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                  <text>PROJETO ARQUITETÔNICO DA BIBLIOTECA COMUNITÁRIA DA UFSCAR: BELO E
FUNCIONAL

“O aspecto exterior do edifico confere-lhe uma imagem
de marca: a biblioteca pode convidar a entrar, passar
despercebida, ou afastar um público pouco motivado.”
(1)
Lourdes de Souza Moraes
Diretora - BCo/UFSCar
E-mail: lourdes@power.ufscar.br
Elizabeth Valdetaro Salvador
Arquiteta - UFSCar
E-mail: felizabt@power.ufscar.br
Francisco Alexandre Sommer Martins
Arquiteto - UFSCar
E-mail: fmartins@power.ufscar.br
Universidade Federal de São Carlos
Rod. Washington Luís, Km. 235 - Monjolinho - CP-676 - Fone: (0xx16)260-8133
São Carlos ( SP) - Brasil
CEP-13565-905

1

�Resumo: A concepção de um novo modelo de Biblioteca exige uma nova concepção do seu
espaço físico, onde a funcionalidade deve estar presente sem contudo sobrepor à estética e
vice-versa. Nesta direção foi realizado um trabalho conjunto entre bibliotecários e arquitetos
que resultou em um projeto arquitetônico que permitiu de modo harmonioso abrigar num
mesmo espaço diferentes comunidades de usuários, acervos, serviços e produtos de
informação, inovando e renovando o convencional de uma biblioteca universitária
comunitária. O estudo detalhado de todas as funções e serviços da biblioteca em sua nova
concepção possibilitou a identificação de parâmetros para o trabalho de criação dos arquitetos.
Localizada no eixo norte / sul do campus da Universidade Federal de São Carlos, o complexo
Biblioteca Comunitária, área de vivência e auditório englobam uma área de aproximadamente
9.000 m2. A estrutura é em concreto pré-moldado, e o espaço de dois blocos modulados de
dois e três pavimentos respectivamente, é interligado por um grande hall coberto por quatro
grandes abóbadas de concreto que deixam passar luz através de suas imensas esquadrias
laterais de ferro e vidro. A visualização do “todo”, espaços amplos e abertos, agradam os
usuários. O elemento de ligação entre os dois blocos, que abrigam desde a infraestrutura até
os acervos especiais da biblioteca, é uma rampa que conduz aos cinco diferentes níveis. Boa
iluminação natural, boa acústica e conforto térmico são características marcantes do projeto.
Materiais de fácil manutenção, tais como revestimentos cerâmicos interno e externo, piso
cimentado rústico e piso vinílico foram largamente utilizados. A caixa de escada e elevador,
as abóbodas do grande hall e os dois blocos distintos deram ao projeto uma volumetria
interessante. Um auditório com 400 lugares e salas para conferências conferem ao conjunto
uma função mais ampla do que a de uma biblioteca isoladamente. Um projeto que abriga “um
projeto maior”, o da Biblioteca Comunitária.
Serviço de Extensão: Biblioteca Comunitária

2

�1. INTRODUÇÃO:
Arquitetura de bibliotecas é ainda no Brasil um tema muito pouco explorado. Em
1989, no 6º Seminário de Bibliotecas Universitárias ocorrido em Belém, PA, foi realizado o 2º
Simpósio sobre Arquitetura de Bibliotecas Universitárias , onde foi possível conhecer os
projetos de construções de novas bibliotecas em andamento, além da oportunidade de
participar de palestras interessantes proferidas por grandes arquitetos e bibliotecários
especialistas na área, como os professores José Galbinsky e Antonio Miranda. (2)
A referência do evento é muito mais significativa do que pode parecer para este
trabalho. A participação da equipe responsável pelo elaboração do projeto da nova biblioteca
da Universidade Federal de São Carlos - UFSCar, bibliotecários e arquitetos∗, influenciou
muito positivamente na realização da tarefa, trazendo contribuições

