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                  <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

MEMÓRIA TÉCNICO-CIENTÍFICA DAS INSTITUIÇÕES PÚBLICAS DO PODER
EXECUTIVO DE MINAS GERAIS: NOTAS DE PESQUISA
Roger De Miranda Guedes

RESUMO
Apresenta os primeiros avanços de um projeto de pesquisa em execução pela Fundação João
Pinheiro (FJP) no qual se tem desenvolvido as ações de mapeamento e recuperação do acervo
identificado como a memória técnico-científica da extinta biblioteca da Secretaria de Estado
de Planejamento e Gestão de Minas Gerais (SEPLAG). Explora a condição de memória e de
literatura cinzenta, que caracteriza grande parte das coleções ditas memória técnico-científica,
para contextualizar as iniciativas de preservação e disponibilização da produção intelectual da
FJP e demais entidades estatais. Procurou-se reunir informações e notabilizar a história de
formação do acervo da referida memória técnico-científica, doada à FJP, com o desígnio de
revelar um pequeno fragmento do panorama histórico da produção científica em Minas
Gerais.
Palavras-Chave: Memória técnico-científica. Literatura cinzenta. Preservação digital. Minas
Gerais.

ABSTRACT
It
presents
the first
steps of
a research
project implemented
by
the João
Pinheiro Foundation (FJP) in which the actions of mapping and recovery of assets identified
as a technical-scientific memory of the defunct library of the State Secretariat of Planning
and Management Minas Gerais (SEPLAG) have been developed. It explores the memory
condition and gray
literature,
which characterize
much of
the
technical
and
scientific collections of said memory to contextualize the efforts of preservation and
availability of intellectual production of the FJP and other state entities. An attempt was made
to gather
information and annotate
the history of
the
gathering
of the
aforementioned technical-scientific memory collection donated to the FJP, for the purpose of
revealing a small fragment of the historical panorama of the scientific production in Minas
Gerais.
Keywords: Technical-scientific memory. Gray literature. Digital preservation. Minas Gerais.

1 INTRODUÇÃO
A informação científica enquanto recurso fundamental para a comunicação de
conhecimentos é insumo para o progresso científico de uma sociedade. Sua estrutura apoia-se
na relação entre o tempo passado e o momento contemporâneo da ciência com o propósito de

370

�legitimação dos saberes, isto é, sua condição de comunicar descobertas, resultados, fatos,
fenômenos, etc. exige um encadeamento do que está vindo à luz com o discurso científico
(avanços e contribuições) já sedimentado, seja fortalecendo-o ou contrapondo-o.
Compreendida como um construto social a informação “jamais se tornaria possível
sem o ‘espaço de contato’ entre o passado e o presente; capaz de significá-la através dos
diferentes cenários políticos, sociais e econômicos” (PIMENTA, 2013, p. 152). Partimos
dessa concepção de informação para discorrermos sobre a sua correlação com o conceito de
memória, mais precisamente, o de memória científica.
A memória é uma representação social carregada de significados pertencente ao
abstrato individual ou coletivo que no transcurso do tempo manifesta o que se entende por
informação. Para Le Goff (2003, p. 476) a importância do papel da memória se evidencia com
a evolução das sociedades na segunda metade do século XX quando o pensamento acerca da
história ultrapassa a noção de culto público estendendo-se “a montante enquanto reservatório
(móvel) da história, rico em arquivos e em documentos/monumentos, e a aval, eco sonoro (e
vivo) do trabalho histórico”.
Recorremos aqui a um aspecto da memória que contempla sua concretude e
formalidade que é a memória científica preservada em artefatos de informação denominados
documentos. Quer estejam dispostas sob um enfoque que privilegie determinada área do
conhecimento ou com base na história das instituições, as coleções de documentos
denominadas memória científica são insumos fundamentais para retratar a história da ciência.
Neste ensaio apresentamos os primeiros avanços de um projeto de pesquisa em
execução pela Fundação João Pinheiro (FJP), financiado pela Fundação de Amparo à
Pesquisa do estado de Minas Gerais (Fapemig), no qual se tem desenvolvido as ações de
mapeamento e recuperação do acervo identificado como a memória técnico-científica da
biblioteca da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão (SEPLAG) de Minas Gerais que,
desativada em 2011, teve seu acervo bibliográfico doado à FJP. Para isso buscamos nos
orientar pelas categorias de conhecimento que perpassam as áreas da ciência da informação,
biblioteconomia, história entre outras que tomam o documento e suas particularidades como
um objeto de estudo.
Optamos por explorar a condição de literatura cinzenta que caracteriza grande parte
das coleções ditas memória técnico-científica para contextualizar as iniciativas de preservação
e disponibilização da produção intelectual da FJP resultante de suas atividades e demais
entidades estatais. Procuramos reunir informações e esmiuçar a história de formação do

371

�acervo da memória técnico-científica doada à FJP com o desígnio de revelar um pequeno
fragmento do panorama histórico da produção científica em Minas Gerais.

