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                  <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

RETRATO PRELIMINAR DAS POLÍTICAS DAS REVISTAS CIENTÍFICAS
BRASILEIRAS SOBRE O ACESSO ABERTO

Michelli Costa

RESUMO
A comunicação científica tem passado por mudanças significativas ao longo do tempo. Desde
o século passado destaca-se o surgimento das novas tecnologias de comunicação e as
iniciativas de acesso aberto. Neste novo contexto são apresentados como estratégias as
revistas científicas e repositórios digitais. Diante da importância das políticas das revistas
científicas para o desenvolvimento do acesso aberto, este estudo investigou como as revistas
científicas brasileiras têm se posicionado em relação ao acesso aberto de seus artigos em
repositórios digitais. Para tanto, foram mapeadas as revistas que já declaram sua política no
Diadorim - Diretório de Políticas de Acesso Aberto das revistas Científicas Brasileiras.
Posteriormente, foram analisadas suas permissões em relação ao depósito e o acesso dos
artigos que publicam em repositórios digitais. Por fim, foi explorada a relação dos resultados
referente às permissões e as áreas do conhecimento de atuação das revistas. Com isto,
concluiu-se que grande parte das revistas científicas brasileiras registradas no Diadorim
permite o acesso aberto, em especial aquelas que publicam nas áreas das Ciências Exatas e
Naturais e Ciências Sociais e Humanas.
Palavras-Chave: Comunicação científica; Acesso Aberto; Revistas científicas; Repositórios
digitais; Diadorim.
ABSTRACT
The scientific communication has passed for significant changes over time. Since the last
century highlights the emergence of new communication technologies and open access
initiatives. In this new context are presented as strategies the scientific journals and the digital
repositories. Considering the importance of the policies of scientific journals for the
development of open access, this study investigated how brazilian scientific journals have
positioned themselves in relation to open access to their articles in digital repositories. For
this, we mapped the journals that have declared their policy Diadorim - Directory of Open
Access Policies of Scientific Brazilian Journals. Subsequently, we analyzed their permissions
in relation to the deposit and access to articles in digital repositories. Finally, we explored the
relationship of the results related to permissions and knowledge areas of activity of the
journals. With this, we concluded that the majority of brazilian scientific journals registered in
Diadorim allow open access, especially those who publish in the areas of Exact and Natural
Sciences, Social and Human Sciences.
Keywords: Scientific communication; Open Access; Journals; Digital repositories; Diadorim.

459

�1 INTRODUÇÃO
A comunicação científica é necessária para o desenvolvimento das atividades
científicas. De acordo com Meadows (1999), ela reside no próprio coração da ciência. Apesar
da sua importância, as formas como a comunicação acontece não se mantêm estáticas ao
longo dos anos. No século XX, ainda segundo Meadows, as mudanças foram marcadas pelo
surgimento do mundo eletrônico. Neste mesmo período outros dois fatores associados surgem
como uma das molas propulsoras para mudanças significativas no sistema de comunicação da
ciência. O primeiro é o descontentamento de pesquisadores com o modelo tradicional de
publicação científica, que impõe barreiras para o acesso daquilo que eles mesmos e seus pares
produziram. O segundo, por sua vez, é o surgimento de oportunidades para a agilização e
dinamização dos processos de comunicação, proporcionadas por tecnologias mais avançadas.
A união destes dois fatores - a insatisfação dos pesquisadores e as novas tecnologias - foi
cenário para o surgimento das iniciativas de acesso aberto.
O acesso aberto significa a disponibilização livre e irrestrita dos resultados das
pesquisas científicas em texto completo na Internet (LYNCH, 2003). Entre os principais
argumentos que motivam as iniciativas de acesso aberto os autores Alperin, Fishman e
Willinsky (2008) e Babini (2012) destacam a natureza pública do conhecimento científico, a
promoção da possibilidade de acesso à literatura científica por parte das instituições que não
teriam como pagar pelas assinaturas e a inclusão de regiões historicamente excluídas da
comunicação científica internacional.
Para o cumprimento dos objetivos do acesso aberto são propostas duas principais
estratégias de atuação e ambas estão relacionadas com as revistas científicas. Uma delas
depende do modelo de negócio adotado pelas revistas, ou seja, o desenvolvimento de revistas
de acesso aberto. A outra diz respeito ao depósito dos artigos publicados pelas revistas
científicas em repositórios digitais.
Repositórios digitais são bases de dados online que disponibilizam livremente as
publicações científicas em texto completo na Internet. Leite (2009) classifica-os em
repositórios temáticos e institucionais. Os temáticos tratam da literatura científica de
determinada área do conhecimento, enquanto que os institucionais preocupam-se com as
publicações científicas dos membros de determinada instituição. Em ambos os casos os
repositórios constituem-se como um sistema de informação, que via de regra são produtos e
serviços das bibliotecas de suas instituições. De acordo com o estudo apresentado por Riehet
al (2007), nos Estados Unidos da América 92,7% dos repositórios institucionais são geridos
nas bibliotecas das instituições, por seus funcionários ou diretores.

