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                  <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

NORMALIZAÇÃO DE TRABALHOS ACADÊMICOS: UM ESTUDO JUNTO AOS
PROGRAMAS DE PÓS-GRADUAÇÃO STRICTO SENSU DA UFPE

Sandra Maria Neri Santiago
Andréa Carla Melo Marinho
Eliane Ferreira Ribas
Etiene Silva De Souza Lima
Gláucia Cândida Da Silva
Joana D’arc Leão Salvador
Joselly De Barros Gonçalves
Maria Janeide Pereira Da Silva
Maria Valéria Baltar De Abreu Vasconcelos
Paula Rejane Da Silva
Rosineide Mesquita Gonçalves Luz
Shirly Pimentel Vieira
Susimery Vila Nova
RESUMO
Trata-se de um estudo de caso, de cunho exploratório e descritivo que delineou como objetivo
geral analisar as práticas de normalização de trabalhos acadêmicos adotadas pelos Programas
de Pós-graduação Stricto Sensu da UFPE. O universo da pesquisa foi composto por 42
coordenadores dos Programas. A amostra, aleatória, corresponde a 61% desse universo. Os
instrumentos para as coletas de dados foram o questionário e os documentos formais dos
Programas contendo as recomendações para a elaboração e padronização dos trabalhos
acadêmicos. Para analisar os dados, utilizou-se uma abordagem quali-quantitativa,
priorizando alguns elementos da análise de conteúdo. Identificou-se que as atividades
relacionadas com a normalização de trabalhos acadêmicos nos Programas estão voltadas para
a disciplina de metodologia ou afim. A elaboração dos documentos formais dos Programas
datam os anos de 2003, 2004, 2006, 2010, 2011, 2012 e 2013 e são baseados nas normas da
ABNT. Os pesquisados reconhecem como sendo relevante a normalização dos trabalhos
acadêmicos, porém, esse segmento é pouco praticado. Ratifica a necessidade de implantar
uma política para a padronização da normalização de trabalhos acadêmicos na UFPE. Os
resultados demonstraram que as práticas relacionadas com a normalização de trabalhos
acadêmicos no âmbito dos Programas de Pós-graduação Stricto Sensu da UFPE carecem de
ajustes e melhorias, contribuindo assim para que a produção científica atinja a excelência em
sua forma de apresentação.
Palavras-Chave: Normalização. Trabalhos acadêmicos. Produção científica. Diretrizes.
Programas de Pós-graduação Stricto Sensu. Universidade Federal de Pernambuco.

382

�ABSTRACT
This is a case study, the exploratory and descriptive nature that outlined how to analyze the
general practice of standardization of academic papers adopted by the Post- graduate studies
of UFPe Programs. The research sample was composed of 42 coordinators of programs. A
random sample corresponds to 61 % of this universe. The instruments for data collection were
the questionnaire and formal documents of programs containing recommendations for the
development and standardization of academic papers. To analyze the data, we used a
qualitative and quantitative approach, emphasizing certain elements of content analysis. It
was identified that the activities related to standardization of academic papers in Programs are
geared to methodology or related discipline. The preparation of the formal documents of
programs dating the years 2003, 2004, 2006 , 2010, 2011, 2012 and 2013 and are based on
ABNT. Respondents recognize as relevant standardization of academic papers, however, this
segment is seldom practiced. Confirms the need to implement a policy to standardize the
standardization of academic work at university. The results showed that the practices related
to the standardization of academic papers under the Post- graduate studies of UFPe Programs
require adjustments and improvements, thus contributing to the scientific production reaches
excellence in their presentation.
Keywords: Standardization. Academic papers. Scientific production. Guidelines. Programs
Post-graduate studies. Federal University of Pernambuco.

1 INTRODUÇÃO
Na contemporaneidade o conhecimento é a palavra de ordem. Nas universidades, ele é
produzido continuamente, e, ao final desse processo, deve-se pôr em prática um dos requisitos
para o desenvolvimento científico: a disponibilização desse conhecimento para futuras
consultas,

concretizando,

assim,

o

processo

de

disseminação

do

conhecimento,

desenvolvimento e aperfeiçoamento da sociedade.
Os trabalhos acadêmicos são resultados tangíveis do processo de ensino e pesquisa das
Instituições de Ensino Superior (IES). De acordo com o Centro Universitário UNIFEO
(2014), o trabalho acadêmico “é o produto de uma construção intelectual do discente com
base na leitura, na reflexão e na interpretação sobre um tema da realidade”.
As IES estipulam padrões para o desenvolvimento e escrita dos trabalhos, entretanto,
como observa Silva, Duarte e Oliveira (2004, p. 12), “muitas vezes os padrões existem, mas
não são cumpridos. As pessoas reagem e não seguem os padrões”, o que não é diferente no
âmbito da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).
As deficiências relacionadas com a apresentação dos trabalhos acadêmicos na UFPE
são minimizadas através do serviço de normalização oferecido pelas Bibliotecas do Sistema
Integrado de Bibliotecas (SIB). Essas bibliotecas atuam com o objetivo de orientar o usuário
para o correto uso das normas da Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT)

