<?xml version="1.0" encoding="UTF-8"?>
<item xmlns="http://omeka.org/schemas/omeka-xml/v5" itemId="6481" public="1" featured="0" xmlns:xsi="http://www.w3.org/2001/XMLSchema-instance" xsi:schemaLocation="http://omeka.org/schemas/omeka-xml/v5 http://omeka.org/schemas/omeka-xml/v5/omeka-xml-5-0.xsd" uri="http://repositorio.febab.org.br/items/show/6481?output=omeka-xml" accessDate="2026-05-08T08:54:52-07:00">
  <fileContainer>
    <file fileId="5543">
      <src>http://repositorio.febab.org.br/files/original/61/6481/SNBU2000_099.pdf</src>
      <authentication>888c7d960bd25b174eaa0811a24e8d1d</authentication>
      <elementSetContainer>
        <elementSet elementSetId="4">
          <name>PDF Text</name>
          <description/>
          <elementContainer>
            <element elementId="92">
              <name>Text</name>
              <description/>
              <elementTextContainer>
                <elementText elementTextId="73354">
                  <text>A COMUNICAÇÃO NA GESTÃO DA BIBLIOTECA DO NOVO
MILÊNIO: O DIGITAL E O VIRTUAL INTERAGINDO COM A
ORALIDADE E A ESCRITA
CDU: 659.3: 02

Conceição Lopes
Bibliotecária, Assessora da Direção da Biblioteca Central da UFRPE, Mestranda
do Programa de Comunicação e Informação da UFPE. Recife, Pernambuco – Brasil.
e-mail: saomartins@guiautil.com

Nanci Toledo
Bibliotecária, Especialista em Biblioteca de Instituições de Ensino Superior,
Diretora da Biblioteca Central da UFRPE. Recife, Pernambuco – Brasil.
e-mail: bc@gir.npde.ufrpe.br

Lúcia Helena Rodrigues
Bibliotecária, Especialista em Automação de Bibliotecas e Centros de
Documentação, Chefe da Seção de Documentação da Biblioteca Central da UFRPE.
Recife, Pernambuco – Brasil.
e-mail: bc@gir.npde.ufrpe.br

�RESUMO: Neste trabalho são discutidos aspectos relacionados com a importância da
interação da Comunicação na gerência de Bibliotecas numa contextualização histórica,
resgatando desde a informação em seu estágio primitivo através da transmissão oral à
informação eletrônica. Vive-se hoje no binômio da Comunicação/Gestão da Biblioteca,
um ambiente de mutação radical, onde imperam por um lado, o comutador e a Internet
numa transformação comparável ao surgimento da escrita e, tempos depois, à invenção
da imprensa. Um universo de informações eletrônicas aliadas aos acessos on-line que
compõem a atual Galáxia de Gutemberg. Por outro lado, a integração da Biblioteca com
o ambiente e com o seu público baseia-se no êxito da comunicação praticada tanto
interna como externamente, considerando que a linguagem fragmentada e imediata dos
meios de comunicação vem substituindo o estático pelo dinâmico, pelo movimento, onde
o homem não interage apenas com o real, tendo suas relações cotidianas de permuta
determinadas pelas novas tecnologias, pelo mundo virtual, onde a informação direta vem
sendo substituída pela indireta, mediatizada pelos canais de informação que, entretanto,
não substituem o discurso interpessoal. Apresenta reflexões que ratificam a imensa teia
na qual se contextualiza a informação, da sua prática oral à metainformação e enfoca,
particularmente, sua conexão com a comunicação na qual estabelece uma rede de
significados com o contexto social e com seu público específico.

PALAVRAS-CHAVE: Comunicação – Informação – Gestão – Biblioteca Universitária –
Tecnologia da Informação

