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                  <text>XVIII Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias
SNBU 2014

ACESSO ABERTO E DIREITOS AUTORAIS: DESAFIOS PARA OS
PROFISSIONAIS DA INFORMAÇÃO
Miriam de Cássia do Carmo M. Mattos
Márcia Silveira Kroeff
RESUMO
Este artigo é um ensaio de fundamentação para projeto de pesquisa em elaboração. Tem como
objetivo relacionar de forma crítica os temas “Acesso Aberto à Informação Científica” e
“Direitos autorais”, ambos na perspectiva da atuação do profissional da informação. Trata-se
de uma revisão bibliográfica, tendo como base, na temática dos direitos autorais, o “Dossiê
Copia Sur: Problemas econômicos, políticos e ideológicos del copyright”, publicado em 2006
pelo grupo de pesquisa “CopySouth” (GPCS), que é formado por diferentes universidades no
mundo, e conta com a participação de estudantes ativistas pela reforma do direito autoral,
sendo este é apresentado ao longo do texto. Em Acesso Aberto (Open Access) a revisão
aborda pesquisas de teóricos do Brasil e em nível internacional da área como: Bjork; Guedon;
Meadows, Willinsky, Abadal, Sayão, Rodrigues entre outros. Faz-se uma análise dos conflitos
existentes entre os direitos autorais e acesso aberto ao conhecimento, à informação e à cultura,
todos direitos fundamentais previstos na Constituição brasileira. Pontua e debate algumas
questões que afetam diretamente a vida profissional dos bibliotecários e cientistas da
informação. Conclui-se com reflexões de alternativas para o cumprimento de sua principal
missão, a mediação da informação através da organização e disseminação da mesma para toda
a sociedade, fazendo indicações para a pesquisa proposta.
Palavras-Chave: Direitos autorais; Acesso Aberto; Open Access; Ciência da Informação;
Profissional da Informação.
ABSTRACT
This article attempts to give reasons for the research project in progress. Aims to critically
relate the topics "Open Access to Scientific Information "and" Copyright ", both from the
perspective of the role of the information professional. This is a literature review , based on
the theme of the picture, the "Dossier Copy Sur: economic, political and ideological problems
del copyright", published in 2006 by the research group "CopySouth" (GPCS) , which is
formed by different universities in the world , and with the participation of student activists
for reform of copyright, and this is shown throughout the text. In OA (Open Access)
addresses the review of theoretical research in Brazil and internationally area as Bjork;
Guedon; Meadows, Willinsky, Abadal , Sayão, Rodrigues among others. Makes an analysis
of the existing conflicts between copyright and open access to knowledge, information and
culture, all fundamental rights under the Brazilian Constitution. Scores and discuss some
issues that directly affect the lives of professional librarians and information scientists. It
concludes with reflections of alternatives for fulfilling its primary mission, the mediation of

104

�information through the organization and dissemination of the same to the whole society,
making signs for the proposed research.
Keywords: Copyright ; Open Access ; Open Access ; Information Science ; Information
Professional .

1 INTRODUÇÃO
Assuntos como ‘acesso aberto’ e ‘direitos autorais’ são contemporâneos e ambos
influenciam diretamente os profissionais da informação. Neste sentido, é perceptível a
necessidade de aprofundamento do assunto, principalmente no que se refere aos impactos e
consequências de leis e acordos institucionalizados na atuação dos profissionais da
informação, com ênfase nos bibliotecários.
Através de revisão bibliográfica este ensaio se divide em três partes. Na primeira,
intitulada “Acesso aberto à informação: luta entre Davi e Golias”, aborda-se o tema acesso
aberto, apresentando as críticas dos autores ao sistema dominante do acesso pago e restrito à
informação científica. Na segunda parte, intitulada “Direitos autorais, direitos dos
autores?”, apresenta-se de forma resumida o “Dossiê CopySouth (Sul global): Problemas
econômicos, políticos e ideológicos del Copyright ”, buscando refletir sobre algumas questões
abordadas neste dossiê, principalmente aquelas referentes ao capítulo intitulado De cómo el
copyright impide a los bibliotecarios proporcionar servicios a sus usuários. Focamos nossa
atenção à pergunta: Como o cientista da informação brasileiro deveria responder aos
problemas e conflitos apresentados pelas leis de direito autoral? Nesta perspectiva, na terceira
parte, intitulada “Acesso aberto e direito autoral: impactos para profissionais da
informação”, Com o objetivo de relacionar de forma crítica os dois temas na perspectiva da
atuação do profissional da informação, discutiu-se alguns aspectos de possíveis confrontos
legais e morais associados às tecnologias e ao acesso social à informação, tecemos algumas
considerações que subsidiarão o projeto de pesquisa em elaboração.

105

�2 REVISÃO DE LITERATURA
ACESSO ABERTO: luta entre Davi e Golias5

Acesso livre não é um sonho idealista, mas um
objetivo que procura harmonizar as necessidadesde
um sistema de comunicação economicamente
sustentável com as necessidades intelectuais. Trata-se
de um modelo que representa um sistema de
distribuição de inteligências, é uma forma de dizer
como é possível fazer melhor uso de todas as mentes
do mundo. (GUÉDON, 2004).

Em tempos de internet e de constantes novidades tecnológicas, vivemos profundas
transformações nas relações sociais.

