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                  <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

ACESSIBILIDADE E INCLUSÃO NO ENSINO SUPERIOR: diferentes olhares de um
mesmo problema

Francismeiry Gomes Oliveira

Resumo
A preocupação com a inclusão social escolar universitária está claramente expressa em várias
leis, normas, documentos resultantes de encontros, seminários e conferências sobre o tema.
Estes são instrumentos atualizados na tentativa de realçar a importância em disponibilizar, às
pessoas com necessidades educativas especiais, condições de aprendizado e desenvolvimento
educacional igualitário. Neste artigo, realizado pela Faculdade Evolução Alto Oeste Potiguar
(FACEP), é apresentado os resultados de um trabalho que teve como objetivo investigar o
processo de inclusão e acessibilidade dos alunos em sala de aula, na instituição e na biblioteca
universitária, além da percepção do discente, com deficiência visual, diante de cada um dos
sujeitos participantes do estudo. As observações, abordagens, análises de documentos
administrativos, entrevistas envolvendo docentes, direção, equipe da biblioteca universitária e
discente com deficiência visual foram reveladoras de questões importantes que poderão fazer
com que olhemos cada vez mais atentamente a inserção dos deficientes à sociedade
acadêmica. Os resultados mostram como o deficiente visual percebe seu processo de inclusão,
dando uma descrição mais clara de como os sujeitos envolvidos no processo vivenciaram o
primeiro contato com uma pessoa com necessidades educacionais especiais. Foram utilizados
por base de fundamentação teórica autores como: ASSUNÇÃO (2014), CAIADO (2003),
DEFENDI (2001), MARCONI (2012) entre outros que abordam a questão da acessibilidade
mostrando, sobretudo, a importância em promover mudanças favoráveis que tornem acessível
à inserção do deficiente visual no ensino superior bem como no seio da sociedade como um
todo.
Palavras-Chave: Acessibilidade; Inclusão; Deficiente visual; Biblioteca; Ensino superior.
ABSTRACT
The concern with the university school social inclusion is clearly expressed in various laws,
rules, documents resulting from meetings, seminars and conferences on the subject. These are
updated in an attempt to highlight the importance to make available to people with special
educational needs, learning conditions and equal educational development instruments. In this
article, conducted by Evolution High School West Potiguar (FACEP), the results of a study
that aimed to investigate the process of accessibility and inclusion of students in the
classroom, the institution and the university library is presented, beyond the perception of the
students with visual impairment, before each of the participants in the study. The
observations, approaches, analyzes of administrative documents, interviews involving
teachers towards the university library staff and students with visual impairments were
revealing of important issues that could cause us to look ever more closely the integration of
disabled people to the academic society. The results show how the visually impaired perceive
the process of inclusion, giving a clearer description of how those involved in the process

705

�experienced the first contact with a person with special educational needs. Were used based
on the theoretical basis as authors: ASSUMPTION (2014), CAIADO (2003), DEFENDI
(2001), MARCONI (2012) among others that address the issue of accessibility showing,
especially the importance of promoting positive changes that make low the inclusion of
visually impaired in higher education and in society as a whole.
Keywords: Accessibility; inclusion; Visually impaired; Library; Higher education.

1 INTRODUÇÃO
O debate sobre inclusão e acessibilidade de pessoas com necessidades educacionais
especiais está em crescente evidência na sociedade. As leis e normas que regulamentam o
acesso dessas pessoas em ambientes e espaços públicos estão sendo divulgadas e cobradas de
forma mais precisa pela comunidade. A existência de instituições e fundações específicas,
voltadas para o estudo e divulgação de serviços para este grupo, traz à luz da razão, a
necessidade de que as pessoas com limitações físicas e sensoriais sejam inseridas no ambiente
educacional e que os estabelecimentos adaptem-se para recebê-los.
A educação inclusiva, antes discutida apenas no âmbito do ensino regular, ganha
proporções maiores quando focamos na inserção de pessoas com deficiência no ensino
superior. As leis que dão suporte ao desenvolvimento do trabalho de inclusão com este grupo
específico, em sua maioria, se dirigem ao ensino básico. Quanto ao ensino superior, apenas a
Portaria n° 1.679 de dezembro de 1999, que regulamenta o credenciamento e abertura de
cursos em Faculdades, do Ministério da Educação (MEC), torna obrigatório que as
instituições se adequem aos diversos tipos de necessidades especiais, seja ela auditiva, visual
ou física.
A literatura científica e estudos a respeito de inclusão e acessibilidade no ensino
superior ainda são bem escassos e, baseados na portaria do MEC aqui mencionada, a pesquisa
se volta para uma Instituição de Ensino Superior (IES) com um deficiente visual em seu
quadro de discentes, tendo como objetivo investigar o processo de inclusão e acessibilidade
deste aluno em sala de aula, na instituição e na biblioteca universitária, além da percepção
deste discente frente a cada um dos sujeitos da pesquisa.

