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                  <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

APLICAÇÃO DO MODELO CONCEITUAL FRAD NA ESTRUTURA DESCRITIVA
DO REPOSITÓRIO INSTITUCIONAL DA UNIVERSIDADE FEDERAL
FLUMINENSE (RI-UFF)
Elisabete Gonçalves de Souza
Wellington Freire Cunha Costa
Darlene Alves Bezerra
RESUMO
Destaca o papel dos repositórios institucionais no âmbito das universidades como ferramentas
de grande importância na organização, preservação e disseminação da informação acadêmica,
uma nova alternativa para a comunicação da ciência livre de barreiras de acesso. Objetiva
simular o uso do modelo FRAD na estruturação descritiva de registros de autoridade em
repositórios institucionais que custodiam a produção bibliográfica de comunidades
universitárias e assim relatar os resultados obtidos através dessa experiência. Em termos
teóricos e metodológicos, discute como a criação de modelos conceituais como o FRAD
amplia as possibilidades de se adicionar atributos as autoridades (pessoas e entidades
coletivas) a fim de introduzir maior detalhamento acerca dos criadores dos recursos. Conclui
que a aplicação de atributos na estrutura descritiva do Repositório Institucional da
Universidade Federal Fluminense enriquece sua arquitetura, pois os metadados adicionados
individualizam e contextualizam os criadores dos recursos, ampliando as possibilidades de
relacionamentos entre as diferentes entidades que compõem o registro bibliográfico.
Palavras-Chave: Repositório institucional; Modelo conceitual FRAD; Universidade Federal
Fluminense; Acesso livre.
ABSTRACT
Highlights institutional repositories within the universities as an important tool in the
organization, preservation and dissemination of scholarly information, a new alternative for
science communication barrier free access. Aims to simulate the use of the FRAD model in
the descriptive structure of authority records in institutional repositories that are guarding the
bibliographic production of university communities and thus report the results obtained
through this experience. In theoretical and methodological terms, discusses the creation of
conceptual models as FRAD expands the possibilities of adding attributes to authority
(persons and entities) in order to introduce more detail about the creators of the resources.
Concludes that the application of descriptive attributes in the structure of the Institutional
Repository of the Federal Fluminense University enriches its architecture, because the
metadata added individualize and contextualize the creators of resources, expanding the
possibilities of relationships between the various entities that make up the bibliographic
record.
Keywords: Institutional repository; FRAD conceptual model; Universidade Federal
Fluminense; Open access.

161

�01 INTRODUÇÃO
Repositórios representam um novo modelo de comunicação científica: são bases de
dados multidisciplinares que armazenam coleções de documentos digitais disponíveis em
linha por meio da internet. Os repositórios dão visibilidade às produções dos pesquisadores
permitindo a troca de informações e o compartilhamento de suas coleções com outras
instituições sem que haja custos. Sua função principal é preservar e disponibilizar a produção
intelectual da instituição representando-a, documentando-a e compartilhando-a em formato
digital (CAFÉ, et al. 2003).
O presente trabalho se propõe a relatar resultados obtidos com a simulação da
aplicação dos Requisitos Funcionais para Dados de Autoridade (FRAD) na estruturação
descritiva de registros de autoridade em repositórios institucionais que custodiam a produção
bibliográfica de comunidades universitárias.
De acordo com o IFLA (2009) os Requisitos Funcionais para Registros Bibliográficos
(FRBR) são extensíveis a qualquer sistema de informação. Daí a necessidade de testá-lo em
repositórios, ferramenta bibliográfica cuja arquitetura muito se aproxima dos fundamentos do
novo modelo: estrutura simples, com sintaxe extensível e próxima da linguagem do usuário.
O objeto empírico escolhido para a aplicação do modelo FRAD foi o Repositório
Institucional da Universidade Federal Fluminense (UFF). Ferramenta bibliográfica recém
desenvolvida para acolher a produção científica da comunidade universitária e disseminá-la
através da filosofia do acesso aberto.
O modelo FRAD é uma extensão do modelo conceitual FRBR, representa os
responsáveis pelo conteúdo intelectual ou artístico; pela produção física e disseminação, ou
pela guarda das entidades do primeiro grupo, são descritos como pessoa ou entidade coletiva.
São definidos como entidade pessoa: autores, compositores, artistas, editores, tradutores,
diretores, intérpretes. Entidade coletiva: organizações ou grupos de indivíduos, inclusive
grupos temporários (encontros, conferências, reuniões, festivais, etc.) e autoridades territoriais
como uma federação, um estado, uma região, uma municipalidade (MORENO, 2006).
Nessa direção, o trabalho de simulação da aplicação do FRAD se fez necessário para
identificarmos as contribuições desse modelo conceitual na ampliação das informações de
autoridade já que permite a adição de novos atributos aos dados de identificação das
autoridades.