Surge a sociedade em rede, com destaque para a

comunicação e produção de conhecimento. Barreto (2012, p. 15) entende que “a sociedade em
rede permite partilhar o saber para se ter uma sociedade do conhecimento compartilhada,
porque cada indivíduo entra no universo tecnológico das redes interligadas trazendo sua
cultura, suas memórias cognitivas e sua odisseia particular”.
Neste contexto o conhecimento socialmente produzido tem diferentes dinâmicas,
dentre elas a científica.
A dinâmica científica, aqui entendida como prática científica concretiza-se, segundo
Stoleroff e Patrício (1995), “em resultados, ou seja, patentes, que registram um processo, um
produto ou um artefato, textos que servem para divulgar uma descoberta e/ou uma inovação,
ou os serviços que respondem a encomendas.” Dessa forma, a produção científica é
inegavelmente fruto da pesquisa científica. Assim sendo o conhecimento científico é produto
da ciência, dado a conhecer por meio da produção científica.
Lourenço (1997, p. 25) define produção científica como “toda produção documental,
independente do suporte desta - papel ou meio magnético - sobre um determinado assunto de
interesse de uma comunidade científica específica, que contribua para o desenvolvimento da
ciência e para a abertura de novos horizontes de pesquisa”.
No mundo capitalista a produção e o conhecimento científico transformam-se em
mercadorias, gerando grandes lucros para empresas que monopolizam seu acesso. Neste
sentido, a referência à luta entre Davi e Golias é uma analogia à luta daqueles que defendem o
5 [...] Mas, todos os israelitas estavam com medo de Golias, porque era muito grande. Tinha uns 3 metros de
altura, e tinha outro soldado para carregar-lhe o escudo. Alguns soldados foram contar ao Rei Saul que Davi
queria lutar contra Golias. Mas, Saul disse a Davi: ‘Não pode lutar contra este filisteu. Você é apenas rapaz, e ele
foi toda a vida soldado. [...] Então, Davi correu para Golias. Tirou uma pedra da bolsa, colocou-a na funda e
atirou-a com toda a força. A pedra atingiu Golias bem na cabeça, e ele caiu morto! - Luta entre Davi e Golias.
Histórias bíblicas

106

�acesso aberto da produção científica, reforçando a possibilidade de construírem-se alternativas
que alterem o status quo do conhecimento científico.

SEMPRE FOI ASSIM? SEMPRE SERÁ ASSIM?
Segundo Barreto (2012) O livre fluxo da informação, a adequada distribuição
(equitativa) do conhecimento produzido pela humanidade tem sido sonho de diversos homens
em diversas épocas. Sendo as organizações sociais aquelas que primeiro se ocuparam com a
inclusão pelo conhecimento.
Criada em 1603, a Academia de Lince (Accademia de Lincei) foi a pioneira. “a meta
das primeiras academias era o de possibilitar a qualquer pessoa do povo saber o que era
ciência e como eram feitas as descobertas científicas [...] em suas reuniões o que se praticava
geralmente era a realizações de experimentos para que os leigos as vissem”. Barreto (2012, p.
17) Formava-se assim a consciência da importância da troca de informações entre os
pesquisadores que, de forma oral ou por meio de correspondências, relatavam suas pesquisas
a outros estudiosos e à sociedade. As experiências relatadas podiam ser testadas e
aperfeiçoadas por outros interessados, realimentando o processo de pesquisa e gerando novos
conhecimentos científicos.

Com a aplicação do Método Científico, consolidado no século XVII,
ampliou-se a comunicação e registro da informação científica em
consequência surgem os primeiros veículos de informação científica: os
periódicos. As revistas científicas, em seu sentido moderno, nasceram na
segunda metade do século XVII, em Londres/Inglaterra (Philosophical
Transactions o f the Royal Society,) e em Paris/França (Journal des Sçavans).
(MEADOWS, 1999). Juntamente com o surgimento dos periódicos a criação
da Encyclopédie, editada por Jean Le Rond dAlembert e Denis Diderot que
contou com a contribuição de Voltaire, Rousseau e Montesquieu. Publicada
na França, no século XVIII - volumes finais em 1772, foi vista como a
destruição das superstições para o acesso ao conhecimento humano.
(BARRETO, 2012, p. 18).

O surgimento dos periódicos deu-se porque os livros já não atendiam mais a
velocidade de troca de informações exigida no campo das ciências, além da necessidade de
comunicação, de modo mais eficiente para uma clientela crescente e interessada em novas
realizações. Fez-se necessário assim um veículo de informação mais rápido e atualizado.
Corazza e Duarte (1984) enfatizam o importante papel desempenhado pelas revistas
científicas no contexto da divulgação científica e afirmam que, a publicação é produto

107

�indispensável da atividade científica, sendo através dela que o pesquisador comunica o
resultado de seu trabalho.
Com o passar dos séculos, por conta da evolução tecnológica, a produção e a
divulgação científica sofreram modificações, o registro das informações deixou de ser
meramente impresso para existir em meio digital, além de ter seu acesso ampliado em função
da internet.
No entanto ressalta-se que a enciclopédia e as revistas (sec. XVII e XVIII) foram as
primeiras redes do saber acumulado (embora com conexões fixas) e denotam claramente que
a preocupação com o acesso ao conhecimento livre e para todos não surgiu com a internet.
No meio científico, o aparecimento de revistas eletrônicas impulsionou o acesso à
informação, que antes passavam por um longo período até serem impressas e chegarem às
mãos dos pesquisadores. Meadows (1999) afirma que a quantidade de informação em
circulação se ampliou, bem como sua forma de apresentação.
Para Guedon (2001), a propriedade intelectual surgiu com intuito de proteger o
comércio dos textos impressos contra a imitação e a pirataria, que se equiparava a propriedade
exclusiva e perpétua concedida para a terra.