2 LITERATURA CINZENTA E MEMÓRIA CIENTÍFICA
O contingente de informação governamental de domínio público se insere em uma
categoria de informação livremente acessível e utilizável, porém nem toda informação de
domínio público é derivada do setor público e nem toda informação governamental é de
domínio público (FIGURA 1). Conforme Uhlir (2006, p. 28), a informação governamental de
domínio público “é aquela parcela da informação do setor público que é publicamente
acessível e cuja utilização não infringe quaisquer restrições de segurança nacional, nem
qualquer direito legal ou obrigação de confidencialidade”.
Uhlir (2006) expõe que a informação governamental de domínio público ainda pode
ser classificada quanto a sua natureza administrativa ou não-administrativa, isto é, se são
informações inerentes às atividades de gestão dos órgãos públicos (procedimentos
administrativos, normas internas, contratos, legislações, etc.) ou se são informações
provenientes da atividade funcional dos órgãos (informações comerciais, culturais, técnicas,
científicas, estatísticas, geográficas, turísticas, etc.). Também pode ser classificada quanto ao
seu potencial de interesse e audiência, ou seja, se tal informação é de importância para grupos
de pessoas e comunidades específicas ou para a sociedade em geral. A informação
governamental de domínio público ainda pode ser classificada pelo seu valor econômico, que
é normalmente destinada a mercados específicos do setor público e do privado.

Figura 1 - Informação governamental de domínio público

Fonte: Elaborada pelo autor.

372

�No caso da memória técnico-científica de uma instituição esta poderia ser
caracterizada a partir de diferentes categorias. Entretanto uma coleção documental
denominada memória técnico-científica no âmbito do setor público é normalmente
reconhecida por se tratar de informação não-administrativa resultante das atividades de
determinadas entidades públicas podendo ser alvo de interesse de grupos particulares ou do
público em geral, também podem apresentar um alto valor econômico e influenciar a tomada
de decisões da esfera pública e privada.
Outro aspecto muito importante da memória técnico-científica - e pelo qual o
mencionado projeto de pesquisa procura-se orientar - é a sua caracterização como literatura
cinzenta, termo historicamente utilizado para se referir aos documentos semipublicados,
produzidos nos âmbitos governamental, acadêmico, comercial e da indústria (GOMES;
MENDONÇA; SOUZA, 2000, p. 97). São recursos de informação não comercializados,
havendo pouca probabilidade de serem adquiridos através das fontes de vendas de
publicações.
Com o avanço das tecnologias dedicadas à comunicação e à informação, o conceito de
literatura cinzenta vem se atualizando, sendo que um atributo persistente é a sua distribuição
não comercial. Atualmente a literatura cinzenta é reconhecida como sinônimo de uma
multiplicidade de documentos produzido nos contextos governamental, acadêmico,
empresarial e industrial - tanto em formato impresso ou eletrônico - protegidos por direitos
de propriedade intelectual e de qualidade suficiente para serem coletados e preservados em
diretórios científicos (SCHOPFEL, 2010 apud MARTÍNEZ-MÉNDEZ; LÓPEZ-CARRENO,
2011).
Assim, dentre as novas possibilidades de promover e ampliar o acesso aos documentos
desta natureza estão os serviços de informação em rede que mediam a consulta e facilitam a
distribuição de conteúdos - são geralmente conhecidos por bibliotecas e repositórios digitais.
Orientando-se por essa estratégia de disseminação de informação científica a
Fundação João Pinheiro instituiu em 2009 a Biblioteca Digital do Estado de Minas Gerais26
que se dedica reunião e preservação da informação técnico-científica produzida na esfera
estatal. Esta se assume, então, como o sistema de informação mais adequado nas atuais
circunstâncias para destinação do acervo da memória técnico-científica da biblioteca da
SEPLAG.

