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                  <text>X V III Sem inário N acional de Bibliotecas U niversitárias
SNBU 2014

C O R R ED O R DA M EM Ó R IA DA FACULDADE DE M ED ICIN A : TEC N O LO G IA E
PASSADO A SERV IÇO DO FUTURO.

Ethel M irzahy C uperschm id
C arla C ristina V ieira de O liveira
Angélica Siqueira de C astro
B runa C arvalho de O liveira Nunes
S arah Cam pos C ardoso
M aria do C arm o Salazar M artins
RESUM O
O “Corredor da Memória” é um projeto do Centro de Memória da Medicina que tem como
principal objetivo externar imagens do acervo científico da área da Saúde para o público
frequentador do Campus Saúde da UFMG. Com o recurso de cinco telões posicionados ao
longo dos 27 metros lineares de corredor, as potencialidades de divulgação são multiplicadas,
pois as mostras acompanham demandas internas de pesquisadores, comemoram e celebram
datas importantes da Faculdade, evidenciam personalidades científicas e temas de pesquisa.
Palavras-C have: Acervo Científico Universitário, Divulgação Científica, História da
Medicina, Faculdade de Medicina da UFMG.
A BSTRACT
The "Corredor da Memória" is a project of the Centro de Memória da Medicina that has as
main objective to externalize images of scientific collection of healthcare for the public of the
Campus Saúde da UFMG. With the use of five large screens positioned over the 27 linear
meters of the hallway, the potential for disclosure are multiplied because the images displayed
follow internal demands of researchers, commemorate and celebrate important dates of the
Faculdade de Medicina, and point out scientific personalities and research themes.
Keywords: Scientific University Patrimony, Science Communication, History o f Medicine,
Faculdade de Medicina da UFMG.

1 IN TRO D U ÇÃ O
Ninguém discorda que o conhecimento científico e tecnológico é hoje um dos
principais geradores das dinâmicas de mudança econômica, social e cultural em nível
mundial. O papel social dos museus é, sem dúvida, o de formação do individuo. Ele também
tem o potencial de formar identidades. Sob a ótica educativa, o museu universitário deve,
como uma de suas principais funções, permitir a esse indivíduo tornar-se sujeito de sua

226

�aprendizagem. Lugar de produção do conhecimento por excelência, a universidade, ao se abrir
para o publico por meio de seus museus, pode facilitar a comunicação entre visitantes e a
ciência, mediada por aparatos científicos e metodologias educacionais, possibilitando a ação
do sujeito na aprendizagem.
O Centro de Memória da Medicina - CEMEMOR, fundado em 1977, é o mais antigo
da Universidade Federal de Minas Gerais. Ele possui acervo bibliográfico, documental,
tridimensional, sonoro, artístico e iconográfico na área da Saúde. Para se ter uma estimativa,
somente o acervo bibliográfico está estimado em 13 mil títulos, parte dele identificado como
obras raras e preciosas.
O acervo é dinâmico e, frequentemente, recebe contribuições que são incorporadas,
ou não, ao seu patrimônio, obedecendo a política de recolhimento do material. Portanto, o
acervo está em constante processo de organização e higienização.
Este acervo ocupa o espaço de aproximadamente 600 m2 de área no térreo da
Faculdade de Medicina, ou seja, uma área de destaque, logo à esquerda do Hall e do Salão
Nobre da Instituição. É um espaço de amplo potencial de divulgação, que proporciona a
democratização do conhecimento científico. Mostra-se necessário o compartilhamento do
acervo com estudantes, pesquisadores, instituições congêneres e com o público em geral,
pois:

se entendemos a importância dos conhecimentos produzidos pela Ciência
como algo inquestionável para o mundo moderno, a importância da
comunicação destes conhecimentos não deve ser menor, pois ela será o canal
que possibilitará ao público leigo a integração do conhecimento científico à
sua cultura. (SÃO TIAGO, 2010, p. 9)
O “Corredor da Memória” surgiu da necessidade do CEMEMOR de expor ao público
que circula nas dependências da Faculdade de Medicina seu acervo por meio de imagens
dinâmicas com alta definição.
O motivo da escolha do espaço foi a proximidade com o Centro de Memória e o
grande fluxo de pessoas - alunos, funcionários, professores e público externo - que
normalmente passavam pelo corredor e paravam para observar a única vitrine do Centro da
Memória voltada para o mesmo, onde ficam expostos objetos e livros do acervo.
Foi elaborado um projeto em que aparelhos de televisão de 42’’, com tela plana
fixadas em painéis de madeira, seriam distribuídos em 27 metros lineares no corredor. O
conceito do projeto baseou-se na transformação de um espaço de passagem em um espaço de
fruição e apropriação pelo público, como uma extensão do Centro da Memória através da