Segundo o autor, o direito autoral surgiu

inicialmente como uma recompensa e proteção temporária concedida pela República ao
cidadão,

contrariando princípios norteadores do conhecimento científico,

como a

democratização do saber. Ao relacionar a disseminação do conhecimento científico com os
conceitos iniciais

de propriedade intelectual,

esse

processo foi

descaracterizado,

comprometendo a democratização do saber. Com o avanço das tecnologias digitais, novos
debates surgiram e novas sanções do comércio de revistas científicas passaram a restringir seu
acesso.
Para Guedon (2001), nos últimos 50 anos os editores conseguiram transformar revistas
acadêmicas tradicionais em um empreendimento editorial promissor, “um grande negócio
com altas taxas de lucros”. Neste sentido, Guedon (2001) apresenta algumas questões que nos
fazem refletir: Qual é a base real por trás dessa capacidade surpreendente? Para benefício de
quem? Quais as fases de transição que podemos esperar? Qual é a fonte de seu poder? Como
pode ser subvertido?
Para Sayão (2010) também há muitas perguntas que ainda devem ser respondidas. Isto
porque a definição de um modelo é ameaçada por incertezas que tornam o desenvolvimento
de estratégias de arquivamento extremamente difíceis. Algumas questões que estão em pauta
são sob a perspectiva da biblioteca, entre elas:

108

�Quais são os direitos de acesso permanente ao material já pago,
principalmente quando a biblioteca suspende a assinatura do periódico? O
que acontece quando o editor retira um trabalho eletrônico do acesso on-line,
ou se afasta do negócio, ou torna, por outro motivo qualquer, o acesso
inviável? Quem vai assegurar que os arquivos vão manter a sua usabilidade?
E quem vai pagar por isso? (SAYÃO, 2010, p. 9)

Questionamentos como os de Guedon e Sayão impulsionam o debate sobre o
movimento de acesso aberto (Open Access, em inglês). O encarecimento das assinaturas dos
periódicos e a dificuldade das bibliotecas em adquirí-las reforçam o movimento. Segundo
Abadal, et al. (2010) apud Rodrigues e Oliveira (2012) na América e em alguns países do sul
da Europa as motivações do apoio ao acesso aberto são similares e diferindo em parte do
Canadá e Estados Unidos, pois ganham especificidades como: publicações em outras línguas
que não o inglês, à falta de periódicos, por não terem indústria editorial forte e tendem a
investir menor porcentagem do PIB em pesquisas.
Nesse contexto, defensores do acesso livre, de diversos países, principalmente aqueles
em desenvolvimento passam a questionar o formato e o lucro das grandes empresas, indicar e
promover modelos alternativos para comunicação científica, como repositórios digitais,
fazendo frente às dificuldades mencionadas. Esses modelos alternativos desencadearam a
mudança do sistema tradicional de comunicação científica. O debate ganhou força também
por parte de alguns governos com iniciativas e incentivos a fim de intervir em favor do acesso
aberto e da publicação paralela de artigos publicados em periódicos baseados em assinatura.
Neste sentido o Governo Federal do Brasil arca com os custos e disponibiliza o Portal
de Periódicos da Capes6, um instrumento de política pública para subsidiar o acesso ao
conhecimento científico. O Portal constitui-se hoje em um dos maiores acervos mundiais
nesse setor e é atualmente o principal mecanismo para o apoio bibliográfico às atividades de
pesquisa no Brasil. (CAPES, 2010). Outra importante ação do Governo é a participação do
Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia - IBICT - no apoio à
disseminação do uso de arquivos/repositórios de acesso aberto.
Nota-se assim que há certo consenso no pensamento dos cientistas da informação
sobre a importância em disponibilizar a produção científica abertamente e sem restrições,
sendo que uma das tarefas atuais é o convencimento aos autores e editores dos principais
periódicos da área em usar essas ferramentas.

6 O Portal foi criado em 2000, no âmbito do Programa de Apoio à Aquisição de Periódicos Eletrônicos (PAAP),
e gerido pela Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).

109

�Segundo Rodrigues e Oliveira (2012) ao mesmo tempo em que tem aumentado o
número de títulos de periódicos, tem crescido também, principalmente na última década,
estudos sobre periódicos digitais. Gerando um debate sobre a via Verde (depósito de artigos já
publicados em periódicos, em repositórios temáticos ou institucionais) e a via Dourada
(periódicos em acesso aberto), dando origem a novos modelos de publicação. Porém, Brown
(2010) apud Rodrigues e Oliveira (2012), ressalta que esse debate que tem sido aquecido pela
paixão, provém de contextos diferenciados, demandando assim estudos que sejam
baseados em evidências. (grifo nosso)
Para Bjork (2007), são muitos os argumentos a favor e contra o acesso aberto. Alguns
afirmam que é moralmente errado, grandes editoras terem o monopólio do acesso, obtendo
lucros excessivos, sendo que a produção foi - na sua maioria - financiada pelos governos.
Outros defendem que os lucros sejam utilizados para apoiar as sociedades científicas e a
utilização das receitas para apoiar outras revistas. Já os professores pesquisadores estão
preocupados com o aumento de seus custos no modelo de autor-pagador.
Ainda sob a ótica de Bjork (2007), embora uma série de estudos empíricos sobre os
efeitos econômicos de acesso aberto tenham sido realizados, é difícil comparar os resultados
de tais estudos, uma vez que são muitas vezes medidos os diferentes aspectos do processo
global. Assim, o autor defende a necessidade de estruturar modelos de processo de
comunicação científica em geral, que possa ser usados como base para comparação e
integração dos resultados de diferentes estudos.
Considerando a ciência da informação como via estratégica para a disseminação e
aquisição coletiva e/ou individual de conhecimento, os profissionais da informação
precisam