2 REVISÃO DE LITERATURA
2.1 A educação inclusiva no contexto histórico
A sociedade contemporânea vivencia uma verdadeira explosão informacional diante
de tantas ferramentas disponibilizadas de acesso a dados, notícias e informações atualizadas

706

�em tempo real, seja local ou à distância, estas nos chegam facilmente a partir de um clique.
No mundo globalizado, não existem mais barreiras para ter acesso ao conhecimento. O direito
à informação e à educação é igualitário, sem distinção de cor, raça, credo ou deficiência,
sendo este garantido por lei.
O atendimento, no Brasil, às pessoas com deficiência começou na época do império
com o surgimento de duas importantes instituições, “O Imperial Instituto dos Meninos Cegos
em 1854, atual Instituto Benjamin Constant - IBC e o Instituto dos Surdos Mudos em 1857,
hoje Instituto Nacional da Educação dos Surdos” (FIGUEIREDO, 2012, p.1).
No cenário mundial, em 1990, ocorreu em Jomtien, na Tailândia, a Conferência
Mundial sobre Educação onde na elaboração do texto final do evento é afirmado “a
necessidade de se garantir educação básica para todos como condição sine qua non para o
desenvolvimento” (CAIADO, 2003, p. 17). Neste documento não havia um tópico específico
sobre a educação de pessoas com necessidades especiais, no entanto, este evento foi um
marco na elaboração de políticas em educação para muitos países, inclusive o Brasil. Apenas
em 1994, na Declaração de Salamanca sobre princípios, políticas e práticas na área das
necessidades educativas especiais é solicitado que os governos atribuam a mais alta prioridade
política e financeira ao aprimoramento de seus sistemas educacionais, no sentido de se
tornarem aptos a incluírem todas as crianças independentemente de suas diferenças ou
dificuldades individuais e, adotem o princípio de educação inclusiva em forma de lei ou de
política, matriculando todas as crianças em escolas regulares, a menos que existam fortes
razões para agir de outra forma (DECLARAÇÃO DE SALAMANCA, 1994, p. 2).
O primeiro instrumento normativo, sobre a questão inclusiva, no contexto brasileiro,
foi registrado na Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDBEN), de 1961. De
acordo com Caiado (2003, p.8) embora esse texto:
[...] já anunciasse que a educação de excepcionais deve no que for possível
enquadra-se no sistema geral de educação, a fim de integrá-los na
comunidade, será a Constituição de 1988 que afirmará, claramente, no art.
208, que o atendimento educacional especializado aos portadores de
deficiência deve se dar preferencialmente na rede regular de ensino.
A Constituição Federal de 1988 exibe clareza ao afirmar, no art. 206, que o ensino
deverá ser ministrado com base nos princípios de igualdade de condições para acesso e
permanência a escola e que é dever do Estado, art.208 parágrafo V, “disponibilizar acesso aos
níveis mais elevados de ensino, da pesquisa e da criação artística, segundo a capacidade de
cada um”. Ser portador de necessidades especiais não significa que o individuo não tenha

707

�capacidade de aprender e se socializar e sim, que cada um absorve o conhecimento de uma
maneira diferente. A Constituição Federal por si só, já garante que todo cidadão, sem
distinção, seja admitido em escolas e classes do ensino regular, independente das
diversidades, além de deixar subtendido, em seu texto, a garantia ao ensino superior quando
trata de níveis mais elevados de ensino.
Após o texto de Salamanca, outros documentos de referência foram redigidos no
intuito de tornar mais visível e específico a ênfase que deveria ser dada à educação especial,
com o intuito de promover a inserção e legitimação dos direitos dessas pessoas em particular.
Destes documentos destaca-se, a Política Nacional de Educação Especial do MEC de 1994,
que tinha como objetivo o apoio ao sistema regular de ensino no que concerne à integração
dos portadores de necessidades especiais e ao estímulo de parcerias com entidades
especializadas. Em 1996, a LDBEN n° 9.394/96, destaca o atendimento especializado gratuito
nas redes de ensino regular, no entanto enfatiza que caso não seja possível inserir este aluno
especial na rede pública e em classes comuns, por condições específicas destes, eles deverão
ser alocados em escolas especiais. No ano de 2001, acontece a formulação das Diretrizes
Nacionais para Educação Especial (CNE) e do Plano Nacional de Educação (PNE)
(FERREIRA, 2006, p.94).
O quadro a seguir nos oferece uma visão mais completa do processo histórico sobre a
educação com ação inclusiva.

Quadro 1. Detalhamento do histórico de documentos sobre direito à educação de pessoas com
deficiência.
Documento
Atendimento Educacional Destinado a
Emenda
Const. Educação especial gratuita Os deficientes
n°12, 1978
Constituição
Atendimento educacional Portadores
Federal de 1988
especializado
deficiência
Lei n° 7.853, de
1989
(lei
de
integração)
Decreto n° 3.298
de
1999
(regulamenta a lei
n° 7.853)

Educação especial como
modalidade educativa

Onde

de Preferencialmente na
rede
regular de
ensino
Pessoas portadoras de Inserção no sistema
deficiência
educacional de escola
privadas e públicas
Pessoas
com Programas de apoio
deficiência
física, para o aluno que está
auditiva, visual, mental integrado no sistema
e múltipla.
regular ou em escolas
especializadas

Educação
especial:
modalidade
educacional
oferecida preferencialmente
na rede regular de ensino
para
educando
com
necessidades especiais
Declaração
de Escola integradora
Todas as crianças e Ênfase nas classes
Salamanca-1994
jovens
que
cujas comuns
necessidades decorrem
de suas dificuldades de

708

�LDBEN
4.024/61

n° Educação de excepcionais

Lei n° 5.692/71

Tratamento especial

Política Nacional
de
Educação
Especial
MEC/1994

Educação
especial:
processo que visa promover
o desenvolvimento das
potencialidades das pessoas
portadoras de deficiências.
Abrange os diferentes
níveis e graus do sistema de
ensino

LDBEN
9.394/96

n° Atendimento educacional
especializado gratuito

Diretrizes
Nacionais
Educação
EspecialCNE/2001

aprendizagem
Excepcionais

A educação dos
excepcionais deve, no
que for possível,
enquadra-se
no
sistema geral de
educação
Conforme normas a
serem fixadas pelos
Conselhos
de
Educação
Apoiar o sistema
regular de ensino
para
integração;
estimular parcerias
com
ONG’s
especializadas

Alunos que apresentem
deficiência
física,
mental
ou
sejam
superdotados
Aqueles
que,
por
apresentar necessidades
próprias e diferentes
dos demais alunos no
domínio
das
aprendizagens
correspondentes à sua
idade,
requerem
recursos pedagógicos e
metodologias
educacionais
específicos
Educandos
com Preferencialmente na
necessidades especiais
rede
regular de
ensino, e em classes
especiais em função
das
condições
específicas do aluno
Educandos
com O atendimento deve
necessidades especiais
ser realizado em
classes comuns em
qualquer etapa da
educação básica.

