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                  <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

PROTEÇÃO DO CONHECIMENTO E INOVAÇÃO: MOTIVAÇÕES E
TENDÊNCIAS NO UNIVERSO ACADÊMICO

Adriana Aguillera Gonçalves
Maria Inês Tomaél

RESUMO
A Universidade é notoriamente reconhecida como fonte de geração e disseminação de
conhecimentos. A inovação, por sua vez, decorre de conhecimento científico, que ao ser
patenteado, garante os direitos dos atores envolvidos quanto à apropriação indevida do
conhecimento, possibilita o compartilhamento seguro e contribui para o desenvolvimento
tecnológico. Com essa abordagem, o presente estudo procurou identificar se os pesquisadores
estão sensibilizados para a proteção do conhecimento e a forma de disseminação de uma nova
tecnologia, visando ao surgimento de inovações no meio acadêmico. Para alcançar esse
objetivo, foi desenvolvida uma pesquisa descritiva de caráter qualitativo por meio do estudo
de caso envolvendo pesquisadores que solicitaram patentes no período de 2008 a 2010 e
gestores de uma Agência de Inovação de uma Universidade do Paraná. A técnica de coleta de
dados empregada foi a entrevista. Para o tratamento das informações coletadas, utilizou-se da
Técnica de Análise de Conteúdo. Os resultados revelam que pouca importância é dada pelos
participantes para a proteção do conhecimento. Além disso, falta preparo e conhecimento dos
professores acerca do processo de patenteamento. Quanto à preferência dos pesquisadores na
disseminação de uma nova tecnologia, ficou evidente que o artigo científico é o mecanismo
de divulgação mais utilizado pelos participantes. Com esses resultados foi possível identificar
que a cultura da propriedade intelectual ainda se mostra ínfima no universo estudado, sendo
que no lugar desta, é evidenciada a cultura do livre compartilhamento de ideias e
conhecimentos, a qual contribui para um cenário de resistência a inovação no meio
acadêmico.
Palavras-Chave: Proteção
Universidades; Patentes.

do

Conhecimento;

Inovação;

Propriedade

Intelectual;

ABSTRACT
University is well recognized as a source for generating and disseminating knowledge.
Innovation derives from scientific knowledge. When such knowledge is patented it assures the
rights of the involved agents concerning to misappropriation, allows secure sharing, and
eventually contributes to technological development. By this approach, the present study
aimed at identifying whether the researchers are aware of the knowledge protection and the
way of spreading of a new technology aiming at the emergence of innovation in the academic
environment. To achieve this goal, it was developed a descriptive qualitative research through
a case study involving researchers, who had requested patents from 2008 to 2010, and the
managers of an Innovation Agency from a University in the State of Paraná. Interview was

432

�employed as the data collection technique. In order to treat the information collected, the
technique of content analysis was used. The results reveal that scant attention is paid to
knowledge protection by the participants of the research. In addition, the teachers have a lack
of training and knowledge regarding the patenting process. It was clear that the scientific
article is the most important dissemination mechanism used by participants. Through these
results, it was possible to identify that intellectual property culture is still very small in this
arena. The results also show that the culture of free sharing of ideas and knowledge is
prevalent. Thus, it contributes to a scenario for the resistance to innovation in the academic
environment.
Keywords: Protection of Knowledge; Innovation; Intellectual Property; Universities; Patents.

1 INTRODUÇÃO
A construção dos conhecimentos gerados nas universidades deve passar por um
significado maior do que o avanço da ciência e formação profissional. O papel dos
pesquisadores é crucial, haja vista que para a realização de pesquisas, é importante que se
tenha como ponto de partida as necessidades da comunidade em que a universidade está
inserida, procurando, com isso, não só mecanismos de resolução para problemas existentes,
mas, sobretudo, utilizar os conhecimentos obtidos para melhorar de certa forma a qualidade
de vida das pessoas em todos os âmbitos.
Hoje a palavra inovação é falada, discutida e refletida por diversos segmentos de
atividades e na sociedade como todo. Parece, ainda, que a inovação tem uma definição
sinônima ou complementar a de muitos outros conceitos vistos no processo de inovação, tais
como: invenções, criações, novas ideias, produtos e serviços novos e/ou melhorados, etc. Há,
ainda, alguns que acreditam que a inovação se trata apenas do desenvolvimento de algo novo
ou a renovação de produtos, serviços ou processos.
Partindo da premissa de que inovação não se faz sem conhecimento, e que
conhecimentos de valor subsidiam todo o processo inovativo, tem-se, nas universidades, um
ambiente propício para o processo de inovação, levando-se em consideração que através de
sua missão, a qual mescla o ensino, a pesquisa e extensão, a construção do conhecimento e
sua disseminação podem ser direcionadas para fins mais práticos, potencializando o
surgimento de inovações no cenário extremamente competitivo do mercado vigente.
No Brasil, as universidades são as maiores geradoras de ciência e tecnologia, o que se
comprova com o elevado número de publicações científicas, porém nem sempre suas criações
são protegidas, deixando de gerar renda para a instituição, para o pesquisador e, em última
análise, para o país. Tal assertiva denota o paradigma ainda existente nas universidades da
ínfima transformação do conhecimento em inovações tecnológicas (BUYS, 2002).