�1- INTRODUÇÃO
Este texto não é fruto de uma pesquisa do senso comum do ambiente de uma
biblioteca como costuma ser o trabalho do profissional de informação. Ele nasceu nessa
organização

social

e

pública;

entretanto,

busca

conjugar

as

tarefas

técnico-administrativas do cotidiano das autoras com o olhar curioso e característico de
quem freqüenta as bancas da Pós-Graduação. Por esta razão, é o resultado de um diálogo
contínuo que tem suas raízes aprofundadas em 1998, quando a revolução das
comunicações passou a constituir o objetivo central das nossas preocupações e recorte
que vem sendo pesquisado, elegendo também novos enfoques.
Sendo a comunicação humana um traço essencialmente cultural, é impossível
isolá-la de todo um processo. A secular narrativa de feitos heróicos, poéticos, românticos,
tradições e costumes é resgatada por Benjamim (1994), quando, em seus estudos
referentes à tradição, rememora a narrativa, relacionando-a a uma cadeia dessa tradição,
que transmite os conhecimentos de geração em geração e consolida a trama do tecido
social. Dessa forma, vivendo, discutindo e observando o processo e as formas de
comunicação no presente e sua prática diária com nossa equipe de trabalho e com nosso
público, nos dispomos a contextualizá-la no passado e no atual momento histórico da
gestão da Biblioteca.
Para determiná-la, faz-se necessário conhecer todo o conjunto do processo
histórico-cultural. A comunicação existe miticamente desde os primórdios: “No princípio
era o Verbo...”. Este mesmo Verbo evoluiu e transformou-se numa velocidade vertiginosa
em nossa época, afirma Rector (1997). No espaço real, envolve a troca de mensagens
entre interlocutores, onde atua como fator essencial à convivência e à solidariedade

�humana e, no espaço virtual, concretiza-se através de múltiplas mediações que se
realizam nas relações do(s) indivíduo(s) com seu mundo e com a informação.

2- A COMUNICAÇÃO COMO FATO HISTÓRICO
No mundo contemporâneo, é sensível e visível a presença da comunicação que
nos cerca e nos envolve por todas as formas e maneiras. Mas nem sempre no passado esta
presença nos apresenta tão explícita. É necessário, portanto, acompanhar, principalmente,
as inovações tecnológicas que permitiram ao homem absorver o espaço entre indivíduos
e povos entre si. Somente a marcha das civilizações permite vislumbrar tal processo e
verificar que uma civilização planetária, tal como vivemos hoje, deu o seu primeiro passo
no momento em que dois indivíduos se compreenderam e se mutualizaram para uma ação
comum.
Tal fenômeno teve como decorrência a ampliação do contato entre as culturas. A
partir desse processo, a comunicação é constante e decisiva, implicando a construção e
uso das estradas pelos persas, que se tornaram esteio na hegemonia sobre outros povos. É
lógico que, se tomarmos o mesmo exemplo hoje, uma estrada é apenas meio de
transporte, porque a função da estrada persa, no seu momento histórico, teve seu
sucedâneo atual nos satélites artificiais que transmitem e captam notícias e informações,
tal como objetivava aquele meio de dominação persa.
O que aparece como permanente na história da comunicação é a associação com o
poder em suas várias esferas. Numa comunidade, a existência de dominantes e
dominados se faz através da pressão e da persuasão, na concepção tradicional dos estudos
da comunicação. No âmbito universal, esta relação se reproduz e o exemplo das

�civilizações dominantes mostra que, ao ascenderem, elas empregam técnicas herdadas e
aperfeiçoadas ou são elas próprias portadoras de inovações que lhes facilitam o processo
de dominação.
O repensar desse processo tem acontecido através de estudos que se fundamentam
no pensamento de Gramsci, especialmente quanto à questão do deslocamento do conceito
de dominação para o de hegemonia, partindo do pressuposto de que nem sempre quem
exerce o poder político e econômico exerce o poder hegemônico. Martín-Barbero, teórico
latino-americano, que dedica-se ao estudo da comunicação através das mediações, afirma
que: “O conceito de ‘hegemonia’ elaborado por Gramsci, possibilita pensar o processo de
dominação social já não como imposição a partir de um ‘exterior’ e ‘sem sujeitos’, mas
como um processo no qual uma classe hegemoniza, na medida em que representa
interesses que também reconhecem, de alguma maneira como seus as classes subalternas
e ‘na medida’ significa aqui que não ‘há’ hegemonia, mas que ela faz e desfaz, se refaz
permanentemente num ‘processo vivido’, feito não só de força, mas também de sentido,
de aproximação pelo poder, de sedução e de cumplicidade”. (Martín-Barbero, 1997).