162

�2 REVISÃO DE LITERATURA
O presente trabalho está pautado nas discussões teóricas sobre o modelo conceituai
FRAD. Envolve a leitura dos documentos base publicados pela IFLA além da interlocução
com autores que discutem a temática tais como, Moreno (2006), Patton (2007), Mey e
Silveira (2007) e Oliver (2011).
Os FRAD e depois os FRASAD foram desenvolvidos por recomendação da IFLA
(1998) para que o modelo FRBR fosse estendido a fim de cobrir os dados adicionais
normalmente arrolados nos registros de autoridade e conteúdo (assunto), ficando esta
responsabilidade atribuída ao grupo de trabalho Functional Requirements and Numbering o f
Authority Records (FRANAR), criado em 1999.
Da mesma maneira como o modelo conceitual FRBR alterou o modo como nós
pensamos os dados bibliográficos, o FRANAR deseja que o modelo FRAD traga um
entendimento claro dos dados de autoridade e do relacionamento destes com as obras,
contribuindo para aprimorar a semântica do FRBR de modo a torná-lo um modelo específico
para ser usado na descrição de recursos não apenas em catálogos em linha, mas em todo
ambiente digital, como nos repositórios (PATTON, 2007).
O principal objetivo do FRAD é prover um quadro analítico para a identificação dos
requisitos funcionais para cada tipo de dado de autoridade, de modo a garantir o controle
terminológico dos nomes e o compartilhamento internacional dessas informações. Já a
questão que envolve o desenvolvimento do FRSAD é a identificação das entidades e dos
atributos relacionados aos conteúdos (assuntos) das obras, de modo a viabilizar, a integração
da informação contida nos vocabulários controlados com o sistema de recuperação da
informação, ajudando os usuários a realizar buscas por assunto de forma mais efetiva. (IFLA,
2007, 2010).
Em vista do exposto, pode-se afirmar que a IFLA ao estender e expandir o modelo
conceitual FRBR a fim de cobrir os dados de autoridade (pessoa, entidade e assunto)
manifestou expressa preocupação com a clareza e consistência dos dados que comporão os
registros bilbiográficos, assim como, com a compatibilidade desses face às necessidades dos
usuários.
Destaca-se ainda, a busca pela padronização internacional dos dados de autoridade de
modo que os pontos de acesso dos criadores dos recursos disponíveis em catálogos e
repositórios sejam uniformizados pelas agências catalogadoras nacionais e identificados
através de URI formando uma rede de dados abertos e interligados (linking open data),

