é necessário
“Padronizar a distância entre as estantes de livros em, no mínimo, 0,90 m de largura. E, nos
corredores entre as estantes, a cada 15 m, destinar um espaço que permita a manobra de
cadeira de rodas” .
A Biblioteca Florestan Fernandes conta com cinco usuários reais
cadeirantes. Para realizar a adequação do acervo, utilizou-se como base
plantas baixas desenvolvidas pela arquiteta da Coordenadoria do Campus da
Capital (COCESP), USP, a Norma ABNT NBR 9050/2004 e um
mapeamento detalhado da quantidade de prateleiras ocupadas pelo acervo de
livros e teses. Sete funcionários da biblioteca se reuniram durantes dois
meses para adequar as plantas originais, [...] a fim de permitir o crescimento
do acervo, melhor distribuição dos espaços de estudos, criação de corredores
para as portas de emergência, posicionamento de estantes com diferentes
medidas e também para planejar todo o processo de transferências dos
materiais. Para realizar o projeto de adequação, conseguiu-se verbas através
da parceria com Fundação de Amparo á Pesquisa do estado de São Paulo
(FAPESP) e da própria Faculdade. ( s ÍGOLO et al., 2012, p.2).
Acrescendo a questão da distância entre as estantes, tem-se a relevância para os

corredores entre estantes permitirem o giro de 180° para o cadeirante na biblioteca. Mais
uma vez, isso se constitui em ponto central para o acesso do cliente da informação ao
atendimento às suas necessidades, principalmente o usuário cadeirante, e para o pleno acesso
dos alunos portadores de deficiência à biblioteca.

Constatou-se, nesse estudo, que a biblioteca pesquisada necessita
reestruturar seu espaço físico, a fim de proporcionar a acessibilidade de
usuários que fazem uso de cadeiras de rodas (cadeirantes), visto que a
biblioteca não atende as especificações dos padrões de qualidade
estabelecidos pela NBR 9050/2004. Observou-se que a distância entre as
mesas na sala de estudos coletivos, não possibilita a circulação dos
cadeirantes entre elas, visto que as estantes do acervo estão distribuídas
inadequadamente impossibilitando a circulação de pessoas nesse ambiente.
(COUTINHO; SILVA, 2012, p.2)
Além disso, para promover o atendimento satisfatório aos usuários portadores de
deficiência física, as mesas de leitura da biblioteca devem ser adequadas quanto à altura e
profundidade. Nesse sentido, Silva (2012) faz referência à seção 9.3 da NBR 9050, que
determina que as mesas tenham altura livre inferior de no mínimo 0,73 m do piso, com

764

�módulo de referência para a aproximação frontal até no máximo 0,50 m, faixa livre de
circulação e área de manobra para o acesso às mesas de 0,90 m. A altura do piso deve estar
entre 0,75 m e 0,85 m.
Acrescido à altura e profundidade, deve-se considerar também a quantidade

suficiente das mesas para atender aos usuários deficientes, tornando o ambiente da biblioteca
bem equipado e acolhedor para o usuário que busca informação e conhecimento. De acordo
com Silva (2012), a reserva de assentos, segundo a NBR 9050, indica um percentual de ao
menos 5%, recomendando também que outros 10% sejam adaptáveis para acessibilidade.

2.2 CAPACITAÇÃO CONSTANTE E COLEÇÕES ADEQUADAS
A problemática da capacitação constante dos bibliotecários para atendimento aos

usuários portadores de necessidades especiais deve ser encarada como uma das essências
da própria atividade bibliotecária, pois tem relação direta com a razão de ser do profissional
bibliotecário e, porque não dizer, com a razão de existir das bibliotecas. Figueiredo (2012),
afirma que se deve capacitar constantemente os bibliotecários para atendimento aos usuários.
Souza et al. (2012) alertam para os aspectos relativos aos estudantes com deficiência,
pois, dependendo da deficiência e das características de cada estudante, os apoios específicos
podem implicar a disposição de recursos humanos, tais como: intérprete de língua de sinais,
ledores, tecnologia assistiva etc.