26 www.bibliotecadigital. mg. gov.br

373

�3 PRODUÇÃO CIENTÍFICA DE MINAS GERAIS:

MEMÓRIA TÉCNICO-

CIENTÍFICA DAS INSTITUIÇÕES
Uma das medidas tomadas em reformas administrativas da esfera pública é a
reorganização das estruturas governamentais para se adequarem às atribuições, necessidades e
funcionamento da gestão pública. Desdobram-se dessas reformulações a criação, a fusão e a
extinção de órgãos bem como a mudança de hierarquia, nomenclatura e natureza institucional.
Dentre as implicações decorrentes destas remodelações citamos o desafio da gestão
documental - geralmente há grandes prejuízos quanto a transferência, salvaguarda, descarte,
organização e acesso aos documentos e publicações das instituições dissolvidas ou
incorporadas.
Compõem os fundos documentais das instituições públicas a produção intelectual
originada de suas atividades, muitas vezes essa produção apresenta um caráter técnicocientífico e possui um valor informacional de grande importância para as comunidades
acadêmica, científica, industrial, etc. e para a sociedade em geral. Caracterizados como a
memória técnico-científica das instituições essas coleções de documentos são alocadas
fisicamente nas bibliotecas, arquivos e centros de documentação.
Assim, a partir do momento que em que o órgão é extinto, sua biblioteca, arquivo e
outros repositórios de memória também são extintos. “Teoricamente, todo o seu patrimônio
deveria ser incorporado a outro órgão governamental, mas frequentemente é quase impossível
determinar seguramente com quem ficou a responsabilidade da guarda dos acervos”
(BIBLIOGRAFIA..., 1987, não paginado).
Esta é uma situação recorrente no contexto da máquina estatal, a cada nova
reestruturação administrativa o patrimônio bibliográfico e histórico sofre sérias e irreversíveis
perdas. Muitos acervos e fundos bibliográficos são negligenciados ou recebem o mínimo de
importância no transcurso do redimensionamento de órgãos e entidades públicas.
Além de implicações legais, a inadvertência com este patrimônio representa prejuízos
à comunicação científica e, sobretudo, à história da ciência uma vez que as coleções
denominadas memória técnico-científica denotam o legado da evolução científica e da
geração de conhecimento no setor público.
De acordo com Sayão (1996) é possível pensar nas bibliotecas especializadas, bases de
dados, acervos temáticos e demais sistemas de informação científica como recursos que
cumprem o papel de memória dos saberes científicos, nesse sentido podemos considerar a
memória técnico-científica de uma instituição contribuindo e, talvez exercendo um papel
nuclear, na constituição do traçado histórico da ciência.

374

�Por esta razão muitas são as iniciativas de promover e ampliar o acesso a estes acervos
por meio de serviços de informação estabelecidos em plataformas digitais que possibilitam a
difusão dos conteúdos pela Internet. Muitos destes se caracterizam por sistemas organizados
que fornecem recursos - tecnológicos e humanos - a partir dos quais se torna possível a
preservação e acesso à coleções de documentos ou informações estruturadas.
Nesta perspectiva, o principal propósito do mapeamento e regaste de coleções de
memória técnico-científica, no âmbito dos projetos executados pela Fundação João Pinheiro,
é a preservação e a disponibilização de seus conteúdos, mediante serviços de informação, para
a sociedade civil - com ênfase nas comunidades científicas.

3.1 O PASSADO NAS BIBLIOTECAS: ARQUEOLOGIA DO CONHECIMENTO
CIENTÍFICO EM MINAS GERAIS
Tendo esse contexto como pano de fundo a Fundação João Pinheiro, preocupada com
o destino da memória técnico-científica produzida pelas entidades públicas da administração
direta de Minas Gerais, vem trabalhando no resgate e salvaguarda de acervos bibliográficos
de instituições estaduais extintas ou remodeladas que tiveram suas bibliotecas e centros de
documentação desativados.
A Biblioteca Professora Maria Helena de Andrade é o centro responsável por reunir e
realizar os procedimentos necessários para a disponibilização destes acervos ao público. Ela
integra a estrutura organizacional da Fundação João Pinheiro, subordinando-se diretamente à
presidência. Sua conformação é composta pelo setor de referência, pelo Centro de Referência
da Biblioteca Digital do Estado de Minas Gerais, pelo núcleo de editoração e pelo setor de
arquivo da instituição.
Possui um acervo concentrado nas áreas das ciências sociais aplicadas, em especial
nos domínios da administração, demografia, economia e planejamento urbano e regional. A
biblioteca oferece aos servidores e alunos da Fundação João Pinheiro serviços de informação
necessários ao desenvolvimento do ensino, pesquisa e extensão, mas também atende
demandas de toda a sociedade - desde consultas locais até pedidos de pesquisadores do
exterior.
Por se tratar de uma biblioteca especializada que atende e é depositária da produção
intelectual de uma instituição de pesquisa prolífica, a quantidade e a natureza dos itens de
informação decorrentes das atividades da instituição é relativamente alta. Desse modo, além
de um vasto acervo circulante a biblioteca também é a responsável por gerir coleções
especiais que merecem cuidados e atenção diferenciados.