433

�Os princípios que permeiam o meio acadêmico acabam por “estimar mais os efeitos de
reputação das publicações em jornais e revistas científicas do que o número de aplicações
para patentes”. O processo de patenteamento é visto como burocrático, que “levam a um
atraso para revelação dos resultados de pesquisas” (HAASE; ARAÚJO; DIAS, 2005, p. 348).
Os referidos autores ainda enfatizam que falta conhecimento aos pesquisadores sobre as
“possibilidades de proteção e exploração da propriedade intelectual”. Essas questões,
obstáculos aparentemente intransponíveis, influenciam negativamente na inclinação da
comunidade científica para aderir à cultura da propriedade intelectual, que tem na proteção do
conhecimento o principal viés para a geração de inovações.
Neste contexto, esta pesquisa teve como objetivo identificar se os pesquisadores estão
sensibilizados para a proteção do conhecimento e a forma de disseminação de uma nova
tecnologia, visando ao surgimento de inovações no meio acadêmico. Para tanto, foi
desenvolvida uma pesquisa descritiva de caráter qualitativo por meio do estudo de caso
envolvendo pesquisadores que solicitaram patentes no período de 2008 a 2010 e gestores de
uma Agência de Inovação de uma Universidade no Estado do Paraná. A coleta de dados foi
realizada por meio de entrevistas. Já para o tratamento das informações coletadas, utilizou-se
da Técnica de Análise de Conteúdo, técnica que possibilitou a identificação do cenário
vigente em relação aos objetivos apresentados.

2 A PROTEÇÃO DO CONHECIMENTO E A INOVAÇÃO NO MEIO ACADÊMICO
Salutar e em constante transformação é a função e missão das universidades nos
âmbitos educacional, social, cultural e econômico. No período medieval, suas atividades
primavam essencialmente pela transmissão dos conhecimentos, ou seja, o ensino. A partir da
revolução industrial, as universidades começaram a intensificar ações que possibilitassem
uma maior interação entre o ensino, a pesquisa e o setor produtivo, favorecendo, por
conseguinte, a construção e a difusão de novos conhecimentos junto à sociedade, elementos
estes essenciais para o desenvolvimento social, cultural e tecnológico de um país.
Etzkowitz (1998, p. 833) argumenta que as universidades, no século XIX, passaram
pela Primeira Revolução Acadêmica, período esse que ficou marcado pela introdução da
pesquisa junto às tradicionais atividades de ensino. Posterior a essa fase, a comercialização do
conhecimento proveniente das pesquisas desenvolvidas na universidade começou também a
ganhar visibilidade, incorporando assim na sua missão a função de corroborar para o
desenvolvimento econômico e social na sociedade vigente. Essa última fase é conhecida
como a Segunda Revolução Acadêmica, que, por meio da capitalização do conhecimento,

434

�favorece a aproximação das universidades com o setor produtivo, incumbindo assim a
universidade de se tornar um agente econômico de desenvolvimento.
A Segunda revolução

acadêmica circunda uma missão orientada para o

desenvolvimento social e econômico e pode ser considerada uma função adicional de grande
importância, na qual a ciência e a capitalização do conhecimento despontam como “motores
alternativos de crescimento econômico” (SERRÃO et al., 2006, p. 2).
Para Mora (2006, p. 123), “a universidade se vislumbra não apenas como uma
geradora de conhecimento, ainda que não a única, como também uma empresa a serviço das
necessidades de formação e desenvolvimento tecnológico” na sociedade do conhecimento.
Nessa perspectiva, as universidades adquirem nova relevância, agregando sobre si outros
valores interdependentes à missão de ser uma das principais fontes para gerar conhecimento,
devendo atuar também como polos de transmissão do conhecimento, da ciência e da
tecnologia.
Portanto, é importante que as universidades se preocupem com a gestão da
propriedade intelectual, que, ao proteger o conhecimento, possibilita resguardar os direitos do
autor/inventor sobre suas criações e sugestionar diretamente a explicitação dos conhecimentos
envolvidos, atendendo, dessa forma, a dois propósitos: a proteção visando à inovação; e a
disseminação do conhecimento.
O inventor e/ou titular do conhecimento protegido terá condições de resguardar os
seus direitos sobre suas criações, como por exemplo: proibir terceiros, sem o seu
consentimento, de produzir, utilizar, vender ou importar a sua invenção, modelo de utilidade
ou desenho industrial; impedir que terceiros reproduzam ou imitem a sua marca; tomar
medidas contra aqueles que estejam fabricando, importando, exportando, vendendo, expondo,
oferecendo a venda ou mantendo em estoque produto que apresente falsa indicação
geográfica; entre outros (ARAÚJO et al., 2010).
As patentes atendem a estas necessidades protegendo os direitos do inventor/autor,
maximizando a geração de novos conhecimentos por meio da divulgação de informações
técnicas, incentivando, portanto, a inovação. A lógica implícita nas patentes é estimular o
investimento em invenções e inovações e a disseminação de informações tecnológicas
(PATENTS, 1996).
Amadei e Torkomian (2009, p. 10) afirmam que “a patente é um título de recompensa
ao inventor”, se registrada, possibilita muito mais segurança nas negociações entre ele e a
parte interessada na aquisição de uma tecnologia, passível de ser aplicada em algum setor
industrial.