os profissionais do setor, não foram devidamente capacitados para o
atendimento de usuários com deficiência, em geral um bolsista do setor faz o
atendimento das demandas. Com o crescimento no número de alunos com
deficiência matriculados, [...] ações de planejamento devem estar presentes,
incluindo o treinamento de servidores para o atendimento de pessoas com
deficiência. (LEMOS ; CUTRIM, 2012, p.2-3).
A biblioteca também

deve ter,

dentro da sua política de treinamento

e

desenvolvimento de pessoal, a capacitação dos auxiliares para atendimento aos usuários

portadores de necessidades especiais. Inclusive, segundo Silva (2012), para propiciar ao
usuário, sempre que necessário, intérprete de língua de sinais/língua portuguesa. Bem como,
segundo Santos et al. (2012), para preparar os bibliotecários e demais funcionários da
biblioteca para receber pessoas com características diversas da melhor forma possível,
oferecendo um atendimento cidadão e que respeite a diversidade.
O desenvolvimento e formação de coleções espelha a política de desenvolvimento e
formação de coleções dentro da biblioteconomia. Esta deve incluir acervo que contemple a

765

�ótica da acessibilidade, tendo um acervo básico com livros em braile, livros falados e áudio
livros. E isso é sinalizado por Figueiredo (2012), ao indicar a importância de se desenvolver e
formar a coleção das bibliotecas através de um acervo básico com livros em Braille, livros
falados e áudio livros.
Segundo Silva (2012), a construção de um espaço com mais acessibilidade depende
também de uma mudança de atitude. Não basta promover os elementos de melhoramento
físico ou arquitetônico, tais como instalar rampas para as pessoas com deficiência física ou
piso tátil para as pessoas com deficiência visual.
Há que se promover uma mudança de atitude e de consciência da comunidade
universitária (incluindo discentes, docentes e técnica-administrativa) para com a pessoa
portadora de deficiência (PPD), conhecendo-o, compreendendo e aceitando as suas
singularidades, buscando oferecer-lhe produtos e serviços que o auxilia na sua vida
acadêmica, facilitando-lhe o acesso ao conhecimento e a informação.

3 Materiais e Métodos

O método utilizado foi o estudo de caso realizado no Sistema de Bibliotecas da
Universidade Federal da Bahia (SIBI/UFBA), que totaliza 22 bibliotecas. O universo da
pesquisa representa todos os servidores que ali laboram e a amostra foi constituída por 10
servidores, em 10 dessas bibliotecas, que assumem o cargo de bibliotecário-chefe.
O

instrumento

de

coleta

de

dados

foi

um

questionário

contendo

afirmativas/perguntas que visaram atingir os objetivos específicos e consequentemente
analisar o atendimento ao usuário pessoa com deficiência (PCD) nas bibliotecas do
SIBI/UFBA. A coleta de dados, que se deu com a aplicação dos questionários junto aos
bibliotecários-chefe, foi realizada conforme o quadro abaixo.

DATA DA APLICAÇÃO
QUANTIDADE DE QUESTIONARIOS
14/11/2012
2
19/11/2012
2
20/11/2012
3
18/03/2013
1
21/03/2013
2
TOTAL
10
Quadro 1 - Roteiro da aplicação dos questionários.

766

�O tratamento dos dados foi feito utilizando o programa Excel, contando-se o escore
bruto ou total de respostas, por afirmativa/pergunta. Em seguida, os dados foram convertidos
em percentual, utilizando-se a formula ‘TR/TE’ (onde TR é igual ao total de respostas e TE é
igual ao total de respondentes), e alocados numa distribuição de frequências simples para a
sua análise.