desde da própria

concepção do projeto até a indicação de empresas especializadas para o seu desenvolvimento.
A ausência de parâmetros nacionais que pudessem subsidiar estudos de construção de
bibliotecas, acabou por delegar aos profissionais de arquitetura e engenharia uma difícil tarefa
de projetar e construir um edifício que pudesse ser ao mesmo tempo, belo e funcional, o que
por muitas vezes não é alcançada com o sucesso desejado.
Pensando em construir um prédio que além ser funcional, abrigasse todo o acervo,
serviços e produtos da biblioteca, fosse também um marco no conjunto arquitetônico do
campus, a equipe designada realizou um trabalho coeso e cooperativo no sentido de colher um

∗

Arq. Francisco A. S. Martins, Elizabeth Valdetaro Salvador e Getulio Geraldo Rodrigues Alho EDF/UFSCar. O Detalhamento Arquitetônico foi realizado pela Empresa ZIMBRES e REIS - Brasília - DF. O
Detalhamento Arquitetônico foi realizado pela Empresa ZIMBRES e REIS - Brasília - DF.
3

�conjunto de dados e informações, através da literatura disponível, de visitas à edifícios recém
construídos dedicados à bibliotecas ou centros culturais, participação em eventos e consultas à
especialistas. Assim, o projeto apresentou várias versões, uma a cada nova informação e
impressão deixada por experiências positivas ou negativas já vivenciadas, o que deu à equipe
uma segurança no sentido de saber o que fazer - e o que é mais importante - o que não fazer.
Nasceu, desta forma, o grande projeto da Biblioteca Comunitária da UFSCar, que
proporcionou a toda equipe, arquitetos e bibliotecários, uma experiência muito rica, que
merece ser compartilhada através do presente trabalho.

2. UMA NOVA CONCEPÇÃO DE BIBLIOTECA: da antiga Biblioteca Central à moderna
Biblioteca Comunitária.
Qualquer projeto arquitetônico exige para a sua criação o conhecimento do objetivo e
as características de seus usuários. Para a construção de uma biblioteca não é diferente, ou
melhor, é necessário muito mais do que ter conhecimento de seu objetivo geral abrigar uma
biblioteca - é necessário saber que modelo de biblioteca se pretende instalar no prédio ora
projetado.
Nos últimos anos tivemos uma grande transformação nas bibliotecas universitárias
brasileiras. O projeto da Biblioteca Comunitária tomado como um grande desafio foi
idealizado sob a ótica de duas diretrizes que norteiam a transformação e a nova concepção de
biblioteca.
A mudança para o novo paradigma da biblioteconomia e ciência da informação é a
primeira delas. Muito do que se tem estudado e discutido, nos últimos anos está relacionado

4

�com uma nova realidade que se impõe no processamento, acesso e uso da informação, ou seja,
o uso de computadores, redes de comunicações de dados, novos suportes óticos e magnéticos
no armazenamento e acesso à informação. Aliado à aplicação da nova tecnologia, este novo
paradigma exige também, a incorporação dos conceitos de redes e sistemas, procurando a
adoção de uma metodologia de trabalho que permite o compartilhamento de serviços e
produtos de informação.
A outra diretriz está relacionada à nova concepção de biblioteca. Com a atenção
voltada à informação, no seu conceito mais amplo, a nova biblioteca teria que ser concebida
com um grande centro referencial de informação, que armazena, acessa e disponibiliza
informações de todos os tipos e para todos os fins, tendo como conseqüência um rol muito
diversificado de fontes de informação e de usuários, além de se apresentar como um centro
cultural, permitindo a realização dos mais variados eventos.
Somada a esta concepção, a vocação da UFSCar na integração com a comunidade
externa por meio de atividades de extensão, o projeto da Biblioteca Comunitária, sustentou
com firmeza a radical transformação - da antiga Biblioteca Central à moderna e ousada
Biblioteca Comunitária.
Todas essas diretrizes influenciaram decisivamente no projeto arquitetônico. Uma
nova biblioteca necessita de um novo espaço físico, especificamente desenhado para ser um
centro de informação e cultura - alegre, confortável, bonito e funcional.