435

�Em relação ao conteúdo da patente, pode-se dizer que representa uma preciosa fonte
de informação tecnológica que oferece vantagens inestimáveis para geração de novas
tecnologias (GARCIA, 2006). Além de proteger o inventor, a patente facilita a geração de
novas invenções por terceiros, levando o seu próprio titular a prosseguir inventando para se
manter a frente de seus competidores. A propriedade temporalmente limitada e o interesse
público da informação divulgada acabam por tornar a patente um instrumento estratégico de
promoção do desenvolvimento tecnológico (MACEDO; BARBOSA, 2000). O monopólio
temporário, visto muitas vezes como impedimento da livre circulação do conhecimento, se faz
indispensável no processo de inovação.
Para gerar inovação, a ciência se faz imprescindível, tendo em vista que novas
tecnologias se desenvolvem por meio de intensas pesquisas e, por outro lado, o
desenvolvimento de novos produtos tendo como aporte novas tecnologias só terá efetivo
sucesso mercadológico ao se tornar uma inovação.
Todas essas abordagens possibilitam um entendimento explícito do atual papel das
universidades como organizações estimuladoras e fomentadoras de pesquisas e ações voltadas
não só para o desenvolvimento da ciência, como também para o desenvolvimento de
produtos, processos e serviços que melhoram a qualidade de vida dos indivíduos e
possibilitam a competitividade das organizações, elevando assim os conceitos de
desenvolvimento econômico de um setor local, cidade ou país.

2.1 Produção Científica x Patenteamento Acadêmico
A cultura que ainda vigora na academia em relação à produtividade está apoiada na
quantidade de publicação, que, por sua vez, estabelece hierarquia entre autores e
universidades (GARCIA, 2006). O enfoque dado mais especialmente para a quantidade de
publicações pode estar atrelado a outros aspectos dessa cultura vigente, como o fato de que as
universidades “são geralmente mais focadas no compartilhamento do que na proteção”.
(BOGERS, 2011, p. 104, tradução nossa). Os critérios de premiação e de argumento estão
vinculados a:
[...] publicação de artigos científicos, na orientação de teses e dissertações,
na participação em conselhos departamentais e demais instâncias de decisão
da universidade, conferindo-se pouco ou quase nenhum mérito à cooperação
com empresas em projetos de desenvolvimento ou ao depósito de patentes
[...]. (FUJINO; STAL; PLONSKI, 1999).

436

�Sabe-se que a produção científica brasileira tem proporcionado ao país despontar
como uma força emergente e de grande potencial no cenário acadêmico mundial. Contudo,
percebe-se que ainda há uma descrença na concepção de transformar o conhecimento e as
criações científicas em produtos palpáveis. Embora este cenário esteja mudando, ainda é
frágil a cultura da propriedade intelectual nos ambientes acadêmicos, ou seja, pouco se realiza
em direção a proteção do conhecimento para concretizar a inovação (GEUS, 2010;
CHERUBINI, 2009).
Galembeck e Almeida (2005, p. 1002) trazem à tona essa problemática, dizendo que
embora o Brasil “tenha sido um dos primeiros países a aderir às convenções internacionais de
patentes, e embora haja patenteadores brasileiros importantes no cenário internacional”, o
tema da propriedade intelectual é ainda desconhecido por grande parte dos pesquisadores
brasileiros.
Neste âmbito, Garcia (2006, p. 219) destaca que mesmo onde o conhecimento está em
ascensão e a proteção incentivada, o número de patentes depositadas é pequeno. Lembra ainda
que “a cultura da patente não é difundida amplamente, apesar dos esforços para implantar
núcleos descentralizados de estímulo à propriedade industrial nos institutos de pesquisa e nas
universidades”.
Vale ressaltar que o processo de proteção e comercialização dos resultados de
pesquisas acadêmicas se deu no início do século 20, quando “algumas universidades e
laboratórios públicos de pesquisa dos EUA realizaram suas primeiras atividades de
patenteamento” (OLIVEIRA, 2011, p. 1). No Brasil, a atividade de patenteamento por parte
das universidades brasileiras é bem recente, tendo ocorrido o primeiro registro em 1979, pela
Universidade Federal do Rio de Janeiro (PÓVOA, 2008).
Nos Estados Unidos, uma das medidas que alavancou significativamente o
patenteamento acadêmico foi a aprovação da Lei Norte americana Bayh-Dole Act em 1980,
que de acordo Póvoa (2008, p. 80), teve como finalidade incentivar a comercialização de
descobertas acadêmicas patenteáveis, possibilitando “que resultados de pesquisas financiadas
por fundos federais fossem patenteados em nome das universidades dos pesquisadores sem
precisar negociar com a agência financiadora, o que simplificou o processo para as
universidades”.
A administração do sigilo nas universidades deve se tornar uma realidade que vai além
das políticas públicas de incentivo à inovação. Até então, os pesquisadores, pela tradição
acadêmica de livre circulação de ideias, não estão acostumados a guardar informações e, às
vezes, sem perceber, revelam questões de caráter sigiloso se considerarmos a proteção de