refletir

se

prosseguirão

defendendo

a priorização

às

necessidades

informacionais de seus usuários ou se cederão à mercantilização da informação e da
cultura.
Rodrigues e Oliveira (2012, p. 6) entendem que os “periódicos científicos de Acesso
Aberto beneficiam a sociedade como um todo, eliminando as barreiras de preço dos
periódicos aos leitores e tornando a comunicação entre os pesquisadores mais rápida”.
Acreditamos que a primeira opção é a correta. E, neste sentido, cabe também aos profissionais
da informação buscar maior participação da sociedade civil organizada, instituições de ensino
e pesquisa, sociedades científicas, editores científicos e das agências de fomento. Espaços que
possam contribuir para aperfeiçoamento do sistema de acesso aberto, bem como defender
mecanismos de controle social e transparência sobre as políticas públicas ligadas a tais temas.

110

�DIREITOS AUTORAIS, DIREITOS DOS AUTORES?
“Palabras utilizadas como soluciones mágicas’, que, cuando se
usaban para tratar de resolver cuestiones sociales,
simplemente se convertían com frecuencia en sinsentidos o
‘desvaríos trascendentales”. (FÉLIX COHEN, p. 355 2004
apud STORY, 2006, p. 177).

A partir de uma análise do “El Dossier Copia / Sur: Problemas económicos, políticos e
ideológicos del Copyright (derecho de autor) en el Sur global ” , buscamos refletir sobre
algumas das questões abordadas, principalmente aquelas referentes ao capítulo intitulado “De
cómo el Copyright impide a los bibliotecários proporcionar servicios a sus usuarios”.
Focamos nossa atenção à pergunta: “Como o cientista da informação brasileiro deveria
responder aos problemas e conflitos apresentados pelas leis de direito autoral?”. Nesta
perspectiva, discutimos alguns aspectos de possíveis confrontos legais e morais associados às
tecnologias e ao acesso social à informação.

UM POUCO SOBRE O "DOSSIÊ COPYSOUTH”
Documento denso, crítico e reflexivo, o “Dossiê CopySouth”, revela as controvérsias
que rodeiam as leis de Direitos Autorais em diversos países. O documento denuncia os
benefícios dos países desenvolvidos do Norte em relação aos países em desenvolvimento do
Sul, visto que os primeiros, através das multinacionais, já possuem uma porcentagem
esmagadora da propriedade intelectual mundial. Neste sentido, o dossiê destaca as crescentes
imposições e pressões institucionais internacionais na perspectiva de cerceamento do
Copyright.
Foi publicado em 2006 na língua inglesa, através de mídia eletrônica, pelo grupo de
pesquisa “CopySouth” (GPCS), que é formado por diferentes universidades no mundo, e
o

conta com a participação de estudantes ativistas da reforma do direito autoral.78

7 Disponível em inglês e espanhol em www.copysouth.org e espanhol http://eprints.rclis.org/11451/
8 Escrito y publicado por el Grupo de Investigacion Copia/Sur compuesto - Alan Story (Reino Unido), Colin
Darch (Sudafrica), Debora Halbert (EE.UU.), Adam Mannan (Reino Unido), Akalemwa Ngenda (Zambia),
Beatriz Busaniche (Argentina), Denise Nicholson (Sudafrica), Federico Heinz (Argentina),Jennifer de Beer
(Sudafrica), Norah Mugambi (Kenya), Joost Smiers (Holanda), Jose Antonio Torres Reyes (Mexico), Juan
Publio Triana Cordovi (Cuba), Lawrence Liang (India ), Maud Stephan (Libano), Roberto Verzola (Filipinas),
Ronaldo Lemos (Brasil), Shishir Kumar Jha (India), Zapopan Martin Muela-Meza (Mexico), Carlos Affonso
Pereira de Souza (Brasil), Papa Toumane Ndiaye (Senegal), Majid Yar (Reino Unido),y Teresa Hackett
(Irlanda). Editores:Alan Story (Reino Unido), Colin Darch (Sudafrica), Debora Halbert (EE.UU.)