4 Resultados Parciais/Finais

Tabela 1 - Distribuição percentual do atendimento ao usuário
PCD.
Não
tenho
Discordo Discordo
opinião
AFIRMATIVAS
totalmente parcialmente formada/Não
sei
20%
0%
Os
balcões
de 30%
circulação da minha
biblioteca
possibilitam
o
atendimento
ao
usuário deficiente.
20%
0%
Os terminais de 30%
consulta da minha
biblioteca
são
acessíveis à pessoa
com
deficiência
motora (cadeirante).
0%
10%
Os terminais de 90%
consulta da minha
biblioteca possuem
programas
específicos para o
seu
uso
por
deficientes visuais.
0%
0%
A minha biblioteca 60%
possui obras em
braile.
20%
0%
A minha biblioteca 60%
possui
materiais
audiovisuais
para
atendimento
ao
usuário deficiente.
0%
0%
Existem rampas de 30%
acesso
no
estacionamento da
minha Unidade de
ensino.
0%
0%
Existem rampas de 10%
acesso à minha
biblioteca.

Pessoa Com Deficiência -

Concordo
Concordo
Total
parcialmente totalmente
40%

10%

20%

20%

10

90%

0%

0%

100%

20%

20%
100%

0%

20%
100%

0%

70%
100%

0%

60%
70%

767

�Existem elevadores
ou plataformas de
acesso à minha
biblioteca.
Existe
telefone
público para surdos
na minha biblioteca.
Existe adaptação de
portas dos banheiros
para cadeiras de
roda
na
minha
biblioteca.
Na minha biblioteca
existem sinalizações
que atendam às
pessoas portadoras
de
deficiência
visual.
Na minha biblioteca
existem sinalizações
com informações de
produtos/serviços,
destinadas
às
pessoas portadoras
de
deficiência
visual.
A iluminação da
minha biblioteca é
suficiente. (pergunta
invertida)
A minha biblioteca
possui
estrutura
física adequada para
pessoas portadoras
de deficiência.
Na minha biblioteca
existem
barreiras
que dificultam a
circulação.
Há corrimão na
minha
biblioteca.
(pergunta invertida)
Minha
biblioteca
possui sinalização
no piso.
Na minha biblioteca
a distância entre as
estantes é adequada
para
pessoas
portadoras
de
deficiência.
Na minha biblioteca
os corredores entre
estantes permitem

30%

0%

0%

0%

60%
90%

100%

0%

0%

0%

0%
100%

30%

10%

0%

0%

60%
100%

100%

0%

0%

0%

0%
100%

100%

0%

0%

0%

0%

100%

50%

20%

0%

20%

0%
90%

40%

10%

0%

30%

0%
80%

40%

10%

0%

30%

20%
100%

20%

0%

0%

0%

30%
50%

80%

0%

0%

0%

10%
90%

40%

0%

0%

0%

40%
80%

50%

0%

10%

10%

20%
90%

768

�giro de 180° para o
cadeirante.
As mesas de leitura 50%
da minha biblioteca
são
adequadas
quanto à altura e
profundidade para
atender aos usuários
deficientes.
Na minha biblioteca 60%
existem mesas de
leitura
em
quantidade
suficiente
para
atender aos usuários
deficientes.
TOTAL
52%

0%

0%

30%

20%

100%

0%

0%

20%

10%

90%

5%

1%

10%

22%

91%

Dos 10 bibliotecários-chefe entrevistados, 30% discordam totalmente quanto aos
balcões de circulação de sua biblioteca possibilitar o atendimento ao usuário deficiente, e
quanto aos terminais de consulta das suas respectivas bibliotecas serem acessíveis à pessoa
com deficiência motora (cadeirante). Ao passo que 6 bibliotecas reúnem condições parciais
referentes aos balcões de circulação e 4 delas referentes a acessibilidade dos terminais de
consulta.
Dos respondentes, 90% informaram que os terminais de consulta instalados nas suas
bibliotecas não possuem programas específicos para uso de pessoas portadoras de deficiência
visual. Se for adicionado a isso os 10% que não opinaram, alcança-se 100% das bibliotecas
entrevistadas sem condições de acessibilidade aos terminais por parte do usuário deficiente
visual.
De acordo com o informado pelos bibliotecários-chefe, 60% das 10 bibliotecas
entrevistadas não possuem obras em braile, nem materiais audiovisuais. No entanto, outras 4
bibliotecas afirmaram possuir obras em braile, 2 delas possuem algum material audiovisual
para atendimento ao usuário deficiente e outras 2 possuem um material audiovisual completo.
No que diz respeito às barreiras arquitetônicas, 30% dos entrevistados confirmaram
a inexistência de rampas de acesso nos estacionamentos das Unidades de Ensino onde as
bibliotecas funcionam. Na pesquisa, também se constatou a inexistência de rampas em uma
biblioteca. Por outro lado, existem rampas de acesso em 6 bibliotecas das 10 entrevistadas e
em 7 delas existe rampas de acesso ao estacionamento.