437

�resultados passíveis de registro de patentes. As publicações dos resultados de pesquisas ou
mesmo algum tipo de divulgação em eventos temáticos comprometem todo o processo, além
de disponibilizar os resultados a concorrentes cada dia mais especializados em gestão de
informações disponíveis nas universidades em todo o mundo (RODRIGUES JÚNIOR et al.,
2000).
No ambiente acadêmico, as finalidades e vantagens das patentes devem ganhar
visibilidade. Além dos incentivos ao desenvolvimento tecnológico, a patente acaba
desempenhando um papel de encorajamento à pesquisa científica, à disseminação do
conhecimento prático e econômico, à criação de novos mercados e à satisfação das
necessidades latentes dos consumidores (FERREIRA; GUIMARÃES; CONTADOR, 2009).
No Brasil, as universidades públicas superaram as empresas em solicitações de
patentes junto ao Instituto Nacional de Propriedade Intelectual. A Universidade que mais tem
se destacado é a Unicamp. Sabe-se também que a porcentagem de participação das
universidades brasileiras é de 59%. Entre os anos de 2001 e 2008, as universidades
solicitaram 1.359 patentes e as empresas 933 (DAGNINO; SILVA, 2009).

3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS
A pesquisa enquadrou-se como descritiva de caráter qualitativo. O método de
investigação empregado foi o Estudo de Caso. Segundo Gil (2007), esse método promove a
ampliação de conhecimentos sobre o universo selecionado por meio do estudo de
característica das populações. Além disso, possibilita a identificação de diferentes contextos e
os fatores divergentes e convergentes entre esses, trazendo maior qualidade para os resultados
da pesquisa.
A coleta de dados foi realizada por meio de entrevistas com nove pesquisadores que
solicitaram patentes no período de 2008 a 2010, com o Diretor Geral e o Coordenador de
Propriedade Intelectual de uma Agência de Inovação de uma Universidade no Estado do
Paraná.
Para o tratamento das informações coletadas, utilizou-se da técnica de análise de
conteúdo, que possibilita “inferências confiáveis de dados e informações com respeito a
determinado contexto, a partir dos discursos escritos ou orais de seus atores e/ou autores”.
Além disso, é levado em consideração, não só a “descrição dos conteúdos”, mas esses
associados ao contexto, viabilizando inferências sobre as circunstâncias na sua totalidade
(MARTINS; THEÓPHILO, 2009, p. 98). Os dados e as informações foram analisados de

438

�forma qualitativa, por tema, permitindo, dessa forma, o delineamento das motivações e
tendências para a proteção do conhecimento e inovação no universo acadêmico.

4 MOTIVAÇÕES E TENDÊNCIAS PARA A PROTEÇÃO DO CONHECIMENTO E
INOVAÇÃO NO ÂMBITO ACADÊMICO: RESULTADOS DE PESQUISA
O desenvolvimento de pesquisas científicas culmina muitas vezes em resultados que
podem levar a transformação de bens intangíveis em tangíveis. No entanto, conhecimentos
aplicáveis na produção de bens e serviços devem ser protegidos antes da sua disseminação,
com vistas a propiciar a inovação.
Nesse sentido, a sensibilização para a proteção do conhecimento poderá gerar efeitos
positivos, quando a comunidade científica passar a compreender efetivamente os benefícios
da proteção do conhecimento. Com essa preocupação, buscou-se verificar se os entrevistados
dão importância para a questão da proteção do conhecimento, bem como para a sua
transformação em produtos palpáveis, o que possibilita a inovação.
Nos relatos há divergências sobre a valorização da proteção do conhecimento no meio
acadêmico. Há pesquisadores que concordam veementemente que a proteção do
conhecimento deve ser realizada como uma possibilidade de gerar inovação e estratégia de
captação de recursos. Por outro lado, há outros que pensaram nesta possibilidade somente
após a repercussão da disseminação da pesquisa. Há ainda alguns que, em função da cultura
existente do livre compartilhamento de ideias, não conseguem visualizar esta possibilidade
por acreditarem que a inovação só é possível mediante a proposição de algo inédito.
A Pesquisadora “J” demonstrou acreditar na proteção do conhecimento como
estratégia de garantia dos direitos de propriedade intelectual, ao relatar que considera
importante a referida ação, no entanto entende que ao realizar a proteção não se tem a garantia
de que o proposto se torne uma inovação. A participante ainda pondera que se a maioria dos
professores entendesse essa importância, o número de patentes no Brasil seria acrescido
substancialmente.
No que tange a proteção como estratégia de captação de recursos, o Pesquisador “C”
se mostra incisivo quanto ao valor que dá à realização de pesquisas que gerem recursos
financeiros. Com esta concepção, ele enfatiza que não desenvolve pesquisas que não deem
retorno financeiro e por essa razão prima pelo sigilo das pesquisas, desde sua concepção,
transmitindo esses valores inclusive para os seus alunos.
Contrário à opinião do Pesquisador “C”, o Pesquisador “F” salienta que a
Universidade pesquisada é uma instituição mantida pelo poder público, sem fins lucrativos.