460

�Dentre as atividades desenvolvidas pelas bibliotecas para o gerenciamento dos
repositórios destacam-se o planejamento e execução do projeto, a seleção, coleta,
organização, preservação e disseminação das publicações depositadas. Portanto, além das
iniciativas de acesso aberto promoverem alternativas para a comunicação científica
tradicional, elas também destacam o papel das bibliotecas de instituições produtoras de
conhecimento científico como participantes desse processo. De acordo com Targino, Gracia e
Paiva (2012), existem no Brasil cerca de 30 repositórios em universidades no país. Dentre os
desafios apontados pelas autoras para a consolidações desses sistemas e a criação de novos
estão os embates com os editores e os entraves relacionados com aspectos legais.
Visando contribuir com a resolução de algumas destas questões, o Instituto Brasileiro
de Informação em Ciência e Tecnologia (Ibict) desenvolveu o Diadorim - Diretório de
Políticas de Acesso Aberto das Revistas Científicas Brasileiras. Trata-se de um serviço de
informação que tem por objetivo registrar e divulgar as políticas das revistas científicas e
auxiliar os gestores de repositórios no processo de alimentação dos sistemas, sem infringir os
acordos firmados entre os autores e as revistas.
Diante da importância das políticas das revistas científicas para o desenvolvimento dos
repositórios digitais e para o acesso aberto, este estudo investigou como as revistas científicas
brasileiras têm se posicionado em relação ao acesso aberto de seus artigos em repositórios
digitais.2*

2 REVISÃO DE LITERATURA
As revistas científicas são a forma mais tradicional e amplamente difundida para fins
de comunicação entre pesquisadores, apesar da frequência não ser a mesma para todas as
disciplinas (COSTA; MEADOWS, 2000).

Este meio de comunicação, que ganhou nos

últimos séculos espaço e reconhecimento na ciência, vem sendo transformado pelas novas
dinâmicas proporcionadas pelas tecnologias de informação e comunicação (TICs) e pelo que
foi denominado por Lagoze eVan de Sompel (2000) como a “crise dos periódicos”. As TICs
permitiram que muitas revistas científicas migrassem do meio impresso para o meio digital. Já
a crise dos periódicos fez com que surgissem novos modelos de negócios para as revistas
científicas. A crise foi decorrente do aumento do valor das assinaturas das revistas, que fez
com que muitas instituições que proviam o acesso aos artigos tivessem que cancelar as
assinaturas das revistas. O processo de crise, somado às novas possibilidades de comunicação,
impulsionou a consolidação do Movimento de Acesso Aberto.
O Movimento representa a articulação de diversas iniciativas que visam promover a