383

�relacionadas com a elaboração de monografias, dissertações, teses e outros. No entanto, esse
serviço se resume às tentativas isoladas de padronização, uma vez que não existe um modelo
padrão a ser seguido e/ou a obrigatoriedade de uso dentro da Instituição.
Para a Associação Brasileira de Normas Técnicas (2014b), a normalização é uma
“atividade que estabelece, em relação a problemas existentes ou potenciais, prescrições
destinadas à utilização comum e repetitiva, com vistas à obtenção do grau ótimo de ordem,
em um dado contexto”. Destarte, a universidade deve estar consciente da importância da
produção acadêmica para atingir índices de qualidade, competência e credibilidade; donde a
qualidade dependerá tanto do trabalho intelectual dos cientistas como da padronização, e a
normalização facilita a transferência da informação e a recuperação das obras devidamente
referenciadas.
Ainda nesse contexto, é oportuno ressaltar que a biblioteca é o principal organizador e
difusor do conhecimento gerado na instituição, que deve também primar pela qualidade e
necessita que os autores produzam de forma a facilitar essa organização e difusão.
Diante da observância das disparidades de normalização entre os trabalhos produzidos
na UFPE, o Grupo de Trabalho (GT) em Normalização27 constatou a necessidade de elaborar
uma pesquisa que delineou como objetivo geral analisar as práticas de normalização de
trabalhos acadêmicos adotadas pelos Programas de Pós-graduação Stricto Sensu da UFPE. Os
objetivos específicos foram: a) identificar as práticas de normalização de trabalhos
acadêmicos dos Programas de Pós-graduação; b) verificar o tipo de norma utilizada pelos
Programas; c) analisar a atualidade das informações dos possíveis documentos de orientação à
normalização; d) conhecer a opinião dos coordenadores dos Programas sobre a relevância da
normalização de trabalhos acadêmicos; e) propor diretrizes para a padronização da
apresentação de trabalhos acadêmicos produzidos na UFPE.
A presente pesquisa revelou-se fundamental, visto que através dos resultados do
mesmo, o GT Normalização apresentará ações e diretrizes para a padronização da
normalização de trabalhos acadêmicos na UFPE.

2 NORMALIZAÇÃO DE TRABALHOS ACADÊMICOS
Na perspectiva de Martins e Pinto (2001, p. 49), “O trabalho acadêmico representa o
resultado de um esforço intelectual voltado tanto o aprendizado de determinado conteúdo,
quanto ao desenvolvimento das capacidades de análise e síntese do aluno”.
27 O GT Normalização é formado por bibliotecários que realizam o serviço de normalização nas Bibliotecas que
integram o SIB/UFPE.

384

�Os trabalhos acadêmicos possuem diferentes terminologias, a saber: trabalho de
conclusão de cursos de graduação, trabalho de graduação interdisciplinar, trabalho de
conclusão de curso de especialização e/ou aperfeiçoamento, monografia, dissertação e tese,
sendo essas duas últimas, o foco da pesquisa em evidência.
A Universidade Federal de Pernambuco (1998, p. 15, 2008, p. 13, 2012, p. 9, 2013, p.
11, grifo nosso) afirma que: “A Dissertação e a Tese deverão constituir-se em trabalho final
de pesquisa, de caráter individual e inédito”. Nesse sentido, Freitas (2012, p. 1, grifo nosso)
menciona que “a identidade do autor é única e marca suas impressões pessoais ao redigir; já
que relembra sobre o vivido, ancora e representa a sua trajetória como sujeito”.
Segundo Tomasi e Medeiros (2008), um trabalho científico exige uma preocupação
com os aspectos metodológicos e técnicos e necessita de uma observação rigorosa das normas
da ABNT. Caso contrário, o texto pode acarretar estranheza à banca examinadora e à
comunidade científica, o que pode resultar em não aprovação do trabalho.
De acordo com Marconi e Lakatos (2013) e a NBR n° 14.724 da ABNT (2011), a
elaboração da dissertação e tese deve obedecer à estrutura comum dos trabalhos científicos,
ou seja, elementos pré-textuais, textuais e pós-textuais. Assim sendo, Melo et al. (2012, p. 2,
grifo nosso) mencionam que:
A elaboração de trabalhos acadêmicos deve seguir normas apropriadas
para sua apresentação, de modo que se padronizem os elementos prétextuais, textuais e pós-textuais, conforme normas técnicas que
estabelecem prescrições para a elaboração dos vários tipos de trabalhos
acadêmicos e bibliográficos, tais como: monografias, trabalhos de conclusão
de curso (TCCs), dissertações, teses, artigos e livros.
A função da normalização é estabelecer regras, assim, a estrutura do trabalho
acadêmico deve ser sistematizada, organizada e padronizada para facilitar a indexação busca e
a recuperação dos mesmos nas diversas fontes de pesquisa como: base de dados, portal de
periódicos Capes, Biblioteca Digital de Teses e Dissertações (BDTD), repositórios
institucionais, entre outros. É oportuno ressaltar que os recursos informacionais, cujas
características estão voltadas para o acesso em tempo real, como os descritos anteriormente,
proporcionam maior visibilidade da produção acadêmica; consequentemente, os trabalhos
estarão em destaque no cenário nacional e internacional, mas, por outro lado, tornam-se
passíveis de julgamento e críticas quanto à sua apresentação, o que demanda maior atenção
não só quanto ao conteúdo como na forma de apresentação. Desse modo, entende-se que a