769

�Referente à existência de elevadores ou plataformas de acesso, 3 bibliotecas
afirmaram que não possuem, enquanto 6 afirmaram que possuem. Além disso, em 100% delas
não existe telefone público que atenda a demanda dos surdos.
Dos bibliotecários-chefe entrevistados, 60% afirmaram que suas bibliotecas possuem
banheiros adaptados para os cadeirantes. Em contrapartida, 3 informaram que não possuem tal
adaptação para o cadeirante. Além disso, em 100% delas não existem sinalizações que
atendam às pessoas portadoras de deficiência visual, nem sinalizações com informações de
produtos/serviços destinados a estes deficientes; 80% não possuem sinalização no piso.
Quanto a iluminação das bibliotecas ser suficiente, 50% delas discordam totalmente,
o que significa que 5 bibliotecas não possuem iluminação suficiente para os usuários
portadores de deficiência. Em acréscimo, 40% delas possuem iluminação em condição
inadequada.
A informação dada pelos bibliotecários sobre a existência de estrutura física
adequada nas bibliotecas para pessoas portadoras de deficiência indica que 40% das
bibliotecas possuem tal estrutura e que 40% delas possuem uma estrutura inadequada. Sobre a
existência de barreiras que dificultam a circulação de cadeirantes nas bibliotecas, 40% dos
respondentes discordam totalmente que essas existam; 10% discordam parcialmente,
enquanto 50% confirmam a existência de barreiras que dificultam a circulação.
Em relação à afirmativa de que há corrimão nas bibliotecas, 20% dos entrevistados
discordam da existência destes. Ao passo que 30% concordam haver corrimão nas suas
respectivas bibliotecas. Quanto a distância entre as estantes das bibliotecas ser adequada para
atender aos portadores de deficiências, 40% dos bibliotecários-chefe informaram que a
distância não é adequada em sua biblioteca, em detrimento de outros 40% que confirmaram
ser adequada. Entre esses respondentes, 50% também informaram que a distância entre as
estantes não permite um giro de 180° feito pela cadeira de rodas, enquanto 30% responderam
que os corredores entre estantes permitem o giro de 180° da cadeira de rodas.
Sobre as mesas de leitura para atender os deficientes nas bibliotecas, 50% dos
bibliotecários discordam que a altura e a profundidade atendem aos padrões ideais para
deficientes físicos. Enquanto 50% concordam que estas atendam a demanda dos deficientes.
Sobre a quantidade de mesas da biblioteca, 60% dos bibliotecários discordam que seja
suficiente e 30% concordam.

770

�Tabela 2 - Distribuição percentual referente a capacitação
SIBI/UFBA para o atendimento à PCD.
Não
tenho
opinião
Discordo Discordo
AFIRMATIVAS
totalmente parcialmente formada/Não
sei
Na minha biblioteca
existe capacitação
de
bibliotecários
para
atendimento
90%
0%
10%
aos
usuários
portadores
de
necessidades
especiais.
Na minha biblioteca
existe capacitação
dos auxiliares para
0%
0%
atendimento
aos 100%
usuários portadores
de
necessidades
especiais.
TOTAL
95%
0%
5%