227

�projeção de imagens do acervo existente em sua vasta reserva técnica e um convite à visitação
de suas dependências. Desta forma, determinou-se que o espaço ficaria conhecido como
“Corredor da Memória” .
Para tanto, foi projetada nova iluminação e rebaixamento de teto com gesso nesse
trecho do corredor, além da instalação de persianas nas janelas opostas aos painéis,
propiciando um melhor conforto visual para apreciação das imagens e também configurando
um espaço diferenciado para o público. Os painéis prestam-se tanto a proteger os televisores e
suas respectivas instalações quanto a servirem de base para fixação de informações sobre a
exposição virtual, inclusive com dados em Braille, propiciando a informação sem quaisquer
fronteiras. Sua altura foi definida de forma a proporcionar boa visibilidade a todos, incluindo
pessoas em cadeira de rodas.
Como parte do acervo científico da Faculdade ainda passará por processo de
higienização, pesquisa, identificação, catalogação e musealização, apenas uma fração desta
riqueza histórica institucional é passível de divulgação. Enquanto as exposições permanentes,
limitadas pelo espaço, não possibilitam uma visualização de conjunto, o “Corredor da
Memória”, com seu dinamismo, permite a realização de exposições temporárias e temáticas,
ampliando a capacidade de divulgação de grande parte do material inédito do acervo.
As coleções do Centro de Memória são complexos legados da memória cultural que
buscam conexões que ampliem sempre mais os seus efeitos em termos de comunicação,
educação, participação e fruição. Elas ultrapassam as fronteiras do Campus Saúde, pois
algumas são anteriores à criação da Faculdade em 1911; outras são oriundas de áreas do
conhecimento como a Química e a Física, e várias foram introduzidas de outros países e
culturas. A história da Faculdade de Medicina, seus professores, suas turmas, suas disciplinas
e do desenvolvimento da Ciência Médica aparecem também no contexto maior da história da
cidade e do Brasil.
O propósito da implantação do “Corredor da Memória” é que ele funcione como mais
um instrumento de informação, educação e difusão do conhecimento científico associado à
área da Saúde e da História da Ciência e da Técnica.
A imagem projetada, além de instigar a busca pelo conhecimento, pode incentivar a
visitação de outros espaços do Centro de Memória, como a Galeria Luis Gomes Ferreyra, que
possui a exposição “Nas Veias da Memória: alguma história da Medicina” e a exposição do
corredor interno com as peças de anatomia patológica.
É fundamental notar que, num século voltado para a modernização tecnológica, as
novas gerações também se interessem pelos fundamentos e pela história do desenvolvimento

228

�do fazer profissional. Então, justifica-se a montagem da exposição em um espaço
propriamente acadêmico que contribui para a reflexão sobre o presente e sua relação com os
acontecimentos do passado, além de agregar valor ao patrimônio.
O acervo do CEMEMOR divulgado no “Corredor da Memória”, através da evocação
da memória, abre para o público uma série de possibilidades de identificação, interpretação e
apropriação a partir do contato com o material exposto. Os limites da ação ultrapassam as
fronteiras temáticas, áreas práticas e saberes, a fim de que as coleções, criando referências e
questionamentos, revitalizem o próprio modelo de museologia a que se destinam.

2

A

DIVULGAÇÃO

C IEN T ÍFIC A :

D EM O CR A TIZA Ç Ã O

DO

ACESSO

AO

C O N H EC IM EN TO C IE N T ÍFIC O NOS M USEUS E C EN TRO S DE C IÊN C IA
Os processos de divulgação científica e comunicação científica não podem ser
pensados separadamente, porém podem ser distintos. Segundo Bueno (2010), a divulgação
científica consiste na utilização de recursos, técnicas, processos e produtos (veículos ou
canais) para a veiculação de informações científicas, tecnológicas ou associadas às inovações
ao público leigo, por outro lado, a comunicação cientifica seria a transferência de informações
científicas, tecnológicas ou associadas às inovações que se destinam aos especialistas em
determinadas áreas do conhecimento. O autor destaca ainda que esses conceitos se aproximam
em suas características comuns, mas na prática possuem aspectos distintos: o perfil do
público, o nível do discurso, a natureza de canais e ambientes utilizados para sua veiculação e
a intenção explícita no processo. Bueno (2010) ressalta a divergência de intenção da
comunicação científica e da divulgação científica.