385

�normalização padroniza os trabalhos acadêmicos, equilibra e uniformiza e, sobretudo, agrega
qualidade e valor à produção científica.
Na visão de Rodrigues, Lima e Garcia (1998), todo processo de criação na
universidade requer uma padronização. Para as autoras, o uso das normas é importante para
que os cientistas possam comunicar adequada e amplamente o produto de seu trabalho,
possibilitando assim a comunicação, a circulação e o intercâmbio de ideias. Nesse contexto,
Mendonça, Andrade e Sampaio (2008) afirmam que no ambiente acadêmico deve-se adotar as
normas da ABNT para dar credibilidade aos trabalhos acadêmicos.
Vale ainda ressaltar que, de acordo com Rocha (2006), a normalização de trabalhos
acadêmicos é um item recomendado pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC) na
questão da avaliação de IES que atravessam por processos de autorização, reconhecimento de
cursos, credenciamento, recredenciamento e avaliação das condições de ensino.
Para Gomes (1999), a padronização ameniza e/ou remove as barreiras de
comunicação, pois requer que se estabeleçam normas para facilitar a disseminação, o acesso a
textos científicos, tornando possível a materialização do conhecimento que pode ultrapassar
barreiras físicas e temporais entre sujeitos de contextos sociais, geográficos e históricos
diferentes.
Curty e Bocatto (2005, p. 95, grifo nosso) destacam que:
A normalização de documentos visa à padronização e simplificação no
processo de elaboração de qualquer trabalho científico. Facilita também o
processo de comunicação e intercâmbio dentro da comunidade científica,
possibilitando o processo de transferência de informação. Sendo assim, a
normalização não tem o propósito de cercear a criatividade e a
liberdade dos autores, mas, sim, o de facilitar aos diferentes leitores das
diversas culturas o acesso às suas ideias e concepções científicas.
Corroborando com as autoras anteriormente citadas, Santiago (2014) aponta que a
normalização de documentos técnicos científicos é uma atividade que reúne condições e
características apropriadas para que a comunicação no meio acadêmico ocorra de maneira
eficiente.
Conforme Lubisco e Vieira (2013), na área acadêmica, um trabalho apresentado com
boa qualidade na normalização proporciona condições favoráveis à sua indexação e
recuperação, bem como facilita a comunicação científica, evitando conflitos de interpretação
no meio. Além disso, representa para o pesquisador a certeza de que seu(s) trabalho(s)

386

�apresenta(m) condições de se fazerem presentes em fontes científicas de informação
conceituadas e pelo que isso poderá significar para a valorização do seu currículo.
Segundo o Centro Universitário UNIFEO (2014), a ausência da normalização, no
campo da documentação científica, tem como consequência a inércia, por oposição ao
desenvolvimento científico, pois sem normas não há tramitação, disseminação ou recuperação
possível de novos conhecimentos pesquisados e produzidos pela comunidade acadêmica.
Entende-se, então, que a padronização da normalização de trabalhos acadêmicos prima
pela qualidade e cabe à universidade empreender esforços para que esse objetivo seja
alcançado. Agindo dessa forma, a instituição efetiva os três pilares que constituem a razão de
sua existência: ensino, pesquisa e extensão.
Existem vários organismos, nacionais e internacionais, que atuam na área de
documentação científica. No Brasil, destaca-se a ABNT, entidade privada, sem fins
lucrativos, que estabelece normas para a produção nos setores científico, técnico, comercial,
agrícola, e industrial do país.
A ABNT foi fundada em 1940 e é responsável pela elaboração da normalização de
produtos, entre os quais, os documentos técnico-científicos. A Associação é representante
oficial no Brasil das entidades internacionais de normalização: International Organization for
Standardization (ISO), International Elecrotechnical Commission (IEC) e das entidades de
normalização regionais: Comissão Panamericana de Normas Técnicas (COPANT) e a
Associação Mercosul de Normalização (AMN). Do mesmo modo, representa o Brasil nas
entidades internacionais de normalização técnica (ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DE
NORMAS TÉCNICAS, 20014a).

3 MATERIAIS E MÉTODOS
A pesquisa apresenta-se como estudo de caso, de caráter exploratório e descritivo,
realizada com os Programas de Pós-graduação Stricto Sensu da UFPE.
Atualmente, a UFPE possui 74 PPG que abrangem 74 cursos de mestrado e 47 cursos
de doutorado28 distribuídos conforme o Quadro 1.