5

�3. OS GRANDES DESAFIOS:
O maior desafio encontrado neste projeto foi como conciliar num mesmo espaço físico
duas comunidades tão diferentes em relação ao uso da biblioteca e de necessidade de
informação. Como estender os serviços e produtos de uma biblioteca universitária à
comunidade em geral, enfocando principalmente os alunos do ensino fundamental sem,
entretanto, não prejudicar comunidade universitária interna?
O edifício projetado em níveis, formando grandes blocos complementares
independentes, permitiu a disposição dos serviços, produtos, acervos e áreas de leitura de tal
forma que o usuário, muito bem orientado, se locomovesse com muita facilidade para o local
mais apropriado para o atendimento de suas necessidades. Assim, foi instalado no primeiro
piso interno, toda parte de serviços administrativos e técnico, no segundo piso , que é de fácil
acesso ao público, todo os serviços voltados ao atendimento da comunidade externa, sendo
que os outros pisos foram reservados para serviços e acervos mais especializados.
O outro grande desafio foi relacionado com os custos da obra e as características
desejáveis para um edifício de biblioteca. Aspecto bastante importante já referido por Cláudio
Mafra Mosqueira (3), em sua palestra realizada no 1º Simpósio de Arquitetura de Bibliotecas
Universitárias - “... culto à monumentalidade - que quando não chega a comprometer
funcionalmente - o faz em termos de custo de construção, de manutenção e de desarmonia
com a realidade sócio-econômica local.” Na direção de não pecar pela ostentação, a proposta
foi construir um edifico que fosse um ponto de referência no campus, substituindo a

6

�monumentalidade pelas características mais práticas e modernas -

agradável, confortável e

funcional.
4. CONCEPÇÃO ARQUITETÔNICA:
4.1. O PROGRAMA DE NECESSIDADES:
Com o firme propósito de transformar a Biblioteca Universitária em um espaço que
possibilite a integração com a comunidade local e regional o Programa de Necessidades foi
estabelecido em função do novo modelo de bibliotecas, agregando-se ao mesmo espaços
destinados à atividades culturais, de vivência. E, por outro lado, foram considerados também
as diretrizes definidas no Plano Diretor de Desenvolvimento Físico e aspectos determinados
pela ampla incorporação dos recursos da informática.
Assim, o Programa de Necessidades teve de incorporar auditórios, teatro, lanchonete,
pequenos pontos comerciais, além da necessidade de programar a instalação de redes de fibraótica, redes especiais de energia elétrica estabilizada, postos de consulta “on-line”, e espaços
dotados de infra-estrutura de informática para processamento e gerenciamento das atividades
de busca e recuperação da informação.
Com base na definição da comunidade de usuários, na tipologia do acervo, nos
serviços e produtos a serem disponibilizados o dimensionamento físico da biblioteca deverá
considerar as seguintes atividades e/ou setores fundamentais:
-

Administração

-

Aquisição e Desenvolvimento de Coleções

-

Processamento Técnico

7

�-

Referência

-

Ação Cultural

-

Acervo

-

Leitura

-

Áreas Comunitárias

-

Infra-estrutura Geral

A seguir apresentaremos uma descrição de suas funções e características dos
ambientes necessários.
ADMINISTRAÇÃO:
Funções:

Direção; Secretaria Executiva; Assessoria Informática; Zeladoria/
Vigilância ; Limpeza

Características dos Espaços : As atividades de Administração devem localizar-se no
pavimento térreo, com fácil acesso para pessoal interno e externo, próximo da entrada de
serviço.
A sala da Assessoria de Informática, que abriga o “servidor” e os materiais de
informática, deve ser equipada com ar condicionado.
AQUISIÇÃO E DESENVOLVIMENTO DE COLEÇÕES:
Funções :