461

�disponibilização livre e gratuita de publicações científicas na Internet. Ele teve como primeiro
documento de formalização a Budapest Open Access Initiative (BOAI), publicada em 2002.
Neste documento foram propostas duas estratégias para promoção do acesso aberto à
literatura científica revisada pelos pares. A primeira delas, denominada de via verde, diz
respeito ao depósito das publicações, realizado pelos próprios autores, em arquivos abertos ou
repositórios digitais de acesso aberto. A segunda estratégia, conhecida como via dourada,
refere-se à mudança no modelo de negócios das revistas científicas já existentes e à criação de
revistas científicas de acesso aberto, que devem buscar outras formas de financiamento que
não seja pela cobrança para o acesso aos seus conteúdos. Ambas as estratégias dependem da
participação ou consentimento das próprias revistas.
Mesmo no caso dos repositórios, as revistas podem interferir no desenvolvimento da
estratégia. Isto porque, normalmente são as editoras das revistas científicas que, via de regra,
detém os direitos de distribuição dos artigos que publicam. Portanto, para não descumprir o
acordo de distribuição firmado entre o autor e a editora, os gestores dos repositórios devem
entrar em contato com os editores para verificar se será necessária a obtenção de uma licença
por parte destes. Além de outros desafios este mostra-se como um forte limitante para o
desenvolvimento do repositório digital.
Diante desta problemática, grupos que se organizam em torno do acesso aberto
desenvolveram serviços de informação para reunir e sistematizar as políticas dos editores
científicos sobre o acesso aberto. O objetivo é facilitar o processo de busca destas
informações para os gestores dos repositórios e para os autores. Além disto, os serviços são
uma oportunidade para os editores das revistas científicas para registrarem sua política em
relação ao acesso aberto e divulgá-la amplamente.
O primeiro serviço de informação com esse objetivo foi o diretório criado em 2006
pela Universidade de Nottingham e foi denominado de Sherpa/Romeo4142.Até maio de 2014, o
diretório já disponibilizava informações de cerca de 2.500 revistas científicas. O Sherpa/
Romeo é o único sem limites nacionais. Depois dele, foi criado o diretório Dulcinea

na

Espanha, o Héloïse43 na França e o Society Copyright Policies44 in Japan (SCPJ) no Japão.
No Brasil, foi criado em 2011 o Diadorim45 - Diretório de Políticas de Acesso Aberto
das revistas Científicas Brasileiras. O lançamento do sistema aconteceu durante a 2a

41Fonte: http ://www.sherpa. ac .uk/romeo/
42Fonte: http://www.accesoabierto.net/dulcinea/
43Fonte: http://heloise.ccsd.cnrs.fr/
44Fonte: http://scpj.tulips.tsukuba.ac.jp/
45 Fonte: http://diadorim.ibict.br

462

�Conferência Luso-Brasileira sobre Acesso Aberto (Confoa), onde foi apresentado como um
sistema criado para identificar, organizar e tornar públicas as informações das editoras
científicas brasileiras sobre o armazenamento e acesso dos artigos que publicam (COSTA et
al, 2012). Como forma de expandir a divulgação dos registros, o Diretório seguiu o padrão de
respostas utilizado pelo Sherpa/Romeo, que utiliza as quatro categorias de classificação das
políticas descritas a seguir:
•

Verde - periódicos que permitem o armazenamento das versões pré-print e pós-print
dos artigos;

•

Azul - periódicos que permitem o armazenamento das versões pós-print dos artigos;

•

Amarela - periódicos que permitem o armazenamento das versões pré-print dos
artigos;