375

�Dentre tais coleções está a Memória Técnico-Científica da Fundação João Pinheiro,
um acervo composto em sua maioria por relatórios de pesquisa resultantes de projetos de
investigação realizados na instituição e em outros órgãos estaduais que foram extintos e que
tiveram seu acervo bibliográfico doado para a FJP.
Dessa maneira, essa coleção deixa de ter uma característica de memória
exclusivamente institucional, e passa a representar uma importante parte da memória
científica do Estado de Minas Gerais, uma vez que tais recursos bibliográficos retratam os
rigorosos estudos, levantamentos, pesquisas e coletas de dados no âmbito do estado que
subsidiaram o planejamento e as ações para o desenvolvimento de diversos setores da
sociedade.
A absorção de tais coleções pela biblioteca remete à questão da reminiscência da
ciência em determina época e contexto possibilitando o seu delineamento identitário, já que
ao incorporar outros acervos uma biblioteca conserva a lembrança das que a precederam,
(JACOB, 2008). Nesse entendimento, realiza-se através desta iniciativa uma tarefa na qual a
arqueologia do conhecimento científico produzido em Minas Gerais cruza-se com a ânsia por
acesso livre e irrestrito das informações governamentais de domínio público.
Como exemplo de coleções bibliográficas tem-se o caso do patrimônio bibliográfico
da extinta Superintendência de Desenvolvimento da Região Metropolitana de Belo Horizonte
(Plambel) - criada em 1974 e dissolvida em 1996, foi responsável pela elaboração de estudos,
diagnósticos e planos de urbanização de alto nível metodológico e técnico (TONUCCI
FILHO, 2010) - e o acervo da biblioteca desativada da Secretaria de Estado de Planejamento
e Gestão de Minas Gerais (SEPLAG) - criada em 2003, é responsável pelo estabelecimento e
condução de políticas de gestão que norteiam a ação das demais entidades estatais (MINAS
GERAIS, 2014).
Sendo que a coleção relativa à produção intelectual da Plambel já se encontra
incorporada à memória técnico-científica da FJP - disponível na Biblioteca Digital do Estado
de Minas Gerais - e o acervo da SEPLAG está em processo de incorporação - razão do
referido projeto.
No caso da SEPLAG esse acervo de memória técnico-científica não é uma produção
institucional uma vez que em sua missão e objetivo operacional não enquadra atividades de
pesquisa. Na verdade sua memória técnico-científica é uma herança de agrupamentos
institucionais e entidades anteriores que se fundiram ao órgão de coordenação central vigente
de cada época - atualmente o papel da SEPLAG.

376

�Esta é uma informação que consideramos relevante para se tomar nota uma vez que,
ao ser incorporado à memória técnico-científica da FJP, sem a reconstituição da história de
formação original deste acervo seria mais complexo remontar às suas origens. Assim, a partir
de fontes bibliográficas e orais, buscamos estruturar as informações que nos levaram ao
conhecimento das instituições produtoras do conhecimento técnico-científico que originaram
a memória técnico-científica da biblioteca da SEPLAG.