A comunicação científica visa, basicamente, à disseminação de informações
especializadas entre os pares, com o intuito de tornar conhecidos, na
comunidade científica, os avanços obtidos (resultados de pesquisas, relatos
de experiências, etc.) em áreas específicas ou à elaboração de novas teorias
ou refinamento das existentes. A divulgação científica cumpre função
primordial: democratizar o acesso ao conhecimento científico e estabelecer
condições para a chamada alfabetização científica. Contribui, portanto, para
incluir os cidadãos no debate sobre temas especializados e que podem
impactar sua vida e seu trabalho, a exemplo de transgênicos, células tronco,
mudanças climáticas, energias renováveis e outros itens. (BUENO, 2010, p.
5)
A divulgação científica ocorre entre cientista e o grande público, visando atender um
público mais amplo. Segundo Albagli (1996) a divulgação científica é um conceito mais
restrito que difusão científica e é considerado mais amplo do que comunicação científica.

229

�Entende-se por difusão científica “todo e qualquer processo usado para comunicação da
informação científica e tecnológica” (ALBAGLI, 1996, p. 397).
Fernandes (2011) destaca que a divulgação científica está associada à missão de
educação social, na medida em que “transforma o saber num sistema de representações
sociais” (FERNANDES, 2011, p. 99). Tal processo torna o discurso científico acessível
àqueles que não partilham da produção científica. Para isso, são articuladas parcerias com
cientistas e instituições que garantem maior credibilidade ao conteúdo trabalhado. Em termos
de educação, buscam auxiliar as atividades com artigos que sejam de relevância científica, de
interesse do presente e que se aproxime do cotidiano dos estudantes.
A divulgação científica acontece de diferentes formas, tradicionalmente através de
textos, vídeos, feiras científicas, palestras e museus. Porém, o desenvolvimento de novas
tecnologias possibilitou o uso de blogs, twitter, portais, facebook etc.. (TORRESI; PARDINI;
FERREIRA, 2012). Nos últimos anos os museus alargaram seu potencial educacional com o
desenvolvimento de técnicas educativas e de exposição (ALBAGLI, 1996). Nesse sentido, um
dos objetivos do Centro de Memória da Medicina é prover informação histórica da área de
medicina para comunidade acadêmica e público em geral, possibilitando a divulgação e
contribuindo para avanços da ciência e da tecnologia.
Souza (2011) ressalta que a informação científica nos espaços expositivos
museológicos cumpre o papel ideológico de criação de subsídios simbólicos e contribui para a
construção de valores específicos referentes à ciência. O autor ainda destaca que

A exposição é o meio pelo qual o museu estabelece sua inter-relação com a
sociedade, através da operacionalização do objeto musealizado e do emprego
de aparatos infocomunicacionais, teóricos e técnicos. Mais do que uma
dentre as muitas faces da atividade museológica, a prática de expor é a que
determina a própria essência de todo e qualquer museu como tal. (SOUZA,
2011, p. 262)
Segundo Caribé e Mueller (2010, p. 25)
A literatura aponta o Museu Ashmoleano, aberto em 1683, como o primeiro
museu público de ciência, doação de Elias Ashmole à Oxford University, e a
quem sua denominação homenageia. A doação consistia de coleção de
curiosidades de todos os tipos, que servia, prioritariamente, como material de
pesquisa para os alunos daquela Universidade. Mas o primeiro museu
público de âmbito nacional britânico foi o British Museum, fundado quase
80 anos mais tarde, em 1753, e aberto ao público em 1759. Também foi
formado com base em coleção particular, no caso, de Sir Hans Sloane, físico
e naturalista. Sua coleção consistia, sobretudo, de livros, manuscritos,
espécimes naturais, moedas e medalhas, gravuras e desenhos, além de
material etnográfico.