•

Branca - periódicos que não permitem o armazenamento em repositórios digitais de
nenhuma versão dos artigos.
Baseando-se no padrão utilizado pelo Sherpa/Romeo, o Diadorim foi desenvolvido de

forma a disponibilizar informações sobre os dados cadastrais das revistas científicas, a área de
conhecimento do conteúdo publicado, as permissões de depósito e as permissões de acesso
concedidas para os repositórios digitais de acesso aberto. A diferença entre as duas permissões
declaradas pelas editoras científicas no diretório é relevante para o contexto dos repositórios
porque um documento pode ser depositado no sistema, mas ter seu acesso restrito ou negado
ao público. Considerando a diferença, as revistas podem classificar suas permissões de
armazenamento segundo a versão do artigo ou não permitir em nenhum caso. Já as
permissões para o acesso, dependem necessariamente do arquivo estar depositado em um
repositório, mas não é consequência da versão permitida na questão anterior. As informações
presentes no diretório podem ser consideradas idôneas uma vez que são fornecidas
diretamente pelos próprios editores das revistas.
Os dados disponibilizados pelo Diadorim representam uma valiosa fonte de
informação sobre a relação das revistas científicas brasileiras e o acesso aberto. Portanto, a
partir dela, o presente estudo retratou, de forma preliminar, as permissões concedidas pelas
revistas científicas brasileiras no contexto do acesso aberto.3*

3 MATERIAIS E MÉTODOS
A investigação do retrato preliminar das políticas das revistas científicas brasileiras
sobre o acesso aberto foi elaborada a partir da caracterização de todas as revistas cadastradas
no Diadorim até meados de maio de 2014, o que representou um universo de 550 revistas. A

463

�descrição se deu a partir dos dados cadastrais e informações sobre: área do conhecimento,
permissões de depósito e permissões de acesso. Todas as informações foram coletadas
diretamente na página web do Diretório46, a partir do acesso público.
Para a análise foi criada uma planilha com as informações cadastrais, áreas do
conhecimento e permissões de depósito e acesso de cada revista. A partir das possibilidades
de organização dos dados na planilha foram obtidos resultados parciais, que foram
confrontados em relação ao todo. Na segunda etapa da análise de dados, os resultados sobre
as permissões de depósito e acesso foram observadas a partir das áreas de conhecimento.

4 RESULTADOS PARCIAIS/FINAIS
A aplicação da metodologia exposta anteriormente permitiu caracterizar as políticas
sobre o acesso aberto das revistas científicas brasileiras que estão cadastradas no Diadorim. O
primeiro elemento identificado no estudo foram as permissões concedidas pelas revistas para
o armazenamento de artigos em repositórios digitais.
Conforme discutido anteriormente, o Diadorim utiliza o mesmo sistema de
classificação das permissões do diretório Sherpa/Romeo. O sistema categoriza as permissões
em quatro grupos, segundo a versão do artigo. De acordo com os dados do Diadorim, no
Brasil cerca de 60% das revistas permitem que sejam armazenados somente as versões pósprint dos artigos, enquanto que apenas 6% das revistas concederam permissão somente para a
versão pré-print e 32% autorizaram o depósito tanto da versão pré-print, quanto da pós-print.
Do total de revistas analisadas (550), apenas uma não permitiu o depósito em repositórios
digitais de nenhuma versão dos artigos que publicam. Com isto é possível concluir que no
Brasil, quase todas as revistas científicas permitem alguma forma de depósito de seus artigos
em repositórios digitais.

46 Fonte: http://diadorim.ibict.br/

464

�G ráfico 1: Perm issões para o depósito das revistas cien tífica s brasileiras
Am arelo (33)

A zul (341)

Branco (1 )

Verde (175)

Fonte: Elaboração própria

Os resultados foram positivos em relação às permissões para o depósito de artigos em
repositórios digitais, entretanto não significa que todos os artigos depositados estarão
disponíveis em acesso aberto no sistema. Isto porque um trabalho pode receber uma
permissão para o depósito no repositório, mas não receber uma permissão para estar
livremente disponível no sistema. Por isto, as permissões de depósito e de acesso são
concedidas de formas separadas. No Diadorim a restrição de acesso pode ser instituída de
duas formas. Uma é pela imposição de um tempo de embargo, ou seja, o artigo pode ser
depositado, mas só poderá ser acessado depois de cumprido um período instituído pelos
editores da revista. A outra forma é pelo acesso restrito, onde nenhum usuário poderá acessar
o documento depositado em nenhum momento.
De acordo com os dados coletados no Diadorim, 97% das revistas científicas
brasileiras concedem o acesso aberto aos artigos depositados nos repositórios digitais. Do
total, apenas 3% determinam um período de embargo para o acesso aberto (Gráfico 2).
Apenas uma revista determinou o acesso restrito, mas após análise do registro, identificou-se
que a revista em questão foi a mesma que declarou não permitir o armazenamento de seus
artigos nos repositórios.

