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                  <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

POR QUE MANTER OS LIVROS IMPRESSOS EM TEMPOS DE LIVROS
ELETRÔNICOS?

Ana Rosa Santos
Sandra Lopes Coelho

RESUMO
Sumariza economia da informação, na sociedade da informação, destacando o produto livro
eletrônico, ou e-book. Analisa o e-book na gestão e desenvolvimento de coleções, acesso e
preservação. Procura conscientizar bibliotecários para esse desafio de gestão. Salienta
restrições de visualização, download, impressão e compartilhamento, apresentadas pelo
mercado editorial. Afirma que essas restrições são problemas para gestão e desenvolvimento
de coleções, acesso e preservação em bibliotecas universitárias. Objetiva reflexão sobre as
vantagens e as desvantagens do livro eletrônico. Oferece suporte para tomada de decisão
sobre gestão de livros eletrônicos. Conclui que aquisição de e-books deve ser baseada nas
políticas de desenvolvimento de coleções, acesso e preservação.
Palavras-Chave: Livros eletrônicos; Bibliotecas universitárias; Acesso; Desenvolvimento de
coleções; Preservação.

ABSTRACT
It summarizes information economy, in the information society, emphasis in the product
electronic book, or e-book. It analyzes e-book collections management and development,
access and preservation. It points restrictions preview, download, and print, presented by the
editorial market. It affirms that these restrictions are problems for collections management
and development, access and preservation in university libraries. It examines on the
advantages and disadvantages of the electronic book. Supports decision making on
management of electronic books. It concludes that the acquisition of e-books should be based
on policies of collection development, access and preservation.
Keywords: Electronic book; Academic libraries; Access; Development of collections;
Preservation.

1 INTRODUÇÃO
Este trabalho sumariza a chamada economia da informação, na sociedade da
informação, destacando o produto livro eletrônico, ou e-book, no contexto da biblioteca
universitária hoje. Tem por objetivo salientar as restrições impostas pelos modelos de negócio

420

�propostos pelos fornecedores e mostrar que essas são um problema para o tripé estrutural da
biblioteca universitária: gestão e desenvolvimento de coleções, acesso e preservação. Propõe
uma reflexão sobre as vantagens e desvantagens dos livros eletrônicos neste contexto, sem
pretender desencorajar a utilização deste tipo de recurso. Do mesmo modo que procura situar
o bibliotecário sobre este desafio de gestão, dando suporte argumentativo para a tomada de
decisão sobre a aquisição de livros eletrônicos - principalmente para aqueles cuja motivação
de compra se baseia nas “vantagens” de acesso - e buscando apontar as desvantagens ou
dificuldades do processamento, da preservação, e até mesmo do acesso. Conclui que, nesse
contexto, a aquisição de livros eletrônicos deve ter por base políticas racionais de
desenvolvimento, acesso e preservação.

2 SOCIEDADE DA INFORMAÇÃO E A ECONOMIA DA INFORMAÇÃO
A crise do petróleo, na década de 70 do século passado, que mostrou a
insustentabilidade do modelo capitalista baseado “no consumo crescente de matérias e energia
barata”, a quebra do paradigma fordista baseado na padronização e divisão de tarefas e o
desenvolvimento da informática, culminando com a Internet nos anos 90, são marcos da
“onda Schumpeteriana de destruição criadora” (TIGRE, 2005).

Com isso, as novas

tecnologias da informação e da comunicação deram início a uma nova sociedade. Essa
sociedade - capitalista - foi chamada de várias formas, dentre elas pode-se destacar: “nova
civilização”, “terceira onda” (TOFFLER, c1980); “sociedade informática” ou “segunda
revolução industrial” (SCHAFF, c1990); “sociedade pós-capitalista” ou “sociedade do
conhecimento” (DRUCKER,

c1997);

“pós-industrial”; “sociedade do aprendizado”,

“sociedade aprendente”, “sociedade da informação” etc. Essa nova sociedade baseada na
engenharia genética, na microbiologia e na microeletrônica etc. está fundamentada na
informação e no conhecimento, que são considerados “commodities”, bens negociáveis,
mercadorias. Assim, passamos da economia agrária para a industrial, chegando à chamada
“economia da informação” na qual produzir, armazenar, processar e disseminar informações é
a maior função econômica. Assim, nesta nova sociedade “a informação” e “o conhecimento”
são vistos como mercadorias.
O desenvolvimento de novas tecnologias da informação e comunicação proporcionou
outras formas de negócios, baseadas na informação, através das chamadas “infovias”. Isto
trouxe para o capitalismo meio para maximizar seus lucros movimentando altas somas de
“capital fictício” em um mercado global.