Chefia; Secretaria; Solicitação e recebimento do material bibliográfico
Inventário e Tombamento do acervo

Características dos Espaços : As salas de serviço devem ser amplas porque circula um
grande número de obras. Devem ser equipadas com estantes, mesas para conferência e

8

�carimbagem dos volumes. O local deve ser de acesso restrito e seguro. Localização próxima a
entrada de serviço e processamento técnico.
PROCESSAMENTO TÉCNICO:
Funções :

Chefia; Secretaria; Classificação/Indexação; Catalogação/Alimentação
da Base de Dados; Setor de Monografias; Setor de Periódicos e
Publicações Seriadas; Setor de Materiais Especiais/ Multimeios; Setor
de Manutenção e Conservação do Acervo; (pequenos reparos e preparo
p/ encadernação)

Características dos Espaços : As salas devem ser amplas, dispostas em seqüência,
divididas com divisórias baixas. A localização próxima ao Setor de Aquisição, entrada de
serviço e elevador para distribuição do material processado. O mobiliário deverá ser
constituído de “postos de serviço” com equipamento computacional, mesas e estantes para
manuseio e estocagem das obras a serem processadas.
REFERÊNCIA:
Funções :

Chefia; Secretaria; Atendimento e Orientação ao Usuário; Setor de
Circulação - (empréstimo/devolução/reserva/cadastro); Recepção (Controle do fluxo de entrada e saída de usuários); Serviços Especiais (empréstimo entre bibliotecas/normalização bibliográfica); Serviço de
Informação Utilitária; Serviço de Acesso a Base de Dados - (Comutação
Bibliográfica); Treinamento de Usuários; Serviço de Reprografia

9

�Características dos Espaços : As atividades de referência caracterizam-se por:
atendimento, orientação e treinamento dos usuários; empréstimos entre bibliotecas; acesso a
Base de Dados; terminais de acesso e identificação do acervo; serviço de empréstimo
devolução e reserva. Estas atividades distribuem-se por quase todo espaço físico da biblioteca
principalmente se a mesma tiver mais de um pavimento.
Os espaços devem ser amplos para circulação dos usuários e devem estar situados com
local de fácil acesso do público. Os espaços devem ser projetados especificamente para cada
tipo de serviço e para cada tipo de usuário. A entrada/saída deve ser controlada por catracas,
precedida por sistema de segurança. A recepção/circulação deve ser instalada na entrada.
AÇÃO CULTURAL:
Funções :

Chefia; Secretaria; Planejamento e execução de eventos; Relações
Públicas; Coordenação de Programas Especiais

Características dos Espaços : Os espaços para chefia e secretaria devem localizar-se
próximo das áreas públicas da biblioteca. As atividades coordenadas pelo setor serão
basicamente desenvolvidas nos auditórios, saguão, e área de exposição permanente.
ACERVO:
Tipos : Coleção Geral: Monografias; Referência
Consulta: Banco de Livro-Texto; Banco de Teses; Literatura; Acervo Geral
Periódicos : Exposição de fascículos recentes; Armazenamento de coleções
retrospectivas
Outros Materiais : Normas; Documentos Eletrônicos; Multimeios