465

�Gráfico 2: Permissões de acesso aos artigos depositados

Fonte: Elaboração própria

Além da revista que determinou o acesso restrito, todas as outras que condicionaram
um tempo de embargo para o acesso aberto tiveram seus registros analisados de forma a
identificar o período que estabeleceram. Cerca de metade das revistas nestas condições
determinaram um período de embargado de até um mês após sua publicação. A outra metade
estabeleceu um período de embargo de até seis meses. Apenas uma revista determinou um ano
de embargo. Isto significa que assim que for publicado o artigo poderá ser depositado, mas só
estará disponível para o acesso depois de cumprido o tempo de embargo (Gráfico 3).

Gráfico 3: Período de embargo para o acesso aberto das revistas científicas brasileiras

Fonte: Elaboração própria

Entre as revistas que estabeleceram período de embargo para o acesso aberto,

466

�observou-se que a maioria delas são publicações nas áreas das Ciências Humanas (39%) e boa
parte de Ciências Sociais Aplicadas (28%) e Linguística, Letras e Artes (22%). As outras duas
áreas identificadas foram muito inexpressivas, quando comparadas com as primeiras. Ambas
apresentaram apenas uma revista nas condições descritas, o que representa apenas 10% do
grupo das revistas que só permitem o acesso aberto após um período de embargo (Gráfico 4).

Gráfico 4: Área do conhecimento de acesso aberto após período de embargo

Fonte: Elaboração própria

A predominância das áreas Ciências Humanas e Ciências Sociais Aplicadas entre as
revistas que determinam período de embargo se explica pela quantidade de revistas destas
duas áreas registradas no Diadorim. De acordo com os dados coletados por este estudo, as
áreas representam a maioria das revistas cadastradas no Diretório e se somadas, elas reúnem
54% do total de revistas. O mesmo não é possível observar na área de Linguística, Letras e
Artes, que no total das revistas cadastradas representa apenas 7% do universo. Assim sendo, é
possível concluir que a área de Linguística, Letras e Artes tem uma grande quantidade de
revistas, em relação às outras áreas, que restringe o acesso aberto.

467

�Gráfico 5: Áreas do conhecimento das revistas científicas brasileiras registradas no
Diadorim

Para retração das áreas do conhecimento Costa (1999) e Gumieiro (2009) adotaram
uma classificação dos campos em três categorias. Uma das categorias utilizadas foi a de
“Ciências Naturais e Exatas” (CEN), que reúne as áreas das Ciências Exatas e Tecnológicas,
Ciências Biológicas e Ciências da Saúde. A segunda categoria são as Ciências Sociais e
Humanas (CSH), que reúnem as áreas das Ciências Sociais Aplicadas e Ciências Humanas.
Por fim, a terceira categoria são as Artes e Humanidades (ARH), nela estão presentes as áreas
AH

de Linguística, Letras e Artes . De acordo com as autoras, a escolha das categorias justificase pela sua simplicidade e por seu amplo uso em trabalhos de língua inglesa.
Se utilizarmos as três categorias apresentadas para descrever as áreas do conhecimento
das revistas cadastradas no Diadorim, confirmamos a informação sobre a predominância das
Ciências Sociais e Humanas. No entanto, percebemos uma maior expressividade das Ciências
Naturais e Exatas, onde elas passam a representar 36% do total de revistas registradas. Com
esta forma de classificação, novamente a área de Artes e Humanidades, onde se enquadra a
Linguística, Letras e Artes, aparece com menor representatividade, apenas 7% (Gráfico 6).