28 Dados coletados no site da Pró-Reitoria para Assuntos de Pesquisa e Pós-graduação (Propesq) no ano de 2013.

387

�Quadro 1 - Programas de Pós-Graduação segundo os Centros Acadêmicos da UFPE
QUANTIDADE
CENTRO
ACADÊMICO
Economia, Educação, Engenharia Civil e Ambiental Centro Acadêmico do 4
e Engenharia de Produção
Agreste (CAA)
Direitos Humanos, Artes visuais, Ciência da
Informação,
Comunicação,
Desenvolvimento Centro de Artes e 8
Comunicação (CAC)
Urbano, Design, Ergonomia, Letras
Biologia Animal, Biologia Aplicada à Saúde,
Biologia de Fungos, Biologia Vegetal, Bioquímica Centro de Ciências 8
e Fisiologia, Ciências Biológicas, Genética e Biológicas (CCB)
Inovação Terapêutica
Ciência de Materiais, Estatística, Física, Centro
Ciências
Matemática, Matemática Computacional e Química Exatas e da Natureza 6
(CCEN)
Direito
Centro de Ciências 1
Jurídicas (CCJ)
Fisioterapia, Ciências da Saúde, Ciências
Farmacêuticas,
Cirurgia,
Enfermagem,
Gerontologia, Integrado em Saúde Coletiva, Centro de Ciências da 14
Medicina Tropical, Neuropsiquiatria e Ciência do Saúde (CCS)
Comportamento, Nutrição, Odontologia, Patologia,
Saúde da Comunicação Humana, Saúde da Criança
e do Adolescente
Gestão e Economia da Saúde, Gestão Pública para o
Desenvolvimento do Nordeste (UFPE/SUDENE), Ciências
Sociais
7
Administração, Ciências Contábeis, Economia, Aplicada (CCSA)
Serviço Social, Políticas Públicas
Saúde Humana e Meio Ambiente
Centro Acadêmico de 1
Vitória (CAV)
Educação, Educação Matemática e Tecnológica
Centro de Educação 2
(CE)
Antropologia, Arqueologia, Ciência Política, Centro de Filosofia e
Desenvolvimento e Meio Ambiente, Filosofia, Ciências Humanas 10
Geografia, História, Psicologia, Psicologia (CFCH)
Cognitiva, Sociologia
Ciência da Computação
Centro
de 1
Informática (CIN)
Biotecnologia Industrial, Tecnologias Energéticas e
Nucleares, Ciências Geodésicas e Tecnologias da Centro de Tecnologia
12
Geoinformação, Engenharia Biomédica, Engenharia e Geociência (CTG)
Civil, Engenharia de Produção, Engenharia Elétrica
Engenharia Mecânica, Engenharia Mineral
Engenharia Química, Geociências, Oceanografia
TOTAL
74
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO

Fonte: as autoras, 2013

Neste estudo, a população foi formada por 69 coordenadores dos Programas de Pósgraduação da UFPE. A escolha por esse universo se justifica por entender que dentre outras

388

�atribuições, é responsabilidade dos coordenadores estabelecer, cumprir e executar as normas e
procedimentos do regulamento dos Programas.
A amostra se caracterizou como aleatória e foi constituída pelo número de
questionários devolvidos/respondidos, ou seja, 61% do universo da pesquisa, o que
corresponde a 42 coordenadores dos Programas de Pós-graduação.
O instrumento de coleta de dados escolhido foi o questionário, contendo perguntas
abertas e fechadas. Segundo Barros e Lehfeld (2010, p. 109), “o questionário permite ao
pesquisador abranger um maior número de pessoas e de informações em espaço de tempo
mais curto do que outras técnicas de pesquisa” e de perceber que “o pesquisador tem tempo
suficiente para refletir sobre as questões e respondê-las mais adequadamente”. Por isso,
considerou-se a melhor técnica a ser aplicada para a realização desta pesquisa, que objetiva
levantar um maior número de informações possíveis. Dessa forma, as questões foram
elaboradas visando a atender os objetivos específicos propostos.
Associado ao questionário aplicado utilizou-se também como instrumento de coleta de
dados os documentos formais contendo as recomendações de elaboração de trabalhos
acadêmicos disponibilizados pelos Programas de Pós-graduação. Essa ação foi necessária
para que se pudesse averiguar a fidedignidade das informações mencionadas.
Anteriormente ao início da pesquisa, adotou-se como procedimento o contato prévio
através de e-mail com os pesquisados, visando sensibilizá-los da importância da participação
dos mesmos para que o estudo obtivesse êxito.
Para a coleta de dados, os questionários foram enviados por correio eletrônico (e-mail)
a todos os coordenadores dos Programas de Pós-graduação Stricto Sensu da UFPE.
Com relação aos documentos referentes às recomendações aos discentes, esses foram
enviados como anexos ou links para o e-mail específico da pesquisa, conforme solicitação
contida no questionário.
O questionário elaborado através do aplicativo Google Docs, foi estruturado com 19
perguntas, sendo 16 fechadas e 3 abertas e foi enviado em caráter de pré-teste no período de
02 a 06/09/13, para 5 coordenadores, escolhidos aleatoriamente. Porém, não foi necessário
fazer alterações para sua versão final. Vale salientar, ainda, que os coordenadores que
participaram do pré-teste foram excluídos da amostra considerada nesta pesquisa.
Para a coleta dos dados foi estabelecido o período de 16/09 a 16/10/13 cuja aplicação
dos questionários foi realizada pela coordenação do GT Normalização através do e-mail da
pesquisa.