Educação especial como
para modalidade da educação
escolar - recursos e
serviços
para
apoiar,
complementar e em alguns
casos substituir os serviços
educacionais comuns
Plano Nacional de Educação Especial
Pessoas
com
Educação -2001
necessidades especiais
no
campo
da
aprendizagem,
originadas de qualquer
tipo de deficiência

Integração/inclusão
no sistema regular de
ensino e se isso não
for possível em
função
das
necessidades
do
educando, realizar o
atendimento
em
classes e escolas
especializadas

Fonte: FERREIRA (2006, p.94)

Observa-se na literatura, sobre educação para pessoas com necessidades especiais,
especificamente de deficientes visuais, que a preocupação em incluir/integrar este grupo no
sistema de ensino começa a crescer, e ter evidência, a partir da década de 90.

709

�Entre tantos documentos redigidos para embasar as instituições no processo de
adequação a fim de recepcionar estas pessoas, conta-se também, neste período, com o
documento final da Convenção Interamericana para a Eliminação de todas as formas de
discriminação contra a pessoa portadora de deficiência, realizada em 1999, na Guatemala. O
Brasil tornou-se signatário deste documento aprovado pelo Congresso Nacional. Este,
segundo Mantoan (2006) “[...] veio reafirmar a necessidade de rever o caráter discriminatório
de algumas de nossas práticas escolares [...]” (MANTOAN, 2006, p.200).
No âmbito do ensino superior, a Portaria n° 1.679 de dezembro de 1999, dispõe sobre
requisitos de acessibilidade de pessoas portadoras de deficiências, para instruir os processos
de autorização e de reconhecimento de cursos, e de credenciamento de instituições (BRASIL,
1999). O texto desta portaria especifica critérios e instrumentos que a Instituição deve adotar
para realizar as adaptações primordiais de atendimento aos alunos com necessidades
especiais. Para a pessoa com deficiência visual o documento exige:
Compromisso formal da instituição de proporcionar, caso seja solicitada,
desde o acesso até a conclusão do curso, sala de apoio contendo: máquina
de datilografia Braille, impressora Braille acoplada a computador, sistema de
síntese de voz; - gravador e fotocopiadora que amplie textos; - plano de
aquisição gradual de acervo bibliográfico em fitas de áudio; - software de
ampliação de tela do computador; - equipamento para ampliação de textos
para atendimento a aluno com visão subnormal; - lupas, réguas de leitura; scanner acoplado a computador; - plano de aquisição gradual de acervo
bibliográfico dos conteúdos básicos em Braille (BRASIL, 1999, p.1).
Um dos mais recentes e inovadores documentos sobre acessibilidade para deficientes
visuais foi resultado do encontro da Organização Mundial de Propriedade Intelectual (OMPI),
que ocorreu em Marrakech no Marrocos, em junho de 2013. O Brasil, Paraguai, Equador,
Argentina e México, apoiados pelo Grupo de países da América Latina e do Caribe foram os
maiores incentivadores para que esse tratado fosse assinado. Como fruto destas discussões foi
firmado o Tratado de Marrakech, tendo, este, o objetivo principal de facilitar o acesso a obras
publicadas para pessoas cegas, com deficiência visual ou outras deficiências para o acesso ao
texto impresso (TRATADO, 2013).
Para Assunção (2013, p.1):
Mais de 300 milhões de pessoa com deficiência visual serão beneficiadas
com o tratado. Os países que aderiram ao acordo se comprometeram a criar
dispositivos legais na legislação para que obras publicadas, como livros,
estudos científicos, pesquisas, revistas e jornais, protegidas por direito
autoral possam ser distribuídas e publicadas em formato acessível, como o
Braille, Daisy ou mesmo áudio books, sem a necessidade de autorização dos
titulares da obra.

710

�Diante de tantas leis e documentos que norteiam o fazer na educação inclusiva, o que
fará realmente a diferença será a mobilização por parte dos profissionais da área e instituições
de ensino, para colocar em prática as orientações contidas em cada um deles. Não terá
relevância a existência de todos esses documentos, se não houver conscientização de que é
necessário dar início ao processo de inclusão escolar, assim como a indispensabilidade de
fiscalização constante dos órgãos do Ministério da Educação para assegurar o oferecimento de
um serviço de qualidade às pessoas que necessitam de um pouco mais de atenção.

2.2 Conceito de deficiência visual
As pessoas portadoras de deficiência visual são acometidas pela incapacidade de
enxergar, quer seja parcial ou totalmente. Segundo informações da Fundação Dorina Nowill
para Cegos, o grau de acuidade pode variar, determinando, assim, dois grupos de deficiência:
a baixa visão e a cegueira total.
A pessoa com baixa visão ou subnormal, como aquela que tem comprometido o
funcionamento visual em ambos os olhos e que não pode ser corrigido por uso de óculos,
lentes ou cirurgias. As pessoas com cegueira são aquelas que têm perda total da visão. “A
pessoa cega não apresenta resíduo visual aproveitável para a realização de atividades ou para
realizar leituras de textos impressos. A Organização Mundial da Saúde aponta que até 2020
haverá 75 milhões de pessoas cegas no mundo” (DEFENDI, 2001, p.9).