439

�No entendimento do Pesquisador “F”, os docentes já são pagos para gerar pesquisas com
cunho inovador, sendo complicado, portanto, esperar mais retorno financeiro com o
conhecimento gerado. Ele pondera que deve haver uma avaliação criteriosa nesse sentido.
A cultura da resistência à inovação no meio acadêmico é reforçada pelo Pesquisador
“G” quando ele se refere à valorização excessiva da publicação de artigos científicos. No
entanto, ele faz questão de salientar que seu foco nunca foi publicar artigos, mas sim gerar
inovação. Assim como o Pesquisador “C”, ele entende que a cultura da proteção do
conhecimento para a inovação deve ser embutida na formação do aluno, ao justificar: “Eu
acho que consigo uma coisa muito melhor com os alunos por meio da geração de inovações
do que pela publicação de trabalhos, por isso não tenho vontade nenhuma de sentar e publicar
um trabalho”.
Em outras declarações, percebeu-se que o start para solicitar a patente ocorreu após a
disseminação da pesquisa. A Pesquisadora “B” em conjunto com sua orientanda, falando
sobre a experiência do pedido de patente, afirmou: “Nós não demos importância para o
trabalho, quando minha orientanda começou a ver os outros interessados, disse: tem alguma
coisa errada [...] todo mundo falava em patentear”. A orientanda da Pesquisadora “B” ainda
ressaltou que um tio dela havia lhe falado que ela era é louca de não ter tentado patentear, haja
vista o interesse de todo mundo na pesquisa, coroada inclusive com um prêmio na ocasião.
Tal afirmação aponta que a principal razão que levou as participantes a pensarem em proteger
a pesquisa foi a repercussão do trabalho.
Assim como a Pesquisadora “B” e sua orientanda, o Pesquisador “E” relatou que
iniciou o projeto de pesquisa sem pensar em sua proteção. Narrando sua experiência disse:
Eu iniciei o projeto de pesquisa, que era de inovação tecnológica, sem
procurá-los [Agência de Inovação], eu fui procurá-los no meio do caminho,
falando que eu tinha resultados interessantes e isso me estimulava a
realmente pedir a patente. Ai eles fizeram a pesquisa, viram que não tinha
nada igual, me pediram as informações e montaram o processo.
O Pesquisador “H” considera importante proteger o conhecimento, argumentando que
existe na universidade pesquisas que podem agregar em sua essência produtos inovadores,
mas que muitas vezes acabam se perdendo em decorrência da falta de preocupação dos
docentes com a proteção do conhecimento. Cabe registrar que apesar do participante deixar
implícito que acredita no potencial da proteção do conhecimento, ele demonstra, em outro
momento, não estar muito convicto sobre isso, ao dizer “[...] eu acho que o pesquisador na

440

�Universidade pesquisada já está mais atento para este aspecto agora, não é o meu caso, mas é
um pessoal bem antigo com uma vasta produção [...]”.
Acredita-se que a crença positiva quanto à transformação do conhecimento em
produtos palpáveis pressupõe a compreensão da importância de se proteger este conhecimento
para favorecer a inovação. Quando inqueridos sobre a possibilidade de transformar o
conhecimento em produtos palpáveis, os entrevistados apresentaram opiniões distintas. Uma
parcela enfatizou que acredita ser possível e importante. Outros pesquisadores salientaram
dúvida, argumentando que a missão da universidade não deve estar atrelada à produção de
produtos para comercialização, e sim à formação do aluno.
A Pesquisadora “D” se mostrou favorável à transformação do conhecimento em
produto palpável. Sobre isso ela diz: “É uma linha que eu tenho trabalhado e que realmente é
viável, principalmente na área das engenharias, e a área que eu trabalho, que é materiais, é
uma área que te dá mais possibilidade de fazer esta transformação [...]”.
O Pesquisador “C” também compartilha da opinião da pesquisadora “D” ao declarar:
“Sou radicalmente a favor! É um pouco da minha formação também, além de pensar muito
nessa parte, sempre gostei de fazer ciência básica”. O pesquisador faz questão de salientar
também que a pesquisa básica se faz importante por possibilitar a identificação de um
conhecimento aplicável.
O Pesquisador “G” apresenta uma visão totalmente empreendedora ao afirmar: “Essa
parte, eu não preciso ser sensibilizado, já está dentro do sangue”. O Pesquisador “E”, tendo a
mesma percepção, justifica: “É importante, a gente faz pouco isso e devia fazer mais”.
Os pesquisadores que demonstraram insegurança na questão da transformação do
conhecimento em produtos palpáveis lembraram que a principal missão da universidade é a
formação do aluno e não o desenvolvimento de produtos passíveis de comercialização. Sobre
isso, o Pesquisador “F” explicou: “[...] eu acho que transformar conhecimento em produto
palpável, sem dúvida, é importante, mas no meu entendimento não é a maior missão de uma
universidade, a missão maior de uma universidade é formação de recursos humanos [...]”.
Alguns autores como Sales (2009) e Mora (2006) acreditam que a missão da
universidade vai além da formação de recursos humanos. Para Sales (2009, p. 322), “a
universidade deve se conscientizar da sua missão no desenvolvimento da ciência e
tecnologia”. Na mesma perspectiva, Mora (2006, p. 123) destaca que a universidade deve
atuar como uma “[...] empresa a serviço das necessidades de formação e desenvolvimento
tecnológico”.