389

�Apesar da facilidade na forma de aplicação do questionário, ou seja, envio simultâneo
por email, foi necessário o reenvio do link tendo em vista que alguns dos pesquisados
mencionaram dificuldades no acesso e visualização do instrumento.
O procedimento de abordagem para a coleta de dados também foi realizado através de
email, juntamente com o envio do questionário online. Ressalta-se que, durante o período de
coleta, foi oferecido aos coordenadores suporte e esclarecimentos de quaisquer dúvidas acerca
da pesquisa.
Após coletar os dados, iniciou-se a pré-análise, codificando os questionários
respondidos pelos coordenadores dos Programas de Pós-graduação. Esses questionários
receberam o código (C) acrescido de uma numeração sequencial que abrangeu de 1 a 42. Essa
codificação foi realizada com o objetivo de observar a existência de algumas diferenças de
comportamento entre os coordenadores dos Programas de Pós-graduação.
Depois de codificados os questionários, os dados foram tabulados através do aplicativo
Google Docs, que disponibiliza os gráficos das respostas já preparados. Porém, em virtude
desse aplicativo não realizar cruzamentos de dados, foi necessária uma nova tabulação com
representação dos dados através da planilha do Excel.
Para obtenção dos resultados, os dados foram analisados por meio dos métodos qualiquantitativos. O primeiro, na visão de Barros e Duarte (2006), tem caráter exploratório, uma
vez que o método qualitativo estimula o entrevistado a pensar e se expressar livremente sobre
o assunto em questão e o segundo, diz respeito a tudo aquilo que pode ser quantificável, ou
seja, traduz em números através de tabelas e gráficos, opiniões e informações para então obter
a análise dos dados e, posteriormente, chegar a uma conclusão.
Utilizou-se, também, para o processo de análise dos dados alguns elementos da análise
de conteúdo, que se constitui em uma técnica de tratamento de informações, e que, segundo
Bardin (2011, p. 16), “é uma técnica de investigação que tem por finalidade a descrição
objectiva, sistemática e quantitativa do conteúdo manifesto da comunicação”.
Ainda na metodologia para a análise dos dados, adotou-se o procedimento de verificar
os documentos formais relativos às recomendações para a elaboração e padronização dos
trabalhos acadêmicos disponibilizados pelos Programas de Pós de acordo com o critério das
datas de publicação das normas vigentes, seja da ABNT, Vancouver, APA, ISO e diretrizes de
periódicos.
Após a validação dos documentos, foi realizada uma apreciação seguida de
comentários quanto à adequação entre os resultados das ações e as propostas das

390

�recomendações. Esse processo foi prejudicado, uma vez que apenas 8 dos 17 pesquisados que
informaram possuir documento formal, disponibilizaram nos respectivos links de acesso.
Destaca-se que, além da análise dos dados, levou-se em consideração as observações
realizadas pelos membros do GT Normalização do SIB/UFPE no processo de interação junto
aos Programas de Pós-graduação.

4 RESULTADOS FINAIS
O processo de análise dos resultados da pesquisa se refere aos dados obtidos através do
questionário aplicado aos coordenadores dos Programas de Pós-graduação Stricto Sensu da
UFPE.
Visando alcançar os objetivos estabelecidos para a pesquisa, inicialmente foi
questionado se a Pós-graduação oferecia algum tipo de atividade relacionada com a
normalização dos trabalhos acadêmicos. Os dados são evidenciados no Gráfico 1.

Grafico 1 - Oferta de atividade relacionada com a normalizaçao de
trabalhos académicos

36%
Sim
Nao

Fonte: dados da pesquisa, 2014

Os dados do Gráfico 1 refletem as práticas de atividades relacionadas com a
normalização dos trabalhos acadêmicos e, através desses, verifica-se que aquelas são
realizadas por 64% dos Programas, seguido de 36% para a negação. Pode-se inferir que os
Programas de Pós-graduação têm a preocupação em desenvolver atividades que proporcionem
aos seus discentes adquirir novos hábitos para facilitar o devido uso das normas que tratam da
apresentação dos trabalhos por eles exigidos.

391

�Ainda concernente à questão da oferta de algum tipo de atividade relacionada com a
normalização dos trabalhos acadêmicos, solicitou-se aos pesquisados que especificassem caso
a resposta fosse positiva. Os dados são mostrados no Gráfico 2.

Grafico 2 - Tipo de atividade

D isciplin a de
m etodologia ou afim
Pa estras
Cursos
O ficinas

Fonte: dados da pesquisa, 2014
Nota: os pesquisados responderam a mais de uma opção

Através dos dados do Gráfico 2, pode-se observar que a maioria dos pesquisados
realizam como atividade relacionada à normalização dos trabalhos acadêmicos a disciplina de
metodologia ou afim (69%), seguida de palestras (17%). Nesse contexto, Maia (2008, p. 2,
grifo nosso) afirma que:
a preparação, a redação e a apresentação de trabalhos científicos envolvem
um grande número de questões de natureza técnica e estética, dentre as
quais, pode-se destacar a disciplina, a criatividade na seleção da bibliografia,
a leitura de forma organizada, a ousadia e o rigor na abordagem do assunto,
além da obediência a certas normas de redação e apresentação do texto final.
A Metodologia Científica irá abordar as principais regras da produção
científica para alunos dos cursos de graduação [e pós- graduação],
fornecendo uma melhor compreensão sobre a sua natureza e objetivos,
podendo auxiliar para melhorar a produtividade dos alunos e a
qualidade das suas produções.
Entende-se, então, que a disciplina de metodologia ou afim deve abordar, além dos
instrumentos necessários para a realização da pesquisa científica, as formas de apresentação
que favoreçam a redação e comunicação mais eficiente dos trabalhos acadêmicos elaborados
segundo as normas técnicas.

392

�Outro item importante questionado foi se o Programa de Pós-graduação possuía
documento formal contendo as recomendações para a elaboração e padronização dos
trabalhos acadêmicos. Esses dados são apresentados no Gráfico 3.