2.1- Do Instintivo ao Cultural
Estudos recentes sobre o comportamento animal têm revelado as relações entre
sua sobrevivência, sua organização social e a comunicação. Assim, as sociedades
animais, assentadas sobre a competição e a solidariedade, são hoje concebidas como
organizações complexas, comportando um sistema de comunicação e, geralmente,
baseadas numa ordem hierárquica.

�A comunicação olfativa realizada através da urina para demarcar o território é
utilizada pelos canídeos e felídeos e perfeitamente decodificada pelo receptor da mesma
espécie. Igualmente, alguns cervídeos realizam a mesma demarcação utilizando
glândulas secretoras localizadas nos cornos, esfregando-se nas árvores. Nos mamíferos, o
odor do cio das fêmeas é logo compreendido pelos machos como o período de
acasalamento.
A comunicação sonora é praticamente utilizada por quase todos os animais. O
diferente cacarejar da galinha, seja para anunciar o encontro de alimentos ou avisar a
aproximação de um predador, é distinguido pelas crias que reagem ou correndo para o
alimento ou para se esconder. Um determinado mugido entre alguns bovídeos selvagens
produz a imediata concentração das fêmeas e suas crias, enquanto os machos, em torno,
tomam a atitude de defesa ante o perigo pressentido.
A comunicação gestual tem o seu clássico exemplo na dança praticada pelas
abelhas, com a qual conseguem transmitir todas as informações sobre a localização de
fontes de mel.
Dessa forma, a comunicação entre os animais é parte da sua natureza instintiva e,
enquanto instinto, é patrimônio comum tanto do ser irracional como do racional. O choro
de fome ou de dor do bebê humano é um processo de comunicação instintiva, assim
como o grito provocado pela iminência do perigo. Nesse sentido, o estudo do
comportamento animal permite identificar a comunicação como um elemento
fundamental para a preservação e a organização das espécies e implica numa cadeia de
adaptações entre as quais a posição erecta, o desenvolvimento das cordas vocais e,
sobretudo, a capacidade de compreensão e de aprendizagem.

�Bordenave (1991), em sua tese sobre comunicação, diz que esse processo tem um
começo bastante nebuloso: “Realmente, não sabemos como foi que os homens primitivos
começaram a se comunicar entre si, se por gritos ou grunhidos, como fazem os animais,
ou se por gestos, ou ainda por combinações de gritos, grunhidos e gestos”. Certamente,
quando num certo momento deste indeterminado passado, um ser aprendeu a dar uso a
um objeto natural ou a fabricar um utensílio e, em seguida, a transmitir o seu uso ou a
técnica de sua feitura aos seus descendentes, o primeiro ato cultural se efetuou, presidido
pela primeira manifestação da comunicação humana.
Quando dois seres identificaram com o mesmo som um objeto e o transmitiram
aos seus descendentes, surgiu a comunicação verbal e o código lingüístico. E quando dois
seres estabeleceram que determinado signo escrito representava um objeto ou uma idéia e
o transmitiram aos seus descendentes, surgiu a comunicação escrita.
Salvo esse último momento que possibilita uma relativa datação, todos os
anteriores devem estar contidos na longa caminhada para a hominização, perdida no
tempo e que no estágio atual de nossos conhecimentos as ciências se sentem impotentes
para determiná-los. O que o processo nos sugere é a presença da comunicação como
elemento permissivo da própria criação e divulgação de cultura.
Ao dominar os processos de comunicação, o homem passou a controlar o
interrelacionamento entre si e a natureza. A ampliação e a divulgação do código
lingüístico serviu então para maior identidade grupal e conduziu a estruturação da
sociedade para a organização tribal.