10

�Coleção Especial : Acervos raros de intelectuais recompostos em ambientes especiais;
Videoteca; Gibiteca; Literatura Infanto-Juvenil
Características dos Espaços : Na área destinada ao acervo devemos prever espaços
para as coleções mencionadas anteriormente. O dimensionamento do espaço para o acervo
dependerá sempre dos objetivos da instituição mas, de modo geral, poderá ser calculado com
base em uma variação média de 200 volumes/metro quadrado, considerando-se a área frontal
das estantes e a área de circulação local. (fig.1).
Para a coleção de periódicos devemos prever estantes para sua guarda e estantes
especiais para exposição dos últimos fascículos de cada coleção.
As coleções especiais devem ter acesso restrito e controlado, normalmente exigindo
ambientes com características individualizadas.
A videoteca também exigirá ambientes e equipamentos especiais – sala para guarda do
acervo e salas de projeção de diferentes capacidades. Os equipamentos serão TVs,
Videocassetes, telas, e aparelhos de som.
A área para Literatura Infanto-Juvenil e Gibiteca devem ser individualizadas dentro do
acervo geral em função de suas características.
A Área de Leitura Livre de jornais diários deve ser localizada próximo a entrada e a
área de exposições permanentes.
LEITURA:
Funções : Postos de leitura e ambientes para estudo individual e em grupo.

11

�Características dos Espaços: Os postos de leitura deverão estar distribuídos junto ao
acervo, de maneira diversificada de modo a proporcionar várias opções aos usuários. O
número de postos de leitura deverá também ser estabelecido em função da clientela a ser
atingida e dos objetivos definidos pela instituição. Deverá ser previsto também cabines para
estudo em grupo, que poderão ser reservadas para grupos de trabalho e/ou pesquisa em tempo
determinado.
O dimensionamento do espaço para os postos de leitura deverá ser calculado tendo por
base uma área de aproximadamente 1,50 metro quadrado/posto de leitura.( fig. 2).
ÁREAS COMUNITÁRIAS:
Funções :

Saguão de Acesso; Exposição Permanente; Seminários; Eventos

Características do Espaço : O espaço do Saguão de Acesso deve ser bastante amplo
pois é onde acontece a maior concentração de usuários funcionando como um “hall” de
distribuição para as demais áreas da biblioteca. Neste saguão localizam-se alguns terminais de
consulta, o balcão de empréstimo/devolução. A Área de Exposições Permanentes deve ficar
próximo ao saguão. Os espaços para seminários e eventos deverão ser constituídos por
auditórios e devem localizar-se, também, próximos ao saguão mas não necessariamente tendo
acesso pelo mesmo.

INFRAESTRUTURA GERAL:
Funções : Sanitários Públicos; Sanitários de Funcionários; Copa/Cozinha;
Guarda-

12

�Volumes; Depósitos para Material de Limpeza; Depósito para Manutenção
de Mobiliário
Características dos Espaços : Os espaços mencionados neste item destinam-se a infraestrutura geral da Biblioteca Comunitária. Os sanitários de funcionários, a copa e cozinha
devem localizar-se junto as áreas administrativas. O guarda-volumes tem sua localização
obrigatória nas proximidades do acesso, antes das catracas do setor de empréstimo. Os
depósitos de material de limpeza devem ser distribuídos nos vários pavimentos. O depósito de
manutenção de mobiliário deve localizar-se no térreo próximo ao acesso de serviço.
4.2. PARTIDO ARQUITETÔNICO:
O estabelecimento do partido arquitetônico da Biblioteca Comunitária levou
em consideração, principalmente os seguintes aspectos: Localização; Funcionalidade e
Flexibilidade; Conforto Térmico; Tipologia construtiva.
LOCALIZAÇÃO:
A localização da Biblioteca em relação ao conjunto dos outros edifícios é de
importância decisiva para o bom funcionamento da estrutura universitária. Ficando bem
situada no interior do campus, onde se proporcione facilidade de acesso a todos que dela
necessitem, contribuirá substancialmente para prestigiar o conceito de estrutura acadêmica
integrada, interativa e centralizada.
Partindo desta premissa, a Biblioteca Comunitária da UFSCar foi construída na área
norte do campus, na confluência dos principais eixos de circulação (norte-sul/leste-oeste), em