2.3 Inclusão x Acessibilidade: conceitos
De acordo com o dicionário Aurélio da Língua Portuguesa (FERREIRA, 2005), incluir
significa: compreender, abranger, fazer tomar parte, inserir, introduzir. Assim, quando se
fala em inclusão, associa-se instantaneamente o termo à inserção escolar, universitária e/ou
social. Mantoan (2006, p. 16) afirma que a inclusão escolar está articulada a movimentos
sociais mais amplos, que exigem maior igualdade e mecanismos mais equitativos no acesso a
bens e serviços. Os serviços que as instituições podem e devem oferecer para que a pessoa
com certo grau de comprometimento, físico ou sensorial, possa utilizá-los de modo que suas
expectativas sejam atendidas, chamamos de acessibilidade.
Para Gonzalez e Mattos (2014, p.1), acessibilidade:
[...] são as condições e possibilidades de alcance para utilização, com
segurança e autonomia, de edificações públicas, privadas e particulares, seus
espaços, mobiliários e equipamentos urbanos, proporcionando a maior
independência possível e dando ao cidadão deficiente ou àqueles com
dificuldade de locomoção, o direito de ir e vir a todos os lugares que

711

�necessitar, seja no trabalho, estudo ou lazer, o que ajudará e levará à
reinserção na sociedade.
O termo acessibilidade teve origem no século passado, na década de 40, por meio dos
serviços oferecidos para reabilitação física nos Estados Unidos e Europa. Nos anos 50, a
tentativa de reintegração de pessoas com deficiências visuais e físicas era realizada em várias
esferas, no entanto a dificuldade na adaptação de espaços urbanos e meio de transporte
impedia o avanço dessas iniciativas. A partir de 1960, discussões entre arquitetos norte
americanos e europeus, resultaram no movimento “Projeto livre de barreiras”, onde o objetivo
era oferecer acessibilidade à portadores de necessidades físicas e funcionais (SILVA;
BARBOSA, 2011, p.4).
Com a socialização destes debates e o avanço tecnológico ocorrido nos últimos
tempos, esse projeto foi alterado para o que conhecemos atualmente como “Desenho para
todos”, onde além da adaptação do mundo físico, também é contemplado o mundo virtual.
“Um produto ou sistema projetado sob o conceito de desenho para todos incorpora
características que, além de permitir a sua utilização por pessoas portadoras de deficiência,
tornam o seu uso mais fácil e confortável para todos os usuários” (MAZZONI, et. al, 2001,
p30).
Os conceitos de inclusão e acessibilidade estão estreitamente ligados. A
acessibilidade dá suporte e condições, através da diminuição das dificuldades que as pessoas
com necessidades especiais enfrentam, para que seja concretizado o processo de inclusão. É
imprescindível atentar para seis quesitos importantes que devem ser observados para que a
sociedade, com a ajuda da tecnologia, se torne acessível:
Acessibilidade arquitetônica: não deve haver barreiras ambientais físicas
nas casas, nos edifícios, nos espaços ou equipamentos urbanos e meios de
transporte individuais e coletivos;
Acessibilidade comunicacional: não deve haver barreiras na comunicação
interpessoal, escrita e virtual;
Acessibilidade metodológica: não deve haver nos métodos e técnicas de
estudo, de trabalho, de ação comunitária e de educação dos filhos;
Acessibilidade instrumental: não deve haver barreiras nos instrumentos,
utensílios e ferramentas de estudo, de trabalho e de lazer ou recreação;
Acessibilidade programática: não deve haver barreiras invisíveis
embutidas em políticas públicas e normas ou regulamentos;
Acessibilidade atitudinal: não deve haver preconceitos, estigmas,
estereótipos e discriminações (MELO, 2006, p.18).

712

�Portanto, é imprescindível que haja a promoção desses diferentes tipos de
acessibilidade, sejam eles físicos estruturais ou comportamentais para que os indivíduos com
limitações possam ser e, se desenvolver na sociedade em que vivem igualmente com as outras
pessoas.

3 PERCURSO METODOLÓGICO
3.1 Problemática
O Grupo Evolução está no ramo da educação há 17 anos. Localizada na cidade de Pau
dos Ferros, interior do Rio Grande do Norte, a instituição compromete-se com o
desenvolvimento educacional da região alto oeste potiguar, tendo a responsabilidade de levar
à sociedade, ensino eficiente e de qualidade. Em 2009 foi criada, para fazer parte deste grupo,
a Faculdade Evolução Alto Oeste Potiguar, com a missão de contribuir para o
desenvolvimento das pessoas por meio de uma formação profissional e cidadã.
Atualmente a Instituição de Ensino Superior oferece à comunidade, os cursos de
Administração, Direito, Psicologia, Pedagogia, Design de Interiores e Design de Moda. A
Faculdade está estrategicamente inserida em um local onde recebe alunos de cidades
circunvizinhas do estado do Rio Grande do Norte, Ceará e Paraíba.
No semestre 2014.1, a FACEP recebeu em seu quadro de alunos uma pessoa com
necessidades especiais, especificamente com deficiência visual, no curso de Psicologia.
Diante das propostas expostas pela IES e pelo fato de ser o primeiro aluno com essa
característica, surgiu o questionamento: Qual percepção do corpo docente diante deste aluno
com necessidades especiais e a relação em sala de aula? Qual o olhar do deficiente visual
quanto à infraestrutura da Faculdade, do corpo docente e da biblioteca universitária? Qual a
preocupação que a IES manifestou e como se preparou para receber um deficiente visual?
Quais os serviços oferecidos pela Biblioteca Universitária para este público específico?