Assim, nessa sociedade, o conhecimento e a

informação, como dito, são considerados mercadorias, ou capital. E é nessa sociedade que o

421

�livro eletrônico está sendo promovido como solução, que pode se tornar um problema, caso
não seja encarado de forma gerencial.
No Brasil, o Programa do Governo Federal de Apoio a Planos de Reestruturação e
Expansão das Universidades Federais (REUNI) é um reflexo dessa nova sociedade. Com o
REUNI, as bibliotecas das Instituições Federais de Ensino Superior (IFES) precisaram se
adequar para atender ao objetivo proposto pelo programa - criar condições para a ampliação
do acesso e permanência na educação superior - sem perder de vista sua função primordial
que é prover infraestrutura bibliográfica, documentária e informacional para apoiar as
atividades da Universidade: o ensino, a pesquisa e a extensão. Nesse contexto, algumas
bibliotecas foram reestruturadas fisicamente, mas em sua maioria essa reestruturação não
resultou em ganho de espaço. Em relação ao acervo, para atender ao número crescente de
alunos resultante da expansão provocada pelo REUNI, muitas bibliotecas buscaram soluções
como desbaste, descarte, compra de livros eletrônicos, etc. Essas soluções e suas possíveis
consequências nem sempre foram pesadas, e/ou pensadas, causando problemas ao tripé
estrutural da biblioteca universitária: gestão e desenvolvimento coleções, acesso e preservação
(FOX e MARCHION-INI, 1998; SCHURER, 1998 apud ROTHENBERG, 1999, p. 8). Essas
opções como solução para o problema de falta de espaço e profusão de alunos é o tema dessa
revisão.

3 LIVROS ELETRÔNICOS EM BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS
Na chamada sociedade da informação os livros eletrônicos estão sendo promovidos
como uma solução para o problema de falta de espaço e a profusão de alunos que algumas
bibliotecas universitárias estão enfrentando devido ao REUNI, mas a aquisição desses itens
sem uma política definida pode criar outros problemas.
propagadas por muitos autores. Polanka

As vantagens dos e-books são

(apud SERRA, 2013, p. 2, grifo nosso) destaca as

principais vantagens:
a) disponibilidade do acervo 24x7 e possibilidade de um atendimento a
diversos usuários simultaneamente, não restrito a quantidade de exemplares
impressos existentes nos acervos;
b) e-books são publicações ampliadas, pois permitem a interoperabilidade de
informações, como consulta a dicionários, utilização de instrumentos de
acessibilidade (leitura de voz) etc.;
c) e-books não são perdidos, entregues com atraso, ou danificados;
d) os arquivos podem ser compartilhados em diversos dispositivos;

29 POLANKA, Sue (Ed.). No shelf required [livroeletrônico]: e-books in libraries. Chicago: American Library
Association, 2011. 182p.

422

�e) não ocupam espaço físico para guarda em estantes e prateleiras, ou seja, a
biblioteca pode ampliar seu acervo sem preocupar-se com a utilização do
espaço físico;
f) podem ser pesquisados e acessados através do catálogo virtual das
bibliotecas;
g) podem ser integrados a bibliografias ou projetos de pesquisas;
h) é utilizado no meio acadêmico por estudantes e professores, contribuindo
com o aumento de fontes de pesquisa;
i) permitem anotações, aumento da fonte, controle do brilho da tela e demais
ajustes, de acordo com a preferência do leitor.

Algumas das vantagens difundidas são transformadas em desvantagens ou
dificuldades pelas limitações editoriais impostas pelo mercado, ainda em desenvolvimento. O
Digital Rights Management (DRM ) - gestão de direitos digitais - podem limitar os acessos,
as impressões, as visualizações simultâneas, os downloads, e os acessos fora dos campi, etc.
Em relação ao espaço, fisicamente este pode ser poupado, mas o espaço em repositórios e
outros ambientes de armazenamento digital devem ser previsto, e para que estes ambientes
sejam eficazes, devem ser criadas políticas de preservação digital executáveis. Enfim, com
adoção desse novo objeto, novas formas de gestão devem ser desenvolvidas. E para melhor
desempenho desse trabalho, a gestão de bibliotecas universitárias deve estar pautada em
políticas racionais de desenvolvimento de coleções, acesso e preservação, que, nessa nova
sociedade, devem incluir um novo produto: o livro eletrônico.