111

�Cuando en 2006 fue publicado en medios electrónicos el Dossier Copia Sur
(The Copy/South Dossier) su contenido fue resenado ampliamente en todo el
mundo, tanto entre intelectuales y acadêmicos, así como entre grupos de
resistencia cultural y promotores de los derechos culturales. Para finales de
2007, es decir en menos de dos anos, la versión electrónica en inglês llegó a
ser mencionada en más de 7.000 sitios de Internet y la obra en PDF y RTF
ha sido copiada gratuitamente por miles de internautas vinculados a
actividades muy diversas, además de La distribución gratuita del ejemplar en
papel. Ese interês que se ha generalizado en todos los continentes tiene que
ver con un viejo problema de exclusión intelectual, que sufre la mayor parte
de la población, en una era de comercialización omnipresente. (EL
DOSSIER COPIA / SUR, 2007, p. 9)

Mediante esses fatores em 2007 foi traduzido e publicado tambêm em espanhol,
apoiado pelo governo da Venezuela9. O documento original foi editado por, Alan Story, Colin
Darch, y Debora Halbert. Em 2009 e 2010 o documento foi apresentado e discutido no
Brasil10.
Ao fazer uma avaliação crítica ao Copyright e seu impacto nos países do Sul global, o
Dossiê apresenta exemplos sobre os resultados sociais negativos nestes países, afirmando a
necessidade da ampliação do livre acesso ao conhecimento, à proteção das culturas locais e à
diversidade cultural. O documento aponta barreiras impostas à sociedade escamoteadas nas
ideologias que sustentam as políticas culturais hegemônicas, que impedem o amplo acesso à
cultura, à informação e ao conhecimento.
Direitos de acesso ao conhecimento, à informação e à cultura são elementos essenciais
para o desenvolvimento da sociedade. Entretanto, estes direitos muitas vezes entram em
conflito com as leis de direitos autorais, devido às restrições impostas pelas mesmas, que se
justificam por um suposto direito do autor.
Os direitos autorais visam estimular uma determinada prática social que ê o
incremento da atividade criativa do homem para o desenvolvimento econômico, cultural e
tecnológico da sociedade. Porêm, segundo Carboni,

9 Atravês do Serviço Autônomo de Propriedade Intelectual (no âmbito do Ministêrio do organismo Poder
Popular para as Indústrias Leves e Comêrcio da República Bolivariana da Venezuela, MPPILCO - SAPI.
10 Alan Story, veio ao Brasil em 2009, ministrando, juntamente com a professora Nanci Odone a disciplina
—
Tópicos Especiais - Infopolítica: Tópicos Contemporâneos sobre Propriedade Intelectual &amp; Direito
Autoral e sua Aplicação no Contexto das Tecnologias Eletrônicas de Informação e Comunicação’, na pósgraduação em Ciência da Informação da UNESP. Neste contexto que passamos a conhecer o documento e
analisá-lo. em 2010 no Rio de Janeiro, Story tambêm participou da 3a Conferencia Internacional sobre Direito
Autoral, realizada com o apoio do IBICT.

112

�As transformações sociais advindas, principalmente, das novas tecnologias,
levaram a uma mudança de função do direito de autor: de mecanismo de
estímulo à produção intelectual, ele passou a representar uma poderosa
ferramenta da indústria dos bens intelectuais para a apropriação da
informação enquanto mercadoria, ocasionando uma redução da esfera da
liberdade de expressão e se transformando em um obstáculo a formas mais
dinâmicas de criação e circulação de obras intelectuais. (CARBONI, 2006,
p. 229).

Neste sentido, de acordo com Carboni, a função social do direito de autor, que deveria
promover o desenvolvimento econômico, cultural e tecnológico mediante a concessão de um
direito exclusivo para a utilização e exploração de determinadas obras intelectuais por certo
prazo, passa a ser centralizada e direcionada para fins de beneficiar financeiramente um grupo
muito seleto de pessoas que, sem nada criar, se utiliza de estruturas proporcionadas pelo
capital para vender e lucrar sobre produções científicas e culturais. Muitas vezes inclusive
sobre obras financiadas com recursos públicos.
Hoje o interesse da indústria dos bens intelectuais move todo um processo de
alargamento do objeto de proteção do direito de autor e de prolongamento do seu prazo de
proteção. É por essa razão que o direito de autor mascara o fato de funcionar como uma
poderosa ferramenta da indústria do entretenimento e da informação e não do sujeito-autor,
que se vê na condição de ter que abrir mão de seus direitos em prol dessa indústria, para que a
mesma possa auferir lucro com a comercialização da sua obra.
Lemos (2005) observa que, durante o século XX, a propriedade intelectual propiciava
razoavelmente o equilíbrio entre os direitos autorais e os interesses da sociedade. A partir da
década de 1990, no entanto, os direitos decorrentes da criação passaram a ser encarados como
“propriedade” absoluta. A Lei se tornou o principal instrumento de mudança, ampliando
substancialmente o poder dos detentores de propriedade.
Existem diversos acordos internacionais quanto à proteção de direitos autorais e
direitos conexos, como: a Convenção de Berna para Proteção de Obras Literárias e Artísticas
(1886); a Convenção de Roma para Proteção de Intérpretes e Executantes, Produtores de
Fonogramas e Organizações de Rádio-Difusão (1961); o Tratado de Direito Autoral da WIPO
(Organização Mundial de Propriedade Intelectual - 1996) e o Tratado de Execuções,
Interpretações e Fonogramas da WIPO (1996). O Acordo da Organização Mundial de
Comércio (WTO) sobre Aspectos dos Direitos de Propriedade Intelectual Relativos ao
Comércio (TRIPS), de 1994, é o primeiro acordo multilateral de propriedade intelectual
relativo ao comércio (ABARZA; KATZ, 2002 apud LIMA, 2006, p. 7).