163

�ampliando-se assim as possibilidades de busca pelos usuários no sentido de

recuperar

diferentes expressões e manifestações de umamesma obra.
Conforme destaca Silveira (2007, p. 47) “a identificação de um autor atribui crédito à
informação, personaliza o conhecimento, permite a identificação e a escolha aos usuários”. O
que torna um registro único e portador de informação confiável, seja num catálogo ou
repositório.
No modelo FRAD, as entidades bibliográficas são conhecidas por nomes ou recebem
identificadores, a saber: Família: duas ou mais pessoas relacionadas por nascimento,
matrimônio, adoção, união civil ou situação legal semelhante. Nome: um caractere ou grupo
de caracteres ou palavras pelas quais uma entidade é conhecida no mundo real. Identificador:
um número, código, palavra, frase, logotipo, entre outros, associados a uma única entidade,
que serve para diferenciar uma entidade de outra. Ponto de acesso controlado: um nome,
termo, código, etc., utilizado para encontrar um registro de autoridade ou bibliográfico.
Regras: um conjunto de instruções relativas à formulação e/ou registro dos pontos de acesso
controlados. Inclui regras de catalogação e interpretações de outras normas. Agência: uma
organização responsável pela criação ou modificação dos pontos de acesso controlados. A
agência é responsável pela aplicação e interpretação das regras que cria e/ou usa (IFLA,
2009).
O FRAD estabeleceu quatro atividades genéricas a favor do usuário, sendo as duas
primeiras iguais ao FRBR: encontrar, identificar, situar e justificar. Significa que o usuário
pode: a) encontrar uma entidade ou conjunto de entidades ou examinar e explorar o universo
das entidades bibliográficas fazendo uso dos seus atributos e relações; b) Identificar uma
entidade ou autenticar a forma do nome que será utilizada como ponto de acesso controlado.
c) Situar uma pessoa, entidade coletiva, obra, etc. em algum contexto e um nome pelo qual a
pessoa, entidade coletiva, obra, etc. são conhecidas. d) Justificar documentando a fonte que se
originou o ponto de acesso, explicando a razão da escolha do nome feita pelo criador do dado
de autoridade (OLIVER, 2011).
Segundo Mey e Silveira (2009) as relações FRAD são ordenadas em quatro categorias:
a) relações entre as entidades dos grupos 1 e 2 e relações gerais entre as entidades do modelo
FRBR; b) relações específicas entre pessoas físicas, pessoas jurídicas, famílias, entidades
coletivas e obras. Esses relacionamentos geram a estrutura de remissivas ver também. c)
relações entre instâncias específicas e nomes específicos pelos quais uma entidade pode ser
conhecida (forma autorizada do nome). Esses relacionamentos geram a estrutura de

164

�remissivas ver; d) relações entre dois ou mais pontos de acesso controlados para a mesma
entidade.
Em linhas gerais, as relações se expressam nos dados de autoridade através das
remissivas ver e ver também. Segundo Oliver (2011), enquanto os FRBR procuraram relações
entre uma obra e suas expressões (traduções, adaptações) os FRAD buscam relações entre os
autores das obras, a original e a adaptada.

A ssim , em um a adaptação [os FR BR ], identificam -na com o o tipo de relação
que pode haver entre duas obras, entre um a obra e um a expressão e entre as
expressões. Os FR A D identificam com o [essa] relação é expressa na
estrutura de rem issivas ver também, em notas inform ativas que façam parte
de um registro de autoridade e nos pontos de acesso controlado no registro
bibliográfico (O LIVER, 2011, p. 33).

Em síntese, o modelo conceitual FRAD amplia os relacionamentos entre os dados de
autoridade (pessoas, entidades coletivas), o que nos permite encontrar autores nos catálogos
além de descobrir outras formas de ponto de acesso para os recursos e estender os
relacionamentos, levando-nos a identificar outras entidades bibliográficas relacionadas às
obras de um determinado autor.
Dentre as diversas iniciativas visando resolver os problemas causados pelo
“crescimento acelerado e caótico da Web” (MARCONDES, 2006, p. 95-96) está o
desenvolvimento do Padrão de Metadados Dublin Core (DC) considerado portador de uma
semântica para descrever recursos disponibilizados na Internet.
Segundo Pereira (2005, p. 15) o DC tem sua origem na “2aConferência Internacional
sobre WWW em outubro de 1994, quando Yuri Rubinsky, Stuart Weibel e Eric Miller
integrantes da Online Computer Library Center (OCLC) e Joe Hardin da National Center for
Supercomputing Applications (NCSA), iniciaram uma discussão em semântica e Web”. A
partir destes questionamentos surge um novo evento, em 1995, onde a NCSA, a OCLC e 52
pesquisadores e profissionais de biblioteconomia, museologia, computação, codificação de
textos e outras áreas correlatas se reúnem para discutir “um conjunto semântico para recursos
baseados na Web, com o propósito de agilizar a pesquisa e recuperação de recursos
informacionais na Web” (PEREIRA, 2005, p. 15). Esse evento foi denominado OCLC/NCSA
Metadata Workshop, cujo “objetivo principal desse workshop era definir um conjunto mínimo
de elementos de descrição para recursos da Web” (Ibid.), tal evento ocorre na cidade de
Dublin, Ohio (EUA) devido a isto, o nome Dublin Core; “core significa básico, isto é, um