3.1 Gestão e desenvolvimento de coleções
A inclusão dos livros eletrônicos no acervo está provocando mudanças significativas
para as bibliotecas e seus gestores. Uma delas é a “transferência de propriedade” - de produto
(livro impresso) para serviço (acesso on-line). O objeto digital não fica necessariamente sob
a guarda da biblioteca e seu acesso, muitas vezes, é realizado via plataforma proprietária do
fornecedor. São oferecidos, basicamente, três modelos de negócio: acesso perpétuo - os livros
são licenciados para a biblioteca e hospedados no seu site ou em plataforma do fornecedor;
assinatura - o fornecedor oferece acesso por um determinado período de tempo; pay-per-view
que funciona como a assinatura, porém com preço mais baixo e valor adicional de acordo com
a utilização. Essas novas formas de aquisição ainda precisam ser absorvidas. O mercado está
sendo organizado e os editores estão buscando formas de ajuste desse novo produto (Lei de
Direitos Autorais, PL N° 4534/2012 ). Cabe aos bibliotecários buscar um posicionamento,

30 Limites nos hardwares ou softwares.
31 Altera a Lei n° 10.753, de 30 de outubro de 2003, que "institui a Política Nacional do Livro", para atualizar a
definição de livro e para alterar a lista de equiparados a livro.

423

�de forma que sua participação na formação das políticas de informação brasileiras seja mais
ativa.
Para um melhor posicionamento um dos primeiros passos pode ser a reformulação das
políticas de gestão e de desenvolvimento de coleções. A inclusão do item livro eletrônico
deve ser pensada, mas seguindo basicamente os mesmos critérios de uma política para livros
impressos, sendo agregados a estes, aqueles inerentes aos documentos eletrônicos.

Uma

política deve ser um instrumento de tomada de decisão, e, desse modo, deve prever as
situações relativas, por exemplo - à seleção, à aquisição, à avaliação e ao desbastamento de
materiais.

As particularidades dos livros eletrônicos estão dificultando a construção de

políticas, e muitas bibliotecas estão comprando e-books sem este respaldo tão importante para
a tomada de decisão. É preciso que haja controle sobre esse novo objeto, o e-book. Essa nova
sociedade trouxe mudanças que refletiram também no fazer bibliotecário, assim, todo
processo de gestão e desenvolvimento de coleções deve ser repensado, para que os serviços
oferecidos ao usuário/cliente sejam adequados.
É “[...] necessário repensar o papel do bibliotecário no desenvolvimento da
coleção, de forma a garantir a continuidade de títulos nos acervos, mensurar
o uso que é feito das obras adquiridas, aferir o controle de acesso aos
conteúdos para evitar utilizações não autorizadas e oferecer novas
possibilidades de consultas e serviços.” (SERRA; SILVA, 2013).

As atividades de gestão devem ser revistas para que a função de desenvolvimento de
coleções seja mais bem desempenhada. A revisão das políticas e estudos bibliométricos
podem ser a base para todo esse trabalho.
A necessidade de readaptação se torna premente nessa nova sociedade. Geralmente, as
dificuldades - ou desvantagens - encontradas são marcadas pela variedade de modelos de
negócio impostos pelo mercado. Livros eletrônicos acadêmicos podem ser selecionados e
adquiridos quer como títulos individuais quer como coleções ou pacotes (WALTERS, 2013,
tradução nossa). Assim, destacam-se algumas das seguintes dificuldades:

a)
apenas metade dos livros impressos adquiridos por bibliotecas
universitárias estão disponíveis como e-books;
b)
os termos de licença variam consideravelmente e falta de
padronização é um entrave significativo à gestão de livros eletrônicos;
c)
a multiplicidade de formatos de arquivo de livros eletrônicos apresenta
sérias dificuldades para compatibilidade entre plataformas e acesso em longo
prazo;
d)
cerca de metade de todos os títulos da biblioteca de livros eletrônicos
acadêmicos são adquiridos através de promoções de pacotes;

424

�e)
a maioria das licenças para pacotes de livros eletrônicos (coleções)
não dá aos bibliotecários nenhum controle sobre os títulos incluídos no
pacote;
f)
a maioria dos pacotes de livros eletrônicos inclui um grande número
de títulos que não são relevantes para as necessidades da biblioteca;
g)
quando adquiridos individualmente, livros eletrônicos acadêmicos
custam substancialmente mais do que edições impressas.