3.2 Tipo, natureza, classificação e procedimentos técnicos da pesquisa
Andrade (2009, p.111) conceitua pesquisa como “[...] o conjunto de procedimentos
sistemáticos, baseados no raciocínio lógico, que tem por objetivo encontrar soluções para
problemas propostos, mediante utilização de métodos científicos”.
Para Marconi e Lakatos (2012, p.43) “toda pesquisa implica o levantamento de dados
de variadas fontes, quaisquer que sejam os métodos ou técnicas empregadas”. Ainda seguindo
o raciocínio de Marconi e Lakatos (2012), existem dois tipos de processos na pesquisa pelos
quais se pode ter acesso aos dados desejados, são eles a documentação direta e a indireta.

713

�O presente estudo utiliza-se do primeiro processo, onde o levantamento dos dados é
obtido no próprio local em que os fenômenos ocorrem. Silva (2005, p.20) divide a natureza da
pesquisa em básica e aplicada. A pesquisa básica gera conhecimentos úteis ao avanço da
ciência sem aplicação prevista dos resultados e envolve interesses universais, enquanto que a
pesquisa aplicada gera conhecimentos para aplicação prática dirigida à solução de problemas
específicos envolvendo interesses locais. A investigação proposta caracteriza-se como básica,
pois tem a finalidade de conhecer como está ocorrendo o processo de inclusão de alunos com
deficiência visual no ensino superior, e as expectativas deste aluno diante dos serviços
oferecidos pela IES.
A presente pesquisa pode ser classificada como descritiva, onde “os fatos são
observados, registrados, analisados, classificados e interpretados sem que o pesquisador
interfira neles” (ANDRADE, 2009, p.114).
Quanto aos procedimentos metodológicos, foi adotado um estudo de caso, tomando
como campo de pesquisa a Instituição de Ensino Superior, Faculdade Evolução Alto Oeste
Potiguar, na cidade de Pau dos Ferros/RN. Como procedimentos técnicos foram utilizados a
pesquisa bibliográfica, onde foram utilizadas pesquisas em artigos, documentos, livros e
material disponível na Internet. Foram analisados documentos sem tratamento analítico, sendo
eles o Plano de Desenvolvimento Institucional da Faculdade e o Regimento Interno da
Biblioteca.
A forma de abordagem do problema foi definida como qualitativa. Silva (2005, p. 20)
“considera que há uma relação dinâmica entre o mundo real e o sujeito que não pode ser
traduzido em números. [...] o ambiente natural é a fonte direta para a coleta de dados [...] o
processo e seu significado são os focos principais de abordagem”.
Os instrumentos de coleta de dados utilizados na pesquisa foram o questionário, a
entrevista e a observação não participante. Segundo Silva (2005), a observação não
participante é a situação onde o pesquisador presencia os eventos, mas não participa nem
interfere.

3.3 Etapas da coleta de dados
Os sujeitos participantes da pesquisa foram o corpo docente do curso de Psicologia
(cinco professores), o aluno com deficiência visual, a equipe da biblioteca universitária e o
diretor da IES.
A primeira etapa da coleta de dados foi a observação não participante, realizada na sala
de aula do aluno com deficiência visual, sem que aluno e professor soubessem da finalidade

714

�da pesquisa a fim de que não houvesse mudanças de atitudes influenciadas pelo estudo. A
observação aconteceu entre os dias 03 e 07 de março de 2014, com a oportunidade de
averiguar o ambiente de sala em aula de todas as disciplinas ofertadas ao aluno.
Logo após foi formulado um questionário composto por seis perguntas abertas
direcionado ao corpo docente e ao diretor da instituição. Estes foram enviados via Internet
(aos docentes) e respondido pessoalmente com o diretor da IES. Com o deficiente visual e
equipe da biblioteca foi realizada uma entrevista com perguntas estruturadas. A entrevista
com o deficiente visual durou em torno de vinte minutos e foi registrada com gravador para
posterior descrição. Todas as etapas da coleta de dados foram realizadas no período de 03 a 31
de março com autorização prévia da Instituição analisada.
Ao término das etapas descritas acima, iniciou-se o processo de análise e interpretação
dos resultados. Apoiados pela fundamentação teórica pesquisada a respeito da situação
problema, a análise dos dados buscou responder aos questionamentos que nortearam o
desenvolvimento do presente estudo.

4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
4.1 Corpo docente x deficiente visual
Nas entrevistas realizadas com o corpo docente do curso no qual o aluno está
matriculado, 80% dos professores relataram ter sido, esta, a primeira vez que tiveram contato
com pessoas com necessidades especiais em sala de aula. Ansiedade, insegurança,
preocupação, medo e satisfação foram os sentimentos destes ao saber que iriam ter como
aluno um deficiente visual. Os sentimentos foram justificados, pelo fato de não se sentirem
suficientemente qualificados para lidar com essa situação, por não terem tido em sua
formação acadêmica preparação para enfrentar esta realidade e pelo medo de errar em algum
momento e agir de forma que pudesse vir a excluir ou prejudicar o aprendizado dos alunos.
Cem por cento dos docentes informaram trabalhar em sala de aula com métodos
expositivos, usando como ferramenta a apresentação de slides. Os conteúdos abordados são
enviados para os e-mails dos alunos para estudos em casa. Os textos discutidos em sala de
aula, escolhidos pelo docente com antecedência, são encaminhados para a caixa de mensagem
do deficiente visual, que acompanha a leitura através do programa Jaws, com sintetizador de
voz em seu notebook. O corpo docente foi unânime em afirmar que trata o aluno com
necessidades especiais, normalmente, com as mesmas cobranças, as mesmas explicações, o
mesmo conteúdo como o que é repassado para os outros alunos da turma. Um dos professores
relatou que no começo do semestre sugeriu que o aluno utilizasse um gravador em sala para