441

�As barreiras para inovação no meio acadêmico se estendem aos quesitos da proteção e
transformação do conhecimento em produtos palpáveis. Muitos acreditam que inovação só é
possível mediante a obtenção de conhecimento expressamente inédito, conforme salientou a
orientanda da Pesquisadora “B”: “Eu acredito que é possível transformar o conhecimento em
produtos palpáveis, embora eu ainda esteja com aquele ranço de que para a universidade, para
o país, se for alguma coisa mais de ponta, realmente é mais importante”.
A Pesquisadora “J” destaca que é muito difícil conseguir apresentar algo inédito, relata
que trabalhou 39 anos na Universidade pesquisada, que já no início da sua carreira como
docente teve a oportunidade de fazer mestrado e na sequência doutorado, mas que as três
patentes que solicitou, duas em parceria, tiveram origem em experiências pessoais. Sobre isso,
ela afirmou: “Surgiu mais da experiência, do conhecimento, da vivência, porque não é fácil
você introduzir um novo produto no mercado”.
Quanto à valoração da inovação no meio acadêmico, a Pesquisadora “D” entende
como algo positivo a inovação gerada por intermédio da universidade, ressaltando a
finalidade principal da inovação: “Eu acho que a geração do produto pode interferir em algo
da comunidade com uma melhoria, que é fundamental [...]”.
O Pesquisador “I” também se manifesta favorável à inovação no meio acadêmico,
contudo destaca que para isso é necessário que as oportunidades sejam criadas e que as
necessidades da sociedade sejam levadas em consideração. Essa inquietação é revelada pelo
pesquisador quando ele diz: “Qual a necessidade da população para essa descoberta, se o povo
precisa de um fusquinha e não de um Lamborghini?”. A declaração do pesquisador permitenos inferir que nem sempre as pesquisas no meio acadêmico são decorrentes de necessidades
vigentes da sociedade, como sustentam Conceição e Bocchino (2010) ao ressaltarem que
apesar das universidades possuírem um significativo potencial de conhecimento, formado por
pesquisadores e especialistas, em muitos casos, estes trabalham aquém de suas competências
e geralmente desconectados das prioridades da sociedade.
A importância da proteção do conhecimento para propiciar a inovação no meio
acadêmico é reconhecida por parte dos participantes, no entanto a ação de proteger o
conhecimento não é vista como necessária pela maioria. Segundo o Pesquisador “C”, a
universidade ainda está engatinhando nesse sentido, há ainda um grande preconceito da
categoria com pessoas que trabalham com a inovação, sendo esse preconceito agravado ainda
mais quando pesquisas são realizadas em parceira com a iniciativa privada.

442

�4.1 Disseminação de Nova Tecnologia: Publicar ou Patentear?
Os meios de divulgação mais utilizados pelos pesquisadores para a publicação dos
resultados de suas pesquisas foram investigados. Além disso, os entrevistados foram
inqueridos quanto à aceitação em postergar a publicação dos resultados de suas pesquisas com
vistas a realizar o pedido de patente.
Dos dez pesquisadores, sete afirmaram utilizar como principal veículo de
comunicação o artigo científico. Quanto à patente, ela aparece como canal prioritário de
disseminação na opinião de três pesquisadores. Os eventos aparecem em segundo plano na
visão de quase todos os participantes, excetuando a visão de um pesquisador, que os colocou
como última opção.
Categoria de produção científica mais bem avaliada pelos órgãos de avaliação de
pesquisa e pós-graduação, os artigos científicos são os meios mais utilizados para
comunicação científica. Expondo com intrepidez essa realidade, o Pesquisador “F” registra:
“[...] infelizmente a única regra que nos mede é o número de artigos publicados, se você tem
isso ai, pronto, você está no céu, é o que funciona pra gente [...]”. A Pesquisadora “B”
também manifesta sua aflição nesse sentido, quanto relata: “[...] se eu não publico, eu não sou
ninguém, sou um lixo [...]”. As afirmações nos levam a inferir que professores altamente
produtivos atraem mais respeito e são consequentemente mais valorizados.
A orientanda39* da Pesquisadora “B” atesta o exposto quando argumenta:
[...] tudo o que eu consegui até hoje profissionalmente foi graças à
publicação do artigo, e esse caminho me trouxe muitas coisas boas, talvez se
eu tivesse ficado esperando a patente, não sei quanto tempo, para começar
daí a divulgar, eu não sei como seria para a minha vida profissional.
No entanto, percebe-se que a entrevistada está equivocada em relação ao processo de
patenteamento ao dizer que não poderia ter divulgado nada até hoje em virtude da espera pela
concessão da patente. A participante demonstrou desconhecimento, tendo em vista que após
requerer a patente o proponente pode prosseguir com a disseminação dos resultados da
pesquisa, tendo asseguradas as expectativas de direito de propriedade intelectual do inventor
(FEDERMAN, 2010; MOREIRA; ANTUNES; PEREIRA JÚNIOR, 2004).
Outras opiniões levantadas denotam alguns aspectos negativos em relação ao foco
excessivo da comunidade científica para com os artigos científicos. Esse enfoque é acentuado
pela Pesquisadora “B”, que relatou:
39A Pesquisadora “B” aceitou conceder entrevista mediante a participação de sua orientanda de mestrado.