165

�elenco básico, porém extensível de elementos para a descrição”, conforme declaram Mey e
Silveira (2009, p. 134).
Como todos os esquemas de metadados a proposta do DC é também simplificar ao
máximo a descrição dos recursos na rede, tornando a catalogação destes simples e ágil, como
também, a adequação aos padrões já existentes a fim de não apenas complementá-los, mas
aprimorá-los. Corrobora com esta proposta Desai11 (1997 apud PEREIRA, 2005, p. 15) ao
mencionar: “pretendia-se tratar o problema da catalogação de recursos da rede, com a adoção,
a extensão ou a modificação de padrões existentes e de protocolos para facilitar a recuperação
e o acesso à informação, utilizando os elementos de metadados.”
Por isso, a busca pela síntese e simplicidade do conjunto de metadados que
representam a informação no DC foi algo primordial em seu desenvolvimento, levando-se em
consideração a proposta de uma descrição possível de ser feita sem a presença de especialistas
no assunto. Favorecendo, então, o papel do criador do documento no sentido de que este
catalogue sua própria obra.
Os elementos que compõem o padrão DC são: assunto (subject), título (title), criador
(creator), descrição (description), editor (publisher), outro agente (contributor), data (date),
tipo de objeto (type), formato (format), identificador (identifier), relacionamento (relation),
fonte (source), linguagem (language), cobertura (coverage) e direitos (rights) (BREITMAN,
2010).Esse conjunto de quinze elementos padronizados propostos pelo DC primam pela
descrição dos recursos, “incluindo páginas HTML12, na Web” (CAMPOS, 2006, p. 64). Cada
elemento é opcional e pode ser repetido, como também, não há ordem em sua apresentação.
Outra questão importante é que aos elementos DC podem ser acrescentados qualificadores, os
quais possibilitam maior precisão no processo de recuperação de informações. Assim, é
indiscutível que o DC adquiriu notoriedade por ser um padrão de metadados simples para a
descrição de recursos na Web.
A seguir apresentamos maiores esclarecimentos acerca do Repositório Institucional da
Universidade Federal Fluminense, nosso objeto empírico.

11 DESAI, B. C. Supporting Discovery in virtual libraries. Journal o f the American Society fo r Information

Science, v. 48, n. 3, p. 190-204, 1997.
12 Segundo Le Coadic (2004, p. 59) a Hypertext Markup Language (HTML) é o hipertexto na tela da internet.
Esta linguagem se mostrou bem adaptada à transmissão de dados na Rede, porém é pouco estruturada e pouco
extensível e não pode descrever todos os documentos.

166

�3 REPOSITÓRIO INSTITUCIONAL DA UFF: ANÁLISE E METODOLOGIA
O Repositório Institucional tem como objetivo coletar, registrar, organizar, manter,
preservar e prover acesso aberto de forma on-line, à produção acadêmica, científica e cultural
da Universidade Federal Fluminense.
De acordo com Ley (2013, p. 150-51) o desenvolvimento do Repositório Institucional
da UFF tem sua origem no convênio firmado em 2009 entre a Fundação de Ciência,
Aplicações e Tecnologia Espaciais (FUNCATE) e a Financiadora de Estudos e Projetos
(FINEP), tendo como órgão executor o Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e
Tecnologia (IBICT), com vistas a apoiar a implantação de repositórios institucionais (RI) nas
instituições públicas de ensino e pesquisa brasileiras.
Para compor o RI-UFF, por exigência do convênio, foram incluídos somente
documentos avaliados pelos pares, sendo priorizado como tipologia documental a
comunicação científica formal (artigos de periódicos, livros, capítulo de livros e trabalhos
apresentados em evento). Contudo, nesses últimos quatro anos sua política foi revista vindo o
sistema a incorporar outros tipos às comunicações, estendendo o seu acervo às dissertações e
teses e a outros documentos não formais, como manuais, relatórios, etc.
O conteúdo do Repositório Institucional UFF está organizado em torno de
comunidades. Suas coleções incluem artigos de periódicos, teses, dissertações, livros,
capítulos de livros e trabalhos apresentados em eventos. As coleções estão divididas em cinco
comunidades: Ciências Humanas, Linguísticas, Letras e Artes; GHT-História; ISC- Instituto
de Saúde da Comunidade; MSG- Mestrado Profissional em Sistemas de Gestão e; SDC Superintendência de Documentação.
Além de navegar pelas comunidades e coleções, o usuário pode pesquisar através das
seguintes chaves de busca: data do documento, autor, título, assunto ou data do depósito. Pode
escolher entre fazer uma busca simples, utilizando quaisquer chaves citadas ou uma busca
avançada com o auxílio dos operadores booleanos (E, OU, NÃO).
A presente pesquisa defina-se como uma pesquisa qualitativa de caráter descritivo,
que, segundo Gil (2011, p. 28), “têm como objetivo primordial a descrição das características
de determinados fenômenos ou o estabelecimento de relações entre variáveis”. Nossa
proposta é demonstrar o quanto o acréscimo de novas variáveis - metadados referentes à
entidade pessoa presentes no modelo FRAD - podem melhorar a recuperação da informação e
o acesso aos documentos em repositórios digitais à medida que sua estrutura é acrescida
atributos fundamentais para identificação dos produtores dos recursos (os pesquisadores) e
suas linhas de pesquisa. Por exemplo, atributos as informações sobre os grupos de pesquisa