230

�Ainda segundo as autoras, no início do século XX a função educativa dos museus foi
se firmando na Europa, com destaque para o Deutsches Museum em Munique, fundado em
1906. Com o objetivo de tornar as conquistas de ciência e tecnologia compreensíveis ao
público leigo e de realçar a relevância do trabalho dos engenheiros e cientistas. Expunham
réplicas de animais e equipamentos em tamanho natural, assim como, modelos que podiam
ser acionados pelo visitante, ilustrando o funcionamento de fenômenos reais e dos princípios
da Física (CARIBÉ;MUELLER, 2010).
Os autores destacam ainda o surgimento dos Centros de Ciências, um museu de
ciência com características multidisciplinar e técnicas interativas de caráter experimental. São
espaços que seduzem, provocam, atraem e motivam o visitante a interagir com fundamentos
da C&amp;T -Ciência e da Técnica, através de experimentos do tipo “faça você mesmo” .
Demonstrando, dessa forma, o crescimento das iniciativas de divulgação científica ao longo
do tempo.
O projeto “Corredor da Memória” é mais uma dessas iniciativas. Sua colocação no
museu potencializa o espaço institucionalizado da memória, através da interação entre o
individuo e a sociedade com os objetos e bens culturais expostos. Como destaca Albagli
(1996, p. 400):

A percepção dos museus como meros repositórios de objetos colecionados
do mundo natural evoluiu para a concepção de que tais objetos devem ser
inseridos em um contexto facilmente compreensível pelo visitante, o qual
nem sempre teve acesso a educação cientifica formal.
Os objetivos das exposições no “Corredor da Memória” estão de acordo com
Loureiro (2003), que define o museu como um fenômeno que resgata para o individuo o
passado, com um campo de significações. O autor afirma que o museu científico é um espaço
de divulgação científica, por objetivar e transferir informações especializadas de natureza
científica e tecnológica ao público em geral.

3 M A TER IA IS E M ÉTO D O S
O “Corredor da Memória” é mais um espaço de cultura e aprendizado sobre a Arte
Médica e sua história dentro do ambiente acadêmico. A divulgação para o público interno e
externo composto de visitantes espontâneos será a meta prioritária.
A gratuidade da exposição permite, também, a inclusão planejada, em suas
programações, de atividades para o público em geral e/ou para públicos especiais. Deverá

231

�incluir oportunamente projetos voltados para segmentos específicos e grupos especiais
(estudantes, professores, cidadãos idosos, comunidades carentes, etc.) e outros mecanismos
que promovam oportunidades de acesso, participação e inclusão real desses segmentos.
É um espaço privilegiado para a divulgação do conhecimento científico e oferece aos
seus visitantes a possibilidade de conhecer e participar dessa produção e, ao mesmo tempo, de
ter acesso aos diferentes aspectos da área da saúde.
Primeiro foram selecionadas peças do acervo de importância histórica ou com
características bastante peculiares. Em seguida, um aparato de feltro serviu como base e fundo
para as fotografias.
Os objetos escolhidos passaram por uma higienização e em seguida foram
fotografados. As imagens foram feitas num equipamento Canon EOS 60D com lentes 2470mm e macro 100mm. Todas as imagens, em alta definição, foram pensadas para serem
exibidas evidenciando detalhes.
Num universo de 200 imagens, foram selecionadas apenas as que ilustravam melhor a
variedade e riqueza do acervo. Então, elas foram distribuídas em pen drives em conjuntos que
seguiram ordem de alternância entre tipologias de acervo.
Na exposição inaugural do “Corredor da Memória” foram utilizadas 110 imagens,
expostas alternadamente em cada monitor: fotos de antigos professores, imagens do prédio
original da Faculdade, medalhas, bustos, quadros, material cirúrgico, documentos, livros,
medicamentos, esculturas, placas etc.
Todas passaram pelo tratamento de imagem no Adobe Photoshop. O fundo foi variado
nas cores preto, verde, vermelho e branco para que as imagens ficassem realçadas na
rotatividade das fotos no monitor.
As imagens gravadas nos pen drives são veiculadas nos televisores fixados nos painéis
de madeira conforme o projeto elaborado pela arquiteta Eneida Lopes Ferreira Guimarães
Ricardo do Departamento de Projetos da UFMG.

232

�Fig. 1 - Perspectiva contida no projeto para o “Corredor da Memória” .

Fig. 2 - Perspectiva contida no projeto para o “Corredor da Memória” .

“ C O R R E D O R DA M E M Ó R IA ” EM FU N CIO N A M EN TO , M A RÇO DE 2014
O público que circula diariamente nas dependências da Faculdade de Medicina foi
estimado em 3.991 pessoas dentre professores efetivos, professores substitutos, funcionários
efetivos, funcionários contratados, funcionários do Hospital das Clínicas, estagiários/menores
da Cruz Vermelha, alunos de graduação e alunos de pós-graduação. Além disso, a Faculdade
oferece, semestralmente cursos de extensão abertos à comunidade externa e de duração

233

�variável, para aperfeiçoamento técnico em assuntos da Saúde. Assim, existe ainda uma
“população flutuante”, variável na faixa de 250 pessoas externas por dia.