443

�[...] tem professor que acha que é máquina de publicar, eu não sou assim,
então você acaba não dando boa aula porque está focado na publicação, e
isso não é correto. Eu acho que a publicação é o coroamento ou resultado de
um trabalho que você fez, e qual é esse trabalho? Formar aluno como eu
disse, gerar conhecimento para depois vir a publicação [...].
A Pesquisadora “J” acredita que a publicação numerosa de artigos científicos não
traduz o conhecimento do professor na sua integridade. Sobre isso, ela relata que foi
pesquisadora produtividade do CNPq durante 4 anos, mas devido ao montante de atividades e
em função da exigência extrema de publicações em quantidade não conseguiu manter o
benefício. A pesquisadora ainda revelou: “[...] tem pessoas que só se preocupam com isso, é
só índice de impacto, artigo científico, eu acho que isso não mostra o conhecimento do
professor, tanto é que nós temos o livro, que também não dá tanta pontuação”.
Os eventos são citados por quase toda a população envolvida como segundo canal de
divulgação de pesquisas, com exceção do Pesquisador “I”, que prioriza, após a publicação de
artigos, os capítulo de livros ou mesmo livros.
As patentes, por sua vez, quase não são valoradas como canal de disseminação, haja
vista a demora na sua tramitação. Essa desvantagem é abordada por dois entrevistados. Para a
Pesquisadora “D”, a patente seria um canal de disseminação interessante dentro de algumas
áreas, no entanto ela afirma: “o sistema é lento”.
Concordando com o exposto, a orientanda da Pesquisadora “B” menciona: “Eu acho
que a patente em longo prazo é mais interessante do que o artigo científico, mas a gente
precisa correr”. Ela justifica sua posição ao destacar que a publicação de artigos a ajudou
indiscutivelmente a agregar valor ao seu currículo, que por sua vez possibilitou, na sua
concepção, sua aprovação no doutorado e na seleção para Professor temporário na
Universidade Tecnológica Federal do Paraná - UTFPR. A participante sustentou sua
insatisfação dizendo: “[...] e a patente continua rodando, rodando”.
O Pesquisador “F” menciona que a patente é preterida inclusive pelos Gestores de
Graduação e Pós-Graduação da Universidade. Sobre essa rejeição ele expõe: “A patente tem
praticamente o mesmo peso, mas ainda os nossos administradores de pesquisa e pósgraduação da universidade não sacaram isso”. Ele revela que a cobrança é extrema em relação
aos artigos e as patentes são ignoradas.
A divulgação pública da invenção antes do depósito do pedido de patente pode
comprometer o processo de patenteamento e a futura comercialização da invenção ao
disponibilizar informações muitas vezes sigilosas a interessados (FEDERMAN, 2010;

444

�RODRIGUES JÚNIOR et al., 2000). Nesse sentido, os participantes foram indagados quanto
à aceitação em postergar a publicação dos resultados de suas pesquisas, objetivando realizar
previamente o pedido de patente. Dos dez pesquisadores, sete participantes concordam em
postergar a publicação dos resultados de suas pesquisas em prol da elaboração do pedido de
patente, levando-se a inferir que os participantes compreendem o risco que o período de graça
pode trazer para o inventor.
Nesse aspecto, vale a pena destacar a declaração do Pesquisador “E”, ao justificar:
“[...] É por uma boa causa, até porque se você está desenvolvendo algo, não tem como ficar
ultrapassado, ou então você está desenvolvendo algo que outro também está e você tem uma
competição contra o relógio [...]”. Já o Pesquisador “F” faz uma interessante observação
quanto à necessidade de postergação da publicação de resultados de pesquisas: “Eu até já fiz
isso, só que não sei se é necessário, viu. Hoje em dia você manda um trabalho para uma
revista e o tempo de demora pra publicar está empatando com a patente [...]”. O entrevistado
faz referência a essa demora na publicação de artigos em revistas de grande impacto.
A Pesquisadora “J” afirma que as agências de fomento e avaliação deveriam rever os
critérios de pontuação para a produção científica e tecnológica. No entendimento da
participante, uma mudança voltada para igualizar o máximo possível o peso de pontuação
para essas categorias poderá incentivar sobremaneira a comunidade científica na busca de
patentes.
Com esse espectro, a participante “J” acredita ser importante que as universidades, de
forma geral, realizem atos que visem também à sensibilização de gestores de pesquisa e pósgraduação e de quem de direito, quanto à patente e seus benefícios, deixando explícito que
não só o artigo deve ter valor. Sobre isso, ela enfatiza que não é dada nenhuma importância
para as patentes, “[...] é o valor mínimo, é só pra quem gosta e tem tempo. Até os professores,
os pesquisadores pensariam diferente”.
Dado esse contexto, é perceptível que o desencadeamento de uma cultura favorável à
proteção da propriedade intelectual e inovação depende de fatores que transpõem os muros da
universidade. Internamente, o cenário ainda é marcado por uma forte postura individual,
poucos conhecem e vislumbram os objetivos fins da proteção do conhecimento, que, no
mínimo, favorece todos os envolvidos no processo e oportuniza que o conhecimento seja
legitimamente reconhecido e aplicado como estratégia de crescimento para o país.