�2.2- A Marcha para uma Civilização Planetária
Do Neolítico às Civilizações dominantes do Mundo Antigo, às atuais Civilizações
Modernas, a perspectiva histórica nos revela que a sucessão de gerações de que é
composta a História tem alguns fios condutores dos quais destacamos, inicialmente, o
componente dominante/dominado. Este traço que acompanha todo o caminho percorrido
pelo homem, apesar da crescente complexidade social, já está presente nas comunidades
dos Primatas através das relações da tríade básica: machos, dominantes; fêmeas e jovens,
marginais.
No nível das civilizações, a dicotomia persiste: dominantes e dominados. A
hierarquia procedente da dominação percorre o processo histórico e, ao mesmo tempo, há
uma permeabilidade que permite as substituições das hegemonias. Assim, os impérios se
sucedem, tal como as gerações, e cada um transfere ao que se segue um acervo que
influencia o seguinte e será por este renovado. O importante nesse processo é que na
formação de cada império os limites de sua influência se ampliam e envolvem culturas
marginais, transformando-as e integrando-as como áreas dominadas. Da interseção dos
vários círculos que sucederam, aos poucos foi se consolidando um patrimônio comum, o
gérmen de uma civilização planetária.
Dentro desse acervo, certamente o primeiro é a riqueza, isto é, um capital
acumulado pelas gerações e pelos impérios ao longo do tempo. Coube às primeiras
civilizações este entesouramento como fruto da sua produção e da troca dos seus
produtos. Não teríamos dúvida em apontar a Mesopotâmia como o berço, no Ocidente,
deste fenômeno que tem na acumulação de metais preciosos a sua resultante concreta. A
partir daí, as hegemonias se projetam, na medida em que as civilizações se apoderam

�deste legado. Os assírios concentram a riqueza acumulada pela Mesopotâmia e pelo
Egito. Os babilônios dela se apossam e têm de entregá-la aos persas, que somam ainda a
riqueza dos fenícios. Alexandre unifica a acumulação realizada pelos gregos e pelos
persas e Roma os herdará. Aos poucos, este capital volta ao Mediterrâneo Oriental e
Bizâncio o centraliza para compartilhá-lo com os árabes. Estes, além da herança, retiram
do Extremo Oriente parte do seu acervo que foi disputado pela Europa. Esta
transforma-se na depositária, já em escala mundial, uma vez que anexa também a riqueza
das Américas. O advento dos Estados Unidos, da atual Comunidade dos Estados
Independentes e do Japão faz com que, em nossos dias, estejamos assistindo à disputa
pela herança européia.
Este fio condutor nos obriga a privilegiar o aspecto econômico e a reconhecer que
as últimas causas da dinâmica histórica repousam, sem dúvida, na economia. Por outro
lado, a História, vista sob esta perspectiva, anula a discussão sobre a origem do
capitalismo. Se o capitalismo implica em dominação e exploração do homem pelo
homem, na divisão do trabalho e na acumulação do capital, este processo está na propícia
base do processo histórico, embora possamos estabelecer fases e formas do seu
desenvolvimento.
Neste contexto, acompanhamos o pensamento de Weber (1967), na fixação da
Europa como a base inicial da formação do capitalismo, e aí tanto faz estabelecer o ponto
de partida no século XI, XVI ou XVIII. No pensamento weberiano, as raízes mais
profundas do capitalismo apontam a sua existência na China, na Índia, na Mesopotâmia,
na Antigüidade Mediterrânea e na própria Idade Média européia.

�A prioridade concebida à economia não exclui, absolutamente, a necessidade de
incorporar a qualquer estudo sob o ponto de vista histórico os outros componentes que
perfazem a própria vida. Por isso, a total relevância da proposta básica do historiador
Braudel (1981), para um método de reconstrução da História: “Jamais deve-se esquecer
de que a História é o homem e, para reconstruí-lo, é necessário restabelecer,
simultaneamente, todas as realidades que se aparentam, se juntam e vivem no mesmo
ritmo. O homem é demasiadamente complexo para ser reduzido a um só fator
dominante”.
Tomando por base essa proposição, a comunicação surge como segundo ponto
para esta discussão, uma vez que durante o percurso do homem até o presente, conservou
suas relações com o poder. Este é, pois, uma premissa básica para uma visão da
comunicação na perspectiva histórica. Na sucessão de hegemonias, como já vimos, a
comunicação sempre foi utilizada ao lado da economia como instrumento de dominação.
Em toda a trajetória do homem, a luta pelo poder foi uma constante e igualmente sua
conservação se faz através de meios repressivos ou persuasivos. Entre esses, incluem-se
desde a encenação da pompa da realeza até a maciça propaganda utilizada pelo estado
nazista. Nesse processo, tanto o poder usa a comunicação para veicular sua ideologia,
como por exemplo, para a difusão do conceito do direito divino dos faraós e imperadores;
quanto a própria sociedade usa os meios de comunicação para denunciar, ironizar,
contestar ou criticar aqueles que estão no poder, como acontece nas atuais sociedades.
Ao enfocarmos as técnicas de comunicação sob o ângulo da relação
tempo/espaço, ou seja, o tempo que a informação leva para percorrer um determinado
percurso, a história da comunicação divide-se em algumas fases: a primeira resgata-a em