167

�quando associados à forma do nome e forma autorizada do nome aperfeiçoam as buscas pelos
autores. Isso é possível porque os repositórios são desenvolvidos no formato DC e seus
metadados descritos em RDF

o que permite que os robôs de busca recuperem essas

informações dando maior visibilidade às atividades cientificas realizadas na universidade
A escolha do RI-UFF se deu em função desta ferramenta se encontrar em fase de
testes e sua implantação ainda recente. Nem todas as suas coleções receberam documentos,
sendo a do Departamento e História a que reúne maior quantidade, por isso escolhemos um de
seus registros (uma dissertação de mestrado) para realizar a aplicação.

3.1 APLICAÇÃO DO MODELO FRAD NO RI-UFF

O RI-UFF é um repositório de fácil manuseio que contribui para a disseminação das
pesquisas acadêmicas da Instituição. Além disso, sabe-se da importância que um repositório
representa para os pesquisadores, cujo desejo é o de serem reconhecidos pelos seus trabalhos
acadêmicos.
Figura 1 - tela principal do RI-UFF.

Fonte: (UFF, 2013).
13 Segundo Breitman (2010, p. 20) o Resource Description Framework (RDF) é uma linguagem declarativa que
fornece uma maneira padronizada de utilizar o XML para representar metadados no formato de sentenças sobre
propriedade e relacionamentos entre itens na Web. Esses itens, chamados de recursos, podem ser virtualmente
qualquer objeto (texto, figura, vídeo e outros), desde que possuam um endereço Web.

168

�Analisando a estrutura do repositório percebemos que há campos do DC relacionados
aos dados de autoridade que poderiam ser identificados de forma mais detalhada com a
aplicação do modelo FRAD. A extensão do modelo à estrutura DC nos permite acrescentar
atributos que completem as informações sobre a entidade pessoa (autor, orientador,
contribuidores, etc.) ampliando os relacionamentos entre o criador da obra e seus pares,
mapeando vínculos que nos abrem a outras informações o que nos permite conhecer o
contexto de criação e produção do documento. Por esse motivo consideramos importante
simularmos a aplicação do novo modelo conceitual em diferentes ferramentas bibliográficas
como os repositórios institucionais.
A aplicação do modelo FRAD na estrutura do RI-UFF aconteceu em duas etapas:
primeiro mostramos como os metadados estão dispostos no repositório institucional da UFF e
depois mostramos os resultados da aplicação do modelo FRAD, modelando sua estrutura com
a inserção de novos metadados de autoridade (atributos) relacionados às entidades (pessoas).
Pelo fato da comunidade de História, como dissemos anteriormente, se destacar com
maior número de recursos em sua coleção, selecionamos apenas um exemplo (uma
dissertação) para efetuarmos a simulação.
As figuras abaixo mostram como os metadados estão ordenados no RI-UFF. Percebese que todas as entidades do modelo FRBR estão presentes na estrutura, no entanto, dada a
complexidade de uma simulação integral, nos atemos às entidades presentes no modelo
FRAD agregando-lhe atributos que melhor auxiliem sua identificação e que ampliem os
relacionamentos entre si e entre o contexto bibliográfico (obra, tema, etc.).
Figura 2 - estrutura dos metadados no RI-UFF (Parte 1).