13

�área considerada como de expansão natural, de fácil acesso

para os usuários, tanto da

comunidade universitária como da comunidade externa.
A facilidade de acesso para pedestres e usuários do transporte coletivo, ampla área de
estacionamento, local de acesso reservado para carga e descarga, pequena declividade do
terreno foram considerados elementos facilitadores para a localização do edifício e definição
do partido arquitetônico.
O processo de escolha da localização da Biblioteca Comunitária foi dirigido pela
equipe técnica de projeto da Universidade, mas contou com a participação da comunidade,
com deliberação final do Conselho Universitário.
FUNCIONALIDADE E FLEXIBILIDADE:
Como já mencionamos anteriormente a declividade do terreno proporcionou a adoção
de um partido arquitetônico em dois blocos de três pavimentos, com níveis diferenciados e
alternados, unidos por amplo saguão com pé-direito triplo e cobertura em abóbadas, onde se
localiza a rampa de acesso a todos os pavimentos. Esta ordenação espacial proporcionou
extrema funcionalidade na disposição das áreas destinadas ao acervo, áreas de leitura, áreas de
apoio, e áreas especiais. Nos níveis inferiores foram alocados os acervos de abrangência mais
geral sendo definidos que nos níveis superiores ficariam os mais especializados.
No conjunto total a Biblioteca Comunitária ficou com uma área de 9.000 m2,
englobando uma área de vivência situada ao nível da via, três salas de seminários, salas de
apoio administrativo para eventos, sanitários, lanchonete, pequenas lojas e o Teatro
Universitário Florestan Fernandes, com capacidade para 420 pessoas.

14

�A Biblioteca propriamente dita desenvolve-se em cinco níveis diferentes: um grande
“hall” abriga a recepção, área de leitura livre, espaço para exposição permanente, área de
processamento técnico e administração. No nível 2 estão o setor de acesso a base de dados,
com posto de serviço da Rede Antares, Salas de Aula e de Treinamento, suporte
administrativo, gerencial e de Processamento Técnico.
A coleção de primeiro e segundo graus, Literatura Infanto-juvenil, didática, paradidática, e literatura em geral; serviço de referência, Assistência e Orientação ao Usuário,
Setor de Multimídia, Videoteca / Discoteca, Sala de Leitura Infanto-Juvenil e Biblioteca do
Professor, ficam no nível 3 pela facilidade de acesso do usuário da comunidade. No nível 4
estão as coleções de monografias de graduação, pós-graduação e pesquisa (Ciências Exatas,
Biológicas e Engenharias); Banco de Livro-Texto, Banco de Teses, Coleção de Consulta,
Serviço de Reprografia “self-service”, Salas de Leitura e Estudo em Grupos e Individuais. No
nível 5 estão as coleções e publicações seriadas e obras de referência. As Coleções Especiais e
Coleção Geral de Humanidades ficam no nível 6. Em todos os níveis podemos encontrar
terminais de consulta e serviços de reprografia.
Nos níveis 2, 4, 6 estão as baterias de sanitários masculino, feminino e para
deficientes. O nível 2 (Administração) é servido por uma copa. A caixa de escada e elevador
forma um volume à parte e tem acesso direto com a área administrativa. O elevador substitui
o monta-carga, e é usado apenas pelos funcionários na tarefa de transporte dos volumes e por
deficientes que apresentam maior dificuldade em subir as rampas.

15

�O guarda-volumes está localizado próximo ao acesso de público, antes da entrada
principal.
Os amplos espaços onde só divisórias leves fazem algumas separações, conferem ao
projeto grande flexibilidade. Esta opção foi adotada para toda a área administrativa, onde por
exemplo foram usados painéis cegos a meia altura com painéis e bandeiras de vidro com
ventilação. A leveza se faz pela transparência e torna os ambientes naturalmente integrados.
Nos demais níveis também existem algumas divisões de espaço usando o mesmo padrão,
quando se faz necessário separar algumas funções específicas, como exemplo, a Sala de
Literatura Infantil e salas de reprografia.
CONFORTO TÉRMICO:
Com orientação norte/sul o edifício da Biblioteca Comunitária foi projetado com
amplas esquadrias de alumínio nas fachadas, mantendo abertura total para o “hall” central, o
que proporciona a possibilidade de manutenção de uma ventilação cruzada permanente nos
dois blocos principais. As quatro abóbadas que cobrem o espaço central, com pé direito
correspondente a sete níveis, com suas imensas esquadrias, sem dúvida também são
responsáveis pela boa ventilação, além de proporcionar boa iluminação natural em todo o
interior do