113

�Os referidos instrumentos internacionais e a legislação dos países indicam uma
preocupação crescente das nações em proteger os aspectos patrimoniais decorrentes da
exploração comercial de obras intelectuais. Principalmente os grandes países exportadores
destes bens passaram a desejar uma proteção mais severa aos seus produtos. Esse movimento
explicita, nas negociações internacionais, uma tendência que visa atrelar os “direitos de
propriedade intelectual” apenas com o aspecto econômico.
Iniciativas recentes defendem novos instrumentos para excluir os bens culturais e
serviços das regras do comércio internacional. Discute-se a inclusão de itens que promovam a
expressão e a diversidade cultural. Entre essas iniciativas pode-se citar a Declaração Universal
sobre a Diversidade Cultural, da Unesco, de 2002, que afirma:
Frente às mudanças econômicas e tecnológicas atuais, que abrem vastas
perspectivas para a criação e a inovação, deve-se prestar uma particular
atenção à diversidade da oferta criativa, ao justo reconhecimento dos direitos
dos autores e artistas, assim como ao caráter específico dos bens e serviços
culturais que, na medida em que são portadores de identidade, de valores e
sentido, não devem ser considerados como mercadorias ou bens de consumo
como os demais. (UNESCO, 2002).

São vários os eventos promovidos pelas mais diversas instituições com objetivo de
mostrar que a propriedade intelectual pode ser trabalhada de forma interdisciplinar e
intersetorial, num esforço de busca coletiva e solidária de enfrentamento dos modelos que
regulam a produção e a apropriação do conhecimento. Muitos eventos contribuem no debate
sobre as implicações dos direitos autorais para o acesso ao conhecimento, à saúde, à
segurança alimentar, especialmente por tais demandas constituírem carências notadamente
dos países tecnologicamente dependentes. Entre eles podemos citar o seminário “Propriedade
intelectual, interfaces e desafios”, promovido em 2007, no Rio de Janeiro, pela REBRIP Rede Brasileira pela Integração dos Povos, formada por movimentos sociais, ONGs e
entidades profissionais que se preocupam com as negociações de comércio internacional e sua
influência sobre os direitos e as condições de vida da população brasileira e buscam
alternativas que assegurem esses direitos. (REIS, et al, 2007).
No âmbito internacional isso também ocorre. Exemplos são práticas como o Creative
Commons,
Responsável por uma forma de direito autoral que disponibiliza um conjunto
de licenças para áudio, imagem, vídeo, texto e educação permitindo a
autores e criadores de conteúdo intelectual como músicos, cineastas,
escritores, fotógrafos, blogueiros, jornalistas, cientistas, educadores e outros,
indicarem à sociedade, de maneira fácil e padronizada, com textos claros e
baseados na legislação vigente, sem intermediários, sob que condições suas
obras podem ser usadas, reusadas. (ARAYA; VIDOTTI, 2009, p. 47).

114

�Outro exemplo é o Copyleft, que defende modificações nos princípios do direito
autoral com a utilização de software livre; entre outros que têm capitaneado a discussão sobre
a necessidade de flexibilização dos instrumentos da propriedade intelectual na nova ordem
global. Argumenta-se que a proteção excessiva da criação geraria muitos entraves ao
surgimento de novas criações, inclusive prejudicando a diversidade cultural.
Atualmente verifica-se um conflito constitucional no Brasil entre o direito individual
do autor de proteção à sua obra e o direito da sociedade ao acesso à informação, cultura e
educação, de fundamental importância para o desenvolvimento econômico, cultural e
tecnológico da nação.
Segundo Carboni (2005), a crescente ampliação das obras protegidas pelo direito de
autor, impulsionada pelos interesses da indústria de bens intelectuais, e propiciada pelo rol
meramente exemplificativo da Convenção de Berna e das legislações internas dos países
signatários, levou a certa banalização do objeto da proteção autoral, já que o que importa hoje
é proteger o chamado “conteúdo comercializável”, seja ele obra ou não. Com isso, expande-se
a proteção do direito de autor para obras que, em princípio, não a justificariam, como é o caso
do software e das bases de dados, passando a proteger o investimento que, afinal, acaba por
beneficiar apenas a empresa, “sendo que a tutela foi estruturada com finalidade diversa,
distorcendo todo o regime legal”. (CARBONI, 2005).
Frente ao atual debate sobre direitos autorais, e como visto pela breve exposição
acima, cabe aos profissionais da informação participar ativamente dessa discussão e buscarem
um posicionamento político que melhor respalde sua atuação profissional e seu papel de
mediadores na sociedade da informação.

3 MATERIAIS E MÉTODOS
Este estudo constitui-se de uma revisão da literatura especializada, apresentada em
formato de ensaio, relacionando dois temas: Acesso aberto à informação e Direitos autorais.
Teve início em 2010, sendo interrompido por três anos e em 2014 retomada em parceria
científica a fim de compor um projeto de pesquisa. Realizou-se pesquisa bibliográfica
principalmente em artigos científicos de autores conceituados buscando abranger o conjunto
de publicações relevantes presentes nas ementas das disciplinas de pós-graduação afins, na
área de Ciência da Informação.