169

�Figura 3 - estrutura dos metadados RI-UFF (parte 2).

Fonte: (UFF, 2013).

4 RESULTADOS DA APLICAÇÃO DO FRAD NO RI-UFF
A simulação abaixo demonstra que a adição de atributos do modelo FRAD aos
elementos DC, que representam pontos de acesso, pode aprimorar o processo de busca e
recuperação da informação no sentido que permite aos usuários dos repositórios novas
possibilidades de relacionamentos durante sua pesquisa. Com isso, o usuário terá mais
informações sobre o criador do documento/recurso e os diferentes relacionamentos que este
mantém com outras entidades, no caso de nosso exemplo, seu orientador, o programa no qual
está filiado, grupos de pesquisa, etc.
Nessa direção, podemos dizer que o acréscimo de novos atributos (currículo lattes,
filiações institucionais, etc.) aos metadados de autoridade identificados no registro DC (autor,
orientador, membros da banca) amplia os processos de busca e recuperação de informação;
levam o pesquisador a navegar para além do conteúdo da obra à medida que a contextualizava
em relação aos seus pares.
Para recursos como as dissertações e teses, tais relacionamentos são fundamentais para
a interlocução entre pesquisadores o que faz dos repositórios uma nova e poderosa ferramenta
à otimizar as comunicações cientificas.

170

�No quadro abaixo simulamos uma nova arquitetura para a informação disponível no
RI-UFF referente aos dados de autoridade (entidade pessoa) com o acréscimo de atributos que
as identificam de formar singular e contextualizada.

Figura 4 - Aplicação do FRAD no RI-UFF.
D A D O S D E A U T O R ID A D E

C A M P O S D C A C R E S C ID O S
D E A T R IB U T O S F R A D

d c .c o n tr ib u to r .a d v is o r
F o r m a n o r m a liz a d a d o n o m e
G r u p o d e p e s q u is a :

M a r ia F e r n a n d a B a p tis ta B ic a l h o
B i c a l h o , M a ria F e r n a n d a B a p tis ta
N ú c le o

de

P e s q u is a

e

E stu d o s

em

H is tó r ia

C u ltu r a l
ATRIBUTOS
FRAD

F o r m a n o r m a liz a d a d o n o m e

U n iv e r s i d a d e F e d e r a l F lu m in e n s e . N ú c l e o

de

P e s q u is a e E s t u d o s e m H is tó r ia C u ltu r a l
L in k p a r a o g r u p o :

h ttp ://w w w .h i s t o r ia .u f f .b r / n u p e h c /

C u r r íc u lo la tte s:

h ttp j / b u s c a t e x tu al.cn p q .b r. b u s c a t e x t u a l v is u a liz a
c v .d o ', id = T 8 1 2 9 4

d c .c o n ti i b u to r .a u t h o r

ATRIBUTOS
FRAD

&lt;

L e o n a r d o A le x a n d r e d e S iq u e ir a O liv e ir a

F o r m a n o r m a liz a d a d o n o m e

O liv e ir a , L e o n a r d o A le x a n d r e d e S iq u e ir a

V í n c u l o c o m a in s t it u iç ã o :

A lu n o d e M estra d o

L in k p r o g r a m a

h t t p : // w w w .h i s t o r ia .u ff .b r . stri c t o /

C u r r íc u lo la tte s

h ttp : p ls q ll .c n p q .b r b u s c a o p e r a c io n a l d e ta lh e e s tj
sp ? e st= 5 1 8 5 4 5 0 7 2 3 3 5 55 84

f

d c .c o n tr ib u to r .m e m b e r s
F o r m a n o r m a l iz a d a d o n o m e

R o b e r t o G u e d e s F e r r e ir a
F e r r e ir a , R o b e r t o G u e d e s

G r u p o d e p e s q u is a :

C e n tr o d e E s t u d o s so b r e a D i n â m i c a I m p e r ia l n o

F o r m a n o r m a liz a d a d o n o m e :

U n i v e r s i d a d e F e d e r a l d o R io d e J a n e ir o . C e n tr o

M u n d o P o r tu g u ê s, s é c s . X V I -X V I I
d e E s t u d o s so b r e a D in â m ic a Im p e r ia l n o M u n d o
P o r tu g u ê s