Grafico 3 - Documento formal contendo recomendações

Sim
Nao

Fonte: dados da pesquisa, 2014

Constata-se, através dos dados do Gráfico 3, que 57% dos respondentes possuem
documento formal, enquanto que 43% não possuem. Porém, ao solicitar ao pesquisado que
caso a resposta fosse positiva, e para que a mesma não fosse invalidada, disponibilizasse o
documento, apenas 8 dos 17 respondentes que afirmaram possuir tais documentos assim o
fizeram e, sobretudo, foram caracterizados em sua maioria como um instrumento orientador
para a normalização dos trabalhos acadêmicos carecendo de sistematização e atualização.
Embora o percentual de maior significância esteja voltado para a existência de
documento formal, é notável e preocupante o fato de alguns Programas não adotarem um
padrão pré-estabelecido, comprometendo, assim, a qualidade da apresentação dos trabalhos
acadêmicos. Nesse contexto, Marçal Júnior (2013, p. 19-20) afirma: “para que o produto de
uma pesquisa científica possa ser publicado não basta que ele apresente um conteúdo de
qualidade, também é exigida qualidade de forma”.
Ainda com relação à questão de documento formal contendo as recomendações para a
elaboração e padronização dos trabalhos acadêmicos, solicitou-se aos pesquisados especificar
o ano que foi elaborado. Os dados são apresentados no Gráfico 4.

393

�Grafico 4 - Ano de elaboraçao do documento

2012
2013
2010
2006
2004
2011
2003
de elaboração

Em

Nao respondeu

Fonte: dados da pesquisa, 2014

Observa-se, através dos dados do Gráfico 4, que as datas correspondentes à elaboração
dos documentos perpassam os anos de 2003, 2004, 2006, 2010, 2011, 2012, 2013. Embora
haja documentos do ano 2013, identificou-se a desatualização de normas recomendadas.
Questionou-se, também, aos pesquisados qual o tipo de norma em que o documento
formal é baseado, visando identificar a norma que o Programa utiliza. Esses dados estão
dispostos no Gráfico 5.

Grafico 5 - Tipo de norma
0% - _ 0 %

ABNT
Diretrizes de
periódicos científicos
Vancouver
APA
SO

AFNOR
Fonte: dados da pesquisa, 2014
Nota: os pesquisados responderam a mais de uma opção

Através dos dados do Gráfico 5, observa-se que a norma indicada pelos Programas é a
ABNT (71%), seguido de diretrizes de periódicos científicos (17%).

394

�Apesar dos pesquisados mencionarem que os documentos formais são elaborados com
base nas normas da ABNT, é observado pelos pesquisadores que as orientações abordadas nos
referidos documentos não são cumpridas a rigor.
Esses dados ainda conduzem ao seguinte questionamento: se dissertação e tese são
definidas com características específicas, ou seja, de caráter individual e inédito, o que
justifica haver casos de Programas de Pós-graduação que orientam os discentes a elaborarem
os trabalhos acadêmicos cujo conteúdo compreendem artigos em processo de submissão ou já
publicados em periódicos e, sobretudo, com regime de co-autoria? É oportuno mencionar que
essa forma de apresentação de trabalhos acadêmicos impacta em diversos serviços das
Bibliotecas integrantes do SIB/UFPE, ou seja, catalogação na fonte, processamento técnico,
normalização e depósito legal na BDTD, além de que dificulta o processo de recuperação da
informação, principalmente nas fontes informacionais de acesso em tempo real como: base de
dados, portal de periódicos Capes, BDTD, repositórios institucionais, entre outros.
Outro fator importante é que os dados do Gráfico 5 revelam não existir uma política de
informação voltada para a normalização dos trabalhos acadêmicos no âmbito da UFPE.
Diante desse contexto, González de Gómez (2002) menciona que uma política de informação
pode ser entendida como o conjunto de ações e decisões orientadas a preservar e a reproduzir
ou a mudar e substituir um regime de informação, podendo ser tanto políticas tácitas ou
explícitas, micro ou macro. Para Dias, Silva e Cervantes (2013, p. 46), é finalidade das
políticas de informação “coordenar ações que visam integrar as bibliotecas à realidade
educacional e administrativa da universidade, implementando políticas de planejamento,
fomento à pesquisa, gerenciamento das tecnologias e desenvolvimento de coleções e serviços
de informação”.
E por fim, a última pergunta do questionário da pesquisa em análise, em que solicitouse aos pesquisados que registrassem a opinião sobre a relevância da normalização de trabalhos
acadêmicos. Ressalta-se que 59% dos pesquisados assim o fizeram.
De um modo geral, os pesquisados reconhecem como sendo relevante a normalização
dos trabalhos acadêmicos. Os depoimentos dos pesquisados evidenciam a constatação:

“Consideramos de fundamental importância pelo que representa em termos de uniformização
da forma de apresentação dos trabalhos, permitindo uma racionalização de processos
avaliativos ou de qualificação. Entretanto, acreditamos que devem ser respeitadas as
peculiaridades de cada área do saber ” (C5)

395

�“É extremamente grande, porque a normalização faz parte da estrutura do trabalho
científico, e possibilita: 1- reconstituir o acesso aos trabalhos originais consultados por parte
do leitor; 2- mostrar o estado da arte na área de conhecimento da pesquisa; 3- conceder e
respeitar, dentro de um padrão uniforme, os créditos aos artigos, livros, teses, dissertações,
etc., consultados, revelando que o pesquisador tem ética; 4- revelar as características
específicas das consultas, contribuindo para o leitor entender parte do processo da pesquisa;
entre outros ’ (C12)
”