Fig. 3 - Estrutura já pronta e primeira exposição sendo exibida.
Fotos: Bruna Carvalho

Fig.4 - Estrutura já pronta e primeira exposição sendo exibida.
Fotos: Bruna Carvalho

234

�4 RESULTADOS PA RCIA IS/FIN A IS
Com a implantação do “Corredor da Memória” o CEMEMOR teve sua visitação
aumentada em 20%, tanto de visitantes espontâneos como de pesquisadores da área da Saúde,
da História, da Museologia e da Arquivologia.
Vale ressaltar que o CEMEMOR encontra-se incluído na Rede de Museus e Espaços
de Ciência e Cultura e vem desenvolvendo projetos e atividades em comum.
Além disso, o acervo bibliográfico de obras raras e preciosas está incluído no Sistema

Pergamum da Biblioteca Universitária da UFMG, tornando o acervo visível.
A programação das exposições do Centro de Memória faz parte das atividades do
Instituto Brasileiro de Museus que promove semestralmente eventos em todos os museus do
Brasil. Desta forma, a programação do “Corredor da Memória”, faz parte da 12a Semana de
Museus, “Museus, coleções criam conexões”, de 12 a 18 de maio de 2014.
Já foram divulgadas duas coleções existentes no acervo do CEMEMOR. A primeira
delas consistiu em expor imagens dos livros raros, de equipamentos médicos, de vidraria, e
documentos manuscritos inéditos.
Na segunda, ao ensejo dos 50 anos da implantação doa Regime Militar no Brasil,
foram expostas as imagens da invasão da Faculdade de Medicina pelo exército e a depredação
resultante dessa violação da autonomia universitária.

PR IM E IR A EX PO SIÇ Ã O : A CERV O C EN TR O DE M EM Ó R IA
O Corredor da Memória, em sua primeira exposição de fotografias, exibiu parte do
diverso acervo tridimensional, documental, bibliográfico e fotográfico do CEMEMOR. Entre
as imagens, os transeuntes conheceram amostras de instrumentos cirúrgicos, caixas de
agulhas, antigos vidros de remédios, bustos de personalidades da política e da Medicina,
porcelanas e livros comemorativos da Faculdade de Medicina, negativos e agulhas de vidro,
aparelhos médicos, móveis, esculturas, quadros, livros raros, documentos e fotografias
antigas. Esses objetos foram doados ao Centro de Memória ao longo de seus 37 anos de
existência.
As fotografias foram produzidas para exposição nas próprias salas do museu, a partir
do recebimento de equipamentos fotográficos, incluindo objetivas especiais e fundo infinito.
Foram ao todo 110 fotografias em alta definição - sendo exibidas 22 em cada televisor.

235

�Fig. 5 - Fotos exibidas na primeira exposição.
Fotos: Bruna Carvalho

236

�Fig. 6 - Fotos exibidas na primeira exposição.
Fotos: Bruna Carvalho

A SEGUNDA EX PO SIÇ Ã O DO P R O JE T O “ C O R R E D O R DA M E M Ó R IA ” F O I UMA
EX PO SIÇ Ã O TEM Á TIC A PARA LEM B R A R O G O LPE DE 1964
O projeto “Corredor da Memória” inaugurou no dia 31 de março de 2014 a exposição:
“Engajamento político e resistência à Ditadura Militar na Faculdade de Medicina” . O que
motivou a mostra foi o fato de completar-se 50 anos desde a deflagração do golpe de estado,
ocorrido em 31 de março de 1964, que conduziu o Brasil a uma ditadura.
Este significativo evento do passado brasileiro compôs também a história da
Faculdade de Medicina, na medida em que os estudantes, assim como a diretoria da
Faculdade, se posicionaram diante da situação política daquele momento.
A Faculdade, notadamente o movimento estudantil, demonstrou seu engajamento e
força política na conjuntura estabelecida a partir do golpe. De acordo com Pedroso (2012, p.
852):