�seu estágio mais primitivo, através da transmissão oral cujo objeto principal era a
transmissão da cultura de determinado grupo social de geração para geração,
destacando-se a figura do ancião, do “velho” e sua memória, afirma Zumthot (1993).
Amplamente difundida desde a Antigüidade, aparece muitas vezes como a reflexão da
inexistência ou a fragmentação dos textos. Nesses primórdios, sua disseminação contava
com a velocidade do cavalo ou dos navios a remo e ou a vela.
À luz da história, observa-se em sua evolução uma série de rupturas e progressos.
A primeira, ocasionada na forma de transmissão, com a disseminação da escrita, o
advento da imprensa e a construção da estrada de ferro. Em seguida, entre o começo do
século XIX até os nossos dias, a velocidade da comunicação se acelerou com a evolução
dos veículos a vapor , do telégrafo, do telefone e, finalmente, com o rádio, a televisão, o
computador e as redes de telecomunicações que, através dos satélites, eliminaram
teoricamente o espaço geográfico.

3- A COMUNICAÇÃO ATRAVÉS DE MULTI-VEÍCULOS: Considerações Finais
Vem se tornando lugar comum dizer que a sociedade contemporânea é hoje, mais
do que nunca, uma sociedade tecnológica. Esse mundo da tecnologia não se restringe
mais a máquinas e instrumentos, envolve estratégias e procedimentos do saber fazer e do
saber transformar bens e matérias-primas. Essa sociedade, a chamada sociedade da
informação, representa, segundo Levy (1997), a etapa do desenvolvimento da sociedade
que se caracteriza pelas substituições e pelas transformações.
Não há dúvidas sobre o papel fundamental da tecnologia nessas transformações.
Chegou-se à acumulação tecnológica, no processo de comunicação, isto é, ao longo da

�História, tecnologias foram se sucedendo, e não se excluindo. O conceito contemporâneo
de “multimídia - multiplicidade de meios interagindo” é um bom indicativo disso; as
tecnologias se acumulam, criando formas e estratégias diferentes mas simultâneas ao
gerar um novo processo de interação humana: a comunicação através de multi-veículos.
Assim, recordamos, que no início da história humana, era a história da
comunicação marcada pelo diálogo pessoal, direto; séculos mais tarde, seria o
predomínio da comunicação mediada, sobretudo, pelos códigos escritos. Os dias atuais
não eliminam a comunicação mediada, mas introduzem a forma mediatizada, isto é, cada
dia mais a tecnologia está presente na interação e comunicação humana.
Novas maneiras de pensar e de conviver estão sendo elaboradas. Vive-se uma
metamorfose incessante de dispositivos informacionais de todos os tipos. Emerge neste
final de século XX um conhecimento por simulação. O ambiente e os acervos da
Biblioteca são agora mutantes, compostos por informações analógicas, disponíveis em
átomos, publicados em papel e pelas informações digitais, armazenadas em “bits”,
através de imagens, textos e sons digitalizados, arquivos e bancos de dados disponíveis
através de computadores.
Este contexto de paradoxos, tal qual o concebemos atualmente, apresenta-se para
nós como um problema filosófico, que se encontra fundamentado na “Metafísica” de
Aristóteles, em suas reflexões sobre o mutante, ou seja, nos momentos em que o filósofo
refletiu sobre a passagem entre o que pode ser igual e o que pode vir a ser diferente: “O
mutante, enquanto muda, não é. No fundo, esse é um ponto bastante discutível, pois o
que está em vias de perder uma determinada qualidade ainda possui algo do que vai
perdendo e, do que vai adquirindo, alguma coisa já deve existir”. (Aristóteles, 1979).