Como dito, existem vários modelos de negócio e preços oferecidos por distribuidores
de livros eletrônicos, com diferentes tipos de acesso e variedade de restrições à visualização,
download, impressão e compartilhamento de conteúdo de e-book. Mudanças nos termos de
licença facilitariam a aquisição em larga escala de e-books.

Nas condições atuais, a

necessidade de gerenciar uma ampla e conflitante variedade de disposições de licença
aumenta o custo total de aquisição e manutenção de coleções de livros eletrônicos.
(WALTERS, 2013).

3.2 Acesso ao livro eletrônico
Polanka (2011, op. cit.) destaca a disponibilidade do acervo 24x7 e a possibilidade de
atendimento a diversos usuários simultaneamente como uma das vantagens do livro
eletrônico, no entanto os modelos de negócio existentes atualmente apresentam restrições que
limitam o acesso ao conteúdo: acesso somente através de plataformas proprietárias, restrições
de vendas para consórcios, empréstimo entre bibliotecas, empréstimos simultâneos e outros,
como visto acima. A aplicação dos DRMs é que determina como será o acesso, possibilidade
de cópia ou reprodução do conteúdo, distribuição a terceiros, impressão (total ou parcial) e
modificação do conteúdo. Enfim, essas restrições acabam limitando as vantagens de acesso
propagadas. Desse modo, para que as vantagens do acesso sejam efetivamente aproveitadas,
os acordos com os editores precisarão oferecer um custo-benefício melhor que aquele
oferecido atualmente. Além dessas travas, os DRMs também criam problemas na preservação.

3.3 A Preservação de livros eletrônicos e suas dificuldades
O formato eletrônico precisa de certos cuidados para que as informações permaneçam
acessíveis, íntegras e autênticas. Abaixo alguns entraves à preservação de livros eletrônicos:

a)
a obsolescência rápida dos softwares, hardwares, e mídias de armazenamento;
b)
a volatilidade e fragilidade da informação digital;
c)
direitos autorais, copyright e outros direitos legais, que limitam as formas
mais comuns de preservação pelas bibliotecas;

425

�d)
os DRMs que restringem as cópias, impressão, download; e outras formas de
preservar;
e)
a diversidade de formatos, que gera problemas na conversão e compatibilidade
(ALCOBA VILLADANGOS, 2012, p. 35-39, tradução nossa).

Políticas de preservação de documentos eletrônicos precisam ser desenvolvidas e o
bibliotecário deve se posicionar de forma mais presente no debate acerca da legislação atual
sobre e-book, pois como dito, os editores estão defendendo suas posições, e caso não seja
exposta a posição das bibliotecas universitárias em relação a esse produto, mais uma vez a
voz do mercado irá prevalecer.
As editoras como detentoras dos direitos autorais deveriam fazer acordos com
“serviços de preservação digital” , como: ePortico, LOCKSS, ou CLOCKSS, porém essa
ainda não é uma prática (WALTERS, 2013; POWERS, 2014).

Algumas editoras já

perceberam vantagens econômicas na preservação digital e estão iniciando esse trabalho, mas
ainda de forma incipiente. Espera-se que a implementação de políticas de preservação digital
passe a ser uma prática por parte de editoras, e bibliotecas, garantindo assim o acesso futuro.
Apesar das limitações, algumas bibliotecas3
233já estão fazendo uso dos serviços de preservação
digital, geralmente através de acordos com as editoras.

4 POR QUE MANTER OS LIVROS IMPRESSOS EM TEMPOS DE LIVROS
ELETRÔNICOS?
Para a IFLA (2000, tradução nossa) “uma boa política de preservação deve garantir o
acesso às informações, minimizando a deterioração dos suportes dessa informação”. Hoje, o
melhor e o maior suporte ainda é o papel. O livro em papel ainda é a forma de registro mais
usada para guarda do nosso patrimônio cultural, histórico e de memória. Esses registros
conservam a nossa especificidade cultural, artística, científica e histórica, os valores
econômicos, afetivos, e simbólicos.
Segundo Le Goff (2003, p. 526, 529), o termo latino documentum é derivado
de docere que quer dizer ensinar. Esse termo, com o tempo, “evoluiu para o significado de
‘prova’ e é amplamente usado no vocabulário legislativo”. O livro - não somente o livro raro
- deveria ser tratado como um bem cultural, como patrimônio cultural, por conta do seu
conteúdo, por ser um documento. “Mais do que um documento, o livro é um veículo de

32http://www.portico.org/digital-preservation/services/e-book-preservation-service;
http://www.lockss.org/community/publishers-titles-gln/; https://www.clockss.org/clockss/News .
33 http://www.lockss.org/community/networks/.