115

�4 RESULTADOS PARCIAIS

ACESSO ABERTO E DIREITOS AUTORAIS: impactos para profissionais da informação

O que é ser bibliotecário hoje? Esta pergunta sugere uma
resposta tão flexível quanto às adaptações que este profissional
deve exercer para direcionar o sucesso de sua carreira. (SILVA,
2005).
A maior parte dos profissionais da informação vêm acompanhando e buscando
alternativas para sua atuação profissional frente ao avanço das tecnologias e a influência das
mesmas junto aos seus usuários. Na área social, estes mesmos profissionais passam a adaptar
seus serviços aos debates sobre multiculturalismo, biblioteca escolar, diversidade cultural,
inclusão digital, acessibilidade e usabilidade aos deficientes. Ou seja, os profissionais devem
preocupar-se, cada vez mais com o acesso social à informação, ao conhecimento e à cultura
em todos os níveis de sua intervenção. Nestes diversos âmbitos, o acesso à informação
científica e as leis de direitos autorais passam a influenciar diretamente, mesmo que às vezes
de forma velada, e a dificultar - até mesmo impedir - serviços oferecidos pelos profissionais
da informação aos seus usuários. Vejamos alguns exemplos.

SOFTWARES E SERVIÇOS DE BASES DE DADOS, UTILIZADOS PELAS
BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS
Com o objetivo de atender aos seus pesquisadores e manterem-se com boa
conceituação junto à sociedade e aos órgãos que as avaliam institucionalmente, as
universidades compram softwares e pagam significativos recursos financeiros para o acesso a
produções científicas nacionais e internacionais das mais diversas áreas do conhecimento
contidas em Bases de Dados privadas. Em sua maioria, as pesquisas que compõem tais bases
são financiadas com recursos públicos.
Diferentemente da aquisição de revistas cientificas impressas, que ao serem
compradas são facilmente incorporadas ao acervo das instituições, as Bases de Dados são
apenas licenças, restringindo diversos serviços antes oferecidos com a versão impressa, como
a comutação - serviço de solicitação de fotocópias e/ou empréstimo de documentos - entre
bibliotecas -, como também limitação de acessos e impressões das mesmas. Segundo Story,

En las bibliotecas de aquellos países menos desarrollados con una moderna
infraestructura de ICT (Infraestructuras Comunes de Telecomunicaciones),
tales como Suráfrica, Brasil o la India, los problemas surgen cada vez más a

116

�partir de las capas de protección de la propiedad intelectual que se
superponen al derecho de autor o Copyright. Estas incluyen los términos y
condiciones de los contratos de acceso a las bases de datos comerciales
(denominados normalmente licencias), así como los dispositivos
tecnológicos tanto de software como de hardware y las nuevas leyes que
criminalizan cualquier clase de elusión de dichos dispositivos (leyes
antielusión). Este problema afecta todas las bibliotecas del mundo, pero tiene
un impacto desproporcionado sobre los países en vías de desarrollo, ya que
probablemente no dispongan de fondos para pagar licencias suplementarias,
y puede que no tengan capacidad para negociar mejores condiciones de
licencia o hacer lobby (es decir, cabildear, N. del E.) para conseguir mejores
leyes de propiedad intelectual . (STORY, 2006, p.104).

REDES SOCIAIS E COMPARTILHAMENTO
Jovens no mundo todo trocam seus arquivos de música, filmes, vídeos, pelo
computador. Como criminalizar toda uma cultura nova, do compatilhamento da duplicação,
da difusão? Araya e Vidotti (2009, p. 47) registram que, segundo a Federação Internacional
da Indústria Fonográfica, 95% dos downloads são ilegais. Os autores apresentam, também,
dados do Ibope/NetRatings onde 46% dos internautas brasileiros acessam sites e serviços de
downloads ilegais. Registram, ainda, que, segundo a Federação do Comércio do Estado do
Rio de Janeiro (Fecomércio-RJ), apenas 5% dos brasileiros não recorrem à pirataria por medo
de punição.
O que fazer quando a lei entra em conflito direto com a atuação do bibliotecário e o
seu papel de disseminador da informação? Os profissionais da informação que vêem nascer e
crescer uma nova geração de usuários virtuais e digitais, que ampliam as redes sociais da
internet, que criam, compartilham informações, músicas, filmes entre outros, de forma ágil e
fácil, também vêem uma ampliação das leis de direitos de autor e são apontados com o dever
moral de vigiar o cumprimento destas leis em seus espaços de trabalho. Os poucos debates na
área sobre o assunto apontam apenas as conseqüências e cuidados a serem tomados para não
infringir as leis. Mas o que está ocorrendo em nível nacional e internacional é o
questionamento dessas leis e da forma como elas estão sendo utilizadas. Quem está errado, os
usuários ou a legislação?

COPIAS PARA FINS EDUCATIVOS, DE PRESERVAÇÃO E ACESSO A
DEFICIENTES
Diferentemente de outros países, a legislação brasileira sobre direitos autorais permite,
embora não quantifique, cópias de “pequenos trechos” de obras para fins educativos. Também
há brechas, no Brasil, para a tradução de obras inteiras para o Braile. No entanto, a abertura

117

�para a aquisição de obras para fins educativos, de preservação e acesso a deficientes pára ai. E
isto prejudica principalmente as instituições públicas de ensino, na perspectiva de
assegurarem aos seus usuários acesso à informação, à cultura e ao conhecimento, pois não
possuem a mesma capacidade financeira das instituições privadas de ensino para aquisição de
obras protegidas.
Tais situações perpassam o cotidiano de todo profissional da informação. Resta saber
se, diante das leis de direitos autorais e seus impactos sobre o exercício de profissões e
mesmo sobre as necessidades dos usuários, serão ou não agentes passivos no cumprimento de
tais leis. Se a opção for a de ter voz ativa sobre este processo, o horizonte de debate e
proposição de alternativas será promissor.