Os estudantes brasileiros, comprometidos com a liberdade, engajaram-se na
luta diuturna, na politização da juventude, derramando por este país os
anseios e sonhos de geração que se qualificaria, ao longo do tempo, como
dos principais focos de resistência, oposição clara e enfrentamento físico
contra forças opressoras que tentavam silenciar a nossa gente com ameaças,
prisões, torturas e morte de inúmeros jovens (estudantes, operários,
camponeses, artistas, intelectuais, etc.), que a cada dia se multiplicavam
pelos quatro cantos deste Brasil.
A exposição foi composta por fotos que pertenciam à documentação, feita a época,
pelas forças da repressão. As imagens mostram a situação em que ficou a Faculdade de
Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais nos dias 3 e 4 de maio de 1968:
pichações, móveis servindo de barricada, vidraçaria quebrada, instrumentos médico-

237

�científicos danificados. Estes registros fazem parte de um álbum do acervo do Centro de
Memória da Faculdade de Medicina.
A montagem da exposição contou com pesquisa histórica na documentação da
Secretaria de Estado da Segurança Pública, presente no CEMEMOR, que consiste no laudo
realizado pelos peritos do Departamento de Polícia Técnica a respeito do ocorrido. A
abordagem do acontecimento teve por base a leitura do livro “Centenário da Faculdade de
Medicina da Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG: 1911-2011”, lançado em 2012.
A partir do estudo foi elaborado um pequeno texto de apresentação à exposição que
incluía informações básicas sobre o tema e que aponta para uma análise crítica dos fatos. O
texto foi disposto no painel onde ficam os telões, de forma que o público possa,
primeiramente, ler o texto e depois observar as fotografias.
A iniciativa de expor esse tipo de material parte de um reconhecimento do valor
histórico inerente ao acervo do Centro de Memória e da necessidade de torná-lo conhecido. A
mostra contribui para externar o acervo, divulgar a história da Faculdade, despertar o público
em geral e comunidade acadêmica para uma reflexão sobre passado e presente, além do
conhecimento da relação entre ciência e sociedade.

Fig. 7 - Páginas do álbum feito na perícia referente às depreciações no Edifício Central da
Faculdade de Medicina, aos 3 e 4 de maio de 1968, exibidas nos televisores.

238

�5 CO N SID ERA ÇÕ ES PA R CIA IS/FIN A IS
A criação do “Corredor da Memória” foi fundamental para divulgar o CEMEMOR e
incentivar a visitação do público, seja ele composto de pesquisadores ou de curiosos. Tem
sido muito gratificante receber comentários do tipo: “aqui encontramos material não
disponível em outros acervos” .
Por último, mas não menos importante, as imagens projetadas nos telões, além de
instigar a busca pelo conhecimento, pode incentivar a visitação de outros espaços do Centro
de Memória, como a Galeria Luis Gomes Ferreyra, que possui a exposição “Nas Veias da
Memória: alguma história da Medicina” e a exposição do corredor interno com as peças de
anatomia patológica.
A visita a esta exposição ressalta um problema fundamental da área da saúde no
Brasil. Nos grotões e nas menores cidades do interior de Minas e do Brasil, a população não
tem acesso aos avanços tecnológicos da Medicina. Ainda é preciso saber ver, ouvir, apalpar,
sentir, cheirar e identificar sinais que o paciente manifesta. Ou seja, apesar de vivermos num
século voltado para a modernização tecnológica, é preciso, também, conhecer e praticar a
medicina tradicional na qualo médico, e não os aparelhos, continua sendo fundamental para o
tratamento do doente.

R EFER ÊN C IA S
ALBAGLI, Sarita. Divulgação científica: divulgação para a cidadania. Ci. Inf., Brasília, v. 25,
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3,

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240

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        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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                <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
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                <text>Tema: Bibliotecas Universitárias e o Acesso Público à Informação: articulando leis, tecnologias, práticas e gestão</text>
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    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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      <name>Dublin Core</name>
      <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
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              <text>Corredor da Memória da Faculdade de Medicina: tecnologia e passado à serviço do futuro.</text>
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              <text>Cuperschmid, Ethel Mirzahy et al.</text>
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              <text>O "Corredor da Memória" é um projeto do Centro de Memória da Medicina que tem como principal objetivo externar imagens do acervo científico da área da Saúde para o público frequentador do Campus Saúde da UFMG. Com o recurso de cinco telões posicionados ao longo dos 27 metros lineares de corredor, as potencialidades de divulgação são multiplicadas, pois as mostras acompanham demandas internas de pesquisadores, comemoram e celebram datas importantes da Faculdade, evidenciam personalidades científicas e temas de pesquisa.</text>
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