426

�disseminação de informação, um meio de comunicação social, estando presente no cotidiano
humano nas mais diversas situações” (CARTERI, 2004).
Para Otlet3435(apud ORTEGA &amp; LARA, 2010, supressões nossas) os livros - termo
genérico que engloba os manuscritos e impressos [...] (são) a memória materializada da
humanidade, armazenando os fatos, as ideias, as ações, sentimentos, sonhos, ou seja, aquilo
que tem impressionado a razão do homem [...].
Storey alerta ao descarte mundial de livros e outros documentos, em papel - bens
culturais descartados sem política - preteridos pelos eletrônicos. E prevê que em 2060, os
“bibliotecários acadêmicos terão criado uma nova profissão para si - ‘engenheiro de livro
raro’” (prospector); e terão que readquirir os milhões de títulos em papel, descartados para
preservá-los para a posteridade (2011, p. 74, tradução nossa).
A educação patrimonial pode ser um modo de promover a preservação do nosso
patrimônio cultural, que ainda reside, em sua maioria, nos livros em papel. A educação
patrimonial e a promoção do acesso a esses bens pode gerar uma sensação de pertencimento,
e responsabilidade, que poderá gerar, também, o sentimento de preservação.
Podem-se citar alguns motivos práticos para manutenção do livro em papel, tais como:
a)

são, em geral, mais baratos para aquisição em bibliotecas;

b)

são mais democráticos, podem ser emprestados com menos restrições;

c)

não precisam de dispositivos para leitura (hardwares, softwares);

d)

são mais fáceis de preservar, pois temos uma prática e uma teoria mais

desenvolvida e a maioria dos processos de preservação não possui impedimentos
legais;
e)

são fundamentais para redundância35 , e garantia da autoridade de cópias

eletrônicas.

Deve-se relembrar, também, dos problemas relativos aos livros eletrônicos, que
reforçam a manutenção dos livros em papel, como já citado acima (da aquisição, acesso,
preservação). Estas lembram que os livros eletrônicos ainda estão em fase embrionária, cerca
de 40 anos, para os mais de 500 anos do livro em papel (ALCOBA VILLADANGOS, 2012,
p. 11, 14). Apesar de serem perceptíveis as vantagens dos livros eletrônicos, vale ressaltar

34OTLET, P. El Tratado de Documentación: el libro sobre el libro: teoría y práctica. Murcia: Universidad de
Murcia, 1996.
35 Redundância pode ser definida pelo uso de cópias com o objetivo de aumentar a sua confiabilidade de um
sistema de informação, de um repositório digital, por exemplo.

427

�que ainda são uma tecnologia em desenvolvimento. Por isso, recomenda-se sua aquisição de
forma complementar, e não prioritária ou exclusiva, com base em políticas racionais.

4.1 Livros impressos para sempre...?! Como preservar? Onde preservar?
Algumas bibliotecas já começaram o trabalho de preservação livros impressos para
posteridade implantando como um dos itens de sua política de preservação os: Print
repositories ou off site repositories - espaços que tem como finalidade o armazenamento de
documentos em papel, fora dos campi, tendo como prioridade a preservação, mas com uma
política de acesso. Estes espaços têm a função de abrigar coleções de baixa demanda; e/ou
raras e especiais, não abrigando os usuários.

São montados por instituições, de forma

individual ou em grupo. Cita-se como exemplo as experiências da Biblioteca do Congresso
Americano36 e da Universidade de Harvard3738, nos Estados Unidos, e do Caval Archival and
Research Materials Centre (CARM ), um consórcio australiano de bibliotecas acadêmicas.
KAHLE diz que: "Devemos manter o passado, mesmo quando estamos inventando um
novo futuro [...] e justificar que se a Biblioteca de Alexandria tivesse feito uma cópia de cada
livro, e enviasse para Índia, ou China; teríamos hoje, as outras obras de Aristóteles, e as outras
peças de Eurípides” (STREITFELD, 2012. Tradução nossa).