5 CONSIDERAÇÕES PARCIAIS
[...] as principais instituições do direito de propriedade intelectual,
forjadas no século XIX com base em uma realidade social
completamente distinta da que hoje presenciamos, permanecem
praticamente inalteradas. (LEMOS, 2005).
Se o conhecimento é qualificado, o mundo merece conhecê-lo sem ter
de pagar por isso. (WILLINSKY, 2012).

A prioridade dos profissionais da informação é satisfazer as necessidades
informacionais de seus usuários. Estes viram na evolução tecnológica, particularmente com o
advento da internet e possibilidade de acesso e disseminação de novas fontes de
conhecimento e surgimento de uma nova cultura de compartilhamento, a perspectiva de
democratização da informação. E viram, por outro lado, tais perspectivas serem cerceadas por
legislações estabelecidas antes do advento das novas tecnologias e agora revigoradas ou
“atualizadas”.
Se por um lado a evolução tecnológica ampliou a possibilidade de acesso à
informação, por outro, leis como as de direitos autorais e as bases de acesso restrito
privatizam tal possibilidade. De quebra, colocam em xeque a própria função social do
profissional da informação, mas, fundamentalmente, reduzem a informação e a cultura à
condição de mercadoria.
Tal situação vem despertando um debate internacional sobre os direitos de propriedade
intelectual, o acesso aberto à informação e os processos decisórios sobre acordos comerciais
multilaterais e bilaterais e ajustes de legislações internas dos países. Vem, também,
propiciando a emergência de movimentos sociais contestatórios a esta “nova ordem”.

118

�Willinsky (2006) afirma que apenas 20% de todos os artigos de pesquisa estavam em
acesso aberto, e muitos deles disponíveis apenas como manuscritos auto-arquivados em sites
pessoais dos autores, apesar de muitos jornais estarem experimentando modelos de maior
acesso, como a oferta de acesso aberto a uma pequena seleção de artigos disponíveis
gratuitamente. Enquanto isso, as taxas de inscrição revista continuam a crescer, prendendo os
orçamentos das bibliotecas e restringindo a circulação.
Num passado recente, as editoras, assim como as gravadoras, tinham a função de fazer
o conhecimento chegar ao público. Essa mediação era necessária, pois envolvia um complexo
sistema de produção, distribuição, logística, planejamento e também custos de estocagem,
além das parcelas de participação dos varejistas e distribuidores. Hoje, as tecnologias de
informação e comunicação quebraram essa cadeia que havia entre o produtor/autor e o
leitor/consumidor.
No caso da literatura acadêmica, a difusão da obra e seu impacto são fundamentais
para o autor. Raros são os autores que realmente ganham algum dinheiro das editoras. Em
geral, pesquisas que custaram dezenas ou centenas de milhares de dólares, financiados pelos
contribuintes, podem ter seus direitos entregues de forma praticamente gratuita para uma
editora. A edição de tais obras raramente passa dos mil exemplares - sendo que o do autor é
muitas vezes cobrado a parte ou o total dos custos para publicar. Alguns livros são impressos
apenas uma única vez. Além disso, uma editora pode fechar, vender os direitos ou
simplesmente perder o interesse na obra - mesmo assim, retendo os direitos.
Logo, cabe perguntar: “Como o cientista da informação brasileiro deveria responder
aos problemas e conflitos apresentados?” Poder-se-ia simplesmente cumprir a lei e esperar
um posicionamento institucional sobre o assunto. Ou ainda fechar os olhos para os debates
que estão ocorrendo.
Entendemos que tal postura equivaleria ao comportamento do avestruz diante de uma
situação de perigo. Ao contrário, o momento exige dos profissionais da informação
participação ativa de aprofundamento do debate e tomada de posição política diante dos
desafios que estão colocados. E tais desafios não se resumem aos aspectos meramente
corporativos que tal debate encerra. O centro dos questionamentos é a garantia do direito
social à informação.

119

�6 REFERÊNCIAS

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              <text>Este artigo é um ensaio de fundamentação para projeto de pesquisa em elaboração. Tem como objetivo relacionar de forma crítica os temas "Acesso Aberto à Informação Científica" e "Direitos autorais", ambos na perspectiva da atuação do profissional da informação. Trata-se de uma revisão bibliográfica, tendo como base, na temática dos direitos autorais, o "Dossiê Copia Sur: Problemas económicos, políticos e ideológicos del copyright‖, publicado em 2006 pelo grupo de pesquisa ―CopySouth” (GPCS), que é formado por diferentes universidades no mundo, e conta com a participação de estudantes ativistas pela reforma do direito autoral, sendo este é apresentado ao longo do texto. Em Acesso Aberto (Open Access) a revisão aborda pesquisas de teóricos do Brasil e em nível internacional da área como: Bjork, Guedon, Meadows, Willinsky, Abadal, Sayão, Rodrigues entre outros. Faz-se uma análise dos conflitos existentes entre os direitos autorais e acesso aberto ao conhecimento, à informação e à cultura, todos direitos fundamentais previstos na Constituição brasileira. Pontua e debate algumas questões que afetam diretamente a vida profissional dos bibliotecários e cientistas da informação. Conclui-se com reflexões de alternativas para o cumprimento de sua principal missão, a mediação da informação através da organização e disseminação da mesma para toda a sociedade, fazendo indicações para a pesquisa proposta.</text>
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