715

�não perder os detalhes das explicações, informou ainda, posicionar o aluno ao seu lado para
auxiliá-lo a qualquer momento, caso necessário. Quanto à infraestrutura da IES, 60% dos
professores concordam que está adequada para receber pessoas com necessidades especiais,
entretanto alguns aspectos precisariam de modificações, entre eles: a inserção no acervo da
biblioteca de livros digitais e Braille; sinalização tátil nas estantes, no piso da instituição e
adaptação das salas. Frisam também, a importância de treinamento do corpo docente para
recepcionar estas pessoas e a necessidade de fomentar um momento de discussão do tema, o
compartilhamento de experiências que ajudem a melhorar/capacitar os professores em
educação inclusiva.

4.2 IES x deficiente visual
Segundo a IES, as políticas e planos institucionais que regem o desenvolvimento da
Faculdade, prezam pela viabilização do acesso e inserção de pessoas com necessidades
especiais educacionais. Desde sua criação em 2009, a estrutura que abriga a instituição passa
por diversas reformas para oferecer qualidade e conforto aos seus alunos. Dentre essas
mudanças estão a construção de rampas com corrimãos e adaptação de banheiros. Com a
incorporação de discentes com deficiência visual em seu quadro, a administração tem
planejado fomentar discussões com as diversas partes e setores da instituição a fim de
promover melhorias que, além das adaptações obrigatórias previstas pelo MEC, facilitem o
aprendizado destes sujeitos.

4.3 Biblioteca Universitária x deficiente visual
A Biblioteca Universitária enquanto disseminadora do conhecimento, sendo também
suporte da tríade ensino, pesquisa e extensão que rege a IES, possui a responsabilidade de ser
aliada nos processos de mudanças possíveis, com a finalidade de facilitar o acesso à
informação, sem cogitar barreiras existentes nesta mediação. A equipe da Biblioteca
Universitária Paulo Bonavides, da FACEP, relatou que desde a inscrição do aluno deficiente
visual no vestibular, teve preocupação com os serviços que deveriam oferecer e as mudanças
que teriam de ser realizadas no espaço da Biblioteca.
Com a confirmação da aprovação do aluno surgiram propostas de adequação e de
inserção de políticas que tornassem mais práticas o acesso à informação do discente. Algumas
delas foram: inclusão nas políticas de aquisição de acervo a compra de livros em Braille e
digital na área específica de estudo, assim como a aquisição de periódicos em formato
acessível; redimensionamento do espaço entre as estantes, assim como a inserção na

716

�sinalização das estantes, de um formato em Braille para a localização dos livros;
disponibilizar nos computadores de pesquisa à Internet, programas leitores de telas,
acompanhados de fones de ouvido; adaptação do site da instituição, assim como a plataforma
do acervo on-line, com sintetizador de voz; ter acesso, com antecedência, aos planos de
ensino dos professores para providenciar as bibliografias básicas e complementares das
disciplinas; dispor de capital humano para digitalizar publicações do acervo, caso o aluno
necessite; contatar fundações e instituições que trabalhem com material para pessoas com
deficiência visual, no intuito de solicitar doações ou aquisição de material.
A equipe da biblioteca relatou que as mudanças estão acontecendo gradativamente,
contanto, o mais importante é o comprometimento mantido em aperfeiçoar seus serviços de
modo que se tornem acessíveis, facilitando a inclusão e a mediação deste aluno com a
informação.

4.4 Percepção do deficiente visual
4.4.1 A trajetória do aluno até a Faculdade
O aluno com necessidades especiais tem 35 anos e possui deficiência visual congênita.
Nasceu com glaucoma, foi perdendo a visual gradativamente, obtendo perda total aos 5 anos
de idade. Na época, frequentava a creche e teve de sair, ficando mais de 15 anos sem acesso à
escola. Retornou os estudos aos 22 anos. Cursou o primeiro e segundo ano com grande
dificuldade, pois as escolas públicas não tinham preparo suficiente para dar suporte ao seu
aprendizado, nem profissionais que pudessem transmitir os conteúdos das disciplinas de
forma eficiente. Relata a carência de estruturas nas cidades do interior e a dificuldade do
acesso ao conhecimento para uma pessoa com deficiência visual. As escolas, à sua época,
eram muito mais carentes de acervo, tecnologia e recursos humanos apropriados para atendêlo. Depois de concluídos esses dois anos, relatou seu afastamento por mais dez anos da escola,
retornando apenas no ano de 2010, onde informou ter tido acesso a uma estrutura escolar com
adaptações mais eficientes, aprendendo a ler e escrever Braille, neste período. Em 2014,
decidiu ir mais além e se inscreveu no curso de Psicologia, tendo êxito no vestibular. Hoje,
percorre 38 km todos os dias para frequentar a Faculdade.

4.4.2 Deficiente visual x Instituição de Ensino Superior
O universitário tem uma percepção positiva frente à IES. Informou que desde o
primeiro contato com a Instituição, percebeu pelo modo como foi recebido, que esta possuía
funcionários preparados para recepcioná-lo, além de estrutura de qualidade para recebê-lo.

717

�Sentiu comprometimento da Faculdade ao se dispor em realizar mudanças, caso fosse
necessário. Exemplificou acessos que facilitam a sua locomoção, como rampas com
corrimãos e ainda afirmou que por ser o único aluno da instituição com necessidades
especiais, sentiu uma grande preocupação, por parte da IES, em oferecer subsídios que
facilitem seu aprendizado, ao contrário de outras instituições bem maiores distribuídas pelo
país.