3 MATERIAIS E MÉTODOS
Foi feita uma revisão de literatura, não exaustiva. Como método de abordagem usouse o dialético, buscando, assim, contextualizar o tema proposto no ambiente dessa nova
sociedade. Os dados obtidos foram analisados e cotejados com a realidade, resultando na
síntese aqui apresentada.

4 RESULTADOS PARCIAIS
Objetivou-se estimular uma reflexão sobre as vantagens e as desvantagens dos livros
eletrônicos no contexto atual, sem desencorajar a utilização deste tipo de recurso. Procurou-se
sinalizar a questão para o bibliotecário, dando a este uma conscientização sobre este desafio
de gestão e suporte argumentativo para decisões sobre a aquisição de livros eletrônicos.
Tentou-se moderar a motivação de compra baseada somente na ideia das “vantagens” de
acesso, buscando destacar as desvantagens ou dificuldades na preservação, na aquisição e

36http ://www.loc.gov/today/pr/2002/02-164a.html
37http ://hul.harvard. edu/hd/page s/facility.html
38http://www.caval.edu.au/carm.html

428

�mesmo no acesso, apontando a importância do livro em papel como maior, e até melhor,
suporte do patrimônio cultural humano. Lembrando que, em último caso, o livro em papel
deve ser mantido para garantir a redundância dos conteúdos dos e-books. Acredita-se que os
argumentos colocados ajudem aos bibliotecários a fazer uma reflexão, sem paixão, de modo
que nem tecnofilia, nem a tecnofobia sejam suporte para a aquisição de livros eletrônicos.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS
Conclui-se que, neste contexto, a aquisição de livros eletrônicos deve ser uma opção
complementar e não exclusiva ou prioritária devido às suas restrições editoriais. Assim, a
nova biblioteca deve começar a construir o futuro, se inserindo no presente sem esquecer o
seu passado. Para tal, os bibliotecários precisam, mais do que nunca, tomar decisões baseadas
em políticas. Os estudos bibliométricos também podem ser importantes. O desenvolvimento
de coleções, o acesso e a preservação precisam ser pensados de forma conjunta. Espera-se que
políticas de gestão e desenvolvimento de coleções - que se baseia no acesso e na preservação sejam desenvolvidas, para que possa ser criada uma nova biblioteca, para essa nova
sociedade. E como foi colocado nesta nova biblioteca o livro em papel ainda terá um espaço
garantido, por até este momento ser o melhor suporte para preservação da memória e da
história da humanidade, fazendo da nova biblioteca, por muito tempo, uma biblioteca híbrida.

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&lt;http://www.nytimes.com/2012/03/04/technology/internet-archives-repository-collectsthousands-of-books.html?pagewanted=all&amp;_r=0&gt;. Acesso em: 2 dez. 2013.
TIGRE, Paulo Bastos. Economia da Informação e do Conhecimento. Boletim de Conjuntura
Econômica

e Tecnologia,

ano

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Disponível

em:

&lt;http://www.economiaetecnologia.ufpr.br/revista/2%20Capa/Paulo%20Bastos%20Tigre.pdf&gt;
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TOFFLER, Alvin. A terceira onda. 18.ed. Rio de Janeiro: Record, c1980.
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Disponível

em:

&lt;http://www.tandfonline.com/doi/abs/10.1080/00987913.2013.10765501&gt;. Acesso em: 04
maio 2014.

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              <text>Sumariza economia da informação, na sociedade da informação, destacando o produto livro eletrônico, ou e-book. Analisa o e-book na gestão e desenvolvimento de coleções, acesso e preservação. Procura conscientizar bibliotecários para esse desafio de gestão. Salienta restrições de visualização, download, impressão e compartilhamento, apresentadas pelo mercado editorial. Afirma que essas restrições são problemas para gestão e desenvolvimento de coleções, acesso e preservação em bibliotecas universitárias. Objetiva reflexão sobre as vantagens e as desvantagens do livro eletrônico. Oferece suporte para tomada de decisão sobre gestão de livros eletrônicos. Conclui que aquisição de e-books deve ser baseada nas políticas de desenvolvimento de coleções, acesso e preservação.</text>
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