�A busca dos impactos sociais e culturais das tecnologias tem sido, de acordo com
o filósofo e urbanista francês Paul Virilio (1993), quase um indicador de que se convive
com a mudança, com o novo, com o que provoca. No ambiente mutante da Biblioteca, a
comunicação atua como processo de melhoria da qualidade dos serviços, servindo,
inclusive, nesse sentido, como uma das ferramentas utilizadas pela gerência.
Sem dúvida, a presente revolução tecnológica vem gestando nos últimos tempos,
no âmbito das Bibliotecas Universitárias, um público cada vez mais exigente e ávido por
informações eletrônicas e digitais. Percebe-se, no entanto, que por mais completos e
velozes que sejam esses arquivos, os usuários quase sempre acabam procurando
complementá-las, buscando embasamento no documento escrito. Factualmente, não são
apenas os serviços que impressionam esse público; a imagem que ele tem da Biblioteca é
projetada também pelo pessoal que nela atua, provocada pelo processo interativo real
entre esse público e aqueles que trabalham como mediadores da informação.
Nesse sentido, apesar de vivermos agora a era da colonização tecnológica, é
inimaginável uma comunidade universitária essencialmente reduzida ao “homem –
máquina”, sem linguagem, sem meios para lembrar, narrar e reestruturar experiências e
pontos de vista passados e presentes. Pensamos que sem as situações de comunicação,
nosso mundo seria desprovido de História, mito, drama ou comédia, e a vida sem
revelações e emoção.

ABSTRACT: In this work, the aspects related to the importance of communication
interaction in the library management, considering the historical context and retaking the
information from its primitive stage of oral transmission to the eletronical information

�are discussed. Nowadays, in the binomial reality of communication/library management,
a radical mutation is observed, where the importance of the computer and Internet in the
process of transformation, may be compared with the discover of the writing, and later,
the invention of the press. A universe of eletronical reformation, allied to the accesses
on-line from the actual galaxy of Gutemberg. On the other hand, the integration of the
library with the environment and with its public is based on the success of the
communication internally and externally used, considering the immediate and
fragmented language used by the mass media is substituting the static by the dinamic and
movement, where the human being interact not only with the real, having daily exchange
relationships determinated by this technologies, by the virtual world, where the direct is
being substituted by the indirect, mediated by the channels of information that, however,
do not substitute the interpersonal discuss. Presents reflections that ratify a immense
frame in which the information is analyzed in a context, from the oral practice to the
metainformation and particularly focus its connections with the communication, in which
stablish a net of means with the social context and with its specific public.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
1- ARISTÓTELES. Metafísica. São Paulo: Abril Cultural, 1979. p.15-20.
2-

BENJAMIN, Walter. Magia e técnica, arte e política: ensaios sobre literatura e
história da cultura. São Paulo: Brasiliense, 1994. Obras escolhidas v.1.

3-

BORDENAVE, Juan Diaz. O que é comunicação. São Paulo: Brasiliense, 1991.
105p.

�4-

BRAUDEL, Fernand. A história no dia-a-dia. Veja, São Paulo, n.651, fev.1981.
p.3-6.

5-

COSTELLA, Antonio. Comunicação: do grito ao satélite. São Paulo:
Mantiqueira, 1978. 230p.

6-

LEVY, Pierre. As tecnologias da inteligência: o futuro do pensamento na era da
informática. São Paulo: Ed. 34, 1997. 208p.

7-

MARTÍN- BARBERO, Jésus. Dos meios às mediações: comunicação, cultura e
hegemonia. Rio de Janeiro: UFRJ, 1997. p.90-104

8-

NEGROPONTE, Nichols. A vida digital.São Paulo: Cia das Letras, 1995. 231p.

9-

RECTOR, Mônica. Comunicação na era pós-moderna. Petrópolis: Vozes, 1997.
387p.

1011-

VIRILIO, Paul. Espaço crítico. Rio de Janeiro: Ed.34, 1993. 204p.
WEBER, Max. A ética protestante e o espírito do capitalismo. São Paulo:
Pioneira, 1967

12-

ZUMTHOR, Paul. A letra e a voz: a literatura medieval. São Paulo: Cia das
Letras, 1993. p.35-74.