4.4.3 Deficiente visual x corpo docente
A relação com o corpo docente é aberta. O aluno mencionou que tenta manter uma
comunicação com os professores, a fim de expor as suas necessidades dentro de sala de aula e
que desde o primeiro dia, estes, se disponibilizaram a tirar dúvidas, deixando-o a vontade para
interrogar durante a exposição do conteúdo. Descreveu que, a priori, sentiu-se constrangido
em interromper a fala do professor para obter esclarecimento com medo de atrapalhar o
andamento da aula, mas que aos poucos esta barreira foi quebrada e hoje consegue se expor
facilmente diante da turma. Informou que as metodologias utilizadas em sala são positivas
para seu aprendizado e que conta com um grande aliado para seu desenvolvimento: a
tecnologia. Utiliza o Jaws, programa leitor de tela, que propicia a leitura dos textos em
formato Portable Document Format (PDF) ou em forma de slides, enviados para sua caixa de
mensagem. No entanto, sente falta que os professores se preocupem um pouco mais em saber
se ele está entendendo ou não o que está sendo transmitido. Sente dificuldade nas aulas em
que os docentes utilizam imagens em slides e sugere que eles descrevam durante a exposição
o que estão mostrando. As avaliações são enviadas para seu e-mail no momento em que estão
sendo entregues as provas para o resto da turma. Para o discente esta é uma atitude
democrática e justa por parte dos professores. A questão da avaliação foi relatado com
satisfação, pois o aluno percebeu que os docentes o têm como um aluno normal e não o tratam
com inferioridade ou com privilégios. Na primeira prova realizada, segundo o que foi
exposto, sentiu dificuldades em responder, pois o programa instalado em seu computador não
conseguia ler corretamente, sendo necessário à intervenção de um ledor. Os entraves deste
quesito foram repassados para o corpo docente, havendo assim uma padronização da forma de
redigir a avaliação para facilitar a leitura pelo programa Jaws. O aluno com deficiência visual
enfatizou acima de tudo a importância do entrosamento aluno-professor para dar continuidade
ao processo de desenvolvimento.

718

�4.4.4 Deficiente visual x Biblioteca Universitária
A biblioteca, afirmou o aluno, é utilizada apenas como espaço de estudo com os
colegas de sala. Informou não ter tido muito tempo para frequentá-la e pelo menos por
enquanto está dando prioridade a estudar o que está sendo transmitido em sala de aula com as
gravações de áudio, textos e outros materiais em formato Portable Document Format (PDF),
repassado para seu e-mail e acessado pelo programa Jaws. No entanto, tem consciência da
importância da leitura para sua vida acadêmica, pois acredita que quem ler muito, escreve e
fala bem. Quanto à necessidade das publicações em Braille na biblioteca, achou indispensável
a existência no acervo de obras de referência neste formato, como dicionários da área, por
exemplo, pois serão utilizados para esclarecer suas dúvidas quanto à escrita e significados de
termos específicos do seu curso. Admitiu não utilizar os formatos de livros em Braille como
aparato de estudo por dispender muito tempo na leitura. Indagado sobre que serviços a
biblioteca universitária poderia lhe oferecer, o entrevistado não soube o que cobrar de fato,
pois disse que mesmo tendo conhecimento que a biblioteca, ainda, não oferecesse livros em
Braille, tinha a certeza de que caso precisasse de algum texto, ou livros, os funcionários se
disponibilizariam a facilitar o acesso a este material de alguma forma, digitalizado ou com a
ajuda de um ledor.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
A experiência relatada de vários ângulos sobre a inclusão na educação superior e
acessibilidade de pessoas com deficiência visual, traz a tona alguns pontos que devem ser
abordados em discussões mais prolongadas a respeito do tema. Apesar da obrigatoriedade da
inclusão de pessoas com necessidades educacionais especiais, sem questões seletivas de
classes especiais e normais, datar do século passado, ainda percebe-se a falta de preparo dos
docentes em receber esses alunos e desenvolver metodologias em sala que os envolvam.
Como também a ausência na formação superior destes, de disciplinas na grade curricular que
contemplem a educação inclusiva e a prática de métodos.
O fato de “tratar” o aluno especial como “normal” tem seu lado positivo e negativo.
Segundo Mazzoni (2001, p.30) “Aceitar a igualdade genérica pode promover também a
inércia. Essa é a atitude de quem concebe o diferente como igual, mas esquece-se das
adaptações que são necessárias, no âmbito do trabalho, da escola [...] para que pudesse
desfrutar essa igualdade.” A normalidade a que se refere a literatura, trata da forma de aceitar
que “todos” são capazes de aprender, no entanto cada um a seu tempo e a sua maneira e isto é
o “diferente” que deve se tornar evidente.