ATRIBUTOS
FRAD

L in k p a r a o g r u p o

h ttp : w w w .a r t .h is t o r ia .u f r j .b r

C u r r íc u lo la tte s:

h ttp ://b u s c a te x tu a l .cn p q . br b u s c a te x tu a l v i s u a li z a

J

c v .d o 7 id = B 0 7 2 ( 5 7 4

\

d c .c o n tr ib u to r .m e m b e r s

"

M a r ília N o g u e ir a d o s S a n t o s

F o r m a n o r m a l iz a d a d o n o m e

S a n t o s , M a r ília N o g u e ir a d o s

G r u p o d e p e s q u is a :

N ú c l e o d e P e s q u is a e E s t u d o s e m H istó r ia
C u ltu r a l

F o r m a n o r m a liz a d a d o n o m e

U n iv e r s id a d e F e d e r a l F lu m in e n s e . N ú c le o d e
P e s q u is a e E s t u d o s e m H is t ó r ia C u ltu r a l

L in k p a r a o g r u p o d e p e s q u i s a

h tt p ://w w w .h is to r ia .u ff.b r /n u p e h c '

C u r r íc u lo la tte s:

h t t p : //b u s c a te x t u a l.c n p q .b r /b u s c a te x tu a T v is u a liz a

l

c v .d o ? id = C 8 6 2 3 1 5

Fonte: Elaboração própria.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS
Um repositório institucional tem o objetivo de preservar o conhecimento acumulado
nas instituições apresentando como principais vantagens o armazenamento de grande

171

�quantidade de informações, facilidade de busca e recuperação e autonomia para o produtor
fazer a descrição e o autoarquivamento de seus documentos.
Além dessas vantagens, os repositórios promovem a instituição, aumentam a
visibilidade

de

suas

pesquisas

por

utilizar

padrões

de

metadados

conhecidos

internacionalmente, inspirando seus membros a criarem novas produções e compartilharem
suas coleções com outros usuários devido aos recursos de interoperabilidade.
O processo de simulação da aplicação dos atributos do FRAD na estruturação
descritiva (dados de autoridade/pessoa), demonstrou que tal implementação melhorará
consideravelmente o processo de busca e recuperação da informação, qualificando os
registros com o acréscimo de atributos individuais como o currículo lattes e de
contextualização acadêmica, como a vinculação aos grupos de pesquisa, o que permitirá ao
usuário uma visão mais abrangente sobre as comunidades científicas nas quais se inserem os
autores e seus pares (contribuidores, orientadores).
No que diz respeito à recuperação da informação dois aspectos merecem destaques: a)
o detalhamento de um registro com acréscimos de atributos amplia as possibilidades de
relacionamentos entre as entidades pessoas e as demais entidades bibliográficas que compõem
o registro DC; b) a incorporação das URI (uniform resource identifier) dos grupos e do
currículo lattes inaugura a possibilidade de associar as ferramentas bibliográficas aos dados
abertos (Linking open data) disponíveis na Web, levando os usuários do sistema, como os
profissionais da informação, não só a encontrar informações sobre os criadores dos recursos
mas poder compartilhá-las com segurança.

6 REFERÊNCIAS

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              <text>Destaca o papel dos repositórios institucionais no âmbito das universidades como ferramentas de grande importância na organização, preservação e disseminação da informação acadêmica, uma nova alternativa para a comunicação da ciência livre de barreiras de acesso. Objetiva simular o uso do modelo FRAD na estruturação descritiva de registros de autoridade em repositórios institucionais que custodiam a produção bibliográfica de comunidades universitárias e assim relatar os resultados obtidos através dessa experiência. Em termos teóricos e metodológicos, discute como a criação de modelos conceituais como o FRAD amplia as possibilidades de se adicionar atributos as autoridades (pessoas e entidades coletivas) a fim de introduzir maior detalhamento acerca dos criadores dos recursos. Conclui que a aplicação de atributos na estrutura descritiva do Repositório Institucional da Universidade Federal Fluminense enriquece sua arquitetura, pois os metadados adicionados individualizam e contextualizam os criadores dos recursos, ampliando as possibilidades de relacionamentos entre as diferentes entidades que compõem o registro bibliográfico. </text>
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