dos recursos humanos do

Concordo
Concordo
Total
parcialmente totalmente

0%

0%

100%

0%

0%

100%

0%

0%

100%

No tocante ao item capacitação de recursos humanos do Sistema de Bibliotecas da
UFBA, para atendimento às pessoas portadores de deficiência, 90% dos respondentes
discordam totalmente quanto a existência de capacitação dos bibliotecários para atendimento
a este tipo de usuário. Confirmando tal tendência, 100% dos bibliotecários-chefe concordam
que não existe nenhuma capacitação de auxiliares para atendimento aos usuários portadores
de necessidades especiais.
Tabela 3 - Distribuição percentual do Desenvolvimento e Formação de Coleções para o
PPD.
Não
tenho
opinião
Discordo Discordo
Concordo
Concordo
AFIRMATIVAS
Total
totalmente parcialmente formada/Não parcialmente totalmente
sei
O desenvolvimento
e
formação
de
coleções da minha
biblioteca inclui um
70%
0%
0%
20%
10%
100%
acervo básico com
livros em Braile,
livros falados e
audiolivros.
TOTAL
70%
0%
0%
20%
10%
100%

771

�Dentre as 10 bibliotecas pesquisadas, 7 delas discordam

que haja política de

desenvolvimento e formação de coleções de um acervo básico com livros em braile, livros
falados e audiolivros em seu acervo. Sendo que apenas 3 (três) delas, afirmaram possuir
algumas obras destinadas ao usuário portador de deficiência visual tais como livros em braile
ou material audiovisual.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
Sabendo-se que os ambientes universitários estão associados à produção e
disseminação do conhecimento, destacando-se a informação como um dos elementos
relevantes nesse processo, ter acesso à informação é parte indissociável da educação, do
trabalho e do lazer e é natural que as pessoas portadoras de deficiências estejam inclusas ai,
usufruindo, por lei, os direitos concedidos a todos os cidadãos brasileiros.
Conclui-se, portanto, que as bibliotecas do Sistema de Bibliotecas da Universidade
Federal da Bahia pesquisadas, prestam um atendimento precário ao usuário Pessoa Com
Deficiência (PCD), pois 57% dos respondentes discordam quanto à plena acessibilidade do
usuário PCD.
Conclui-se, também, que as bibliotecas pesquisadas, não atendem aos requisitos de
capacitação constante de seus quadros (95% de discordantes), bem como não atendem aos
requisitos de coleções adequadas para propiciar acessibilidade ao usuário pessoa com
deficiência (PCD) (70% de discordantes).

6 REFERÊNCIAS

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pessoas portadoras de deficiência e edificações, espaço, mobiliário e equipamento urbano. Rio
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774

�</text>
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                <text>SNBU - Edição: 18 - Ano: 2014 (UFMG - Belo Horizonte/MG)</text>
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                <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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            <description>An account of the resource</description>
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                <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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            <name>Creator</name>
            <description>An entity primarily responsible for making the resource</description>
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                <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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            <name>Publisher</name>
            <description>An entity responsible for making the resource available</description>
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              <elementText elementTextId="71372">
                <text>UFMG</text>
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            <description>A language of the resource</description>
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            <name>Coverage</name>
            <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
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              <text>Acessibilidade no Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal da Bahia - SIBI/UFBA: uma análise do atendimento ao usuário pessoa com deficiência- PCD.</text>
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          <name>Creator</name>
          <description>An entity primarily responsible for making the resource</description>
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              <text>Sacramento, Roméria Carneiro de Campos, Lion, Samir Elias Kalil, Gomes, Henriette Ferreira 
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          <name>Coverage</name>
          <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
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              <text>Belo Horizonte (Minas Gerais)</text>
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          <name>Publisher</name>
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          <name>Date</name>
          <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
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          <name>Language</name>
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          <name>Type</name>
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              <text>Analisa o atendimento ao usuário Pessoa Com Deficiência (PCD) nas bibliotecas do Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal da Bahia – SIBI/UFBA. Trata-se de um estudo de caso com questionários como instrumento de coleta de dados, aplicados a uma amostra constituída por 10 servidores, em 10 das 22 bibliotecas do SIBI/UFBA, que assumem o cargo de bibliotecário-chefe. Conclui que as bibliotecas do Sistema de Bibliotecas da Universidade Federal da Bahia pesquisadas prestam um atendimento precário ao usuário Pessoa com Deficiência.
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