edifício. Desta maneira todos os postos de leitura, dispostos no sentido

longitudinal são privilegiados por esta concepção arquitetônica, que proporciona excelente
condições de conforto térmico e a possibilidade de um visual ora do exterior, ora do grande
saguão interno. Somente a sala que abriga as Coleções Especiais e equipamentos
computacionais (servidores) são climatizadas artificialmente.

16

�TIPOLOGIA CONSTRUTIVA:
O edifício foi construído com estrutura de concreto pré-fabricado, constituído de
pilares, vigas, lajes de piso tipo colmeia dimensionadas para uma sobrecarga de 1.000 kg/m2,
cobertura em telha “W” de concreto protendido. O vão básico da estrutura é 8,75x8,75m. Os
dois blocos de três pavimentos são interligados por um grande “hall” com pé-direito triplo e
cobertura de quatro abóbadas de concreto moldado in-loco. A disposição dos blocos e do
“hall” proporcionam a possibilidade de uma visão de todo conjunto interno do edifício. As
fachadas, com amplas esquadrias de alumínio, sombreadas por um “brise” de grade metálica,
permitem uma com ampla visão do exterior.
A opção pelo uso de uma tipologia construtiva com elementos de concreto préfabricados teve como justificativa a necessidade de uma resposta rápida às questões políticas
que colocavam-se na época. A utilização dos recursos destinados a construção da Biblioteca
Comunitária tinham prazos extremamente curtos que determinaram um cronograma de projeto
e execução das obras bastante limitado.
4.3. DIMENSIONAMENTO:
Na proposição do espaço físico para a Biblioteca Comunitária um dos aspectos
importantes

que

devemos

considerar

referem-se

às

questões

técnicas

de

dimensionamento.
O dimensionamento da área necessária para postos de leitura e acervo, foi
definido em função de esquemas elaborados, conforme fig. 1 e fig.2, já mencionadas
anteriormente e baseadas em literatura específica.

17

�O número de postos de leitura foi determinado em função da necessidade de
atendimento à comunidade de usuários. Foi estabelecida a quantidade de 800 postos de
leitura, o que corresponde a 10% da população universitária ou aproximadamente 6%
do número total de usuários inscritos.
5. CONSIDERAÇÕES FINAIS:
No geral, o projeto da Biblioteca Comunitária de São Carlos apresenta como inovação
um prédio em concreto pré moldado, com a criação de espaços amplos, claros, integrados,
oferecendo um clima de descontração e conforto.
A utilização de materiais de fácil manutenção, tais como revestimentos cerâmicos
tanto interna como externamente, o piso vinílico e também o cimentado rústico (na área de
vivência), são características marcantes do projeto. Somada a estas características, a escolha
do mobiliário foi de fundamental importância – cores claras com algumas diferenciações,
como por exemplo na área de leitura infanto-juvenil, onde procurou-se aliar funcionalidade
com o tom vibrante das cores primárias como azul e amarelo, para que o público mais jovem
se sentisse atraído também pelo ambiente diferenciado. O laminado melamínico foi o
revestimento escolhido para as mesas de leitura, estruturadas em aço tubular, e as cadeiras são
em poliuretano rígido com o mesmo tipo de estrutura.
Desta maneira, o projeto arquitetônico foi desenvolvido procurando-se soluções e o
uso de materiais adequados, visando fácil manutenção e maior conservação, tanto do prédio
quanto do acervo da UFSCar.
A Biblioteca Comunitária foi projetada dentro do enfoque de um centro cultural,
agregando em seu programa áreas de vivência, auditório e ambientes para exposições,

18

�constituindo-se no mais importante espaço físico do campus e representando a verdadeira
expressão cultural dos valores locais das prioritárias condições de estudo e pesquisa.

6. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS:
(1) GASCUEL, Jacqueline Um espaço para o livro: como criar, animar ou renovar
uma biblioteca. Trad. de Maria Inês Barroso. Lisboa: Publicações Dom
Quixote, 1987. p.16.

(2) SIMPÓSIO SOBRE ARQUITETURA DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS,
2., 1990, Belém. Anais... Belém: Supercores, 1990. 2v.
(3) MOSQUEIRA, Cláudio Mafra Aspectos do planejamento e construção de
bibliotecas universitárias brasileiras. In: SIMPÓSIO SOBRE
ARQUITETURA DE BIBLIOTECAS UNIVERSITÁRIAS, 1., 1981,
Brasília. Anais... Brasília, 1981.
(4) Universidade Federal de São Carlos. Plano diretor de desenvolvimento físico:
1987. São Carlos: UFSCar, 1987.

19

�7. ANEXOS:

20

�Figura 3:

✢✩
✢✬✩
✯✴✥✣✡ ✣✯✭✵✮✩
✴➁✲✩
✡ ✤✡ ✵✦✳✣❁❒

:

21

�</text>
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    <description>A non-persistent, time-based occurrence. Metadata for an event provides descriptive information that is the basis for discovery of the purpose, location, duration, and responsible agents associated with an event. Examples include an exhibition, webcast, conference, workshop, open day, performance, battle, trial, wedding, tea party, conflagration.</description>
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      <name>Dublin Core</name>
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              <text>A concepção de um novo modelo de Biblioteca exige uma nova concepção do seu espaço físico, onde a funcionalidade deve estar presente sem contudo sobrepor à estética e vice-versa. Nesta direção foi realizado um trabalho conjunto entre bibliotecários e arquitetos que resultou em um projeto arquitetônico que permitiu de modo harmonioso abrigar num mesmo espaço diferentes comunidades de usuários, acervos, serviços e produtos de informação, inovando e renovando o convencional de uma biblioteca universitária comunitária. O estudo detalhado de todas as funções e serviços da biblioteca em sua nova concepção possibilitou a identificação de parâmetros para o trabalho de criação dos arquitetos.
Localizada no eixo norte / sul do campus da Universidade Federal de São Carlos, o complexo Biblioteca Comunitária, área de vivência e auditório englobam uma área de aproximadamente 9.000 m2. A estrutura é em concreto pré-moldado, e o espaço de dois blocos modulados de dois e três pavimentos respectivamente, é interligado por um grande hall coberto por quatro grandes abóbadas de concreto que deixam passar luz através de suas imensas esquadrias laterais de ferro e vidro. A visualização do “todo”, espaços amplos e abertos, agradam os usuários. O elemento de ligação entre os dois blocos, que abrigam desde a infraestrutura até os acervos especiais da biblioteca, é uma rampa que conduz aos cinco diferentes níveis. Boa
iluminação natural, boa acústica e conforto térmico são características marcantes do projeto. Materiais de fácil manutenção, tais como revestimentos cerâmicos interno e externo, piso cimentado rústico e piso vinílico foram largamente utilizados. A caixa de escada e elevador, as abóbodas do grande hall e os dois blocos distintos deram ao projeto uma volumetria interessante. Um auditório com 400 lugares e salas para conferências conferem ao conjunto uma função mais ampla do que a de uma biblioteca isoladamente. Um projeto que abriga “um projeto maior”, o da Biblioteca Comunitária.</text>
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