47 As disciplinas citadas são as grandes áreas utilizadas pela Capes para a classificação das áreas do
conhecimento.
Fonte:
http://www.capes.gov.br/images/stories/download/avaliacao/TabelaAreasConhecimento_042009.pdf

468

�G ráfico

6:

Categorias

das

áreas do

conhecim ento

das revistas

cien tífica s

registradas no Diadorim .

A partir destes resultados é possível concluir duas questões em relação à imposição de
período de embargo para o acesso aberto e as áreas do conhecimento. A primeira é que as
Artes e Humanidades são os campos do conhecimento das revistas que mais determinam
embargo. A segunda, por sua vez, é que as Ciências Naturais e Exatas, são as áreas que
relativamente, possui mais revistas de acesso aberto, sem imposição de período de embargo.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS/FINAIS
O posicionamento das revistas científicas sobre o acesso aberto pode ser determinante
para o cumprimento dos objetivos do acesso aberto. Diante disto, o estudo apresentado
buscou retratar de forma preliminar as políticas adotadas pelas revistas brasileiras. Como
resultado foi identificado que a maioria das revisas cadastradas no Diadorim permitem o
depósito em repositórios digitais de alguma versão dos artigos que publicam. Além disto,
também foi identificado que 97% das revistas registradas permitem o acesso aberto dos
artigos imediatamente após sua publicação. Do total de revistas analisadas, apenas dezoito
condicionaram o acesso aberto ao cumprimento de um período de embargo. Dentre as revistas
que colocaram esta imposição foi observado que a maioria relativa são das Artes e
Humanidades. Por outro lado, ressalta-se que a área das Ciências Exatas e Naturais reúnem as
revistas que menos impuseram restrições ao acesso aberto imediato.
De forma geral, conclui-se que as revistas científicas brasileiras que já declararam sua

469

�política no Diadorim posicionam-se favoráveis às iniciativas de acesso aberto nos repositórios
digitais. Neste cenário, observa-se uma forte presença das revistas que publicam nas áreas das
Ciências Sociais e Humanas e uma considerável adesão das Ciências Exatas e Naturais. A
diferença de comportamento dessas duas áreas em relação às Artes e Humanidades pode ser
explicada pelas diferenças disciplinares que acontecem na comunicação científica e pela
histórica participação destas duas áreas no Movimento de Acesso Aberto. Entretanto, para um
aprofundamento da questão sugere-se novos estudos que explorem esta relação.

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471

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                <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
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    <name>Event</name>
    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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      <name>Dublin Core</name>
      <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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              <text>Retrato preliminar das políticas das revistas científicas brasileiras sobre o acesso aberto.</text>
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              <text>Costa, Michelli </text>
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              <text>A comunicação científica tem passado por mudanças significativas ao longo do tempo. Desde o século passado destaca-se o surgimento das novas tecnologias de comunicação e as iniciativas de acesso aberto. Neste novo contexto são apresentados como estratégias as revistas científicas e repositórios digitais. Diante da importância das políticas das revistas científicas para o desenvolvimento do acesso aberto, este estudo investigou como as revistas científicas brasileiras têm se posicionado em relação ao acesso aberto de seus artigos em repositórios digitais. Para tanto, foram mapeadas as revistas que já declaram sua política no Diadorim - Diretório de Políticas de Acesso Aberto das revistas Científicas Brasileiras. Posteriormente, foram analisadas suas permissões em relação ao depósito e o acesso dos artigos que publicam em repositórios digitais. Por fim, foi explorada a relação dos resultados referente às permissões e as áreas do conhecimento de atuação das revistas. Com isto, concluiu-se que grande parte das revistas científicas brasileiras registradas no Diadorim permite o acesso aberto, em especial aquelas que publicam nas áreas das Ciências Exatas e Naturais e Ciências Sociais e Humanas.</text>
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