3.2 O CASO DA MEMÓRIA TÉCNICO-CIENTÍFICA DA SEPLAG
Um efeito direto das incisivas políticas de planejamento do desenvolvimento
econômico regional da década de 1960 em Minas Gerais foi desenvolvimento acelerado da
produção científica classificada como literatura cinzenta - um reflexo evidente do
investimento em estudos, levantamento de dados e pesquisas no mais diversos setores da
sociedade.
Destaca-se neste cenário a produção bibliográfica do Conselho Estadual de
Desenvolvimento (CED) que tinha como uma de suas funcionalidades “institucionalizar,
progressivamente, o sistema de planejamento como técnica de administrar e governar,
visando ao desenvolvimento econômico e bem-estar social” (MINAS GERAIS, 1966). Assim,
com uma atuação pautada no discurso do planejamento econômico regional (BARABOSA,
2012) o CED foi responsável pela execução de diversos projetos e programas para a
promoção do desenvolvimento social e econômico no estado que originaram uma vasta
produção bibliográfica - como constatado ao analisar o acervo da memória técnico-científica
da biblioteca da SEPLAG.
Dessa forma, foi determinado como ponto de partida para a pesquisa das origens do
acervo o histórico administrativo do CED. Sua criação, em 20 de abril de 1966 durante o
governo de Israel Pinheiro, substituiu a extinta Secretaria de Estado de Desenvolvimento
Econômico, criada em 1951 durante o governo de Juscelino Kubitscheck (MINAS GERAIS,
1963).
Segundo consta na legislação consultada, o patrimônio do CED teria sido tombado e
redistribuído pela Secretaria de Estado de Recursos Humanos e Administração (SERHA).
Não foi possível determinar se esse patrimônio era composto também de relatórios, livros ou
periódicos, mas existe a grande possibilidade de desde essa época já existia um acervo
documental que mais tarde faria parte da biblioteca da SEPLAG com as transferências e
remanejamentos (MINAS GERAIS, 1966; 1972).

377

�Faziam parte

da

SERHA também

os

acervos

do Instituto Estadual

de

Desenvolvimento de Recursos Humanos (IEDRHU), que quando foi extinto já incorporava
parte da estrutura da Secretaria de Estado de Recursos Humanos e Administração. A SERHA
também teria recebido um pequeno conjunto de documentos referente a funcionários e,
aparentemente, de pouca importância do extinto Banco Minas Caixa. Após a dissolução da
CED, foi criada em 22 de abril de 1975, durante o governo de Rondon Pacheco, a Secretaria
de Estado e Planejamento e Coordenação Geral (SEPLAN), que incorporou a estrutura e
patrimônio da instituição anterior (MINAS GERAIS, 1975).
Durante muitos anos a biblioteca da SEPLAN foi considerada uma das mais
importantes do governo do Estado, contando com uma forte estrutura administrativa. Em
2003, durante o governo de Aécio Neves, a SEPLAN se dissolve e torna-se SEPLAG. Todo o
acervo é transferido para a biblioteca formada na recente instituição, cuja mesma biblioteca
durou até 2010, com a extinção desta, gerada principalmente pela mudança da estrutura
governamental do Estado de Minas Gerais para a Cidade Administrativa.
Em 2011, o acervo da antiga biblioteca da SEPLAG foi requisitado e doado para a
Fundação João Pinheiro onde, atualmente, passa por um processo de análise, tratamento
técnico e preservação.

QUADRO 1 - Instituições produtoras e receptoras do acervo da memória técnico-científica da
biblioteca da SEPLAG
Instituição

CED: Conselho Estadual do
Desenvolvimento

Instituto Estadual de Estatística
SERHA: Secretaria de Estado
de Recursos Humanos e
Administração
SEPLAN: Secretaria de Estado
e Planejamento e Coordenação
Geral

Observações
Criada em 20 de abril de 1966. Lei n° 4.133
Fixou as diretrizes de ação do Governo e constitucionalizar
progressivamente, o sistema de planejamento como técnica de
administrar e governar, visando ao desenvolvimento econômico e
bem estar social. Suas funções eram planejar, coordenar, orientar e
controlar a ação governamental, no âmbito da administração
centralizada e da descentralizada.
Fazia parte do CED. Suas funções eram planejar, coordenar, coletar,
criticar, apurar, sistematizar, analisar, interpretar e divulgar os dados
relativos aos fenômenos físico-demográficos econômicos, sociais,
culturais e político-administrativos.
Criada em 04 de outubro de 1963. Lei n° 2.877
Propor e executar política de administração de recursos humanos,
material, patrimônio, transporte oficial, serviços gerais e as relativas
à modernização administrativa e a saúde ocupacional.
Criada em 22 de abril de 1975. Decreto 28136, de 31/05/1988
Competiu a SEPLAN coordenar o sistema de planejamento, o
orçamento e a modernização administrativa, bem como a execução e
respectivo acompanhamento dos planos
estaduais
de
desenvolvimento.