445

�5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O estabelecimento de uma cultura voltada para a proteção do conhecimento no âmbito
acadêmico urge por uma sensibilização e conscientização maior dos pesquisadores quanto ao
potencial da Universidade não só como fonte de conhecimento, mas, sobretudo, como
geradora de conhecimentos passíveis de serem transformados em bens comercializáveis,
potencializando a inovação no universo acadêmico. Além disso, a cultura do livre
compartilhamento de ideias e conhecimentos deve ser sucumbida, priorizando a proteção do
conhecimento por meio da patente, como estratégia de proteção, e ao mesmo tempo, de
disseminação.
Nesta perspectiva, a Universidade pode ser vislumbrada com a missão que transpõe a
singular formação de alunos, na qual as pesquisas podem ser desenvolvidas tendo como
aporte as necessidades da sociedade, possibilitando que os conhecimentos gerados por meio
do ensino, pesquisa, e extensão sejam articulados em prol do desenvolvimento tecnológico do
país.
Os resultados revelam que os participantes da pesquisa não estão sensibilizados para a
proteção do conhecimento, já que pouca importância é dada para esta ação. É manifesto um
cenário divergente quanto à valorização da proteção do conhecimento, no qual oscilam
opiniões que contemplam esta iniciativa como um meio de geração de inovações, outras
apontam este ato como uma estratégia exponencial de captação de recursos, e por fim, há
ainda os que vislumbram a inovação sob a ótica da proposição de algo inédito. Não obstante,
a transformação do conhecimento em produtos palpáveis também não é um paradigma
comum entre os pesquisadores, haja vista que alguns consideram que a principal missão da
Universidade está voltada para a formação do aluno e não a produção de bens para
comercialização.
A cultura existente culmina com as ações de disseminar, compartilhar o conhecimento
livremente e quase não patentear. Neste aspecto, o artigo científico é o mecanismo mais
lembrado pelos pesquisadores para a disseminação do resultado de suas pesquisas, seguido
dos eventos, que aparecem como segunda alternativa. Já a patente é lembrada pela minoria
como canal prioritário de disseminação.
É notória a falta de preparo e conhecimento dos professores acerca do processo de
patenteamento. Com efeito, infere-se que programas de sensibilização e disseminação da
cultura da propriedade intelectual e inovação devem ser urgentemente estudados e
implantados na Universidade pesquisada, com vistas a remodelar a cultura vigente dos

446

�pesquisadores no que diz respeito às formas de disseminação e utilização do conhecimento,
bem como sua proteção, potencializando o surgimento de inovações.
O olhar apenas para a quantidade de publicações deve ser minimizado, principalmente
quando se trata da publicação de resultados de pesquisas que envolvem um sigilo ou segredo
industrial. Por outro lado, outras formas de avaliação/pontuação para os currículos dos
docentes/pesquisadores nas universidades devem ser repensadas e discutidas, talvez por meio
de novas políticas de desenvolvimento de planos de carreiras, nas quais o fruto das pesquisas
realizadas seja considerado como elemento mais importante, incentivando-os a direcionar,
quando possível, suas pesquisas para resolução de problemas mais pontuais na sociedade,
agregando assim melhorias imagináveis para o desenvolvimento social e econômico junto ao
desenvolvimento da ciência.

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              <text>A Universidade é notoriamente reconhecida como fonte de geração e disseminação de conhecimentos. A inovação, por sua vez, decorre de conhecimento científico, que ao ser patenteado, garante os direitos dos atores envolvidos quanto à apropriação indevida do conhecimento, possibilita o compartilhamento seguro e contribui para o desenvolvimento tecnológico. Com essa abordagem, o presente estudo procurou identificar se os pesquisadores estão sensibilizados para a proteção do conhecimento e a forma de disseminação de uma nova tecnologia, visando ao surgimento de inovações no meio acadêmico. Para alcançar esse objetivo, foi desenvolvida uma pesquisa descritiva de caráter qualitativo por meio do estudo de caso envolvendo pesquisadores que solicitaram patentes no período de 2008 a 2010 e gestores de uma Agência de Inovação de uma Universidade do Paraná. A técnica de coleta de dados empregada foi a entrevista. Para o tratamento das informações coletadas, utilizou-se da Técnica de Análise de Conteúdo. Os resultados revelam que pouca importância é dada pelos participantes para a proteção do conhecimento. Além disso, falta preparo e conhecimento dos professores acerca do processo de patenteamento. Quanto à preferência dos pesquisadores na disseminação de uma nova tecnologia, ficou evidente que o artigo científico é o mecanismo de divulgação mais utilizado pelos participantes. Com esses resultados foi possível identificar que a cultura da propriedade intelectual ainda se mostra ínfima no universo estudado, sendo que no lugar desta, é evidenciada a cultura do livre compartilhamento de ideias e conhecimentos, a qual contribui para um cenário de resistência a inovação no meio acadêmico.
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