719

�Os professores que deverão integrar um aluno especial em sala devem começar a
mudança de si mesmos, ter sensibilidade de sentir o que é necessário ser transformado e fazêlo. “Diria que não se transforme em um típico funcionário da alfândega, que apenas esta aí
para vigiar aquela perversa fronteira entre a exclusão e inclusão” (Skliar, 2006, p.33). O autor
afirma ainda que é primordial que o professor se transforme segundo a necessidade gerada em
sala, se preciso for que seja mudado até a oratória, mas que não caia na mesmice, que haja
metamorfose e não metástase. Imprescindível, que ocorram discussões entre o corpo docente
para que estes possam socializar suas dúvidas, ansiedades e experiências. É oportuna a oferta
de suporte da Instituição de Ensino Superior para que estes professores possam desenvolver
suas habilidades, técnicas e metodologias inovadoras.
A Biblioteca Universitária, como mediadora do acesso à informação, possui um
importante papel na inclusão de pessoas com necessidades educacionais especiais, por deter o
suporte intelectual que servirá de alavanca para o desenvolvimento intelectual deste aluno.
Para isto, é essencial que a biblioteca ofereça condições físicas e informacionais mínimas para
aprendizado e manutenção deste aluno como usuário. Percebeu-se o esforço na busca para
implementação de serviços e acervos a serem disponibilizados, no entanto o deficiente visual
ainda não utiliza a Biblioteca como um aliado no seu desenvolvimento. Tem consciência da
importância, mas não sente que necessita, ainda, de seus serviços, pois diz ter a tecnologia
como ferramenta que, por enquanto, supri seus anseios por informações. Recomenda-se que
sejam desenvolvidas políticas de aquisição de acervo contemplando a compra de livros
digitais que sejam acessíveis ao aluno; a instalação de programas sintetizadores de voz e
acessórios para possíveis pesquisas e adaptação do sistema automatizado da biblioteca que
possibilitará que o aluno de casa, usufrua de serviços como renovações e reservas. A
sinalização tátil do acervo deverá ser inserida nas estantes e nos computadores. É importante
que a biblioteca esteja de acordo com o que é exigido pelo Ministério da Educação, através da
portaria 1.679, de dezembro de 1999, em todos os aspectos, seja ele físico ou não.
A Instituição, em seus documentos administrativos contempla as mudanças
necessárias e exigidas pelo Ministério da Educação em todos os seus âmbitos. Algumas
adaptações foram concretizadas, como construção de rampas, corrimãos, adaptação de
banheiro preferencial, ou seja, o mais básico, associando pessoas com necessidades especiais
apenas às pessoas com limitações físicas. Às vezes, o fato de não ter na instituição pessoas
que demandem certas especificidades estruturais, o que era essencial se torna secundário. No
entanto, é mister que haja mudanças na estrutura física, nas placas de orientação dos setores,

720

�nos serviços de alimentação oferecidos e no portal de acesso dos alunos(com sintetizadores de
voz).
A percepção do deficiente visual frente a este novo mundo de possibilidades que lhe é
apresentado no ensino superior, é de satisfação. Mesmo que ainda não estejam sendo
oferecidos serviços devidamente estruturados e adaptados, o que lhe é garantido por lei, o
básico parece já lhe bastar. Em sala de aula, não é excluído, desenvolve seus trabalhos
corriqueiramente e é tratado como um aluno sem deficiência, mas sente necessidade de ter
uma atenção a mais nas explicações mais específicas. A turma tem fundamental importância
em seu desenvolvimento intelectual. Segundo relatos, existe uma cumplicidade comparada a
de irmãos entre eles, onde a parceria torna-se evidente. Stainback (1999) relata ser saudável
esta interação de aprendizagem entre alunos da mesma turma. “Os benefícios dos alunos que
recebem instrução dos colegas [...] incluem importantes ganhos acadêmicos, desenvolvimento
de habilidades de interação social positiva e elevação da auto-estima” (STAINBACK, 1999,
p.204). Expõe a certeza de que percebe nas pessoas que o cercam, nos funcionários que o
atendem e na própria instituição a acessibilidade atitudinal, ou seja, a disponibilidade em
ajudar e a ausência de estigmas e preconceitos diante de sua limitação sensorial.
A descoberta fundamental desta pesquisa foi a clareza de que não é possível
desenvolver estratégias de inclusão isoladamente. Reforçamos e concordamos que “A
acessibilidade não deve ser caracterizada por um conjunto de leis, e sim por um processo de
observação e construção, feito por todos os membros da sociedade” (MAZZONI, et. al, 2001,
p.31). É de suma importância que todas as partes envolvidas no processo de inclusão, desde a
pessoa com necessidades especiais à entidade que oferece o serviço, estejam em harmonia
comunicacional para que sejam promovidos recursos de acessibilidade que garantam a este
público um serviço de qualidade.

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723

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              <text>A preocupação com a inclusão social escolar universitária está claramente expressa em várias leis, normas, documentos resultantes de encontros, seminários e conferências sobre o tema. Estes são instrumentos atualizados na tentativa de realçar a importância em disponibilizar, às pessoas com necessidades educativas especiais, condições de aprendizado e desenvolvimento educacional igualitário. Neste artigo, realizado pela Faculdade Evolução Alto Oeste Potiguar (FACEP), é apresentado os resultados de um trabalho que teve como objetivo investigar o processo de inclusão e acessibilidade dos alunos em sala de aula, na instituição e na biblioteca universitária, além da percepção do discente, com deficiência visual, diante de cada um dos sujeitos participantes do estudo. As observações, abordagens, análises de documentos administrativos, entrevistas envolvendo docentes, direção, equipe da biblioteca universitária e discente com deficiência visual foram reveladoras de questões importantes que poderão fazer com que olhemos cada vez mais atentamente a inserção dos deficientes à sociedade acadêmica. Os resultados mostram como o deficiente visual percebe seu processo de inclusão, dando uma descrição mais clara de como os sujeitos envolvidos no processo vivenciaram o primeiro contato com uma pessoa com necessidades educacionais especiais. Foram utilizados por base de fundamentação teórica autores como: ASSUNÇÃO (2014), CAIADO (2003), DEFENDI (2001), MARCONI (2012) entre outros que abordam a questão da acessibilidade mostrando, sobretudo, a importância em promover mudanças favoráveis que tornem acessível à inserção do deficiente visual no ensino superior bem como no seio da sociedade como um todo.</text>
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