378

�Extinto em 27 de maio de 1996. Lei n° 12.159 Art.5
O Instituto Estadual de Desenvolvimento de Recursos Humanos IEDRHU: Instituto Estadual de IEDRHU, órgão autônomo, subordinado à Secretaria de Estado de
Desenvolvimento de Recursos Recursos Humanos e Administração, tem por finalidade planejar,
organizar, dirigir, coordenar, executar e controlar as atividades de
Humanos
avaliação,
acompanhamento, recrutamento, seleção
e
desenvolvimento de recursos humanos.
Extinta em 24 de Agosto de 1998. Decreto n° 39.835 Art.1
Minas Caixa: Caixa Econômica Como banco em geral, tinha por funções depositar capital em formas
do Estado de Minas Gerais
de poupança, financiar automóveis e casas, trocar moedas
internacionais, realizar pagamentos, entre outros.
Criada em 29 de Janeiro de 2003. Lei Delegada 63
SEPLAG: Secretaria de Estado A Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão tem como objetivo
coordenar, formular, executar e avaliar políticas que visem o
e Planejamento e Gestão
desenvolvimento econômico, social e institucional de Minas Gerais.
Criada em 12 de dezembro de 1969. Lei n° 5399
É uma entidade do governo de Minas Gerais de apoio técnico à
Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão e demais sistemas
FJP: Fundação João Pinheiro
operacionais do Estado. Atua nas áreas de ensino de graduação,
especialização e mestrado em Administração Pública, avaliação de
políticas públicas e na produção de indicadores estatísticos,
econômico-financeiros, demográficos e sociais.
Fonte: Adaptado de Fundação .íoão Pinheiro (2013).

Em posse dessas informações buscamos sintetizar quais foram as instituições que
produziram ou receberam acervos - compostos por coleções de memória técnico-científica - e
que foram transferidos e remanejados ao longo das décadas. O Quadro 1 apresenta cada uma
destas instituições, suas atuações e as legislações que determinam seu início ou extinção no
sistema governamental do Estado de Minas Gerais.
Em posse deste apanhado histórico acerca da formação da memória técnico-científica
da biblioteca da SEPLAG constatamos que o acervo doado à FJP surgiu basicamente de duas
instituições, SEPLAN e SEHRA, que foram incorporados a biblioteca da SEPLAG com a
dissolução e fusão dos dois órgãos. Por sua vez, tanto o acervo da SEPLAN e da SERHA se
constituíram majoritariamente a partir da produção técnico-científica do CED e de seus
órgãos subordinados.

4 BREVES CONSIDERAÇÕES
Segundo Le Goff (2003, p. 477), a memória é um elemento fundamental do que se
reconhece por “identidade, individual ou coletiva, cuja busca é uma das atividades
fundamentais dos indivíduos e das sociedades de hoje”.
Nessa perspectiva, entendemos que as coleções documentais denominadas memória
técnico-científica tem a importante função de retratar a história da ciência e da técnica de um

379

�contexto determinado, elas permitem acompanhar a evolução do conhecimento e do progresso
científico e cultural, contribuem também para a formação da identidade de instituições e da
própria sociedade.
Diante da grande importância e valor para a sociedade, o referido projeto em execução
oportuniza o empreendimento de esforços frente ao mapeamento, resgate, preservação e
ampliação do acesso à esses acervos. Desse modo, buscou-se apresentar neste ensaio os
primeiros levantamentos de informação que permitissem a caracterização e desenvolvimento
da identidade da memória técnico-científica da biblioteca da SEPLAG. Espera-se, assim, que
tal levantamento subsidie as próximas ações do projeto e seja um ponto de apoio para novos
aclaramentos e progressos acerca da história da ciência e da técnica em Minas Gerais.

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380

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Dissertação (Mestrado em Arquitetura e Urbanismo) - Faculdade de Arquitetura e
Urbanismo, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2012.
UHLIR, Paul F. Diretrizes políticas para o desenvolvimento e a promoção da informação
governamental de domínio público. Brasília: UNESCO, 2006. 69 p.

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Documentação&#13;
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    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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              <text>Apresenta os primeiros avanços de um projeto de pesquisa em execução pela Fundação João Pinheiro (FJP) no qual se tem desenvolvido as ações de mapeamento e recuperação do acervo identificado como a memória técnico-científica da extinta biblioteca da Secretaria de Estado de Planejamento e Gestão de Minas Gerais (SEPLAG). Explora a condição de memória e de literatura cinzenta, que caracteriza grande parte das coleções ditas memória técnico-científica, para contextualizar as iniciativas de preservação e disponibilização da produção intelectual da FJP e demais entidades estatais. Procurou-se reunir informações e notabilizar a história de formação do acervo da referida memória técnico-científica, doada à FJP, com o desígnio de revelar um pequeno fragmento do panorama histórico da produção científica em Minas  Gerais.
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