“Apesar da inexistência de um documento formal, é exigência do programa a adoção das
recomendações previstas nas normas elaboradas pelo Comitê Técnico CB-14 (Comitê
Brasileiro de Informação e Documentação). O atendimento às normas da ABNT para à
produção de qualquer trabalho acadêmico no âmbito do [...] é condição sine qua non.
Portanto, a questão da normalização é de importância capital para o Programa. Nenhum
trabalho científico pode ser elaborado sem o atendimento estrito ao conjunto de normas da
ABNT concernentes à elaboração do mesmo ” (C15)

“Fundamental para a orientação e o estabelecimento de critérios mínimos que orientem a
organização dos trabalhos científicos. Isso proporciona até mesmo uma melhoria na
identificação desses trabalhos nos diversos sites de busca ou mesmo, diretamente, nas
bibliotecas. Uma sugestão importante: seria muito bom que a Biblioteca dos Centros
realizassem a cada início de ano letivo um encontro de orientação para pesquisa em seus
próprios acervos, bem como uma orientação para uso das normas científicas, visto que o
tempo nas aulas de Metodologia não permite que isso seja aprofundado’ (C16)

“Em minha opinião é de fundamental importância que a nossa universidade tenha um padrão
definido para os nossos documentos escritos (dissertações e teses de doutorado). Assim
criaremos uma identidade para a instituição” (C19)

“Acho que a normalização das dissertações e teses é um item obrigatório, e a UFPE deveria
ter um formato/padrão único” (C22)

Apesar dos pesquisados terem conhecimento da relevância da normalização de
trabalhos acadêmicos, nos Programas de Pós-graduação Stricto Sensu da UFPE esse segmento
é pouco praticado, evidenciando, assim, a ruptura de discurso entre os pesquisados. Destarte,

396

�recomenda-se aos Programas estabelecerem ações conjuntas com as Bibliotecas integrantes
do SIB para que as práticas de normalização adotadas tenham efetividade e, sobretudo,
agreguem valor à produção científica da UFPE.
A partir dos resultados obtidos na pesquisa, apresentam-se alguns pontos que se
configuram como diretrizes para nortear o estabelecimento de uma política de normalização
de trabalhos acadêmicos no âmbito da UFPE:
a) realizar junto à comunidade acadêmica um seminário sobre a relevância da normalização
dos trabalhos acadêmicos para a padronização da produção intelectual da UFPE;
b) efetivar o serviço de normalização nas Bibliotecas do SIB/UFPE, que deverá funcionar
conforme regulamento e manual padronizado;
c) divulgar o serviço de normalização oferecido pelas Bibliotecas do SIB junto à comunidade
acadêmica por meio da Assessoria de Comunicação Social fASCOM), portal do estudante,
URL do SIB, Cursos de Pós-graduação, facebook do SIB e do blog a ser criado sobre
normalização;
d) estabelecer parcerias do SIB com os Programas de Pós-graduação e Pró-Reitoria para
Assuntos de Pesquisa e Pós-Graduação (PROPESQ) para capacitar os discentes quanto ao uso
de normas da ABNT através da interação bibliotecário/docente, projeto de extensão e/ou
oficinas de normalização;
e) elaborar manual online e templates com base nas normas da ABNT que sirvam de
instrumento padrão para a estruturação e formatação de trabalhos acadêmicos;
f) consultar a Resolução n° 003/2007 (criação da BDTD), Resolução n° 003/1998
(regulamentação do sistema de pós-graduação stricto sensu na universidade) e Resolução n°
10/2008 (estabelecimento de normas para a criação, coordenação, organização e
funcionamento de cursos de pós-graduação stricto sensu na UFPE) para verificar a
compatibilidade das informações nos itens que tratam da forma de apresentação dos trabalhos
acadêmicos;
g) criar um regulamento junto à direção da BC com a participação dos setores BDTD e
processos técnicos, assim como das bibliotecas setoriais para estabelecer as regras e
procedimentos referentes à normalização dos trabalhos acadêmicos e;
h) submeter às instâncias competentes da UFPE o regulamento do SIB que estabelecerá as
regras e procedimentos referentes à normalização dos trabalhos acadêmicos para validação do
serviço junto às bancas examinadoras.
As diretrizes estabelecidas nessa pesquisa para uma política de normalização de
trabalhos acadêmicos no âmbito da UFPE são provenientes de observações e constatações

397

�realizadas pelos membros do GT em Normalização no decorrer da pesquisa, as quais
representam os desejos dos indivíduos envolvidos nesse trabalho e, sobretudo, o passo inicial
para a sistematização da política.