�</text>
                </elementText>
              </elementTextContainer>
            </element>
          </elementContainer>
        </elementSet>
      </elementSetContainer>
    </file>
  </fileContainer>
  <collection collectionId="61">
    <elementSetContainer>
      <elementSet elementSetId="1">
        <name>Dublin Core</name>
        <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
        <elementContainer>
          <element elementId="50">
            <name>Title</name>
            <description>A name given to the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="71360">
                <text>SNBU - Edição: 11 - Ano: 2000 (UFSC - Florianópolis/SC)</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="49">
            <name>Subject</name>
            <description>The topic of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="71361">
                <text>Biblioteconomia&#13;
Documentação&#13;
Ciência da Informação&#13;
Bibliotecas Universitárias</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="41">
            <name>Description</name>
            <description>An account of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="71362">
                <text>Tema: A Biblioteca Universitária do Século XXI</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="39">
            <name>Creator</name>
            <description>An entity primarily responsible for making the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="71363">
                <text>SNBU - Seminário Nacional de Bibliotecas Universitárias</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="45">
            <name>Publisher</name>
            <description>An entity responsible for making the resource available</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="71364">
                <text>UFSC</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="44">
            <name>Language</name>
            <description>A language of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="71365">
                <text>pt</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="51">
            <name>Type</name>
            <description>The nature or genre of the resource</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="71366">
                <text>Evento</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
          <element elementId="38">
            <name>Coverage</name>
            <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
            <elementTextContainer>
              <elementText elementTextId="71367">
                <text>Florianópolis (Santa Catarina)</text>
              </elementText>
            </elementTextContainer>
          </element>
        </elementContainer>
      </elementSet>
    </elementSetContainer>
  </collection>
  <itemType itemTypeId="8">
    <name>Event</name>
    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
  </itemType>
  <elementSetContainer>
    <elementSet elementSetId="1">
      <name>Dublin Core</name>
      <description>The Dublin Core metadata element set is common to all Omeka records, including items, files, and collections. For more information see, http://dublincore.org/documents/dces/.</description>
      <elementContainer>
        <element elementId="50">
          <name>Title</name>
          <description>A name given to the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="73346">
              <text>A comunicação na gestão da biblioteca do novo milênio: o digital e o virtual interagindo com a oralidade e a escrita</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="39">
          <name>Creator</name>
          <description>An entity primarily responsible for making the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="73347">
              <text>Lopes, Conceição, Toledo, Nanci, Rodrigues, Lúcia Helena </text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="38">
          <name>Coverage</name>
          <description>The spatial or temporal topic of the resource, the spatial applicability of the resource, or the jurisdiction under which the resource is relevant</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="73348">
              <text>Florianópolis (Santa Catarina)</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="45">
          <name>Publisher</name>
          <description>An entity responsible for making the resource available</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="73349">
              <text>UFSC</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="40">
          <name>Date</name>
          <description>A point or period of time associated with an event in the lifecycle of the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="73350">
              <text>2000</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="44">
          <name>Language</name>
          <description>A language of the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="73351">
              <text>pt</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="51">
          <name>Type</name>
          <description>The nature or genre of the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="73352">
              <text>Evento</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
        <element elementId="41">
          <name>Description</name>
          <description>An account of the resource</description>
          <elementTextContainer>
            <elementText elementTextId="73353">
              <text>Neste trabalho são discutidos aspectos relacionados com a importância da interação da Comunicação na gerência de Bibliotecas numa contextualização histórica, resgatando desde a informação em seu estágio primitivo através da transmissão oral à informação eletrônica. Vive-se hoje no binômio da Comunicação/Gestão da Biblioteca, um ambiente de mutação radical, onde imperam por um lado, o comutador e a Internet numa transformação comparável ao surgimento da escrita e, tempos depois, à invenção da imprensa. Um universo de informações eletrônicas aliadas aos acessos on-line que compõem a atual Galáxia de Gutemberg. Por outro lado, a integração da Biblioteca com o ambiente e com o seu público baseia-se no êxito da comunicação praticada tanto interna como externamente, considerando que a linguagem fragmentada e imediata dos meios de comunicação vem substituindo o estático pelo dinâmico, pelo movimento, onde o homem não interage apenas com o real, tendo suas relações cotidianas de permuta determinadas pelas novas tecnologias, pelo mundo virtual, onde a informação direta vem sendo substituída pela indireta, mediatizada pelos canais de informação que, entretanto, não substituem o discurso interpessoal. Apresenta reflexões que ratificam a imensa teia na qual se contextualiza a informação, da sua prática oral à metainformação e enfoca, significados com o contexto social e com seu público específico.</text>
            </elementText>
          </elementTextContainer>
        </element>
      </elementContainer>
    </elementSet>
  </elementSetContainer>
</item>