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Em virtude do que foi mencionado e da análise das práticas de normalização de
trabalhos acadêmicos adotadas pelos Programas de Pós-graduação Stricto Sensu da UFPE,
através desta pesquisa, observam-se alguns pontos que necessitam destaque.
No que diz respeito às práticas de normalização, pode-se afirmar que os Programas de
Pós-graduação da UFPE realizam atividades voltadas para esse segmento e está direcionada
para a disciplina de metodologia ou afim. Embora através dos dados seja possível perceber
um esforço significativo por parte dos Programas para incentivar o uso das normas técnicas,
observa-se não existir a preocupação devida em seguir as recomendações para a apresentação
de trabalhos acadêmicos, o que caracteriza incoerência entre o discurso e a prática dos
pesquisados. Convém mencionar que, além de ofertar a disciplina de metodologia, os
Programas devem empreender esforços para divulgar entre os seus discentes as normas
institucionais que tratam dos procedimentos para a normalização dos trabalhos, assim como
das ações das Bibliotecas do SIB direcionadas para essa área.
Em se tratando dos tipos de normas que os Programas utilizam, os dados revelam que
o direcionamento é baseado nas normas da ABNT. Apesar destas normas obterem destaque
nesse item, é observado que a obrigatoriedade para o cumprimento do uso das mesmas não é
realizada de forma devida, tendo em vista a representação de outras normas como por
exemplo, diretrizes de periódicos científicos e Vancouver. Esses dados suscitam a busca de
alternativas pelos Programas junto às bibliotecas para estabelecerem um padrão de
normalização dos trabalhos acadêmicos no âmbito da UFPE.
Quanto aos documentos formais dos Programas, contendo orientações aos discentes,
os dados revelam que esses não são atualizados nem possui sistemática e, sobretudo, não
contam com a participação das Bibliotecas do SIB para a elaboração dos mesmos. Essa
constatação expõe a fragilidade da interação entre bibliotecas e programas, realidade que
carece ser modificada, uma vez que cabe aos bibliotecários planejar, desenvolver e
administrar serviços e produtos de informação para suprir as necessidades de usuários.
Ressalta-se, ainda, que é indispensável para os Programas e as Bibliotecas
empreenderem esforços para estabelecerem uma parceria visando à adequação dos trabalhos
acadêmicos às normas; consequentemente, o trabalho se torna visualmente padronizado em

398

�que essa padronização eleva o grau de recuperação dos mesmos nas Redes de Informação,
assim como se eleva também o índice de citações, que para um pesquisador é o
reconhecimento de sua pesquisa no âmbito científico.
Em linhas gerais, os coordenadores dos Programas reconhecem a relevância da
normalização de trabalhos acadêmicos. Porém, os recursos utilizados para esse fim não
contemplam devidamente os requisitos necessários para a qualidade da apresentação dos
trabalhos. Sendo assim, os Programas devem adotar novas posturas para dinamizar as
atividades de normalização.
Este estudo confirma a necessidade de se implantar uma política para a padronização
da normalização de trabalhos acadêmicos produzidos na UFPE. Destarte, foram formuladas
algumas diretrizes para a política, tendo como base os comentários dos pesquisados assim
como as observações dos pesquisadores a fim de minimizar as dúvidas na elaboração dos
trabalhos e contribuir para um trabalho de qualidade no conteúdo e na forma.
Entende-se que, através da adoção das sugestões e diretrizes apresentadas, pode-se
esperar uma melhoria dos Programas quanto à padronização da normalização dos trabalhos
acadêmicos produzidos.
Outra característica importante advinda da concretude das ações apresentadas é a
conscientização por parte da comunidade acadêmica da relevância da normalização de seus
trabalhos e da adoção de uma metodologia aplicada à pesquisa bibliográfica e científica,
cumprimento de prazos, assim como das normas e regimentos que deverão estar em
consonância com as resoluções institucionais. Tais ações são necessárias e importantes para
que haja uma padronização, facilitando a comunicação científica e agregando valor à
produção e disseminação do conhecimento gerado pela universidade.
Esta pesquisa, que se refere às práticas de normalização de trabalhos acadêmicos
adotadas pelos Programas de Pós-graduação Stricto Sensu da UFPE, possui caráter avaliativo
e preliminar, viabilizando, portanto, a abertura de espaço para estudos mais aprofundados.

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              <text>Trata-se de um estudo de caso, de cunho exploratório e descritivo que delineou como objetivo geral analisar as práticas de normalização de trabalhos acadêmicos adotadas pelos Programas de Pós-graduação Stricto Sensu da UFPE. O universo da pesquisa foi composto por 42 coordenadores dos Programas. A amostra, aleatória, corresponde a 61% desse universo. Os instrumentos para as coletas de dados foram o questionário e os documentos formais dos Programas contendo as recomendações para a elaboração e padronização dos trabalhos acadêmicos. Para analisar os dados, utilizou-se uma abordagem quali-quantitativa, priorizando alguns elementos da análise de conteúdo. Identificou-se que as atividades relacionadas com a normalização de trabalhos acadêmicos nos Programas estão voltadas para a disciplina de metodologia ou afim. A elaboração dos documentos formais dos Programas datam os anos de 2003, 2004, 2006, 2010, 2011, 2012 e 2013 e são baseados nas normas da ABNT. Os pesquisados reconhecem como sendo relevante a normalização dos trabalhos acadêmicos, porém, esse segmento é pouco praticado. Ratifica a necessidade de implantar uma política para a padronização da normalização de trabalhos acadêmicos na UFPE. Os resultados demonstraram que as práticas relacionadas com a normalização de trabalhos acadêmicos no âmbito dos Programas de Pós-graduação Stricto Sensu da UFPE carecem de ajustes e melhorias, contribuindo assim para que a produção científica atinja a excelência em sua forma de apresentação.</text>
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